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sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Quais as consequências de uma explosão na central nuclear de Cattenom?

Quais seriam as consequências de um problema grave na central nuclear de Cattenom, situada junto à fronteira franco-luxemburguesa, a 15 km da cidade do Luxemburgo?

Esta questão esteve no centro de um debate lançado pelo DP (liberais), na quinta-feira, no Parlamento luxemburguês.

“A energia nuclear não é nada segura e é ainda menos uma alternativa fiável em matéria de energia”, afirma Eugène Berger (DP). “Não é segredo para ninguém que se um dia Cattenom tiver um problema é todo o [nosso] país que terá um problema”.

Félix Eischen (CSV), Roger Negri (LSAP), Henri Kox (Déi Gréng) e Gast Gibéryen (ADR) defendem unanimemente uma saída do nuclear e o fim das centrais nucleares.

O ministro da Saúde, Mars Di Bartolomeo (LSAP), diz concordar. Acrescenta que por enquanto não há problemas, mas que o melhor é prevenir, assegurando que as centrais nucleares se tornem ainda mais seguras para evitar dramas.

“Segundo a resposta a uma questão parlamentar sobre o plano de salvamento em caso de acidente em Cattenom, primeiro é preciso analisar o grau de importância do acidente para depois decidir se é necessário evacuar o país ou não. Mas seria mais natural recorrermos aos abrigos em certos casos”, analisa Gast Gibéryen (ADR).

“Ou seja, antes de conhecermos a gravidade da situação, vamos ter de fazer fila à porta da comuna para obter as pílulas de iodo e depois iremos esconder-nos numa cave esperando que a radiação passe. Vimos muito bem o que isso deu em Fukushima”, lamenta Gibéryen.

“Estamos a trabalhar no plano Cattenom”, insiste o ministro. “Não serve de nada alarmarmos as pessoas sempre que há um problema em Cattenom, porque à força de fazer soar o sinal de alarme, as pessoas acabarão por não acreditar quando o momento chegar”, concluiu.

Foto: Fred Antzorn

terça-feira, 26 de abril de 2011

Três mil pessoas pedem fecho da central nuclear de Cattenom




Mais de três mil pessoas, entre as quais muitos luxemburgueses e alemães, manifestaram-se ontem, segunda-feira (feriado), em Cattenom, na França, a escassos quilómetros da fronteira luxemburguesa, reclamando o fecho daquela central nuclear.

Leia a reportagem completa amanhã no CONTACTO.

Fotos: Gerry Huberty

sexta-feira, 25 de março de 2011

Japão/Luxemburgo: Nuvem radioactiva foi inofensiva

A nuvem radioactiva que sobrevoou a Europa, incluindo o Luxemburgo, não trouxe nenhum perigo às populações, garantiu Patrick Bruskin, engenheiro nuclear da Divisão de Radioprotecção do Ministério da Saúde luxemburguês.

"Neste caso estamos mais a falar de partículas do que propriamente de uma nuvem", tranquilizou Bruskin.

Uma equipa da Divisão de Radioprotecção efectuou ontem de manhã testes e confirmam-se as previsões das autoridades francesas que fizeram o aviso na segunda-feira. "Os valores são quase nulos e iguais aos que se verificaram em França, Bélgica e Alemanha. Os valores são quase todos idênticos em todos os países da Europa", confirma o engenheiro nuclear luxemburguês. "Este teste teve acima de tudo um interesse científico", rematou.

Entretanto, 35 comunas responderam aos apelos dos burgomestres de Remich e Frisange, Henri Kox e Claude Wilzius, no sentido de exigir o fim da Central Nuclear de Cattenom, situada a oito quilómetros da fronteira com a França. Uma primeira reunião entre os vários autarcas teve ontem lugar para delinear uma estratégia comum. Após o acidente nuclear de Fukushima no Japão, Henri Cox e Claude Wilzius defenderam que todas as comunas situadas num raio de 25 quilómetros à volta de Cattenom se deviam associar.

O próprio primeiro-ministro Jean-Claude Juncker já desaprovou esta semana o recurso à energia nuclear. Juncker defende que 160 centrais nucleares da Europa sejam submetidas a "testes de stress". Além de Cattenom, também a Central Nuclear de Tihange, na Bélgica, inspira preocupação a Junker. O Governo vai alertar as autoridades belgas nesse sentido, à semelhança daquilo que já fez com França.

Nuno Costa
Foto: Alois Theisen/LW

terça-feira, 15 de março de 2011

Luxemburgo: E se o desastre nuclear fosse aqui ao lado em Cattenom?

Neste momento, paira sob o Japão a ameaça de perigo nuclear devido ao sismo de sexta-feira. O Luxemburgo tem uma central nuclear a oito quilómetros das suas fronteiras, em Cattenom. A central nuclear é uma das mais importantes da rede gaulesa e representa 8 % da produção nuclear da França.

Se o desastre fosse aqui ao lado, o Luxemburgo tem ou não preparado um plano de contingência para enfrentar uma situação semelhante àquela que está a ocorrer no Japão?

Quisemos saber o que a população deve fazer em caso de catástrofe nuclear.

"Desde 1986, o Luxemburgo dispõe de um plano de emergência para prestar socorro à população o mais rapidamente possível, em caso de acidente na Central Nuclear de Cattenom", diz Carlo Back, engenheiro nuclear da Divisão de Radioprotecção do Ministério da Saúde luxemburguês.

A elaboração do plano coincidiu com a catástrofe nuclear de Chernóbil, na Ucrânia, em 1986, que ocasionou uma nuvem radioactiva que se estendeu à Europa Central. A população do Luxemburgo foi aconselhada a não consumir alimentos que tivessem sido expostos à chuva.

"Actualmente, as medidas de prevenção e protecção consistem no alerta à população, através dos meios de comunicação social, e em várias línguas, incluindo o português, conforme informa o também engenheiro nuclear, Patrick Majerus.

Está também prevista a ingestão de comprimidos de iodo de potássio, distribuídos pelas comunas, e o abrigo da população em centros desportivos, ou mesmo a sua evacuação, no caso de altos valores de radioactividade.

Para facilitar a aplicação destas medidas, o território nacional foi dividido em duas zonas. A primeira compreende um raio de 25 km à volta de Cattenom, e as medidas de alarme, de protecção e de socorro são dirigidas em primeiro lugar à população residente nesta zona.

A segunda zona abrange o resto do país. A Divisão de Radioprotecção insiste que é imperativo que não haja ingestão de comprimidos de iodo sem indicação expressa por parte das autoridades através de mensagens radiofónicas.

O Governo assegurou que o Luxemburgo não corre qualquer risco devido à explosão de uma central nuclear no Japão, em virtude da longa distância que separa os dois países. O Executivo informou igualmente que os 33 cidadãos luxemburgueses que se encontram em terras nipónicas estão bem.

Nuno Costa
Foto: Fred Antzorn