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quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

História: Zheng He contra Vasco da Gama - biografia agora editada contrapõe "cortesia chinesa" a "invasão colonial ocidental"

Dezenas de anos antes de Bartolomeu Dias ou Vasco da Gama (imagem à esquerda) nascerem, grandes frotas chinesas já tinham navegado até à costa oriental de África e com “objetivos pacíficos”, realça uma nova biografia do almirante Zheng He (imagem à direita), que viveu entre 1371-1433.

As sete viagens de Zheng He aos “Oceanos Ocidentais”, entre 1405 e 1433, são “um glorioso capítulo da diplomacia pacífica da China antiga” e da “história da navegação mundial”, afirma-se no livro, publicado em janeiro em Pequim, em edição bilingue (chinês e inglês).

A marinha chinesa “visitou então mais de trinta países e regiões” (da atual Indonésia até ao Quénia), percorrendo, no conjunto, “160 mil milhas marítimas” (cerca de 300 mil quilómetros).

Mas ao contrário do que aconteceria durante a “invasão colonial ocidental” - salienta a biografia, assinada por Wang Jienan - Zheng He atuava segundo “o sistema de cortesia do Império Celeste”.

Malaca, Ceilão, Calcutá, Ormuz e outros lugares que iriam entrar para a História dos Descobrimentos portugueses foram alguns dos portos onde atracaram as diferentes esquadras comandadas por Zheng He e que deverão ter impressionado as populações locais.

Desde a primeira missão, que zarpou da costa chinesa em 1405, com 62 navios, Zheng He navegava sempre com imponentes frotas.

O navio-almirante, por exemplo, tinha 119 metros de comprimento, nove mastros e 12 velas: “uma verdadeira obra-prima da construção naval chinesa”, diz Wang Jienan.

Recorrendo à linguagem diplomática atual, o autor da nova biografia afirma que as viagens de Zheng He “fortaleceram as amigáveis relações da China com as nações do Sueste Asiático, Ásia do Sul e Africa Oriental”.

“As viagens tinham como objetivos a abertura, o intercâmbio e o desenvolvimento” e proporcionaram “resultados mutuamente vantajosos”, afirma o historiador chinês.

Nascido no sul da China, ainda sob o domínio mongol, Zheng He era eunuco e “um devoto muçulmano e budista”.

Segundo a biografia, “contribuiu imenso para o desenvolvimento do Islão na Indonésia e Malásia” e “deu o pontapé de saída para a emigração chinesa em massa para o Sueste Asiático”.

Um autor japonês citado no livro, Terada Takanobu, afirma que “as viagens iniciadas na chamada Grande Era da Navegação perdem o brilho quando comparadas com as viagens de Zheng He”.

Bartolomeu Dias, Vasco da Gama, Fernão de Magalhães e Cristóvão Colombo são os únicos navegadores ocidentais mencionados na biografia: o primeiro dobrou o Cabo das Tormentas em 1488 e, dez anos mais tarde, o segundo descobriu o caminho marítimo (ocidental) para a Índia.

O livro não explica porquê, mas após a morte de Zheng He, a China virou as costas ao mar e isolou-se do mundo, que considerava “bárbaro” e “atrasado”.

E quase seis séculos mais tarde, quando a “ascensão pacífica” da China ao estatuto de grande potência está na ordem do dia, o “exemplo” do almirante Zheng He continua a ser uma boa história.

*** Este texto foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico ***

sábado, 16 de janeiro de 2010

Malásia: Ascende a 11 número de igrejas cristãs atacadas por vândalos

Uma igreja foi atacada na sexta-feira à noite com "cocktails molotov" no sul da Malásia, o último acto de vandalismo contra centros cristãos no país depois do parecer judicial que permite aos não muçulmanos utilizar o termo "Alá".

Um templo no Estado de Negeri Sembilan apresentava hoje várias janelas com vidros partidos, ascendendo agora a 11 o número de ataques registados ao longo de quase uma semana, informou hoje a polícia.

