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terça-feira, 17 de maio de 2011

Ajuda Externa a Portugal: Lisboa recebe primeira tranche de 18 mil milhões em finais de Maio

O ministro das Finanças anunciou hoje, em Bruxelas, que Portugal deverá receber uma primeira tranche de “pouco mais” de 18 mil milhões de euros em finais de maio, início de junho.

Fernando Teixeira dos Santos também revelou no final de uma reunião dos ministros das Finanças da Zona Euro que Portugal deverá pagar, em média, uma taxa de juro de cerca de 5,1 por cento pelo pacote global de 78 mil milhões de euros ao longo dos 7,5 anos em que o empréstimo vai vigorar.

“A taxa de juro vai depender das condições de mercado”, insistiu Teixeira dos Santos, acrescentando que nas condições atuais iria variar, em média, entre 5,0 por cento nos primeiros três anos do empréstimo e 5,2 em seguida.

Os ministros das Finanças da Zona Euro e da União Europeia aprovaram esta tarde o pedido de assistência financeira a Portugal.

A ajuda será repartida em partes iguais de 26 mil milhões de euros pelo Fundo Europeu de Estabilização Financeira (FEEF), Mecanismo Europeu de Estabilização Financeira (MEEF) e Fundo Monetário Internacional (FMI), o que dá um total de 78 mil milhões.

Para receber a assistência financeira, Portugal comprometeu-se a realizar um programa de três anos, junho de 2011 até meados de 2014, que inclui reformas estruturais para assegurar um aumento do potencial de crescimento da economia, a criação de empregos e a melhoria da competitividade.

O programa inclui ainda uma estratégia de consolidação dos desequilíbrios das finanças públicas, que inclui a redução do défice orçamental para 3,0 por cento do PIB até 2013, e um regime de apoio ao sistema bancário até 12 mil milhões de euros.

quarta-feira, 11 de maio de 2011

PS-Luxemburgo organiza debate sobre crise portuguesa, na sexta-feira, em Merl

A crise portuguesa vai estar em debate no Centro Cultural de Merl, na cidade do Luxemburgo, na sexta-feira, durante um encontro em que participa o deputado Paulo Pisco, do PS.

A discutir a crise em Portugal vão estar ainda o ministro do Trabalho, Nicolas Schmit, e o presidente do LSAP, Alex Bodry. O debate, organizado pelo LSAP e pela secção local do PS, começa às 17h.

Foto: Marc Wilwert

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Euro/Crise: Portugal tem tomado as medidas adequadas - Comissão Europeia

A Comissão Europeia insistiu hoje, em Bruxelas, que Portugal está a tomar as medidas “adequadas” para resolver os desequilíbrios da sua economia e negou a existência de discussões sobre um eventual resgate ao país.

“Portugal tem tomado as medidas adequadas para resolver a situação”, disse o porta-voz para os Assuntos Económicos e Monetários do executivo comunitário à Agência Lusa.

Para Amadeu Altafaj Tardio, Lisboa está na direcção certa para diminuir o seu défice orçamental e aumentar a competitividade das suas empresas.

A imprensa alemã deu conta, durante o fim-de-semana, que várias capitais europeias, principalmente Berlim e Paris, estariam a pressionar Lisboa para seguir o exemplo da Grécia e da Irlanda e pedir o apoio do Mecanismo Europeu de Estabilização Financeira.

O mecanismo foi criado em Maio do ano passado e presta assistência a qualquer Estado membro que enfrenta ou está seriamente ameaçado com uma perturbação grave da actividade económica ou financeira causada por acontecimentos extraordinários para além do seu controlo.

Altafaj Tardio repetiu que “não há nem estão previstas conversações” sobre um eventual resgate a Portugal ou outro país.

No domingo, o porta-voz do executivo de Berlim, Steffen Seibert, garantiu ao jornal Handelsblatt que "não faz parte da estratégia do Governo alemão pressionar Portugal a recorrer ao fundo de emergência europeu”.

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Euro/Crise: Juncker considera que especulação dos mercados contra Portugal e Espanha não têm justificação

As acções especulativas dos investidores contra Portugal e Espanha não têm justificação, embora possam ocorrer, disse hoje o presidente do Eurogrupo, Jean-Claude Juncker.

"Objectivamente, as acções especulativas contra Portugal e Espanha não se justificam, embora não possam ser excluídas", afirmou Juncker, primeiro ministro luxemburguês, numa entrevista à RTL Luxemburgo, citada pela agência financeira Bloomberg.

Juncker referiu que as acções especulativas não podem ser excluídas numa altura em que "os mercados financeiros têm uma tendência excessiva para punir os países que não seguem 100 por cento a consolidação ortodoxa".

Também numa entrevista divulgada hoje, mas à rádio pública alemã, Juncker afirmou que os casos da Irlanda e de Portugal são diferentes porque a banca portuguesa “continua em relativa boa saúde”.

“O que vemos na Irlanda e em Portugal não tem uma relação directa porque em Portugal o sector bancário continua em relativa boa saúde”, disse.

A Irlanda tornou-se, no domingo, no segundo país da Zona Euro a solicitar ajuda financeira, após a Grécia.

A União Europeia e o Fundo Monetário Internacional (FMI) responderam favoravelmente ao pedido de ajuda até 90 mil milhões de euros para a Irlanda para "salvaguardar a estabilidade financeira da União Europeia e da zona Euro", segundo um comunicado divulgado no domingo, pelos responsáveis pelas Finanças dos países da UE.

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Juros/Dívida: Portugal ‘obrigado’ a pedir ajuda se Irlanda activar Fundo de Estabilização

No caso de a Irlanda vir a pedir o apoio do fundo europeu de estabilização financeira, Portugal terá também de o fazer porque os mercados tratam da mesma forma os dois países, defendeu hoje, em Bruxelas, um alto funcionário europeu.

