A nova edição atualizada do “Prontuário Ortográfico e Guia da Língua Portuguesa” é colocada em fevereiro no mercado, conforme ao Acordo Ortográfico que altera cerca de 1200 vocábulos.
Esta é a 50.ª edição do “Prontuário Ortográfico”, cuja anterior atualização data de 2007, e integra vocabulários das áreas do marketing, informática, geografia e aportuguesamentos.
A nova edição inclui ainda "vocabulário SMS", "lista de smilings", "lista de abreviaturas para E-mails e SMS".
“A língua é viva e as novas tecnologias implicam o aportuguesamento de determinados termos”, explicou à Lusa Guilherme Ayala Monteiro, responsável pela atualização conforme o Acordo.
“O Acordo não trouxe grandes alterações mas mesmo assim há 1200 vocábulos que foram modificados, nomeadamente no que toca à hifenização, alguns acentos caíram, como o caso de joia, e há o desaparecimento das chamadas consoantes mudas”, esclareceu.
"Há casos em que se passa a admitir duplas grafias como em 'característica' e 'caraterística'", referiu.
“Há ainda – acrescentou – o uso de maiúsculas e minúsculas que foi alterado em alguns casos, como os meses que passam a ser escritos com minúscula”.
O “Prontuário Ortográfico”, editado pela Casa das Letras, contempla ainda formas vocabulares duplas, nomeadamente os gentílicos, entre os quais “canadiano” e “canadense” ou “norte-americano” e “estado-unidense”, ambos admissíveis.
Ayala Monteiro mostrou-se cético quanto aos resultados práticos do novo acordo, afirmando que “os brasileiros não cumpriram o acordo assinado em 1945”, e rematou: “O português é uma língua viva, uma árvore frondosa com vários ramos, o brasileiro, o angolano, o moçambicano e por aí fora”.
O autor considera que “é difícil pôr todo os povos a falar e a escrever da mesma maneira, até porque no essencial todos nos compreendemos”.
Referindo-se ao “Prontuário”, Ayala Monteiro definiu-o como “essencial, até porque indo à Internet encontramos muita coisa incorreta, além de que [o livro] ajuda muito nas concordâncias, é um apoio seguro e eficaz”.
A nova edição foi coordenada por Maria Henriqueta Costa Campos.
*** Este texto foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico ***
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sexta-feira, 28 de janeiro de 2011
quinta-feira, 30 de dezembro de 2010
Língua: Maioria dos jornais adota Acordo Ortográfico em 2011, Público mantém recusa
A generalidade dos jornais portugueses adotará o novo Acordo Ortográfico a partir do próximo ano, com o Público a permanecer inalterável na decisão de não aderir ao novo modelo, constatou a agência Lusa junto dos títulos de media.
Sol, DN, JN, i e A Bola são títulos que adotarão o novo acordo durante 2011. Atualmente, o semanário Expresso e o desportivo Record são os jornais cujos textos já seguem o novo Acordo Ortográfico, que encontra-se também já em vigor no mundo dos media na agência Lusa e na revista Visão, por exemplo.
O semanário Sol aplicará o acordo aquando do quinto aniversário, na edição de 16 de setembro, disse fonte da direção. Já o desportivo A Bola, garantiu o diretor Vítor Serpa, aplicará o acordo quando se iniciar o ano letivo, em outubro, período que será também o da aplicação do Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa no sistema educativo.
Menos concretas são as metas de outros títulos. No caso do DN "não há decisão tomada" para a adoção do acordo, garantindo o diretor João Marcelino que o jornal "vai utilizar a data limite" e o processo de transição até à passagem para os documentos oficiais.
No JN, por seu turno, "estão a ser dar passos" para a introdução em 2011, embora o diretor José Leite Pereira não avance ainda com uma meta. O desportivo O Jogo, do mesmo grupo (Controlinveste), não tem também um prazo concreto para começar a escrever com o novo Acordo Ortográfico.
"Algures durante 2011" é a projeção que Manuel Queiroz, diretor do i, faz para a aplicação do acordo no diário do grupo Lena.
Caso diferente é o do Público, que desde um editorial de dezembro de 2009 declarou que não iria colocar em prática o Acordo Ortográfico, contestando as alegadas vantagens de uma norma global para o português escrito.
Contactada pela Lusa, a diretora Bárbara Reis reiterou a posição do jornal asseverando que o Público levará "até ao limite" a sua posição.
O Correio da Manhã, da Cofina, começou a adoção ao novo acordo em 2009, e a ideia, explicou fonte oficial da Cofina, é "aderir paulatinamente" ao Acordo Ortográfico.
Nos económicos, o Jornal de Negócios (Cofina) não tem ainda uma decisão formada, sendo este um assunto "em agenda". No entanto, explicou o diretor adjunto João Cândido da Silva, o título deverá aderir "provavelmente algures em 2011" ao acordo.
