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domingo, 10 de junho de 2012

Paulo Lobo expõe "La face cachée des mots"

Foto: Paulo Lobo
"La face cachée des mots - regards d'artistes sur les migrations et la démocratie" é o nome da exposição fotográfica de Paulo Lobo que abre portas ao público na Gare-Usines de Dudelange, a partir de 14 de Junho.

As fotografias que compõem a mostra foram tiradas na antiga piscina municipal de Dudelange, agora abandonada, e mostram diversos artistas que, através de frases curtas, se exprimem sobre a questão das migrações e da democracia.

A exposição é organizada pelo Centro de Documentação sobre as Migrações Humanas e a autarquia de Dudelange, e está patente entre 14 deste mês e 29 de Julho e entre 1 e 30 de Setembro.

sexta-feira, 8 de junho de 2012

Luxemburgo: Mostra de azulejos no arranque das comemorações do 10 de Junho

A exposição de azulejos portugueses inaugurada ontem na capital marca o início das comemorações do Dia de Portugal no Luxemburgo, que se prolongam até à próxima quinta-feira.

Para assinalar o arranque das comemorações do Dia de Portugal, foi ontem inaugurada a exposição "De Terra e Fogo - a arte do azulejo revisitada”, de Teresa Ribeiro (na foto) e Margarida Girão, na Mediateca da Caixa Geral de Depósitos, em Merl.

"O azulejo é um elemento identitário da cultura portuguesa, e as pessoas podem aqui ver a evolução do azulejo antigo para o moderno", explica ao Point24 Teresa Ribeiro. "Tal como o fado está em constante evolução, o azulejo evoluiu também para uma forma moderna”, conclui.

A mostra reúne cerca de 36 azulejos e 13 peças de cerâmica decorativa e vai estar aberta ao público até ao dia 28 de Julho, das 10h às 13h e das 14h às 18h, nos dias úteis.

As comemorações do dia de Portugal no Luxemburgo prosseguem este fim-de-semana na capital, na place Guillaume e na place d'Armes, e também em Kockelscheuer (ver programa detalhado na agenda de bailes, na página). Na segunda-feira, às 12h, a embaixadora de Portugal no Luxemburgo coloca uma coroa de flores no busto de Camões, em Bonnevoie. A encerrar as comemorações, no dia 14, é apresentado o livro "Como um rio", de São Gonçalves, na Mediateca da CGD.

Texto e fotos: Patrícia Marques

Luxemburgo: Cristina Dias "de costas voltadas" para a fotografia

Foto: Anouk Antony
"Points de vue" é o nome da exposição colectiva de Cristina Dias de Magalhães e da luxemburguesa Martine Breuer, inaugurada ontem. A luso-descendente volta a apresentar retratos de pessoas de costas. Até 23 de Junho, as fotografias de Cristina Dias de Magalhães podem ser vistas na galeria Beim Engel (1, rue de la Loge), na capital. Auto-retratos e fotografias de rua (de Nova Iorque e de outras cidades) têm em comum as costas. "As costas fascinam-me, porque é uma parte do corpo que poucos conhecem. É uma forma de comunicar com as pessoas e é a minha identidade como artista", diz Cristina Dias, que já tinha apresentado em 2006 uma série de auto-retratos de costas. Um trabalho sensual, com rasgos de "voyeur". A artista nasceu no Luxemburgo em 1979 e é doutorada em Ciências da Arte pela Sorbonne.

Cynthia Diogo inaugura hoje exposição de fotos em Oberkorn

Nunca estudou fotografia, e hesita por isso em identificar-se como fotógrafa. Prefere o termo "artista".

A meio caminho entre a arte e a fotografia, a exposição "Trash Doll Arts", da artista Cynthia Diogo, promete não deixar ninguém indiferente. Uma colecção de retratos, a maioria de mulheres, em encenações provocatórias que as mostram a comer como se não houvesse amanhã, ou com a boca cosida, "em alusão aos três macacos sábios", explica a artista ao Point24 .

