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sexta-feira, 29 de junho de 2012

80 % dos emigrantes portugueses ficam na UE

Foto: Shutterstock
Cerca de 82 por cento dos portugueses que emigraram em 2010 para trabalhar no estrangeiro fizeram-no dirigindo-se a outros Estados-membros da União Europeia (UE), indica um relatório de Bruxelas sobre o emprego na Europa.

De acordo com o texto, mais de 19 mil portugueses emigraram em 2010 dentro da Europa por motivos de trabalho, ao passo que apenas quatro mil o fizeram para fora do continente.

A Comissão Europeia adverte que os países da Zona Euro "continuam a ser os mais afectados pela deterioração do mercado de trabalho", o que origina uma "divergência crescente" entre os Estados-membros da UE no indicador do desemprego. O documento não acrescenta grandes novidades aos dados mais recentes do Eurostat, mas alerta para o perigo que atravessam os jovens europeus, com cada vez maior dificuldade em entrar no mercado de trabalho em virtude da actual crise económica.

sexta-feira, 25 de maio de 2012

Austrália é cada vez mais destino para portugueses

Foto: Á. Cruz
A comunidade portuguesa na Austrália, estimada em mais de 50 mil pessoas, tem crescido nos últimos tempos apesar da distância de Portugal e da política de vistos que dificulta a emigração para aquele país. "A comunidade tem crescido. Há cerca de dois anos parou um bocadinho, mas agora já está outra vez a começar a imigração [de portugueses]. Notamos que têm vindo muitos jovens e casais com filhos. Vêm com vistos de turista ou por dois anos e depois vão tentando renovar", disse à agência Lusa Ana Maria Pereira, representante da Austrália no Conselho das Comunidades Portuguesas.
Os números do consulado geral de Portugal em Sidney, maior cidade da Austrália, apontam para a existência de cerca de 50 mil portugueses registados, mas fontes da comunidade garantem que são entre 80 e 90 mil os emigrantes que fixaram residência na Austrália.

domingo, 19 de fevereiro de 2012

Trabalhadores portugueses são mais-valia para o Brasil

Foto: Lusa
Empresários brasileiros do sector do imobiliário residencial e turístico lembraram ontem em Lisboa que o Brasil tem grande falta de mão-de-obra, considerando a experiência dos trabalhadores portugueses uma mais-valia para o crescimento do país.

"Não temos mão-de-obra. Não só qualificada, mas também sem ser qualificada", disse Filipe Cavalcante, presidente da Associação para o Desenvolvimento do Imobiliário e Turismo do Brasil, adiantando que essa falta é notada na maioria das áreas de actividade. "Há meses que procuro 30 pedreiros. E são pedreiros, o que dirá engenheiros", adiantou Cavalcante, considerando "muito interessante" o actual movimento de portugueses para o Brasil. "Nos próximos anos o elo entre Brasil e Portugal vai fortalecer-se", dizia o empresário durante um seminário que juntou empresários dos dois países.

sábado, 18 de fevereiro de 2012

Regresso de emigrantes pode gerar convulsões sociais

Foto: M. Dias
Se o “escape” da emigração diminuir ou se os jovens que foram trabalhar para o estrangeiro começarem a regressar, podem ocorrer convulsões sociais, defende a socióloga Luísa Oliveira.

Se a saída de Portugal deixar de ser alternativa, “as coisas começam a comprimir porque há uma grande revolta, uma grande desilusão e frustração nos desempregados, particularmente os jovens”, disse a investigadora do Instituto Superior de Ciências do Trabalho e da Empresa. Prova disso é o aumento das várias criminalidades, “fenómeno a que já se está a assistir neste momento”, tal como as convulsões sociais, considera. Luísa Oliveira recorre ao exemplo do fluxo migratório que ocorreu em Portugal na década de 1960: “Se não tivesse sido possível [essa saída em massa], provavelmente a revolução do 25 de Abril [de 1974] teria ocorrido antes”. Por enquanto “temos a sorte de ter uma central sindical que tem uma função social muito importante desse ponto de vista [controlo social dos descontentes com o aumento do desemprego]. Enquanto as pessoas descerem a avenida da Liberdade [em Lisboa] até ao Terreiro do Paço com as bandeiras e gritarem umas palavras de ordem, isso é uma válvula de descompressão”, explica a investigadora, que vê os sectores da sociedade mais à direita nutrir "simpatia para com a CGTP, pela capacidade de conter o descontentamento”. Já a mobilização espontânea da sociedade "vai-se esgotando também”, considera.

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Rio de Janeiro: Polícia investiga homicídio de mais uma portuguesa

Rosa da Cunha Viana foi encontrada morta numa rua do bairro da Lapa. Imagens de câmaras de vigilância estão a ajudar a polícia do Rio de Janeiro na investigação do assassinato.

Após a conclusão do caso de Rosalina Ribeiro que a Polícia Civil do Rio de Janeiro está a investigar ainda a morte de outra portuguesa, falecida em Junho deste ano, também na cidade do Rio de Janeiro.

Rosa da Cunha Viana, de 75 anos, vivia no Brasil há onze anos e desapareceu no início de Junho, segundo informações do diário local "Extra".

O caso, no entanto, só veio à tona agora com a divulgação de imagens capturadas por câmaras de segurança da rua próxima ao local onde a portuguesa vivia, no centro da cidade. Num dos vídeos, pode ver-se a portuguesa a descer as escadas de sua casa e, noutras imagens, percebe-se que o corpo da vítima foi deixado por ocupantes de um carro na Rua Joaquim Murtinho, localizada junto a um antigo aqueduto conhecido como Arcos da Lapa.

