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sábado, 11 de fevereiro de 2012

ULTIMA HORA: MICHEL TELÓ EM CONCERTO NO LUXEMBURGO A 1 DE MARçO

O cantor Michel Teló, conhecido pelo seu sucesso mundial "Ai, Se Eu Te Pego (Assim Você Me Mata)" vai estar em concerto a 1 de Março na Rockhal, em Esch-Belval, anunciou hoje aquela sala de espectáculos no seu site.


Os bilhetes já estão à venda a partir de 35 euros, aqui


QUEM É MICHEL TELÓ? VOCÊ AINDA NÃO SABE?

Michel Teló (Medianeira, Brasil, 21 de Janeiro de 1981) é um cantor, compositor e multi-instrumentista brasileiro.

O artista fez parte de dois grupos musicais mas foi no Grupo Tradição que a sua carreira como vocalista foi lançada. Cantor desde a sua infância, Michel ficou conhecido em 1994, como vocalista do grupo masculino de pop rock Tradição, sendo que os maiores sucessos do grupo, como "Barquinho", "O Caldeirão", "Pra Sempre Minha Vida", "A Brasileira" e "Eu Quero Você", são de sua autoria.

Além de cantor e compositor Teló é dançarino e instrumentista de sanfona e gaita.

Em 2008, lançou o seu álbum de estreia a solo, "Balada Sertaneja". O álbum não teve um bom desempenho comercial, e não entrou nos tops brasileiros, contudo os singles "Ei, Psiu!", "Beijo Me Liga" e "Amanhã Sei Lá" alcançaram posições consideráveis no Billboard Brasil Hot 100.

Em 2010 lançou o seu primeiro álbum ao vivo, "Michel Teló - Ao Vivo", que mesmo sem alcançar o Top 20 Semanal Brasil foi Disco de Ouro, sendo lançado internacionalmente apenas em 2011.

Do álbum foram extraídos três singles, e o que mais se destacou foi "Fugidinha", o seu primeiro single a chegar a n°1 do Billboard Brasil Hot 100. O álbum foi nomeado para o Grammy Latino.

Em 2011, Michel Teló lançou o seu segundo álbum ao vivo intitulado "Michel na Balada", gravado durante a digressão "Fugidinha Tour". O álbum teve um bom desempenho comercial e alcançou a sexta posição no Top 20 Semanal Brasil (ABPD) e a segunda posição no Top Português de Álbuns, onde foi Disco de Ouro.

O álbum teve como primeiro single "Ai Se Eu Te Pego" que se tornou o segundo número um no Top Billboard Brasil Hot 100 e também chegou a primeira posição na Alemanha, Espanha, Itália e LUXEMBURGO, deixando para trás grandes nomes da música mundial como Adele, Rihanna, Lady Gaga, David Guetta e Usher.

17 milhões de espectadores numa só digressão 

Ao longo de 2011 Michel fez mais de 240 concertos, tendo sido o mês mais intenso Junho, quando se apresentou diariamente entre o Norte e Nordeste brasileiro nas festas juninas. De acordo com a Revista Forbes a digressão "Fugidinha Tour" foi vista por 17 milhões de pessoas. A revista também o qualificou como um verdadeiro "fenómeno mundial" apenas equiparado a nível brasileiro com nomes recentes como Ronaldo, Gisele Bündchen e Ronaldinho Gaúcho. Michel Teló também bateu o record ao ter a canção brasileira com maior número de visualizações no You Tube, com mais de 100 milhões de acessos.

Ainda em 2011, Michel Teló foi a décima pessoa mais "googlada" (pesquisada no Google) no Brasil.

Michel Teló diz-se inspirado por artistas e duplas de música sertaneja como Leandro & Leonardo, Chitãozinho & Xororó, além de cantores da música popular brasileira como Roberto Carlos e Luiz Gonzaga.

(fonte: wikipédia)

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Música brasileira em concerto gratuito na capital


O guitarrista brasileiro Tatta Spalla e o luxemburguês Sergio Tordini inauguram a nova série de concertos gratuitos organizados à hora de almoço pelo Luxembourg City Tourist Office (LCTO).

