quinta-feira, 8 de outubro de 2009
Legislativas: Emigrantes atribuem abstenção a recenseamento caduco e sistema de voto inadequado
"Tem de se encontrar uma solução para facilitar a inscrição e a forma de votar", defendeu hoje o presidente da Confederação da Comunidade Portuguesa no Luxemburgo (CCPL), Coimbra de Matos.
A abstenção nas últimas eleições legislativas nos círculos da emigração atingiu 84,75 por cento, tendo votado apenas 25.472 dos 167.007 eleitores inscritos, de acordo com a Direcção-Geral da Administração Interna (DGAI).
Dos quatro deputados em causa nos dois círculos da emigração, o PSD elegeu José Cesário e Carlos Páscoa Gonçalves pelo círculo Fora da Europa (com um total de 4736 votos) e Carlos Gonçalves pelo da Europa (7219 votos). O PS elegeu Paulo Pisco pela Europa (3970 votos).
Contactado pela Agência Lusa, Coimbra de Matos apontou o "reduzido" número de inscritos nos cadernos eleitorais no Luxemburgo como uma das causas da abstenção e defendeu que "as pessoas deviam ser obrigadas a recensearem-se, tal e qual como em Portugal".
Quanto ao método de voto, o presidente da CCPL referiu as constantes queixas de pessoas que não recebem o voto por correspondência para afirmar que "na Europa justifica-se o voto presencial".
Para Coimbra de Matos, também os partidos políticos deviam investir mais nas comunidades e recrutar para as suas listas portugueses que "residam no estrangeiro e que conheçam a realidade".
Também Hermano Sanches Ruivo, conselheiro na Câmara de Paris, considera que Portugal investe pouco nas comunidades portuguesas, o que desmotiva os emigrantes na hora de votar.
"Os portugueses no estrangeiro estão demasiado longe da informação, da atenção e da disponibilidade dos deputados e dos partidos políticos, o que faz com que o interesse não seja muito", disse à Lusa.
Para o luso-descendente, "se houvesse mais trabalho dos partidos havia mais pessoas a votar".
Hermano Sanches Ruivo considera ainda que a "única solução" para promover a participação cívica dos portugueses no estrangeiro é o voto electrónico.
Com apenas cerca de 1.600 portugueses a votar na Suíça, o conselheiro Manuel Beja sublinhou que "mais uma vez se prova que a abstenção está relacionada com o desinteresse que Portugal mostra com comunidades e com processo de recenseamento".
"Portugal esquece-se que existem comunidades, o que também desmotiva a participação cívica. O processo de recenseamento está ultrapassado e precisa de ser revisto", defendeu.
Para Manuel Beja, o combate à abstenção tem de ser feito com a "solidificação do processo de recenseamento e uma maior abertura de Portugal às comunidades, com iniciativas que incentivem o eleitorado".
O conselheiro das Comunidades Portuguesas no Brasil, Ângelo Leite Horto, também considera o reduzido número de portugueses recenseados como o grande responsável pela abstenção.
"Muitos portugueses não estão recenseados porque a maioria não vai ao consulado só para se recensear", disse.
Para este conselheiro, só quando começarem a ser emitidos os cartões do cidadão no estrangeiro, que permite o recenseamento automático, é que essa situação ficará resolvida.
Outra questão apontada por Ângelo Leite Horto é que "muitas pessoas não têm informação do que está a acontecer a nível das eleições em Portugal" e outras tantas consideram que "não vale a pena votar, porque não vai resolver nada".
A elevada abstenção também não surpreendeu a comunidade lusa radicada na Venezuela, que insiste em responsabilizar os correios locais pela não entrega atempada dos boletins de voto.
"Temo-nos queixado que o funcionamento dos correios não é o ideal. Há correspondência que mesmo dentro da cidade demora mais de um mês a ser entregue e por isso as pessoas recorrem a empresas privadas", disse Manuel Ascenção à Lusa.
Este sócio do Centro Português de Caracas diz que "não ficou nada surpreendido(com a elevada abstenção)"."Surpresa é o facto dos políticos não procurarem alternativas", frisou.
Por seu turno, a secção regional do Conselho das Comunidades Portuguesas defendeu a necessidade de mudar o sistema de voto por correspondência.
"O sistema (de voto por correspondência) não funciona. Há pessoas que ainda hoje não receberam os boletins e muitas só os receberam depois da data das eleições" disse o conselheiro Luis Jorge à Lusa.
"Inclusive o PSD, que se opôs a mudanças no sistema de votação, deu-se conta de que não funciona", destacou.
O conselheiro adiantou que as pessoas estão preocupadas por não terem votado, pois se isso acontecer duas vezes são eliminadas do registo eleitoral.