O Diário Económico, por sua vez, anunciou no começo do ano que iria adotar o acordo ortográfico em 2010, com o diretor António Costa a considerar então que o processo devia ser "discutido com a redação".
O responsável do jornal detido pela Ongoing, contactado pela Lusa, remeteu detalhes sobre a entrada do acordo ortográfico no jornal para mais tarde.
No que refere às televisões, a aplicação do Acordo Ortográfico está dependente de um entendimento comum entre os operadores, o que até ao momento ainda não se verificou.
*** Este texto foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico ***
Sol, DN, JN, i e A Bola são títulos que adotarão o novo acordo durante 2011. Atualmente, o semanário Expresso e o desportivo Record são os jornais cujos textos já seguem o novo Acordo Ortográfico, que encontra-se também já em vigor no mundo dos media na agência Lusa e na revista Visão, por exemplo.
O semanário Sol aplicará o acordo aquando do quinto aniversário, na edição de 16 de setembro, disse fonte da direção. Já o desportivo A Bola, garantiu o diretor Vítor Serpa, aplicará o acordo quando se iniciar o ano letivo, em outubro, período que será também o da aplicação do Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa no sistema educativo.
Menos concretas são as metas de outros títulos. No caso do DN "não há decisão tomada" para a adoção do acordo, garantindo o diretor João Marcelino que o jornal "vai utilizar a data limite" e o processo de transição até à passagem para os documentos oficiais.
No JN, por seu turno, "estão a ser dar passos" para a introdução em 2011, embora o diretor José Leite Pereira não avance ainda com uma meta. O desportivo O Jogo, do mesmo grupo (Controlinveste), não tem também um prazo concreto para começar a escrever com o novo Acordo Ortográfico.
"Algures durante 2011" é a projeção que Manuel Queiroz, diretor do i, faz para a aplicação do acordo no diário do grupo Lena.
Caso diferente é o do Público, que desde um editorial de dezembro de 2009 declarou que não iria colocar em prática o Acordo Ortográfico, contestando as alegadas vantagens de uma norma global para o português escrito.
Contactada pela Lusa, a diretora Bárbara Reis reiterou a posição do jornal asseverando que o Público levará "até ao limite" a sua posição.
O Correio da Manhã, da Cofina, começou a adoção ao novo acordo em 2009, e a ideia, explicou fonte oficial da Cofina, é "aderir paulatinamente" ao Acordo Ortográfico.
Nos económicos, o Jornal de Negócios (Cofina) não tem ainda uma decisão formada, sendo este um assunto "em agenda". No entanto, explicou o diretor adjunto João Cândido da Silva, o título deverá aderir "provavelmente algures em 2011" ao acordo.
O Diário Económico, por sua vez, anunciou no começo do ano que iria adotar o acordo ortográfico em 2010, com o diretor António Costa a considerar então que o processo devia ser "discutido com a redação".
O responsável do jornal detido pela Ongoing, contactado pela Lusa, remeteu detalhes sobre a entrada do acordo ortográfico no jornal para mais tarde.
No que refere às televisões, a aplicação do Acordo Ortográfico está dependente de um entendimento comum entre os operadores, o que até ao momento ainda não se verificou.
*** Este texto foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico ***
sexta-feira, 1 de outubro de 2010
Portugal/Televisão: RTP adopta novo Acordo Ortográfico a partir de Janeiro
O responsável confirmou a data de implementação do Acordo Ortográfico à margem da cerimónia de apresentação da nova grelha do canal, que terá no programa “Cuidado com a língua” um módulo dedicado “à volta do que muda e não muda” com o novo acordo.
A aplicação do Acordo Ortográfico terá efeitos em todo o grupo RTP (RTP 1 e 2, RTP Madeira, RTP Açores, RTP Internacional, e as rádios Antena 1, 2 e 3).
Acordo Ortográfico
O Brasil foi o primeiro país a aplicar o AO, em Janeiro de 2009. Portugal decidiu a sua entrada em vigor em 1 de Janeiro de 2010, com um período de adaptação até 2016.
Dos oito países de língua portuguesa que deverão adoptar esta Nova Ortografia da Língua Portuguesa - Portugal, Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, São Tomé e Príncipe e Timor - , o AO está actualmente em vigor apenas em dois – Brasil e Portugal – e falta ser ratificado por outros dois: Angola e Moçambique.
A Agência Lusa começou a aplicar o AO em todos os textos que produz desde 30 de Janeiro de 2010 e outros jornais portugueses também já seguiram o exemplo (Expresso, Correio da Manhã e Record). Outros jornais, como o Público, afirmaram nunca adoptar o novo AO.
A Redacção do CONTACTO estabeleceu um período de cinco anos para "adotar" o novo acordo.
Foto: Á. Cruz
terça-feira, 8 de junho de 2010
Portugal/Acordo Ortográfico: Vocabulário oficial será escolhido nas próximas semanas
A ministra da Cultura portuguesa, Gabriela Canavilhas, afirmou segunda-feira que nas próximas semanas será decidido qual o vocabulário da Língua Portuguesa a utilizar oficialmente pelo Estado com as novas regras do acordo ortográfico.