O popular duo já tinha estado no Luxemburgo no ano passado, esgotando a sala. Agora, os músicos regressam à capital luxemburguesa para um concerto gratuito no dia 13 de Janeiro, às 12h30, no Auditório Cité, na place d'Armes.

Este ano, os dois guitarristas interpretam temas da bossa nova incluídos no álbum "Aqui, Ali, Ai", de Tatta Spalla, e ainda canções de João Gilberto, António Carlos Jobim e Henri Salvador.

O programa inclui ainda temas do álbum "Estrada Real de Villa Rica", de Celso Adolfo, que conta a história do Brasil na época colonial, entre os sécs. XVIII e XIX.

Natural de Minas Gerais, o compositor, guitarrista e cantor Tatta Spalla editou já três CDs. O último contou com a colaboração do popular guitarrista de jazz Toninho Horta.

Sergio Tordini é professor de guitarra no Conservatório da cidade do Luxemburgo. Os dois músicos conheceram-se no Brasil, durante um concerto.

A série de concertos à hora de almoço prossegue até Março, com uma média de dois concertos por mês em auditórios e igrejas na capital luxemburguesa. O objectivo é atrair o público que não frequenta concertos à noite.

O primeiro concerto da série, com os guitarristas brasileiros, é na sexta-feira, 13 de Janeiro, às 12h30, no Auditório Cité.

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Dias 5 e 6 de Novembro: Missionários brasileiros no Luxemburgo

Dois missionários do movimento Aliança de Misericórdia, em São Paulo, no Brasil, vão estar no Luxemburgo dias 5 e 6 de Novembro para dois encontros de oração.

Os encontros, em português e francês, decorrem na sala paroquial de Strassen, em frente à igreja daquela localidade (place des Martyrs, no 2, em Strassen).

Criado em 2000, em São Paulo, o movimento Aliança de Misericórdia está hoje presente em 36 cidades do Brasil e em mais quatro países (Bélgica, Itália, Polónia e Portugal), reunindo 234 missionários e 700 membros que prestam apoio social aos mais desfavorecidos. Em Portugal, o movimento foi acolhido na Diocese de Lisboa pelo cardeal patriarca Dom José Policarpo, em 2008.

Além de encontros de oração e de evangelização, a Aliança de Misericórdia mantém 14 centros de acolhimento para os sem-abrigo e três centros para jovens e crianças.

Mais informações pelo tel. 691 96 53 38.

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Festival de cinema brasileiro "Brazil Film Festival", no Utopia, em Outubro

O Grão-Ducado vai acolher pela primeira vez um festival de filmes brasileiros no próximo mês de Outubro.

O "Brazil Film Festival", dirigido pelo cineasta brasileiro Alex Miller, decorre de 24 a 27 do próximo mês no cinema Utopia, na capital.

O evento apresenta um leque de filmes brasileiros contemporâneos que já participaram em vários certames cinematográficos internacionais na Austrália, Estados Unidos, Portugal, Nova Zelândia e Escócia, todos eles com assinalável êxito.

A associação "Made in Brasil", sediada no Luxemburgo, juntou-se à organização do evento.

terça-feira, 27 de setembro de 2011

Gala a favor dos "Meninos e Meninas de Rua do Brasil", a 19 de Novembro, no Hotel Royal

A Rede de Profissionais Brasileiros no Luxemburgo organiza uma gala beneficente a favor da "Fundação Meninos e Meninas de Rua" no Hotel Royal, na capital, no dia 19 de Novembro, a partir das 20h.

A ONG luxemburguesa de caridade "Meninos e Meninas de Rua" – fundada em 13 de Fevereiro de 1993 – financia projectos sociais em prol das crianças de rua no Brasil.

