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sexta-feira, 9 de março de 2012

Luxemburgo: Instituto Camões assinala Dia da Mulher

O Instituto Camões no Luxemburgo inaugurou na quarta-feira a exposição colectiva "Sentido e Interpretação", que mostra as obras de três artistas plásticas: Clara de Abreu, Patricia Sasson e Viviane Briscolini. Apesar de terem o mesmo mestre, o luxemburguês Ernest Ersfeld, as pintoras, amigas de longa data, exprimem-se de forma diferente nos quadros que exibem no IC.

Para Viviane Sasson, a inspiração vem do amor que sente "pelas diferentes culturas". Segundo a pintora, as personagens com história são a sua maior fonte de inspiração. "Amo a cultura e a minha pintura é à volta de pessoas de diferentes culturas, principalmente a cultura oriental", explicou a artista ao POINT24 .

Reunir numa mesma exposição estilos tão diferentes é para Viviane Briscolini um desafio que há muito desejavam abraçar. "São estilos diferentes mas que se conjugam bem entre si, e parece-me que as pessoas estão a gostar".

Clara de Abreu explica que o nome da exposição vem ao encontro daquilo que as três pintoras vêm procurando com os seus quadros. "Cabe ao observador reflectir sobre os nossos quadros. Cada pessoa interpreta da sua maneira aquilo que vê, e é justamente disso que gosto", frisa. Segundo Carlos Correia, responsável do Instituto Camões no Luxemburgo, a "ideia surgiu de uma simples conversa informal com a pintora Clara de Abreu". "A ideia é enquadrar esta exposição nas comemorações do Dia Internacional da Mulher, e nada melhor que juntar estas três mulheres, artistas, neste objectivo".

"Sens et Interpretation", que reúne quadros de Clara de Abreu, portuguesa nascida em Braga, Patricia Sasson, nascida na Bélgica e com nacionalidade italiana, e Viviane Briscolini, luxemburguesa de origem italiana, está patente até 21 de Março nas instalações do Instituto Camões (no 8, bd Royal, na capital).

Texto e foto: Aleida Vieira

domingo, 7 de março de 2010

Dia da Mulher: Nascida há 100 anos, Rosalina viveu quase sempre à margem dos direitos das mulher

"Não quero que lhe paguem muito, só peço que a tratem bem". Esta foi a única exigência da mãe para Rosalina começar a trabalhar. A filha nasceu no ano do primeiro Dia Internacional da Mulher, mas viveu quase sempre à margem destes direitos.

Foi há 100 anos que numa aldeia beirã a mãe de Rosalina deu à luz, seis meses após o nascimento da Liga Republicana das Mulheres Portuguesas. Mas, naquele tempo, as notícias tardavam a chegar a Cerdeira. E se os ecos das lutas nacionais pelos direitos das mulheres não chegavam a Cerdeira, muito menos se sabia sobre o que se passava no estrangeiro.

A três mil quilómetros de distância de Sarzedas, em Copenhaga, a socialista alemã Clara Zetkin propõe a 08 de março de 1910 a instituição de um Dia Internacional da Mulher. Rosalina só agora soube da coincidência das datas centenárias entre o seu aniversário e o dos direitos das mulheres.

Aos cinco anos, a menina abandonou a aldeia rumo à capital, onde fervilhavam as actividades femininas pela igualdade de sexos. Mas "isso eram coisas para quem tinha tempo", conta hoje. Rosalina tinha poucos estudos e muito trabalho.

Andou na escola até à terceira classe, altura em que pediu à mãe para abandonar o ensino: "Para quê? Andava lá a perder tempo", recorda. Às mulheres, naquela época, estavam destinados os papéis de esposas, mães, donas de casa e educadoras dos filhos.

Em 1911, o analfabetismo feminino ultrapassava os 80 por cento. A ideia de que a educação era um direito essencial para a emancipação das mulheres era defendida apenas por uma elite.

Rosalina ainda não tinha 13 anos quando começou a servir numa casa de gente rica. Foi falar com os patrões acompanhada pela mãe, que pediu apenas que a tratassem bem. Mas ficou pouco tempo.

A menina dominava, como era exigido naquele tempo, os saberes do croché, das rendas e dos bordados. E por isso não foi difícil arranjar trabalho na costura.

Trabalhava 12 horas por dia e aos sábados, muitas vezes, ficava até à meia noite. "Mas esse serão não nos pagavam", conta Rosalina. A mãe ia buscá-la ao trabalho, porque "as mulheres não andavam sozinhas na rua", lembra.

Mas, mesmo assim, conseguiu namorar, à porta de casa, e casar em 1933, no mesmo ano da Nova Constituição do Estado Novo que veio aproximar direitos, salvo "quanto à mulher, as diferenças resultantes da sua natureza e do bem da família".

A vida de casada veio a revelar-se ainda mais penosa. Terminada a jornada de 12 horas, tinha de encontrar ânimo para pôr a casa num aprumo.