Segundo a ministra, a decisão sobre o vocabulário a escolher caberá ao Conselho de Ministros. Só depois será decidido o faseamento da aplicação nos vários organismos do Governo, sendo que o prazo oficial é de seis anos, até Maio de 2015, contando a partir da ratificação do acordo (2009).
Só depois de tomada a decisão em Conselho de Ministros é que, por exemplo, os manuais escolares deverão ser alterados de acordo com as novas regras ortográficas.
Conversor ortográfico ajuda cidadão comum a familiarizar-se com novas regras
A ministra falava no final da apresentação do conversor de ortografia Lince, desenvolvido pelo Instituto de Linguística Teórica e Computacional (ILTEC) e que custou 60 mil euros, pagos através do Fundo da Língua Portuguesa.
Este conversor é um programa informático gratuito de livre utilização, pode ser utilizado em qualquer sistema operativo e descarregado através do site www.portaldalinguaportuguesa.org e permite ao cidadão comum familiarizar-se com as novas regras ortográficas.
Além do conversor e do vocabulário criado pelo ILTEC, a Porto Editora lançou também um vocabulário ortográfico da Língua Portuguesa e a Academia de Ciências está a preparar também um Vocabulário da Língua Portuguesa.
Expresso e SIC começam hoje a aplicar novo acordo ortográfico
O acordo ortográfico entrou em vigor em Janeiro deste ano. Há já vários órgãos de comunicação social a aplicar as novas regras, entre os quais o jornal Record e a agência Lusa. O canal de televisão SIC e o semanário Expresso começam a aplicar as novas regras a partir de hoje nas suas publicações, na imprensa digital e nas áreas administrativas do grupo a que pertencem, a Impresa.
Segundo a ministra, a decisão sobre o vocabulário a escolher caberá ao Conselho de Ministros. Só depois será decidido o faseamento da aplicação nos vários organismos do Governo, sendo que o prazo oficial é de seis anos, até Maio de 2015, contando a partir da ratificação do acordo (2009).
Só depois de tomada a decisão em Conselho de Ministros é que, por exemplo, os manuais escolares deverão ser alterados de acordo com as novas regras ortográficas.
Conversor ortográfico ajuda cidadão comum a familiarizar-se com novas regras
A ministra falava no final da apresentação do conversor de ortografia Lince, desenvolvido pelo Instituto de Linguística Teórica e Computacional (ILTEC) e que custou 60 mil euros, pagos através do Fundo da Língua Portuguesa.
Este conversor é um programa informático gratuito de livre utilização, pode ser utilizado em qualquer sistema operativo e descarregado através do site www.portaldalinguaportuguesa.org e permite ao cidadão comum familiarizar-se com as novas regras ortográficas.
Além do conversor e do vocabulário criado pelo ILTEC, a Porto Editora lançou também um vocabulário ortográfico da Língua Portuguesa e a Academia de Ciências está a preparar também um Vocabulário da Língua Portuguesa.
Expresso e SIC começam hoje a aplicar novo acordo ortográfico
O acordo ortográfico entrou em vigor em Janeiro deste ano. Há já vários órgãos de comunicação social a aplicar as novas regras, entre os quais o jornal Record e a agência Lusa. O canal de televisão SIC e o semanário Expresso começam a aplicar as novas regras a partir de hoje nas suas publicações, na imprensa digital e nas áreas administrativas do grupo a que pertencem, a Impresa.
terça-feira, 30 de março de 2010
Língua: Em dois anos todos os países da CPLP já terão aplicado o novo Acordo Ortográfico - Malaca Casteleir
No prazo máximo de dois anos todos os países de língua oficial portuguesa já terão aplicado o Acordo Ortográfico, disse à Lusa João Malaca Casteleiro, conhecido linguista português.
“Estou convicto que no prazo máximo de dois anos o Acordo estará implementado em todos os países”, garantiu o professor universitário e membro da Academia das Ciências de Lisboa (ACL).
Malaca Casteleiro participou na última semana da conferência internacional sobre o futuro da língua portuguesa, em Brasília, e esteve na segunda feira na Academia Brasileira de Letras (ABL), no Rio de Janeiro, para o Encontro da Lusofonia.
Em declarações à Lusa, o presidente do Instituto de Lexicologia e Lexicografia da ACL defendeu a criação de um alto comissariado junto da Comunidade dos Países de Língua Portuguesas (CPLP) para se ocupar dos “problemas comuns” da língua.
“Nós precisávamos ter um organismo que zelasse por uma política comum da língua portuguesa. O IILP (Instituto Internacional da Língua Portuguesa) não tem desenvolvido seu trabalho por falta de recursos e projetos”, criticou.
Para fortalecer a lusofonia e promover o idioma em todos os países e em organismos internacionais, Malaca Casteleiro considerou que é possível elaborar um vocabulário ortográfico comum.
