Portugal passou este ano de uma situação de democracia plena para uma
democracia com falhas, o que se deve sobretudo à erosão da soberania
associada à crise da zona euro, revela o Índice da Democracia 2011 do
Economist Intelligence Unit.
O índice, realizado pelo serviço de
investigação da revista “The Economist”, vai na quarta edição e avalia
as democracias de 165 estados independentes e dois territórios,
colocando-os em quatro categorias: democracias plenas, democracias com
falhas, regimes híbridos e regimes autoritários.
Pela primeira
vez, Portugal, que desceu do 26.º para o 27.º lugar na lista, surge este
ano no grupo das democracias com falhas, depois de em 2010 o mesmo ter
acontecido à França, Itália e Grécia.
Num total de 10 pontos,
Portugal obtém 7,81, o que resulta de uma avaliação de cinco critérios:
Processo eleitoral e pluralismo (9,58 pontos), funcionamento do governo
(6,43), participação política (6,11), cultura política (7,50) e
liberdades cívicas (9,41).
No cômputo geral, o país mais
democrático é a Noruega (9,8 pontos), seguido de Islândia (9,65),
Dinamarca (9,52) e Suécia (9,50). Nos últimos lugares da lista, surgem a
Coreia do Norte (1,08 pontos), Chade (1,62) e Turquemenistão (1,72).
A
classificação de democracia diminuiu em 48 dos 167 países, aumentou em
41 e manteve-se em 78 deles. Oito países mudaram de categoria, tendo
quatro regredido (Portugal, Ucrânia, Guatemala e Rússia) e quatro
melhoraram (Tunísia, Mauritânia, Níger e Zâmbia).
O relatório
conclui que, em 2011, o declínio da democracia se concentrou na Europa,
tendo sete países descido na classificação do índice democrático
(Finlândia, Irlanda, Alemanha, Espanha, Portugal, Itália e Grécia) e
nenhum subido.
A principal razão, explica o relatório, foi a
erosão da soberania e da responsabilidade democrática associada aos
efeitos e às respostas à crise da zona euro.
Seis governos da zona
euro caíram em 2011 e em dois destes países (Grécia e Itália)
governantes eleitos foram substituídos por tecnocratas, recorda o
relatório, alertando que a perspetiva de curto prazo no velho continente
é preocupante.
O relatório destaca ainda que em alguns países já
não são os governos eleitos que definem as políticas, mas sim os
credores internacionais, como o Banco Central Europeu, a Comissão
Europeia e o Fundo Monetário Internacional.
A severidade das
medidas de austeridade contribuiu para enfraquecer a coesão social e
diminuir ainda mais a confiança nas instituições públicas, que já
estavam em declínio desde a crise económica de 2008/2009, conclui o
relatório.
Por outro lado, o relatório alerta para a falta de
participação no processo político e o défice democrático e exemplifica
com o caso da Alemanha, onde está em queda a militância partidária e a
participação nas eleições.
"A austeridade rigorosa, uma nova
recessão em 2012, o elevado desemprego e o facto de não se verem sinais
de crescimento renovado vão testar a resiliência das instituições
políticas europeias", pode ler-se no relatório.
A nível mundial,
apenas 11,3 por cento da população vive em democracias plenas e 37,6 por
cento em regimes autoritários.