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segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

10 anos do Euro - Dossier Especial


Euro é a segunda moeda mais importante do mundo

Foto: Tessy Hansen
Utilizado actualmente por 332 milhões de pessoas de 17 países, o euro entrou em circulação a 1 de Janeiro de 2002, sendo hoje considerada a segunda moeda mais importante no mundo, depois do dólar.

"Há dez anos, no dia 1 de Janeiro de 2002, as notas e moedas de euro foram introduzidas em 12 Estados-membros da União Europeia”, lembra o presidente do BCE, Mário Draghi, no site da instituição.

“A introdução do novo numerário constituiu um desafio sem precedentes, mas decorreu com êxito. Em poucos dias, encontravam-se em circulação milhares de milhões de notas e moedas de euro”, considerou, acrescentando que “o euro tornou-se um símbolo da Europa e as notas e moedas de euro passaram a fazer parte do nosso quotidiano”.

Para assinalar o 10º aniversário da moeda única, o Banco Central Europeu lançou um concurso chamado "Eurocorrida", dedicado às crianças da "geração euro", ou seja, com idade entre os 9 e os 12 anos e residentes na União Europeia.

Além disso, o BCE pretende abrir portas ao público a 29 de Abril de 2012, para apresentar a história da moeda única europeia e a sua produção.

Iguais em todos os países que utilizam esta moeda, as notas de euro foram desenhadas pelo d esigner austríaco Robert Kalina, vencedor do concurso lançado pelo Instituto Monetário Europeu (precursor do BCE) em Fevereiro de 1996. A decisão foi tomada por um júri de especialistas em marketing , design e história da arte e contou ainda com os resultados de uma sondagem de opinião ao público europeu. A série de desenhos das notas tem como tema “épocas e estilos da Europa”, tendo a sua produção começado em Julho de 1999 em 15 fábricas de notas da União Europeia. A 1 de Janeiro de 2002, estavam impressas 14,9 mil milhões de notas – o suficiente para cobrir uma área equivalente a 15 mil campos de futebol - destinadas aos 12 países que então faziam parte da zona euro. Na mesma altura foram cunhadas cerca de 52 mil milhões de moedas, com um valor total de 15,75 mil milhões de euros, na produção das quais foram utilizadas 250 mil toneladas de metal.

Embora uma das faces seja comum a todos os estados-membros da zona euro, as moedas são diferentes consoante o país onde são cunhadas.

Em meados de 2011 e de acordo com o BCE, encontravam-se em circulação 14,2 mil milhões de notas e 95,6 mil milhões de moedas, num montante total de, respectivamente, 847 mil milhões e 22,8 mil milhões de euros. As notas de 50 euros representam a maior percentagem em termos de volume (39,5 %), ao passo que as de 500 euros correspondem à maior percentagem em termos de valor (34,3 %), seguidas de perto pelas de 50 euros (33 %).

A introdução da moeda foi concluída em Fevereiro de 2002, sendo que a 1 de Março desse ano já tinham sido retiradas de circulação mais de 6 mil milhões de notas e perto de 30 mil milhões de moedas nacionais.

Dez anos depois, os cidadãos dos vários países ainda podem trocar as suas antigas moedas por euros.

Nos próximos anos, anuncia o BCE sem precisar a data, será introduzida uma segunda série de notas de euro para “tornar o mais difícil possível a contrafacção”.

As novas notas manterão os elementos de desenho mais importantes da primeira série de notas.

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A década de euro, e agora?


José Luís Correia
Há exactamente 10 anos guardei os francos luxemburgueses, franceses, belgas, os marcos, as pesetas e os escudos numa gaveta, saí eufórico e fui atestar o meu carro com euros pela primeira vez. O gasóleo custava então 0,7 euros. Dez anos volvidos, vale a pena eu continuar a ser um euro-optimista?

Quando hoje criticamos o euro pela subida dos preços, um aumento atestado por todos os estudos feitos sobre o assunto, esquecemos o positivo que a moeda única trouxe. Nunca mais tivemos que transportar meia-dúzia de porta-moedas com diferentes divisas ao viajar pela Europa, nem nunca mais fomos "roubados" no câmbio. Câmbio, aí está uma palavra que não digo há muito... Fazer parte da união económica e monetária protegeu-nos também da onda de choque da crise financeira de 2008, que chegou até nós, sim, mas muito mais tarde e já menos devastadora. Pertencermos ao euro permitiu também manter as taxas de juro baixas até 2010 e 2011, em certos países da zona euro, e isto apesar da crise.

Não esqueçamos também o prestígio que a nossa moeda comum adquiriu nos mercados internacionais, graças ao seu equilíbrio e ao peso político da Europa. Hoje o euro está ligado a 42 países do mundo: os 17 países da zona euro; os seis estados europeus não-comunitários que adoptaram o euro como moeda principal ou segunda moeda nacional; e 19 países africanos (entre eles, Cabo Verde) e do Pacífico, que ligaram a sua moeda ao euro. O sucesso do euro fez até com que alguns países do Golfo Pérsico imaginassem criar uma moeda comum, que os "libertasse" do dólar.

Mas, passada a década de e(o)uro dos anos dois mil, a nossa moeda enfrenta agora, no início dos anos dez, uma grande crise, a "Grande Recessão", como lhe chamam já alguns economistas. A forma como vai ser resolvida esta crise da dívida, nos próximos meses e anos, vai reforçar ou fragilizar irremediavelmente a UE. O presidente do Eurogrupo, Jean-Claude Juncker, bem o clama: "A crise não é do euro, é de países como Portugal e Grécia". E é precisamente para esse problema que é necessário encontrar uma solução.

Há os que são apologistas da "solução islandesa". A Islândia, cujo Estado faliu em 2009 devido à crise internacional, conseguiu reerguer-se, após três anos de rigor. Num momento em que a UE enfrenta 2012 ainda em recessão, a pequena ilha nórdica aponta para um crescimento económico de 3 %. Qual é o milagre de Reykjavik? O Estado islandês decidiu não salvar os bancos em crise, exactamente o contrário do que fez a UE. Melhor, o Estado islandês decidiu não salvar os accionistas, mas proteger os clientes.

Mas fazer isso a nível europeu teria um efeito de contágio entre bancos que só contribuiria para alastrar ainda mais a crise.

Para escapar à crise na zona euro, há países que já equacionaram abandonar a moeda única e voltar às suas antigas moedas fortes nacionais, para se protegerem das turbulências dentro da eurozona. Outros falam em expulsar do grupo os "maus alunos", como Atenas e Lisboa, e os que se seguirem. É a proposta de Merkozy.

Economistas como Barry Eichengreen ("The Breakup of the Euro Area", 2007), da Universidade de Berkeley, ou Michel Dévoluy ("L’euro est-il un échec?", 2011), da Universidade de Estrasburgo, analisam as consequências de uma tal medida e afirmam que a saída forçada do euro teria consequências nefastas para um estado-membro, mas também para a UE.

Quer fosse a Grécia, Portugal ou outro país, regressar, neste contexto de crise, à moeda nacional seria desastroso, afirmam. Isso levaria a desvalorizar a moeda, o que provocaria viver uma corrida desenfreada aos bancos por parte dos clientes, que não quereriam perder poder de compra, e, por consequente, iss poderia conduzir à fragilização ou mesmo à falência de alguns bancos. Acrescente-se a isso uma forte inflação, fuga dos investidores, aumento das taxas de juro. O regresso à divisa nacional custaria também extremamente caro no fabrico da nova moeda fiduciária, na sua colocação em circulação, da reconversão de todo o sistema monetário e financeiro, e na redefinição da política monetária nacional. Recordemos o tempo e o dinheiro que custou a introdução do euro. A conversão de todos os preços e salários, só por si, poderia levar a tensões sociais ainda mais graves do que as que o país enfrenta hoje. E o impulso nacional pretendido não aconteceria.

Nas relações exteriores, entre o estado "expulso" da zona euro e os que o teriam deixado à sua sorte, poderiam mesmo nascer tensões e novos nacionalismos, desaparecidos nos séc. XIX e XX. O país expulso poderia mostrar-se cada vez mais reticente também em aceitar o controlo de Bruxelas e, in fine , poderia até decidir sair da UE.

É verdade que hoje há estados-membros dentro da UE e fora do euro, mas são-no por opção. A saída forçada ou voluntária do euro seria profundamente negativa para a imagem da moeda única e da UE. A força e o prestígio da UE e da sua divisa vêm-lhe sobretudo da imagem de equilíbrio económico, geopolítico e de ajuda mútua que os seus estados-membros devem uns aos outros.

Para Dévoluy pode vir a ser decidida uma divisão da zona euro em dois grupos. Por um lado, estados que optassem por uma governância económica comum e mais federalismo. Por outro, estados que regressassem às suas moedas nacionais. Mas esta Europa a duas velocidades, decidida em época de crise, poderia ser vista como a tentativa de salvar os bons alunos e de ostracizar os maus, o que descredibilizaria a UE.

Dévoluy considera que uma das soluções à crise do euro é mais federalismo, mas isso implica um novo paradigma político para a UE, mais do que propriamente económico. Dévoluy preconiza a troca da doutrina neoliberal da UE por uma "ordoliberal", isto é, uma doutrina económica baseada na estabilidade dos preços e na "virtude orçamental". Ou seja, liberal, mas com ordem, com regras, que evitem ou corrijam as derivas dos mercados. Foi esta "terceira via", a meio caminho entre o socialismo e o capitalismo, que permitiu "o milagre económico alemão" no pós-Segunda Guerra Mundial.

Mas a actual posição do Reino Unido, que bloqueou a possibilidade de uma maior governância económica comum, parece ter deixado o euro num impasse.

Tanto Eichengreen como Dévoluy alertam: é preciso salvar o euro, porque o seu fim provocaria a maior de todas as crises na Europa, e até conduzir ao desmembramento da própria UE.

José Luís Correia
Chefe de Redacção do CONTACTO


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O euro provocou a crise, 
ou foi a crise que abalou o euro?