“O vocabulário ortográfico deveria ter sido elaborado antes, estamos atrasados. Mas agora, como já surgiram vários, creio que seria até mais fácil unificar”, argumentou o gramático português.
Um vocabulário ortográfico comum, segundo ele, registaria as divergências existentes no domínio da lusofonia, como por exemplo palavras com acento agudo na norma luso-afro-asiática mas que são grafadas com circunflexo na norma brasileira. Assim, seria aceite a dupla grafia.
Na sua palestra, Malaca Casteleiro lembrou que o Acordo Ortográfico remonta a 1911, quando Portugal fez uma “reforma profunda com imensas substituições”.
“O facto de não ter feito uma reforma comum em 1911 com o Brasil, fez arrastar a questão pelo século 20”, disse.
No Brasil, as novas regras (novo Acordo Ortográfico) entraram em vigor a 01 de janeiro de 2009, enquanto em Portugal, as normas deverão vigorar no ano letivo de 2011/2012.
“Lamento que Portugal tenha perdido este barco e não tenha sido capaz, com o Brasil, (...) de fazer entrar em vigor o novo Acordo Ortográfico. Isso tinha sido prometido pelo nosso primeiro ministro numa cimeira em setembro de 2008, no Brasil. O Brasil cumpriu e Portugal não”, destacou.
Grande defensor da implantação da nova grafia, o linguista português admite que “não há nenhum acordo perfeito, e este não é perfeito”.
Contudo, Malaca Casteleiro ressalta a importância do bom senso numa negociação.
A implementação deste acordo é “inevitável”, acrescentou.“Mesmo com críticas não temos outra alternativa. Regredir é impossível, não se pode voltar atrás”, sublinhou.
Questionado sobre o futuro da língua portuguesa, Malaca Casteleiro afirmou ter uma perspetiva positiva e “muito otimista”.
“É uma língua de comunicação internacional, é uma língua pujante, riquíssima e está em progressão”, sintetizou.
As previsões demográficas, segundo o gramático, apontam para 350 milhões de falantes de português em meados deste século, devido sobretudo ao crescimento da população no Brasil e nos Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (PALOP).
“Estou convicto que no prazo máximo de dois anos o Acordo estará implementado em todos os países”, garantiu o professor universitário e membro da Academia das Ciências de Lisboa (ACL).
Malaca Casteleiro participou na última semana da conferência internacional sobre o futuro da língua portuguesa, em Brasília, e esteve na segunda feira na Academia Brasileira de Letras (ABL), no Rio de Janeiro, para o Encontro da Lusofonia.
Em declarações à Lusa, o presidente do Instituto de Lexicologia e Lexicografia da ACL defendeu a criação de um alto comissariado junto da Comunidade dos Países de Língua Portuguesas (CPLP) para se ocupar dos “problemas comuns” da língua.
“Nós precisávamos ter um organismo que zelasse por uma política comum da língua portuguesa. O IILP (Instituto Internacional da Língua Portuguesa) não tem desenvolvido seu trabalho por falta de recursos e projetos”, criticou.
Para fortalecer a lusofonia e promover o idioma em todos os países e em organismos internacionais, Malaca Casteleiro considerou que é possível elaborar um vocabulário ortográfico comum.
“O vocabulário ortográfico deveria ter sido elaborado antes, estamos atrasados. Mas agora, como já surgiram vários, creio que seria até mais fácil unificar”, argumentou o gramático português.
Um vocabulário ortográfico comum, segundo ele, registaria as divergências existentes no domínio da lusofonia, como por exemplo palavras com acento agudo na norma luso-afro-asiática mas que são grafadas com circunflexo na norma brasileira. Assim, seria aceite a dupla grafia.
Na sua palestra, Malaca Casteleiro lembrou que o Acordo Ortográfico remonta a 1911, quando Portugal fez uma “reforma profunda com imensas substituições”.
“O facto de não ter feito uma reforma comum em 1911 com o Brasil, fez arrastar a questão pelo século 20”, disse.
No Brasil, as novas regras (novo Acordo Ortográfico) entraram em vigor a 01 de janeiro de 2009, enquanto em Portugal, as normas deverão vigorar no ano letivo de 2011/2012.
“Lamento que Portugal tenha perdido este barco e não tenha sido capaz, com o Brasil, (...) de fazer entrar em vigor o novo Acordo Ortográfico. Isso tinha sido prometido pelo nosso primeiro ministro numa cimeira em setembro de 2008, no Brasil. O Brasil cumpriu e Portugal não”, destacou.
Grande defensor da implantação da nova grafia, o linguista português admite que “não há nenhum acordo perfeito, e este não é perfeito”.
Contudo, Malaca Casteleiro ressalta a importância do bom senso numa negociação.
A implementação deste acordo é “inevitável”, acrescentou.“Mesmo com críticas não temos outra alternativa. Regredir é impossível, não se pode voltar atrás”, sublinhou.