Depois da recepção de boas-vindas, a artista brasileira Dioni Costa interpretará algumas das músicas brasileiras mais conhecidas (música popular brasileira, bossa nova e samba). O serão contará também com um buffet quente. O preço da entrada é de 100 euros (pagamentos das bebidas à parte) e a indumentária exigida é de smoking para os homens e vestido de gala para as mulheres. Para mais informações, contactar Kelly Larsen (por e-mail: kelly.larsen@internet.lu ), responsável da organização.

sábado, 12 de junho de 2010

Luxemburgo: Festa de solidariedade para ajudar mães solteiras adolescentes de Palmares, em Pernambuco (Brasil)

No domingo, 13 de Junho, assinala-se no Luxemburgo o Dia da Mãe. Nesse dia, a "Fundação Meninos e Meninas de Rua" decidiu organizar uma festa de solidariedade cujos fundos vão servir para renovar e equipar um edifício situado em Palmares, no estado de Pernambuco, no Brasil, que acolhe temporariamente mães solteiras adolescentes, enquanto estas não adquirem autonomia e independência.

Desde a sua criação, em 1993, esta fundação luxemburguesa luta para garantir educação, alimentação, saúde e higiene às crianças e adolescentes marginalizados ou que foram abandonados no Brasil, os chamados "meninos de rua".

A festa tem lugar no Centro Cultural de Munsbach, entre as 11h e as 18h, é aberta ao público, e conta com animação para miúdos e graúdos durante toda a tarde.

quinta-feira, 10 de junho de 2010

Luxemburgo: Bailado do coreógrafo brasileiro Moa Nunes, amanhã e sábado no Grund

O coreógrafo e bailarino brasileiro Moacir Nunes (ou simplesmente Moa, como se faz chamar) apresenta o espectáculo de dança "Meus Caminhos" nos dias 11 e 12 de Junho, às 20h, na Sala Robert Krieps, na Abadia de Neumünster, no Grund, na cidade do Luxemburgo.

O espectáculo reúne oito bailarinos talentosos que, dirigidos por Moa Nunes, se propõem contar a história da vida do artista brasileiro, não através de palavras mas da linguagem corporal e da beleza dos movimentos da dança.

Moa Nunes, nasceu em Joinville, no Brasil, em 1969 e começou a dançar aos 11 anos. Desde então, a dança tem sido a sua vida. Depois de uma carreira no Brasil, o artista chegou ao Luxemburgo em 1997, onde começou por ser professor de dança passando, por exemplo, pela escola de dança de Li Marteling. Entre 2002 e 2009, mudou-se para Bruxelas, onde continuou a ensinar.

Este ano, surge a oportunidade de realizar o seu primeiro espectáculo, a convite da Abadia de Neumünster. Segundo revela o artista na sua página internet, este espectáculo é um dos projectos que sonha realizar desde que chegou há Europa.

A maioria dos dançarinos que Moa Nunes chamou para este projecto são residentes no Luxemburgo e têm diferentes nacionalidades. Há uma brasileira, Grazielle Furtado, que conta no seu currículo uma passagem pela Comdança (Companhia Joinvilense de Dança), por onde também passou Moa. Há ainda três italianos: Silvia Manca, Giovanni Zazzera e Sara Melzi. Os restantes têm nacionalidade luxemburguesa, embora se adivinhem diferentes origens. São eles Noelle Gerin, Isabelle Mathieu-Schackmann, Georges-Maikel Pires Monteiro e Randy Pires Rocha. Alguns dançam já profissionalmente, outros estudam ainda no Conservatório de Música do Luxemburgo.

Uma parte das receitas do espectáculo reverterá a favor da associação Red Line Children Charity, que tem como objectivo ajudar crianças carenciadas no Brasil. No Luxemburgo, o responsável pela associação é Manoel Batista (162, av. du X de Septembre, na capital). Os bilhetes custam 28 euros.

Para reservas ou mais informações, os interessados podem contactar Moa Nunes pelo tel. 691 237 953, pelo e-mail meuscaminhos2010@gmail. com ou em http://dancemeuscaminhos. blogspot.com, o blogue do artista na internet.

domingo, 21 de março de 2010

Viver na ilegalidade – retratos da comunidade brasileira no Luxemburgo

O Luxemburgo tem sido o destino de muitos brasileiros nas últimas duas décadas. Chegam do outro lado do oceano cheios de sonhos, à procura de uma vida melhor e poucos são aqueles que conseguem realizar os seus objectivos. A maioria vive na ilegalidade e sofre um isolamento muitas vezes ditado pela barreira da língua e pelas diferenças culturais. Mas há também "estórias" de sucesso, de pessoas que hoje são figuras de referência dentro e fora da comunidade brasileira.

