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sexta-feira, 27 de abril de 2012

Angola acusa Kumba Ialá de ser mentor do golpe de Estado

O golpe de Estado na Guiné-Bissau começou a ser preparado logo a seguir à morte do presidente Malam Bacai Sanhá, a 9 de Janeiro, acusou em Luanda o vice-ministro da Defesa, Salvino "Kianda". Segundo o governante angolano, Kumba Ialá (foto) manobrou os militares guineenses para protagonizarem o golpe de Estado, tendo mesmo dado uma soma de dinheiro ao chefe de Estado-Maior General das Forças Armadas da Guiné-Bissau, general António Indjai. "O chefe das Forças Armadas da Guiné-Bissau e o candidato Kumba Ialá são parentes. A mulher de Kumba Ialá é tia de António Indjai", explicou o general "Kianda". Sobre o material bélico levado pelo contingente militar angolano para a Guiné-Bissau, disse que não é "com paus e brinquedos" que se formam militares.

sexta-feira, 30 de março de 2012

Angola quer alterações ao Acordo Ortográfico

Foto: Shutterstock
Angola, que ainda não ratificou o Acordo Ortográfico, quer ver nele grafadas as contribuições das suas línguas nacionais, à semelhança do que fizeram já alguns Estados da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP).

A exigência angolana surge na altura em que os ministros da Educação da CPLP se encontram reunidos em Luanda para analisar a questão de implementação do acordo. No encontro ministerial de hoje, Angola pretende ver acautelada além da grafia, a questão de implementação do acordo no seu sistema educativo.

Para o representante do Ministério das Relações Exteriores de Angola, Oliveira Encoge, "Angola quer ver grafados no acordo aquilo que é contribuição das suas línguas nacionais, à semelhança do que Brasil e Timor introduziram". 

domingo, 25 de março de 2012

Angola e Cabo Verde querem abolir vistos

O ministro do Interior angolano, Sebastião Martins, defendeu na quarta-feira que Cabo Verde e Angola deverão caminhar para que, no futuro, seja possível a supressão total de vistos entre os dois países.
Sebastião Martins e a sua homóloga cabo-verdiana, Marisa Morais, assinaram um acordo de facilitação de vistos entre os dois países e de reconhecimento mútuo de cartas de condução. O acordo assinado vai permitir, segundo o governante angolano, eliminar a burocracia para a concessão de vistos entre os dois Estados, mas também permitir estadas mais prolongadas para cabo-verdianos e angolanos. As partes acordaram igualmente incrementar a cooperação no combate à criminalidade organizada e narcotráfico. Os dois países vão também promover acções de formação em instituições policiais.

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Angola já é terceiro nas remessas de emigrantes

Angola já é a terceira principal origem das remessas de emigrantes portugueses, com 147 milhões de euros em 2011, segundo dados divulgados esta semana pelo Banco de Portugal (BdP).

Num ano em que as remessas totais dos emigrantes se mantiveram quase iguais às do ano anterior, o montante enviado pelos portugueses residentes em Angola cresceu quase 10 %. Nos números do BdP, as remessas dos portugueses em Angola estavam assim em 2011, já bastante acima das recebidas de destinos tradicionais da emigração portuguesa, como os Estados Unidos (130 milhões de euros), a Alemanha (113 milhões), o Luxemburgo (68 milhões) ou o Canadá (40 milhões). No entanto, as principais fontes de remessas de emigrantes continuam a ser a França e a Suíça. Estes dois países representaram mais de metade dos valores enviados para Portugal em 2011.

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

Angola conhece experiência autárquica de Cabo Verde

Angola está interessada em conhecer a experiência cabo-verdiana no domínio das eleições autárquicas e assuntos parlamentares. O chefe da delegação angolana que se encontra em Cabo Verde, o presidente da Assembleia Nacional Basílio Ramos, afirmou que o seu país tem em vista a realização de eleições autárquicas em “alguns municípios”, pelo que lhe interessa conhecer a experiência cabo-verdiana nesse domínio. Assegurou ainda que a sua comitiva ficou com a impressão de que o Parlamento cabo-verdiano é “muito activo e com um sentido democrático muito forte”. A delegação angolana termina hoje uma visita de cinco dias a Cabo Verde, cujo objectivo também era mostrar um pouco do “progresso de Angola nos últimos anos" às autoridades políticas cabo-verdianas.