A inauguração é hoje às 19h na galeria Marcel Oppeney, em Oberkorn. A mostra pode depois ser vista naquela galeria até 17 de Junho, diariamente, das 15h às 18h. Cynthia Diogo nasceu no Luxemburgo em 1981, filha de pai português e mãe francesa. Autodidacta, trabalha em fotografia desde 2009. Esta é a sua primeira exposição.

quinta-feira, 7 de junho de 2012

Luxemburgo: Cristina Dias de Magalhães mostra fotografias

Fotografias da artista plástica portuguesa Cristina Dias de Magalhães vão estar em exposição, a partir de sexta-feira, na galeria Konschthaus Beim Engel, na capital, em conjunto com obras da pintora luxemburguesa Martine Breuer. "Points de Vue" é o nome da exposição colectiva que está patente naquela galeria, na capital (1, rue de la Loge), a partir desta sexta-feira e até ao dia 26 de Junho. A exposição pode ser vista de terça a domingo, das 10h às 12h e das 13h30 às 18h30.

domingo, 27 de maio de 2012

Fim do regime e descolonização da Guiné chegam ao Mudam

Foto: Lusa
O Museu de Arte Modera do Luxemburgo (Mudam) vai acolher uma exposição da artista portuguesa Filipa César sobre o fim do regime de Salazar e a descolonização na Guiné-Bissau.

O núcleo da exposição é composto por três documentários: Porto, Le Passeur e The Embassy , que têm como ponto de partida documentos da época e entrevistas a activistas dos tempos de então.

Um fac-símile do livro de Aimé Césaire, Discurso sobre o colonialismo, proibido antes de 1974, e cartazes sobre o tema vão complementar a exposição, que decorre entre 2 de Junho e 23 de Setembro deste ano.

Paralelamente à exposição, o Mudam organiza um workshop sobre o processo criativo e as obras de Filipa César. Mais informações no site do museu. www.mudam.lu 

quarta-feira, 23 de maio de 2012

"Contos que ganham forma" no Instituto Camões

Foto: Laurent Blum
Diana Amaral tem patente ao público, no Instituto Camões, uma exposição de ilustrações de alguns excertos dos livros infantis de Sophia de Melo Breyner e de Luísa Ducla Soares.

A jovem designer gráfica portuguesa está no Luxemburgo há três anos, depois de ter concluído uma licenciatura em Design Multimédia na Universidade da Beira Interior.

"A ilustração para mim é uma paixão. Eu comecei por fazer pintura a óleo, mas durante o curso na Universidade descobri a paixão pela ilustração. As ilustrações quando ligadas a um texto já nos dão muito e se deixarmos a imaginação ser livre, então ainda ganharemos mais desse contacto", diz Diana Amaral ao CONTACTO.

E continua: "Ilustrar é sempre difícil, mas neste caso, quando trabalhamos para crianças, ainda é mais difícil, porque não temos na nossa cabeça a cabeça das crianças. Os textos da Sophia são muito poéticos, mágicos, uma magia que eu me lembro de sentir desde que era criança e é esse lado mágico que eu tento transmitir nas minhas ilustrações".

Através da caneta digital de Diana Amaral, a Fada Oriana e a Menina do Mar, de Sophia de Mello Breyner, e a Princesa da Chuva e a Menina Verde, de Luísa Ducla Soares, ganham formas e rostos. "A minha ilustração favorita é a 'Rita que precisa de uns óculos', porque eu também preciso de óculos e sei o que é ser míope. Sem óculos não vejo um palmo à frente do nariz. Acho que a ilustração está simples. Tem uma expressão que nos leva a imaginar o que nós quisermos....", diz a autora.

A inauguração da exposição contou com a presença da nova embaixadora de Portugal no Luxemburgo, que na ocasião felicitou Diana Amaral pelo seu trabalho.

sexta-feira, 30 de março de 2012

"Banksy português" deixa marca no Luxemburgo

Alexandre Farto, conhecido como "o Banksy português", esteve no Luxemburgo para participar numa exposição colectiva em Oberkorn. E deixou marcas: a convite da autarquia de Diferdange, o artista urbano esculpiu um dos seus famosos rostos na fachada de um edifício de Differdange, em plena Grand Rue.

Conhecido pelo pseudónimo Vhils, Alexandre Farto é um artista urbano com grande projecção internacional. Em 2008, com apenas 23 anos, Vhils atraiu a atenção da crítica quando expôs em Londres, na Cans Art, a convite de Banksy, o mítico grafitter britânico. Os seus rostos esculpidos em paredes tornaram-no conhecido de Londres a Nova Iorque. E até na China, a próxima paragem de Alexandre Farto, que viajou ontem para Xangai, onde vai fazer mais um mural.

