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terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

O escritor Charles Dickens nasceu há 200 anos

O bicentenário do nascimento do escritor Charles Dickens cumpre-se hoje, sendo assinalado em Lisboa com a inauguração de duas exposições e uma palestra.

Na Biblioteca Nacional é aberta a mostra das edições portuguesas do criador de Oliver Twist, na Sala de Referência, enquanto na Hemeroteca Municipal é inaugurada a exposição “Dickens nas Coleções das Bibliotecas Municipais de Lisboa”.

Também hoje, pelas às 18:00, na Biblioteca-Museu República e Resistência – Espaço Cidade Universitária, ao bairro de Santos, em Lisboa, o cineasta Lauro António apresentará a palestra “O Universo de Charles Dickens no Cinema”.

João Botelho realizou, baseado na obra homónima de Dickens, “Hard Times, for these Times” (1854), o filme “Tempos Difíceis, este tempo” (1988), com música de António Pinho Vargas e a participação, entre outros, de Henrique Viana, Julia Britton, Eunice Muñoz, Ruy Furtado e Isabel de Castro.
Charles John Huffam Dickens que experimentou o jornalismo e, para garantir o sustento da família, trabalhou numa fábrica, nasceu em Portsmouth a 07 de fevereiro de 1812.

Dickens começou a editar em 1833 em fascículos no jornal Monthly Magazine a ficção “A Dinner at Poplar’s Walk”, que veio a editar depois em livro.

Em Portugal, segundo nota da Biblioteca Nacional, a primeira tradução de uma obra de Dickens, “Conto verdadeiro: o estalajadeiro de Andermatt”, foi publicado no jornal O Ramalhete, nº 83 de 22 de agosto de 1839.

Ainda no século XIX são apresentadas “as primeiras traduções de cinco dos seus romances: ‘Oliver Twist’ (1837-1839), ‘The Life and Adventures of Nicholas Nickleby’(1838-1839), ‘A Tale of two Cities’ (1859), ‘Great Expectations’ (1860-1861) e ‘The Posthumous Papers of the Pickwick Club’ (1836-1837)”, refere uma nota da Biblioteca Nacional que acrescenta que, em Portugal, o escritor teve maior proliferação editorial nas décadas de 1940 e 1950.

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Prémio Saramago editado este mês em Portugal

A obra vencedora do prémio Saramago 2011 é editada este mês pelo Círculo de Leitores.

"Os Malaquias", da escritora brasileira Andréa del Fuego, conta a saga de três irmãos separados que se reencontram. "É uma história real que de facto aconteceu", contou a escritora à agência Lusa. A queda de um raio fulminou os bisavôs da autora, em Minas Gerais, e os filhos foram "cada um para seu lado".

"Não se trata de uma biografia, mas antes de inventar uma memória", adverte Andréa del Fuego.

A história, que circulou na família, suscitou sempre a curiosidade de Andréa que, de registo, se chama Andréa Fátima Alves dos Santos. O apelido "del Fuego" surgiu quando inventou uma personagem para uma revista de uma rádio paulista em que era conselheira sexual.

O livro, a estreia da autora no romance, mereceu rasgados elogios da imprensa brasileira, com a Folha de S. Paulo a referenciar o "estilo apurado".

"Esta obra tece as palavras com esmero, cria imagens, adorna a escrita com metáforas, cores, aromas, rangidos e luz", escreveu o diário brasileiro.

História verídica, contada num tom de realismo fantástico, o livro valeu à autora a referência de "uma das vozes mais vigorosas da literatura contemporânea", segundo a Folha de Pernambuco.

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Sarau Mil Folhas analisa a passagem do tempo

Foto: Marc Wilwert
O Sarau Literário "Mil Folhas" vai ter a próxima sessão temática dedicada à passagem do tempo, já na próxima quinta-feira, dia 19, às 20h.

Considerado a quarta dimensão, o tempo é tido hoje como um dos recursos mais perecíveis e caros. O tempo tem sido tema de muitas controvérsias entre religiosos, filósofos e cientistas, e no "Mil Folhas" vai certamente dar que falar. Como já é hábito, espera-se a participação de escritores e apreciadores da literatura, música e dança de qualquer nacionalidade, numa sessão que vai ser transmitida em directo a partir das 20h na internet (em www.mda.lu/streaming.html) .

O encontro é na Maison des Associations, 46, rue de Mühlenbach, na capital, a partir das 20h.

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

"Fábrica de Escrita" precisa de escritores

A "Fábrica de Escrita" organizada pelo Comité de Ligação das Associações de Estrangeiros (CLAE) regressa este ano com uma novidade. Tal como em anos anteriores, os textos dos participantes vão ser apresentados no Salão do Livro do Festival das Migrações, marcado para dias 16, 17 e 18 de Março.

Este ano a organização quer também versões áudio dos textos, que vão ser difundidos durante o Festival e também pela Rádio Latina e a Rádio Ara.

As gravações podem ser enviadas em qualquer formato, mas devem ter a duração máxima de 10 minutos.

Gravados ou escritos, os textos podem ser em qualquer língua, desde que respeitem a filosofia do Festival.
O prazo para participar termina a 20 de Fevereiro.

Mais informações em www.clae.lu, na internet.

sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

Colaborador do POINT24 lança "Palavras Cruzadas com Literatura"

"Palavras Cruzadas com Literatura" é o livro do autor das palavras cruzadas da edição portuguesa do POINT24 , Paulo Freixinho.

Paulo Freixinho, lisboeta de 43 anos, é colaborador do Point24 desde Outubro de 2011 e faz este passatempo há cerca de 20 anos. O seu livro acaba por ser uma resposta às muitas críticas sobre as palavras cruzadas "sem interesse".