Questionado sobre o futuro da língua portuguesa, Malaca Casteleiro afirmou ter uma perspetiva positiva e “muito otimista”.
“É uma língua de comunicação internacional, é uma língua pujante, riquíssima e está em progressão”, sintetizou.
As previsões demográficas, segundo o gramático, apontam para 350 milhões de falantes de português em meados deste século, devido sobretudo ao crescimento da população no Brasil e nos Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (PALOP).
segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010
Língua Portuguesa: Vocabulário Ortográfico do Português disponível na Internet
O Vocabulário Ortográfico do Português (VOP) está disponível no Portal da Língua Portuguesa - www.portaldalinguaportuguesa.org - desde o passado dia 01, informou o Instituto de Linguística Teórica e Computacional (ILTEC). Produzido pelo ILTEC, o vocabulário reúne uma extensa lista de palavras com indicações de ortografia, categoria morfossintática e peculiaridades de flexão, caso existam.
Nesta primeira fase, o VOP, concebido para consulta na Internet, integra 150 mil palavras do vocabulário geral,num projeto submetido ao Fundo da Língua Portuguesa. Este fundo agrega quatro ministérios - Negócios Estrangeiros, Cultura, Educação e da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior - e é gerido pelo Instituto Português de Apoio ao Desenvolvimento (IPAD).
Até ao fim deste mês, o Portal da Língua Portuguesa disponibilizará ainda o Lince, um conversor para a nova ortografia com vários verificadores ortográficos. O Lince é uma ferramenta descarregável que permite a conversão automática de textos de qualquer dimensão para a nova ortografia.
O Lince permitirá converter textos em formatos DOC, PDF, ODT, RTF e TXT. Os verificadores ortográficos são extensões para o Microsoft Office Word e Outlook 2003 e 2007 e para o OpenOffice.org que permitem verificar a ortografia dos textos enquanto são digitalizados. Ambas as ferramentas integram os dados do VOP.
Em abril próximo, o Vocabulário Ortográfico de Português passará a dispor de mais de 200 mil entradas do vocabulário geral e seis dicionários: estrangeirismos, topónimos e gentílicos, nomes próprios, expressões latinas, unidades de medida e abreviaturas.
O VOP e os recursos a ele associados estão disponíveis gratuitamente e visam fazer face às necessidades do público em geral e dos profissionais que trabalham com a língua portuguesa, para que a redação do português seja consonante com a nova ortografia em vigor.
*** Este texto foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico ***
Nesta primeira fase, o VOP, concebido para consulta na Internet, integra 150 mil palavras do vocabulário geral,num projeto submetido ao Fundo da Língua Portuguesa. Este fundo agrega quatro ministérios - Negócios Estrangeiros, Cultura, Educação e da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior - e é gerido pelo Instituto Português de Apoio ao Desenvolvimento (IPAD).
Até ao fim deste mês, o Portal da Língua Portuguesa disponibilizará ainda o Lince, um conversor para a nova ortografia com vários verificadores ortográficos. O Lince é uma ferramenta descarregável que permite a conversão automática de textos de qualquer dimensão para a nova ortografia.
O Lince permitirá converter textos em formatos DOC, PDF, ODT, RTF e TXT. Os verificadores ortográficos são extensões para o Microsoft Office Word e Outlook 2003 e 2007 e para o OpenOffice.org que permitem verificar a ortografia dos textos enquanto são digitalizados. Ambas as ferramentas integram os dados do VOP.
Em abril próximo, o Vocabulário Ortográfico de Português passará a dispor de mais de 200 mil entradas do vocabulário geral e seis dicionários: estrangeirismos, topónimos e gentílicos, nomes próprios, expressões latinas, unidades de medida e abreviaturas.
O VOP e os recursos a ele associados estão disponíveis gratuitamente e visam fazer face às necessidades do público em geral e dos profissionais que trabalham com a língua portuguesa, para que a redação do português seja consonante com a nova ortografia em vigor.
*** Este texto foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico ***
quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010
Portugal/Acordo Ortográfico: Vocabulário Ortográfico de Língua Portuguesa gratuito na internet
O Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa (VOLP), publicado em Outubro de 2009 pela Porto Editora, está disponível gratuitamente na internet, anunciou hoje a editora.
A obra está disponível em www.infopedia.pt , na internet.
A responsável do departamento de dicionários da Porto Editora, Graciete Teixeira, justifica a disponibilização da obra na internet com a fase de transição ortográfica face à aplicação do novo Acordo Ortográfico.
O VOLP teve orientação científica do linguista João Malaca Casteleiro e permite pesquisar mais de 180 mil vocábulos representativos do património lexical da língua portuguesa. Disponibiliza ainda informações sobre classificação gramatical, indicação de pronúncia, formas irregulares no feminino, plurais de compostos, estrangeirismos, abreviaturas e símbolos mais usados na língua portuguesa.