Fábio de Carvalho, 29 anos, foi deportado ontem, dia 16 de Março, para o Brasil. O seu pedido de legalização foi recusado pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros luxemburguês. Depois de cinco anos a trabalhar ilegalmente, Fábio encontrou no seu último emprego no Luxemburgo um patrão disposto a ajudá-lo a conseguir a legalização. O patrão fez-lhe um contrato de trabalho, e correspondendo aos requisitos do ministério, escreveu uma carta de recomendação, dizendo que a contribuição do Fábio era essencial para a produção da empresa. A resposta do ministério chegou dois meses depois. O pedido foi recusado porque "faltavam documentos" e "alguns carimbos". Pelo caminho ficou o dinheiro gasto na tradução oficial de documentos como o certificado de habilitações e a sensação de ser vítima de uma injustiça.

A carta não dava um prazo para o Fábio sair do Luxemburgo. O jovem decide apresentar-se na polícia de livre vontade. Uma vez chegado, informou as autoridades que ia comprar um bilhete para o Brasil para abandonar o território luxemburguês. A partida para a sua terra natal no estado de Santa Catarina, no Brasil, aconteceu ontem.

"A gente trabalha com um objectivo, com um sonho de adquirir as nossas coisas, para poder estabilizar a vida no Brasil. Mas a vida no Luxemburgo está difícil e não deu certo."

Anos antes de chegar ao Luxemburgo, o sonho de Fábio era viver e trabalhar em Inglaterra. Por quatro vezes tentou entrar no país. Por quatro vezes foi deportado. "A minha história começou no fim de 2001. Tentei um visto para o Canadá. Não consegui. Tentei para os Estados Unidos, foi negado. Na fila da embaixada dos EUA (n.d.r.: no Brasil) conheci uma senhora que tinha um familiar na Suíça. Decidi tentar. Poupei dinheiro e comprei um bilhete de avião. A Suíça é o pior dos países em termos de controlo." Um dia, ao sair do trabalho, é abordado por dois polícias à paisana, que lhe pediram os documentos. Daí seguiu directamente para a prisão. "Tiraram o meu telemóvel, a minha chave de casa. Eu não dei a morada certa mas através do código da chave descobriram o meu endereço. Fiquei três dias preso numa cela. Sentia-me um bandido!" Em Janeiro de 2003, Fábio vê-se de novo no Brasil, onde ficou quase dois anos. Incapaz de ser adaptar e com saudades da Europa, entra no Velho Continente pela França em Junho de 2003. O objectivo é Inglaterra, mais uma vez. "Comprei o bilhete de avião, cheguei lá e não me deixaram entrar. Voltei no mesmo dia, no mesmo voo." Ao fim de um ano e meio o sonho da Europa era um apelo cada vez mais forte. "A minha mãe vendeu o carro para eu poder voltar para a Europa. Isso foi em Junho de 2005 e a ideia era entrar em Inglaterra através de França." Mais uma vez ficou pelo caminho. A precisar de dinheiro, decide ligar a um amigo no Luxemburgo.

"Ele falou com o patrão dele que disse que me dava emprego. Cheguei ao Luxemburgo em Agosto de 2005. Comecei a trabalhar numa empresa de mármores. Foi aqui que acabei com as minhas costas. Estava a ganhar 500 euros por mês durante os primeiros seis meses, nos últimos meses passei a 700 euros e no último mês aumentaram-me para 1.100 euros."

"Dei entrada com os papéis porque já estava cansado de estar na mão de um, e de outro". Foi enganado muitas vezes pelos patrões, ora não sendo pago, ora recebendo menos do que estava acordado. "Comecei a pensar no meu futuro, que podia fazer a universidade no Brasil na área que eu gosto, que é a informática."

Quando lhe perguntamos se sente injustiçado ao ver o seu pedido de legalização recusado, Fábio não esconde uma certa revolta: "Acho que me sinto injustiçado por todos os Brasileiros que são honestos, e que é gente que trabalha, enquanto outros que estão a receber o subsídio de desemprego fazem trabalhos por fora, dobrando o salário. Isto é desonesto. Eu vim para trabalhar e eles negam-me os papéis! E o objectivo que eu tinha de uma vida melhor foi por água abaixo."