A vítima terá sido encontrada morta com fracturas nas costelas, segundo o delegado responsável pelo caso, citado pelo diário "Extra". Rosa da Cunha Viana foi vista pela última vez no dia 8 de junho e o seu desaparecimento foi denunciado à polícia por amigos.

Os delegados descobriram que o seu corpo tinha sido levado para análise no Instituto Médico Legal (IML) no dia 10 de Junho.

A polícia apurou ainda que foram feitos pelo menos sete levantamentos da sua conta no dia 9 de junho, ou seja, já após o seu desaparecimento.
Segundo a reportagem, a vítima era proprietária de cinco apartamentos no Rio de Janeiro.

sexta-feira, 17 de junho de 2011

Jovens portugueses admitem emigrar para o Luxemburgo para receber tratamento

O Luxemburgo pode vir a ser um dos destinos dos portugueses que sofrem de paramiloidose, conhecida como a "doença dos pezinhos". O medicamento para tratar a doença não está disponível em Portugal, ao contrário do que já acontece em França e no Grão-Ducado.

Ana e Pedro (nomes fictícios), jovens licenciados com sucesso profissional, herdaram a paramiloidose do pai, uma doença neurológica rara e sem cura que afecta os membros inferiores. Em entrevista à Lusa na quinta-feira, dia em que se assinalou o Dia Nacional de Luta Contra a Paramiloidose, os dois admitiram estar revoltados pelo facto de a França, Itália e o Luxemburgo já estarem a ministrar aos doentes o Tafamidis, um fármaco que evita o transplante hepático e garante melhor qualidade de vida, mas que não existe em Portugal. "Seremos seres humanos diferentes?”, questionam ambos, não descartando a possibilidade de emigrar para puderem receber tratamento.

Em Portugal, país onde a doença foi primeiro identificada pelo neurologista Corino Andrade, em 1939, o Serviço Nacional de Saúde aguarda que o fármaco seja certificado pela Agência Europeia de Avaliação de Medicamentos.

Foto: Shuttertsock

sexta-feira, 29 de abril de 2011

Comunidades: Ex-secretário Estado “impressionado” com dimensão da nova emigração

O ex-secretário de Estado das Comunidades e social-democrata José Cesário afirmou hoje que a dimensão da nova emigração portuguesa atingiu níveis “impressionantes”, principalmente na Europa e em África.

“Há muito mais [emigração]. É um movimento impressionante. Não tem discrição”, disse à Lusa Cesário, que na qualidade de ex-deputado e Coordenador do Secretariado das Comunidades Portuguesas do PSD tem visitado as comunidades portuguesas no estrangeiro.

“Esse fluxo é mais evidente de alguns anos a esta parte, em 4-5 anos agudizou-se bastante. As estatísticas do desemprego em Portugal não correspondem à realidade, porque escondem este mundo de gente que foge e se afasta”, adiantou Cesário, que estará nos próximos dias de visita a comunidades nos Estados Unidos e Canadá.

Fora da Europa, Angola é também “caso muito evidente” da chegada de novos emigrantes, enquanto nos Estados Unidos o fenómeno é mais esbatido, dado que a permanência legal é mais difícil para trabalhadores estrangeiros.

A emigração de “quadros qualificados e com formação académica” é a maior dos últimos anos, mas atinge “pessoas de todos os níveis”.

“Temos gente a emigrar com 50 anos, pessoas que ficaram desempregadas, adquiriram bens, recorreram a crédito e não deixaram de ter condições para os suportar”, afirma.

Do seu contacto com os emigrantes de gerações anteriores, o ex-secretário de Estado relata “muita preocupação” com a situação de crise económica no país, e mesmo “alguma vergonha com o que se está a passar lá”, mas dizem que “estão interessadas em ajudar”.

“Estas pessoas que saíram de Portugal há alguns anos têm uma cultura diferente de muitos que lá ficaram. Uma cultura de poupança que desapareceu, estavam habituados a olhar para Portugal como um país com dificuldades, mas equilibrado. E hoje vêm com desespero esse sentimento a desaparecer”.

O manifesto eleitoral do PSD para a área das comunidades portuguesas, recentemente apresentado, traça como prioridades a captação das poupanças e investimentos dos emigrantes, voto misto, combinando os métodos por correspondência e presencial, e consulados “de nova geração”.

Outra “bandeira” é o alargamento da nacionalidade portuguesa até aos netos, por efeito de vontade, que “responde à necessidade de captar esses jovens que não podem ser portugueses por os pais não terem pedido nacionalidade”, afirma.

Para Cesário, é preciso melhorar a “rede” de apoio à nova emigração, não só ao nível dos consulados, mas também das associações locais.

“Já existiram no passado essas redes, agora é preciso ressuscitá-las. E não pode ser só o Estado, tem de se envolver as instituições [das comunidades], um trabalho em rede”, adianta.

De Newark, Nova Jérsia, onde chegou quinta-feira à noite, Cesário segue hoje para Providence, Rhode Island.

Vai participar ainda na festa do clube português de Hudson, arredores de Boston, e em Montreal, Canadá, no aniversário do jornal Voz de Portugal, um dos mais antigos da imprensa das comunidades.

A visita, afirma, é feita na condição de deputado e a nível partidário, mas “não em pré-campanha”,

“Nunca fiz campanha eleitoral enquanto fui eleito por este círculo. Faço contacto com as pessoas ao longo do ano. As campanhas aqui fora não fazem sentido, fruto do fator distância, de não encontrarmos eleitores concentrados”, afirma.

Cesário lidera as listas do PSD pelo Círculo de Fora da Europa, onde estão ainda Carlos Páscoa Gonçalves e Maria João Ávila e Gonçalo Nuno dos Santos.