Sérgio Ferreira Borges
A evolução dos números mundiais permitem hoje afirmar, com elevado grau de certeza, que dentro de oito anos nenhuma das economias europeias figurará entre as cinco maiores do planeta. Uma simples observação, à vista desarmada, já permite essa conclusão. Mas há mais.

Uma nota recente do CEBR, o "Centre for Economics and Business Research," espantou o mundo ao atestar que o Brasil é hoje a sexta economia mundial, tendo ultrapassado o Reino Unido. E o mesmo estudo adianta que, em 2012, esse lugar se manterá o que significa que o crescimento do Brasil parece ser absolutamente consolidado.

Pelo contrário, a descida do Reino Unido mostra-se imparável e, dentro de oito anos, terá descido mais dois lugares, sendo então a oitava economia. Esta é a primeira amostra de uma realidade muito mais dura.

Actualmente, entre as cinco maiores economias do mundo ainda estão duas europeias, a Alemã em quarto lugar e a França em quinto. Nos lugares cimeiros por esta ordem estão os Estados Unidos, a China e o Japão, o que não constitui novidade de maior.

Em 2020, tudo será pior para a Europa. Os Estados Unidos vão manter a liderança, seguidos mais uma vez pela China e pelo Japão que não dá sinais de recuperar o segundo lugar, perdido há um ano. No quarto e no quinto lugar vão aparecer dois países BRIC, a Rússia e a China, por esta ordem.

Como já disse, o Brasil manterá o sexto lugar, à frente da Alemanha, a maior economia da Europa. E depois, por esta ordem, vão aparecer o Reino Unido, a França e a Itália. Isto é, todos os países BRIC (Brasil, Rússia, Índia e China) vão ultrapassar todas as economias europeias. Mas há outros dados interessantes. A Índia, por exemplo, actualmente no décimo lugar, vai saltar cinco patamares, para se situar em quinto lugar. O mesmo vai acontecer com a Rússia, que salta do actual nono para um invejável quarto posto. China e Brasil, como já se disse, vão manter as posições de agora. Dito isto, quem pode duvidar da extensa dimensão da crise europeia?

Por estes dias, o euro comemora nostalgicamente os seus 10 anos de vida, sem grandes certezas sobre o futuro. E com uma questão nuclear que importa esclarecer: foi a crise financeira que rebentou com o euro, ou é o euro que está rebentar com a economia?

O euro sofreu com a crise financeira despoletada nos Estados Unidos, em 15 de Setembro de 2008 e que rapidamente contaminou a Europa e o resto da economia mundial. Sofreu, como sofreram todos os instrumentos da economia. Digamos que até este momento o Euro é vítima e não vilão.

Mas a turbulência financeira que entretanto se instalou na Europa veio colocar problemas de toda a ordem, concretamente, veio reduzir o investimento público e o privado e a economia foi entrando em recessão. Durante quase dois anos, o poder político tentou esconder isso mas a tragédia tornou-se por demais visível.

Na Europa, o poder político não foi capaz de reagir à crise financeira. Numa primeira fase, assustado, abriu os cordões à bolsa para atacar os problemas sociais que a crise estava a despoletar, como por exemplo o desemprego.

Mas os mercados castigaram essa benevolência com aumentos sucessivos das taxas de juro e o poder político recuou, mas sem saber para onde. Começou então a austeridade violenta em meados de 2010 e a recessão económica tornou-se mais evidente. Até aqui, o Euro não teve culpa de nada.

O mal do euro reside no facto de ter sido criado à pressa e depois mal gerido, sacrificado aos interesses das políticas monetaristas de alguns estados, como a Alemanha. Como estava escrito no Pacto de Estabilidade e Crescimento, a segurança da moeda única era feita à custa do controle inflacionista. Isso começava por manter sob apertada vigilância o défice orçamental de alguns estados, evitando que fossem aos mercados à procura de dinheiro, criando com isso uma inflação que depois se espalharia pelos outros estados da zona Euro. Aqui residiu o grande falhanço, mais nítido no consulado de Jean-Claude Trichet, à frente do Banco Central Europeu. Nunca conseguiu outro instrumento para controlar a inflação que não fosse a subida das taxas de juro. E com isso, fez definhar a economia.

Outra questão mal resolvida é a do valor cambial contra o dólar com uma constante sobreavaliação que se cifra hoje nos 1.3, favoráveis ao euro. Isto, é evidente, prejudicou sempre as exportações europeias, ainda que Durão Barroso continue a dizer que a Europa é o maior exportador mundial. Trichet nunca conseguiu equilibrar essa relação de valor com a moeda americana.

Finalmente, uma última questão, consequência da anterior. O Euro nunca se conseguiu impor como moeda do comércio internacional, nem sequer apoquentou o dólar. Essa terá sido até a primeira grande derrota. Há países na zona euro que negoceiam entre si com a moeda americana.

A última derrota, que todos querem evitar, é o fim do euro. Mas há estados, especialmente os sobre-endividados, que estudam essa possibilidade. As eventuais deserções não significam, necessariamente, o fim do Euro, mas abalam decisivamente a sua reputação. E resta saber como poderá sobreviver com as economias europeias em queda acelerada. Foi o Euro que provocou a crise, ou a crise que abalou o Euro? Quem nasceu primeiro, foi o ovo ou a galinha?

Sérgio Ferreira Borges, analista político
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A primeira década é a mais difícil


Hugo Guedes
Parabéns, euro! A moeda europeia faz dez anos, mas pouca gente apareceu à festa – numa lamentável demonstração da ingratidão humana. A 1 de Janeiro de 2002, a Pont-Neuf de Paris iluminou-se com as cores azuis e douradas da União Europeia, enquanto em Frankfurt o fogo de artifício marcava o momento em que os europeus começaram a poder tocar o seu novo dinheiro (em rigor, 2002 marca apenas o início da existência física do euro, que teve o seu verdadeiro nascimento três anos antes, em 1999). Hoje, em 2012, nem sequer Bruxelas tem preparada uma cerimónia para o seu rebento com uma década; o ambiente reinante no continente é tão negativo que celebrações de qualquer espécie parecem verdadeiro anátema.

O euro tem, basicamente, dois problemas existenciais a ultrapassar – e não é este ano que o vai fazer, dado que até agora uma década não chegou para tal. Um é o facto de ter nascido incompleto; o outro é a proeza de mesmo assim constituir um adversário formidavelmente perigoso – e como tal ter granjeado inimigos poderosos. A criação da moeda única amputada dos mecanismos essenciais ao seu funcionamento, como uma união fiscal e política ou mecanismos de solidariedade entre os seus participantes, já foi sobejamente discutida (inclusive na altura). Mas o facto de o euro ser agora a segunda moeda de referência a nível mundial, com cerca de 25 % das reservas conhecidas, e fazer sombra ao poderio do dólar – poderio esse que permite aos Estados Unidos financiarem a sua dívida galopante às taxas mais baixas do mercado – não é perdoado pela "sombra", a elite não eleita que põe e dispõe sobre a economia mundial. Os grandes meios de comunicação global anglo-saxónica, por exemplo, simplesmente abafam o lado positivo (que casualmente é também o mais importante) da história: esta década assistiu à criação de uma nova moeda que a) é forte; b) é estável; c) alçou as populações para um novo patamar de prosperidade (sobretudo aquelas que vinham de uma moeda fraca, como o escudo – quantos portugueses viajavam para o estrangeiro antes de 2002?); d) é reconhecida e adoptada globalmente; e) é essencialmente popular, pois eliminou taxas de câmbio e barreiras, contribui para um mercado único, simboliza a paz e a integração do projecto europeu. Nenhuma sondagem mostra uma maioria de pessoas que gostariam de voltar às moedas nacionais, mas não é essa a impressão com que ficamos lendo os títulos da imprensa internacional, a mesma que faz caixa de ressonância da palavra "crise" a um ritmo enjoativo. Nem sequer o mantra colectivo de "o euro fez tudo ficar mais caro" resiste a uma análise um pouco mais séria: se isso foi verdade em relação a produtos de reduzido valor facial (como o café ou a fruta), para muitos produtos de preço mais alto aconteceu o inverso, equilibrando o cabaz de compras. E dado que na última década a inflação acumulada foi de 26,5 %, algo que custasse 10 contos custaria de qualquer forma hoje em média 12.650 escudos (ou 63 euros, e não 50).

E Portugal? A possibilidade de voltar ao escudo, essa magnífica moeda das "desvalorizações competitivas", é real e está em cima da mesa. O escudo, relembremos, foi criado em 1910 e quatro anos depois já só valia 5 % da paridade inicial com a libra esterlina; a tradição manteve-se e as desvalorizações de 1979 e 1983 (esta imposta pela primeira visita do FMI) tornaram os portugueses sempre mais pobres, mas ajudaram o país a compor as suas contas e sair da crise. O preço a pagar agora, no entanto, seria muito elevado: incapazes de competir de outra forma que não pelo preço, a uma desvalorização inicial (calculada em 30 %) seguir-se-iam inevitavelmente outras, condenando o país à irrelevância e autarcia que tão bem conhecemos de outras épocas.

Hugo Guedes
*As crónicas de Hugo Guedes podem ser lidas no blogue associado do CONTACTO,  em
www.naruadagrandecidade.blogspot.com
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Autor: Alexandre Torres (in jornal CONTACTO, 04/01/2012)
 
Perguntas e respostas sobre a moeda única

A 1 de Janeiro de 2012 celebram-se os dez anos da introdução das notas e moedas de euro. Eis alguns factos sobre as notas e as moedas da divisa utilizada em Portugal ao longo da última década:

Ao todo, quantos euros há em circulação em "dinheiro vivo"?

Segundo o Banco Central Europeu (BCE), no final de Novembro de 2011 havia 868 mil milhões de euros em notas de euro em circulação. De acordo com os mesmos dados, a nota mais numerosa é a de 50 euros – havia 5.780 milhões destas notas em circulação no mês passado.

E as moedas?

No final de Novembro de 2011, as moedas em circulação representavam um valor de 23 mil milhões de euros. A mais numerosa é também a de denominação mais pequena – havia 24 mil milhões de moedas de um cêntimo a circular.

Porque é que não se pode dizer que o euro foi fundado há dez anos?