"Muitas pessoas dizem que as palavras cruzadas não interessam e eu quis contrariar essa opinião". O resultado pedagógico é a junção de "dois mundos afastados".

"Pensei ser interessante juntar estes dois mundos afastados, porque há pessoas que não fazem palavras cruzadas, mas adoram a literatura e há aquelas que adoram as palavras cruzadas, mas lêem pouco", refere Freixinho. O livro apresenta 72 problemas em torno de 12 autores portugueses. Seis passatempos para cada autor/capítulo, onde as palavras são bibliográficas e biográficas. Os autores são Almeida Garret, Agustina Bessa-Luís, Luís de Camões, Fernando Pessoa, Florbela Espanca, Dinis Machado, Eça de Queirós, José Luís Peixoto, Vergílio Ferreira, José Rentes de Carvalho, José Saramago e Miguel Torga. Em 2008, Freixinho começou a "devorar" livros e agora diz: "Gostava muito que algumas pessoas lessem alguns destes autores".

Editado recentemente pela Quetzal (grupo Bertrand), a obra vai ser apresentada amanhã na livraria Bertrand - Fórum Barreiro.

Aficionado pelas redes sociais, onde leva vantagem, reconhece já um feedback "positivo". "No espaço de uma semana, as redes sociais têm dado um bom feedback e isto acaba por ser uma partilha." Freixinho não se limita aos jornais e com o aparecimento do concorrente Sudoku, teve de criar o seu próprio blog ( www.palavrascruzadas-paulofreixinho.blogspot. com ) e "fazer pela vida", ou como prefere dizer: "xurdir".

Henrique de Burgo

 

terça-feira, 25 de outubro de 2011

Vencedor do Prémio José Saramago é conhecido hoje

O vencedor do Prémio Saramago é hoje conhecido, numa cerimónia às 18h30, na sede do Grupo BertrandCírculo, em Lisboa. A sessão conta com a presença do secretário de Estado da Cultura.

Esta é a sétima edição do galardão no valor de 25 mil euros, que distingue jovens autores com obra editada em língua portuguesa, no último biénio.

De dois em dois anos, o Prémio José Saramago distingue jovens escritores por uma obra de ficção, romance ou novela, publicada em qualquer país lusófono.

O júri é composto por elementos “de reconhecido mérito no âmbito cultural”: a editora Guilhermina Gomes, que preside, a escritora Nélida Piñon, a poetisa Ana Paula Tavares, a presidente da Fundação José Saramago, Pilar del Rio, e o escritor Vasco Graça Moura.

Por escolha da presidente, integram também o júri Manuel Frias Martins, Maria de Santa Cruz e Nazaré Gomes dos Santos.

Paulo José Miranda, Adriana Lisboa, José Luís Peixoto, Gonçalo M. Tavares, Valter Hugo Mãe e João Tordo foram os nomes premiados com este galardão nas edições anteriores.

quarta-feira, 4 de maio de 2011

Literatura: Valter Hugo Mãe, Inês Pedrosa e José Eduardo Agualusa em festival de Porto Rico

Os escritores portugueses Valter Hugo Mãe e Inês Pedrosa e o angolano José Eduardo Agualusa são alguns dos participantes na 2.ª edição do Festival de la Palabra, que hoje começa em San Juan, em Porto Rico.

O certame, que tem como tema central “Sonhos e Delírios da Identidade”, decorre até 8 de Maio em Porto Rico e terá, depois, uma extensão em Nova Iorque, entre 10 e 12 de Maio, contando com a participação de 60 escritores, procedentes da América Latina, Europa e Estados Unidos.

Entre os autores estrangeiros convidados, estão Abilio Estevez e Karla Suárez (Cuba), Ana Maria Matute, José Manuel Fajardo, Imma Turbau e Antonio Muñoz Molina (Espanha), Edwin Torres e David Hunger (EUA), Andrea Meruene e Carlos Franz (Chile), Olivier Rolin e Patrick Deville (França), Santiago Gamboa (Colômbia), Alberto Ruy Sánchez e Jorge Volpi (México), Carmen Posadas (Uruguai), João Paulo Cuenca e Rubem Fonseca (Brasil).

Em San Juan, o programa do festival prevê a realização de encontros com os escritores (mesas, debates e conferências), um festival da palavra infantil (a criança como leitora) e o Gran Café (que incluirá uma feira do livro, poesia, música, teatro e cinema).

O prolongamento do festival a Nova Iorque – uma novidade, nesta segunda edição do certame - pretende “dar a conhecer não só a literatura porto-riquenha, mas também a forte expressão da literatura e da cultura porto-riquenhas e hispânicas no contexto da emigração nos Estados Unidos, criando um permanente pólo de diálogo e debate entre as culturas europeia, latino-americana e anglo-saxónica”, indica a organização em comunicado enviado à Lusa.

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Brasil: Livros do escritor Paulo Coelho proibidas no Irão

As obras de Paulo Coelho foram proibidas no Irão, informou hoje o escritor brasileiro no seu blogue na internet.

Paulo Coelho foi notificado por e-mail pelo seu editor no Irão, Arash Hejazi, que a publicação de seus livros foi proibida pelo Ministério da Cultura do país islâmico.

“Meus livros foram publicados no Irão sob diferentes governos. Uma decisão arbitrária, depois de 12 anos de publicação no país, só pode ser um mal entendido", escreveu Coelho no seu blogue.

O escritor brasileiro referiu ainda que Hejazi foi "informado pelo Ministério que todos os livros foram proibidos, inclusive as versões não autorizadas publicadas por outras editoras" e que "todos os livros que têm o nome Paulo Coelho não estão mais autorizados a serem publicados no Irão".