Foto: Manuel Dias

sábado, 26 de fevereiro de 2011

Emigração "recrudesceu" devido à crise e vai continuar a marcar sociedade portuguesa

A emigração "recrudesceu" nos últimos anos devido à crise, defende a investigadora Betriz Rocha-Trindade, adiantando que saem, em média, 100 mil portugueses por ano, um êxodo que, acredita, continuará a marcar a sociedade portuguesa no futuro.

"A emigração é um fenómeno estrutural da sociedade portuguesa e continuará. Efetivamente [nos últimos anos] recrudesceu a emigração em Portugal. Hoje saem por ano cerca de 100 mil portugueses", disse em entrevista à Agência Lusa a socióloga especialista em questões da diáspora portuguesa.

Para Beatriz Rocha-Trindade, que integra o Centro de Estudos das Migrações e das Relações Interculturais da Universidade Aberta, a recente criação na esfera governamental de um Observatório da Emigração ou uma simples pequisa na internet permitem a confirmação de uma realidade que há muito ocupa as conversas de café.

"Estão a sair mais..? Estão a sair menos..? Estão a sair, simplesmente os destinos é que mudaram. Em dado tempo tivemos dois grandes destinos: o Brasil e a França. Hoje os destinos mudaram e a emigração faz-se de maneira diferente", adianta a investigadora.

"Há muito pouco tempo a Espanha era um dos grande destinos, mas era uma emigração temporária, quase semana a semana. A Suíça é outro grande destino. Há decénios foram emigrantes temporários, para a hotelaria e agricultura, que se transformaram em definitivos e para onde continuam a ir. A Inglaterra é dos grandes destinos atualmente", indicou.

A socióloga rejeita contudo "análises unilineares" ao fenómeno da emigração, sublinhando que, com a integração de Portugal na União Europeia, se alteraram as formas de entrada nos países e até mesmo as formas de estar na "clandestinidade".

"Esta circulação que se tem ativado possibilitou novas formas de estar irregular, mas também facilitou esta 'exportação' de portugueses, que se intensificou com a crise atual", disse.

Apesar de reconhecer que alguns dos tradicionais destinos de emigração portuguesa vivem também crises financeiras com grandes níveis de desemprego, Beatriz Rocha-Trindade diz que "há sempre para onde ir".

A socióloga fala de uma emigração cada vez mais qualificada, porque a própria sociedade portuguesa é hoje mais qualificada, mas ressalva que não saem apenas quadros.

"Por vezes saem também pessoas com uma determinada qualificação e não vão exercer essa qualificação especializada. Vão exercer funções de nível inferior à sua preparação, mas que lhe proporcionam um rendimento superior", referiu.

A investigadora acredita que "nos próximos tempos" os portugueses vão continuar a sair do país, entre outras coisas, porque a mobilidade se faz hoje muito mais facilmente.

"Com toda a comunicação e o grupo numeroso de portugueses que vivem no estrangeiro, as ligações fazem-se mais facilmente”, disse.

“Existem muitos grupos de portugueses por todo o mundo que são contactáveis por via eletrónica e que, nos primeiros tempos, podem ajudar a instalar outros portugueses. Toda a circulação cruzada e permanente da informação facilita extraordinariamente a mobilidade ", concluiu.

sábado, 30 de outubro de 2010

Nos últimos anos, 700 mil portugueses deixaram Portugal: Crise faz emigração disparar para valores históricos dos anos 60 e 70

Já não restam dúvidas de que há uma nova vaga de emigração portuguesa. Na última década, 700 mil pessoas deixaram o país. São números que se aproximam dos valores do maior êxodo português de sempre, nas décadas de 60 e 70. E com o cinto a apertar, a fuga de Portugal vai agravar-se, garante Álvaro Santos Pereira, autor do estudo "O regresso da emigração portuguesa".

Os números assustam: entre 1998 e 2008, saíram de Portugal 700 mil pessoas. São 6,5 % da população total só numa década.

"Portugal está a encolher", alerta Álvaro Santos Pereira, professor na Universidade Simon Fraser em Vancouver, no Canadá, com quem o CONTACTO falou por telefone.

O economista é autor do estudo "O regresso da emigração portuguesa", o primeiro a fazer a contabilidade do fluxo migratório nos últimos anos. Há muito que as associações na diáspora garantem que há uma nova vaga de emigração portuguesa, mas o fenómeno nunca tinha sido quantificado. Até agora.

Descontente com os números fornecidos pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), Álvaro Santos Pereira decidiu lançar mão de outros métodos.

"A partir de 1992, por causa do espaço Schengen, deixou de se fazer a contabilidade a partir da emissão de passaportes, e a contabilidade da emigração começou a ser feita de forma indirecta pelo INE, a partir de inquéritos às famílias. O problema é que os números são pouco fiáveis, e quase sempre subestimam o número de pessoas que saiu", explica.

Na senda do trabalho de Maria Baganha, pioneira no estudo dos fluxos migratórios, o professor universitário consultou os dados da Segurança Social e dos Centros de Emprego dos principais países de destino dos portugueses, que cruzou com dados da OCDE. E o que descobriu alarmou-o.

O fluxo da última década não está longe do maior êxodo português de sempre, na década de 60, quando saíram do país 800 mil, e na de 70, quando partiram mais 850 mil. Na primeira década deste século, depois da adesão à União Europeia e de um "boom" económico fugaz, os números já rondam os 700 mil.

"Os números mostram inequivocamente que existe uma grande vaga migratória portuguesa, provavelmente a segunda maior de sempre, e a maior seguramente desde os anos 60", garante Santos Pereira.

"O que mais me alarmou foram os números de 2007 e 2008: estamos a falar de cerca de cem mil portugueses por ano. Até 73/74, no pico da emigração, havia cerca de 150 mil pessoas a sair de Portugal todos os anos. Havia mais gente a sair de Portugal nos anos 60 e 70 que agora, mas os números aproximam-se muito".