Porque o que ocorreu em 2002 foi apenas a entrada em circulação de notas e moedas. Desde 1 de janeiro de 1999 que, em termos de política monetária, as moedas nacionais como o escudo deixaram de ter existência independente.

Quantos países usam o euro?

O euro é a moeda oficial de 17 países – Alemanha, Áustria, Bélgica, Chipre, França, Eslovénia, Eslováquia, Espanha, Estónia, Finlândia, Grécia, Holanda, Irlanda, Itália, Malta, Luxemburgo e Portugal.

E estão todos no euro desde o início?

Não. Portugal e Luxemburgo fazem parte do grupo de 11 fundadores que está na moeda única desde o seu início. A Grécia não cumpria inicialmente os critérios de adesão, e só se juntou à união monetária em 2001.
Com a expansão da União Europeia a Leste a partir de 2004, a zona euro também ganhou vários novos membros. Em 2007, aderiu a Eslovénia; em 2008, Chipre e Malta; em 2009, a Eslováquia; e, em 2011, a Estónia.


Quem é que fabrica as notas e moedas do euro?

A produção de notas é descentralizada por denominações e está a cargo dos bancos centrais dos 17 estados-membros. As moedas de cada país são produzidas por entidades nacionais; em Portugal, a cunhagem de moedas de euro cabe à Casa da Moeda. No Luxemburgo, a tarefa cabe ao Banco Cenntral do Luxemburgo.

Como é que se pode saber se uma nota foi fabricada em Portugal?

Verifique o número de série da nota; a letra antes do número identifica o país onde ela foi produzida. A letra “U”, por exemplo, refere-se à França; a letra “X” significa notas da Alemanha. Se a letra for “M”, a nota foi fabricada em Portugal.

Onde ficam os edifícios retratados nas notas de euro?

Em lado nenhum. As pontes, janelas, pórticos e fachadas retratados nos euros saíram da imaginação do artista austríaco Robert Kalina, e retratam estilos arquitetónicos da história da Europa. Quanto mais valiosa a nota, mais recente o estilo. Por exemplo: a nota de 5 euros é ilustrada por motivos arquitetónicos no estilo “clássico”, a 20 é de estilo “gótico”, a de 50 é “renascentista”, e a nota de 500 tem arquitetura “moderna”.

E os desenhos das moedas?

As moedas de euro têm uma face comum e uma face nacional. As faces nacionais das moedas portuguesas foram desenhadas por Vítor Manuel Fernandes dos Santos, que utilizou os três selos reais de D. Afonso Henriques, rodeados por castelos e escudos de Portugal, e pelas 12 estrelas da União. A face nacional da moeda de euro luxemburguesa foi concebida pela artista Yvette Gastauer-Claire e apresenta o perfil do Grão-Duque Henri.

É possível haver euros de países que não pertencem à zona euro?

Há moedas de euro de países que nem sequer são membros da União Europeia: Mónaco, São Marino e Vaticano.O euro é também aceite como moeda principal ou segunda moeda nacional em Andorra, no Kosovo e no Montenegro.

Ainda se pode trocar notas e moedas nacionais?

Na maior parte dos países, e para as moedas, o prazo acabou no fim de 2002. Em portugal e no caso das notas, o prazo estipulado é 20 anos depois da data de retirada de circulação da chapa. Ou seja, para notas mais recentes, como a de 2000 escudos com Bartolomeu Dias, o período de troca ainda se prolonga pelos próximos dez anos.

Porque é que o euro se chama euro?

Segundo um panfleto da Comissão Europeia, considerou-se a possibilidade de usar a designação do cabaz de moedas do sistema monetário europeu - Ecu – para a moeda única.

No entanto, Ecu foi rejeitado porque “a França já tinha tido uma moeda com esse nome”, a palavra “lembrava o escudo português” e “o som em alemão é parecido com a expressão 'uma vaca'”. Acabou por se chegar ao nome “euro”, que cumpre os requisitos de ser pronunciável em todas as línguas da União, fácil de escrever em todos os alfabetos, e não ter nenhuma referência óbvia às antigas divisas (marco, franco, florim, etc.).

Qual é a mais valiosa moeda de euro?

O euro é uma divisa recente, mas algumas das suas moedas já são peças de coleção. Segundo o site www.2euro-preise.de, a moeda de euro mais preciosa foi emitida pelo Mónaco em 2007, uma edição comemorativa de uma moeda de dois euros com a efígie da princesa e antiga atriz Grace Kelly. Estas moedas são transacionadas por mais de mil euros cada.

E a nota mais valiosa?

As notas não despertam o mesmo interesse dos numismatas. No entanto, a nota de maior denominação, a de 500 euros tem uma grande procura, porque permite concentrar um grande valor monetário num número relativamente pequeno de notas.

Isso fez com que a nota de 500 euros se tornasse popular entre criminosos. Em 2006, um quarto de todas as notas de 500 euros estavam em Espanha, obrigando as autoridades espanholas a empreender ações contra o tráfico e o branqueamento de capitais.


Quanto valia um euro em escudos e em francos luxemburgueses?

A taxa de conversão do escudo para euros foi fixada definitivamente a 31 de dezembro de 1998: um euro valia 200,482 escudos e 40 francos luxemburgueses.


Foto: Tessy Hansen


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Moeda única representa 25 por cento das reservas

A moeda única europeia representava no final do ano passado 26 por cento das reservas conhecidas dos bancos centrais globais, sete pontos percentuais acima do peso que tinha quando entraram em circulação as notas e moedas do euro.

No entanto, é difícil medir ao certo qual é o peso do euro enquanto moeda de reserva, porque a composição de quase metade das reservas mundiais não é conhecida.

“O euro é um ativo de reserva importante, o segundo mais importante a seguir ao dólar. Esse papel não deverá alterar-se nos próximos anos a menos que a zona euro se desmembre”, disse à agência Lusa Marc Chandler, chefe de estratégia cambial do banco de investimentos nova-iorquino Brown Brothers Harriman.

Marc Chandler acrescenta contudo que o peso do euro corresponde “basicamente à soma das suas partes”, nomeadamente o marco alemão e o franco francês.

A COFER - base de dados sobre divisas do Fundo Monetário Internacional (FMI) - é a mais completa fonte de informação sobre as reservas dos bancos centrais mundiais. Os seus dados estão divididos em reservas de composição conhecida ("allocated") ou desconhecida ("unallocated").

Segundo a COFER, as reservas totais mundiais correspondiam, em 2010, a 9,3 biliões de dólares. Deste valor, 5,1 biliões eram reservas de composição conhecida.
Entre as reservas de composição conhecida, 61,8 por cento estavam denominadas em dólares e 25,9 por cento em euros (as outras divisas mundiais têm todas percentagens pequenas do total, sendo a maior a da libra esterlina, com 3,9 por cento).

Em 2001, o dólar representava 71,5 por cento das reservas mundiais conhecidas, o euro 19,2 por cento (ver tabela abaixo).

Além disso, notava um relatório do Banco Central Europeu (BCE) em 2008, “a atual percentagem do euro nas reservas oficiais a nível mundial é mais elevada do que a percentagem da soma de todas as moedas que o euro substituiu – incluindo o marco alemão – que correspondia a cerca de 18 por cento em 1998”.
Marc Chandler considera contudo que este valor é “artificial”: “Esses dados foram influenciados por [os bancos centrais] se estarem a ajustar para a entrada do euro, e já tinham começado a reduzir suas reservas de outras moedas europeias. Era melhor olhar para o que havia antes de o tratado Maastricht ter sido assinado [em 1992]. E aí, o marco e o franco tinham à volta de 25 por cento [das reservas mundiais], o mesmo que agora.”

É preciso ainda considerar as reservas de composição desconhecida – que têm vindo a crescer a um ritmo muito mais forte que as conhecidas. Em 2001, as reservas desconhecidas representavam menos de 23,5 por cento do total; em 2010, já eram quase 45 por cento, sempre segundo os dados da COFER.

As reservas cuja composição não é divulgada pertencem sobretudo a países do Médio Oriente (particularmente os exportadores de petróleo) e da Ásia (sobretudo a China).
Marc Chandler considera que “o grosso” do crescimento nas reservas não conhecidas está na China e em Taiwan.

“Diria que os dados que se conhecem apontam para que as reservas chinesas sejam mais ou menos dois terços em dólares dos EUA, outra fatia [de perto de um quarto] em euros, e o resto em outras divisas, como o dólar australiano”, acrescenta Chandler. Ou seja, uma divisão muito semelhante à repartição das reservas mundiais conhecidas.

Ainda quanto às reservas conhecidas, note-se que a proporção do euro já atingiu os 27,5 por cento em 2009 – mas reduziu-se no ano passado, à medida que se desenrolava a crise das dívidas soberanas europeias.
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MOEDA ÚNICA: 10 ANOS EM FRASES

Foto: Anouk Antony
Quarenta frases de líderes políticos e económicos, escolhidas entre discursos e promessas feitos na altura em que o euro foi introduzido e 10 anos depois, mostram que as preocupações foram transferidas da moeda em si para o sistema europeu.

Por um lado, fica patente que, no final de 2001 e início de 2002, a preocupação dos líderes europeus centrava-se sobretudo na entrada em vigor da moeda e aceitação das populações.
Nessa altura havia uma nota de otimismo no ar que dava ao euro, enquanto moeda única, um papel unificador e potenciador da Europa.

Ainda assim, alguns dos responsáveis faziam declarações que podem ser vistos hoje como premonições ou até como ironias, já que a situação alterou-se muito nesta década.

Dez anos depois, as atenções dos líderes centram-se muito mais no euro enquanto sistema e enquanto motor de uma divisão inesperada na união Europeia.

A dívida crescente, a crise económica e financeira e as contradições políticas parecer ser atualmente a marca da moeda única.