Lavava a roupa numa celha, encerava o chão, puxava o lustro de joelhos e não havia dia que se livrasse de pegar no pesado ferro de brasas. "A vida era assim", desabafa.

No final da gravidez, andava a puxar o lustro ao chão quando começou a sentir as dores de parto.

"A minha vizinha disse-me que havia uma velhota, a quem chamavam 'parteira dos gatos', que era bem entendida no que fazia", lembra Rosalina, que, na aflição, só queria alguém que lhe acudisse.

A filha Lurdes havia de nascer em casa, numa cama protegida por uma camada de jornais tapados por um lençol lavado. "Eu nunca fui a uma consulta, nem a médico nenhum, porque não havia nada do que há agora", conta.

Apesar da vida difícil, Rosalina diz que "sempre" teve liberdade. Mas nunca questionou porque razão nunca via mulheres, quando acompanhava o pai à mesa de voto.

Também nunca ouviu falar de Carolina Beatriz Ângelo, a primeira mulher que votou em Portugal, em 1911. Foi a primeira e única a votar naquela altura, porque na sua condição de viúva se apresentou como chefe de família, papel reservado aos homens.

Vinte anos mais tarde, em 1931, as mulheres com cursos superiores foram autorizadas a votar. Com a 3.ªclasse, Rosalina ficou de fora, situação só alterada com a Revolução de Abril (1974), que deu a todas as mulheres o direito de voto.

Dia da Mulher: Elas trabalham mais 16 horas por semana do que eles e ganham menos em trabalhos iguais

As mulheres trabalham mais 16 horas por semana do que os homens, porque as lides domésticas ainda são uma tarefa "delas", e no emprego chegam a ganhar menos 30 por cento em cargos idênticos aos deles.

O dia de trabalho das mulheres começa normalmente mais cedo e termina invariavelmente mais tarde. "Quando olhamos para os gráficos de tempo de trabalho pago e não pago, as mulheres trabalham em média mais 16 horas por semana do que os homens", contou à Lusa Natividade Coelho, presidente da Comissão para a Igualdade no Trabalho e no Emprego (CITE), a propósito do Dia da Mulher, que se assinala na segunda feira.

"Num mercado de trabalho sem horários, as mulheres são as mais penalizadas porque são as responsáveis por cuidar dos filhos e das tarefas domésticas", lembrou a especialista em direitos femininos, Regina Tavares da Silva.

Apesar de serem maioria - são 5,4 milhões contra 5,1 milhões de homens - continuam a ser subjugadas. Nas escolas e universidades há mais alunas e a diferença entre doutorados é cada vez mais ténue. "Mesmo sendo elas mais qualificadas não têm as mesmas possibilidades de acesso e sucesso no mundo do trabalho", lamentou Regina Tavares da Silva.

A presidente da CITE acrescenta mais informações ao cenário já preocupante: "O número de mulheres que ascendem aos lugares de topo é muito menor do que o número de homens".

E, quando ocupam os mesmos postos, não são raros os casos de discriminação salarial. De acordo com dados da CITE, as diferenças rondam os oito por cento nas profissões indiferenciadas, mas "nos cargos de topo e lugares decisórios verifica-se mais de 30 por cento de diferença salarial entre homens e mulheres", contou Natividade Coelho.

À CITE não chegaram queixas de discriminação salarial no ano passado, "mas sabemos que a situação pode existir", admite Natividade Coelho.

"O que persiste na sociedade portuguesa e sobretudo no mundo laboral é muito claramente a noção de que os homens são encarados como produtores e as mulheres como reprodutoras", disse a presidente da Comissão.

A imagem da mulher como alguém que poderá ter de se ausentar do trabalho para ficar períodos mais longos em casa para tratar dos filhos ou que tem um horário fixo de saída do emprego para ir buscar as crianças à escola agravam o perigo de discriminação no mundo laboral.

No entanto, a situação poderá mudar. A ideia do novo diploma da parentalidade, que entrou em vigor em meados do ano passado, é a de que homens permaneçam mais tempo em casa com os filhos recém-nascidos. E as consequências desta mudança já se começam a sentir: "Já vamos tendo, quer emissão de pareceres, quer queixas relativamente ao exercício da paternidade", contou à Lusa a presidente da CITE.

No entanto, "no conjunto, em números redondos, dos pareceres e queixas apenas uns dez por cento são relativos a homens". Todos os outros são relativos a problemas envolvendo mulheres grávidas ou recém mães.

"O que nós desejamos é que os homens não sejam estigmatizados quando optam por partilhar a licença com a progenitora", defendeu Natividade Coelho, lembrando que continuam a ser as mulheres quem mais usufrui deste direito.

Para a presidente da CITE, os homens querem estar mais presentes na vida familiar, mas em muitos casos a taxa de partilha de licença não é mais elevada porque "poderá haver um estigma dentro das próprias empresas, em que essa partilha não é bem aceite".