CRISE OBRIGOU PORTUGUESES A SAIR
O novo fluxo migratório é o espelho da crise em que o país mergulhou na última década. Uma "crise à portuguesa" que deve pouco à crise internacional, e é antes fruto das dificuldades de adaptação ao euro e da estagnação económica que se lhe seguiu, garante o professor universitário.

"A nova vaga migratória acontece claramente porque há falta de oportunidades no país e não há perspectivas de as coisas melhorarem nos próximos tempos", diz. "A emigração começou a aumentar a partir de 2000 e bastante mais a partir de 2002 e 2003, bem antes da crise internacional. Não teve nada a ver com a crise internacional: foi por causa da crise interna". E se a recessão prolongada fez com que os portugueses batessem com a porta, a saída ajudou, paradoxalmente, a mascarar a crise.

"A taxa de desemprego já estaria há muito tempo nos 15 por cento, e provavelmente estaria agora perto dos 20 %, se não fosse a emigração", frisa o economista. Mas não foi só aí que o êxodo mascarou o declínio da economia portuguesa: as remessas dos emigrantes têm sido essenciais para aguentar o barco durante o mau tempo económico.

"A Maria Baganha, uma das maiores investigadoras da emigração portuguesa, costumava dizer que a emigração era a nossa exportação mais bem sucedida. E as receitas da emigração são exactamente as remessas. Portugal tem um défice externo crónico nos últimos 70 anos, isto é, importa mais do que exporta. E a única maneira de equilibrar isto são as transferências do exterior, como os fundos da União Europeia, e principalmente as remessas dos emigrantes, que chegaram a constituir 8 a 10 % do PIB nos anos 80".

Com o fluxo migratório a disparar, as remessas dos emigrantes, em queda desde o final dos anos 80, voltaram a subir a partir de 2004. "As remessas só não aumentaram mais porque houve uma crise muito grande a nível internacional, que fez com que as pessoas poupassem mais e não mandassem mais dinheiro para trás. Houve uma pequena descida das remessas em 2008 e 2009, mas já estão a aumentar outra vez, e é natural que continuem a aumentar".

Mas se as remessas ajudam a mascarar o défice crónico de Portugal, o preço a pagar pode ser demasiado alto para um país cuja população "está a encolher".

"Portugal é neste momento, a seguir à Irlanda, o segundo país da OCDE com maior fuga de cérebros", alerta o professor. "Investimos neles e não temos nenhum retorno destas pessoas altamente dinâmicas e produtivas", lamenta. "São pessoas altamente qualificadas, muitas vezes licenciadas, com mestrado ou doutoramento. A ideia do emigrante de mala de cartão como nos anos 60 já não acontece, obviamente, mas continua a haver emigrantes pouco qualificados. Existe um pouco de tudo, no fundo como o país". Uns e outros fazem falta numa altura em que as taxas de natalidade caíram a pique e em que Portugal já não consegue atrair mão de obra estrangeira para compensar o êxodo dos portugueses.

"Portugal tem desperdiçado os seus emigrantes de maneira brutal. Tem tratado muito mal os seus emigrantes: não aproveita o seu potencial.

O FADO
DA EMIGRAÇÃO
Álvaro Santos Pereira fala com o CONTACTO por telefone a partir do seu gabinete na Universidade Simon Fraser, de Vancouver, onde trabalha desde 1998. A distância não tem impedido os jornalistas de o contactarem. Nos últimos dias, o seu estudo tem sido citado várias vezes na imprensa nacional e internacional, incluindo no Diário Económico, Expresso e no espanhol El Pais. Mas é só muito recentemente que se fala do fenómeno em Portugal, apesar de múltiplos avisos. O país, diz o economista, mantém a sina da emigração, tão sua como o futebol e o fado, mas recusa olhar-se ao espelho.

"Isto é o retrato de um país atrasado que nós pensávamos que já não existia. A emigração é um tema que é um bocado tabu porque nos envergonha. É um reflexo de quão mau o país está. É por isso que não se fala nisso".

"Aos poucos, cada vez se fala mais sobre isto, e acho que as pessoas já acreditam que está a haver uma grande vaga migratória neste momento". Até porque o fenómeno, "claramente, não vai diminuir". Com as medidas de austeridade anunciadas pelo Governo de José Sócrates, é previsível que a fuga de Portugal se agrave.

"Está muita gente a sair para Angola". Em 2006, contavam-se apenas 156 vistos para Angola. Em 2008 já eram 20 mil. Um ano depois, foram 46 mil, segundo Santos Pereira. As remessas falam por si: em 2009, as transferências com países africanos de língua portuguesa tiveram pela primeira vez um saldo positivo, de 67,1 milhões de euros. O grosso desse valor vem de Angola, país em que as remessas cresceram 130 % de 2008 para 2009.

"Portugal é um país fechado, velho, sem perspectivas", queixava-se uma emigrante portuguesa em Luanda ao Libération. O diário francês dedicou este mês um artigo ao novo eldorado português. O El Pais também: "Portugueses regressam a Angola", titula o diário espanhol. Para Angola em força ou para destinos tradicionais, os portugueses vão continuar a emigrar, vaticina o professor português no Canadá. "Claramente, vejo cada vez mais pessoas a pensar em sair do país. Acho que os nossos políticos ainda não perceberam quão sério o problema se tornou. Temos de perceber o que está a acontecer e temos de actuar", insta Santos Pereira. "Há problemas estruturais na economia portuguesa, mas houve uma série de más políticas seguidas não só por este governo, mas pelos anteriores, que agravaram a situação nacional. É preciso assumir responsabilidades".

