Mostrar mensagens com a etiqueta Juncker. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Juncker. Mostrar todas as mensagens

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Juncker diz que bancos terão de aceitar perdas de pelo menos 50 por cento da dívida grega

O presidente do Eurogrupo e primeiro-ministro luxemburguês, Jean-Claude Juncker, disse hoje que os bancos e outras instituições terão de aceitar perdas de 50 ou 60 por cento da dívida grega para garantir a sustentabilidade da mesma.

"Os investidores privados, os bancos, o setor privado, todos têm de participar de forma muito mais substancial para garantir que o peso da dívida grega seja sustentável no longo prazo. Em julho dissemos que o valor seria de 21 por cento. Esse valor é agora insuficiente. Tem de ser consideravelmente mais elevado, 50 ou 60 por cento, é disso que estamos agora a falar", disse o também ministro das Finanças do Luxemburgo numa entrevista televisiva, citada pela agência Bloomberg.

Também hoje, a Comissão Europeia disse preferir "claramente" uma abordagem voluntária ao envolvimento do setor privado nas perdas a suportar com a reestruturação da dívida grega, sublinhou o porta-voz do comissário dos Assuntos Económicos e Monetários, Amadeu Altafaj Tardio.

Num encontro com os jornalistas, o porta-voz para os assuntos económicos frisou que o envolvimento do setor privado num segundo pacote de ajuda financeira à Grécia deve ser voluntário, e acrescentou que o acordo com os bancos "está muito próximo", concluindo que o envolvimento do setor privado é "muito importante".

Os comentários de Altafaj surgem num momento em que os bancos expostos à dívida pública da Grécia arriscam-se a ter de suportar bem mais que os 21 por cento já acordados relativamente à redução do valor que o país vai usar para saldar os seus compromissos financeiros com os credores internacionais.

quinta-feira, 26 de maio de 2011

Euro/Crise: Juncker diz que FMI pode não libertar verbas para a Grécia

O presidente do eurogrupo e primeiro-ministro luxemburguês, Jean-Claude Juncker, disse hoje que o Fundo Monetário Internacional (FMI) pode não libertar a ajuda de 12 mil milhões de euros à Grécia, em junho, dificultando a situação financeira do país helénico.

"Há regras específicas no FMI e uma dessas regras diz que o FMI só pode tomar medidas quando a garantia de refinanciamento é dado ao longo de 12 meses", disse Juncker numa conferência de imprensa, citado pela Bloomberg. "Não penso que seja um dado adquirido que a troika conclua que isso está garantido", acrescentou.

Uma equipa de peritos da União Europeia, do FMI e da Comissão Europeia vai completar, na próxima semana, a avaliação do pacote de medidas durante a próxima semana, e dessa avaliação depende a libertação de mais 12 mil milhões de euros, dos quais cerca de 3,3 mil milhões virão do FMI.

A porta-voz do Fundo Monetário Internacional, Caroline Atkinson, disse hoje que precisa de "garantias financeiras" antes de entregar verbas aos países em dificuldades financeiras como a Grécia.

"Temos de ter garantias financeiras em todos os programas", acrescentou a porta-voz, sublinhando que as verbas servem para suprir dificuldades de financiamento desses países. "É assim que garantimos a segurança do dinheiro dos nossos membros", concluiu a responsável.

sexta-feira, 22 de abril de 2011

Luxemburgo: Juncker diz que já mentiu para proteger mercados

O primeiro-ministro luxemburguês e presidente do Eurogrupo admitiu esta semana, em Bruxelas, ter mentido ao longo da sua carreira para proteger os mercados financeiros.

"Estou pronto a ser insultado e ser acusado de não ser democrata, mas quero ser justo", declarou Juncker durante uma conferência do Movimento Europeu.

"Se revelarmos certas decisões, alimentamos as especulações nos mercados financeiros e pomos na miséria aqueles que queremos proteger", defendeu.

O primeiro-ministro assume que por vezes a mentira é necessária, sobre tudo quando se trata da política económica da Zona Euro. Esta deve ser levada a cabo "no maior segredo", para evitar que os mercados financeiros disparem.

O presidente do Eurogrupo disse ainda que os debates do Eurogrupo não podem ser revelados publicamente para evitar rumores. "Nem sempre estamos de acordo quanto à política monetária, mas, entretanto, os mercados reagem", frisou Juncker.

