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sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Esch recebe peça de teatro inovadora em português

A Oficina de Teatro da Confederação da Comunidade Portuguesa no Luxemburgo estreia amanhã uma peça inovadora.

O ciclo de teatro-debate "Palcos" aborda a temática da Sida e lança mãos de técnicas de teatro interactivas.

"É algo inovador porque não é teatro normal. O público não vai ficar indiferente e pode subir ao palco para substituir os actores e dar um fim às peças", diz Sónia Tomás, directora do grupo amador.

Ao palco da sala Ariston, em Esch-sur-Alzette, vão subir três pequenas histórias inacabadas, baseadas em relatos verídicos: "Droga de vida", "Saída inoportuna" e "Prova de amor".

O objectivo é "sensibilizar e chocar as pessoas", e o público vai poder também fazer perguntas e reflectir sobre a problemática da Sida. O projecto tem o apoio do Ministério da Saúde e da Cruz Vermelha luxemburguesa, e a entrada é livre.

A peça começa às 21h, amanhã, na sala Ariston.


Texto:HB

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Sida: Médicos alemães acreditam ter curado um homem com o VIH

Uma equipa médica alemã acredita ter curado um homem infectado com o vírus da sida, após um transplante de medula óssea para tratar uma leucemia de que também sofria.

"Os nossos resultados sugerem que o paciente se curou do VIH, indicam os autores do estudo publicado na edição de Dezembro da revista científica Blood.

Timothy Ray Brown, um americano de cerca de 40 anos, também conhecido como o "paciente de Berlim", foi submetido em 2007 a um complicado tratamento para combater uma leucemia mielóide aguda, um tipo de cancro que afecta o sistema imunitário.

O tratamento incluiu um transplante de células estaminais de um doador portador de um gene hereditário pouco comum, associado à redução do risco de contrair o VIH.

Os médicos, liderados por Kristina Allers e Gero Hutter do Hospital Médico Universitário de Berlim, seleccionaram células estaminais sem o receptor CCR5, necessário para que o vírus se propague no organismo.

Antes do transplante, Brown recebeu altas doses de quimioterapia e radioterapia e deixou de tomar os anti-retrovirais contra o VIH. Treze meses mais tarde, o doente teve uma recaída de leucemia e foi submetido a um novo transplante de medula com células do mesmo doador.

O caso foi relatado pela primeira vez durante uma conferência em Boston em 2008 pelos médicos que aplicaram o tratamento proposto pelo médico Gero Huetter. Em 2009, o New England Journal of Medicine noticiava que após 20 meses sem tomar os anti-retrovirais não havia sinais do VIH e o artigo agora publicado no Blood assegura que, três anos depois do transplante, "o seu sistema imunitário recuperou uma saúde normal".

Os médicos continuam a observar a evolução do paciente, mas acreditam que este caso poderia abrir o caminho para uma cura permanente do VIH através de células estaminais geneticamente modificadas.

No entanto, especialistas advertem que se trata de uma terapia muito cara e arriscada, que não se pode aplicar a todos os pacientes e não é uma cura definitiva para a sida.

Michael Saag, da Universidade de Alabama em Birmingham, nos EUA, disse à CNN que "é uma prova interessante sobre como medidas extremas podem levar à cura do VIH". Mas considerou que "é demasiado arriscada para se converter numa terapia comum".

Recordou que as células usadas no caso de Timothy Ray Brown eram provenientes de um doador com uma mutação genética pouco frequente, pelo que seria muito difícil encontrar doadores compatíveis. Além disso, advertiu, um tratamento tão agressivo só se justifica em casos como o de Brown, que além do VIH tinha cancro.

A revista Blood é uma publicação da Sociedade Americana de Hematologia. Segundo a ONU, 33,3 milhões de pessoas em todo o mundo vivem hoje com o VIH.

sábado, 4 de setembro de 2010

Sida: Investigadores israelitas conseguiram destruir células infetadas sem afetar as sãs

Investigadores israelitas anunciaram ter conseguido destruir em laboratório células infetadas pelo vírus da sida sem prejudicar células sãs, noticiou ontem o diário Haaretz.