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

Martin Schulz nega críticas a Portugal

 "O futuro de Portugal é o declínio"
O presidente do Parlamento Europeu, Martin Schulz, fez marcha atrás e deu o dito pelo não dito. Em causa estão as declarações que criticavam o facto de Portugal apelar a investimentos angolanos. O alemão disse num debate que "o futuro de Portugal é o declínio"."Passos Coelho apelou ao Governo angolano que invista mais em Portugal, porque Angola tem muito dinheiro. Esse é o futuro de Portugal: o declínio (...), se não compreendermos que, economicamente, só teremos hipóteses no quadro da UE", disse Martin Schulz durante um debate em Bruxelas.

Ontem, o eurodeputado Paulo Ranhel pediu esclarecimentos formais ao presidente do Parlamento, considerando "inaceitável" o facto de Schultz se pronunciar sobre a política externa portuguesa. O presidente do PE já lamentou o que classificou como uma interpretação errada dos comentários que fez sobre a visita do primeiro-ministro português a Angola, garantindo que não criticou Portugal, mas sim "a falta de solidariedade na Europa".

domingo, 22 de janeiro de 2012

RTP e Agência Lusa assinam acordos com media angolana

A Rádio Televisão Portuguesa e a Televisão Pública de Angola assinaram esta quarta-feira, na cidade de Benguela, um protocolo de cooperação no domínio de conhecimento, tecnologia, inovação e criatividade nas áreas de audiovisual, design e multimédia.

O ministro-adjunto e dos Assuntos Parlamentares de Portugal, Miguel Relvas, que liderava a comitiva portuguesa, assistiu ainda à assinatura do acordo entre a Agência Lusa e o maior grupo privado de comunicação social angolano - Medianova. O acordo entre a Lusa e a Medianova passa pela disponibilização recíproca de conteúdos, requisição de serviços e programas de formação destinados aos profissionais do Medianova. "O nosso mercado é um potencial em crescimento e está na geografia da língua, é onde temos crescido", disse Relvas.

domingo, 8 de janeiro de 2012

Angola: Segunda fase do registo eleitoral em andamento

Foto: AFP
O Presidente angolano José Eduardo dos Santos deu ontem em Luanda o "pontapé de saída" da segunda fase do registo eleitoral, durante o qual as autoridades angolanas esperam recensear mais de 9 milhões de eleitores, até 15 de Abril.

Durante a primeira fase, que decorreu entre 29 de Julho e 16 de Dezembro de 2011, foram registados 5.287.769 eleitores em todo território nacional, dos quais 493.383 se recensearam pela primeira vez. As próximas eleições gerais em Angola ainda não têm data marcada, mas segundo os prazos constitucionais deverão realizar-se a partir de 01 de Setembro.

Para garantir o sucesso do recenseamento, o Ministério da Administração do Território criou mais 120 brigadas de registo, que se juntam às 406 iniciais.

sábado, 12 de novembro de 2011

Angola facilita vistos a Portugal

O modelo de concessão de vistos estabelecido por Angola e Portugal pode também ser desenvolvido com Moçambique e os restantes países da Comunidade de Países da África Austral (SADC), anunciou o ministro angolano das Relações Exteriores, Georges Chikoti.

O acordo existente entre Angola e Portugal prevê a concessão de vistos para certas categorias profissionais: como médicos, professores, estudantes, desportistas e empresários, que normalmente pretendam circular rapidamente entre um e outro país.

Georges Chikoti referiu que o Executivo está a generalizar o sistema de vistos on-line a partir de Luanda, concedendo autorizações em tempo relativamente curto, tendo em atenção a dinâmica das sociedades e o interesse das pessoas verem os problemas resolvidos a nível global.