Mas com a turbulência anunciada nos últimos dias e a recessão esperada nos próximos anos, é pouco provável que seja desta que Portugal deixe de ser um país de emigrantes.

Paula Telo Alves

terça-feira, 14 de setembro de 2010

Comunidades: Emigrantes podem passar a pagar imposto sobre imóveis por transferência bancária

Os portugueses residentes no estrangeiro já podem fazer o pagamento do Imposto Municipal sobre Imóveis (IMI) por transferência bancária, evitando assim a presença física numa repartição de finanças, adiantou hoje o deputado do PS pela Emigração.

“Neste momento, é possível fazer o pagamento (do IMI) através de transferência bancária”, revelou Paulo Pisco à Agência Lusa.

De acordo com o deputado socialista, os portugueses interessados têm apenas de contactar a Direcção Geral dos Impostos para que esta instituição lhes forneça um Número de Identificação Bancária (NIB) para onde podem fazer os pagamentos.

“Esse é um procedimento que não está generalizado. É tratado caso a caso em função dos pedidos que forem sendo feitos”, acrescentou.

Pisco falava na sequência da resposta que obteve a um requerimento que enviou em abril passado e no qual questionava o Governo acerca das modalidades de pagamento do IMI.

“O requerimento que apresentei ao Governo destinava-se a saber quais os entraves que havia ao pagamento do IMI para os portugueses que vivem fora do país e se haveria ou não algumas formas de facilitar esse pagamento. Porque agora exige a presença física, o que é manifestamente impossível para muitos”, explicou.

Da resposta que recebeu por parte do Ministério das Finanças, o deputado pela Emigração destacou também o trabalho que está a ser desenvolvido para “criar condições para a existência de um espaço único europeu de pagamentos”.

“Vai permitir pagamentos integrados em euros independentemente da sua origem e permite fazer com que haja relação direta entre a pessoa que paga imposto e a nota de cobrança que tem de haver quando o imposto é pago”, afirmou.

O deputado disse que tem sido abordado em vários países europeus por portugueses que querem saber “se é possível facilitar o pagamento do IMI”, o que motivou o requerimento ao Governo.

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Emigração: Cerca de 60 mil portugueses deixaram Espanha e estão a ir para França e Alemanha

O presidente do Sindicato da Construção de Portugal disse hoje que cerca de 60 mil trabalhadores portugueses saíram de Espanha nos últimos tempos e estão a mudar-se para França e Alemanha, onde há registos de explorações laborais.

“Neste momento, estamos a assistir a uma grande mobilidade de trabalhadores que estavam em Espanha. Chegámos a ter 90 mil trabalhadores em Espanha e neste momento temos cerca de 30 mil”, disse Albano Ribeiro.

O sindicalista falava à Agência Lusa no Ministério dos Negócios Estrangeiros, após uma reunião com o secretário de Estado das Comunidades, António Braga.

De acordo com Albano Ribeiro, são “milhares” os trabalhadores a deslocarem-se para aqueles países, onde há já relatos de abusos.

“A situação mais gritante passa-se na Alemanha. Um operário qualificado português e um operário qualificado alemão com a mesma profissão, fazendo as mesmas horas, há a diferença de mil e tal euros por mês”, contou.

No entanto, o presidente do Sindicato da Construção de Portugal “o mais chocante é que há 16 trabalhadores a dormirem num espaço onde cabiam cinco e a dormirem em cima de esferovite”.

O sindicalista sublinhou que “se não fossem as obras públicas que foram lançadas (em Portugal), a situação era muito mais gritante porque no último ano e meio criaram-se cerca de 30 mil postos de trabalho”.

“Para o ano há um plano de barragens que para nós, sindicato, é extremamente importante porque assim não há tanta mobilidade”, acrescentou.

Outra das questões levantadas por Albano Ribeiro prende-se com a segurança rodoviária, uma vez que “já há trabalhadores a virem em carrinhas da Alemanha para Portugal”.

“Se em Espanha morreram dezenas de trabalhadores, naturalmente que aqui o cansaço é muito maior”, acrescentou.

Para sensibilizar os portugueses no estrangeiro para estas questões, o Sindicato da Construção de Portugal e a Secretaria de Estado das Comunidades juntaram-se para lançar duas campanhas de alerta.

“É no enquadramento dessa parceria que lançaremos duas campanhas: uma nos media, que tem por fim alertar e informar, e outra em que estamos a estudar as condições para localmente, no estrangeiro, podermos realizar esse tipo de informação”, disse o secretário de Estado das Comunidades.

Segundo António Braga, a primeira campanha vai ser lançada antes do fim do ano e a segunda será divulgada no princípio de 2011, “sobretudo na estrutura diplomática e consular e em pontos estratégicos”.

Para Albano Rodrigues, estas campanhas “vão ser uma mais valia para evitar o pior”.

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

Portugal: Maioria da emigração actual para a Europa são portugueses qualificados

Continuam a chegar muitos emigrantes portugueses aos países europeus, a maioria dos quais jovens qualificados mas sem oportunidades profissionais em Portugal, alertou o diretor da Obra Católica Portuguesa de Migrações, Frei Francisco Sales Diniz.

Este é o diagnóstico feito no encontro dos sacerdotes que exercem junto das comunidades portugueses em França, Suíça, Bélgica, Holanda, Luxemburgo, Alemanha, e Reino Unido, que se encontram reunidos em Londres desde segunda feira.

“Os problemas com a nossa emigração são quase sempre os mesmos, apesar de estarem mais acentuados com a nova vaga de emigração”, afirmou à Agência Lusa.

O grosso dos emigrantes está, segundo a observação do clero, está a chegar à Suíça, Luxemburgo, Reino Unido e França, mas é difícil quantificar em números devido à falta de inscrição nos consulados ou junto das autoridades nacionais.