Algumas dessas frases:

“Portugal é um país que tem dificuldades maiores que outros..."
Comissário europeu dos Assuntos Financeiros e Monetários, Pedro Solbes, 28 fev 2001

“A alguns meses da sua efetiva introdução, devemos mais do que nunca sublinhar aos cidadãos [europeus] tudo o que o euro nos proporciona em estabilidade e confiança”.
Presidente francês Jacques Chirac, 23 mar 2001

“O euro é um instrumento fundamental para reforçar a credibilidade do projeto europeu, não só nos planos económico e monetário, como no político”
Primeiro-ministro António Guterres, 04 abr 2001

“Alguns destes projetos terão de ser repensados para conter a despesa pública”.
Governador do Banco de Portugal Vítor Constâncio (sobre os projetos da Ota, TGV e Euro 2004), 18 jun 2001


“Para que a zona euro funcione sem choque, políticas económicas nacionais bem equilibradas deveriam complementar a política monetária única com o objetivo prioritário de manter a estabilidade dos preços em toda a zona euro”, Presidente do Banco Central Europeu Wim Duisenberg, 21 jun 2001

Portugal “estaria em grandes dificuldades económicas se não beneficiasse da credibilidade e proteção do euro”. Ex-governador do Banco de Portugal Miguel Beleza, 10 jul 2001

“Numa zona monetária tão grande e dotada de uma tal pujança económica, será menos fácil especular”
Ministro alemão das Finanças Hans Eiche,02 set 2001

“A moeda única vai dar asas a médio e longo prazo à economia europeia. Espero um efeito duplo: a produtividade na Europa vai aumentar e, ao mesmo tempo, as exportações vão crescer”
Presidente da Comissão Europeia Romano Prodi, 05 set 2001

“O Eurogrupo deverá guardar o seu carácter informal durante mais dois ou três anos, mas quando a União Europeia tiver 25 ou 27 membros, esta estrutura informal deixará de poder funcionar”
Presidente do Eurogrupo Didier Reynders, 19 set 2001

“Portugal não vai sacrificar o investimento público e as despesas sociais ao cumprimento do défice público”
Ministro das Finanças Guilherme d’Oliveira Martins, 22 set 2001

“É plenamente do nosso interesse que o euro tenha bom êxito”
Primeiro-ministro britânico Tony Blair, 30 dez 2001

“Fogo-de-artifício e raios laser vão iluminar o céu de Atenas, na noite de passagem de ano, durante um espetáculo musical encomendado pelo governo grego para a chegada do euro”
Produtor do espetáculo, Peter Massine, 31 dez 2001

“Recuso hoje qualquer pedido de adiamento, neste momento, da data de 2004 para atingir o equilíbrio orçamental em Portugal”, Ministro das Finanças Guilherme d’Oliveira Martins, 05 fev 2002

“Podemos já olhar para além do euro. No domínio económico e monetário devemos agora avançar, depois da passagem ao euro, para um verdadeiro Conselho Económico da União”, Ministro francês da Economia e Finanças Laurent Fabius, 17 fev 2002

“Crescimento da economia portuguesa caiu de forma acentuada em 2001, devido ao fim do efeito do corte da taxa de juros e do endividamento privado resultante, que se seguiu à criação do euro”, FMI, em comunicado, 26 abr 2002

“Penso que o projeto europeu está realmente a viver um período de grandes perigos, talvez o mais grave de que se lembra a minha geração”,Membro do BCE Tommaso Padoa-Schioppa (sobre euroceticismo na Europa), 17 mai 2002

“Subida dos preços devido à introdução do euro é muito penalizadora para os consumidores e dificulta o início da recuperação económica, Ministro alemão das Finanças Hans Eichel, 02 jun 2002

“Deveriam ser implementadas sanções quando as boas condições não são utilizadas para reduzir a dívida”
Presidente do Bundesbank Ernst Welteke, 10 jul 2002

“É preciso compreensão dos parceiros da zona euro para o esforço que Portugal está a fazer para reduzir o seu défice orçamental. Acho que todos estão sensibilizados”
Ministra das Finanças Manuela Ferreira Leite, 06 Set 2002


“O que vemos na Irlanda e em Portugal não tem uma relação direta porque em Portugal o setor bancário continua em relativa boa saúde”, Líder do Eurogrupo Jean-Claude Juncker, 22 nov 2010

“Portugal não tem qualquer problema no seu sistema financeiro”, Primeiro-ministro José Sócrates, 22 nov 2010

“O euro não é o problema",Presidente da Comissão Europeia José Manuel Durão Barroso, 24 nov 2010

“Nenhum país renunciará voluntariamente ao euro, para os países economicamente mais fracos isso seria um suicídio, mas também para os países mais fortes”, Diretor do Fundo Europeu de Estabilização Financeira, Klaus Regling, 25 nov 2010

“Portugal tem todas as condições para se financiar nos mercados. Estou confiante de que a aprovação do Orçamento do Estado vai contribuir para reforçar a confiança dos mercados", Primeiro-ministro José Sócrates, 26 nov 2010

“Não devemos subestimar a importância da crise, que, na Irlanda, partiu essencialmente do setor bancário”
Diretor geral do FMI Dominique Strauss-Kahn, 02 dez 2010

“O euro é a mais sólida moeda do mundo”, Presidente do Eurogrupo Jean-Claude Juncker, 31 dez 2010

“A discussão sobre o FMI é uma discussão lateral e Portugal tem tantos problemas, que todos os políticos se devem concentrar naquilo que é essencial”, Deputado do PS António José Seguro, 09 jan 2011

“Portugal “não terá que aceder a qualquer plano de resgate”, Ministra da Economia espanhola Elena Salgado, 10 jan 2011

“Portugal não vai pedir nenhuma ajuda financeira, nenhuma assistência financeira, pela simples razão que não é necessário", Primeiro-ministro José Sócrates, 11 jan 2011 

“Reduzir salários pode ser uma medida eficaz a curto prazo no combate à crise financeira, mas não deve ser a estratégia portuguesa para aumentar a competitividade”, Comissário europeu da Concorrência, Joaquín Almunia, 14 jan 2011

“Não haverá nenhum regresso ao marco, pelo menos comigo, e em nome da Alemanha digo claramente não”, Chanceler alemã Angela Merkel, 19 jan 2011

“O euro é um símbolo da Europa. O euro é a Europa e a Europa significa 60 anos de paz no nosso continente, por isso nunca vamos deixar o euro ser destruído”, Presidente francês Nicolas Sarkozy,
27 jan 2011

“Portugal só deve encarar soluções externas quando forem racionalmente vantajosas”, Presidente do PSD Pedro Passos Coelho, 10 fev 2011

“O pior já passou”, Ministro grego das Finanças Georges Papaconstantinou, 25 mar 2011

“Foram as hesitações alemãs que reforçaram a crise na Grécia e conduziram ao contágio que se transformou numa crise existencial para a Europa”, Investidor norte-americano George Soros,
12 ago 2011

“Quem não cumprir, tem de ser obrigado a cumprir”, Chanceler alemã Ângela Merkel, 26 set 2011

“A ação do BCE foi rápida, orientada e decisiva. Mas não podemos arcar com o ónus de resolver os problemas sozinho. Os Governos da área do euro têm de assumir as suas responsabilidades”, Vice-presidente do BCE Vítor Constâncio, 10 out 2011

“Creio que podemos fazer desta crise uma oportunidade de êxito, tanto para a Europa como a Grécia”
Primeiro-ministro grego Yorgos Papandréu, 13 out 2011

“Quando uma agência avalia um Estado, deve ser obrigada a divulgar publicamente todos os elementos que a levaram a fazer essa notação”, Comissário europeu dos serviços financeiros Michel Barnier, 15 nov 2011

“A França e a Alemanha defendem um novo tratado europeu que refunde e repense a organização da Europa”, Presidente francês Nicolas Sarkozy, 01 dez 2011

“Não estamos apenas a falar sobre uma união orçamental, estamos prestes a realizá-la”
Chanceler alemã Angela Merkel, 02 dez 2011

“A zona euro é defeituosa desde a sua criação”, Antigo presidente da Comissão Europeia Jacques Delors,
03 dez 2011 
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Portugueses adaptaram-se facilmente porque viram nova moeda como aproximação à Europa - sociólogos 

A adaptação dos portugueses ao euro foi fácil e feita com otimismo porque a adoção da moeda única foi vista como uma aproximação à modernidade da Europa mais desenvolvida, defendem três sociólogos ouvidos pela Lusa.

Para Elísio Estanque, sociólogo e professor da Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra, a introdução do euro - a 01 de janeiro de 2002 - foi recebida com "entusiasmo" pelos portugueses porque "as novas notas e moedas, ao surgirem com toda a sua aura de novidade e de modernidade europeia, contribuíram para tornar Portugal e as subjetividades dos portugueses mais próximas da Europa".

Por um lado, referiu, "a moeda única facilitou de facto as transações e a circulação de pessoas e bens entre os países membros", mas também "criou a ilusão de que estávamos mais desenvolvidos, mais iguais aos modos de vida dos países mais ricos e pertencíamos ao clube dos mais desenvolvidos".

Essa ilusão, adiantou, "alimentou muito o sonho (da classe média sobretudo) de que podíamos a partir daí adotar os padrões de vida consumistas vigentes nos países mais ricos e nas economias mais poderosas".

Uma visão partilhada pelo sociólogo e vice-reitor na Universidade de Lisboa e investigador coordenador do Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa, Manuel Villaverde Cabral.

"A adoção do euro em Portugal foi tanto mais rápida quanto funcionou como símbolo de prestígio que nos equiparava à 'Europa'", disse, acrescentando que a nova moeda "funcionou também como um sinal exterior de riqueza usado por uma classe média que pretendia imitar as elites tradicionais".

O sociólogo e investigador do Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa, António Costa Pinto, acrescentou ainda que "os portugueses nunca manifestaram nenhuma ligação particular ao escudo", ao contrário do que aconteceu com os alemães e o marco, já que "vinham de experiências de desvalorização competitivas, em 1978 e em 1983 com a intervenção do FMI".

No entanto, consideraram estes especialistas, esta facilidade na adaptação teve consequências que levaram mesmo à situação de endividamento que caracteriza hoje as famílias portuguesas.

"Foi um caso prodigioso de 'ilusão monetária'", lembrou Manuel Villaverde Cabral.

