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sexta-feira, 6 de julho de 2012

Falências aumentam 26 % no Luxemburgo

Durante o primeiro semestre de 2012 registaram-se 571 falências no Luxemburgo, contra apenas 452 no mesmo período do ano passado, representando um aumento de 26,3 %. Números "preocupantes", diz o estudo da auditora Cretidreform. Do número total de empresas falidas, 74 % tinham mais de cinco anos (418). Quanto aos sectores de actividade, o menor número de falências registou-se na Produção (1,5 %). O sector da Construção foi o único a apresentar menos falências comparado com igual período do ano passado

(-9,7 %). Os Serviços sofreram o maior número de falências (367), um aumento de 32 %, enquanto o Comércio registou o
segundo maior aumento, de 27 %.

sábado, 25 de fevereiro de 2012

Falência da Mangen deixa 180 portugueses no desemprego


O sector da construção no Luxemburgo sofreu novo abalo. A Mangen Construções S.A. declarou falência na terça-feira, deixando 225 trabalhadores no desemprego.
Oitenta por cento são portugueses.

Luís Carlos é um jovem português na casa dos vinte anos. Chegou ao Luxemburgo há ano e meio e trouxe consigo a esperança de um futuro melhor para si e a namorada. Com a falência da Mangen, viu ontem comprometidas as suas esperanças.

"Estou aqui há um ano e meio e vim com a esperança de ter um futuro, como muitos que estão aqui. Com esta falência, já nem sei ao certo o que me falta receber. Recebi uns 500 euros e depois mais algum e depois comecei a perder a conta. Vejo agora um futuro muito curto, mais difícil.”

Para Luís Carlos e colegas de trabalho, a revolta está à flor da pele, um mês depois de terem sabido que a empresa ia declarar falência.

"Este momento que estamos a viver é de completa revolta. A gente já desconfiava, mas só há cerca de um mês é que soubemos. Não achamos justo não nos terem dado uma palavra antes, mas ainda assim tenho a esperança de entrar noutra empresa”, diz Luis Carlos.

Para já, Luís quer ficar por cá, até porque não vê hipótese de encontrar trabalho em Portugal. "Vou ficar por aqui porque em Portugal não há futuro nenhum."

SINDICATOS ACUSAM EMPRESA DE MÁ GESTÃO
O grupo Mangen, com sede em Steinfort, entregou ontem no tribunal do Luxemburgo o pedido de falência. São 225 trabalhadores que vão para o desemprego. Oitenta por cento falam português.
Uma falência que deixa os trabalhadores e os sindicatos perplexos. A empresa ainda tinha em carteira encomendas no valor de 30 milhões de euros, e os sindicatos acusam a empresa de má gestão, tal como no caso da Soccimo, que foi à falência em Julho do ano passado.

"Na Mangen o problema é de gestão. Não havia dinheiro em caixa. A linha de crédito baixou e os clientes não estavam a pagar. Isso levou a atrasos nos pagamentos. Os trabalhadores não receberam ainda o prémio final de 2011 e estão com parte do salário de Janeiro em falta. Na Socimmo, o problema também foi de gestão e as pessoas têm de perceber que quando tudo parece bem e se gere mal, as coisas acabam mal", explica Jean-Luc de Matteis, do sindicato OGB-L.

"Muitos dos clientes da empresa são comunas, que devem mais de um milhão de euros. A direcção viu-se sem dinheiro e com dívidas que ultrapassam os 5 milhões de euros, e daí a falência. Há alguns meses que estivemos a discutir com a empresa e os Ministérios do Trabalho e da Economia para encontrar soluções. Os trabalhadores da Mangen vão receber 10.500 euros após a declaração de falência, para além do subsídio de desemprego. Eu pergunto-me se o governo não teria interesse financeiro em prestar assistência à Mangen desde o início. Com encomendas no valor de 30 milhões de euros, talvez bastasse a garantia de 2 milhões de euros para saldar as contas em atraso, mas os Ministérios em causa não fizeram nada para ajudar a empresa. É mais um dia negro para a indústria da construção", lamenta Jean-Paul Fischer, do LCGB.

Fonte do Ministério do Trabalho garantiu de forma lacónica ao CONTACTO que o Ministério fez tudo para tentar salvar a empresa.

"Tentámos fazer tudo dentro das nossas possibilidades, juntamente com o Ministério da Economia, e nada foi conseguido. Se a empresa declara falência é algo que já não nos cabe decidir.”

Uma versão contestada pelos trabalhadores. "Se o governo quisesse salvar a Mangen, não precisava de grandes somas. Era só dar confiança aos bancos, mas não o fizeram", diz Manuel Mendes (nome fictício a pedido do entrevistado), que trabalhava na Mangen há 26 anos.


UMA VIDA A TRABALHAR NA EMPRESA
"Vim para o Luxemburgo em Fevereiro de 1979 com o meu pai, que também era emigrante. Tinha 14 anos e a antiga quarta classe. Em Junho do mesmo ano comecei a trabalhar na construção, mas já levava dois anos a trabalhar em Portugal. Na altura estava a começar a ser obrigatório fazer o 6o ano, mas eu não o fiz e ninguém me obrigou a fazê-lo. Por isso comecei a trabalhar jovem na companhia do meu pai e não foi muito difícil adaptar-me", conta Manuel Mendes.