Natural do Seixal, Vihls veio ao Grão-Ducado a convite do artista luxemburguês Sumo, para uma exposição colectiva inaugurada ontem no Espaço H2O, em Oberkorn. A mostra integra ainda obras de Alëxone e Sumo e pode ser vista até 13 de Maio. O mural de Differdange, esse, é intemporal.

"O Luxemburgo dá vontade de fazer coisas novas"

Foto: Charlot Kuhn 
O professor de artes plásticas Luís Ançã (foto) inaugurou ontem a exposição "Sketching Alentejo" no Instituto Camões. O autor trouxe ao Luxemburgo 20 desenhos do Alentejo, em aguarela e tinta-da-china, e pensa agora fazer desenhos do Luxemburgo.

"Aqui no Luxemburgo vejo coisas diferentes e dá vontade de fazer coisas novas", revelou Luís Ançã, que tem na pintura e no desenho o seu guião de vida. O autor tem-se destacado em trabalhos plásticos experimentalistas e de vanguarda, mas não nega o gosto pelo real, pelo desenho despreocupado.

"São desenhos e registos rápidos que se fazem em cadernos: o chamado 'diário gráfico'. Mas para expor aqui no Luxemburgo, impôs-se o desafio de pintar em folhas de papel", diz Ançã, que não acredita em especialidades no desenho e assume a disciplina com 'd' grande. "Da formiga à paisagem, gosto de desenhar tudo. Não acredito em especialidades no desenho e quem desenha deve saber desenhar tudo".

Lisboeta de gema, o professor vive no Alentejo há 14 anos e é aí que encontra a serenidade e a tranquilidade que emprega na sua arte. "Sinto-me muito beneficiado pela serenidade do Alentejo. Procuro aquilo de que gosto e é aí que encontro a horizontalidade e a tranquilidade. O Alentejo proporciona uma certa intemporalidade, mas no sketching o nosso tempo é o 'instante' e temos de capturar aquilo que vemos".
A exposição está patente até 19 de Abril no IC.
Texto: Henrique de Burgo

domingo, 15 de janeiro de 2012

Robôs sexuados invadem o Mudam

O Museu de Arte Moderna (Mudam) apresenta na próxima terça-feira, dia 17, a conferência "Robôs sexuados, e depois?", do artista Paul Granjon, pelas 18h30. 

As obras e performances de Paul Granjon levantam questões sobre a co-evolução do humano e da máquina. A entrada é gratuita. 

Mais informações pelo tel. 4537851.

sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

Marco Godinho e Keong-A Song inauguram exposição de desenho "a quatro mãos" em Echternach

O artista plástico Marco Godinho inaugurou na passada sexta-feira uma exposição colectiva com a sul-coreana Keong-A Song. "Em torno do desenho", uma mostra a quatro mãos exposta na Galeria Dënzelt, em Echternach, é a primeira de um ciclo de exposições que o português pretende organizar com outros artistas. O objectivo é estabelecer um "diálogo com outros artistas" sobre "a prática do desenho", diz Marco Godinho.

A exposição, inaugurada na sexta-feira, vai estar aberta ao público até 8 de Janeiro na Galeria Dënzelt, na place du Marché, em Echternach

Foto: Paulo Granadas

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Mudam vai ter visitas guiadas em português, a partir de 30 de Outubro

Dia 30 de Outubro, às 15h30, há a primeira visita guiada em português no Mudam, o museu de arte moderna, na capital.

A visita guiada, que vai acontecer no último domingo de cada mês, é dirigida aos visitantes individuais e a pequenos grupos de até cinco pessoas e não obriga a marcação prévia. Os interessados devem apenas dirigir-se ao balcão da recepção no museu.

"Como vivemos num país multicultural queríamos tornar a arte acessível para as diferentes comunidades", afirma Valérie Tholl do Mudam. "Já tínhamos tido visitas guiadas em português em 2007/2008, no âmbito da exposição "Portugal Agora", que foram bem-sucedidas e quisemos reeditar a iniciativa", conclui a responsável.

A visita guiada é gratuita e não tem custos suplementares. Os visitantes pagam apenas a entrada no Mudam, que é de 5 euros para adultos, 3 euros para maiores de 60 anos e para jovens entre os 18 e 26 anos.

A duração da visita é de cerca de 50 minutos e permite ver as exposições temporárias do museu. Actualmente está patente a exposição "Mondes inventés, mondes habités", que mostra obras de 19 artistas internacionais, entre eles o português Miguel Palma.