Mesmo antes de receber a decisão do Ministério dos Negócios Estrangeiros, Fábio já pensava regressar ao Brasil. Cansado de oito anos de ilegalidade, a carta do Ministério veio acelerar o desenrolar dos acontecimentos: "Estou cansado de ser pisado. Foram oito anos tentando. Não deu, olha, vou tirar o curso de Informática, que me dou muito bem com os computadores", conclui.

Casamento com um luxemburguês

Vânia Rodios vive no Luxemburgo há quase dez anos. A decisão de abandonar o Brasil foi motivada por um acontecimento trágico na sua vida." A razão principal que me levou a deixar o Brasil foi a morte do meu filho. Eu fiquei muito traumatizada. Ele morreu de acidente e aquilo tudo abalou-me muito. Um rapaz de 21 anos, recém-casado há cinco meses... Eu ia ficando doida. Naquela altura não conseguia viver no Brasil, até porque para ir para o trabalho eu tinha que passar no local do acidente. Foi horrível. Faz dez anos que o meu filho morreu e ainda hoje eu choro."

Chegou à Alemanha, onde uma amiga a esperava. Quando foi controlada na alfândega do aeroporto receava ser mandada para trás. "Havia um convite e o dinheiro era nenhum! Havia só cara e coragem. Foi a minha amiga quem me disse que na Alemanha havia muito controlo e quem me aconselhou a tentar encontrar um trabalho no Luxemburgo."

Vânia conta que até foi fácil encontrar emprego no Luxembrugo: "No meio dos portugueses, de tantos restaurantes de portugueses, consegui logo um emprego com um patrão muito bom e lá fiquei durante dois anos. Comecei a trabalhar num sábado; no domingo começaram as comunhões. Eu fiquei numa situação muito má: no Brasil era vendedora e nunca tinha trabalhado com uma máquina de loiça! Eu não sabia o que fazer com tanta coisa, com tanta loiça! Eu não conseguia despachar-me! Só saí desse emprego porque o patrão vendeu o restaurante. Depois fui trabalhar para o norte, para Vianden, onde trabalhei para um Luxemburguês. Foi nessa altura que aprendi um bocado de Alemão. Depois fui para outro patrão que não me pagou."

Considera-se uma mulher forte e determinada, mas não deixa de reconhecer que a vida na ilegalidade comporta algumas dificuldades: "Tirando o medo, a maior dificuldade era querer ter mais liberdade. Eu estive doente da mão e tive de ir receber cuidados médicos. Quando fui à Segurança Social para entregar os papéis – porque eu tinha de pagar tudo – eles ficavam logo com o meu passaporte porque não tinha número de Segurança Social. Eu pagava, deixava o endereço de uma amiga Portuguesa – não deixava o meu porque tinha medo que fossem lá bater! Eu paguei logo todas as despesas e passados uns meses recebo uma nova factura para pagar. Fui lá de novo com a minha amiga e disse que tinha pago tudo na hora e que até tinham ficado com o meu passaporte, mas explicaram-me que como não tinha Segurança Social tinha de pagar duas vezes: tem que pagar uma vez ao médico e outra à segurança social (n.d.r.: Caisse de Maladie). Tive de pagar os tratamentos, as radiografias, os medicamentos. A minha sorte era que trabalhava para um patrão muito bom. O médico proibiu-me de trabalhar durante um mês e ele pagou-me à mesma."

Mas Vânia também conhece o reverso da medalha: "Um patrão não pagava e eu não tive como reclamar porque ele aproveitou-se do facto de eu não ter papéis." Diz que sempre utilizou a determinação que a caracteriza em seu favor: "Sempre tive a ideia de estudar as línguas e de me integrar no país. Comecei a estudar Alemão e fiz inclusivamente dois cursos em Trier."