Esta “nova vaga”, descreveu Sales Diniz, é composta por “pessoas com formação, muitas vezes com cursos superiores, cursos profissionais ou cursos técnicos, que não têm saída profissional em Portugal” e que precisam de procurar emprego fora para pagar as prestações da hipoteca da casa em Portugal.

O diretor da OCPM advertiu em particular para a construção do túnel ferroviário nos Alpes, para onde espera que se desloquem “alguns milhares de portugueses”.

Um dos empreiteiros, adiantou, “é uma empresa ligada a trabalhadores portugueses” e a própria “igreja francesa já nomeou um diácono para acompanhar essa situação”.

Mas não são apenas as comunidades portuguesas no estrangeiro a enfrentar problemas, a própria Igreja sofre da falta crescente de sacerdotes, pelo que é frequente o recurso a padres brasileiros, dos países africanos de língua portuguesa e até outras de nacionalidades.

Diniz Sales referiu que o trabalho das missões no estrangeiro é “acompanhar comunidades sem criar guetos” e ajudar na integração no país de acolhimento e na igreja local.

“Muitas vezes as igrejas locais gostariam que a integração fosse mais rápida, mas é um processo que precisa de passar por uma primeira, segunda, terceira geração que nós temos obrigação de acompanhar”, vincou.

O encontro anual dos Coordenadores das Comunidades de Língua Portuguesa na Europa termina hoje em Londres.

Além dos países europeus (Alemanha, Bélgica, Espanha, França, Itália, Holanda, Luxemburgo, Noruega, Polónia, Reino Unido, Suécia e Suíça), a OCPM está ligada a sacerdotes e agentes pastorais na África do Sul, Argentina, Bermudas, Austrália, Brasil, Canadá, EUA, Japão e Venezuela.

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Portugal: Secretário de Estado das Comunidades destaca potencialidades dos gabinetes de apoio ao emigrante

O secretário de Estado das Comunidades Portuguesas, António Braga, destacou hoje as "potencialidades de enriquecimento mútuo" propiciadas pelos gabinetes de apoio ao emigrante, durante a assinatura do protocolo que criou na Mealhada mais uma destas estruturas.

"Há um universo de oportunidades extraordinário para desenvolver e explorar", defendeu o governante na cerimónia nos Paços do Concelho, ao sublinhar que se devem "explorar estas potencialidades de enriquecimento mútuo".

Apoiar os emigrantes que pretendem regressar à terra natal e auxiliar os que querem emigrar são as principais valências do gabinete, criado ao abrigo de um protocolo celebrado hoje entre a Direcção-Geral dos Assuntos Consulares e Comunidades Portuguesas e o Município da Mealhada (Aveiro).

"Os emigrantes insistem em manter-se ligados a casa, cabe ao Estado criar condições para isso através da língua, da cultura e também no domínio da economia e do tecido empresarial", referiu António Braga, ao salientar o papel do recentemente criado programa Netinvest no "estímulo às parcerias" entre empresários locais e empresários da diáspora.

Para o presidente da Câmara da Mealhada, Carlos Cabral, "a intervenção das autarquias no domínio social é cada vez mais importante".

"Temos intervenções em diversas áreas, faltava-nos sem dúvida o desenvolvimento deste trabalho. Somos um concelho muito especial: numa primeira fase, preocupámo-nos imenso com a imigração, procurámos acolhê-los e integrá-los. Somos também um país de emigrantes. Faltava algo neste município que pudesse estar ao serviço dos que regressam ao país ou dos que, estando no estrangeiro, precisam de contactar com o país de origem", afirmou Carlos Cabral.

De acordo com o secretário de Estado das Comunidades Portuguesas, existem já cerca de 90 gabinetes de apoio ao emigrante e mais sete dezenas encontram-se "apalavrados".

"É um serviço de extraordinária oportunidade social, para se integrarem no regresso a Portugal, ou para se informarem quando pretendem sair", sintetizou.

No protocolo hoje assinado lê-se que cerca de 90 por cento dos portugueses que regressam o fazem para a freguesia de onde partiram e que no concelho da Mealhada "sempre se verificou um elevado índice de emigração".

sábado, 23 de janeiro de 2010

António de Vasconcelos Nogueira apresenta "Os Portugueses no Luxemburgo: contribuição analítica para a história das migrações"

"Os Portugueses no Luxemburgo: contribuição analítica para a história das migrações" é um estudo/monografia de António de Vasconcelos Nogueira, professor universitário e investigador radicado no Luxemburgo desde 2006, e que foi submetido recentemente ao Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa para publicação em livro.

Trata-se de um trabalho que resulta de quatro anos de investigação de Nogueira no Luxemburgo, financiado pela Fundação Ciência e Tecnologia com um estágio profissional de um ano, que decorre actualmente na associação Amizade Portugal-Luxemburgo (APL).

Estamos perante um estudo completo e bem estruturado que retrata e analisa as diferentes vagas migratórias dos Portugueses para o Luxemburgo e aspectos associados, a "sociedade de classes heterogénea" lusa e não uma "comunidade homogénea", assim como os "estereótipos sobre o emigrante português là-bas e o imigrante português ici", entre outros aspectos, explica Nogueira.

"Pretende-se definir a tipologia da imigração portuguesa no Grão-Ducado, com este trabalho", explica Nogueira.

O professor estará na emissão "Cartas na mesa", da Rádio Latina, este domingo, 24 de Janeiro, às 11h, para explanar estes e outros assuntos sobre o estudo.

