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sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

"Há gente que prefere dormir na rua apesar do frio"

Foto: P.T.A.
Desde quarta-feira, há mais 24 camas para os sem-abrigo no Luxemburgo, mas mesmo assim "há quem prefira dormir na rua", lamenta a assistente social Stéphanie Silva. A Polícia está atenta.

As antigas instalações do Kopplabunz, um centro para mulheres na rue Michel Rodange, na capital, acolhem desde quarta-feira mais 14 pessoas sem-abrigo. Mas o centro tem capacidade para 24 pessoas. Apesar das temperaturas glaciais dos últimos dias, há quem recuse dormir nas camas improvisadas para fazer face ao Inverno. "Não querem", garante Stéphanie Silva, assistente social na Caritas. "Ainda ontem uma pessoa que mora aqui na Gare telefonou-nos a avisar que havia um sem-abrigo a dormir na rua. Nós conhecemos o senhor, mas ele não quer dormir num centro para sem-abrigo, e prefere dormir na rua, não sabemos exactamente onde. É muito perigoso, com estas temperaturas, mas não podemos obrigar as pessoas", lamenta a assistente social.

A Polícia está atenta. "Se as patrulhas vêem alguém na rua durante as rondas, nesta altura de baixas temperaturas, abordamo-los para ver se estão bem, faz parte da nossa missão", explica ao POINT24 Claude Strotz, porta-voz da Polícia grã-ducal. "Mas nos últimos dois dias não tivemos nenhum caso", garante.

As 24 camas suplementares fazem parte do plano "Acção Inverno", conduzido todos os anos de 1 de Dezembro a 30 de Março pelos serviços sociais luxemburgueses.

Desemprego põe portugueses a viver na rua

Há portugueses entre os novos sem-abrigo que os serviços sociais luxemburgueses acolhem este Inverno, garante Stéphanie Silva, assistente social na Caritas. A maioria vive no Grão-Ducado e perderam o emprego. "Não sei precisar números, mas os portugueses começam agora a chegar [aos abrigos]. Abrimos a acção de Inverno em Dezembro, e nessa altura tínhamos mais sem-papéis. Em Janeiro começaram a chegar mais pessoas da Europa, incluindo de Portugal. Há um senhor da Polónia que veio de Portugal tentar a sorte no Luxemburgo. E também há portugueses que vivem no Luxemburgo e perderam o trabalho, e agora estão a dormir no centro de Hollerich, porque o Foyer Ulysse está cheio", disse a assistente social ao POINT24 .
Segundo números da Stëem vun Der Stross, em 2009 havia 170 sem-abrigo lusófonos.

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

Almoço para os desfavorecidos no Hotel Alfa, na cidade do Luxemburgo, este domingo

Um almoço para os mais desfavorecidos vai ter lugar no domingo, na Brasserie Alfa, do Mercure Grand Hôtel Alfa, na cidade do Luxemburgo (16, place de la Gare), frente à estação ferroviária central da capital.

O hotel une esforços com a associação "Stëmm vun der Strooss" (A Voz da Rua) e organiza o almoço que vai servir 120 pessoas desfavorecidas. O encontro está marcado para as 12h de domingo, 8 de Janeiro.

Os interessados em participar devem fazer as reservas pelo tel. 49 02 60 32 ou pelo telemóvel 621 242 271.

quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

Luxemburgo: Festa de Natal para Sem-Abrigo junta 300 necessitados, entre eles 170 portugueses e lusófonos

Em 2009, cerca de 170 portugueses e lusófonos viviam na rua no Luxemburgo e recorreram à associação de apoio aos sem-abrigo "Stëmm vun der Strooss" (Voz da Rua).

Esta foi uma das revelações feitas por Alexandra Oxacelay, responsável pela gestão da associação, durante a Festa de Natal da "Stëmm", que teve lugar a 21 de Dezembro no Centro Cultural de Bonnevoie, e na qual participaram mais de 300 pessoas necessitadas e sem-abrigo de muitas nacionalidades.