Foto: Serge Waldbillig

terça-feira, 16 de março de 2010

UE/Eurogrupo: Juncker felicita Teixeira dos Santos

O presidente do Eurogrupo, Jean-Claude Juncker (primeiro-ministro e ministro das Finanças do Luxemburgo), felicitou segunda-feira, em Bruxelas, o ministro das Finanças português, Fernando Teixeira dos Santos, pelas medidas do Programa de Estabilidade e Crescimento (PEC) português, considerando-as "corajosas".

"São medidas corajosas, que permitirão a Portugal corrigir a situação desfavorável em que se encontra", disse Juncker, no final de uma reunião dos ministros das Finanças da Zona Euro.

Na conferência de imprensa final, o presidente do Eurogrupo revelou que teve ocasião de falar com Teixeira dos Santos para o "felicitar pelas medidas que Portugal anunciou".

terça-feira, 17 de novembro de 2009

Luxemburgo: Juncker hoje distinguido como "banqueiro do ano"

Jean-Claude Juncker recebe esta terça-feira o Prémio de Banqueiro do Ano 2008, atribuído pelo "Group 20 + 1".

O júri explica que este prémio é atribuído ao primeiro-ministro luxemburguês pelo seu trabalho à frente do Eurogrupo desde 1 de Janeiro de 2005.

O Eurogrupo reagrupa os ministros das Finanças dos Estados-membros da União Europeia (UE) que pertencem à Zona Euro (países onde circula a moeda comunitária, o euro).

A escolha do laureado deveu-se ainda, segundo o júri, ao facto Juncker ter liderado a decisão de governos e bancos centrais nacionais europeus terem prestado assistência a instituições bancárias do sector privado no pior momento da crise financeira internacional, nos finais de 2008, o que terá evitado o colapso do sistema bancário europeu.

"Sem essa intervenção nenhum grande banco europeu teria sobrevivido", frisa o júri do Group 20 + 1".

O "Group 20 +1" é uma associação de jornalistas internacionais, especialistas em Economia e Finanças, baseados junto ao Banco Central Europeu (BCE), em Frankfurt.

Foto: Arquivos LW

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Luxemburgo: Michel Wolter é o novo presidente do CSV

Michel Wolter foi eleito sábado novo presidente do Partido Cristão-Social (CSV), com 89,9% dos votos. Wolter substitui assim François Biltgen que ocupava o cargo desde Janeiro de 2003.

Segundo os estatutos do CSV, um presidente só pode ocupar aquele posto durante sete anos. Antecipando o fim do mandato de Biltgen, Jean-Claude Juncker propusera em Julho o nome de Wolter para liderar o partido.

É a primeira vez desde 1979 que o escolhido para presidir o CSV não é ministro.

Se Juncker aceitar o convite de Bruxelas, quem o substituirá?


Nos bastidores da politica luxemburguesa, alguns vêem na eleição de Wolter uma maneira de libertar Biltgen para substituir Juncker caso este venha a aceitar um eventual convite dos líderes europeus para ser o primeiro presidente da UE, um assunto a discutir em Bruxelas na quinta-feira pelos chefes de Estado e de Governo dos 27.

O presidente da UE pode assumir funções em Janeiro de 2010, caso assim os líderes europeus o decidam.

Outros analistas consideram essa hipótese pouco provável já que Biltgen, de 51 anos, assume de momento pastas tão importantes como a Justiça, as Comunicações, o Ensino Superior e a Investigação, além da Função Pública. Se fosse nomeado, isso implicaria uma remodelação no Governo para uma redistribuição das pastas ou novas nomeações para o Executivo.

Mais provável é Luc Frieden, cinco anos mais novo do que Biltgen, ser nomeado pelo partido para substituir Juncker como primeiro-ministro. Enquanto ministro das Finanças e do Orçamento é considerado pela opiniãompública luxemburguesa como um bom gestor das contas públicas e a sua política no Ministério da Defesa, entre 2004 e 2006, foi elogiada por muitos. É além disso,m governador do Banco Mundial desde 1998, cargo anteriormente ocupado por Juncker.

Sobre a sua eventual nomeação para substituir o actual primeiro-ministro luxemburguês, o presidente cessante do CSV, François Biltgen, disse apenas, no sábado, que como a questão da sucessão não se coloca ainda, não deve ser discutida. "Mas o partido dispõe de candidatos suficientes", declarou.