Os investigadores da Universidade hebraica de Jerusalém precisaram ter conseguido desenvolver um tratamento à base de péptidos (composto químico formado pela união de aminoácidos) que desencadeiam a autodestruição de células infetadas pelo vírus da imunodeficiência humana.

Até agora, as únicas terapias contra a sida visam destruir o vírus presente nas células, com risco de este voltar a aumentar se o tratamento for interrompido ou se o vírus desenvolver imunidade aos fármacos usados.

O investigador australiano Abraham Loyter explicou ao Haaretz que ao fim de duas semanas, as células visadas não tinham reaparecido, “de onde se pode concluir que foram destruídas”.

Num artigo publicado a 19 de agosto pela revista britânica AIDS Research and Therapy, a equipa israelita – constituída por Aviad Levin, Zvi Hayouka, Assaf Friedler e Abraham Loyter – estimava que o seu trabalho pudesse “eventualmente permitir desenvolver uma nova terapia” contra o VIH.

Em julho, investigadores norte-americanos anunciaram ter descoberto dois potentes anticorpos capazes de bloquear, em laboratório, a maioria das origens conhecidas do VIH, tornando potencialmente possível o desenvolvimento de uma vacina eficaz.

Mais de um quarto de século depois da identificação do vírus, o VIH é responsável por mais de 30 milhões de mortos.

Foto: Arquivo LW

terça-feira, 20 de julho de 2010

Sida: Novo gel vaginal com antirretroviral reduz risco de contágio entre mulheres com parceiros infectados

Um gel vaginal contendo uma pequena percentagem do antirretroviral tenofovir pode reduzir em 54 por cento o risco de contaminação com o vírus da sida entre mulheres com parceiros infetados, revela um estudo divulgado em Viena, Áustria.

O estudo, iniciado em fevereiro de 2007 por uma equipa de investigadores sul-africanos, pretende aferir a eficácia de um gel vaginal contendo um por cento de tenofovir enquanto método de prevenção de contágio com o VIH em mulheres com parceiros sexuais seropositivos.

A pesquisa, divulgada no congresso internacional sobre sida que decorre em Viena até sexta feira e publicada na revista Science, abrangeu 898 mulheres sul-africanas seronegativas entre os 18 e os 40 anos, tendo 445 experimentado o gel com tenofovir 12 horas antes da relação sexual.

Os resultados revelaram que a incidência do VIH diminuiu em 54 por cento entre as mulheres que usaram escrupulosamente, durante um ano, o gel microbicida.

Para os autores do estudo, este gel pode ser "importante na prevenção" da infeção com o vírus da sida, especialmente entre as mulheres com parceiros sexuais que se recusam a usar preservativos ou sejam poligâmicos.

Contactada pela agência Lusa, a médica Maria José Campos sustentou que o gel microbicida pode ser um método de prevenção "eficaz", atendendo a que, pela primeira vez, foi testado com sucesso com um medicamento ativo contra o VIH.

Contudo, ressalvou, terão de ser feitos mais testes para se comprovarem os resultados, antes de ser feito o pedido de comercialização.

As mulheres representam 60 por cento das pessoas contaminadas com o VIH em África, onde se registam 70 por cento dos casos de contágio contabilizados em todo o mundo.

Lusa

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

SIDA: Situação em Portugal é "alarmante" - especialista

A situação do VIH/SIDA em Portugal é "alarmante", dado que o país é o penúltimo da Europa em termos de capacidade de resposta a esta epidemia, afirmou hoje o professor Joaquim Machado Caetano.

"A prevalência da SIDA em Portugal continua a ter os mais altos níveis da Europa e o único país com pior estatística do que o nosso é a Estónia, no Leste europeu, o que significa que não conseguimos pôr em marcha nestes anos todos um projecto nacional seguro e eficaz para reduzir a prevalência dos casos de VIH/SIDA", disse à agência Lusa o presidente das I Jornadas Nacionais Ético-Jurídicas sobre Infecção VIH/SIDA.