O Mudam está aberto das 11h às 20h entre quarta e sexta e das 11h às 18h de sábado a segunda. Está fechado às terças.

I. Ferreira
Foto: Anouk Antony

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Arte: Colecção de Dennis Hopper leiloada por 3,427 milhões de dólares

A coleção particular de arte do falecido actor norte-americano Dennis Hopper foi leiloada por 3,427 milhões de dólares (2,656 milhões de euros), com dois quadros de Andy Warhol a receberem as maiores ofertas, anunciou hoje a leiloeira Christie´s.

De acordo com a leiloeira, no leilão em Nova Iorque foi atingido um recorde mundial por uma única das gravuras feitas por Warhol do líder chinês Mao Tse-Tung (na foto) – 302,5 mil dólares (234,5 mil euros), mais de dez vezes o valor estimado.

Datada de 1972, esta gravura, em tons de azul e verde, contém duas perfurações causadas por tiros disparados por Hopper.

O actor chegou a mostrar a Warhol o que tinha feito - "ao confundir o retrato na sua parede com o próprio Mao" – e ambos concordaram em considerar o trabalho como uma colaboração artística.

O pintor desenhou círculos em torno dos furos, e fez duas inscrições: "tiro de advertência”, no buraco ao lado do ombro direito de Mao, e “buraco da bala”, na perfuração sobre a sobrancelha esquerda do líder chinês.

“Os clientes não são apenas atraídos pela arte; ficam intrigados pelas histórias por detrás das obras. (…) a gravura de Mao com buracos de bala infligidas pelo próprio ícone de Hollywood, foi o principal lote”, disse após o leilão Cathy Elkies, diretora de Coleções Icónicas da Christie´s.

Com uma estimativa de licitação em torno de 20 mil dólares, a obra foi comprada por um privado norte-americano.

Conhecido pelo seu temperamento irascível, Dennis Hopper morreu no ano passado, aos 74 anos de idade.

No leilão de hoje foi vendida outra obra de Warhol, uma gravura de Marylin Monroe, comprada por um privado asiático por 206,5 mil dólares, quatro vezes o preço mínimo de licitação.

Foram ainda vendidas obras de Bruce Conner, Theodoros Stamos, Charles Arnoldi, Wallace Berman, Edward Ruscha, entre outros.

Dois museus da Califórnia adquiriram obras da coleção: o Museu de Arte Contemporânea de San Diego (“Car Show” de John Valadez) e o Hammer Museum de Los Angeles (“The Scene That Is God´s Mouth”, de Llyn Foulke).

Foto: Arquivo LW

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Brasil: Livros do escritor Paulo Coelho proibidas no Irão

As obras de Paulo Coelho foram proibidas no Irão, informou hoje o escritor brasileiro no seu blogue na internet.

Paulo Coelho foi notificado por e-mail pelo seu editor no Irão, Arash Hejazi, que a publicação de seus livros foi proibida pelo Ministério da Cultura do país islâmico.

“Meus livros foram publicados no Irão sob diferentes governos. Uma decisão arbitrária, depois de 12 anos de publicação no país, só pode ser um mal entendido", escreveu Coelho no seu blogue.

O escritor brasileiro referiu ainda que Hejazi foi "informado pelo Ministério que todos os livros foram proibidos, inclusive as versões não autorizadas publicadas por outras editoras" e que "todos os livros que têm o nome Paulo Coelho não estão mais autorizados a serem publicados no Irão".

O motivo da proibição das obras não foi divulgado.

O autor brasileiro acredita que já tenha vendido cerca de seis milhões de livros no Irão.

Paulo Coelho espera a colaboração do Governo brasileiro para resolver a situação ainda durante esta semana.

Em declarações ao jornal O Estado de São Paulo, o escritor disse esperar que “o Itamaraty (Ministério das Relações Exteriores) e a ministra da Cultura, Ana de Hollanda, não se omitam em relação a essa medida arbitrária pois, caso contrário, estarão a assinar" a decisão iraniana.

O escritor brasileiro disse ao diário paulista que jamais, em seus livros, fez alguma ofensa ao islamismo.

Paulo Coelho é um autor muito conhecido no mundo e tem pelo menos 300 milhões de livros vendidos em mais de 150 países.

sábado, 21 de agosto de 2010

Recuperado quadro de van Gogh roubado de um museu do Cairo esta manhã

O quadro “Papoilas", de Van Gogh, avaliado em cerca de 40 milhões de euros, foi recuperado pela polícia egípcia horas após ser roubado do museu Mahmoud Khalil no Cairo, revelou hoje o ministro da Cultura do Egipto.