Foto: AFP

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Angola: Padre católico apela a fiéis a não seguirem exemplo de povos de países árabes

A igreja católica em Angola apelou aos seus fiéis a não seguirem o exemplo dos povos de países árabes, que considerou serem “atitudes desordeiras e que resultam em sofrimento e mal-estar entre as pessoas”.

O apelo foi feito, durante a missa de domingo, pelo cónego Apolónio Graciano, que condenou na homília as revoltas populares contra a governação nesses países.

O cónego Apolónio Graciano, citado pela agência de notícias angolana Angop, referiu que o conflito armado de mais de três décadas que Angola enfrentou reflete bem “os constrangimentos de uma terra em guerra”, e, por isso, “as ações desenvolvidas pelos povos destes países não devem servir de exemplo para os angolanos”.

O pároco da Igreja Nossa Senhora dos Remédios e da paróquia de São Carlos Lwanga pediu ainda aos fiéis para que não incentivem o ódio entre os angolanos.

“Por todo o sofrimento vivido pelos angolanos durante a época de guerra, é escusado qualquer tipo de ações que venham a remeter este país a situações daquele contexto”, disse o cónego Apolónio Graciano, um dos padres com maior influência em Angola.

O apelo da igreja surge numa altura em que correm rumores, em Luanda, com base em e-mails que estão a circular na Internet e em dois sites sobre uma alegada manifestação, marcada para o próximo dia 07 de março, cujos organizadores são desconhecidos.

O e-mail da convocação da manifestação é assinado por alguém que escolheu o pseudónimo Agostinho Jonas Roberto dos Santos, que junta os nomes de Agostinho Neto, primeiro Presidente de Angola, Jonas Savimbi, líder histórico da UNITA, Holden Roberto, líder histórico da FNLA (os três já falecidos) e do atual Presidente angolano, José Eduardo dos Santos.

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

Angola: Uma em cada quatro crianças até aos cinco anos morre

Uma em cada quatro crianças até aos cinco anos morre em Angola, afirmou a ministra da Família e Promoção da Mulher, Genoveva Lino, que defendeu que têm de se “despertar comportamentos positivos” em todas as mães.

Na abertura do seminário sobre “Advocacia para a divulgação da estratégia nacional de comunicação e promoção das competências familiares”, na quinta-feira, a ministra alertou que as crianças representam o grupo mais vulnerável da sociedade, marcado por uma alta taxa de mortalidade e baixa esperança de vida ao nascer.

“As competências familiares têm o objetivo de melhorar a qualidade da saúde, educação e protecção das crianças até aos cinco anos”, afirmou a ministra, citada pelo Jornal de Angola.

Genoveva Lino disse ainda que o seu Ministério pretende “despertar comportamentos positivos” em todas as mães, estando a motivar as mulheres a adoptar comportamentos que podem salvar vidas.

Afirmando que apenas 14 por cento das crianças são amamentadas em exclusivo, a ministra defendeu que todas as mães devem tentar amamentar os bebés durante, pelo menos, seis meses.

A governante acrescentou que os alimentos sólidos e as papas são introduzidos muito cedo, o que aumenta a vulnerabilidade das crianças, colocando-as no ciclo vicioso de mal nutrição e infecções.

Por seu lado, o representante do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), Koenraad Vanormelingn, defendeu que “se 90 por cento das mães amamentassem de forma exclusiva e imediata os seus bebés até aos seis meses, era possível salvar a vida de 10 000 crianças todos os anos”.

Foto: Arquivo LW

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Reino Unido: Cidadão angolano morre durante processo de deportação

Um cidadão angolano morreu na terça feira em Londres durante o processo de deportação, após ter-se sentido mal quando já se encontrava dentro do avião, confirmaram hoje as autoridades britânicas.

O homem, de 46 anos, estava acompanhado de três agentes de segurança civis, precisou hoje a Polícia Metropolitana, que foi chamada pouco antes das 20:30 horas a um voo da British Airways entre o aeroporto de Heathrow e Luanda.

A Polícia não quis indicar a identidade do cidadão, mas fonte diplomática confirmou à agência Lusa tratar-se de uma pessoa de nacionalidade angolana que se encontrava no país à espera de deportação há algum tempo.