O motivo da proibição das obras não foi divulgado.

O autor brasileiro acredita que já tenha vendido cerca de seis milhões de livros no Irão.

Paulo Coelho espera a colaboração do Governo brasileiro para resolver a situação ainda durante esta semana.

Em declarações ao jornal O Estado de São Paulo, o escritor disse esperar que “o Itamaraty (Ministério das Relações Exteriores) e a ministra da Cultura, Ana de Hollanda, não se omitam em relação a essa medida arbitrária pois, caso contrário, estarão a assinar" a decisão iraniana.

O escritor brasileiro disse ao diário paulista que jamais, em seus livros, fez alguma ofensa ao islamismo.

Paulo Coelho é um autor muito conhecido no mundo e tem pelo menos 300 milhões de livros vendidos em mais de 150 países.

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Nobel/Literatura: Prémio atribuído a Mario Vargas Llosa

O escritor peruano Mário Vargas Llosa, de 74 anos, foi hoje distinguido com o Prémio Nobel da Literatura por uma escrita que faz a "cartografia das estruturas do poder", justificou hoje a Academia Sueca.

O organismo elogiou ainda um autor cuja obra revela "imagens mordazes da resistência, revolta e dos fracassos do indivíduo".

Vargas Llosa é autor de obras como "A tia Júlia e o escrevedor", "Conversa na catedral", "A guerra do fim do mundo", "Elogio da madrasta" e o livro de memórias "Como peixe na água".

É a 11.ª vez que o Nobel da Literatura é atribuído a um autor em língua espanhola, com Vargas Llosa a juntar-se a uma galeria de laureados como Camilo Jose Cela (1989), Gabriel Garcia Marquez (1982), Pablo Neruda (1971) e Gabriela Mistral (1945).

O prémio literário tem um valor monetário de cerca de um milhão de euros.

Em 2009, o prémio foi atribuído à escritora alemã de origem romena Herta Müller.

Foto: Lusa


quinta-feira, 3 de junho de 2010

Morreu hoje em Lisboa o escritor João Aguiar

O escritor João Aguiar, de 66 anos, morreu hoje, em Lisboa, vítima de cancro, disse à Lusa fonte próxima da família.

João Casimiro Namorado de Aguiar, nascido a 28 de Outubro de 1943, em Lisboa, escreveu mais de duas dezenas de romances e criou duas séries de televisão destinadas ao público mais jovem – “Sebastião e os Mundos Secretos” e o “Bando dos Quatro”, no qual ele próprio figura na personagem do Tio João.

O último romance que publicou – “O Priorado do Cifrão” – era uma “charge” ao mundo criado por Dan Brown.

A doença que veio a provocar-lhe a morte impediu-o de concluir o livro que preparava sobre a revolução de 1383.

sexta-feira, 23 de abril de 2010

Dia Mundial do Livro: Seis mil livros distribuídos hoje na Gare do Luxemburgo

Comemora-se hoje o Dia Mundial do Livro instituído pela Unesco em 1995.

No Luxemburgo, a associação "Freed am Liesen" ("Prazer na leitura") vai distribuir gratuitamente esta tarde, a partir das 16h, a 12a edição do livro "E Buch am Zuch - En train de lire" ("Ler no comboio") na estação ferroviária do bairro da Gare.

O livro, editado em 6.500 exemplares, é uma colectânea de textos de autores luxemburgueses ou residentes no Luxemburgo, vivos ou falecidos.

Todos os anos é escolhido um tema transversal a todos os textos. Em 2010, os organizadores optaram por "O dinheiro na Literatura no Luxemburgo".

"Não podíamos ter escolhido melhor tema, visto que estamos sempre a falar de dinheiro. Se o livro pudesse servir de base de trabalho para as negociações da tripartida...", ironiza Alex Kremer, director-geral dos Caminhos de Ferro luxemburgueses e parceiro da iniciativa.

O Dia Mundial do Livro assinala igualmente a morte de grandes vultos da literatura mundial, Shakespeare, Cervantes e Inca Garcilaso de la Vega, que morreram a 23 de Abril de 1616.

NC
Foto: Gerry Huberty

quinta-feira, 22 de abril de 2010

Luxemburgo: Rosa Alice Branco participa na Primavera dos Poetas, este fim-de-semana

A poetisa portuguesa Rosa Alice Branco participa este fim-de-semana na Primavera dos Poetas no Luxemburgo. Depois de já ter passado pelo Grão-Ducado em 2005 (tertúlia literária na Kulturfabrik, Esch/Alzette), em 2007 (Primavera dos Poetas e Salão do Livro do Festival das Migrações) e 2008 (Instituto Camões), a autora regressa agora como uma das onze autoras convidadas este ano pelo evento.

Nascida em Aveiro em 1950, Rosa Alice Branco é filha do conhecido escritor e pintor Vasco Branco. Licenciada em Filosofia Contemporânea, é professora na Escola Superior de Artes e Design do Porto, desde 1989. Já publicou mais de uma dezena de livros desde os anos 80. Um dos últimos, "O mundo não acaba no frio dos teus ossos" (2009) mereceu mesmo ser traduzido para francês pela editora luxemburguesa Editions Phi, "Le monde ne finit pas dans le froid de tes os". A poetista recebeu em 2009 o Prémio de Poesia Espiral Maior, em Espanha, pela obra "O gado do Senhor". Rosa Alice Branco faz parte da mesma geração de poetas portugueses que Nuno Júdice, Fernando Pinto do Amaral e Daniel Faria, entre outros.