A obra está disponível em www.infopedia.pt , na internet.
A responsável do departamento de dicionários da Porto Editora, Graciete Teixeira, justifica a disponibilização da obra na internet com a fase de transição ortográfica face à aplicação do novo Acordo Ortográfico.
O VOLP teve orientação científica do linguista João Malaca Casteleiro e permite pesquisar mais de 180 mil vocábulos representativos do património lexical da língua portuguesa. Disponibiliza ainda informações sobre classificação gramatical, indicação de pronúncia, formas irregulares no feminino, plurais de compostos, estrangeirismos, abreviaturas e símbolos mais usados na língua portuguesa.
domingo, 31 de janeiro de 2010
Acordo Ortográfico: Adoção pelos Media é "passo importante" para "consolidação" da língua, diz Carlos Reis, professor da Universidade de Coimbra
O professor catedrático Carlos Reis considerou no sábado "um passo importante" que a Agência Lusa e outros órgãos de informação passem a adotar o Acordo Ortagráfico, porque se trata de um "importante instrumento de consolidação e internacionalização da língua portuguesa".
"O facto de a Lusa adotar agora o Acordo Ortográfico é uma boa notícia porque significa que a Comunicação Social portuguesa finalmente está atenta e desperta para a importância que ela mesma tem na entrada em vigor de tão importante instrumento de consolidação e internacionalização da língua portuguesa", disse Carlos Reis.
"Acordo Ortográfico é irreversível!"
A presidente da Sociedade de Língua Portuguesa (SLP), Elsa Rodrigues dos Santos, salientou, em declarações à Lusa, que o Acordo Ortográfico é "irreversível", mas alertou que a SLP entendeu ser "mais prudente" esperar mais um mês, até que saia a publicação do Vocabulário elaborado pela Academia das Ciências.
A mesma responsável aconselhou "alguma prudência" porque se está ainda à espera desse Vocabulário, numa altura em que "há problemas a serem clarificados", principalmente com a hifenização e aglutinação das palavras.
Embora entenda que o mais prudente seria esperar pelo Vocabulário da Academia das Ciências, a presidente da SLP refere que os órgãos de comunicação social que avançaram com a aplicação do Acordo Ortográfico podem utilizar essa experiência como "preparação", já que é sempre possível "retificar" o que tiver que ser alterado.
Carlos Reis, que se doutorou em Literatura Portuguesa em 1983 pela Universidade de Coimbra que é professor catedrático desde 1990, entende ser importante que a Comunicação Social adote o Acordo Ortográfico porque "no fundo ela substitui outros órgãos e entidades que deviam ter tido uma atitude mais ativa e não têm tido".
"Refiro-me concretamente ao Governo e à Academia de Ciências que têm estado numa atitude relativamente passiva quando comparado com o que acontece em outros países, designadamente o Brasil", acrescentou Carlos Reis, que é Reitor da Universidade Aberta.
Nas palavras de Carlos Reis, este "passo é importante também porque é o uso que vai ajudar a resolver vacilações e dificuldades que o Acordo Ortográfico pode levantar, como sempre acontece e aconteceu no passado quando iniciativas destas se concretizara".
Carlos Reis foi Diretor da Biblioteca Nacional de Portugal (1998-2002), Presidente da Comissão para o Bicentenário de Almeida Garrett (1999-2000), Presidente da Comissão Nacional do Centenário da Morte de Eça de Queirós (2000-2001) e Presidente da Associação Internacional de Lusitanistas (1999-2001).
Os jornais Expresso e Diário Económico vão adotar nos próximos meses as normas do Acordo Ortográfico, à semelhança do que a agência Lusa começou a fazer sábado, disseram sábado à Lusa os diretores destes títulos.
"O facto de a Lusa adotar agora o Acordo Ortográfico é uma boa notícia porque significa que a Comunicação Social portuguesa finalmente está atenta e desperta para a importância que ela mesma tem na entrada em vigor de tão importante instrumento de consolidação e internacionalização da língua portuguesa", disse Carlos Reis.
"Acordo Ortográfico é irreversível!"
A presidente da Sociedade de Língua Portuguesa (SLP), Elsa Rodrigues dos Santos, salientou, em declarações à Lusa, que o Acordo Ortográfico é "irreversível", mas alertou que a SLP entendeu ser "mais prudente" esperar mais um mês, até que saia a publicação do Vocabulário elaborado pela Academia das Ciências.
A mesma responsável aconselhou "alguma prudência" porque se está ainda à espera desse Vocabulário, numa altura em que "há problemas a serem clarificados", principalmente com a hifenização e aglutinação das palavras.
Embora entenda que o mais prudente seria esperar pelo Vocabulário da Academia das Ciências, a presidente da SLP refere que os órgãos de comunicação social que avançaram com a aplicação do Acordo Ortográfico podem utilizar essa experiência como "preparação", já que é sempre possível "retificar" o que tiver que ser alterado.