"Perdeu-se o trabalho dos consulados para motivar as pessoas a recensearem-se", disse, acrescentando que, em Agosto último, dos mais de 11.000 recenseados a Comissão Nacional de Eleições apenas reconhecia 6.000 dos quais só 3.000 foram considerados habilitados a votar".
quarta-feira, 7 de outubro de 2009
Resultados provisórios: Emigrantes dão três deputados ao PSD e um ao PS
Os deputados eleitos pelo PSD foram José Cesário e Carlos Páscoa, no círculo Fora da Europa, e Carlos Gonçalves, na Europa. O PS elegeu Paulo Pisco no círculo da Europa.
Os votos dos círculos da Europa e Fora da Europa das legislativas de 27 de Setembro último foram hoje contados no Convento da Trindade, em Lisboa. Terminada a contagem nas 18 mesas constituídas, seguem-se agora as reuniões das duas assembleias de apuramento geral.
A distribuição do número de mandatos nos círculos da emigração repete os resultados das legislativas de 2005.
Há quatro anos, o PSD partilhou com o PS os deputados eleitos pela Europa (um para cada partido) e conquistou os dois em disputa pelo círculo Fora da Europa.
A abstenção registada em 2005 no círculo da Europa foi de 69,1 por cento e de 81,7 por cento Fora da Europa.
Os dados disponíveis das últimas legislativas apontam para uma abstenção superior a 90 por cento nos dois círculos eleitorais.
DM
sexta-feira, 2 de outubro de 2009
Legislativas: Eleições de domingo vão render aos partidos 18 milhões por ano
Em virtude da Lei de Financiamento dos Partidos e das Campanhas Eleitorais, que entrou em vigor em 2005, os partidos receberão, anualmente, e por cada voto conquistado, o equivalente à fracção 1/135 do salário mínimo nacional, ou seja, no ano em curso, 3,33 euros, parte do total de 450 euros de salário mínimo actual em Portugal.
De acordo com a lei, que regula o regime aplicável aos recursos financeiros dos partidos políticos e das campanhas eleitorais, o PS receberá anualmente 6,88 milhões de euros pelos votos conquistados domingo, recolhendo o PSD 5,48 milhões. Já o CDS-PP e o BE aproximam-se da fasquia dos dois milhões de euros, enquanto que a coligação PCP-PEV receberá perto de 1,5 milhões de euros.
A subvenção do erário público é concedida a todos os partidos que elejam representantes para o Parlamento ou que ultrapassem os 50 mil votos. Este ano, a novidade no que diz respeito a dinheiros estatais prende-se com o PCTP/MRPP, de Garcia Pereira, que passou pela primeira vez a barreira dos 50 mil votos e passa assim a ter também direito à subvenção estatal, que rondará os 175 mil euros anuais.
Uma segunda subvenção também presente na lei em vigor diz respeito à subvenção pública para as campanhas eleitorais, que é, nota a lei, de “valor total equivalente” a vinte mil “salários mínimos mensais nacionais” no que diz respeito a eleições para a Assembleia da República.
A repartição da subvenção para as campanhas é, todavia, diferente: 20 por cento do valor total é igualmente distribuído pelos partidos que elegeram representantes, sendo os restantes 80 por cento distribuídos na proporção dos resultados eleitorais obtidos.
Em 2009, vinte mil salários mínimos representam 9 milhões de euros, ao passo que em 2005, aquando das últimas legislativas, e com o ordenado mínimo fixado em 374,70 euros, o montante total rondou os 7,5 milhões de euros.
Em Junho, recorde-se, o Presidente da República, Cavaco Silva, havia vetado uma nova lei do financiamento partidário, aprovada em Assembleia da República a 30 de Abril, apontando “várias objecções de fundo” ao diploma, como o “aumento substancial do financiamento pecuniário não titulado” ou a possibilidade dos partidos obterem lucros nas campanhas.
O número de votos que serviu de base a este cálculo não incorpora ainda os votos dos círculos da emigração.
segunda-feira, 28 de setembro de 2009
Legislativas/Luxemburgo: Déi Lénk felicita Bloco de Esquerda
Na mensagem enviada esta segunda-feira à CDU, na Alemanha, e ao BE, em Portugal, o "Déi Lénk" considera que os resultados das legislativas nos dois países indicam uma viragem à "esquerda autêntica".
"As vitórias este domingo em Portugal e na Alemanha dos partidos de esquerda autêntica mostram que uma parte crescente das populações europeias rejeita o modelo económico e social actual e aspira a alternativas claramente à esquerda", pode ler-se na mensagem.
Recorde-se que o cabeça-de-lista pela Europa do Bloco de Esquerda, Manuel Bento, é membro do "Déi Lénk", partido pelo qual foi candidato nas últimas eleições europeias, em Junho deste ano. Os dois partidos têm há vários anos um acordo de colaboração.