Até agora, só um jovem muçulmano foi formalmente acusado de ter instigado os ataques através da Internet, depois de ter afirmado na sua página da rede social Facebook que ia lançar fogo com gasolina a uma igreja.

Se for considerado culpado pelo tribunal, pode ser condenado a uma pena máxima de um ano de prisão.

Na quarta-feira, foi saqueado um escritório de advogados que representa a publicação cristã que defende o direito dos não muçulmanos a utilizarem o termo "Alá".

A crescente tensão religiosa no país já levou o Governo malaio a ameaçar com a aplicação da polémica lei de segurança interna, que permite a detenção por tempo indefinido e sem mandado judicial de suspeitos desde que esteja em perigo a estabilidade da nação.

Na língua malaia só existe o termo "Alá" para um crente se referir a Deus e tem sido usado desde há 14 séculos por muçulmanos, judeus e cristãos.

A polémica teve início em 1995, quando o semanário católico da arquidiocese de Kuala Lumpur, The Herald, publicou artigos nos quais se referia a Deus por "Alá".

Em 2006, o Governo malaio declarou publicamente a intenção de impedir as publicações cristãs em língua malaia de utilizararem a palavra "Alá" para se referir a Deus.

No passado dia 31 de Dezembro, no entanto, o Supremo Tribunal de Justiça da Malásia emitiu um acórdão favorável à utilização do termo "Alá" por não muçulmanos.

Cinco dias mais tarde, grupos de muçulmanos convocaram através da Internet protestos contra tal medida. Foi a partir de dia 08 que começaram os ataques contra alvos cristãos na Malásia.

sábado, 26 de dezembro de 2009

Ásia: Vários países recordam hoje as vítimas do tsunami de 2004

A Ásia recorda hoje a memória das vítimas do tsunami de 26 de Dezembro de 2004, o pior cataclismo das últimas décadas, que ceifou mais de 220 mil vidas e perturbou a vida de milhões de pessoas na região do Oceano Índico.

Na província indonésia de Aceh, que pagou o mais pesado tributo à catástrofe, uma jornada de oração está hoje a decorrer nas mesquitas em memória dos 168 mil mortos ou desaparecidos registados no arquipélago.

Famílias inteiras, por vezes numerosas, foram dizimadas pela fúria do mar que invadiu zonas terrestres arrasando casas, escolas, hospitais e outras infra-estruturas em poucas horas. Para muitas famílias, subsiste agora o drama de nem saberem onde estão soterrados os seus desaparecidos.

No porto de Ulee Lheu, o vice-presidente da Indonésia presidiu a uma cerimónia de evocação das vítimas do tsunami.

"Cinco anos passados, os habitantes de Aceh, com a ajuda da comunidade internacional, começam a recompor-se do drama e a reconstruir a sua vida social, económica e cultural", declarou o governante a um milhar de pessoas.

No Sri Lanka, onde as organizações humanitárias evocam o número de 31 mil falecimentos, foram hoje observados dois minutos de silêncio nacional em memória dos defuntos.

A rádio e a televisão públicas suspenderam a sua programação às 9h25 locais (04h55 no Luxemburgo), mesma hora a que o tsunami fustigou a região há cinco anos.

Cerimónias similares estão previstas na Tailândia, onde cerca de 20 mil pessoas foram mortas pela vaga gigante provocada por um sismo de magnitude 9,3.

Sistemas de alerta anti-tsunami foram entretanto instaurados em vários pontos da Ásia com vista a evitar uma repetição da catástrofe de 2004, mas subsistem "falhas significativas" no sistema, de acordo com Noeleen Heyzer, sub-secretário-geral da ONU.

"Os sistemas de alerta salvam vidas mas apenas se lograrem alertar a tempo e horas as pessoas em perigo", recordou Heyzer, advertindo que uma parte importante dos esforços deve concentrar-se na informação às comunidades costeiras sobre os riscos em que incorrem e as formas de os enfrentar.

Além disso, a reconstrução também tem esbarrado em certos países com problemas de corrupção, como por exemplo no Sri Lanka, onde hoje o governo de Colombo vai tornar públicas as contas relativas a metade dos cerca de 2,2 mil milhões de euros da ajuda prometida pelos doadores estrangeiros.