A Primavera dos Poetas, dedicado este ano às mulheres e em particular às poetisas, abre oficialmente na sexta-feira, às 19h, na Kulturfabrik, em Esch/Alzette, com uma leitura da conhecida escritora Taslima Nasreen, do Bangladesh. No sábado, às 19h, haverá uma Grande Noite de Poesia, na Abadia de Neumünster, no Grund, com todas as autoras convidadas. No domingo, o evento encerra com uma Manhã Poética, pelas 11h, na Galeria Simoncini (6, rue Notre-Dame), na capital. O Luxemburgo está representado pela poetisa Anise Koltz.

A entrada é livre em todas as sessões desta "Primavera". No site www.prinpolux.lu , pode ser consultado o programa completo do evento .

JLC
Foto: GV

quarta-feira, 31 de março de 2010

Literatura: Rodrigues dos Santos consegue primeiro top no estrangeiro ao conquistar 1º lugar na Bulgária

O escritor José Rodrigues dos Santos atingiu pela primeira vez o top de vendas num país estrangeiro ao colocar o romance "A fórmula de Deus" na liderança da tabela da principal rede livreira da Bulgária, informou hoje a editora.

O romance - editado pela Gradiva em 2006, ano em que foi o livro mais vendido em Portugal - intitula-se "Borjiata Formula" em búlgaro e lidera a tabela de vendas da rede de livrarias Helikon - www.helikon.bg.

Tomás Noronha, a personagem de quatro dos romances de José Rodrigues dos Santos, vive em "A fórmula de Deus", a sua segunda aventura.

Esta obra "aborda, com base numa profunda investigação do autor, a prova científica da existência de Deus", segundo nota da editora.

O livro está já traduzido em sete línguas, devendo ser editado ainda este ano nos Estados Unidos, Rússia e Hungria, adianta a Gradiva.

Rodrigues dos Santos, 45 anos, jornalista, é autor de quatro obras de ensaio e sete de ficção, a mais recente, "A fúria divina", editada o ano passado.

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

Póvoa de Varzim: Maior encontro de escritores de Portugal começa hoje

A Póvoa de Varzim, recebe, a partir de hoje, a 11ª edição do Correntes d’ Escritas, um encontro de literatura de expressão ibérica que reúne 66 escritores à volta de nove mesas de debate, seis sessões para escolas e 23 lançamentos de livros.

A iniciativa começou às 11h (+1 hora no Luxemburgo), com a revelação dos vencedores dos galardões Correntes d’ Escritas: Inês Pedrosa, Pedro Almeida Vieira, Mário de Carvalho, Maria Velho da Costa, valter hugo mãe, A. M. Pires Cabral, Juan José Millás, Ana Teresa Pereira, Adriana Lisboa e Gonzalo Celorio são os finalistas do Prémio Literário Casino da Póvoa, no valor de 20 mil euros.

O encontro promove, ainda, prémios para jovens dos 15 aos 18 anos, e para escolas e alunos do quarto ano do Ensino Básico.

Esta tarde, pelas 15h30, a conferência de abertura, com o tema “Leitura, Escrita e Educação”, está a cargo da ministra da Educação, Isabel Alçada.

Germano Almeida, Zuenir Ventura, Gonzalo Celorio, Isaac Rosa, Imma Monsó, Luandino Vieira, Malangatana, Milton Fornaro, Manuel Rui, Francisco Moita Flores e Inês Pedrosa são alguns dos autores que participam no encontro.

Entre as apresentações de livros, uma delas foge ao padrão habitual: para o lançamento nacional da primeira tradução mundial de O Terceiro Reich, de Roberto Bolaño, a Quetzal Editores preparou música para dançar pela noite fora, selecionada por um DJ livreiro a partir do livro do chileno (quinta feira, a partir das 24h, no bar da praia).

sábado, 23 de janeiro de 2010

Cabo Verde: A segunda morte do escritor e poeta Luís Romano

O escritor e poeta cabo-verdiano Luís Romano, 87 anos, morreu segunda-feira no Brasil vítima de doença prolongada, noticia hoje o jornal brasileiro Tribuna do Norte.

Contemporâneo de Mário Soares e de Manuel Alegre nos tempos de Argel, o também investigador e antigo dirigente do Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC), era natural da ilha de Santo Antão, onde nasceu a 10 de Junho de 1922, e tinha fixado residência no Brasil desde 1962.

A 8 de Julho de 2009, a imprensa brasileira, citando um amigo do escritor, noticiou a morte de Luís Romano de Madeira Melo, informação que viria a ser desmentida uma semana mais tarde pela família.

Na ocasião, Luís Romano fora internado num hospital do Natal (nordeste do Brasil) e a gravidade do seu estado levou à suposição da sua morte, notícia que circulou depois pelos jornais brasileiros e cabo-verdianos.

Na semana passada, a família e o escritor brasileiro Sanderson Negreiros, amigo de Luís Romano, confirmaram a morte do poeta cabo-verdiano, cuja doença, um cancro, já levara à amputação de uma perna.

“Luís Romano estava muito doente. Já tinha amputado uma perna decorrente de complicações de saúde. Foi o único escritor de renome internacional que o Natal já recebeu. Mas infelizmente estava esquecido por aqui”, lamentou Sanderson Negreiros.

Residente no Brasil desde 1962, Luís Romano publicou a maior parte de sua obra no país, com os seus amigos mais próximos, no Brasil e em Cabo Verde, a lembrarem o “espírito batalhador, recheado de boa ironia” e o “poeta, investigador cultural e humanista”.