Legislativas/Luxemburgo: "É praticamente impossível os pequenos partidos elegerem um deputado", diz cabeça-de-lista do BE pela Europa
"Vai haver uma abstenção ainda mais elevada que em Portugal, estamos habituados a isso. As pessoas votam tradicionalmente nos grandes partidos, e temos de ser realistas: é praticamente impossível os outros partidos elegerem um deputado pelos círculos no estrangeiro. Mas duplicar o número de votos já seria um bom resultado", disse Manuel Bento (na foto) ao CONTACTO.
O sindicalista de 52 anos, a viver no Luxemburgo desde 1979, elogia o líder do partido, Francisco Louçã, pelos resultados eleitorais obtidos ontem. O bloco conseguiu o dobro dos mandatos que obteve em 2005, quando tinha oito deputados, e foi o quarto partido mais votado, com 9,85 % dos votos.
"O resultado é muito positivo para o BE e para o líder do partido, porque duplicar o número de deputados é um óptimo resultado. As sondagens talvez indicassem mais, mas o objectivo do Bloco - chegar ao meio milhão de votos - foi atingido", disse Manuel Bento.
Foto: CONTACTO / Tessy Hansen
Legislativas: Candidata do Luxemburgo pelo PSD acredita na vitória do partido no círculo eleitoral da Europa
Ainda assim, a animadora de rádio não acredita que venha a ser eleita, uma hipótese afastada com a derrota do PSD em Portugal. Se o PSD tivesse vencido, poderia ser chamada a ocupar o lugar de Carlos Gonçalves, primeiro na lista e antigo secretário de Estado das Comunidades, caso este viesse a ser chamado para um cargo no governo.
"Poderia haver uma possibilidade caso o PSD tivesse ganho [em Portugal]. Assim, não. Mas foi o povo que escolheu e temos de respeitar os resultados", disse ao CONTACTO.
"Esta derrota não chegou para me desanimar totalmente. Claro que vou continuar. Não vou virar as costas ao PSD de forma alguma. E se me convidarem para a[s] próxima[s] [legislativas], cá estarei".
Questionada sobre que impacto a derrota do PSD pode ter nas políticas para as comunidades, Ana Maria Albuquerque diz que o partido não desiste das reivindicações feitas no programa eleitoral, incluindo o recenseamento eleitoral automático dos portugueses no estrangeiro.
"O facto de o PSD não ter ganho [em Portugal] não quer dizer que não continuemos a bater-nos pelos nossos princípios para as comunidades. E um dos nossos objectivos é lutar para que os portugueses no estrangeiro tenham maior participação política. Não vamos baixar os braços pelo facto de o PSD ter perdido as eleições", garantiu ao CONTACTO.
Foto: D. Martins
Legislativas'09: Sócrates só falará sobre possíveis coligações ou acordos partidários após indigitação presidencial
Estimando que esta legislatura merece estabilidade, Sócrates diz que, após análise dos resultados e após a indigitação presidencial, como manda a Constituição, irá proceder a uma consulta com todos os partidos com assento parlamentar.
domingo, 27 de setembro de 2009
Legislativas'09: PS segura deputados nos Açores mas perde votação
Legislativas 2009: Abstenção atinge os 39,5 %
Castelo Branco: Sócrates perde dois deputados onde foi cabeça de lista
Ou seja, depois de em 2005 o PS ter ganho por 4-1, em 2009 há um empate: dois deputados para cada partido.
Marcelo Rebelo de Sousa: "É um erro enorme, alguém vir a pedir a cabeça de Manuela Ferreira Leite depois das autárquicas"
MRS estima que a aguardada declaração da líder do PSD "não seja um discurso de alguém que pensa em demitir-se" e apela aos militantes do partido para que continuem mobilizados para as autárquicas.
MRS diz ainda depreender da intervenção de Ferreira Leite que o PSD, "como partido responsável" (expressão repetida três vezes pela líder derrotada), "não irá fechar a porta a acordos pontuais com o PS, nomeadamente na questão da aprovação do próximo Orçamento de Estado".
Legislativas 2009, previsões SIC : CDS-PP deverá ser a terceira força política mais votada do país
Quanto a deputados, o PS vai eleger entre 94 e 102, o PSD entre 74 e 78, enquanto o CDS-PP entre 18 e 21 deputados. O Bloco de Esquerda entre 18 e 20 assentos em São Bento, enquanto a CDU vai garantir 15.
Helena Pinto (BE): "Estas eleições são uma grande vitória para a esquerda"
António Vitorino: "Estas eleições são uma vitória pessoal de José Sócrates"
Miguel Portas: "Objectivos do partido foram alcançados"
Legislativas 2009 : Sondagens SIC dão vitória ao PS com uma votação entre os 36,2 e os 40,4 % dos sufrágios
Quanto a deputados, o PS vai eleger entre 99 e 103, o PSD entre 74 e 77, enquanto o Bloco de Esquerda entre os 18 e os 20 deputados. O CDS-PP poderá garantir entre 15 e 17 assentos em São Bento enquanto a CDU entre os 13 e os 15.