No final de uma audiência com o Presidente da República, Aníbal Cavaco Silva, em Belém, o professor alertou que Portugal regista, "anualmente, um crescimento muito grande da epidemia, particularmente em jovens e em mulheres, para além do grupo de risco agora muito atingido: o grupo de homossexuais masculinos".

"O alerta máximo neste momento na Europa é feito para os jovens, para os imigrantes e para os homens que fazem sexo com outros homens e, portanto, a epidemia da SIDA não é uma epidemia estável, mas uma epidemia que, ao longo do tempo, tem variações ao nível social", referiu.

Considerando que "Portugal não tem, de facto, nos últimos anos, um projecto bem edificado com campanhas adequadas dirigidas aos grupos de risco, com um projecto nacional de educação de jovens que dê resultados sólidos", Joaquim Machado Caetano justificou a importância deste primeiro encontro, que terá lugar a 25 de Fevereiro, em Coimbra.

"Ainda que Portugal tenha conseguido eficazmente abrir a possibilidade de as pessoas fazerem os testes da SIDA, saber se são ou não seropositivos, e de ter posto em marcha a terapêutica segundo a qual todo o doente tem o direito gratuito aos tratamentos, a verdade é que na parte de educação e informação - que são as bases da prevenção - não temos um projecto nacional e as falências são múltiplas", salientou.

Assim, e para discutir "a problemática da falta de consciencialização, dos direitos e deveres dos seropositivos, os problemas da discriminação e os aspectos jurídicos", Joaquim Machado Caetano disse esperar que do encontro resultem algumas respostas para um problema que é acompanhado desde 1985 no país.

As I Jornadas Nacionais Ético-Jurídicas sobre Infecção VIH/SIDA contam com a organização do Centro de Bioética da Universidade de Coimbra e da Fundação Portuguesa contra a SIDA.

Foto: Arquivos LW

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Dia Mundial Contra a Sida/1 de Dezembro: Cruz Vermelha luxemburguesa anima stand de informação no centro da capital

Por ocasião do Dia Mundial de Luta contra a Sida que se assinala esta terça-feira, 1 de Dezembro,
o Ministério da Saúde luxemburguês lança hoje uma nova campanha de prevenção contra a doença que conta com dois novos cartazes e que decorrerá durante todo o mês de Dezembro.

A Cruz Vermelha luxemburguesa e a associação "Stop Aids Now" animam esta terça-feira, entre as 11 e as 16h, um stand de informação na praça "Roude Pëtz", junto à Grand-Rue, na cidade do Luxemburgo.

As celebrações oficiais contam ainda com a inauguração da exposição fotográfica "House of Boys" na loja "Boo", 8, Grand-Rue, às 17h, na presença do ministro da Saúde, Mars di Bartolomeo. Às 20h, segue-se um serão musical no bar d:qliq (rue du Saint-Esprit) com Gil Rod e o grupo Armadilla.

Outras das iniciativas do Dia Mundial de Luta Contra a Sida no Luxemburgo é a exibição do filme do realizador luxemburguês Jean-Claude Schlim, que decorre esta semana no cinema Utopia, em Limperstberg.

Mais informações em:
www.unaids.org
www.who.int/hiv
www.aids.lu
ou www.sante.lu

Dia Mundial Contra a Sida/1 de Dezembro: Congresso anual em Washington em 2012

Washington acolherá em 2012 o congresso anual da Sociedade Internacional da Sida, anunciou a secretária de Estado norte-americana, Hillary Clinton, por ocasião da jornada mundial de luta contra a sida que se assinala esta terça-feira, 1 de Dezembro.

Clinton regozijou-se com a realização do congresso nos EUA que só é possível devido à decisão norte-americana de levantar a proibição, com 22 anos, de entrada no país de pessoas infectadas com o vírus ou portadoras de sida.

Os EUA acolheram pela última vez o Congresso em 1990. O último realizou-se na Cidade do Cabo (África do Sul), em 2009, e o próximo terá lugar em Julho, em Viena (Áustria). Para 2011, a escolhida foi a cidade de Roma (Itália).

"O presidente Obama e eu comprometemo-nos a desenvolver a liderança da América na luta mundial contra a Sida", disse Hillary Clinton.