"Estávamos no 'pelotão da frente' e éramos ou íamos ser todos ricos", referiu, adiantando que "muita gente nova de origens algo modestas adorou a 'modernidade' do euro e o seu valor inflacionado por comparação com as lojas de Oxford Street em Londres, onde de repente passaram a poder fazer compras. É aí também que está a origem do nosso endividamento".

Para Elísio Estanque, "a noção diferente acerca do dinheiro não se deveu apenas à nova moeda, mas ao contexto social mais geral, marcado por uma certa euforia no plano do consumo".

Embora reconhecendo um aumento "muito significativo" dos preços com a adoção do euro - uma bica custava em 2001 entre 60 e 80 escudos e muito rapidamente se aproximou dos 50 cêntimos na nova moeda (ou seja dos 100 escudos), custando hoje 60 a 80 cêntimos - a crença geral foi de "desafogo fácil".

Também para Costa Pinto o euro provocou um aumento do custo de vida, quer "devido aos arredondamentos, quer porque os portugueses passaram a gastar mais por falta de noção".

Já um eventual regresso ao escudo precisaria de uma adaptação muito mais longa e seria muito mais penosa para os portugueses, defenderam.

"Penso que [a adaptação] levará sempre menos tempo quando a entrada da nova moeda acarreta benefícios ou - o que é o mesmo, - cria a ilusão de que só traz benefícios", explicou Elísio Estanque.
Para este sociólogo, "se ocorrer o regresso do escudo e isso acontecer - como é provável - num contexto de maior privação ou de intensificação drástica da austeridade, o tempo de adaptação durará mais".

"A passagem ao escudo numa conjuntura de crise será sempre vista como uma derrota de Portugal", secundou António Costa Pinto, argumentando que o regresso à moeda nacional "será visto como uma ameaça de desvalorização muito significativa" e constituirá "um elemento de dramatização da crise que Portugal enfrenta".
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Habitantes de aldeias da Guarda ainda têm dificuldades em manusear moeda única

Foto: LUSA
Dez anos depois da entrada em vigor do euro, os habitantes de muitas localidades da região da Guarda ainda fazem as contas em escudos e têm dificuldades em lidar com a moeda europeia.

"As pessoas mais idosas ainda não se adaptaram e têm problemas com o euro", disse à agência Lusa o presidente da Junta de Freguesia de S. Pedro do Jarmelo.

A freguesia abrange as aldeias de Urgueira, Donfins, Ima, Pereira, Granja, Almeidinha, Devesa e Mãe de Mingança (metade), onde residem cerca de 200 pessoas, maioritariamente idosas.

O autarca Hermínio Cabral contou que algumas mulheres da terra "vão ao padeiro ou ao azeiteiro [vendedor ambulante] e dão-lhe a carteira para as mãos para serem eles a retirar a quantia com que fazem o pagamento".

"Verifica-se que as pessoas de idade ainda têm dificuldades em trabalhar com o euro. Por vezes, digo-lhes que um euro representa 200 escudos mas, nem assim conseguem encarreirar com a moeda", admitiu.

Hermínio Cabral relatou ter assistido a situações em que "as pessoas julgam que uma nota de 10 euros equivale a 10 contos de réis [mil escudos]".

Maria José Trindade, 88 anos, moradora na aldeia de Urgueira, onde habitam cerca de 15 pessoas, reconheceu que no dia a dia, o seu pensamento ainda "foge para o escudo" mas nunca teve problemas com a moeda única, embora a adaptação inicial tenha custado "um bocadito".

"Lido com o euro e já não penso no escudo, simplesmente, quando compro qualquer coisa, o pão por exemplo, dou por mim a pensar: paguei 1,50 euros, o que equivale a 300 escudos", disse.

Referiu que outros moradores na povoação, onde o habitante mais novo tem "mais de 30 anos", têm "maior dificuldade" do que ela em lidar com a moeda europeia e ainda raciocinam em escudos.

"Uma senhora, que vai fazer 100 anos em fevereiro, quando me pede para pagar uma missa, dá-me 15 euros e diz sempre: lá vão três contos [três mil escudos]", relatou.

A irmã, Maria Miragaia, 66 anos, lembrou que em 01 de janeiro de 2002, ocorreu "uma transição muito grande", daí que ainda não esteja devidamente adaptada ao euro.

"Quando as quantias são pequenas, faço as contas certas mas, a partir dos 100 euros, faço confusão. E quando ouço falar em mais de mil euros, nem lhe digo nada, não consigo fazer a equivalência a escudos", assumiu.

Contou que os idosos da terra também lhe pedem ajuda "quando tencionam dar dinheiro a alguém, porque associam que 20 euros são 20 escudos e que 50 euros equivalem a 50 escudos".

"Por vezes, dizem que querem ofertar três contos aos netos, e eu digo-lhes para darem uma nota de dez euros e outra de cinco", explicou Maria Miragaia.
Apesar de assumir que a fase mais difícil de adaptação ao euro "já passou", a mulher rejeitou "o regresso ao escudo".

"Regressar ao escudo está fora de hipótese. Seria muito mau para o País", concluiu.
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Sair da moeda única condenaria Portugal "à mediocridade e à irrelevância" - Oliveira Martins

Portugal deve continuar no euro “por razões políticas”, ou estará condenado “à mediocridade e à irrelevância”, disse Guilherme d’Oliveira Martins em entrevista à agência Lusa.

“Precisamos do projeto do euro, não por razões meramente económicas mas por razões políticas. Caso contrário, estaremos condenados à periferia, à mediocridade e à irrelevância”, afirmou Oliveira Martins, ministro das Finanças na altura da introdução das notas e moedas do euro (2002) e atual presidente do Tribunal de Contas.

Mesmo tendo em conta a crise financeira que agora afeta o país, Oliveira Martins considera que valeu a pena para Portugal integrar a zona euro.

“Julgo que não há dúvidas relativamente a isso. Basta ver os números, a evolução no que se refere a grandes tendências de convergência”, diz o antigo ministro das Finanças. “Creio que estes dez anos são para celebrar.”

Oliveira Martins prevê que o euro será “duradouro”, apesar das dificuldades conjunturais e de uma “tendência que pode ocorrer” no sentido da “progressiva irrelevância” das economias europeias.

“O projeto do euro não é irreversível, não há nenhum projeto humano que o seja, mas está para durar”, afirma o presidente do Tribunal de Contas. “Costumo perguntar aos meus alunos se o euro é uma moeda forte ou fraca; todos me dizem que é forte. É uma moeda respeitada internacionalmente. Esperemos que seja a base para uma economia mais segura.”

Oliveira Martins rejeita igualmente a ideia de que voltar a ter moeda própria poderia ajudar Portugal a superar a crise económica. Os efeitos positivos da desvalorização cambial, argumenta, são muito exagerados pelos seus defensores.

“Essa política das desvalorizações, que muitas vezes se invoca como espécie de [saída para a crise], não corresponde de modo algum a uma salvação”, afirma. Optar por essa via “seria apenas aceitar a periferia e a irrelevância”.
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"Nunca tivemos década tão má" como a do euro, diz Ferreira do Amaral

A última década foi a pior de que há memória para a economia portuguesa e o mau desempenho deve-se mais às restrições causadas pela união monetária que a erros políticos, diz o economista João Ferreira de Amaral.

Numa entrevista à agência Lusa, Ferreira do Amaral argumenta que “é razoável” pensar que a Europa “estaria melhor” sem a moeda única: “A zona euro cresceu pouco, muito menos que na década e meia anterior. Acumularam-se desequilíbrios gigantescos nas balanças de pagamentos, nomeadamente em Portugal, na Grécia e também, em parte, em Espanha.”

Quanto a Portugal, assegura, nunca teve alguma "década tão má” como a começada com a introdução das notas e moedas de euro em 2002, “pelo menos desde a II guerra mundial”.

Para Ferreira do Amaral, Portugal “já está” numa situação “pior que há dez anos”: “Não só pior em termos de rendimento ‘per capita’ como pior nas desigualdades, pior em termos de estrutura produtiva”.

O economista sugere assim que Portugal deveria abandonar a moeda única.
“A manutenção na zona euro vai implicar estarmos décadas a viver à custa de empréstimos fornecidos pela União. Décadas. Porque não temos condições de crescimento nenhumas, e o nosso aparelho produtivo continuará talvez anda mais ineficiente que agora”, afirma Ferreira do Amaral. “Portanto, de uma ou duas décadas de ajuda ninguém nos tira, numa situação dessas. Penso que isso é insustentável, mesmo do ponto de vista político.”

O professor do Instituto Superior de Economia e Gestão (ISEG) não considera que os atuais problemas se devam a erros políticos tanto como ao “fracasso” do projeto europeu: “Um bom projeto é o que resiste a erros de política económica. Não me parece, com toda a franqueza, que tenha havido erros monstruosos de política económica” na zona euro.

“A nossa questão orçamental é apontada como um grande desregramento, mas não é verdade, tivemos maior desregramento antes de entrar na zona euro”, continua Ferreira do Amaral, para quem se o problema fosse o despesismo dos governos “teríamos um défice muito maior, porque as receitas cresceram pouco, e a atividade [económica] cresceu pouco.”

Para Ferreira do Amaral, a “transferência de recursos de setores de bens transacionáveis para bens não
transacionáveis” é resultado de Portugal fazer parte de um espaço com uma “moeda forte”.

“O aparelho produtivo reorientou-se para setores protegidos da concorrência externa, porque a moeda é forte e não fazia sentido concorrer com produtos importados”, argumenta. “Isso não foi um erro de política económica, o erro foi aderir a essa zona [de moeda forte].”

Ferreira do Amaral também critica a União Europeia por se ter “aberto sem condições” ao comércio mundial: “A liberdade do comércio é boa em termos gerais”, mas teria sido preferível “uma gradual liberalização”.
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Os textos que não provêm da agência LUSA, estão devidamente identificados com os nomes dos autores






quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Em Lisboa: Juncker diz que ideia de dividir a zona euro é uma estupidez

De visita a Lisboa, o presidente do Eurogrupo Jean-Claude Juncker considerou hoje uma estupidez as notícias que dão conta de alegadas negociações entre a Alemanha e a França para uma redução da zona euro, e garante que o euro "é um grupo sólido".