A Agência de Fronteiras britânica apenas informou que “um detido foi retirado indisposto de um voo que se preparava para deixar o Reino Unido e que foram chamados os serviços de emergência”.

O homem foi transportado para o hospital de Hillingdon, a cerca de sete kilómetros, mas morreu pouco depois de chegar àquela unidade hospitalar.

Uma autópsia foi ordenada para apurar a causa da morte, cujas circunstâncias serão objeto de investigação da polícia e do Provedor das Prisões e Liberdade Condicional.

Devido ao incidente, a British Airways, que voa duas vezes por semana de Londres para a capital angolana, adiou o voo para o dia seguinte, informou um porta voz da companhia aérea.

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Brasil: Africanos representam 65 por cento dos refugiados, a maioria são angolanos

O Brasil abriga atualmente 4.305 refugiados, sendo 65 por cento da África, com destaque para Angola, informou hoje o Comité Nacional para os Refugiados (Conare).

Dados do Conare, ligado ao Ministério da Justiça, indicam que, depois da África, o continente americano a região que contribui com mais refugiados (22,16 por cento), seguida da Ásia (10,41 por cento) e Europa (2,27 por cento).

A legislação brasileira determina a concessão de refúgio, quando há perseguição no país de origem, por motivos de raça, religião, nacionalidade, grupo social, opiniões, ou grave violação de direitos humanos.

Os dados do Conare, citados pela Agência Brasil, indicam que há 78 nacionalidades entre os refugiados no Brasil, com Angola a liderar a lista, com 1.688, seguida da Colômbia (589), República Democrática do Congo (431), Libéria (259) e Iraque (201).

Atualmente, o número de refugiados em todo o mundo chega aos cerca de 15 milhões, segundo as Nações Unidas (ONU), tendo os países em desenvolvimento como destino preferencial.

Em 2009, cerca de 43,3 milhões de pessoas foram forçadas a deslocar-se por causa de conflitos e perseguições em todo o mundo.

*** Este texto foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico ***

segunda-feira, 19 de julho de 2010

Portugal: Cavaco Silva visita Angola

O Presidente da República, Aníbal Cavaco Silva, inicia hoje formalmente uma visita de Estado de quatro dias a Angola da qual pretende sair com um reforço da parceria estratégica que defende para os dois países.

O PR aterrou já domingo em Luanda, acompanhado da maior comitiva empresarial que alguma vez acompanhou um chefe de Estado português numa visita oficial – mais de 135 empresários.

Apesar disso, a visita de Estado – a primeira de um Presidente da República português – inicia-se apenas hoje, com uma cerimónia oficial de boas vindas no Palácio Presidencial, no fim da qual os dois chefes de Estado prestarão declarações, de acordo com o programa previsto.

Este facto é considerado um sinal de atenção especial por parte de José Eduardo dois Santos, que nem sempre presta declarações no final de encontros com os seus homólogos.

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Luxemburgo quer desenvolver laços económicos com Angola - entrevista com o director do Comércio Externo luxemburguês, Jean-Claude Knebeler

O Luxemburgo quer investir em Angola. Prova disso, é a deslocação a 10 e 11 de Fevereiro, de Jean-Claude Knebeler, director do Comércio Exterior junto do Ministério luxemburguês da Economia à capital angolana, acompanhado de André Kemmer, analista financeiro do seu ministério, para se encontrar com dirigentes angolanos com o objectivo de estreitar relações comerciais com a antiga colónia portuguesa.

CONTACTO: Como surgiu o interesse do Luxemburgo em investir em território angolano? Quais os objectivos e quando foram estabelecidos os primeiros contactos?