Nos EUA, cerca de 56 mil pessoas contraem anualmente o vírus e 14 mil morrem (por ano), segundo dados oficiais divulgados segunda-feira.

Em Portugal já foram infectadas 35 mil pessoas, Luxemburgo tem 800

Desde 1983, a doença infectou 35 mil pessoas em Portugal.

No Luxemburgo, há actualmente 800 infectados com o vírus da sida, mas estima-se que a este número seja necessário acrescentar mais 20 ou 30%, já que muitas são ainda as pessoas infectadas, mas que desconhecem que o são, segundo alertam os responsáveis do Departamento de Doenças Infecto-Contagiosas do Centro Hospitalar do Luxemburgo (CHL).

Destes 800 infectados, 58 são novos casos registados desde o princípio de 2009, o que equivale a um caso novo por semana. Em 2008, haviam sido rastreados 68 infectados no Grão-Ducado.

Estima-se que cerca de 33,4 milhões de pessoas estejam actualmente infectadas com o VIH. Este ano foram infectadas 2,5 milhões de pessoas, tendo morrido 2,1 milhões. Globalmente, o VIH/Sida é a maior causa de morte entre as jovens mulheres em idade reprodutiva.

Desde 1983, a sida já matou cerca de 25 milhões de pessoas em todo o mundo.

Dia Mundial Contra a Sida/1 de Dezembro: OMS recomenda consumo de antirretrovirais a mães a amamentar

A Organização Mundial de Saúde (OMS) recomenda, pela primeira vez, a utilização por mães seropositivas dos medicamentos antirretrovirais durante a amamentação para evitar a transmissão do vírus.

A propósito do Dia Mundial Contra a Sida, que se celebra esta terça-feira, a OMS lançou várias recomendações com base nos mais recentes estudos científicos sobre a doença.

A organização aconselha também a iniciação mais cedo da terapia antirrectroviral em adolescentes e adultos e a entrega a mais doentes dos medicamentos antirretrovirais.

Os medicamentos antirretrovirais impedem a multiplicação do VIH no organismo, em várias etapas de sua reprodução. A combinação de químicos evita o enfraquecimento do sistema imunológico e reduze o aparecimento de infecções por doenças oportunistas (aquelas que se aproveitam de um sistema de defesa debilitado para atacar).

Pela primeira vez, a OMS recomenda que as mães infectadas com o vírus da Sida tomem os antirretrovirais enquanto amamentam para prevenir a transmissão do vírus aos seus bébés.

Estudos recentes defendem que a utilização dos antirretrovirais pela mãe ou pelo bebé até aos 12 meses de amamentação reduz o risco de transmissão e aumenta as hipóteses de sobrevivência dos bébes.

Segundo a OMS, se estas novas recomendações forem seguidas, é previsível haver uma redução de cinco por cento na taxa de transmissão mãe-filho, aumentando por consequência a taxa de sobrevivência das crianças.

"Agora recomendamos e incentivamos a amamentação, mesmo das mães contaminadas com o vírus VIH, e defendemos a utilização por estas de antirretrovirais", explicou Daisy Mafubelu, uma responsável da área da família da OMS.

Se o consumo destes químicos começar mais cedo, o sistema imunitário fica mais forte e reduzem-se os riscos de doença e morte relacionadas com o VIH.

Outro dos desafios lançados pela OMS passa por encorajar as pessoas a receberem tratamento mais cedo e fazerem os testes da SIDA também mais precocemente, antes mesmo de sentirem os sintomas.

Por norma, as pessoas infectadas com o vírus esperam muito tempo até receber tratamento.

Estima-se que cerca de 33,4 milhões de pessoas estejam actualmente infectadas com o VIH. Este ano foram infectadas 2,5 milhões de pessoas, tendo morrido 2,1 milhões.

Globalmente, o VIH/SIDA é a maior causa de morte entre as jovens mulheres em idade reprodutiva.

Outra das recomendações passa pelo abandono da utilização do medicamento Stavudine (d4T), devido aos seus efeitos secundários irreversíveis.

sábado, 31 de outubro de 2009

EUA: Obama anuncia fim da proibição de entrada no país de seropositivos em vigor desde 1987

O presidente norte-americano, Barack Obama, anunciou sexta-feira o fim da proibição para os doentes de sida de viajarem para os Estados Unidos, veto que permanecia em vigor desde 1987.