Em 2005, quando já ponderava regressar ao Brasil, conhece um Luxemburguês com um sonho muito particular. Uma amiga sua diz-lhe que não deve voltar, que há um Luxemburguês que ela deve conhecer. "O sonho dele era casar com uma brasileira e viver no Brasil. Conhecemo-nos e fomos ao Brasil. Passados três meses estávamos casados. Eu conheci-o em Junho e em Outubro de 2005 estávamos casados." Apostada em integrar-se no país, Vânia conta que quer continuar a aperfeiçoar o seu conhecimento das línguas faladas no Luxemburgo: "E como eu não sei se volto para o Brasil, estou a pensar aprender Luxemburguês porque é preciso para pedir a nacionalidade".

Antes Vânia Rodios tinha a certeza que voltaria ao Brasil, hoje já não tem a certeza.

A capoeira

Pelézinho (foto, em baixo), 36 anos, trabalha na Associação Abadá Capoeira e está há 10 anos no Luxemburgo. Chegou para o primeiro encontro de capoeira, e depois recebeu um convite para ficar: "Para mim o primeiro ano foi um choque cultural, a língua, e também o frio. Voltei para o Brasil e depois um amigo convidou-me para ficar um mês e dar umas aulas e acabei ficando. Foi em 2000."


Pelézinho conta que foram as dificuldades económicas que o levaram a deixar o Brasil: "No Brasil eu tinha um trabalho e trabalhava muito. Aqui trabalho e penso em ajudar a minha família. A verdade é que nunca imaginei que a capoeira fosse tão bem aceite e hoje não sei quando voltarei para o Brasil. O que mais me faz ficar aqui é o trabalho, que eu gosto. Acho que se fizer outro trabalho noutro país é uma parte de mim que vai embora."

O trabalho que desenvolve no Luxemburgo fez de si uma pessoa bem integrada na sociedade e é com alegria que fala dos seus projectos: "Tenho um trabalho grande aqui no Luxemburgo. Agora tenho um trabalho com o Ministério da Educação (n.d.r.: a Associação Abadá Capoeira). Faço um trabalho em seis liceus luxemburgueses e na prisão para a recuperação de menores que têm problemas com a droga. Trabalho ainda em três casas de jovens no Luxemburgo." Reconhece que se deparou com alguns obstáculos para conseguir a legalização: "Eu tive dificuldade com os papéis, mas nunca pensei casar por isso ou fazer uma coisa errada. Há um ano e meio que estou legalizado. No Ministério dos Negócios Estrangeiros mostrei todos os projectos em que estou envolvido e é fácil para os políticos verem que eu faço um trabalho importante."

Para Pelézinho o maior obstáculo que os brasileiros sentem quando chegam ao Luxemburgo é falta de informação e a falta de apoio e explica como a capoeira pode servir como forma de integração: "Com a capoeira não tem essa questão da cor, da nacionalidade. A capoeira é aberta para todo o mundo, é um meio de informação também. A parte da integração também, porque as pessoas chegam aqui, a um bom mercado de trabalho, mas sentem-se perdidas. As pessoas dos outros países encontram-se, comunicam, falam e através da capoeira muitas pessoas começam a viver melhor. A Abada Capoeira estabeleceu uma comunidade no Luxemburgo com quase 400 membros."

Reconhece que nos primeiros tempos "viveu no medo" e aplaude quem não desiste de se legalizar no país: "Eu bato palmas para as pessoas que foram obrigadas a ir embora e que voltaram e se conseguiram legalizar. Você sabe, porque nós nos nossos países já vivemos num desafio. Acho que todo o mundo tem direito de querer trabalhar e querer vencer na vida."

Pelézinho está agradecido ao Luxemburgo pelas oportunidades que lhe foram dadas, mas reconhece que os luxemburgueses perdem muito em serem tão fechados: "Eu amo o Luxemburgo porque é o país onde eu me realizei, que me deu oportunidade de fazer um grande trabalho. Eu também falo isso às pessoas nas escolas, que imigraram para cá e que não gostam do país. Tem um lado muito difícil mas também tem um lado muito bom, o da oportunidade. Eu vejo os luxemburgueses que têm um lado muito fechado, mas que têm um coração enorme."

"Je suis brésilien et je ne parle pas français"


Duda Oliveira (primeira foto do texto) chegou a Bruxelas em 2002. Deixou o Brasil por razões profissionais: "Eu já não tinha para onde ir e como eu gosto dos desafios, de crescer, aqui era um maior desafio, por causa da questão da língua."