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

UE: Líderes dos 27 Estados-membros escolhem primeiro presidente da União Europeia a 19 de Novembro

Candidatos serão conhecidas na próxima quinta-feira

Hoje, a presidência sueca da União Europeia (UE) convocou para 19 de Novembro, em Bruxelas, uma cimeira extraordinária para decidir quem ocupará os cargos emblemáticos de presidente e chefe da diplomacia da UE.

"Vai realizar-se uma cimeira a 19 de Novembro em Bruxelas" sobre os novos postos criados pelo Tratado de Lisboa, disse Roberta Alenius, porta-voz do primeiro-ministro sueco, Frederik Reinfeldt.

"O primeiro-ministro vai começar uma segunda volta de consultas e espera poder apresentar os candidatos na próxima quinta-feira", afirmou.

Os nomes que circulam presentemente para esses cargos são os dos primeiros-ministros do Benelux, Jean-Claude Juncker (L), Herman Van Rompuy (B) e Jan Peter Balkenende (H), surgindo ainda como possíveis candidatos o alemão Frank-Walter Steinmeier, o finlandês Olli Rehn, o sueco Carl Bildt e a austríaca Ursula Plassnik.

O Tratado de Lisboa, assinado na capital portuguesa em Dezembro de 2007, poderá entrar em vigor a 1 de Dezembro, uma vez que os 27 Estados-membros concluíram o processo de ratificação do texto.

Falta apenas que os 27 escolham quem ocupará o cargo de presidente do Conselho da UE e de alto representante para a Política Externa (equivalente a ministros dos Negócios Estrangeiros, que será também vice-presidente da Comissão).

Primeiro dossier do Tratado de Lisboa entregue a socialista português

O eurodeputado socialista Luís Paulo Alves será responsável pelo primeiro relatório a ser votado sob as regras do Tratado de Lisboa, que quando entrar em vigor alarga os poderes do Parlamento Europeu (PE).

Com a entrada em vigor do novo tratado, o primeiro documento a ser sujeito às novas regras legislativas de co-decisão será sobre medidas específicas no domínio agrícola a favor das Regiões Ultraperiféricas, de que é relator o eurodeputado açoriano Luís Paulo Alves.

A política agrícola, assim como a de pescas, passam a ser alvo do procedimento legislativo ordinário, que envolve as três instituições: Comissão Europeia, Conselho de Ministros da União Europeia e PE.

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Se Juncker for chamado para presidir UE, Luxemburgo perde primeiro-ministro em Janeiro

O primeiro-ministro luxemburguês, Jean-Claude Juncker, diz-se pronto para ser o primeiro presidente do Conselho da União Europeia. Uma ambição conhecida há muito, mas que pode estar prestes a tornar-se concreta, quando o Tratado de Lisboa, que institui a função, entrar em vigor, o que deverá acontecer a 1 de Dezembro.

O Tratado de Lisboa, que prevê a criação do cargo de presidente permanente do Conselho da União Europeia (UE), pode entrar em vigor no primeiro dia do mês seguinte à ratificação por todos os Estados-membros. O último país a ratificar o tratado foi a República Checa na terça-feira. O que marca como data possível para a entrada em vigor do tratado o dia 1 de Dezembro, se os líderes dos 27 Estados-membros assim o decidirem.

A criação desta função vai acabar com as presidências rotativas da UE, consideradas muito dispendiosas. A função passa a ser ocupada durante dois anos e meio por um candidato permanente a ser nomeado pelos líderes dos 27.

O Tratado de Lisboa prevê que o primeiro presidente do Conselho da UE pode entrar em funções a partir de Janeiro de 2010. Se realmente esse homem for Juncker, então o Luxemburgo vai perder o seu primeiro-ministro dentro de menos dois meses. Nesse caso, a questão vai ser saber quem sucederá a Juncker.

Até lá, é necessário que os 27 se concertem e decidam sobre quem querem para este lugar.

Juncker, o europeu convicto

O primeiro-ministro luxemburguês, Jean-Claude Juncker afirmou que não declinaria o convite para se tornar o primeiro presidente permanente do Conselho da União Europeia (UE), em entrevista ao jornal francês "Le Monde", na sua edição de 27 de Outubro.

"Se fosse convocado, não teria razão para recusar, com a condição de ser apoiado por ideias ambiciosas para este cargo", declarou Juncker na entrevista.

Há algum tempo que o nome de Juncker era citado como possível candidato para a função.

Embora seja facto notório no Luxemburgo que Juncker há muito ambiciona e se prepara para este cargo, esta foi a primeira vez que o chefe de Governo luxemburguês manifestou claramente a nível internacional o seu interesse.