A ordem para cancelar essa proibição é emitida segunda-feira e entra em vigor no início de 2010, logo que tenha transcorrido um período de espera de 60 dias, indicou Obama numa cerimónia na Casa Branca para assinar a prorrogação de um programa de luta contra a Síndroma da Imunodeficiência Adquirida (SIDA).

Recordou que "há 22 anos, numa decisão baseada no medo mais do que nos factos, os EUA impuseram a proibição a quem fosse portador do vírus da sida de poder entrar no seu território",

"Falamos de eliminar o estigma dessa doença mas isso não nos impedia de tratar como uma ameaça quem nos visitasse ou vivesse entre nós", constatou o presidente.

"Se quisermos ser um líder global na luta contra a sida e o vírus da imunodeficiência humana (HIV) temos de agir como tal", advogou.

Por isso, acrescentou que a sua Administração "publicará esta segunda-feira uma norma definitiva que eliminará a proibição com efeito imediato após o Ano Novo".

Os EUA contam-se entre a dezena de países em todo o mundo que proíbem a entrada aos doentes com sida, medida que impediu a realização de congressos importantes sobre a doença no seu território nas últimas duas décadas.

Uma proibição da Era Reagan

A proibição foi imposta em 1987, durante a governação do presidente republicano Ronald Reagan, numa época em que se conhecia pouco sobre a síndroma e o seu tratamento não tinha alcançado a eficácia dos dias de hoje.

Em 1993, o Congresso incluiu nas leis de emigração como impedimento para entrar no país uma única condição médica explícita - a referente aos seropositivos.

O processo para revogar a medida começou já durante o mandato de George W. Bush, quando o Serviço de Imigração anunciou que tinha levantado a proibição nos seus regulamentos internos.

"O Congresso e o presidente Bush começaram este processo o ano passado e há que elogiá-los por isso. Nós só terminamos o trabalho", declarou.

Obama destacou que a luta contra a sida está ainda "longe de terminar".

"A sida provavelmente já não é a principal causa de morte entre os norte-americanos dos 25 aos 44 anos, como sucedia antes. Mas 1,1 milhões de norte-americanos continuam a viver com essa doença", concluiu.

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

Ciência: Investigadores franceses identificam nova variante do vírus HIV/Sida

Uma equipa de virologistas franceses identificou uma nova variante do HIV tipo 1, o vírus que origina a maioria dos casos de Sida, geneticamente muito semelhante ao vírus da Imunodeficiência Simiana recentemente descoberto no gorila.

Actualmente, estão identificadas duas estripes do vírus da Sida: o HIV-1, com maior incidência, e o HIV-2, menos frequente.

O HIV-1 está dividido em três variantes: M, a origem da pandemia mundial, e dois outros muito raros, O e N.

A nova variante identificada pela equipa do laboratório Jean-Christophe Plantier (do Centro Nacional de Referência do Vírus de Imunodeficiência Humano do Centro Hospitalar de Rouen) parece ser o protótipo de um novo tipo do vírus HIV-1, denominado pela equipa de investigadores como variante P.

"A descoberta desta nova variante veio reforçar a necessidade de acompanhar de perto o surgimento de novas variantes do HIV, especialmente na África Central, onde está a origem de todos os grupos do HIV-1", referiram os investigadores franceses no estudo científico, ontem publicado na revista Nature Medicine.

A nova variante foi identificada numa doente originária dos Camarões, que apresentava um perfil raro.

A doente "está bem", garantiu uma das investigadoras da equipa, Marie Leoz, acrescentando que "com base no genoma da doente foi possível identificar o tratamento mais adequado face às mutações do vírus e ela respondeu muito bem".

