sexta-feira, 7 de outubro de 2011
Nobel da Paz atribuído a duas liberianas e uma iemenita
O Comité Nobel Norueguês distinguiu as três mulheres «pela luta pacífica em defesa da segurança das mulheres e dos direitos das mulheres na participação total no trabalho de construção da paz».
Tawakkul Karman, que a agência noticiosa francesa AFP inicialmente identificou como liberiana, é de nacionalidade iemenita.
Johnson Sirleaf, de 72 anos, economista formada em Harvard, é a primeira mulher presidente de África eleita democraticamente em 2005.
Vista como reformista e pacifista quando assumiu o poder, Sirleaf apresenta-se novamente às eleições presidenciais, que decorrem este mês. Recentemente, opositores acusaram Sirleaf de comprar botos e usar fundos governamentais na campanha eleitoral. O seu campo negou as acusações.
Até 2003, a Libéria foi palco de uma guerra civil. Atualmente, o país luta pela manutenção da paz com a ajuda de missões das Nações Unidas.
A ativista liberiana Leymah Gbowee organizou um grupo de mulheres cristãs e muçulmanas para desafiar os senhores da guerra na Libéria.
Tawakul Karman, de 32 anos, tem três filhos e liderou a organização Mulheres Jornalistas sem Correntes, um grupo de defesa dos direitos humanos. Tem desempenhado um papel fundamental na organização dos protestos no Iémen contra o governo do Presidente Ali Abdullah Saleh, que se iniciaram no final de janeiro.
O pai de Karman foi ministro dos assuntos legais no governo de Saleh. Karman é jornalista e membro do partido islâmico Islah.
«Não podemos alcançar a democracia e paz duradoura no mundo sem que as mulheres consigam as mesmas oportunidades que os homens para influenciar os acontecimentos em todos os níveis da sociedade», acrescentou o comité norueguês.
sexta-feira, 10 de dezembro de 2010
Nobel/Paz: Menos ausências na cerimónia em honra de Liu Xiaobo - Comité
Além da China, os ausentes deverão ser a Rússia, Afeganistão, Argélia, Arábia Saudita, Cuba, Egito, Iraque, Irão, Cazaquistão, Marrocos, Paquistão, Sudão, Tunísia, Venezuela, Vietname e Autoridade Palestiniana, informou o Comité.
“A Colômbia, a Sérvia, as Filipinas e a Ucrânia que estavam na lista dos “não”afinal vão estar representadas”, declarou o director do Comité, Geir Lundestad.
As dúvidas persistem em relação à participação das Filipinas, devido a informações contraditórias provenientes de Manila.
Entretanto, o Sri Lanka, um aliado próximo da China, ainda não respondeu, indicou ainda Lundestad.
A Argentina, cuja presença era considerada improvável, vai estar representada, precisou Lundestad.
Em contrapartida, a Autoridade Palestiniana declinou o convite, adiantou Ludestad, que não obteve quaisquer explicações dos palestinianos.
Todos os 27 embaixadores da União Europeia em Olso, incluindo o representante de Portugal na Noruega, João Lima e Pimentel, vão assistir à cerimónia, disse à Agência Lusa fonte da embaixada em Oslo.
A cerimónia de entrega do Nobel da Paz 2010 realiza-se hoje sem o galardoado, o dissidente chinês Liu Xiaobo, atualmente detido, e no meio de uma ofensiva diplomática de Pequim, que pressionou muitos países para não comparecerem em Oslo.
Desde que em outubro foi anunciada a atribuição do Nobel ao dissidente chinês, Pequim tem pedido a vários países para não comparecerem na cerimónia e ameaça que as manifestações de "apoio" a Liu Xiaobo terão consequências.
Antigo professor universitário e crítico literário, Liu Xiaobo, de 54 anos, está preso desde Dezembro de 2008. Foi condenado a 11 anos de prisão por “atividades subversivas”, depois de ter sido um dos autores de um manifesto que reclamava a democratização da China.
O Comité Nobel justificou a sua escolha para o Prémio da Paz deste ano pela “sua longa e não violenta luta pelos direitos fundamentais na China".
O dissidente chinês Xu Wenli, exilado nos Estados Unidos, indicou que o galardoado pediu a um actor norte-americano que leia em Oslo um comunicado intitulado "Não tenho inimigos".
"Ninguém vai receber o Prémio Nobel em nome de Liu e o diploma e o dinheiro vão ficar com o Comité Nobel Norueguês", disse Xu.