Conta que no seu primeiro dia de trabalho, ao dar a primeira aula na academia teve que se apresentar com um papel na mão. "Na frente de 30 pessoas, ao olhar para um papel que tinha na mão, disse 'Je m'appelle Duda Oliveira, je suis brésilien et je ne parle pas Français.' Todo o mundo riu porque achou que era brincadeira! Foi uma coisa que impressionou as pessoas, como é que um cara que não fala a língua chega aqui e põe o mundo todo a dançar. Eu nunca tive medo de aprender, se não sabia perguntava e as pessoas corrigiam-me."

Esteve um ano sem papéis: "Eu costumo dizer que quando a gente entrega os papéis aqui está no limbo, você está num local onde você não existe como pessoa. Depois quando a gente consegue a regularização parece que nos sai um peso de cima dos ombros."

As diferenças culturais podem vincar a sensação de isolamento da comunidade brasileira, mas Duda acredita que se devem usar essas diferenças para promover a integração: "Eu acredito que você precisa de ter raízes – as suas raízes são a sua referência de vida – mas você não precisa ficar plantado, você pode usar as suas raízes como referência para se dar bem melhor em muitos outros lugares. Mas quando eu vim para cá eu aproveitei toda essa cultura, a chance de conhecer sítios históricos que eu só conhecia de livros, a comunidade portuguesa, que é quem acolhe a gente aqui."

Oito meses na cadeia sem acusação formal

Manuel Macedo é o dono do Café Brasil, em Esch. Há 20 anos no Luxemburgo, é hoje em dia uma figura muito conhecida entre a comunidade brasileira. Diz a brincar que o seu café devia ser conhecido como a "Santa Casa da Misericórdia", tal é o número de brasileiros que o procuram em caso de necessidade. Manuel é filho de portugueses emigrantes no Brasil e originários de Trás-os-Montes: "Saí do Brasil com 17 anos e através da minha família tentei obter a minha documentação legal (n.d.r.: em Portugal) para viver no país. Quando eu vim para o Luxemburgo já não vim ilegal."

A sua intenção era ganhar dinheiro para voltar para o Brasil e abrir lá o seu negócio, mas diz que se foi "acostumando". "À medida que consegue as coisas, você vai mudando de ideias."

Quando chegou ao Luxemburgo, começou por viver em Beaufort. Teve vários trabalhos, desde ser jardineiro a trabalhar na construção civil, até adquirir o seu "comércio em 2002", o Café Brasil I, em Dudelange.

No Brasil, era feirante e vendia fruta. Mas com o alastrar da crise económica, "o negócio começou a cair muito, ficou muito ruim e a falta de trabalho levou-me a decidir ir para Portugal, onde tenho família." Foi lá que ouviu falar no Luxemburgo, "um país onde pagavam na hora."

Manuel conta como esteve oito meses na prisão, acusado pelas autoridades luxemburguesas de auxílio à imigração ilegal: "Em 2000, tinha uma emigração ilegal brasileira muito forte. Houve um controlo muito grande da polícia e eles fecharam o cerco à imigração brasileira e foi muita gente presa. Eu fui acusado de ter usado papéis falsos durante seis meses. Eu acho que eles não entendiam como eu podia ter papéis portugueses e brasileiros. Estive oito meses preso, acusado de tráfico de papéis. Tive um brasileiro que viveu comigo, que trouxe a mulher e a filha, e que tinha documentação falsa. Como ele viveu comigo, eles me acusaram de ter acobertado e de ser intermediário na emigração ilegal." Nunca foi levado a tribunal e ficou em prisão preventiva sem culpa formada. "Eles me libertaram porque não conseguiram provar nada. Arrumei um advogado para entrar com um recurso contra o Estado e eu perdi porque eles me acusaram de saber que eu não era totalmente inocente por ter abrigado na minha casa um imigrante ilegal."

Hoje reconhece que não voltaria para o Brasil, onde teria "que recomeçar tudo de novo".

"Hoje, já fica mais difícil. Tenho aqui a minha vida estabilizada, tranquila. Você trabalhando honestamente você consegue adquirir tudo aquilo que uma pessoa deseja. Ter casa, ter carro, ter a assistência médica que se tem aqui, isso tudo vale muito."