"É uma variante que é curável", afirmou a virologista, esclarecendo, no entanto, que a doente foi infectada com a nova variante do HIV por outras pessoas "certamente nos Camarões". "Será neste país que teremos de encontrar novos casos", concluiu.

sábado, 18 de julho de 2009

Polémica/Portugal: Comissária europeia da Saúde desmente que homossexuais são grupo de risco como dadores de sangue

A comissária europeia da Saúde, Androulla Vassiliou, que está de passagem por Portugal, garantiu este sábado que não existe qualquer directiva especial da Comissão Europeia que exclua os homossexuais do grupo de dadores de sangue.

"Não existe qualquer regra especial que abranja homossexuais. Isso é um mito. A preocupação é sempre com a segurança e a qualidade do sangue", afirmou Androulla Vassiliou.

A responsável respondia aos jornalistas quando questionada a propósito da notícia que chocou ontem a comunidade homossexual e parte da opinião pública portuguesas, que o Ministério da Saúde português admitiria excluir dadores de sangue masculinos que declaram relações homossexuais.

Em resposta a uma pergunta do deputado do Bloco de Esquerda João Semedo, o Ministério da Saúde admitiu excluir dadores de sangue masculinos que declarem relações homossexuais.

Na resposta do Ministério lê-se que tal "necessidade" não significa uma discriminação em função da orientação sexual mas "unicamente" um controlo sobre os comportamentos de risco dos dadores, "o que se comprova pela circunstância de os homossexuais do sexo feminino poderem ser aceites como tal".

O Ministério da Saúde admite que a "restrição" é "justificada cientificamente pelas elevadas taxas de prevalência nos homossexuais do sexo masculino de doenças graves transmissíveis pela transfusão de sangue".

Na sequência desta posição do Ministério, o Coordenador Nacional para a Infecção VIH/sida considerou que "não há razões" para excluir qualquer grupo de pessoas da doação de sangue.

Em declarações à Lusa, Monteiro de Barros lembrou que actualmente já não existem grupos de risco, uma vez que os homossexuais não têm uma taxa de HIV superior aos heterossexuais. "Enquanto grupo, os homossexuais têm prevalência mais alta de algumas infecções, nomeadamente de hepatite. Isso é um facto. Mas não podem atacar as pessoas por grupos, por segmentos, mas apenas ver individualmente se têm comportamentos de risco. Isso acontece entre hetero e homossexuais", realçou.

Por seu lado, a Associação de defesa dos direitos do homossexuais 'ILGA Portugal' realçou que a exclusão de homossexuais masculinos como dadores de sangue "perpetua um preconceito e um estigma", além de ser uma prática discriminatória e inconstitucional.

Polémica/Portugal: Instituto Português do Sangue acusado de discriminar homossexuais

O Bloco de Esquerda (BE) desafiou ontem a ministra da Saúde a dizer se concorda ou não com a política do Instituto Português de Sangue (IPS) de excluir dadores de sangue masculinos que declarem ser homossexuais.

"A ministra da Saúde deve pronunciar-se sobre o preconceito homofóbico do Instituto Português de Sangue", disse o deputado do Bloco de Esquerda João Semedo à agência Lusa. O deputado considerou "particularmente grave" e "sem base técnica e científica" a posição do Instituto Português de Sangue e, em particular, as declarações do seu presidente.

O Ministério da Saúde admitiu, em resposta a uma pergunta do deputado João Semedo (BE), datada de 13 de Julho, excluir dadores de sangue masculinos que declarem relações homossexuais. Na resposta do Ministério, lê-se que tal "necessidade" não significa uma discriminação em função da orientação sexual mas "unicamente" um controlo sobre os comportamentos de risco dos dadores, "o que se comprova pela circunstância de os homossexuais do sexo feminino poderem ser aceites como tal".

O presidente do Instituto Português de Sangue (IPS) negou ontem haver discriminação em relação a dadores homossexuais, argumentando que existem evidências científicas que provam que este é um grupo com potenciais comportamentos de risco.

"Quando o presidente do Instituto Português de Sangue o diz isto é porque julga que os homossexuais são promíscuos", disse o deputado do BE. João Semedo defendeu que "os homossexuais não devem ser excluídos de dar sangue, devem ser sujeitos aos mesmos testes que os restantes dadores, até porque a maioria dos casos de sida, por exemplo, são registados entre os heterossexuais".