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sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Comissão Europeia pondera processar Luxemburgo por excluir fronteiriços das bolsas de estudo

Em resposta a uma questão parlamentar colocada pelo deputado ecologista luxemburguês, Claude Turmes ("Déi Gréng"), sobre a exclusão dos filhos dos fronteiriços das bolsas de estudo atribuídas pelo Luxemburgo, o Comissário para o Emprego e para os Assuntos Sociais, Làszlò Andor, não exclui levar o Grão-Ducado diante do Tribunal Europeu.

"A Comissão é da opinião que a introdução de uma condição de residência para o acesso aos apoios financeiros para os estudos superiores parece contrária às regras comunitárias aplicáveis em matéria de livre circulação dos trabalhadores, no sentido em que esta teria como resultado excluir, como beneficiários, os filhos dos trabalhadores fronteiriços", estimou hoje Làszlò Andor.

O comissário refere que Bruxelas recebeu várias queixas e está neste momento a analisar a legislação em causa, não descartando a hipótese de processar o Luxemburgo. Làszlò Andor explica que em primeiro lugar isso implicaria uma notificação da Comissão Europeia que pode também recorrer ao Tribunal Europeu, se o Luxemburgo não respeitar os prazos determinados por Bruxelas.

Os sindicatos OGB-L e LCGB, que em Agosto e Outubro deste ano, respectivamente, apresentaram queixa junto da Comissão Europeia contra o Grão-Ducado por considerar que houve violação de várias disposições do direito comunitário, congratularam hoje o parecer de Bruxelas.

Recorde-se que juntamente com o sindicato ALEBA (Associação Luxemburguesa dos Empregados da Banca e dos Seguros), conseguiram mobilizar a 16 de Setembro na place Clairefontaine, na capital, entre 2000 e 5000 mil manifestantes (números da Polícia e dos sindicatos) contra a lei 6148 que entrou em vigor no início deste mês.

No dia seguinte, o primeiro-ministro Jean-Claude Juncker garantia no final do Conselho de Governo que a lei 6148 "está conforme ao direito da União da Europeia".

Foto: Marc Wilwert

quinta-feira, 29 de julho de 2010

Luxemburgo: Grande manifestação em Setembro contra sistema de bolsas que deixa de fora filhos de fronteiriços

As centrais sindicais OGB-L e LCGB prometem uma grande mobilização para a manifestação que organizam a 16 de Setembro, às 17h, na place Clairefontaine, na cidade do Luxemburgo, para protestar contra o novo sistema de bolsas para o ensino superior que, denunciam, deixa de fora os filhos dos trabalhadores fronteiriços.

Um novo sistema de bolsas "mais generoso" foi introduzido em Julho pelo Governo para compensar o corte dos abonos familiares para os filhos com mais de 21 anos. O problema é que este novo sistema se aplica apenas a trabalhadores residentes, o que a OGB-L considera ser extremamente injusto.

"Dos 339 mil trabalhadores que o Luxemburgo tem actualmente, 148 mil são fronteiriços. Ou seja 44% da população activa. Se trabalham cá, se descontam cá, devem beneficiar dos mesmos benefícios que os outros trabalhadores do país", reivindicam as duas centrais sindicais em uníssono.

Esta discriminação põe em perigo paz social

Para a OGB-L, o facto de os filhos dos fronteiriços não poderem aceder a estas bolsas "é injusto", e vai "fomentar "sentimentos de discriminação" que podem vir a perigosamente "afectar a paz social" de que goza o Luxemburgo.

Queixa enviada para Bruxelas

A OGB-L já anunciou que vai mesmo apresentar queixa do Luxemburgo à Comissão Europeia por este violar o direito comunitário.

"É inaceitável que o Governo queira poupar dinheiro em detrimento dos fronteiriços. É intolerável penalizar trabalhadores sem os quais a economia luxemburguesa não se ageuntaria", lamenta a OGB-L que informa ainda ter enviado um carta sobre o assunto, há mais de uma semana, ao primeiro-ministro e que este ainda não se dignou a responder.