O governo irlandês e a Comissão Europeia negam que tenha havido qualquer pedido de ajuda de Dublin, apesar de várias notícias darem conta das pressões que estão a ser exercidas nesse sentido.

Fontes em Bruxelas que pediram para não ser identificadas explicaram que os mercados olham para Portugal e para a Irlanda da mesma maneira, sem levar em consideração a situação económica e financeira nos dois países.

O desequilíbrio na Irlanda tem a ver com a situação do sector bancário, altamente endividado, enquanto em Portugal não foram desfeitas as dúvidas quanto à estabilidade política necessária para cumprir os objetivos orçamentais traçados.

Os mercados financeiros querem, acima de tudo, que seja dada “credibilidade política” às medidas tomadas para diminuir o desequilíbrio orçamental e uma “determinação clara” que os objetivos definidos vão ser cumpridos, segundo a fonte.

Uma outra fonte comunitária contatada pela Lusa exemplifica que a entrevista de Luís Amado, este fim de semana ao Expresso, foi recebida como "surpreendente" e "inapropriada" porque lançava dúvidas sobre a capacidade do Executivo aprovar e executar o Orçamento do Estado para 2011, que prevê a maior redução do défice das contas públicas em democracia, e porque colocava a hipótese de Portugal sair do euro caso não haja estabilidade política.

O próprio ministro das Finanças português, Teixeira dos Santos, já hoje, sublinhou à Lusa que a Irlanda, ao contrário de Portugal, “enfrenta uma situação muito delicada no seu sistema financeiro, cuja extensão ainda não está perfeitamente apurada”.

Para Teixeira dos Santos, a Irlanda está “numa posição muito diferente” da de Portugal, acrescentando que “o crescimento da economia portuguesa este ano supera as expectativas que tínhamos inicialmente e que nos diferencia quer da Irlanda, quer da Grécia e de outras economias”.

O alto funcionário europeu concorda que os actuais problemas foram provocados pela ambiguidade do texto de conclusões da última reunião de chefes de Estado e de Governo, que teve lugar a 29 e 30 de outubro em Bruxelas, cuja redação foi imposta pela Alemanha.

O documento estipula que o sector privado será envolvido no mecanismo permanente que, a partir de 2013, e só para os novos investimentos feitos a partir desta data, irá apoiar os países que eventualmente não conseguirem pagar a sua dívida pública, obrigando os investidores a suportarem uma parte das perdas dos países que entrem em incumprimento financeiro.

Os ministros das Finanças da Zona Euro irão reunir-se terça feira em Bruxelas e, segundo outras fontes na capital belga, é de esperar uma mensagem de “apaziguamento” e “unidade” para tentar acalmar o nervosismo dos mercados financeiros, principalmente no que diz respeito às finanças irlandesas.

terça-feira, 9 de novembro de 2010

Juros/Dívida: Vieira da Silva rejeita limite de 7% para pedir ajuda ao FMI

O ministro da Economia, Vieira da Silva, disse hoje que os mercados não têm razões para percecionar risco na dívida portuguesa e rejeitou o limite de sete por cento nos juros para recorrer ao fundo europeu e ao FMI.

“Não há nenhum limite objetivo, nem a fixação de nenhuma fronteira. A situação internacional tem evoluído muito rapidamente e as avaliações têm de ser feitas à medida que essa evolução se verifica”, disse à agência Lusa o responsável pela pasta da Economia, referindo-se aos juros das obrigações soberanas a 10 anos, que hoje renovaram máximos e se aproximam da barreira dos sete por cento.

A 'barreira psicológica' dos 7 por cento foi lançada pelo ministro das Finanças, Teixeira dos Santos, que disse, em entrevista ao Expresso há precisamente um mês, que "com taxas de juro que se aproximem dos sete por cento entramos num terreno onde essa alternativa começa a colocar-se”.

Os juros da dívida portuguesa a 10 anos estão hoje a negociar novamente em máximos históricos ao atingirem, pelas 13:10, aos 6,842 por cento.

Para Vieira da Silva, “os mercados não têm razão para percecionar risco na divida portuguesa”, já que o país “já mostrou capacidade de corrigir os seus desequilíbrios no passado” e está empenhado em fazê-lo novamente.

“Portugal honra os seus compromissos financeiros e assumiu para com a comunidade internacional e para si próprio uma redução do défice que é a melhor garantia do empenho do país em corrigir os desequilíbrios que contribuem para que, neste cenário internacional tão adverso, a nossa dívida seja colocada sobre pressão”, considerou o responsável pela pasta da Economia, Inovação e Desenvolvimento.

O ministro lembrou ainda que os máximos hoje atingidos referem-se “às taxas de juro que se praticam no mercado secundário” e não nos custos de colocação da dívida portuguesa.

Na quarta feira, o Instituto de Gestão da Tesouraria e do Crédito Público emite dívida de longo prazo para conseguir entre 750 e 1250 milhões de euros.

Questionado sobre se receia que os valores hoje atingidos no mercado secundário se reflitam no leilão de quarta feira, Vieira da Silva reiterou que “não há nenhuma razão para acrescentar alguma coisa ao que tem sido dito pelo Governo, não tem existido uma diminuição da procura da nossa dívida e não vejo nenhuma razão para que haja uma leitura diferente da que já foi feita”.

Questionado sobre o corte da relação comercial entre o BES e a Fitch, na sequência de uma deterioração da análise feita à instituição liderada por Ricardo Salgado, o ministro Vieira da Silva não quis comentar: "É uma questão que tem a ver com relações comerciais privadas e não me compete comentar".