"Aprendi que não é necessário apresentar-se como candidato para um cargo destes. É preciso deixar que chegue a chamada dos outros", pode ler-se no "Le Monde".

Entrevistado dois dias depois pelo "Luxemburger Wort", Juncker explicou que "não é candidato", mas que "não recusaria o convite dos chefes de Estado e de Governo europeus".

“Ao contrário de 2004, não prometi aos eleitores luxemburgueses que ficaria até ao fim do meu mandato no Luxemburgo. Por isso, não teria nenhum motivo para recusar esse convite", disse, manifestando, no entanto, dúvidas sobre as possibilidades da sua nomeação, face aos outros nomes que circulam.

Juncker aproveitou para recordar as qualidades da pessoa que deveria aceder a essa função.

“Num documento sobre as expectativas do Benelux, dizemos claramente que o presidente permanente do Conselho da UE tem de ser um homem que estabeleça métodos de comunidade confirmados. Além do tratado, não podemos aceitar que alguns aspectos políticos sejam discutidos por apenas alguns países membros. O presidente do Conselho tem de ser o primeiro defensor da União Europeia. O cargo não deverá servir para aumentar a sua glória pessoal. É uma função de responsabilidade, que supõe que se consiga encontrar acordos internos no conselho europeu”, declarou ao Wort.

Quanto à questão da ratificação do Tratado de Lisboa, Juncker considerava na semana passada (e antes que se soubesse que a República Checa pudesse vir a ratificar o tratado) que este podia vir a entrar em vigor ainda antes do fim do ano, "quando todas as questões (...) com a República Checa estiverem resolvidas".

Juncker é considerado por muitos líderes da UE como alguém de fortes convicções europeias. Enquanto veterano dos chefes de Governo europeus em exercício (desde 1995, mas integrando o Executivo desde 1981), os seus pares reconhecem-lhe como qualidades, além de longevidade política, a de este ter trabalhado ao longo das últimas duas décadas com afinco em prol da construção e da coesão europeias. Ainda antes de chefiar o Executivo grão-ducal, já Juncker demonstrava o seu empenho pela causa europeia.

Enquanto ministro das Finanças de Jacques Santer, foi um dos mestres-arquitectos do Tratado de Maastricht (1992). Este tratado transformou a CEE em UE, reforçou a colaboração entre Estados-membros, graças a uma política estrangeira e de segurança comum, instituindo ainda a cooperação policial e judiciária em matéria penal nos estados-membros.

Arquitecto da Europa social e económica


O papel de Juncker foi sobretudo determinante na criação da União Económica e Monetária (UEM), que esse tratado também instituiu, e que viria a criar o "euro".

Em 1991, ao presidir o Conselho "Assuntos Económicos e Financeiros", Juncker redigiu ele mesmo algumas largas passagens no Tratado de Maastricht para a criação da UEM. E quando as negociações estavam comprometidas pela recusa de adesão do Reino Unido, foi o luxemburguês que sugeriu o conceito do "opting-out", o que desbloqueou a situação.

Em 1996, é mais uma vez um negociador bem sucedido ao deslindar a delicada situação que se tinha criado entre Helmut Kohl e Jacques Chirac sobre o Pacto de Estabilidade da UEM. A imprensa internacional chama-lhe nessa ocasião o "Herói de Dublim".

Durante a presidência luxemburguesa do Conselho da UE de 1997, Juncker apela a "uma Europa mais social", que responda às aspirações dos cidadãos comunitários. No conselho extraordinário europeu sobre o Emprego, em Novembro desse ano, Juncker, que além de chefe do Executivo luxemburguês, cumulava então a pasta das Finanças e do Emprego, propõe o Plano de Acção a favor do Emprego, que estipula que cada Estado-membro deve submeter-se a um plano anual nacional com critérios quantitativos e verificáveis de modo a lutar mais eficazmente contra o desemprego.

Um mês depois, é durante o Conselho Europeu do Luxemburgo que a UE abre as suas portas aos países do Leste Europeu (a adesão viria a dar-se em 2004). Na mesma cimeira, Juncker é um dos grandes incentivadores da criação do Euro 11, grupo de países membros da UEM (futura Zona Euro), entretanto rebaptizado Eurogrupo. Foi também por isso que quando tiveram que nomear um presidente permanente para o Eurogrupo, em Janeiro de 2005, a escolha dos ministros das Finanças da Zona Euro recaiu naturalmente sobre o luxemburguês. Políticos e analistas não têm poupado elogios à mestria com que tem chefiado este grupo de trabalho.