Em fins da década de 50, Luís Romano aderiu aos ideais da independência, chegando a desempenhar cargos de direcção no PAIGC. Foi perseguido pela PIDE, fugiu para Argel e Paris e exilou-se, depois, no Brasil, onde o também novelista e folclorista viveu à custa de uma modesta pensão vitalícia do Estado cabo-verdiano desde que o país acedeu à independência, em 1975.

Vladimir Cruz, filho de B.Lèza, um dos mais importantes vultos da música cabo-verdiana, disse que Luís Romano, que conheceu de perto, tinha um “espírito batalhador e recheado de boa ironia”, fruto de uma paixão pela vida que o “levou a ser poeta, investigador cultural e grande humanista”.

Antes de falecer, Luís Romano deixou um último livro sobre a escrita e a personalidade de outro conterrâneo, Januário Leite, editado no Brasil, país, aliás, onde editou a maioria das suas obras.

Embora Luís Romano tivesse uma pensão vitalícia paga pelo Estado cabo-verdiano, faltava-lhe ainda o reconhecimento da sua obra e das suas qualidades intocáveis como ser humano, acrescentou Vladimir Cruz.

Jorge Martins, fotógrafo cabo-verdiano residente em Portugal, primo de Luís Romano, recorda a homenagem que foi feita ao poeta/escritor pela organização não governamental “Etnia”, no Brasil, em 2007.

Luís Romano de Madeira Melo, que deixou muitas obras por publicar, editou vários livros de contos, poesia e novelas em Português, Crioulo e Francês.

“Famintos” (1962), novela em Português, “Clima” (1963), poemas em Português, Crioulo e Francês, “Cabo Verde – Renascença de uma Civilização no Atlântico Médio” (1967), colectânea de poemas e de contos, “Negrume/Lzimparin” (1973), colectânea de contos, “Ilha - Contos da Europáfrica e da Brasilamérica” (1991), são algumas das obras que publicou.

Presidente, governo e escritores lamentam morte do poeta

O presidente, governo e autores de Cabo Verde lamentaram hoje a morte do escritor cabo-verdiano Luís Romano, com Pedro Pires a destacar “um dos homens que melhor souberam traduzir o drama de um povo em luta permanente pela sobrevivência”

Também historiador e um dos primeiros a aderia à causa independentista, em fins da década de 50, Luís Romano de Madeira Melo, natural de Ponta do Sol, na ilha de Santo Antão, onde nascera há 87 anos, faleceu na segunda-feira no Brasil, vítima de cancro, noticiou hoje o jornal brasileiro Tribuna do Norte, publicado no Natal (nordeste).

Censurado e perseguido pela PIDE, Luís Romano, contemporâneo de Mário Soares e de Manuel Alegre nos tempos de Argel, exilou-se no Brasil em 1962, onde residia desde então.

Numa mensagem de condolências enviada à família, Pedro Pires destaca o legado literário de Luís Romano, escritor que, disse, “ficará guardado na memória dos cabo-verdianos como um dos que melhor souberam traduzir o drama de um povo em luta permanente para a sua sobrevivência”.

“Seja através das suas obras literárias, como da sua acção política militante, Luís Romano participou e certamente inspirou muitos outros integrantes da gesta libertadora que conduziu à Independência Nacional e que, teimosamente, continua a alimentar a confiança dos cabo-verdianos no seu percurso histórico de paz, estabilidade e construção do desenvolvimento e da justiça social”, disse o chefe de Estado.

Por seu lado, o ministro da Cultura cabo-verdiano, Manuel Veiga, disse ter tido conhecimento da morte “com particular comoção e tristeza”, lembrando que Luís Romano era autor de inúmeras obras “de grande repercussão no percurso literário cabo-verdiano” (desde a fase Claridosa, de contestação e reivindicação).

Destacando que ficam marcadas na historiografia artística e literária do país obras como “Famintos” e “Clima e Ilha”, Manuel Veiga lembrou Luís Romano como “o artista que partiu sem nunca deixar de escrever sobre a sua terra e a sua gente, “partindo querendo ficar”.

A escritora Vera Duarte, que teve uma relação muito “amiga” com Luís Romano, lamentou também a perda e disse sentir-se “profundamente tocada com o desaparecimento físico do amigo”.

O presidente da Associação Escritores de Cabo Verde, Corsino Fortes, seu contemporâneo, lembrou o homem que, apesar da idade, tinha uma “memória jovem”.

“Cabo Verde é feliz por ter um filho como Luís Romano. Um escritor que deixou obras importantes para a história do país. Temos na nossa posse algumas obras que nos foram remetidas pelo escritor para serem publicadas”, disse.

domingo, 13 de dezembro de 2009

Portugal: Espólio integral de Fernando Pessoa online em 2010

A Biblioteca Nacional Digital (BND), departamento da Biblioteca Nacional de Portugal (BNP) que disponibiliza 10.500 títulos em formato electrónico, vai colocar online no próximo ano o espólio integral de Fernando Pessoa.

A digitalização do espólio do poeta "ficará concluída no presente ano", assegurou Helena Patrício, directora de Serviços de Sistemas de Informação da BNP, que inclui o Serviço de Gestão de Conteúdos Digitais.

Ainda de acordo com a responsável, das obras de autores portugueses disponibilizadas na BND nos últimos dois anos, destacam-se, pelo seu carácter único, "os 29 cadernos manuscritos e o dactiloscrito da 'Mensagem' de Fernando Pessoa e os documentos dos espólios de José Saramago, Antero de Quental e Camilo Pessanha". Camilo Castelo Branco, António Feliciano de Castilho, Almeida Garrett, Alexandre Herculano ou Eça de Queirós são outros dos autores representados na BND, cujas obras foram digitalizadas a partir do fundo documental da Biblioteca Nacional de Portugal.