"Eu trabalhava numa empresa de mudanças e ocupei este emprego por muitos anos. Circunstâncias da vida fizeram que perdi o meu emprego e com os meus 53 anos actuais, poucos patrões me querem. Estou feliz por ter encontrado um emprego no 'Schweessdrëpps'. Permite-me pagar um estúdio que compartilho com minha filha de 21 anos, igualmente desempregada," conta Carlos ao CONTACTO.

Para Solange, 50 anos, de origem angolana, que vive no Luxemburgo há 30 anos, e trabalha na lavandaria social da Stëmm vun der Strooss, também trouxe boas coisas: "O trabalho muda-nos do quotidiano e faz-nos ver outras coisas", admite ela ao CONTACTO.

O burgomestre da cidade do Luxemburgo, Xavier Bettel (ao centro), fez questão de participar nesta festa
A crise mundial e a portuguesa em particular também trouxeram novas caras á associação. Elisabete, uma mãe solteira de 40 anos, deixou Portugal após a falência da empresa que tinha tentado lançar depois de ter trabalhado muitos anos como empregada numa multinacional do ramo da moda. Chegou há um ano ao Luxemburgo e, apesar de sua educação superior, confia que "não é fácil encontrar um emprego", porque não fala nenhuma das línguas do país. "É difícil, mas eu não perco a esperança que um dia a situação venha a melhorar. De qualquer maneira, a emigração era a única hipótese que me restava", conta ao CONTACTO.

Todos os anos aumenta o número de pessoas que vêm a esta festa, assim como as que utilizam os diferentes serviços da "Stëmm", tanto na capital como em Esch/Alzette. Ponto de encontro com distribuição de refeições – foram distribuídas cerca de 50 mil em 2010 –, distribuição de roupas, conselhos sociais, agência imobiliária social, lavandaria, são estas as diferentes maneiras que a associação utiliza para ajudar os mais necessitados.

"São centenas de pessoas que usufruem dos serviços da associação, mas cada pessoa e cada caso é diferente", afirma Alexandra Oxacelay. E por detrás de cada caso, muitas vezes, escondem-se tragédias humanas e sociais.

Por exemplo, Jasmine, que aos 21 anos já tem dois filhos, actualmente está grávida de gémeos, e enfrenta dificuldades para sustentar a família. Quando lhe perguntamos sobre o pai das crianças, responde com um encolher de ombros: "Ele não quer saber. Felizmente tenho a minha família, que também está aqui e me apoia".

Fundada em 1995, a "Stëmm vun der Strooss" trabalha a favor da integração social e profissional de pessoas desfavorecidas.

É neste âmbito que há já 13 anos organiza esta Festa de Natal com uma refeição festiva, música e brindes para os mais pobres. No dia 21, pouco antes do meio-dia já eram mais de uma dezena as pessoas que esperavam frente à portas do Centro Cultural de Bonnevoie. No interior, uma quinzena de escuteiros tinham preparado a refeição: sopa de galinha, prato do pescador, guisado de veado e tronco natalício (bûche) para a sobremesa.

"Todo este trabalho seria impossível sem a ajuda dos voluntários. Felizmente, todos os anos, respondem ao nosso convite e vêm para ajudar ou organizam os presentes que oferecemos no final da tarde", diz Alexandra Oxacelay.

Os convidados são rapidamente dirigidos para as mesas e servidos com um aperitivo sem álcool, pelos 40 voluntários vindos do Rotary Club de Bascharage, do Banco do Luxemburgo, do Bank of New York e da Fundação Thierry Van Werveke.

Este ano, o evento contou com um convidado de honra: o novo burgomestre da cidade do Luxemburgo, Xavier Bettel, que veio partilhar a refeição com os mais necessitados.

Depressa os lugares previstos não chegam e mesas devem ser adicionadas. Mas quer sejam sem-abrigo, desempregados, beneficiários do Rendimento Mínimo Garantido (RMG), ex-reclusos, requerentes de asilo, imigrantes ou pessoas com uma doença mental e/ou dependentes de drogas ou álcool, todos se mostzram felizes por poder partilhar um momento de felicidade que se repete ano após ano.