Em 1986, Manuel entra para o grupo Mangen para não mais deixar a empresa.

"Nunca tive problemas de trabalho. É a primeira falência que acontece na minha vida de trabalhador e espero que seja a última", desabafa.

Manuel Mendes vai a caminho dos 50 anos. Acredita que vai conseguir trabalho, mas quando fala dos colegas mais desprotegidos sente-se-lhe a voz embargada.

"Quando se entra numa situação delicada como esta, de perder o trabalho e ficar em situação financeira difícil, há pouco por que lutar e as coisas podem ficar difíceis. Os mais jovens vão ser tocados mais no aspecto familiar e se têm cá alguém que lhes possa dar uma ajuda moral, onde se sintam acolhidos e apoiados, isso é o mais importante. Reconheço que para muita gente isso não vai ser fácil, sobretudo quando as pessoas estão sozinhas e não têm para quem se virar. Refiro-me aos jovens e aos que têm chegado recentemente de Portugal", diz.

Apesar da precariedade no sector, regressar a Portugal não é alternativa para estes recém-chegados, diz Manuel Mendes.

"Regressar a Portugal? Alguns podem ter vontade de regressar, mas pergunto-me com que expectativa. O que vão fazer? O que lá vão encontrar? Mal por mal, e tendo em conta algumas regalias que podem ter aqui, creio que as pessoas vão optar por ficar por cá, a não ser que estejam numa situação muito complicada e não tenham alojamento ou estejam com grandes dificuldades financeiras."



"HÁ PORTUGUESES A DORMIR EM CARROS" 
Apesar de a Mangen não ter casos de trabalhadores a viver nestas condições, a OGB-L tem conhecimento de portugueses que "dormem nos carros e nas obras".

"A nova imigração vem com os olhos fechados e confrontamo-nos com muitos portugueses com contrato de curta duração que não têm sítio onde ficar, dormindo dentro dos carros ou nas obras. Muitos ficam pelo caminho porque as coisas não são como pensam. Também há imigrantes qualificados a lavar loiça porque só o português e o inglês não chegam. Se tivessem o francês era mais fácil”, denuncia o responsável pelo departamento da imigração da OGB-L, Carlos Pereira.

No Luxemburgo, trinta por cento dos desempregados são portugueses. Destes, noventa por cento só falam português, diz Carlos Pereira.

O aumento do desemprego e a nova vaga de imigração já levaram a OGB-L a tomar medidas. A central sindical está a ultimar uma brochura informativa para portugueses que pensem emigrar para o Luxemburgo, intitulada "Emigração de Olhos Abertos”, com o apoio do secretário de Estado das Comunidades. A ideia já foi experimentada em Cabo Verde. O objectivo é explicar aos emigrantes a situação social do Luxemburgo, o custo de vida, alojamento, instituições onde devem dirigir-se para esclarecer questões do direito do trabalho, entre outras informações.

Na Mangen, que vai continuar de portas abertas até que o Tribunal declare a falência da empresa, os trabalhadores estão preocupados. Há quem tenha lá passado toda a vida e tenha pena de ver a empresa acabar. Jerónimo Loureiro, que trabalhava na empresa há 32 anos, diz-se triste.

"No dia 15 de Abril faz 32 anos que aqui trabalho. Vim à Mangen tratar de uns papéis para a reforma e acho mal fecharem as portas a uma empresa destas, que era uma grande empresa"

Com 63 anos e a reforma no horizonte, Jerónimo Loureiro lamenta o adeus.

"Vai ser um adeus triste, porque preferia reformar-me e deixar a empresa ainda a trabalhar. É uma pena".


Texto e fotos: Henrique de Burgo

Sector da construção no Luxemburgo "tem trabalho"

No Luxemburgo, três em cada quatro trabalhadores da construção são portugueses, representando a mão-de-obra portuguesa cerca de 15 mil pessoas.

O sector registou várias falências nos últimos meses, deixando centenas de trabalhadores desempregados. Antes da Mangen, em Julho do ano passado, a falência da Socimmo deixou 466 pessoas sem emprego, incluindo 420 portugueses. Agora, o encerramento da Mangen atira para o desemprego 255 trabalhadores, 80 % dos quais são portugueses, garante a empresa.

Mas quando se pergunta se há crise no sector, sindicatos, empresários e trabalhadores dizem que "há trabalho".

Quatro meses depois da falência da Soccimo, em Outubro, só 142 dos 466 assalariados continuavam desempregados. A maior parte dos trabalhadores da empresa foi recrutada pelas empresas que retomaram as obras da Socimmo.

Na Mangen, também havia trabalhadores vindos "de outras empresas que fecharam", diz Manuel Mendes (nome fictício), que está na empresa há 26 anos e não vê sinais de crise. "Francamente, não vejo que a falta de trabalho esteja a impor-se aqui no Luxemburgo. Tirando as pessoas com mais idade e com menos qualificações, as falências poderiam ser absorvidas por outras empresas. A Mangen tinha contabilizado 30 milhões de euros em trabalho para este ano e agora alguém vai recuperá-los e acabar essas obras."