António Nogueira, ainda em 2009, foi convidado pela equipa do "Jornal electrónico da História portuguesa" do departamento de Estudos portugueses e brasileiros da Universidade Brown, nos Estados Unidos, para escrever um artigo de recensão crítica sobre o livro "Diáspora Atlântica, Judeus, Conversos, e Cripto-Judeus na Época do Mercantilismo, 1500-1800" de Richard Kagan e Philip Morgan.

Esta obra consiste numa colecção de 10 ensaios, divididos em três partes, da autoria de especialistas estrangeiros que participaram num colóquio em Baltimore (EUA) em 2005 sobre os Estudos Atlânticos e Estudos Judaicos.

António Nogueira debruçou-se sobre a obra e denotou aspectos que muito contribuem para o estudo do tema: "Vê-se claramente o reconhecimento do papel activo dos Judeus portugueses e espanhóis entre 1500-1800 como autênticos percursores do capitalismo moderno, assim como o papel dos rabinos portugueses na divulgação da religião", diz.

No livro também há uma importante referência ao fenómeno migratório entre os séculos XVI e XIX, na perspectiva dos Estudos Atlânticos e Judaicos, dos vários ciclos económicos da altura, passando pela presença portuguesa no Golfo da Guiné (região da Senegâmbia) e as alianças matrimoniais como factores comerciais. Esta recensão crítica poderá ser encontrada, na sua totalidade, no sítio www.brown.edu/Departments/Portuguese _Brazilian_Studies/ejph/html/issue13/pdf/anogueira.pdf, na internet.

(Caso deseje adquirir a obra, esta poderá ser encomendada através de: www.amazon.com/Atlantic-Diasporas-Crypto-Jews-Mercantilism-15 00-1800/dp/0801890357/ref=sr_1_ 1?ie=UTF8&s=books&qid=1262964 453&sr=1-1).

Foto e Texto: Gualter Veríssimo

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Não perca a entrevista com o autor este domingo, às 11h, na Rádio Latina.

terça-feira, 10 de novembro de 2009

Comunidades: Futebol é principal elo de ligação de emigrantes a Portugal

O futebol é o principal elo de ligação dos luso-descendentes ao Portugal moderno, funcionando também como espaço de emancipação nos países de acolhimento, revela um estudo sobre o impacto do desporto-rei no quotidiano dos emigrantes.

Segundo Nina Tisler, investigadora que coordena o estudo, os dados já recolhidos no âmbito do projecto "Diasbola" – que se iniciou em 2007 e termina no próximo ano – permitem concluir que, enquanto a participação eleitoral e o interesse pelo ensino da língua diminuem cada vez mais o interesse em campeonatos de futebol continua "omnipresente".

"A língua foi um espaço de emancipação, mas para os emigrantes e luso-descendentes hoje é mais o futebol que faz a Pátria", considerou a investigadora do Instituto de Ciências Sociais (ICS) da Universidade de Lisboa, acrescentando que o futebol permite-lhes ligarem-se a um Portugal moderno, através de organizações como o Europeu'2004 ou figuras como Cristiano Ronaldo e Figo.

O projecto "Diasbola", o primeiro estudo comparativo sobre este tema realizado em seis países, pretende apurar o impacto do futebol no quotidiano e na cultura dos emigrantes portugueses, perceber até que ponto contribui para a percepção e a imagem do Portugal contemporâneo e validar a hipótese de que para os emigrantes o futebol português é mais importante do que o próprio património cultural e linguístico.

"Já confirmámos essa hipótese e agora estamos a comparar as funções que o futebol tem nos diversos países", adiantou Nina Tisler, sublinhando, no entanto, que apesar da sua importância, o futebol "não consegue manter os emigrantes exclusivamente portugueses sem abertura ao resto da sociedade".

Os dados preliminares do estudo – recolhidos por investigadores localmente ou através de inquéritos on-line – foram analisados na sexta-feira num workshop em Lisboa com a presença dos investigadores que trabalham no projecto no Reino Unido, Alemanha, França, Estados Unidos, Brasil e Moçambique e com a participação de Detlev Claussen, professor do Instituto de Sociologia da Universidade de Hannover na Alemanha, com experiência nas áreas das migrações e do desporto globalizado.

Nina Tisler adianta que, no que respeita à integração nos países de acolhimento, o futebol consegue alterar contextos, contribuindo para "a emancipação das hierarquias sociais" e para a integração dos emigrantes e luso-descendentes.

"Por exemplo, em França, quando um clube português como o Benfica ou o Porto jogam na Liga dos Campeões, é garantia de estádios lotados e, se ganharem, os franceses têm respeito pelo futebol e durante este tempo os emigrantes, que têm um estatuto social bastante subalterno, emancipam-se deste estatuto e sentem-se superiores", adiantou.

A investigadora destaca também o papel das equipas de futebol amador das comunidades portuguesas, que muitas vezes são multiculturais, na ligação com outras comunidades, bem como o potencial do futebol no diálogo entre gerações de pais e filhos.

Foto: Á. Cruz

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Portugal: PS recupera lei vetada por Cavaco que obriga a voto presencial dos emigrantes

O deputado José Lello, do PS, prepara-se para recuperar o diploma que obriga ao voto presencial dos emigrantes portugueses nas legislativas, vetado pelo Presidente da República no início do ano.

De acordo com a notícia avançada pelo Diário de Notícias a 30 de Outubro, o deputado socialista baseia os argumentos para ressuscitar o diploma na fraca afluência dos portugueses radicados no estrangeiro nas últimas legislativas, em 27 de Setembro.

"Manter este sistema de voto não beneficia nem os portugueses que residem no exterior nem a nossa democracia e deita para o lixo a vontade de participação de milhares de eleitores", disse ao DN o deputado José Lello.