Faruq Hosni relatou que agentes de segurança confiscaram no aeroporto o quadro a um casal italiano que se preparava para sair do país, mas não deu mais pormenores sobre o assalto ou sobre a operação policial.

É a segunda vez que este quadro, conhecido tanto pelo nome de “Papoilas” como “Jarra com flores” é roubado do museu de Khalil. Ladrões desapareceram com a pintura em 1978, mas ela viria a ser recuperada no Kuwait dois anos depois num local não revelado.

Desta vez, a pintura, foi "tirada da moldura depois da abertura do museu, esta manhã", afirmou o ministério da cultura egípcio, em comunicado hoje difundido.

O Museu Mahmoud Khalil contém um importante acervo de arte europeia dos séculos XIX e XX, incluindo obras de Gauguin, Van Gogh, Renoir, Degas, Cezanne, Monet e Rodin. Este museu já foi um palácio de um parlamentar dos anos 1930 que lhe deu o nome e que possuía uma colecção de obras de arte.

sábado, 23 de janeiro de 2010

Cabo Verde: A segunda morte do escritor e poeta Luís Romano

O escritor e poeta cabo-verdiano Luís Romano, 87 anos, morreu segunda-feira no Brasil vítima de doença prolongada, noticia hoje o jornal brasileiro Tribuna do Norte.

Contemporâneo de Mário Soares e de Manuel Alegre nos tempos de Argel, o também investigador e antigo dirigente do Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC), era natural da ilha de Santo Antão, onde nasceu a 10 de Junho de 1922, e tinha fixado residência no Brasil desde 1962.

A 8 de Julho de 2009, a imprensa brasileira, citando um amigo do escritor, noticiou a morte de Luís Romano de Madeira Melo, informação que viria a ser desmentida uma semana mais tarde pela família.

Na ocasião, Luís Romano fora internado num hospital do Natal (nordeste do Brasil) e a gravidade do seu estado levou à suposição da sua morte, notícia que circulou depois pelos jornais brasileiros e cabo-verdianos.

Na semana passada, a família e o escritor brasileiro Sanderson Negreiros, amigo de Luís Romano, confirmaram a morte do poeta cabo-verdiano, cuja doença, um cancro, já levara à amputação de uma perna.

“Luís Romano estava muito doente. Já tinha amputado uma perna decorrente de complicações de saúde. Foi o único escritor de renome internacional que o Natal já recebeu. Mas infelizmente estava esquecido por aqui”, lamentou Sanderson Negreiros.

Residente no Brasil desde 1962, Luís Romano publicou a maior parte de sua obra no país, com os seus amigos mais próximos, no Brasil e em Cabo Verde, a lembrarem o “espírito batalhador, recheado de boa ironia” e o “poeta, investigador cultural e humanista”.

Em fins da década de 50, Luís Romano aderiu aos ideais da independência, chegando a desempenhar cargos de direcção no PAIGC. Foi perseguido pela PIDE, fugiu para Argel e Paris e exilou-se, depois, no Brasil, onde o também novelista e folclorista viveu à custa de uma modesta pensão vitalícia do Estado cabo-verdiano desde que o país acedeu à independência, em 1975.

Vladimir Cruz, filho de B.Lèza, um dos mais importantes vultos da música cabo-verdiana, disse que Luís Romano, que conheceu de perto, tinha um “espírito batalhador e recheado de boa ironia”, fruto de uma paixão pela vida que o “levou a ser poeta, investigador cultural e grande humanista”.

Antes de falecer, Luís Romano deixou um último livro sobre a escrita e a personalidade de outro conterrâneo, Januário Leite, editado no Brasil, país, aliás, onde editou a maioria das suas obras.

Embora Luís Romano tivesse uma pensão vitalícia paga pelo Estado cabo-verdiano, faltava-lhe ainda o reconhecimento da sua obra e das suas qualidades intocáveis como ser humano, acrescentou Vladimir Cruz.

Jorge Martins, fotógrafo cabo-verdiano residente em Portugal, primo de Luís Romano, recorda a homenagem que foi feita ao poeta/escritor pela organização não governamental “Etnia”, no Brasil, em 2007.