Helena Patrício assinalou ainda que estão prontas para colocação online 472.000 imagens de jornais portugueses do século XIX e de livros antigos impressos em Portugal no século XVI.

A funcionar desde 2002, a BND registou, entre Janeiro e Agosto deste ano, mais de cinco milhões de consultas, com destaque para o espaço dedicado a Eça de Queirós (http://purl.pt/93), que recebeu cerca de 7.500 visitas mensais, o portal Fernando Pessoa (http://purl.pt/1000), com 3.600 visitas por mês, e "Os Lusíadas" (http://purl.pt/1), com 1.500 visitas em cada 30 dias.

A directora de Serviços de Sistemas de Informação explicou à agência Lusa que - com vista "à valorização e divulgação do património documental português" - a digitalização tem privilegiado os documentos em função da "antiguidade, raridade, carácter único e interesse histórico-cultural", sendo ainda tidas em conta as tipologias menos disponibilizadas noutras fontes ou colecções, "como a iconografia e a cartografia".

Dos documentos digitalizados, 55 por cento estão em língua portuguesa, sendo os principais assuntos focados a Arte (com 35 por cento) e a História/Geografia (com 33 por cento), seguindo-se as Ciências Sociais (11 por cento), as Ciências Aplicadas (sete por cento), as obras de temática religiosa ou teológica (cinco por cento) e a Literatura/Linguística (quatro por cento).

Além da BND, os cibernautas podem encontrar documentos electrónicos na Biblioteca Digital Camões, do Instituto Camões, que disponibiliza mais de 1.200 títulos, na Biblioteca Digital de Botânica da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra ou na Hemeroteca Digital da Câmara Municipal de Lisboa.

A Biblioteca Digital do Alentejo - que tem entre os seus parceiros as bibliotecas municipais de Almodôvar, Évora, Ferreira do Alentejo, Mértola, Monforte, Montemor-o-Novo, Portel, Reguengos de Monsaraz, Sines e Vendas Novas -, e o espaço Memória de África Digital, promovido pela Fundação Portugal-África, o Instituto Superior de Economia e Gestão da Universidade de Lisboa e a Universidade de Aveiro, são outros dos espaços consultáveis.

As versões portuguesas das publicações da União Europeia também já estão em formato electrónico, podendo ser acedidas em http://bookshop.europa.eu/eubookshop/index.action?request_locale=PT.

Uma lista completa das bibliotecas digitais em Portugal pode ser consultada no site da Rede de Conhecimento das Bibliotecas Públicas.

sábado, 28 de novembro de 2009

Efeméride: Enid Blyton, criadora de "Os Cinco" e de Noddy, morreu há 41 anos

Os livros de aventuras que Enid Blyton escreveu cativaram gerações, desde finais dos anos 30, sobreviveram às críticas de primarismo, racismo, sexismo, "produziram" imitadores - e ainda hoje, mudados os tempos e os hábitos, "vendem bem".

Até aos anos 80, terão sido vendidos em todo o mundo mais de 600 milhões de exemplares dos mais de 700 livros da autora inglesa.

Da sorte editorial de Blyton em Portugal não são conhecidos números, mas não restam dúvidas de que, a partir dos anos 60, quando apareceram no mercado português, os seus livros - as séries de Os cinco e Os Sete à cabeça - tiveram grande procura, porventura comparável à que tiveram, mais recentemente, os da saga de Harry Potter, da também inglesa J. K. Rowling.

Nascida em 11 de Agosto de 1897 em Londres, Blyton esteve para seguir a carreira da música. A literatura infanto-juvenil "falou mais alto" e reclamou-a.

Mas não nasceram logo, na sua primeira manifestação como escritora, os cinco miúdos que viriam a formar um dos mais apelativos grupos de aventureiros da literatura dirigida aos mais novos. Foi um poema - "Have you?" - o primeiro texto que a autora publicou, numa revista, a Nash's Magazine.

De poesia, aliás, seria também o seu primeiro livro: "Child whispers", de 1924.

Os Cinco teriam de esperar mais 14 anos para (em 1938) entrarem em acção, em "The secret island" (A ilha secreta, na versão portuguesa), o primeiro título da mais famosa de todas as séries para os mais novos criadas pela escritora (Os Sete, As Gémeas, Aventura, Mistérios, Noddy...).

Noddy nasceu faz este ano 60 anos. "Little Noddy goes to Toyland" (Nodi no país dos brinquedos, na versão portuguesa) se chama o livro que lhe assinalou o nascimento.

Noddy é um rapazinho de madeira - como o Pinóquio, de Carlo Collodi. Não tem, ao contrário de Pinóquio, problemas com o nariz se mentir, mas sim uma marcada propensão para se meter em problemas...

A figura vingou, os livros venderam, e Noddy, famoso, chegou ao teatro, ao cinema e à televisão. Não escapou à crítica, porém, e chegaram a descrevê-lo como "o mais egocêntrico, tristonho, choramingas e beato anti-herói na história da ficção britânica".

Críticas a quem o dera à luz também não faltaram. E não apenas por "culpa" de Noddy, mas de todos os heróis e heroínas por ela criados.

Os reparos, então e hoje, apontam mais frequentemente ao limitado léxico de Blyton, ao esquematismo das histórias, ao simplismo da caracterização psicológica das personagens, a par de "deslizes" sexistas e racistas.

Do lado positivo da balança, é regra reconhecerem-se, entre outros, estes méritos: deu a conhecer o seu meio e o seu tempo e estimulou nas crianças o gosto pela leitura.

Rezam as crónicas que Blyton tinha uma capacidade de produção impressionante: chegava a escrever 10.000 palavras por dia e, por exemplo, em 1940, deu à estampa onze livros.