Em Estocolmo, com menos polémica, os laureados com os prémios Nobel da Física, da Química, da Literatura e da Economia recebem também hoje as suas distinções.
O galardoado com o Nobel da Medicina, Robert Edwards, de 85 anos, não pode deslocar-se à Suécia e estará representado na cerimónia pela mulher.
terça-feira, 12 de outubro de 2010
Nobel da Paz: Prémio para dissidente não influenciará sistema político da China - MNE
"Se certas pessoas tentam assim modificar o sistema chinês, cometem um erro grosseiro", declarou Ma Zhaoxu, sobre o prémio atribuído, na sexta feira, pelo comité Nobel.
"Os políticos tentam utilizar isso para atacar a China", acrescentou Ma, durante uma conferência de imprensa.
domingo, 10 de outubro de 2010
Nobel/Paz: Liu Xiaobo dedicou Prémio às vítimas do massacre de Tianamen
Liu Xia, mulher de Liu Xiaobo, escreveu uma mensagem no “twitter”, em que diz que o marido soube da atribuição do prémio no sábado por guardas da prisão.
“Irmãos, estou de volta”, escreveu Liu Xia, cuja saída da sua casa em Pequim na sexta-feira acompanhada das autoridades suscitou preocupação nos meios dissidentes. “Vi Xiaobo. A prisão deu-lhe a notícia sobre o prémio na noite de dia 09”.
A mensagem foi confirmada por um amigo próximo dos dois, o dissidente Wang Jinbo, que escreveu numa outra mensagem que Liu Xia lhe disse não poder encontrar-se com os amigos ou com jornalistas por estar sujeita a rigorosas medidas de segurança. Wang recusou falar à imprensa.
Ao anunciar o prémio, na sexta—feira, o Comité Nobel destacou as mais de duas décadas de luta pacífica de Liu pelos direitos humanos e por mudanças políticas, desde as manifestações pró-democracia de 1989 na praça de Tiananmen a um manifesto por reformas políticas de que foi subscritor em 2008 e que está na origem da pena que cumpre atualmente.
No massacre de Tiananmen, o exército avançou sobre milhares de manifestantes que ocupavam a praça há sete semanas fazendo centenas, possivelmente milhares, de mortos.
Segundo Wang, Liu Xiaobo disse à mulher durante a visita que o prémio “vai em primeiro lugar” para aqueles que morreram a 04 de junho de 1989 na repressão militar dos protestos em Tiananmen. “Xiaobo estava em lágrimas”, escreveu.
Liu, de 54 anos, está a cumprir o segundo de 11 anos de uma pena de prisão e até à confirmação pela mulher havia dúvidas sobre se sabia que tinha sido distinguido com o Nobel da Paz.
O prémio foi silenciado nos ‘media’ chineses, controlados pelo regime, e os prisioneiros só estão autorizados a receber visitas da família uma vez por mês, sendo que na visita que lhe fez em setembro, a mulher foi proibida pelas autoridades de lhe falar da nomeação para o Nobel da Paz.
Pouco depois do anúncio do prémio, Liu xia disse estar a negociar com as autoridades uma visita ao marido para lhe dar a notícia. Nessa noite, membros da família indicaram que a polícia a escoltou até Jinzhou, a cidade a cerca de 500 quilómetros de Pequim onde o marido está detido.
sexta-feira, 8 de outubro de 2010
Prémio Nobel da Paz atribuído a dissidente chinês Liu Xiaobo
Antigo professor universitário e crítico literário, Liu Xiaobo, de 54 anos, foi condenado em Dezembro passado por um tribunal de Pequim a 11 anos de prisão, acusado de tentar “subverter o governo”. Liu Xiaobo havia já sido detido em Dezembro de 2008, depois de ter promovido um abaixo-assinado a favor da introdução de reformas políticas na China, nomeadamente o fim do regime de partido único, a independência do poder judicial e a liberdade de associação. Foi a sua terceira detenção desde a sangrenta repressão do movimento pró-democracia da Praça Tiananmen, em Junho de 1989.
Foto: Arquivo LW
quinta-feira, 7 de outubro de 2010
Nobel/Literatura: Prémio atribuído a Mario Vargas Llosa
O escritor peruano Mário Vargas Llosa, de 74 anos, foi hoje distinguido com o Prémio Nobel da Literatura por uma escrita que faz a "cartografia das estruturas do poder", justificou hoje a Academia Sueca.O organismo elogiou ainda um autor cuja obra revela "imagens mordazes da resistência, revolta e dos fracassos do indivíduo".