O Banco Mundial (BM), que concedeu um pacote de cerca de 150 milhões de dólares para a reconstrução, recuperou 134 mil dólares em Maio, depois das autoridades de Colombo terem, por exemplo, comprado 168 motorizadas com verbas do orçamento para o tsunami.

Na Indonésia, a agência especialmente criada para coordenar a reconstrução das regiões devastadas foi dissolvida em Abril.

A Agência de reabilitação e de reconstrução (BRR) afirmou que 6,7 mil milhões de dólares, dos 7,2 milhões comprometidos pelo governo e pelos doadores internacionais, foram gastos em diferentes projectos de reconstrução em Aceh e na vizinha ilha de Nias.

Permitiram, nomeadamente, construir mais de 140 mil casas, 1.759 escolas, 363 pontes e 13 aeroportos, segundo dados da agência.

terça-feira, 10 de novembro de 2009

Internacional: Navios de guerra das duas Coreias trocaram tiros

Navios de guerra das duas Coreias trocaram tiros esta terça-feira junto à costa ocidental da península coreana, anunciou a agência de notícias sul-coreana Yonhap.

Um navio de guerra sul-coreano disparou contra uma unidade naval de Pyongyan que atravessou esta manhã (madrugada na Europa) a controversa fronteira marítima entre o Norte e o Sul, indicou a Yonhap.

O navio norte-coreano replicou ao fogo, não tendo sido indicado se da troca de tiros resultaram danos materiais ou pessoais.

As duas Marinhas tiveram graves confrontos na fronteira marítima em 1999 e 2002, das quais resultaram mortos de ambos os lados.

sábado, 11 de julho de 2009

Timor-Leste: Morreu Manuel Carrascalão, um dos rostos da independência do país

O político timorense Manuel Carrascalão morreu este sábado aos 78 anos no hospital Guido Valadares, em Díli, vítima de complicações de saúde na sequência de uma embolia cerebral, disse à agência Lusa fonte familiar.

"O meu irmão morreu hoje cerca das 14h30 de Lisboa no hospital Guido Valadares, em Díli, rodeado de familiares e amigos", disse à agência Lusa Gabriela Carrascalão, que se encontra em Portugal em trabalho e regressa domingo a Timor-Leste.

Manuel Carrascalão foi uma das principais figuras associadas ao processo de consulta popular em 30 de Agosto 1999, que conduziu o território à independência, após 27 anos de ocupação indonésia, e liderou, após a votação, o Conselho Nacional da Resistência Timorense (CNRT), a coligação independentista timorense, sucedendo a Xanana Gusmão.

O irmão mais velho da família Carrascalão estava doente há oito meses, quando sofreu uma embolia cerebral, segundo adiantou Gabriela Carrascalão. Apesar de ter recuperado, há cerca de dois meses começaram a surgir complicações que ditaram a sua hospitalização desde essa data.

Gabriela Carrascalão disse à Lusa que a data das cerimónias fúnebres só será anunciada depois do regresso ao território de todos os familiares de Manuel Carrascalão. Gabriela Carrascalão é assessora do Ministro dos Negócios Estrangeiros timorense, Zacarias da Costa, e está em Lisboa a preparar a participação de Timor-Leste no conselho de ministros da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), que se realiza na próxima semana em Cabo Verde.

Um outro irmão, João Carrascalão, que é presidente do Comité Olímpico de Timor-Leste, chegou hoje a Lisboa, acompanhando a comitiva timorense que vai participar na segunda edição dos Jogos da Lusofonia.

Manuel Carrascalão tinha ainda filhos em Cabo Verde e nos Estados Unidos e só depois do seu regresso a Timor-Leste será decidida a data do funeral.

Em Abril de 1999, a sua residência em Díli foi cenário de um massacre executado por milícias pró-indonésias, que mataram o seu filho adolescente, "Manelito", e dezenas de civis que estavam refugiados na casa de Lecidere.