"Está na hora de mudar, sem argumentos falaciosos ou agendas ocultas, procurando sempre que a participação seja tão extensa quanto possível e imbuída de um sentido cívico genuíno que só honrará" as comunidades portuguesas no estrangeiro, disse ainda àquele jornal o secretário nacional do PS para as Relações Internacionais.

Em Fevereiro deste ano, o Presidente da República, Cavaco Silva, vetou a lei aprovada pelo PS que acabava com o voto por correspondência nas legislativas. Para Cavaco Silva, que acolheu o parecer do Conselho Permanente das Comunidades Portuguesas, a alteração à lei eleitoral "iria promover a abstenção eleitoral", obrigando "milhares de pessoas a percorrerem centenas ou milhares de quilómetros para exercerem um direito fundamental".

Agora, com o argumento da abstenção nas últimas legislativas, José Lello quer recuperar o diploma que obriga ao voto presencial, recordando que "a participação dos portugueses no exterior caiu de 36.838 votantes, nas eleições de 2005, para 25.462" este ano, a "maior quebra de sempre em eleições legislativas". Para o deputado socialista, "o voto por correspondência é pouco transparente e está absurdamente dependente de factores externos à vontade dos eleitores, convertendo-se num anacronismo que restringe a intervenção eleitoral de milhões de portugueses que vivem no exterior".

"Num universo de 4 a 5 milhões de portugueses, os votantes têm vindo a reduzir-se aceleradamente a cada eleição, até aos actuais diminutos 25.462 que elegem quatro deputados", declarou ao Diário de Notícias.

Para José Lello, "é urgente uniformizar o modo de votar, optando pelo voto presencial usado hoje para a eleição do Presidente da República, nas eleições europeias ou para o Conselho das Comunidades Portuguesas", já que, alega, "a coexistência de dois sistemas de votação confunde o eleitorado".

Ao DN, o deputado deu exemplos para fundamentar esta crítica: "centenas de eleitores" a ir aos consulados para votar presencialmente, "greves nos correios" de França ou Brasil, "serviços postais bloqueados" na Venezuela ou envio de votos num embrulho.

Os emigrantes votam por correspondência para as eleições legislativas e europeias e presencialmente (nos consulados) para as presidenciais e para o Conselho das Comunidades Portuguesas.

Tragédia num estaleiro de construção: Acidente num túnel em Andorra vitima cinco trabalhadores portugueses

Cinco trabalhadores portugueses morreram e outros seis ficaram feridos, no sábado, quando trabalhavam nas obras do túnel de Dos Valires, em Andorra. Os trabalhadores ficaram soterradas quando parte da estrutura se desmoronou ruiu a ponte exterior que liga a estrada principal à boca do túnel de Dos Valires, que une as localidades de Encamp e La Massana. As obras deveriam estar concluídas no próximo ano.

Fernando Pereira, um dos portugueses feridos sábado em Andorra, recorda que o acidente "foi muito rápido e confuso", encontrando-se agora a recuperar de uma cirurgia em Barcelona e com vontade de dizer à mulher e três filhos que está bem.

Residente em Andorra há mais de um ano e a trabalhar para a empresa Unifor, Fernando Pereira ficou ferido com gravidade quando parte da estrutura da obra do Túnel Dos Valires desabou, tendo sido transferido do Principado para o Hospital Vall d’Hebron.

À chegada ao hospital catalão, apresentava um traumatismo craniano e maxilofacial. Foi operado sábado à noite de urgência na unidade de Traumatismo e neste momento está fora de perigo, apesar de o seu prognóstico ser considerado grave.

Em declarações à Lusa, Fernando Pereira disse que a plataforma cedeu quando os trabalhadores se prontificavam para deitar o betão sobre o tabuleiro.

“Foi tudo muito rápido e muito confuso. Não tive tempo de ver nem ouvir nada. Senti como me doía a cabeça, o ouvido e a perna direita”, descreveu a vítima, que se encontra instalado num quarto com mais um doente.

O trabalhador português, de 40 anos, originário do concelho de Baião, lembra-se que quando parte do túnel desabou ele usava o capacete de segurança e começou a ouvir muitos gritos.

"Eu estava em cima do tabuleiro. Tinhamos estado a encher uns tubos e devia ser perto do meio-dia. De repente, ouvi um estoiro e caiu tudo. Senti dores na cara, nas costelas, no ouvido, na perna e braço direitos", descreveu.

Fernando Pereira lembra-se ainda de ter ouvido os seguranças da obra a falar com ele, e a informá-lo de que os bombeiros estavam a chegar para o retirar dos escombros.

Na altura do acidente não pensou no pior: "Estava à espera do que Deus quisesse. Mas não pensei que ía morrer porque sou muito novo", comentou.

A viagem de ambulância para Barcelona tornou-se eterna, “parecia que nunca mais tinha fim”, tendo em conta que sentia "muitas dores”.

A intervenção cirúrgica, disse, “correu bem”, agora “é preciso ver a recuperação que os médicos dizem que vai demorar um bocadinho”.

“Ninguém se pôs em contacto comigo por parte da empresa”, disse Fernando Pereira, mas já foi visitado no hospital pelo cônsul de Portugal em Barcelona, Bernardo Fuscher Pereira.

Fernando Pereira, cujo telefone no quarto do hospital não pára de tocar, já falou hoje com a família, a mulher e os três filhos.

O desabamento na obra aconteceu no sábado ao meio-dia, hora local, e do acidente resultaram cinco mortos e seis feridos, todos portugueses.

Hoje, o presidente do Governo de Andorra, Jaume Bartumeu, visitou o local da tragédia e o Hospital Nostra Senyora de Meritxell acompanhado por um dos chefes de Estado do país, o co-príncipe episcopal.

Jaume Bartumeu disse aos jornalistas que a “obra está parada” e que já está existe uma investigação judicial para averiguar as causas do acidente.