Vargas Llosa é autor de obras como "A tia Júlia e o escrevedor", "Conversa na catedral", "A guerra do fim do mundo", "Elogio da madrasta" e o livro de memórias "Como peixe na água".
É a 11.ª vez que o Nobel da Literatura é atribuído a um autor em língua espanhola, com Vargas Llosa a juntar-se a uma galeria de laureados como Camilo Jose Cela (1989), Gabriel Garcia Marquez (1982), Pablo Neruda (1971) e Gabriela Mistral (1945).
O prémio literário tem um valor monetário de cerca de um milhão de euros.
Em 2009, o prémio foi atribuído à escritora alemã de origem romena Herta Müller.
Foto: Lusa
quarta-feira, 9 de dezembro de 2009
Egas Moniz: Psiquiatras realçam papel precursor do único Nobel da Medicina português
Egas Moniz, o único português laureado com um Nobel da Medicina há 60 anos, foi precursor das modernas técnicas da imagiologia cerebral e da psicocirurgia, ao conceber a angiologia cerebral e a leucotomia pré-frontal, consideram psiquiatras ouvidos pela Lusa.Nas vésperas da atribuição dos Prémios Nobel deste ano, é sobretudo por estas contribuições que os psiquiatras Luísa Figueira e João Marques Teixeira recordam o galardoado português, apesar das críticas que ensombraram a controversa intervenção cirúrgica ao cérebro conhecida como lobotomia, quando começou a ser praticada em massa pelo neuropsiquiatra Walter Freeman.
A angiografia cerebral - realizada pela primeira vez com êxito em seres humanos vivos em 1927 por Egas Moniz e que lhe valeu o Prémio Oslo em 1945 - consiste na injecção intravascular de uma substância opaca aos raios X com o objectivo de diagnosticar tumores intracranianos e detectar e curar lesões vasculares do cérebro.
"Foi uma contribuição decisiva" e "um método de diagnóstico importantíssimo na neurologia", disse à Lusa Luísa Figueira, chefe do Serviço de Psiquiatria do Hospital de Santa Maria.
Opinião coincidente tem João Marques Teixeira, presidente do Colégio de Psiquiatria da Ordem dos Médicos, segundo o qual "os achados e inovações da angiografia inauguraram a imagiologia cerebral e ultrapassaram rapidamente as fronteiras do país, contribuindo para uma melhor compreensão das ligações entre o cérebro e o comportamento".
Para Luísa Figueira, essa contribuição foi "mais importante do ponto de vista científico do que a lobotomia", apesar do Prémio Nobel lhe ter sido atribuído, em 1949, por esta técnica, praticada pela primeira vez em 1935 e muito criticada posteriormente pelos seus efeitos secundários graves.
Nesta intervenção - destinada a tratar a esquizofrenia e a ansiedade e a agitação associadas a doenças obsessivo-compulsivas - eram efectuados cortes nos feixes de fibras nervosas que ligam o lobo frontal a outras regiões do cérebro através de orifícios feitos no crânio.
Com o tempo, e por isso foi contestada, verificou-se que, apesar de diminuir os sintomas das doenças, a lobotomia provocava alterações no comportamento, tornando os pacientes mais apáticos e mais abúlicos.
Hoje em dia continuam a utilizar-se técnicas psicocirúrgicas, mas só se aplicam em casos muito seleccionados de doenças obsessivas graves e resistentes ao tratamento e recorrendo a técnicas sofisticadas, ao contrário do que acontecia na época de Egas Moniz.
"Cingem-se a uma região muito limitada, não atingem outras funções e não provocam alterações no comportamento", precisou Luísa Figueira.
No entendimento de João Marques Teixeira, a lobotomia deve ser avaliada à luz dos conhecimentos científicos da época e tendo em conta que uma das preocupações de Egas Moniz era o tratamento de algumas doenças mentais numa altura em que não tinham sido ainda descobertos os psicofármacos.
Nessa época, explica o docente da Universidade do Porto e director do Instituto Neurobios, "as doenças mentais eram vistas como sendo o resultado de alterações em determinadas regiões do cérebro e os médicos teriam de actuar sobre ele como sobre qualquer outro órgão".