Texto e fotos: Carlos de Jesus

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Duas Ceias de Natal em Esch e Bonnevoie para os Sem-Abrigo



 Em Esch, Centro Abrisud acolheu Sem-Abrigo numa ceia de Natal muito especial 

A associação "Amis du Foyer de Nuit Abrisud" convidou no sábado (17 de Dezembro) os sem-abrigo que frequentam o centro nocturno de Esch-sur-Alzette para um jantar de Natal, que ficou marcado pelos sorrisos e pela entrega de pequenos presentes.

Fundada em 2010, a associação "Amis du Foyer de Nuit Abrisud" quer ajudar moralmente, financeiramente e materialmente o abrigo nocturno Abrisud, que trata de encontrar alojamento temporário para as pessoas sem abrigo. A associação tem ainda como objectivo reintegrar os excluídos socialmente, através de actividades e passeios.

No sábado, a associação convidou os utentes do abrigo para um jantar de Natal, com entrega de um pequeno presente, mas igualmente de casacos de Inverno, que tanto lhes fazem falta nesta época do ano.

Actualmente, o abrigo acolhe 18 pessoas, dos quais cerca de um quarto são lusófonos. Rodeados e apoiados por sete profissionais – educadores, assistentes sociais ou ainda estudantes em formação – os sem-abrigo tentam encontrar habitação, trabalho e um pouco da dignidade perdida nas ruas, onde vivem sem meios de subsistência. Em qualquer altura da vida, qualquer pessoa pode ter problemas e ser incapaz de pagar um aluguer ou facturas. Qualquer pessoa pode um dia ir viver para a rua e ficar sem abrigo. Um ciclo vicioso que leva à exclusão social. "Não devemos esquecer que uma pessoa sem abrigo e, por essa razão, sem endereço, não tem direito a subsídio de desemprego, não pode beneficiar da segurança social ou mesmo inscrever-se na ADEM", recordou nessa noite o presidente e fundador da associação "Amis du Foyer de Nuit Abrisud", Paul Weidig.

Esta é um pouco a história de Adriano. "Eu gostava de trabalhar. Apresentei-me ultimamente em dois empregos. Mas cada vez ouço a mesma coisa: demasiado velho para trabalhar e demasiado jovem para a reforma", conta o português ao CONTACTO. Com 58 anos de idade, vive no Luxemburgo há quase 13. O primeiro empregador foi à falência, o último despediu o pessoal devido à crise. Adriano, que trabalhou toda a sua vida, encontrou-se de repente no desemprego. Divorciado, incapaz de pagar um aluguer, porque há sempre um tempo de espera antes de receber qualquer subsídio, Adriano passa as noites no Abrisud, em Esch/Alzette. Já lá vai um ano.

Porque o centro para sem-abrigos de Esch só acolhe as pessoas a partir das 17h, durante o dia Adriano continua a procurar trabalho. Para passar o tempo lê tudo o que lhe vem à mão. "Gostava de conseguir um contrato numa empresa de inserção, daqui a um ou dois meses", diz. "Assim poderia terminar o meu tempo de descontos e encontrar alojamento."

O caso de Adriano é quase idêntico ao de todos os outros sem-abrigo que ali estavam presentes naquele jantar. Para já, Adriano e os outros encontram no Abrisud de Esch um telhado e pessoas amigas. Durante algumas horas, naquele jantar de Natal, no sábado, cada um pôde, por um curto período de tempo, esquecer as suas preocupações pessoais.

Foto e texto: Carlos de Jesus 
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Ceia de Natal também no Foyer Ulysse, em Bonnevoie

A Ceia de Natal para os Sem-Abrigo oferecida pela Caritas e pela Associação Cultural e Humanitária da Bairrada no Luxemburgo (ACHBL) teve lugar no Foyer Ulysse em Bonnevoie, no sábado (17 de Dezembro).