Carlos Reis, que se doutorou em Literatura Portuguesa em 1983 pela Universidade de Coimbra que é professor catedrático desde 1990, entende ser importante que a Comunicação Social adote o Acordo Ortográfico porque "no fundo ela substitui outros órgãos e entidades que deviam ter tido uma atitude mais ativa e não têm tido".
"Refiro-me concretamente ao Governo e à Academia de Ciências que têm estado numa atitude relativamente passiva quando comparado com o que acontece em outros países, designadamente o Brasil", acrescentou Carlos Reis, que é Reitor da Universidade Aberta.
Nas palavras de Carlos Reis, este "passo é importante também porque é o uso que vai ajudar a resolver vacilações e dificuldades que o Acordo Ortográfico pode levantar, como sempre acontece e aconteceu no passado quando iniciativas destas se concretizara".
Carlos Reis foi Diretor da Biblioteca Nacional de Portugal (1998-2002), Presidente da Comissão para o Bicentenário de Almeida Garrett (1999-2000), Presidente da Comissão Nacional do Centenário da Morte de Eça de Queirós (2000-2001) e Presidente da Associação Internacional de Lusitanistas (1999-2001).
Os jornais Expresso e Diário Económico vão adotar nos próximos meses as normas do Acordo Ortográfico, à semelhança do que a agência Lusa começou a fazer sábado, disseram sábado à Lusa os diretores destes títulos.
*** Este texto foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico ***
sábado, 30 de janeiro de 2010
Língua: Agência Lusa começa a aplicar Acordo Ortográfico a partir de hoje
A Agência Lusa começou a aplicar o Acordo Ortográfico em todas as notícias que produzir a partir de hoje, sábado, 30 de Janeiro, seguindo as novas normas da língua portuguesa que entraram em vigor no início do ano, embora com um período de adaptação até 2016.
Aprovado em 1990 por Portugal, Brasil e os cinco países africanos de língua oficial portuguesa, o Acordo Ortográfico foi ratificado pela Assembleia da República a 16 de Maio do ano passado e promulgado pelo Presidente da República a 21 de Julho.
O Brasil foi o primeiro país a aplicar o Acordo, em Janeiro de 2009. Portugal decidiu a sua entrada em vigor em 01 de Janeiro de 2010, com um período de adaptação até 2016. Só Moçambique e Angola ainda não o ratificaram.
Aprovado em 1990 por Portugal, Brasil e os cinco países africanos de língua oficial portuguesa, o Acordo Ortográfico foi ratificado pela Assembleia da República a 16 de Maio do ano passado e promulgado pelo Presidente da República a 21 de Julho.
O Brasil foi o primeiro país a aplicar o Acordo, em Janeiro de 2009. Portugal decidiu a sua entrada em vigor em 01 de Janeiro de 2010, com um período de adaptação até 2016. Só Moçambique e Angola ainda não o ratificaram.
segunda-feira, 28 de dezembro de 2009
Otimismo, deceção e exceção no ativar do Acordo Ortográfico em Janeiro de 2010
Aprovado em 1990, objeto, nos anos seguintes, de intervenções diversas para lhe «acelerar o passo», ratificado por Portugal ao cabo de 18 anos, o Novo Acordo Ortográfico não gera unanimidades: tem quem o celebre, quem o rejeite, quem o acolha com indiferença.
As razões da celebração, como as da rejeição, têm sido nestes últimos anos amplamente publicitadas. Em declarações públicas, em petições, em debates, em audiências, apoiantes e opositores - talvez com menos visibilidade os indiferentes - foram dando a conhecer o que pensam e ambicionam para o Acordo.
Argumentam os primeiros que o Acordo é necessário, útil e, à face da legislação nacional e do direito internacional, perfeitamente correto, válido, sem mácula de dominações ou oportunísticas interpretações do texto legal.
Isto dito, confiam em que o Acordo, cumprindo o que no seu Primeiro Considerando se proclama, constituirá realmente «um passo importante para a defesa da unidade essencial da língua portuguesa e para o seu prestígio internacional».
Contra-argumentam os segundos que o Acordo não é necessário nem útil, está cheio de erros, de incoerências, de ambiguidades, de excessos e contém em si matéria suscetível de gerar perversões/aberrações várias, ao nível da escrita e ao nível da fala.
Mais: perguntam se, no actual «estado de coisas», a «unidade essencial da língua» foi acaso desmantelada e se caiu por terra o seu «prestígio internacional»...
Para os apoiantes, a ratificação do Acordo pela Assembleia da República a 16 de maio e a promulgação pelo Presidente da República a 21 de julho terão, conjugadas, constituído uma espécie de «travessia do Rubicão».
Assim como Júlio César rumou, conquistador, a Roma, acreditam eles que o Acordo seguirá, triunfal, rumo a uma unidade linguística consolidada, bem enraizada, e os falantes de Português passarão a ser senhores de uma língua preparada para todos os embates e programada para um futuro longo e auspicioso.