Quanto às críticas feitas a esta técnica, recorda João Teixeira Marques, o próprio Egas Moniz tinha consciência delas, quer das de natureza científica, quer das de natureza religiosa ou filosófica, tendo, com 80 anos, proferido uma lição de defesa dos seus pontos de vista intitulada "A leucotomia em causa".
domingo, 1 de novembro de 2009
Portugal: Saramago está a escrever novo livro sobre ausência de greves em fábricas de armas
O escritor José Saramago revelou sexta-feira que já está a escrever um novo romance, que tem como ponto de partida a seguinte pergunta: “Porque é que nunca houve uma greve numa fábrica de armas?”.O Prémio Nobel da Literatura 1998 falava na sessão de apresentação do seu mais recente romance, “Caim” na Culturgest, em Lisboa.
“Todos aqueles que me conhecem bem sabem que sempre me tenho interrogado: porque é que nunca houve uma greve numa fábrica de armas? Nunca… Serão aqueles operários menos conscientes?”, inquiriu.
Procurou durante algum tempo, sem êxito, um episódio que pensava ter lido em “L’Espoir”, de Malraux, ou em “Por Quem os Sinos Dobram”, de Hemingway, passado na Guerra Civil de Espanha, sobre “um morteiro que não rebentou e que tinha um papel dentro, escrito, em português, que dizia: ‘Esta bomba não rebentará’”.
É esse o impulso inicial da história do seu próximo livro: “que uma classe operária tão capaz de lutas não tenha conseguido entrar nos portões de uma fábrica de armas”.
“Faz-se o que se pode contra a droga, faz-se o que se pode contra a gripe A… e o que é que se faz contra o comércio de armas? Nada”, observou.
Saramago admitiu que gostaria de ter escrito “um livro a que pudesse chamar ‘O Livro do Desassossego’ mas já está, o Fernando Pessoa antecipou-se”.
Mas – prosseguiu – “o meu desassossego não é exactamente o dele: como eu não vivo desassossegado, quero desassossegar”.
Depois, citou um verso de Camões, que diz “Estavas linda, Inês, posta em sossego” e interrogou-se: “O que é isso de ‘posta em sossego’? Quer dizer, cortaram-lhe o pescoço, ficou ‘posta em sossego’!” - a plateia deu gargalhadas e aplaudiu de pé, novamente.
quarta-feira, 28 de outubro de 2009
Brasil: Resposta à crise foi "formidável", mas futuro é apenas "esperança", diz Nobel da Economia 2009
"Quando as pessoas falam dos BRIC (Brasil, Rússia, Índia, China), talvez devessem falar dos IC, porque a Índia e China tiveram essa descolagem [de crescimento económico] mas o Brasil ainda não, e a Rússia é um animal totalmente diferente", apontou o economista norte-americano perante uma plateia de empresários na capital argentina, Buenos Aires.
"Todos conhecem a anedota de que o Brasil é o país do futuro e sempre o será. Ainda não vemos no Brasil o tipo de crescimento que vemos na Ásia. Eu acho que isto continua a ser uma esperança e não uma perspectiva certa", adiantou.
Para o economista, o Brasil não foi tão afectado pela crise mundial porque "não está tão exposto ao comércio mundial e também porque criou uma estrutura financeira muito mais sólida."
"Foi afectado mas não muito, os bancos aguentaram-se muito bem e, de facto, o mundo quer levar dinheiro para o Brasil e isto gera problemas para a competitividade das suas exportações", defendeu.
O Nobel norte-americano fez um paralelo com a década de 1930, que foi melhor para a América Latina do que para os Estados Unidos ou a Alemanha, sem que tal se tenha traduzido em boas perspectivas para as décadas seguintes.
O Brasil tem um "dinamismo empreendedor" e "indústrias de exportação bem-sucedidas", o que "leva muitos a pensar que tem excelentes perspectivas de crescimento, mas, por outro lado, muita gente diz isso do Brasil há décadas", referiu ainda.
sexta-feira, 9 de outubro de 2009
Nobel da Paz: Prémio atribuído ao presidente Barack Obama
Barack Obama tornou-se a 04 de Novembro de 2008 o primeiro Presidente negro dos Estados Unidos da América, concretizando em parte a mensagem de mudança que defendeu perante o país.
Considerado um conciliador carismático, Obama, de 47 anos, anunciou oficialmente a 10 de Fevereiro de 2007 a sua candidatura à nomeação democrata para as eleições presidenciais norte-americanas e conseguiu ultrapassar uma concorrente como Hillary Clinton, algo difícil de imaginar antes do início da campanha.