Jean-Claude Knebeler: Actualmente, o Ministério da Economia e do Comércio Exterior do Luxemburgo está interessado em desenvolver laços económicos com África, em geral, e Angola, em particular. É nesta óptica que me desloquei a Luanda com o objectivo de ter uma ideia mais concreta do potencial de cooperação e para estabelecer os primeiros contactos com os decisores, por forma a poder preparar uma missão ministerial que incluísse empresas luxemburguesas. Trata-se claramente de um contexto comercial, o que não exclui, no entanto, uma intervenção pontual no domínio do apoio ao desenvolvimento, nomeadamente, através de iniciativas de assistência técnica, de formação bancária ou em termos de micro-finanças. Consciente da ausência quase total de empresas luxemburguesas no continente africano, o Ministério do Comércio Exterior fixou-se como objectivo melhorar a nossa presença nesse continente, do qual alguns países conhecem um crescimento económico notável. Angola insere-se bastante bem nesta iniciativa, visto que gera receitas financeiras através da produção de petróleo e outras matérias primas, e testemunha de uma relativa estabilidade política. O país tem muito potencial que actualmente permanece subutilizado, havendo uma série de empresas luxemburguesas que podem trazer uma mais-valia em domínios que o Governo angolano identificou como sendo prioritários para o seu desenvolvimento.

Prevemos actualmente trabalhar com linhas de crédito – à semelhança de Portugal, Brasil, Alemanha ou Espanha – , porque os montantes em jogo não o justificam verdadeiramente. Não devemos esquecer que o Luxemburgo é um país de pequenas e médias empresas (PME) que, ainda que especializadas, trabalham com montantes bastante reduzidos em comparação internacional. Não vamos construir linhas de caminhos-de-ferro. Já nos contentaríamos de poder assegurar a planificação de uma ou mais pontes segundo os padrões europeus.

Penso que o Governo angolano tem a capacidade e a vontade de pagar pelos seus próprios meios, o “savoir-faire” das empresas luxemburguesas, caso as considere competitivas. A cooperação noutros domínios, nomeadamente o frete aéreo, não implicam gastos directos para o Governo angolano, mas irão gerar receitas a prazo.

C.: Quais foram as suas primeiras impressões sobre Angola? Que aspectos positivos e negativos encontrou?

JCK: Fui agradavelmente surpreendido pela mentalidade angolana. São disciplinados, pontuais e falam em concreto. O acolhimento e a organização do programa foram exemplares, muito melhor do que já tenho visto em alguns países mais desenvolvidos. Acresce-se a isto o facto de o novo Governo angolano ainda não ter tomado posse oficialmente, o que, com evidência, complica a tarefa dos funcionários encarregues da elaboração do programa de encontros. Além disso, o aeroporto foi modernizado e pode hoje vangloriar-se de um serviço de nível europeu.

Em relação aos pontos negativos, constato que Luanda é hoje a cidade mais cara do mundo. Os preços praticados em instalações utilizadas por estrangeiros são proibitivos. Claro, há o jogo da oferta e da procura, mas ainda restam esforços por fazer. O 'buffet' para almoço, por exemplo, facturado a 87 dólares americanos, pareceu-me excessivo.

Outra contrariedade é a ausência de táxis. É necessário encontrar um carro com motorista por preços fantásticos. Paguei 200 dólares americanos para um trajecto de 10 minutos num Suzuki Alto.

A insegurança proclamada é outro dos aspectos negativos de Angola.

De resto, não tive nenhuma experiência negativa nem tive o sentimento de não estar em segurança, mas ficámos aquartelados à noite no hotel ou nos restaurantes de Ilha, visto que nos descrevem o nível de criminalidade como muito elevado. É provavelmente o resultado de uma repartição muito desigual das riquezas e da presença abundante de armas de fogo, oriundas do tempo da guerra civil.

C.: Muitos acusam Angola de ser uma oligarquia dissimulada em democracia, nomeadamente por causa da excessivo concentração de poderes em torno de personalidades oriundas do partido político MPLA e próximos de Eduardo dos Santos, presidente de Angola desde 1979, fazendo do país um dos mais corruptos no mundo. É também esta a sua análise?