Valeu-lhe esta "superprodução" terem circulado rumores de que nem tudo o que saía em livro com o seu nome lhe saía directamente da pena. Não foi o primeiro nem o último escritor a enfrentar esta suspeita.

Deixou de escrever nos primeiros anos da década de 60. Morreu em 28 de Novembro de 1968. Todos os anos há Clubes de Fãs a lembrar a data.

Raul M. Marques,
da Agência Lusa

domingo, 1 de novembro de 2009

Portugal: Saramago está a escrever novo livro sobre ausência de greves em fábricas de armas

O escritor José Saramago revelou sexta-feira que já está a escrever um novo romance, que tem como ponto de partida a seguinte pergunta: “Porque é que nunca houve uma greve numa fábrica de armas?”.

O Prémio Nobel da Literatura 1998 falava na sessão de apresentação do seu mais recente romance, “Caim” na Culturgest, em Lisboa.

“Todos aqueles que me conhecem bem sabem que sempre me tenho interrogado: porque é que nunca houve uma greve numa fábrica de armas? Nunca… Serão aqueles operários menos conscientes?”, inquiriu.

Procurou durante algum tempo, sem êxito, um episódio que pensava ter lido em “L’Espoir”, de Malraux, ou em “Por Quem os Sinos Dobram”, de Hemingway, passado na Guerra Civil de Espanha, sobre “um morteiro que não rebentou e que tinha um papel dentro, escrito, em português, que dizia: ‘Esta bomba não rebentará’”.

É esse o impulso inicial da história do seu próximo livro: “que uma classe operária tão capaz de lutas não tenha conseguido entrar nos portões de uma fábrica de armas”.

“Faz-se o que se pode contra a droga, faz-se o que se pode contra a gripe A… e o que é que se faz contra o comércio de armas? Nada”, observou.

Saramago admitiu que gostaria de ter escrito “um livro a que pudesse chamar ‘O Livro do Desassossego’ mas já está, o Fernando Pessoa antecipou-se”.

Mas – prosseguiu – “o meu desassossego não é exactamente o dele: como eu não vivo desassossegado, quero desassossegar”.

Depois, citou um verso de Camões, que diz “Estavas linda, Inês, posta em sossego” e interrogou-se: “O que é isso de ‘posta em sossego’? Quer dizer, cortaram-lhe o pescoço, ficou ‘posta em sossego’!” - a plateia deu gargalhadas e aplaudiu de pé, novamente.

sábado, 24 de outubro de 2009

Portugal: Novo livro de José Rodrigues dos Santos aborda faceta deconhecida do Islão

A revelação da "faceta desconhecida do Islão" é a aposta do jornalista José Rodrigues dos Santos, autor de "Fúria Divina", livro hoje lançado e que propõe uma "viagem a um dos grandes temas do nosso tempo", o radicalismo islâmico.

"Fúria Divina" é a sétima obra do jornalista da RTP, que durante meses percorreu as palavras dos principais textos religiosos do Islão e até contou com a ajuda de um antigo operacional da rede Al-Qaeda.

"A minha principal motivação é usar uma narrativa ficcional de amor e espionagem para transportar o leitor numa viagem a um dos grandes temas do nosso tempo - o radicalismo islâmico", afirmou à Lusa José Rodrigues dos Santos.

"A maior preocupação era falar sobre alguns aspectos perturbadores do Islão sem ofender os crentes desta importante religião. Daí o meu cuidado, ao longo do romance, em apresentar o Islão com recurso às próprias palavras do Alcorão e do profeta Maomé", reforçou.

Para o escritor, em Portugal, e no Ocidente em geral, existe uma "enorme ignorância em relação ao Islão".

"Achamos que é uma religião com um pacifismo parecido com o cristão e que os radicais islâmicos não passam de um bando de loucos. Mas os exames psicológicos que lhes foram feitos pela CIA e pela Mossad mostram que se tratam de pessoas perfeitamente normais. Se assim é, por que razão fazem eles estes actos?", disse.

A resposta, segundo o autor, está imortalizada nos versículos do Alcorão.

"Diz, por exemplo, um versículo do Alcorão: 'Matai-os até que a perseguição não exista e esteja no seu lugar a religião de Deus.'. Na verdade, 60 por cento do Alcorão são ordens para a guerra. Isto é algo que nunca ninguém nos tinha contado", referiu o escritor, reconhecendo que a sua percepção do mundo islâmico também mudou.

"Descobri que o Islão também é o que nos dizem, mas existe uma outra faceta que nunca nos é mostrada a nós, ocidentais. E é essa faceta desconhecida que Fúria Divina traz a público", afirmou.

A aventura tem um protagonista já conhecido dos leitores portugueses, Tomás Noronha, um professor da Universidade Nova de Lisboa, perito em criptanálise e línguas antigas.

O thriller de quase 600 páginas "parte de duas premissas centrais: e se a Al-Qaeda tem a bomba atómica? E se o Islão dos fundamentalistas é o verdadeiro Islão?", revelou o autor.

A par dos textos religiosos, o trabalho de campo, de acordo com o jornalista, envolveu também documentos dos principais autores fundamentalistas, obras técnicas sobre engenharia nuclear e a recolha de testemunhos de muçulmanos, moderados e radicais.

Açores, Veneza, Nova Iorque, Egipto, Paquistão e Arménia foram destinos visitados por José Rodrigues dos Santos e os escolhidos para os cenários do "Fúria Divina".

Mas, foi a ajuda de Abdullah Yusuf, um ex-operacional da Al-Qaeda, que suscitou mais curiosidade.