Preparado e servido por cerca de 20 pessoas, membros da ACHBL e simpatizantes, a tradicional Ceia de Natal para os Sem Abrigo compunha-se de sabores portugueses: canja, bacalhau com batatas e couves, e diferentes sobremesas da época, feitas pelos voluntários.

O jantar contou com a presença de Stéphanie Faia, Miss Portugal no Luxemburgo para 2012 (na foto, em cima) madrinha do evento, e que encantou com a sua beleza e sorriso. “Eu nunca tinha participado num jantar como este, mas penso que é muito importante podermos dedicar um dia para estas pessoas que tanto precisam”, confia. Este ano, mais uma vez, a organização distribuiu um saco de prendas a cada um dos sem-abrigo presentes, um donativo composto de bens de primeira necessidade preparado pela ACHBL com a contribuição de vários particulares e empresas.

Para Rogério Oliveira, presidente da ACHBL, esta Ceia de Natal "é uma oportunidade para tratar os sem-abrigo com dignidade e respeito". E assegura: "Continuaremos enquanto nos permitirem, porque nesta época festiva, temos de pensar nos que não tiveram a mesma sorte que nós, e que passam estes momentos sozinhos”.

"Geralmente o Verão é um período mais clemente com os sem-abrigo. Mas este ano não tem havido períodos calmos nos lares, uma consequência da crise", confiam-nos os responsáveis da organização. "Este ano, o jantar contou com menos participantes, o que nem por isso significa que haja menos pessoas a necessitarem de ajuda", dizem. Os sem-abrigo provenientes da África do Norte não quiseram participar ou por não partilharem as mesmas crenças, lamentou ainda a organização. Este ano, ao contrário dos últimos anos, a ceia não contou com a presença de muitos lusodescendentes. "Alguns terão conseguido estabilizar a vida, outros terão voltado para junto das suas famílias", consideraram os organizadores.

Uma Ceia de Natal que foi do agrado de todos os presentes e que permitiu a muitos aproveitar uma refeição completa e o calor humano que facilmente se sentia na sala.

Sabrina Sousa 
Fotos: Sérgio Lontro 


Ana Dias (Comité Miss Portugal-Lux.), Rogério Oliveira (ACHBL) e Stéphanie Faia, Miss Portugal-Luxemburgo para 2012

quinta-feira, 16 de junho de 2011

Caritas luxemburguesa continua a providenciar apoio durável aos mais necessitados

A Caritas Accueil et Solidarité (acolhimento e solidariedade) apresentou na passada quinta-feira o seu relatório de actividades de 2010. Facto marcante: o número de jovens que vivem na rua está a aumentar. No ano passado, mais de um quarto dos pensionistas do lar Ulysse tinham menos de 30 anos de idade.

Em 2010, 1.600 pessoas recorreram a uma das oito estruturas da rede Caritas Accueil et Solidarité.

O objectivo da rede é ajudar os sem-abrigo a reintegrarem-se na sociedade. No Luxemburgo, cerca de 250 pessoas não têm direito ao rendimento mínimo garantido (RMG) ou à segurança social e vivem na rua. A maioria destas pessoas são jovens que enfrentam problemas sociais e estrangeiros.

O serviço Streetwork da Caritas oferece ajuda aos sem-abrigo na procura de um apartamento e fornece-lhes conselhos jurídicos e de saúde. Sem esquecer a ajuda em matéria de pedido de morada legal, ponto importante para essas pessoas, já que só assim elas se podem inscrever na segurança social ou na Adem. Em alguns casos, um comité da rede pode decidir fornecer-lhes uma morada fictícia.

A rede Caritas Accueil et Solidarité ocupa-se também da administração do lar Ulysse e do centro de dia Téistuff. Facto marcante que se salienta do relatório de actividades: o número de jovens de menos de 30 anos que frequentaram o lar Ulysse em 2010 passou para 29 %, contra 25 % em 2009. Quase um quarto dos pensionistas tinha menos de 25 anos.

