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domingo, 14 de fevereiro de 2010

Dia de S. Valentim: Claude Lelouch filma beijos de 200 casais em Deauville

Duzentos casais juntaram-se hoje na praia de Deauville, no noroeste de França, para se beijarem perante a câmara do realizador Claude Lelouch, evocando a famosa cena do filme "Um Homem e uma Mulher", de 1966, informa a EFE.

"Foi magnífico", disse Lelouch aos jornalistas que presenciaram os beijos e abraços dos pares de actores espontâneos, num dia de S. Valentim frio e com sol.

O realizador disse que poderá utilizar as sequências gravadas hoje no filme que espera apresentar ainda este ano, "Ces amours-là".

O beijo dos actores Anouk Aimé e Jean-Louois Trintignant na praia de Deauville é talvez a cena mais mítica da filmografia de Lelouch.

"Um Homem e uma Mulher" obteve o Óscar de melhor filme estrangeiro e de melhor argumento, bem como a Palma de Ouro do Festival de Cannes, em 1966, e contribuiu para criar uma imagem de romantismo para Deauville, uma praia a 150 quilómetros de Paris.

A capital francesa aproveitou o dia dos namorados como tema do desfile de Carnaval, com 25 mil participantes e 60 mil espetadores.

À margem do desfile, cerca de 100 casais homossexuais, bissexuais e heterossexuais organizaram uma sessão pública de abraços na Place Saint Michel, uma iniciativa de um grupo de estudantes para lutar contra a discriminação dos homossexuais.

Dia dos Namorados: Miquelina e Albano têm juntos 199 anos e um casamento que não lembram quando começou

As rugas dos rostos e as mãos gretadas são as testemunhas do tempo que Albano, 101 anos, e Miquelina, 98 anos, já passaram juntos em Vilarinho, concelho de Ribeira de Pena, tanto tempo que lhe perderam a conta.

Miquelina procura na memória os tempos de namoro, há quanto tempo casou com Albano Mendes, mas os anos acumulados já não lhe permitem fazer contas. "Eu sei lá, já não me lembro. Deixei de contar", responde. A idosa apenas se recorda que a sua filha mais velha tem mais de 70 anos.

Era nova, eram primos direitos, viviam na mesma aldeia. Pareciam estar juntos os ingredientes que os haviam de juntar para o resto das suas vidas.

Albano pouco fala. É com dificuldade que consegue ouvir as perguntas e por isso é um olhar desconfiado que lança a quem o aborda. Sentado e apoiado a uma bengala, o idoso esforça-se por tentar perceber o que o rodeia.

"Tenho cento e mais um ano. É bonito chegar a esta idade? O que nos dá a morte está lá em cima. Deus é que sabe", sentencia o idoso.

O casal vive com o filho Francisco, 66 anos. Os outros quatro espalharam-se pelo mundo: desde Ribeira de Pena a Lisboa e a França. "Estes sobreviveram. Tive mais sete que morreram", conta Miquelina.

De repente lembra-se. "Eram tempos difíceis e não havia médicos como há agora. Um dia andava eu no campo quando comecei a sentir dores, encostei-me a uma árvore e tive ali um filho, sozinha", referiu.

O mesmo filho que sobreviveu e hoje toma conta do casal. Francisco emociona-se a falar dos pais e afirma que nunca lhe passaria pela cabeça colocá-los num lar. "Eles dão um pouco de trabalho, mas nós temos que fazer sacrifícios para encontrar alguma coisa no outro mundo, não é?", questiona.

Francisco diz-se um filho com sorte. A mãe ainda vai cozinhando quando o filho não está e não dorme enquanto Francisco não chega a casa. "Quando ele demora mais um pouco, já não estou em mim. Tenho medo que fique de prejuízo, que alguma coisa lhe aconteça", acrescentou também Albano Mendes.

Durante toda a sua vida o casal viveu no lugar de Vilarinho e dedicou-se à agricultura. "Eu andava com as vacas e as cabras pelo monte. O meu marido ficava a sachar a terra", refere, enquanto olha com carinho para o rosto do companheiro de sempre e afirma: "ainda tem o rosto mais bonito que o filho".

Difícil é aturar os ciúmes do marido. "Tenho sofrido muito. Ele tem muitos ciúmes e então do filho. Às vezes estamos a conversar sobre as nossas coisas e ele fica todo ralado", refere Miquelina.

"A minha mulher é bonita? Graças a Deus, era à minha vontade", responde, por sua vez, Albano.

A idosa não gosta de estar quieta. Amparada numa bengala gosta de passear pelas ruas próximas da sua casa, ir ver os coelhos, as hortas. O companheiro, esse é mais "preguiçoso". "Ele só quer estar sentado ou a dormir. Mas se vou para a rua vai atrás de mim para ver para onde vou", conta a idosa.

Esta semana, o casal foi convidado para a festa dos 100 anos do irmão mais velho de Miquelina. "Fui porque me vieram buscar. Mas já não gosto de festas. Prefiro ficar em minha casa", concluiu.

Paulo Lima (texto) e Hugo Delgado (foto)
da Agência Lusa

São Valentim - Dia dos Namorados: Cristianismo, paganismo e Idade Média na origem da tradição

O nome de São Valentim refere-se a pelo menos a três mártires da Roma Antiga, mas atualmente é quase sempre sinónimo de Dia dos Namorados, que hoje se comemora.

Conta a história que o imperador Cláudio II proibiu os casamentos para conseguir formar um maior e melhor exército. O governante concluiu que se os jovens não tivessem família se alistariam com mais facilidade.

Porém, um bispo romano, de nome Valentim, continuou a celebrar casamentos em segredo. Descoberto, o religioso foi preso e condenado à morte.

Enquanto estava preso, uma jovem cega, Asterias, filha de um dos carcereiros, foi autorizada a visitá-lo. Os dois apaixonaram-se - ou tornaram-se amigos, conforme as versões - e a jovem terá mesmo recuperado a visão.

Numa carta que enviou à jovem, o bispo assinou “de seu Valentim”.

Valentim foi decapitado a 14 de fevereiro do ano 270.

Outra versão sobre um Santo Valentim conta que o cristão violou a imposição de veneração exclusiva a deuses romanos e foi decapitado a 14 de fevereiro. Um terceiro santo com o mesmo nome ter-se-á tornado mártir em África.

Em termos populares, associa-se também este dia a crenças inglesas e francesas da Idade Média relacionadas com o acasalamento de aves na metade do segundo mês do ano. Nesta altura terão começado as trocas de cartas de amor e lembranças entre os enamorados.

Há ainda uma explicação pagã, que refere o 14 de fevereiro como o dia dedicado a Juno, Deusa do Amor, das Mulheres e do Casamento, enquanto no dia seguinte se iniciava o Festival de Lupercalia, onde se juntavam pares à sorte para dançarem, mas que às vezes acabavam por se apaixonar.