Luís Romano de Madeira Melo, que deixou muitas obras por publicar, editou vários livros de contos, poesia e novelas em Português, Crioulo e Francês.

“Famintos” (1962), novela em Português, “Clima” (1963), poemas em Português, Crioulo e Francês, “Cabo Verde – Renascença de uma Civilização no Atlântico Médio” (1967), colectânea de poemas e de contos, “Negrume/Lzimparin” (1973), colectânea de contos, “Ilha - Contos da Europáfrica e da Brasilamérica” (1991), são algumas das obras que publicou.

Presidente, governo e escritores lamentam morte do poeta

O presidente, governo e autores de Cabo Verde lamentaram hoje a morte do escritor cabo-verdiano Luís Romano, com Pedro Pires a destacar “um dos homens que melhor souberam traduzir o drama de um povo em luta permanente pela sobrevivência”

Também historiador e um dos primeiros a aderia à causa independentista, em fins da década de 50, Luís Romano de Madeira Melo, natural de Ponta do Sol, na ilha de Santo Antão, onde nascera há 87 anos, faleceu na segunda-feira no Brasil, vítima de cancro, noticiou hoje o jornal brasileiro Tribuna do Norte, publicado no Natal (nordeste).

Censurado e perseguido pela PIDE, Luís Romano, contemporâneo de Mário Soares e de Manuel Alegre nos tempos de Argel, exilou-se no Brasil em 1962, onde residia desde então.

Numa mensagem de condolências enviada à família, Pedro Pires destaca o legado literário de Luís Romano, escritor que, disse, “ficará guardado na memória dos cabo-verdianos como um dos que melhor souberam traduzir o drama de um povo em luta permanente para a sua sobrevivência”.

“Seja através das suas obras literárias, como da sua acção política militante, Luís Romano participou e certamente inspirou muitos outros integrantes da gesta libertadora que conduziu à Independência Nacional e que, teimosamente, continua a alimentar a confiança dos cabo-verdianos no seu percurso histórico de paz, estabilidade e construção do desenvolvimento e da justiça social”, disse o chefe de Estado.

Por seu lado, o ministro da Cultura cabo-verdiano, Manuel Veiga, disse ter tido conhecimento da morte “com particular comoção e tristeza”, lembrando que Luís Romano era autor de inúmeras obras “de grande repercussão no percurso literário cabo-verdiano” (desde a fase Claridosa, de contestação e reivindicação).

Destacando que ficam marcadas na historiografia artística e literária do país obras como “Famintos” e “Clima e Ilha”, Manuel Veiga lembrou Luís Romano como “o artista que partiu sem nunca deixar de escrever sobre a sua terra e a sua gente, “partindo querendo ficar”.

A escritora Vera Duarte, que teve uma relação muito “amiga” com Luís Romano, lamentou também a perda e disse sentir-se “profundamente tocada com o desaparecimento físico do amigo”.

O presidente da Associação Escritores de Cabo Verde, Corsino Fortes, seu contemporâneo, lembrou o homem que, apesar da idade, tinha uma “memória jovem”.

“Cabo Verde é feliz por ter um filho como Luís Romano. Um escritor que deixou obras importantes para a história do país. Temos na nossa posse algumas obras que nos foram remetidas pelo escritor para serem publicadas”, disse.

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

Luxemburgo: Exposição de Hugo Canoilas na Galerie Nosbaum & Reding

O artista plástico português Hugo Canoilas estará presente pela segunda vez na Galerie Nosbaum & Reding (2 rue Wiltheim, no zona do Centro da capital) para a vernissage da sua exposição pessoal "To fall in height" no dia 14 deste mês às 18h30.

Hugo Canoilas, nascido em Lisboa, em 1977, vive e trabalha na capital portuguesa. Licenciou-se em Artes Plásticas pela Escola Superior das Caldas da Rainha e realizou um mestrado em Pintura no Royal College of Art em Londres.

Desde então, o artista tem-se expressado através da pintura, de instalações, da fotografia, do vídeo, entre outros. Entretanto, Canoilas levou a cabo grandes projectos artísticos, nomeadamente no Centro de Arte Contemporânea Huarte na cidade espanhola de Pamplona em 2008 e no Franfurter Kunstverein na cidade alemã de Frankfurt em 2007.

A nova mostra de Hugo Canoilas, que expõe regularmente em instituições e galerias da Europa, pode ser vista a partir de 14 Janeiro até 27 de Fevereiro.

Foto: Anouk Antony