JCK: Se há oligarquia, esta tenta mascarar-se. Cheguei a Luanda no dia da nomeação do novo Governo e ao falar com angolanos e ao ler os jornais, constatei que havia um debate democrático - pelo menos no seio de uma elite dita "intelectual". Não nos devemos esquecer que o país acaba de sair de um período de 30 anos de guerra civil – precedida pelo domínio português – e que a cultura e instâncias democráticas levam tempo a desenvolver-se. Nesta óptica, Angola é favoravelmente comparável com outros países africanos que tiveram uma história semelhante.

A concentração do poder à volta do leadership [liderança] do MPLA deve-se principalmente, na minha opinião, à história de Angola. Em vez de se transformarem em partidos políticos após a independência do país, o MPLA e a UNITA envolveram-se enquanto facções numa guerra civil, agindo mais como forças armadas do que como partidos, com impacto que tudo isso tem em termos de debate interno e de lealdade. Também a situação incerta educou certos líderes a criar planos B, como opção de saída em caso de usurpação de poder. Além disso, no Ocidente, Angola ainda goza da má reputação, como o caso publicado em França sob o nome de "Angolagate" lhe conferiu. Contudo, penso que se trata principalmente de um caso político franco-francês, que me faz lembrar estranhamente um outro caso que manchou a reputação de um prestador de serviços no Grão-Ducado, sem que o nosso país estivesse envolvido de uma maneira ou de outra.

Por isso compreendo a situação, sem justificar a existência de corrupção. É preciso saber julgar tendo em conta o contexto: uma democracia com todos os mecanismos de fiscalização e transparência necessária não se constituem de um dia para o outro. Para que uma democracia funcione, é necessário que o povo inteiro se dela aproprie e nela participe. Isso ainda vai levar tempo, a pobreza e o analfabetismo resultantes da guerra ainda estão demasiadamente espalhados para permitir a existência daquilo que chamamos "democracia liberal" em Ciências Políticas com uma verdadeira participação popular.

C.: Angola é uma antiga colónia portuguesa. Exceptuando a língua falada no país, que outros vestígios da presença portuguesa detectou?

JCK: No centro da cidade, ainda podemos ver antigos edifícios construídos pelos colonizadores portugueses, incluindo uma fortaleza. Devo também dizer que a cozinha portuguesa está bastante presente, mas parece-me que uma cozinha angolano-portuguesa parece ter-se criado. Os vinhos servidos à mesa são igualmente na sua grande maioria portugueses, podendo-se beber o vinho verde mais caro de toda a nossa vida...

Constatamos igualmente haver fortes relações comerciais entre Angola e Portugal. Alguns bancos portugueses estão muito presentes no país e os hotéis recebem um número assinalável de homens de negócios portugueses e brasileiros. É necessário também sublinhar as relações estreitas entre o Brasil e Angola, sobretudo no domínio da construção civil.

C.: Uma larga maioria dos angolanos não conhece o Luxemburgo. Em relação aos dirigentes políticos, que imagem têm do Grão-Ducado?

JCK: Geralmente, têm uma ideia muito positiva. É claro que o Luxemburgo é visto como um centro financeiro e como um país com o produto interno bruto (PIB) elevado. Mas também é o país da empresa SES, no domínio dos satélites, ou da Cargolux, no frete aéreo. A mensagem mais importante que eu, no entanto, recebi, foi a de que o Grão-Ducado era visto como um país neutro, sem história de colonização, o que lhes agrada. Eles desejam falar de igual para igual com os seus parceiros comerciais, o que por vezes é difícil com países que os dominaram durante séculos.

C.: Para quando uma visita de altos responsáveis políticos angolanos ao Luxemburgo?

JCK: Transmiti oralmente convites à ministra do Comércio e do Turismo, bem como ao presidente de Agência Nacional para o Investimento Privado (ANIP). Por sua vez, o ministro luxemburguês da Economia, Jeannot Krecké, irá endereçar-lhes convites oficiais, estando entretanto prevista uma visita sua a Luanda para Setembro ou Novembro deste ano.

C.: Tem conhecimento da presença de cidadãos de Angola no Luxemburgo?