Aquando da presidência luxemburguesa de 2005, no Conselho Europeu de Março, Juncker consegue obter um acordo que reforma o Pacto de Estabilidade, sem alterar os princípios fundamentais do texto. Nessa cimeira, consegue ainda mobilizar os líderes europeus para relançar a Estratégia de Lisboa, adormecida desde 2000. Esta Estratégia visa fazer evoluir a sociedade e a economia europeias em matéria do conhecimento através de políticas que apostem nas novas tecnologias da informação, da investigação e do desenvolvimento, assim como acelerar as reformas estruturais para reforçar a competitividade e a inovação.

Juncker foi também governador do Banco Mundial entre 1989 e 1995, cargo em que ficaram conhecidas as suas posições em defesa da economia europeia. Desde então é também governador do Fundo Monetário Internacional (FMI) e governador do Banco Europeu para a Reconstrução e o desenvolvimento (BERD).

Tudo pela Europa


Juncker granjeou para si, pessoalmente, os louros por o Grão-Ducado ter votado em 2005 (com 56,52% dos votos) a favor da Constituição Europeia. O que veio apenas reforçar a nível internacional a ideia de que os luxemburgueses e o Luxemburgo são europeus convictos da primeira hora.

Recorde-se a este propósito o célebre episódio em que Juncker lançou o "ultimato" aos eleitores luxemburgueses de que se não votassem em favor da Constituição, ele se demitiria. Argumentou então dizendo que se os eleitores votassem contra a Constituição Europeia, era como se votassem contra o trabalho que ele próprio desenvolvera durante 10 anos. E o que poderia ter sido para muitos um suicídio político, foi para Juncker apenas a maneira de afirmar as suas convicções profundas, em nome e defesa da UE.

Frequentemente tem explicado esta sua convicção na UE, declarando que "é a construção europeia que tem garantido a paz e a estabilidade na Europa desde a II Guerra Mundial." Para Juncker, não se trata apenas de uma União económica e social, trata-se de assegurar um futuro comum.

Timothy Garton Ash, famoso jornalista do "The Guardian", no seu último livro "Facts are subversive", vê a coisa da mesma forma: "O que a Europa era há 60 anos continua a ser o argumento mais forte para a construção da UE".

A partir de 2001, foi sob o impulso de Juncker que o Grão-Ducado se tornou um dos países que mais investe na cooperação ao desenvolvimento (cerca de 0,8 % do PIB) em países-alvo de África (como Cabo Verde), Ásia e da América Latina. Porque Juncker sempre preconizou que é desse modo que se trava a imigração ilegal para a Europa e se fomenta a paz social com os imigrantes já radicados no Grão-Ducado, ele que sempre repudiou uma "Europa-muralha".

Há outros candidatos em liça para o cargo, mas o que pode vir a determinar a preferência em favor de Juncker é o facto de a maioria dos Estados-membros dos 27 desejar como primeiro presidente da UE um representante de um pequeno país e que já tenha dado provas de integração europeia, ou seja, que faça parte do Espaço Schengen e/ou da Zona Euro. O Luxemburgo responde aos três critérios.

O concorrente mora ao lado

A corrida dos potenciais presidenciáveis para um cargo que ainda nem existe à frente do Conselho da UE provoca tonturas, tal as reviravoltas de nomes que vão sendo atirados e tidos como "preferidos" por este ou aquele lóbi europeu.

O chefe do Governo belga, Herman Van Rompuy, é o último que se perfila. Segundo fontes diplomáticas europeias, Van Rompuy, de 62 anos, viu-lhe serem dirigidos convites insistentes durante a cimeira dos chefes de Estado e de Governo dos 27 que decorreu quinta e sexta-feira da semana passada em Bruxelas.

"O seu nome é alvo de consenso junto dos líderes europeus e mesmo de unanimidade", asseguravam segunda-feira passada diferentes fontes diplomáticas, citadas por várias agências de imprensa e jornais europeus. Interrogado sobre o assunto, o porta-voz do primeiro-ministro belga, Dirk De Backer, respondeu: "Sem comentários".

A imprensa belga entrou no jogo e não lhe poupa elogios. Segundo o diário flamengo "De Standaard", Van Rompuy "não é candidato, mas é o favorito". Sobretudo se o assunto vier a ser decidido pelo eixo Paris-Berlim, lê-se no jornal, que cita um analista do britânico "The Guardian".