Jerónimo Loureiro, trabalhador na Mangen há 32 anos, também não percebe a falência: "Vejo aí tanto trabalho e isto aqui [a falência da Mangen] não foi falta de trabalho.”

Jean-Paul Metteis, da central sindical OGB-L, afina pelo mesmo diapasão. "O sector não está em crise. Há muito trabalho e as actividades aumentam. A procura existe, particularmente do Estado, que investiu 500 milhões de euros em 2011 em obras públicas”.

Uma visão que os empresários da construção refutam. Renato Constantini, proprietário da empresa de construções Constantini, admite que "há trabalho", mas diz que o sector "está doente".

"Há trabalho aqui no Luxemburgo, mas a lei do mercado é que está mal e por isso o sector está doente. A construção aqui no Luxemburgo é cíclica e depois do 'boom' de 2005 e 2006 perdemos valor e preço. Houve concorrência dos alemães, que passaram a trazer mão-de-obra do Leste a um preço mais baixo. Não digo que seja ilegal, mas é desigual. Os bancos não financiam quando os preços são baixos e os construtores são confrontados agora com novos imperativos". Como solução, Constantini aponta a procura de outros mercados. "Para combater isto é preciso sair. A minha empresa já opera em França há alguns anos e as empresas luxemburguesas podiam apostar mais em ir para fora.”

Os números indicam que as falências de empresas no Luxemburgo registaram um ligeiro aumento em 2011, com um total de 961 empresas, contra 918 em 2010, um aumento de 4,68 %. Estes números escondem, no entanto, que há mais empresas criadas do que as que declaram falência, garante fonte da "Chambre des Métiers" ouvida pelo CONTACTO.

Quando às falências no sector da construção, houve um ligeiro recuo: 8,70 % em 2011 contra 10 % em 2010.  

Texto: Henrique de Burgo

domingo, 12 de fevereiro de 2012

Número de falências aumenta no Luxemburgo

Foto: Anouk Antony
As falências de empresas no Luxemburgo registaram um ligeiro aumento em 2011, conclui um estudo da empresa Creditform Luxembourg. No ano passado declararam falência um total de 961 empresas, contra 918 em 2010.

A empresa Creditform Luxembourg conclui que o número de falências aumentou 4,68 % em 2011 no Grão-Ducado.

Por sectores, o dos serviços é o único que regista um ligeiro aumento: 64,10 % em 2011, contra 56,90 % em 2010 (+7,2 %).

O sector da construção conhece um ligeiro recuo (8,70 no ano passado, e 10 % em 2010). No comércio, a diminuição do número de falências é na ordem dos 5,30 %, tendo passado de 31,30 % em 2010 para 26 % no ano anterior. No sector da produção, o recuo é mais pequeno: 1,90 % das empresas faliram em 2010, contra 1,10 % no ano passado (-0,80 %).

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Falência da Socimmo: Trabalhadores vão ser indemnizados em Outubro

Os 477 trabalhadores da empresa de construção Socimmo vão receber a totalidade das indemnizações a que tem direito durante o mês de Outubro, devido à falência da empresa.

A decisão foi tomada na sequência da reunião efectuada na semana passada entre a delegação dos trabalhadores, os sindicatos LCGB e OGB-L, a ADEM e o ministro do Trabalho, Nicolas Schmitt.

Schmitt pretende que o processo de resolução das declarações de crédito dos trabalhadores seja acelerado para que estes não corram o risco de ficar sem receber até ao final de Novembro.

Perante a actual legislação luxemburguesa que prevê determinados prazos para o pagamento de indemnizações em casos de falência, o ministro do Trabalho revelou que os trabalhadores poderão beneficiar de medidas compensatórias, caso estejam inscritos na Administração do Emprego há pelo menos um mês.

Se um trabalhador com mais de 45 anos, que tenha sido despedido, for contratado por outra empresa, a nova entidade empregadora está isenta do pagamento da segurança social durante três anos, até à idade da pré-reforma.

Como esta medida só pode ser aplicada aos trabalhadores da Socimmo apenas em Dezembro, Nicolas Schmitt anunciou que vai proceder a modificações na legislatura em matéria de falências com a apresentação de um projecto de lei para abolir os três (ou um) meses de espera para o pagamento das indemnizações aos trabalhadores. Esta abolição será aplicada de forma retroactiva aos assalariados vítimas de falências como é o caso dos trabalhadores da Socimmo, Pedinotti, entre outras.

Também foi deliberado na reunião que cada trabalhador da Socimo que encontre emprego com perda substancial de salário, será contemplado com um subsídio de compensação.

Até ao momento, cerca de 80 operários da Socimmo já encontraram um novo emprego.

A próxima reunião entre os intervenientes está prevista para o meio do mês de Outubro e contará com a presença da ADEM que tem tido um papel fundamental no processo de rencaminhamento e colocação dos trabalhadores para novas empresas.

Foto: Guy Jallay