Tendo sido eleito como senador pelo Estado de Illinois em Novembro de 2004, Obama reconheceu na apresentação da candidatura não ter passado "muito tempo a conhecer os meandros políticos de Washington".
"Mas passei o tempo suficiente para saber que a forma de fazer política em Washington deve mudar", declarou na altura.
Os seus adversários pensam de forma diferente e a inexperiência governativa aparece com destaque na lista de críticas que lhe são feitas.
Devido à sua história pessoal, Obama é visto por muitos como unificador.
Nasceu em Honolulu (Havai) a 04 de Agosto de 1961, quando o seu pai, um economista queniano, e a mãe, antropóloga norte-americana do Kansas, estudavam na universidade do Havai.
Os pais separaram-se quando Obama tinha dois anos e, com o casamento seguinte da mãe, foi viver para Jacarta (Indonésia) durante quatro anos, voltando ao Havai aos 10.
Formou-se em Relações Internacionais na Universidade de Columbia em 1983 e em Direito em 1991 em Harvard, onde foi o primeiro afro-americano presidente da prestigiada Harvard Law Review.
Antes de chegar ao Senado dos Estados Unidos, Obama esteve sete anos no Senado do Illinois, depois de ter trabalhado como organizador da comunidade e advogado de direitos civis.
É num escritório de advogados que encontra a sua futura mulher, Michelle, mãe das duas filhas, Malia e Sasha.
Em 1992, organizou uma das maiores inscrições de votantes na história de Chicago para ajudar Bill Clinton nas eleições desse ano, mas foi na convenção do partido democrata no Verão de 2004 que roubou o protagonismo ao candidato à presidência, John Kerry, com um discurso simples.
"Não há uma América negra, uma América branca e uma América hispânica: há os Estados Unidos da América", disse Obama.
Se for eleito, Obama quer ser o presidente daquela reconciliação e reivindica a herança de Martin Luther King, o apóstolo dos direitos cívicos, e do presidente John Kennedy (1961/1963), a quem é comparado em termos de juventude e sedução.
Além de inexperiente e ingénuo, já foi acusado de elitista, de esquerdismo por estar desde o início contra a guerra no Iraque, defender o direito ao aborto ou opor-se à nomeação de conservadores para o Supremo Tribunal.
Mais recentemente foi acusado pelos rivais republicanos de ser amigo de terroristas por conhecer Bill Ayers, militante de esquerda e fundador de um movimento violento nos anos 1960.
Obama conheceu Ayers em 1995 e cruzaram-se até 2002 em reuniões de duas fundações a que ambos estiveram ligados. O agora professor universitário, de 63 anos, vive no mesmo bairro do candidato presidencial em Chicago.
A 29 de Agosto, na convenção onde foi nomeado candidato democrata por aclamação, Obama prometeu acabar em 10 anos com a dependência dos Estados Unidos face ao petróleo do Médio Oriente e baixar impostos a 95 por cento das "famílias trabalhadoras".
"É esta a mudança de que precisamos", declarou no encerramento da convenção em Denver.
Muitos norte-americanos, segundo as sondagens, parecem acreditar em Obama ou precisam de acreditar, sobretudo depois dos efeitos violentos da crise financeira, cuja responsabilidade é atribuída em parte à administração republicana.
Naquele mesmo discurso, o candidato democrata prometeu também acabar com a "guerra irresponsável no Iraque (…) terminar a luta contra a Al-Qaida (…) apostar numa diplomacia directa capaz de impedir que o Irão tenha poder nuclear".
Terça-feira poder-se-á confirmar se os elementos essenciais da mensagem de Barack Obama "esperança, mudança e futuro" encontraram eco no eleitorado dos Estados Unidos.
quinta-feira, 8 de outubro de 2009
Nobel/Literatura: Academia premeia Herta Müller por dar voz aos desfavorecidos
Herta Müller, nascida a 17 de Agosto de 1953 na cidade romena Nitzkydorf, na região de Banat, e a viver actualmente em Berlim, tem publicados em português, pelo menos, as obras "A terra das ameixas verdes" e "O homem é um grande faisão sobre a terra".
O Prémio Nobel da Literatura será entregue a Herta Müller a 10 de Dezembro em Estocolmo.
Proibida de publicar na Roménia por ter criticado publicamente o regime de Ceausescu, a escritora emigrou em 1987 para a Alemanha com o marido, o poeta Richard Wagner, também nascido naquela região romena.
Em 2009, Herta Müller publicou o romance Atemschaukel, na editora Hanser de Munique. Trata-se do 19.º livro publicado, entre romances, contos e ensaios.