O importante para a rede é que os sem-abrigo sejam ajudados a longo prazo, o que implica que tenham um tecto para viver. Para isso, a Caritas Accueil et Solidarité propõe diferentes estruturas de acolhimento sob a forma de alojamento enquadrado ou alojamento acompanhado.

F. Pinto
Foto: Guy Jallay

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Mundial de Futebol de Rua: Portugal perde final num penalti 20 segundos antes do fim

A selecção portuguesa de futebol de rua perdeu domingo por 4-5 com a Ucrânia, na final do mundial da modalidade disputada em Milão.

O golo da vitória dos ucranianos foi apontado na transformação de uma grande penalidade a 20 segundos do fim do jogo.

O segundo lugar hoje alcançado é o melhor resultado de sempre de Portugal num mundial de futebol de rua, que tinha como anterior melhor resultado um sétimo posto.

O campeonato do mundo de futebol de rua é disputado por jogadores de 48 selecções, com fragilidades sociais, de pobreza ou sem-abrigo.

sábado, 12 de setembro de 2009

Mundial de Futebol de Rua: Portugal disputa final com Ucrânia, Luxemburgo é último do seu grupo

A selecção portuguesa de futebol de rua venceu este sábado o Brasil por 4-3 e qualificou-se para a final do mundial que decorre em Milão, na Itália.

Num jogo em que ambas as equipas chegaram a jogar com menos um elemento, Portugal acabou por levar a melhor, com golos de Alexis (1), Russo (2) e Fernando (1).

A festa verde e vermelha já tinha sido feita ao início da tarde, com a passagem às meias-finais, após vitória sobre o Gana.

Mas o passaporte para a final foi ainda mais celebrado, surgindo até uma bandeira nacional pela mão de Ivo, um outro português a jogar pela selecção do Luxemburgo.

A final será disputada no domingo, 13 de Setembro, contra a Ucrânia.

O melhor resultado de Portugal num mundial de futebol de rua era um sexto lugar.

O Luxemburgo, que participa pela primeira vez neste Mundial e cuja selecção conta, entre outros, dois jogadores portugueses e dois luso-descendentes, joga domingo com as Filipinas. Mesmo que a equipa grã-ducal vença amanhã a sua congénere filipina, que é ante-penúltima do grupo B (e que contabiliza mais cinco pontos do que o seleccionado luxemburguês) não deverá escapar ao último lugar.

O campeonato do mundo de futebol de rua é disputado por jogadores de 48 selecções, provenientes de lares para sem-abrigo ou instituições para pessoas pobres ou com fragilidades sociais.

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

Mundial de Futebol de Rua: Portugal com "reforços" nas selecções do Luxemburgo e de Espanha

A selecção luxemburguesa, escolhida pela Caritas para representar o Grão-Ducado no Mundial de Futebol de Rua em Milão é constituído por quatro portugueses (Júnior, Mendin, Ivo e Moisés), um romeno, um jugoslavo e um italiano, além de dois técnicos sociais, Joaquim Alves (de óculos, na foto) e Stéphanie Silva (ausente da foto) Foto: Maurice Fick

Portugal tem mais cinco representantes no Campeonato do Mundo de Futebol de Rua, que decorre em Milão, além dos oito jogadores da selecção nacional: quatro na equipa do Luxemburgo e um na de Espanha.

Os irmãos Júnior e Mendin têm mãe portuguesa e pai luxemburguês e já nasceram naquele pais, mas ainda se sentem lusos.

Júnior fala português quase fluentemente, embora passe algum tempo a pensar na melhor palavra para caracterizar o que o futebol faz às pessoas: "Como é a palavra? União, sim une as pessoas!". Por isso, se numa fase posterior do campeonato tiver de defrontar a equipa portuguesa promete "fazer o melhor, jogar com fair-play e com muita alegria". "Será um prazer", assegura.