"Eu sou alérgico a tais estupidezes que são veiculadas por alguns e que visam colocar divisões no seio do euro. O euro é um grupo sólido", disse o também primeiro-ministro luxemburguês após uma reunião no Parlamento com a presidente da Assembleia da República, Assunção Esteves.

Jean-Claude Juncker disse ainda que não quer que o euro se divida em zonas ou regiões - como uma possível região norte e uma região sul - e diz mesmo que "tais propostas estão longe de ser europeias". "Detesto tal ideia", acrescentou.

O presidente do Eurogrupo reafirmou a sua convicção, expressa várias vezes durante a visita a Lisboa, que "não há Europa sem Portugal", e também que "não há euro sem Portugal".

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Euro/Cimeira: Medidas para zona euro vão permitir resolução duradoura do problema, considera economista

O economista Nuno Sampayo Ribeiro considerou hoje que as medidas anunciadas na cimeira da zona euro, realizada na quarta-feira, vão permitir uma resolução duradoura do problema e constituem uma resposta à altura das circunstâncias.

“A resposta é uma resposta à altura das circunstâncias no sentido em que cria um conjunto de mecanismos que, do meu ponto de vista, permitirão a resolução duradoura do problema, mas é uma primeira boa notícia. Serão necessárias outras, mas estamos no caminho certo”, disse o fiscalista à Agência Lusa.

Entre as medidas anunciadas após a cimeira estão a redução de 50 por cento da dívida grega e o reforço do Fundo Europeu de Estabilidade Financeira (FEEF), dos atuais 440 mil milhões de euros para um bilião de euros.

“Um aspeto que é particularmente relevante é que alivia a pressão neste exato momento que era aquele em que podia ter um efeito mais nocivo”, considerou.

Na cimeira foi ainda decidido que os países da zona euro adotem uma "regra de ouro" do equilíbrio orçamental, incluindo modificar a sua Constituição, para o final de 2012, e que serão realizadas reuniões, pelo menos, duas vezes por ano, para discutir questões económicas e fiscais.

Considerando que a ênfase destas medidas “está de facto em reforçar a integridade da zona euro”, Nuno Sampayo Ribeiro defendeu que as soluções anunciadas constituem também “uma prova de vitalidade da ponte de comando do euro”.

“De facto é uma primeira boa notícia e alivia claramente a situação, para além de que constitui uma prova de vitalidade da ponte de comando do euro e isso era particularmente importante nesta altura quando a economia mundial estava de olhos postos na zona euro com alguma desconfiança para não dizer até elevada desconfiança”, disse.

Relativamente à situação portuguesa e a um eventual novo programa de ajuda, o economista mostrou-se otimista.

"Acho que a situação ficou bastante mais desanuviada para Portugal no contexto geral, criando condições para que Portugal dê execução aos seus compromissos com um ambiente envolvente mais favorável", concluiu.

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Juncker diz que bancos terão de aceitar perdas de pelo menos 50 por cento da dívida grega

O presidente do Eurogrupo e primeiro-ministro luxemburguês, Jean-Claude Juncker, disse hoje que os bancos e outras instituições terão de aceitar perdas de 50 ou 60 por cento da dívida grega para garantir a sustentabilidade da mesma.

"Os investidores privados, os bancos, o setor privado, todos têm de participar de forma muito mais substancial para garantir que o peso da dívida grega seja sustentável no longo prazo. Em julho dissemos que o valor seria de 21 por cento. Esse valor é agora insuficiente. Tem de ser consideravelmente mais elevado, 50 ou 60 por cento, é disso que estamos agora a falar", disse o também ministro das Finanças do Luxemburgo numa entrevista televisiva, citada pela agência Bloomberg.

Também hoje, a Comissão Europeia disse preferir "claramente" uma abordagem voluntária ao envolvimento do setor privado nas perdas a suportar com a reestruturação da dívida grega, sublinhou o porta-voz do comissário dos Assuntos Económicos e Monetários, Amadeu Altafaj Tardio.

Num encontro com os jornalistas, o porta-voz para os assuntos económicos frisou que o envolvimento do setor privado num segundo pacote de ajuda financeira à Grécia deve ser voluntário, e acrescentou que o acordo com os bancos "está muito próximo", concluindo que o envolvimento do setor privado é "muito importante".

Os comentários de Altafaj surgem num momento em que os bancos expostos à dívida pública da Grécia arriscam-se a ter de suportar bem mais que os 21 por cento já acordados relativamente à redução do valor que o país vai usar para saldar os seus compromissos financeiros com os credores internacionais.

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

Juncker: Zona Euro está a dar uma "imagem desastrosa" para o exterior

O presidente do Eurogrupo, Jean-Claude Juncker, disse hoje que a Zona Euro está a dar uma "imagem desastrosa" para o exterior, devido às dificuldades em encontrar uma solução para a crise da dívida soberana da Europa.

"O impacto no exterior é desastroso porque não estamos a dar um bom exemplo de liderança", assinalou Juncker em Bruxelas, à entrada para a reunião do Eurogrupo, que reúne os ministros das finanças da Zona Euro, entre os quais Vítor Gaspar, que escusou-se a prestar declarações aos jornalistas à chegada.

A tradicional conferência de imprensa do presidente do Eurogrupo, prevista para o final da reunião, foi entretanto cancelada.

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Juncker não gosta das reuniões do eixo franco-alemão

O presidente do Eurogrupo, Jean-Claude Juncker, criticou a recente multiplicação de encontros bilaterais entre a França e a Alemanha para falar do governo económico da Zona Euro, sublinhando que os dois países não decidem pela União Europeia.

"Aquilo que é decidido pela França e pela Alemanha não se torna automaticamente uma decisão da União Europeia", afirmou Juncker numa entrevista hoje publicada pelo jornal alemão Handelsblatt.

"Nos últimos 12 meses, cerca de 70 % das propostas franco-alemãs não levaram a qualquer decisão", sublinhou.

As declarações do presidente do Eurogrupo foram feitas após um encontro no domingo entre o Presidente francês, Nicolas Sarkozy, e a chanceler alemã, Ângela Merkel, no qual os dois dirigentes acordaram em apresentar algumas iniciativas nas próximas semanas, entre as quais sobre a recapitalização dos bancos.

O governo económico da Zona Euro, tal como os países membros da União Económica e Monetária se comprometeram a implementar, "não deve ter um comando franco-alemão", defendeu Juncker.

Foto: Marc Wilwert

terça-feira, 4 de outubro de 2011

Ministros das Finanças dos 27 adoptam no Luxemburgo pacote de governação económica

Os ministros das Finanças da União Europeia vão adotar hoje no Luxemburgo o pacote de seis peças legislativas sobre governação económica, que reforçam as vertentes preventiva e punitiva do Pacto de Estabilidade e Crescimento.

Depois de o Parlamento Europeu ter aprovado o chamado “6pack” na sessão plenária da semana passada em Estrasburgo, o Conselho (Estados-membros) vai hoje pôr um ponto final definitivo na aprovação de um pacote legislativo que esteve a ser negociado durante cerca de um ano entre a Comissão Europeia, os 27 e a assembleia, e que deverá entrar em vigor a 01 de janeiro de 2012.

Além de prever sanções mais duras para os países “prevaricadores”, o pacote da governação económica estabelece uma supervisão mais rigorosa das políticas económica e orçamental por parte da UE, com a introdução de um novo conjunto de indicadores para identificar e corrigir os desequilíbrios macroeconómicos nos Estados-Membros, antes que se transformem em situações insustentáveis.

Uma vez adotadas estas regras – que muitos consideram já insuficientes face aos desenvolvimentos ocorridos no último ano -, os 27 continuam discussões sobre outros assuntos onde um compromisso ainda parece estar longe, focando-se hoje num debate sobre a “estratégia de saída orçamental”, em torno da possibilidade de alguns países, os poucos que têm alguma margem de manobra a nível orçamental, poderem aliviar um pouco a contenção e investir no crescimento, de forma a prevenir o caminho da recessão.

A reunião “Ecofin” de hoje, de ministros das Finanças dos 27, foi antecedida segunda-feira pelo encontro do chamado “Eurogrupo”, que reúne os 17 ministros da Zona Euro, que decidiram adiar para a segunda quinzena de outubro uma decisão sobre o desembolso de nova tranche de ajuda à Grécia, apontando que Atenas pode aguentar até novembro.

O presidente do Eurogrupo, Jean-Claude Juncker, indicou que desmarcou uma reunião extraordinária, inicialmente pensada para 13 de outubro, para decidir o desembolso da sexta “fatia” do empréstimo à Grécia, já que, com a missão da “troika” (Comissão, BCE e FMI) ainda em Atenas, não será possível até essa data ser tomada uma decisão, mas ressalvou que recebeu indicações das autoridades gregas de que a Grécia tem dinheiro para pagar pensões e salário até novembro.

Quanto a Portugal, Juncker e o comissário europeu dos Assuntos Económicos, Olli Rehn, garantiram que as contas portuguesas, designadamente a derrapagem orçamental na Madeira e os “números” do défice português no primeiro semestre do ano anunciados na semana passada (8,3 por cento do PIB), não estiveram na agenda da reunião do Eurogrupo.

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Ministros das Finanças da Zona Euro reúnem-se hoje e amanhã no Luxemburgo

Os ministros das Finanças da Zona Euro reúnem-se hoje e amanhã no Luxemburgo, à espera de notícias de Atenas e em busca de avanços na implementação das medidas acordadas em julho passado para “salvar” a Grécia e estabilizar o euro.

Numa altura em que ainda se encontra em Atenas uma missão da 'troika' (Comissão Europeia, Banco Central Europeu e Fundo Monetário Internacional) para avaliar no terreno as medidas adotadas pelas autoridades gregas, ainda não será por isso no Luxemburgo que será decidido o desembolso de nova tranche de ajuda, pela qual a Grécia desespera.

Fonte diplomática indicou que mesmo que a 'troika' conseguisse terminar a sua missão de avaliação antes da reunião do Luxemburgo, é impraticável a elaboração de um relatório em tempo útil para os ministros das Finanças tomarem uma decisão, sendo mais provável que tal ocorra só na semana seguinte.