O pai prestou serviço nas Waffen SS, a tropa de elite chefiada por Himmler na II Guerra Mundial.
Muitos romeno-alemães foram deportados para a então União Soviética em 1945, incluindo a mãe de Herta que passou cinco anos num campo de trabalho na actual Ucrânia. De 1973 a 1976, estudou literatura alemã e romena na Universidade de Timisoara, na Roménia, fez parte do Aktionsgrupp Banat, um círculo de jovens germanófonos de oposição ao regime de Ceausescu que defendiam a liberdade de expressão.
Depois de terminar os estudos, trabalhou como tradutora numa fábrica de máquinas de 1977 a 1979. Foi despedida por se ter recusado a ser informadora da polícia secreta, o que lhe valeu ser perseguida pela Securitate.
Müller começou a publicar com a colecção de contos Niederungen (1982), censurada na Roménia. Dois anos depois, publicou uma versão não censurada na Alemanha e, no mesmo ano, Drückender Tango, na Roménia. Nestes dois trabalhos, Müller descreve a vida numa pequena aldeia germanófona, marcada pela corrupção, a intolerância e a repressão.
A imprensa romena criticou negativamente estes trabalhos que foram muito bem recebidos pela crítica alemã. Por ter criticado publicamente a ditadura romena, foi proibida de publicar no seu país, Herta abandonou o país com o marido, o poeta Richard Wagner, também ele romeno-alemão.
Desde que, em 1984, foi distinguida com o Prémio Aspekte, Herta Müller tem acumulado galardões sobretudo na Alemanha. Em 1995, recebeu o prémio europeu de literatura Aristeion e foi eleita para a Academia Alemã para Língua e Poesia. Em 1998, recebeu o prémio irlandês IMPAC, no ano seguinte o Prémio Franz Kafka. Em 2003, o prémio Joseph Breitbach de literatura alemã, em 2004 o prémio de literatura da Fundação Konrad Adenauer e, em 2006, o Prémio Würth de literatura europeia.
terça-feira, 6 de outubro de 2009
Nobel: Prémio da Medicina atribuído a descobertas sobre protecção dos cromossomas
A atribuição premeia "a descoberta de como os cromossomas são protegidos por telomeros e pela enzima telomerase", revelou o secretário do Comité Nobel para Medicina, Professor Hans Jörnvall, na sede do Academia Real Sueca das Ciências, em Estocolmo.
Elizabeth H. Blackburn nasceu na Austrália em 1948 e actualmente é investigadora na University of California San Francisco, nos Estados Unidos. A norte-americana Carol W. Greider, nascida em 1961, exerce na Escola de Medicina John Hopkins, em Baltimore (EUA), e Jack W. Szostak, nascido em Londres em 1952, no Howard Hughes Medical Institute, da Escola de Medicina de Harvard (Maryland, EUA).
A escolha do prémio Nobel da Fisiologia ou Medicina é da responsabilidade da Assembleia Nobel, composta por 50 professores de diversas áreas médicas, reunida no Instituto Karolinska de Estocolmo.
Este é o primeiro dos Nobel de 2009 a ser atribuído: nos próximas dias serão proclamados os vencedores nas categorias de Física, Química, Literatura, Economia e promoção da Paz.
terça-feira, 8 de setembro de 2009
Internacional/Economia: Prémio Nobel Joseph Stiglitz teme cenário de crise em forma de 'W'
"É difícil saber se vai haver ou quando vai haver um 'W'", afirmou o economista norte-americano, destacando os vários riscos da economia global, sobretudo o esgotamento dos planos de apoio à economia que foram accionados um pouco por todo o mundo.
"Há um certo número de riscos económicos significativos à nossa frente. Um risco para o sector financeiro, para o imobiliário comercial, para o crédito imobiliário. E há também riscos para a economia real, devido à queda das receitas dos Estados e ao fim das medidas de apoio em 2011 será um choque negativo para a economia", acrescentou.
"Se os efeitos negativos que descrevi se produzirem, e isso é muito provável, quando os stocks se esgotarem, a economia vai entrar numa segunda crise", considerou o antigo economista do Banco Mundial.
Joseph Stiglitz é conhecido pelas suas críticas às medidas do Fundo Monetário Internacional (FMI) e do Banco Mundial em relação às economias em crise, considerando que essas políticas vão apenas agravar a conjuntura económica e sobrecarregar as populações.
Foto: ONU