Ivo saiu há um ano da Buraca (Lisboa) para o Luxemburgo porque teve de acompanhar os pais na decisão de emigrar. "Está a correr bem, por enquanto. Dentro de dois ou três anos se calhar voltamos para passar férias", diz. "Uma vez português sempre português", garante o jogador, de 19 anos, que, no entanto, defende as cores do seu novo país nesta competição, garantindo que não facilitará num eventual confronto com Portugal. "Seria um jogo amigável, mas complicado", opina.

Moisés, de 34 anos, trocou Sintra pelo Luxemburgo para "procurar trabalho" e garante que tudo corre bem na sua vida e que só pensa regressar ao país natal para passar férias.

Joaquim Alves emigrou há 22 anos para o Luxemburgo e com a luso-luxemburguesa Stéphanie Silva forma a dupla de técnicos sociais que acompanha a primeira selecção luxemburguesa de sempre a participar num campeonato do mundo de Futebol de Rua.

Esta selecção tem ainda um jogador luxemburguês, um romeno, um jugoslavo e um italiano, numa equipa escolhida pela Caritas (ver foto).

E se os jogadores garantem estar "tudo bem" na sua vida, Stéphanie acrescenta: "Está tudo bem aqui, mas não estará quando voltarem".

"Alguns já têm casa e trabalho, outros estão na rua e outros em albergues para pessoas sem-abrigo", revela a técnica social.

O português António José Martins tem também muita vontade de dar o seu melhor... pela Espanha.

"Já falei com os meus amigos portugueses e o treinador e disse que entraria na segunda parte se defrontarmos Portugal e que darei o melhor, mas seria difícil", diz.

Um português na equipa espanhola

A viver na zona de Madrid, António, 33 anos, conta que o primeiro ano em Espanha foi difícil, mas que agora está "acostumbrado" ao clima e às pessoas "muy simpáticas". Diz que um “chico” do Porto também esteve quase a vestir a camisola espanhola, mas "arranjou trabalho há um mes e já não veio".

António tirou o curso de empregado de mesa, mas está desempregado. "Por isso é que estou aqui", explica. Quando regressar a Madrid quer voltar a estudar e já se vê como "tripulante de voo ou relações públicas num aeroporto".

"O meu objectivo não é regressar a Portugal. Agora, no campeonato, quero fazer uma boa prestação e depois quando regressar trabalhar", disse.

O sétimo Campeonato Mundial de Futebol de Rua arrancou domingo em Milão com 48 selecções formadas por jovens sem-abrigo, afectados pela pobreza extrema ou que não têm um lar.

Portugal integra o grupo H, com Alemanha, Austrália, Canadá, Malawi e Bélgica. No primeiro jogo, no domingo, a selecção nacional ganhou à Alemanha por 6-1.

Paula Lagarto,
enviada da Agência Lusa a Milão

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

Dois portugueses na Selecção luxemburguesa que vai ao Mundial de Futebol dos Sem-Abrigo

A selecção do Luxemburgo que vai ao Mundial de Futebol dos Sem-Abrigo
Foto: Maurice Fick

O Luxemburgo vai participar pela primeira vez no Campeonato Mundial de Futebol dos Sem-Abrigo, que se disputa em Milão, de 6 a 13 de Setembro.

A "Caritas Accueil et Solidarité" e a Federação Luxemburguesa de Futebol (FLF) patrocinam a equipa grã-ducal que participará na "Homeless World Cup" (Taça do Mundo de Futebol para os Sem-Abrigo) juntamente com outros 47 países.

Após alguns meses de intensa preparação, o treinador Saverio Rella , escolheu os seguintes jogadores: Mike John, Minden Junior e Kenin Minden (luxemburgueses), Franco Cetrulo (italiano), Ion Ciprian (romeno), Semir Bisevic (jugoslavo) e os portugueses Ivo Miguel e Guilherme da Cruz.

Rella mostra-se confiante no desempenho da sua equipa, sublinhando que "tem tantas possibilidades de ganhar como todos os outros participantes".

Á. Cruz