No entanto, os 17 Estados-membros têm outras questões complicadas com que se preocupar e que deverão ocupar a reunião de hoje, designadamente a necessidade de chegar a um entendimento com vista à efetiva implementação das medidas acordadas a 21 de julho pelos chefes de Estado e de Governo, sobre uma nova ajuda à Grécia e o alargamento do Fundo Europeu de Estabilização Financeira (FEEF).

A mesma fonte diplomática sublinhou que, mais de dois meses depois dessa cimeira, nem uma só medida entrou em vigor, e são várias as ameaças que pairam, designadamente sobre a ratificação do reforço e flexibilização do FEEF, face às diferentes leituras que os Estados-membros fazem do compromisso alcançado em julho e a disputas políticas internas.

No que começa a ser uma corrida contra o tempo, dada a urgência da situação, os ministros das Finanças irão procurar alguns progressos, cerca de duas semanas antes de os líderes da Zona Euro voltarem a encontrar-se, o que sucederá a 18 de outubro, no segundo dia de um Conselho Europeu que muitos consideram decisivo.

A nível da reunião do Ecofin, que juntará na terça-feira os ministros das Finanças dos 27, a agenda reserva como principal ponto um debate, lançado pela Comissão Europeia, sobre a “estratégia de saída orçamental”, em torno da possibilidade de alguns países, os poucos que têm alguma margem de manobra a nível orçamental, poderem aliviar um pouco a contenção e investir no crescimento, de forma a prevenir o caminho da recessão.

Os ministros dos 27 irão por fim adotar formalmente o pacote de seis peças legislativas para o reforço da governação económica, conhecido como '6 Pack', aprovado na passada quarta-feira pelo Parlamento Europeu, em Estrasburgo.

Portugal estará representado nas reuniões de hoje e amanhã pelo ministro Vítor Gaspar.

terça-feira, 20 de setembro de 2011

Juncker e Vítor Gaspar "surpreendidos" com omissões sobre contas da Madeira

O presidente do Eurogrupo e primeiro-ministro luxemburguês, Jean-Claude Juncker, admitiu na sexta-feira ter ficado "surpreendido" com a notícia das omissões sobre as contas da Madeira, e acrescentou que ainda não tinha sido informado sobre este assunto.

Também contactados na Polónia, o ministro das Finanças português e o governador do Banco de Portugal, Vitor Gaspar e Carlos Costa, escusaram-se a comentar. Em causa estão dívidas que não foram reportados ao Banco de Portugal (BdP) e ao Instituto Nacional de Estatística (INE), instituições a que, após diligências, terão chegado informações entre o final de agosto e esta semana que dão conta de Acordos de Regularização de Dívidas celebrados em 2010, com um valor aproximado de 571 milhões de euros, dos quais não tinham conhecimento, mais 290 milhões de euros de juros de mora “que também não foram comunicados às autoridades estatísticas”.

O INE e o BdP acusaram sexta-feira a Administração Regional da Madeira de ter omitido informação relativa às suas contas públicas, facto que consideram “grave” e da qual não têm conhecimento de casos similares

A Madeira não terá ainda comunicado encargos, que ainda não foram objeto destes acordos relativos a serviços de saúde de 2008, 2009 e 2010, em montantes de 20, 25 e 54 milhões de euros, respetivamente.

segunda-feira, 18 de julho de 2011

Euro/Crise: Merkel espera "claros progressos" na cimeira extraordinária de quinta-feira

A chanceler alemã, Angela Merkel, espera que a cimeira de chefes de Estado e de governo da zona euro, na quinta-feira, em Bruxelas, traga “claros progressos” para resolver a crise da dívida soberana da Grécia.

Em declarações aos jornalistas hoje em Berlim, o porta voz do governo alemão, Steffen Seibert, disse que “a chanceler está confiante” de que a cimeira extraordinária terminará com um acordo sobre o novo pacote de ajuda financeira a Atenas.

Em entrevista à televisão pública ARD, no domingo à noite, Merkel voltou a exigir a participação dos credores privados no novo resgate da dívida grega, e defendeu ainda a criação de uma agência de 'rating' europeia.

Acrescentou, no entanto, que a iniciativa para criar uma tal agência não deve partir dos Estados, para que não haja a ideia de que a futura agência ficará dependente dos mesmos.

Merkel reiterou ainda a promessa feita aos alemães no início da crise económica e financeira internacional, em finais de 2008, de que as suas poupanças estão garantidas pelo Estado.

Quanto à crise das dívidas soberanas em alguns países da zona euro, a chanceler afirmou que esta “não ameaça a moeda única como um todo”.

terça-feira, 12 de julho de 2011

Euro/Crise: "Nenhum país estará em risco" se UE estiver unida, garante Luc Frieden

Nenhum país estará em risco se a Zona Euro e a União Europeia (UE) estiverem unidas, disse hoje o ministro luxemburguês das Finanças, Luc Frieden, à entrada para o conselho de ministros das Finanças.

No dia seguinte à reunião dos ministros europeus das Finanças sobre a situação grega, com o alastrar das preocupações à Itália, o governante luxemburguês, citado pela agência espanhola EFE, mostrou-se convencido de que se não houver unidade da UE e um país “tiver um problema importante isso afectará” toda a estrutura.

“Estamos a lidar com a Grécia, Irlanda e Portugal e vamos assegurar-nos de que, através das medidas que estamos a tomar, esteja assegurada a estabilidade da Zona Euro”, considerou Frieden, que acrescentou saber que “vai ser difícil convencer os mercados”, por estes esperarem sempre que haja decisões face ao panorama actual.

Os ministros das Finanças da Zona Euro asseguraram na segunda-feira, em Bruxelas, que estão “completamente decididos” a tomar as medidas necessárias para impedir os riscos de contágio da crise da dívida, incluindo uma diminuição das taxas de juro.

Numa declaração lida pelo presidente do Eurogrupo e primeiro-ministro luxemburguês, Jean-Claude Juncker, os 17 ministros afirmaram que serão apresentadas propostas neste sentido “muito em breve”.

As propostas irão “melhorar a flexibilidade e o âmbito do Fundo Europeu de Estabilização Financeira, aumentar as maturidades dos empréstimos e baixar as taxas de juro”, segundo Juncker.

Lusa
Foto: Serge Waldbillig

segunda-feira, 6 de junho de 2011

Euro: Europeus escolhem desenho da nova moeda de dois euros

O desenho da nova moeda comemorativa de dois euros, que celebra o décimo aniversário da moeda única, vai ser escolhido pelos cidadãos, anunciou a Comissão Europeia.

Os residentes dos 17 países que integram a zona euro podem votar, através da Internet, num dos cinco desenhos previamente selecionados pelo júri, a partir de um concurso ao qual poderão concorrer os cidadãos de qualquer destes países.

A votação começa hoje e termina a 24 de junho, sendo o vencedor anunciado a 30 de junho, segundo o comunicado.

Um dos participantes na votação será escoplhido de forma aleatória para receber um prémio composto por um conjunto de moedas de euro de coleção.

A moeda única circula atualmente por mais de 330 milhões de pessoas de dezassete estados-membros da Unão Europeia.

No início de 2012, os membros do euro vão emitir uma única moeda comemorativa de dois euros com um desenho comum, prevendo-se que venham a ser cunhadas cerca de 90 milhões de unidades.

Esta é a terceira vez que a zona euro emite uma moeda conjunta, com o mesmo desenho na face nacional.

A primeira foi emitida em 2007, para comemorar os 50 anos do tratado de Roma e a segunda, em 2009, para assinalar o décimo aniversário da União económica e financeira e a criação do euro como entidade virtual, três anos antes do seu aparecimento físico.

quinta-feira, 31 de março de 2011

Euro/Crise: Moody's alerta para possibilidade de novos cortes no 'rating' dos países do euro

A agência de notação financeira Moody’s deixou hoje um novo alerta aos ‘rating’ dos países da zona euro, afirmando que mais cortes “não podem ser postos de parte”, depois de nova onda de cortes pela Standard & Poor’s e Fitch.

Numa análise hoje divulgada, citada pela Bloomberg, a agência diz que estes cortes “não podem ser excluídos” devido às expectativas de contínuas dificuldades no acesso ao financiamento pelos países da zona euro, da possibilidade de reestruturações e outras formas de ‘default’ (incumprimento) nas dívidas soberanas.

O alerta surge numa altura em que a Standard & Poor’s e a Fitch têm anunciado uma série de cortes nas notações de alguns países da zona euro, em especial de Portugal e Grécia.

No caso de Portugal uma parte dos cortes tem sido justificada com a situação política, na sequência do chumbo do Programa de Estabilidade e Crescimento no Parlamento e consequente demissão do primeiro-ministro, que se juntaram às dificuldades de financiamento, levando a uma escalada sem precedentes dos juros exigidos pela dívida soberana no mercado secundário.

Em causa estão também as conclusões do Conselho Europeu de 24 e 25 de março relativas ao futuro mecanismo de resgate pós 2013, que contempla a possibilidade de uma reestruturação de dívida por parte dos países que recorrerem a este tipo de ajuda e ainda a subordinação da dívida emitida pelo fundo, que daria preferência como credor, em caso de qualquer tipo de incumprimento, ao mecanismo em detrimento dos investidores comerciais.

terça-feira, 22 de março de 2011

Análise: BCE quer conter inflação / Crédito mais caro a partir de Abril?

O presidente do Banco Central Europeu (BCE), Jean-Claude Trichet, admitiu a 3 de Março que é possível que a instituição que lidera venha a aumentar as taxas de juro já em Abril.

A acontecer, é a primeira vez em dois anos que o BCE subirá as taxas de juro com o objectivo de travar a inflação, que está a subir em virtude da escalada dos preços dos alimentos, das matérias-primas e do petróleo.

Apesar do BCE manter inalterada a taxa de juro de referência da Zona Euro em 1 % pelo 22o mês consecutivo, Trichet garantiu que a instituição vai continuar a vigiar as pressões inflacionistas depois de em Fevereiro a inflação da Zona Euro ter aumentado 2,4 % face ao mesmo mês em 2010. Trichet afirmou assim ser possível um aumento das taxas de juro na próxima reunião do Conselho de Governadores, a 7 de Abril.