"Consegui o contacto dele através de um clérigo que sabia de uma pessoa que o conhecia. Tão simples como isso. E contactei-o pela Internet, uma vez que este ex-operacional nasceu e vive em África", explicou.

Abdullah Yusuf chegou estes dias a Portugal, para a apresentação pública do livro, ocasião que serviu para o escritor conhecer pessoalmente o ex-operacional.

Sobre os meios muçulmanos portugueses e as possíveis reacções ao romance, o jornalista contou que depois de escrever, e antes publicar, mostrou o livro a vários muçulmanos portugueses.

"Confirmaram-me que tudo o que está escrito em Fúria Divina é verdadeiro, embora admitam que muitas pessoas, incluindo outros muçulmanos, desconheçam certos pormenores mais perturbadores se lidos à letra", frisou.

Questionado sobre o medo das reacções, o autor garantiu não ter, porque "um escritor que tenha medo não é escritor".

terça-feira, 20 de outubro de 2009

Portugal/Literatura: Saramago escolheu Caim, a Bíblia prefere Abel

O director da Faculdade de Teologia da Universidade Católica de Lisboa comentou segunda-feira que “seria espantoso” que José Saramago encontrasse algo divino na Bíblia e sublinhou que o escritor escolheu o fratricida Caim e não Abel, a vítima.

“Seria espantoso que um escritor como José Saramago, ateu professo, encontrasse algo de divino na Bíblia ou no Corão. Mas esperar-se-ia que reconhecesse, abertamente, o valor de obras que estão entre os grandes textos do património literário da humanidade”, comentou à Lusa o padre Peter Stilwell.

O teólogo e responsável pelo Departamento das Relações Ecuménicas no Patriarcado de Lisboa reagia às declarações de José Saramago sobre a Bíblia a propósito do lançamento de “Caim”, último livro do Nobel português da Literatura.

Saramago afirmara em entrevista à Lusa que "a Bíblia é um manual de maus costumes, um catálogo de crueldade e do pior da natureza humana", acrescentando que não existe nada de divino na Bíblia nem no Corão.

“Se a ideologia não o permite [reconhecer o valor literário daquelas obras], pelo menos na prática, acaba por reconhecê-lo, ao elegê-los como alvo privilegiado do seu combate”, acrescentou.

O padre Peter Stilwell considerou ainda “curioso” que Saramago tenha confessado, “com a maior candura, o fascínio que nele exerceu a narrativa bíblica do fratricida Caim”, isto depois de ter disparado “uma salva defensiva contra tudo quanto seja religião”.

“Porque prefere a Bíblia a vítima, Abel?”, interrogou.


Escrever "Caim" foi "um exercício de liberdade", diz Saramago

José Saramago afirmou já por diversas vezes que escrever "Caim" foi para si "um exercício de liberdade".

"Não é que este livro seja mal comportado, mas é, sem dúvida uma insurreição, um apelo a que todos se animem a procurar ver o que está do outro lado das coisas", disse.

O Prémio Nobel da Literatura de 1998, com 86 anos, regressa neste seu último livro à questão religiosa, contando, em tom irónico e jocoso, a história de Caim.

Segundo o Velho Testamento, Caim terá sido o filho primogénito de Adão e Eva, que matou Abel, seu irmão mais novo, num acesso de ciúmes, após verificar que Deus mostrara preferência por este.

"Nada disto existiu, está claro, são mitos inventados pelos homens, tal como Deus é uma criação dos homens. Eu limito-me a levantar as pedras e a mostrar esta realidade escondida atrás delas", afirma o escritor.

Saramago invectiva Bíblia e Corão


"A Bíblia passou mil anos, dezenas de gerações, a ser escrita, mas sempre sob a dominante de um Deus cruel, invejoso e insuportável. É uma loucura!", afirma Saramago, para quem não existe nada de divino na Bíblia, nem no Corão.

"O Corão, que foi escrito só em 30 anos, é a mesma coisa. Imaginar que o Corão e a Bíblia são de inspiração divina? Francamente! Como? Que canal de comunicação tinham Maomé ou os redactores da Bíblia com Deus, que lhes dizia ao ouvido o que deviam escrever? É absurdo. Nós somos manipulados e enganados desde que nascemos!" afirmou.

Saramago sublinhou que "as guerras de religião estão na História, sabemos a tragédia que foram".

Considerou que as Cruzadas são um crime do Cristianismo, morreram milhares e milhares de pessoas, culpados e inocentes, ao abrigo da palavra de ordem "Deus o quer", tal como acontece hoje com a Jihad (Guerra Santa).

Saramago lamenta que todo esse "horror" tenha feito em nome de "um Deus que não existe, nunca ninguém o viu".

"O teólogo Hans Kung disse sobre isto uma frase que considero definitiva, que as religiões nunca serviram para aproximar os seres humanos uns dos outros. Só isto basta para acabar com isso de Deus", afirmou.

Salientou ainda que "no Catolicismo os pecados são castigados com o Inferno eterno. Isto é completamente idiota!".

"Nós, os humanos somos muito mais misericordiosos. Quando alguém comete um delito vai cinco, dez ou 15 anos para a prisão e depois é reintegrado na sociedade, se quer", disse.

"Mas há coisas muito mais idiotas, por exemplo: antes, na criação do Universo, Deus não fez nada. Depois, decidiu criar o Universo, não se sabe porquê, nem para quê. Fê-lo em seis dias, apenas seis dias. Descansou ao sétimo. Até hoje! Nunca mais fez nada! Isto tem algum sentido?", perguntou.

Para José Saramago, "Deus só existe na nossa cabeça, é o único lugar em que nós podemos confrontar-nos com a ideia de Deus. É isso que tenho feito, na parte que me toca".