Texto e fotos: Irina Ferreira

sábado, 30 de janeiro de 2010

Daniel Tesch é o cônsul honorário do Brasil no Luxemburgo

O Brasil já tem um representante diplomático no Luxemburgo: trata-se do cônsul honorário Daniel Tesch (na foto), de nacionalidade luxemburguesa e advogado de profissão.

A nomeação foi decidida em Brasília em Outubro último e vem acabar com a ausência diplomática que se fazia sentir no Luxemburgo, um país onde a comunidade brasileira é cada vez maior, estimando-se actualmente que cerca de cinco mil cidadãos daquele país vivam no Grão-Ducado. Outro dos objectivos é facilitar a vida dos brasileiros registados ou residentes no país.

Daniel Tesch viveu oito anos no Brasil. Foi gerente de exportação da Companhia Siderúrgica Belgo-Mineira, sediada no Luxemburgo. Esta empresa pertence hoje à ArcelorMittal, já que surgiu da compra da empresa brasileira pela então ARBED (hoje ArcelorMittal) em 1921.

De regresso ao seu país de origem, Daniel Tesch integra a direcção do Automóvel Clube do Luxemburgo (ACL), cargo que acumula com o de cônsul honorário do Brasil e onde vai, por ora, funcionar o Consulado Honorário.

Ao CONTACTO o cônsul honorário explicou que não tem poder legal para realizar casamentos, registos de nascimento e outros trâmites administrativos desta natureza, mas será responsável por enviar esses pedidos directamente ao sector consular junto da Embaixada do Brasil em Bruxelas. Assim, o cidadão brasileiro residente no Luxemburgo não precisará mais deslocar-se até à capital belga para tratar deste tipo de assuntos.

Consulado itinerante a partir deste mês


A outra grande novidade é o conceito de Consulado Itinerante que existe a partir de agora: em cada três meses, na última semana do mês, uma parte do corpo diplomático da Embaixada do Brasil em Bruxelas desloca-se até ao Luxemburgo para prestar serviços à comunidade brasileira. Serão possíveis a emissão de passaportes, realização de casamentos, registo de nascimento, emissão de títulos de eleitor, entre outros documentos reservados a pessoas físicas.

A actividade do Consulado Itinerante começa esta quinta-feira, 25 de Janeiro. O cônsul honorário aconselha a marcar encontro e especificar o assunto a ser tratado previamente, por exemplo, se o utente quiser realizar um casamento, isto para organização da parte burocrática. Vai haver também um número de pessoas limitado por dia para atendimento. O Consulado Honorário do Brasil no Luxemburgo está, desde já, acessível no n°54, route de Longwy, em Bertrange (sede do ACL). Para mais informações, os utentes podem enviar um e-mail para setconsular@brasbruxelas.be (para agendar marcação no Consulado Itinerante, deve ser enviado um e-mail para m.fantin@eib.org).

Ana Lívia Abondance/Rda
Foto: A.L.Abondance

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

Espanha/Barcelona: Polícia deteve 23 brasileiros com documentos portugueses falsos


A Polícia Nacional espanhola deteve esta quarta-feira 23 cidadãos brasileiros que se apresentaram em estaleiros de construção civil de Barcelona como operários portugueses mas com documentação falsa, confirmaram fontes policiais.

Munidos de bilhetes de identidade e passaportes falsificados os trabalhadores apresentavam-se como cidadãos comunitários pelo que conseguiam trabalhar em obras da região.

Alguns chegaram mesmo a tentar aceder ao subsídio de desemprego depois de terem sido despedidos das obras em que trabalharam.

A investigação começou com uma denúncia de uma funcionário dos serviços de emprego que comprovou que o documento de identificação apresentado por um dos trabalhadores coincidia com o número dado a um cidadão português.

Depois de várias semanas de investigação, as autoridades acabaram por levar a cabo rusgas em várias obras detendo os 23 indivíduos.

A maioria dos detidos chegou a Espanha como turistas, tendo obtido aqui a documentação falsa.

Texto: Lusa; Foto: JLC/CONTACTO