Estas declarações do presidente do BCE surpreendem os próprios analistas e economistas que aguardavam por um aumento da taxa de referência apenas no segundo semestre do ano.

A verdade é que, quer seja agora ou mais tarde, o aumento dos juros na zona euro terá consequências para bancos, empresas e pessoas. Tal como desejado pelo BCE, um aumento nas taxas de juro pode vir a conter a inflação da procura, ou seja, o aumento dos preços causado pelo excesso de consumo.

A ideia subjacente é restringir o consumo através do encarecimento dos empréstimos. O mecanismo é simples: como a taxa directora do BCE é utilizada como referência na determinação dos juros cobrados pelos bancos aos consumidores e às empresas, o seu aumento causa um aumento nos custos de um crédito. E se o crédito é mais caro, os clientes terão tendência a pedir menos crédito e a consumir menos o que, pelo menos teoricamente, contribui para conter a inflação.

Na prática, um aumento do juro de 0,25 % significa um encarecimento de 2,5 euros por mil euros de crédito contraído. Um crédito hipotecário de 300 mil euros custará assim mais 750 euros por ano.

No entanto, se por um lado o aumento dos juros garante um maior controle da inflação, por outro lado acaba por diminuir o potencial de crescimento da economia e do emprego.

É o lado perverso do sistema, pois com as taxas de juro mais elevadas, as empresas têm de arcar com o custo mais elevado de financiar o crescimento das suas actividades e o aumento de uma produção para a qual temem não encontrar consumidores suficientes.

Claro que os consumidores ou as empresas que optaram por um empréstimo a taxa fixa não sofrerão quaisquer degradações do seu poder de compra, pois o seu juro não é afectado pelas decisões do BCE. Contudo, ao contrário dos países limítrofes, no Luxemburgo existe pouco o costume de contrair empréstimos com taxa fixa.

Mas recorde-se ainda que um aumento da taxa de juro é também um incentivo à poupança, já que os juros das aplicações também aumentam e garantem um rendimento maior aos depósitos efectuados. Também aqui, por regra, os bancos tendem em adaptar os aumentos dos juros nos créditos dos seus clientes e são, no entanto, um pouco mais lentos a nivelar as condições da poupança. A tendência é observar o comportamento da concorrência e proceder aos ajustes depois.

Pedro Castilho, analista financeiro
Foto: Marc Wilwert

Eurogrupo/Portugal e o PEC: Juncker não vê "nenhuma razão" para alterações a programa de ajustamento "já aprovado" em Bruxelas

O presidente do Eurogrupo disse segunda-feira não ver “nenhuma razão” para alterações ao pacote de medidas suplementares de consolidação orçamental apresentadas a 11 de março pelo Governo português, recordando que o mesmo já foi aprovado pelos líderes da Zona Euro.

No final de uma reunião extraordinária dos ministros das Finanças da Zona Euro, celebrada hoje em Bruxelas, Jean-Claude Juncker, ao ser questionado sobre a possibilidade de o novo programa de estabilidade e crescimento vir ainda a ser negociado e alterado, lembrou que o programa de ajustamento foi aprovado na cimeira de há duas semanas e avalizado por Bruxelas e Banco Central Europeu nos moldes em que foi apresentado pelo Governo.

“Não gostaria de interferir num debate de política interna em Portugal, mas nós aprovámos o programa de ajustamento tal ele como nos foi proposto pelo Governo português, que foi avalizado pela Comissão Europeia e pelo BCE, pelo que não vejo nenhuma razão para que possa ser alterado o programa tal como ele nos foi comunicado e aprovado por ocasião da nossa ultima reunião”, disse.

Presente também na conferência de imprensa, o comissário europeu dos Assuntos Económicos, Olli Rehn, limitou-se a acrescentar que corrobora “por completo o que foi dito pelo Jean-Claude Juncker”.

O presidente do Eurogrupo, o fórum de 17 países membros da Zona Euro, acrescentou que o assunto não conheceu todavia qualquer desenvolvimento hoje: “a verdade é que hoje não falámos de Portugal”, indicou.

O Governo português tem manifestado a sua disponibilidade para negociar com a oposição o pacote de medidas suplementares de consolidação orçamental, desde que eventuais novas medidas permitam alcançar os mesmos objetivos, mas o PSD já recusou negociar com o executivo de José Sócrates o chamado “PEC IV”, que será debatido e eventualmente votado na próxima quarta-feira na Assembleia da República.

Foto: Marc Wilwert/LW

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Presidente do Banco Central do Luxemburgo defende sanções automáticas para dívida pública

Os países da União Europeia (UE) que ultrapassem os limites definidos para a dívida pública deveriam sofrer sanções automáticas, defendeu o presidente do Banco Central do Luxemburgo (BCL).

Yves Mersch (na foto) diz que seria preferível "dar mais ênfase às sanções automáticas para cumprir o critério de Maastricht, em vez de se optar por alterar a constituição de cada país".

Foto: Gerry Huberty

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

UE/Finanças: Futuro fundo de resgate terá dotação de 500 mil milhões de euros

Os países da Zona Euro acordaram ontem à noite que o futuro fundo de resgate para socorrer países com problemas financeiros terá uma capacidade efetiva de 500 mil milhões de euros, duplicando-se a sua dotação atual.

“Penso que será suficiente”, afirmou Jean-Claude Juncker, presidente do Eurogrupo e primeiro-ministro luxemburguês, em delcarações feitas no final da reunião dos ministros das Finanças da Zona Euro, em Bruxelas, na qual se chegou a este acordo.

A estes 500 mil milhões de euros soma-se a quantia do Fundo Monetário Internacional, 250 mil milhões, bem como os montantes dos países que não são do euro mas que desejem nele participar.

Os ministros das Finanças da Zona Euro não chegaram, no entanto, a acordo para aumentar a capacidade efetiva de financiamento do fundo de resgate temporário em vigor até 2013.

A capacidade real deste fundo ronda os 250 mil milhões de euros, um valor considerado insuficiente pelos mercados.

Foto: Marc Wilwert/LW

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Euro/Crise: Ministro das Finanças luxemburguês Luc Frieden diz que lentidão da resposta europeia prejudica Portugal

O ministro das Finanças luxemburguês Luc Frieden defendeu hoje em Bruxelas que a lentidão da resposta europeia à crise da dívida soberana está a prejudicar Portugal, que, em sua opinião, também está a ser injustamente avaliado pelos mercados.

Questionado, à margem de uma reunião dos ministros das Finanças da Zona Euro, sobre se a recente subida para um máximo histórico da taxa de juro para a dívida soberana portuguesa (7,63 por cento, na semana passada) não refletia a desconfiança dos mercados relativamente à “resposta abrangente” para a crise da Zona Euro que a UE tem vindo a anunciar, Luc Frieden admitiu que a “lentidão” dessa resposta não está a ajudar países como Portugal.

“Provavelmente (acontece) porque estamos a ser muito lentos a tomar decisões relevantes”, disse, lembrando que a UE disse que faria “o que fosse preciso para apoiar temporariamente os países em dificuldades”, para mais estando esses países a “levar a cabo programas claros de consolidação orçamental”.

Segundo o titular da pasta das Finanças do Luxemburgo, “os mercados deveriam levar isso em conta”, o que a seu ver não tem sucedido.

“Não penso que os mercados estejam a refletir de forma precisa os esforços levados a cabo por Portugal e pela União Europeia”, declarou.

A reunião de hoje visa precisamente começar a preparar as grandes medidas de uma resposta abrangente à crise da dívida soberana que afeta países da Zona Euro, como Portugal, e que deverão ser decididas na próxima cimeira extraordinária de líderes dos 17 países do espaço monetário único, a 11 de março, para serem formalmente adotadas no Conselho Europeu de 25 e 25 de março.

UE: Fundo de resgate hoje na mesa de discussões dos ministros da Zona Euro

Os ministros das Finanças da Zona Euro vão discutir hoje, segunda-feira, em Bruxelas, mudanças ao atual Fundo Europeu de Estabilização Financeira, numa reunião a 17, e as propostas sobre o futuro mecanismo permanente, com os restantes Estados-membros da União Europeia.

O “Eurogrupo” – reunião dos ministros das Finanças da Zona Euro - da próxima semana será essencialmente dedicado a preparar a Cimeira extraordinária de líderes dos 17 países do espaço monetário único agendada para 11 de março próximo, e na qual começarão a ser tomadas importantes decisões sobre uma “resposta abrangente” à crise na Zona Euro, a serem formalmente adotadas no Conselho Europeu de 24 e 25 de março.

No pacote com vista à estabilização da Zona Euro e combate à crise da dívida soberana, incluem-se discussões sobre o atual fundo de resgate – que deverá ser reforçado e flexibilizado -, e o seu “sucessor”, o Mecanismo Permanente de Estabilização, que o substituirá a partir de meados de 2013.

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Investidores internacionais apostam na saída de pelo menos um país da Zona Euro até 2016 - estudo da Bloomberg

Pelo menos um país vai abandonar a Zona Euro nos próximos cinco anos, considera a maioria dos 1000 investidores e analistas que responderam a um estudo da Bloomberg divulgado no dia em que se inicia o Fórum Económico Mundial.

Seis em cada 10 inquiridos para o Bloomberg Global Poll responderam que um ou mais dos 17 países que fazem parte da Zona Euro vão sair até 2016, sendo que 11 por cento considera que isso vai acontecer já nos próximos 12 meses.

Os analistas, investidores e outros clientes da Bloomberg que responderam ao inquérito da agência financeira mostraram-se divididos sobre se Portugal irá falhar as suas obrigações financeiras, mas consideraram que a Grécia e a Irlanda não conseguirão cumprir os compromissos e mostraram-se confiantes na Espanha.

Os resultados da análise são divulgados no dia em que tem início o Fórum Económico Mundial em Davos, Suíça, para refletir sobre soluções para a crise da dívida na Zona Euro, as guerras cambiais e as convulsões sociais.