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terça-feira, 6 de outubro de 2009

Portugal/10° aniversário da morte de Amália: Primeiro álbum de 1954 reeditado

O primeiro álbum de Amália Rodrigues, editado nos Estados Unidos em 1954, foi recentemente reeditado em vinil, numa edição limitada de 500 exemplares, pela Companhia Nacional de Música (CNM).

O LP, gravado em 78 rotações, intitula-se "Amália Rodrigues sings fado from Portugal and flamenco from Spain", e é composto por quatro faixas cantadas em português e outras tantas em espanhol.

Segundo Nuno Rodrigues da CNM, "a edição deste primeiro LP confirma em definitivo o estatuto de Amália, colocando-a ao nível das maiores vedetas internacionais da época".

Nesta altura Amália cantava no Clube La Vie en Rose, em Nova Iorque, onde fazia cartaz com Marlene Dietrich e Edith Piaf.

O LP editado pela Angel Records, inclui "Uma casa portuguesa", "Lisboa não sejas francesa", "Fado da Saudade", "Coimbra", e, em espanhol, "Tani", "No tires indiré", "Dolce cascabelles", "Lé ré lé (Zambre del sacro-monte)". Dos temas em português ressalta "Coimbra" que Alberto Ribeiro interpreta no filme "Capas Negras", que co-protagoniza com Amália Rodrigues. A fadista tornaria este tema internacionalmente conhecido, tendo interpretado em 1953, uma versão em inglês, "April in Portugal", no programa televisivo "Coca-Cola Time" de Eddie Fisher. Dois outros temas eram do teatro, "Lisboa não sejas francesa" da opereta "Invasão", que Amália interpretara em Lisboa, no Teatro Apolo, e "Uma casa portuguesa", uma criação de Maria da Conceição, que tinha sido um êxito numa revista em Moçambique.

“O LP reflecte de forma inequívoca a qualidade de uma artista cuja inigualável capacidade de interpretar - não só (o seu) fado, como qualquer outro tipo de repertório -, havia já exercido enorme sedução no público, e em particular junto do exigente e quase impenetrável meio artístico norte-americano”, sublinhou Nuno Rodrigues.

Nesta gravação Amália Rodrigues é acompanhada à guitarra portuguesa por Jaime Santos e à viola por Santos Moreira. A edição em CD reproduz estas mesmas faixas remasterizadas e ainda quatro faixas bónus, gravadas por Amália no ano seguinte, também para a Angel Records.

As quatro faixas bónus são "Solidão (Canção do mar)", "Antigamente", "Fallaste Corazón" e "Por un amor", que integraram o LP "Amália of Portugal", em que a intérprete foi acompanhada por Domingos Camarinha (guitarra portuguesa) e Santos Moreira (viola).

Amália Rodrigues, ao longo da sua carreira de cerca de 60 anos, actuou várias vezes nos Estados Unidos, México, e Espanha. No Estados Unidos Amália pisou os mais importantes palcos, entre eles, o Carnegie Hall, Lincoln Center e o Hollywood Bowl.

Portugal/10° aniversário da morte de Amália: A diva que universalizou o Fado

O filósofo e ensaísta Eduardo Lourenço defendeu segunda-feira que o Fado "dispensa a honraria" de ser considerado Património Imaterial da Humanidade pela UNESCO, uma vez que já foi universalizado, pela voz de Amália Rodrigues.

Eduardo Lourenço, que falava à agência Lusa à margem da inauguração da exposição "Amália, Coração Independente", dedicada a Amália Rodrigues, no Museu Colecção Berardo, no Centro Cultural de Belém, em Lisboa, considerou "lógica" a candidatura, mas também uma questão de "publicidade".

"São concorrências de publicidade, tal como antigamente havia as Sete Maravilhas do mundo. Hoje o mundo é um só, culturalmente falando, e toda a gente quer ter os seus cinco minutos de glória televisiva e mundial", disse. "Acho lógico que o país postule essa honraria, embora o Fado dispense essas coisas. A Amália já o pôs no mundo e, se está no mundo, também está na UNESCO (...). Mas não se perde nada" com a candidatura, adiantou o filósofo, ensaísta e professor universitário.

Sublinhou ainda que o Tango, que "pertence à mesma constelação" que o Fado, recebeu igual distinção. "O Tango foi talvez mais universalizado antes de nós, nos anos 1920. Mas o Fado, graças a esta senhora [Amália], também se tornou uma canção universal, algo que parecia impossível na nossa geração", sublinhou.

O embaixador de Portugal na Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO), Manuel Maria Carrilho, adiantou à Lusa que Portugal vai apresentar a candidatura do Fado a Património Imaterial da Humanidade no início de 2010, considerando que "em 2011 teremos o Fado consagrado como Património Imaterial da Humanidade".