JCK: Estamos ao corrente da existência de uma comunidade angolana no Luxemburgo sem no entanto manter contacto com os seus representantes. Em contrapartida, temos um excelente contacto com a Embaixada de Angola em Bruxelas, à qual gostaria de agradecer pela eficácia na organização da minha visita.

Nuno Costa



A baía de Luanda Foto: Lusa

(entrevista publicada na edição de 17 de Fevereiro do jornal CONTACTO)

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Luxemburgo: Nova embaixadora de Angola apresentou credenciais ao Grão-Duque

A nova embaixadora de Angola para o Benelux, Maria Elisabeth Simbrão, apresentou quinta-feira as suas credenciais ao Grão-Duque Henri.

Segundo nota divulgada ontem pela Embaixada de Angola em Bruxelase e pela Chancelaria da Corte Grã-Ducal, a cerimónia decorreu no Palácio Grão-Ducal, na cidade do Luxemburgo.

Durante o encontro, foram abordadas questões relativas à situação política e socioeconómica em Angola e sobre as perspectivas de reforçar as relações de amizade e cooperação entre os dois povos e países. Elisabeth Simbrão aproveitou a ocasião para transmitir ao soberano luxemburguês as saudações do chefe de estado angolano, José Eduardo dos Santos, pode ler-se na mesma nota.

Maria Elisabeth Simbrão, que já foi embaixadora de Angola em Lisboa, substitui em Bruxelas Toko Diankenga Serão, destacado agora para a Sérvia.

A nomeação de Elisabeth Simbrão por parte de José Eduardo dos Santos foi conhecida em Janeiro, mas só em 10 de Julho a dipolmata se apresentou ao rei Alberto II da Bélgica e 14 dias depois à rainha Beatrix, no Palácio Real, em Haia.

Coube na semana passada ao chefe de Estado luxemburguês receber a nova embaixadora, o que a oficializa como chefe da missão diplomática angolana no Grão-Ducado.

Ontem à tarde, o Grão-Duque Henri recebeu ainda as cartas de credenciais dos novos embaixadores destacados no Luxemburgo do Cazaquistão, do Chile, da Macedónia e do Benim.

JLC

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

Angola: Hillary Clinton termina visita "histórica"

A secretário de Estado norte-americana, Hillary Clinton, deixou hoje Angola sem prestar declarações, após uma audiência com o Presidente angolano, encerrando uma visita de 24 horas que o embaixador dos EUA em Luanda definiu como "histórica".

À saída da audiência, José Eduardo dos Santos e Hillary Clinton não prestaram declarações à imprensa, tendo a chefe da diplomacia norte-americana seguindo para o aeroporto internacional 04 de Fevereiro, de onde já partiu para a República Democrática do Congo, quarto país do seu périplo africano que termina dia 14 em Cabo Verde.

Em declarações à imprensa no aeroporto de Luanda, o embaixador dos Estados Unidos da América em Angola, Dan Mozena, definiu como “histórica” a visita de Hillary Clinton, no sentido de ter havido “muitos progressos” no fortalecimento das relações bilaterais.

Segundo Dan Mozena, a secretária de Estado norte-americana deixa o país com a impressão de que Angola se está a desenvolver e em fase de reconstrução.

“Ela está a sair deste país com uma impressão construtiva de Angola”, disse à imprensa Dan Mozena.

A agenda bastante recheada da secretária de Estado norte-americana incluiu, na sua visita de 24 horas a Luanda, encontros com o seu homólogo angolano, Assunção dos Anjos, com o Presidente da Assembleia Nacional, Fernando da Piedade Dias dos Santos, com os líderes das bancadas parlamentares, todos realizados no domingo, e, por fim, a audiência com o Chefe de Estado, José Eduardo dos Santos, ao fim da manhã de hoje.

Em todas as suas intervenções durante a estada em Angola, a secretária de Estado norte-americana referiu sempre que pretendia reforçar a cooperação entre os dois países, mas também deixou avisos sobre direitos humanos, governação e eleições presidenciais.

Em conferência de imprensa no domingo, após as conversações oficiais entre as delegações dos dois países, Hillary Clinton afirmou que os EUA serão um “parceiro estratégico” de Angola.