Para o diário francófono belga "La Dernière Heure", Van Rompuy alcança o consenso que os seus dois homólogos do Benelux, o holandês Jan Peter Balkenende e o luxemburguês Jean-Claude Juncker, não conseguem.

Blair, caído em desgraça

Ainda há uma semana, o nome mais badalado era o do ex-primeiro-ministro britânico Tony Blair, agora relegado para último. Blair foi vítima do tradicional eurocepticismo inglês – o Reino Unido não faz parte da Zona Euro nem do Espaço Schengen –, algo que os demais europeus nunca entenderam. Mas também da sua política no Iraque.

E assim, foi debalde que Blair tentou obter o apoio dos líderes europeus ns últimas semanas. Bélgica, Holanda e Luxemburgo opuseram-se publicamente à sua candidatura. A França e a Alemanha mostraram muitas reticências.

Numa recente sondagem divulgado no Reino Unido, nem os apoios dos seus próprios concidadãos Blair mereceu como candidato a este cargo.

Além de Juncker, Van Rompuy e Balkenende, surgem ainda como possíveis candidatos o alemão Frank-Walter Steinmeier, o finlandês Olli Rehn, o sueco Carl Bildt e a austríaca Ursula Plassnik.

Ratificado que está desde terça-feira o Tratado de Lisboa e assim que os 27 decidirem quando este deve entrar em vigor, o nome do escolhido para se tornar o primeiro presidente da UE pode acontecer muito rapidamente. Nos próximos dias ou semanas.

José Luís Correia
e Cristina Casimiro

sexta-feira, 10 de julho de 2009

Agência de imprensa brasileira destaca proposta de Juncker no G8

(...) Como não ficar chocado com o tratamento dado há mais de meio século a países que estão entre os mais importantes do planeta [no G8]? O Brasil, 11ª economia mundial, tem só 1,38% de direito de voto nessas organizações, enquanto a simpática mas minúscula Bélgica tem 2,09%.

Os dirigentes dos países ricos concordam que há injustiças. Mas quando se trata de passar da palavra aos atos, começam a pensar em outra coisa.

Uma proposta inteligente foi feita por Jean-Claude Juncker, de Luxemburgo. Para liberar direitos de voto em favor dos países emergentes, poderia se reagrupar os países "sub-representados" no FMI ou no Banco Mundial. Por exemplo, os 27 países europeus, que hoje têm 32,4% de votos no FMI, seriam agrupados numa entidade, reduzindo a parte de cada um, de modo que o conjunto dos europeus ficaria com 20% ou 21%.

Essa operação permitiria liberar uma porcentagem de votos a ser redistribuída entre os países hoje sub-representados. Claro, cada um dos 27 países europeus teria diminuída a sua parte. Em compensação, a Europa reagrupada pode ganhar uma força nova. Teria mais votos que os EUA, que tem 16,7%.

Uma tática engenhosa: cada país europeu perderia, mas a Europa unida ganharia. Pergunta-se: essa hipótese de trabalho seduziu os grandes amigos dos países emergentes, especialmente Sarkozy ou Angela Merkel? Claro que não! (...)
,
in Agência Estado (09.07.09)

quinta-feira, 9 de julho de 2009

UE: Juncker diz que Zona Euro não corre "nenhum risco de deflação"

A Zona Euro não corre risco de deflação, apesar do recuo dos preços dos bens de consumo registados em Junho, afirmou segunda-feira o presidente do Eurogrupo e primeiro-ministro luxemburguês, Jean-Claude Juncker.

Não há "nenhum risco de deflação", assegurou, em conferência de imprensa, após a reunião mensal dos ministros das Finanças da Zona Euro.

"A nossa análise, partilhada com o Banco Central Europeu, é a seguinte: apesar da queda do nível geral dos preços em Junho, é falso dizer que a Zona Euro está a caminho da deflação", explicou Juncker, ressalvando um movimento generalizado e prolongado de recuo dos preços, sinal de uma "grave depressão económica."

Os preços dos bens de consumo na Zona Euro caíram 0,1% no último ano, um fenómeno inédito na história que deverá manifestar-se nos próximos meses, de acordo com vários economistas.

Os analistas justificam esta previsão com a queda dos preços da energia desde o último Verão e também com a crise económica global.

Legenda da imagem: Países de azul escuro e azul claro = UE / Países de azul claro = Zona Euro (em que circula a moeda comunitária) Fonte: Governo português