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sábado, 14 de janeiro de 2012

Casos de leucemia são o dobro em Cattenom

Foto: Guy Jallay
As zonas próximas da central nuclear de Cattenom têm o dobro de casos de leucemia que o resto do país, revela um estudo francês publicado na revista International Journal of Cancer. Os Verdes estão preocupados. Com a central a dez quilómetros da fronteira luxemburguesa, exigem respostas do Governo.

O estudo conduzido em França revela uma incidência de leucemia infantil superior nas zonas que ficam a cinco quilómetros das centrais nucleares. Um valor que é o dobro do número de casos no resto do país.

Em França, durante a realização do estudo, conduzido entre 2002 e 2007, foram detectados 14 casos de leucemia em jovens com menos de 15 anos na proximidade de centrais nucleares, enquanto a taxa de incidência nacional é de 7,4.

A notícia, avançada pelo l'Essentiel, lançou o alarme no Luxemburgo. O deputado Henri Kox, dos Verdes, exige respostas ao Governo.

"Este estudo confirma as conclusões do estudo alemão KiKK, de 2007, que também estabelecia uma correlação [entre os casos de leucemia e a proximidade de centrais nucleares] nas centrais alemãs", diz o deputado, que quer respostas do Governo. Na questão parlamentar apresentada ontem, o deputado insta o ministro da Saúde a revelar o número de casos de leucemia infantil no Luxemburgo. E a "retirar conclusões" do estudo francês agora publicado.

terça-feira, 15 de março de 2011

Luxemburgo: E se o desastre nuclear fosse aqui ao lado em Cattenom?

Neste momento, paira sob o Japão a ameaça de perigo nuclear devido ao sismo de sexta-feira. O Luxemburgo tem uma central nuclear a oito quilómetros das suas fronteiras, em Cattenom. A central nuclear é uma das mais importantes da rede gaulesa e representa 8 % da produção nuclear da França.

Se o desastre fosse aqui ao lado, o Luxemburgo tem ou não preparado um plano de contingência para enfrentar uma situação semelhante àquela que está a ocorrer no Japão?

Quisemos saber o que a população deve fazer em caso de catástrofe nuclear.

"Desde 1986, o Luxemburgo dispõe de um plano de emergência para prestar socorro à população o mais rapidamente possível, em caso de acidente na Central Nuclear de Cattenom", diz Carlo Back, engenheiro nuclear da Divisão de Radioprotecção do Ministério da Saúde luxemburguês.

A elaboração do plano coincidiu com a catástrofe nuclear de Chernóbil, na Ucrânia, em 1986, que ocasionou uma nuvem radioactiva que se estendeu à Europa Central. A população do Luxemburgo foi aconselhada a não consumir alimentos que tivessem sido expostos à chuva.

"Actualmente, as medidas de prevenção e protecção consistem no alerta à população, através dos meios de comunicação social, e em várias línguas, incluindo o português, conforme informa o também engenheiro nuclear, Patrick Majerus.

Está também prevista a ingestão de comprimidos de iodo de potássio, distribuídos pelas comunas, e o abrigo da população em centros desportivos, ou mesmo a sua evacuação, no caso de altos valores de radioactividade.

Para facilitar a aplicação destas medidas, o território nacional foi dividido em duas zonas. A primeira compreende um raio de 25 km à volta de Cattenom, e as medidas de alarme, de protecção e de socorro são dirigidas em primeiro lugar à população residente nesta zona.

A segunda zona abrange o resto do país. A Divisão de Radioprotecção insiste que é imperativo que não haja ingestão de comprimidos de iodo sem indicação expressa por parte das autoridades através de mensagens radiofónicas.

O Governo assegurou que o Luxemburgo não corre qualquer risco devido à explosão de uma central nuclear no Japão, em virtude da longa distância que separa os dois países. O Executivo informou igualmente que os 33 cidadãos luxemburgueses que se encontram em terras nipónicas estão bem.

Nuno Costa
Foto: Fred Antzorn