Para os opositores, o que a ratificação e a promulgação conseguiram foi menos glorioso: foi preparar o cenário de um «desastre» para cuja iminência alertaram em petições, folhetos, textos de jornal, entrevistas na rádio, livros, etc.
O resto, o que para trás ficou, é história mais ou menos conhecida: o Acordo teve como «pais» a Academia das Ciências de Lisboa, a Academia Brasileira de Letras e representantes dos cinco países africanos de língua oficial portuguesa, os PALOP.
Mais tarde, em meados de dezembro de 1990, numa reunião em Lisboa, os titulares da Cultura dos Sete aprovaram-no. A 4 de junho de 1991, a Assembleia da República consagrou o «sim» de dezembro e aprovou, «para ratificação, o Acordo».
Os anos passaram e passou também, vazia de efeitos, a data de 1 de janeiro de 1994 fixada no artigo terceiro do Acordo como a da sua entrada em vigor, «após depositados os instrumentos de ratificação de todos os estados junto do Governo da República Portuguesa». Que foi feito então? Aprovou-se um Protocolo Modificativo que não estabelecia qualquer data para a entrada em vigor.
Juntamente com aquela, uma outra data foi arredada do Acordo pelo Protocolo: a que apontava para a elaboração, até janeiro de 1993, de «um Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa referente às terminologias científicas e técnicas». Quase 17 anos depois da data-limite da prevista elaboração do Vocabulário, e 11 depois da assinatura do Protocolo, na Cidade da Praia, a 17 de julho de 1998, ainda não há notícia nem recado do Vocabulário.
Ao Protocolo Modificativo de 1998, outro se seguiu, em São Tomé, a 25 de julho de 2004. Em questão, neste, a ainda não ratificação por todas as partes contratantes.
Optando-se por simplificar o processo, o novo texto consagrou que o Acordo entraria em vigor «com o terceiro depósito de instrumento de ratificação junto do Governo da República Portuguesa».
À parte a questão de saber se há ou não, neste clausulado, «torção» do texto constitucional, do ordenamento jurídico interno dos Oito (com Timor) e do ordenamento jurídico internacional, facto é que os três depósitos necessários aconteceram entretanto. Só Moçambique e Angola ainda o não fizeram.
O acordo, portanto, vigora. Na Lusa, lá para o fim de Janeiro, a grafia das notícias será a que nele se consagra - e este texto, por antecipação, exemplifica.
Raul M. Marques,
da Agência Lusa
As razões da celebração, como as da rejeição, têm sido nestes últimos anos amplamente publicitadas. Em declarações públicas, em petições, em debates, em audiências, apoiantes e opositores - talvez com menos visibilidade os indiferentes - foram dando a conhecer o que pensam e ambicionam para o Acordo.
Argumentam os primeiros que o Acordo é necessário, útil e, à face da legislação nacional e do direito internacional, perfeitamente correto, válido, sem mácula de dominações ou oportunísticas interpretações do texto legal.
Isto dito, confiam em que o Acordo, cumprindo o que no seu Primeiro Considerando se proclama, constituirá realmente «um passo importante para a defesa da unidade essencial da língua portuguesa e para o seu prestígio internacional».
Contra-argumentam os segundos que o Acordo não é necessário nem útil, está cheio de erros, de incoerências, de ambiguidades, de excessos e contém em si matéria suscetível de gerar perversões/aberrações várias, ao nível da escrita e ao nível da fala.
Mais: perguntam se, no actual «estado de coisas», a «unidade essencial da língua» foi acaso desmantelada e se caiu por terra o seu «prestígio internacional»...
Para os apoiantes, a ratificação do Acordo pela Assembleia da República a 16 de maio e a promulgação pelo Presidente da República a 21 de julho terão, conjugadas, constituído uma espécie de «travessia do Rubicão».
Assim como Júlio César rumou, conquistador, a Roma, acreditam eles que o Acordo seguirá, triunfal, rumo a uma unidade linguística consolidada, bem enraizada, e os falantes de Português passarão a ser senhores de uma língua preparada para todos os embates e programada para um futuro longo e auspicioso.
Para os opositores, o que a ratificação e a promulgação conseguiram foi menos glorioso: foi preparar o cenário de um «desastre» para cuja iminência alertaram em petições, folhetos, textos de jornal, entrevistas na rádio, livros, etc.
O resto, o que para trás ficou, é história mais ou menos conhecida: o Acordo teve como «pais» a Academia das Ciências de Lisboa, a Academia Brasileira de Letras e representantes dos cinco países africanos de língua oficial portuguesa, os PALOP.
Mais tarde, em meados de dezembro de 1990, numa reunião em Lisboa, os titulares da Cultura dos Sete aprovaram-no. A 4 de junho de 1991, a Assembleia da República consagrou o «sim» de dezembro e aprovou, «para ratificação, o Acordo».
Os anos passaram e passou também, vazia de efeitos, a data de 1 de janeiro de 1994 fixada no artigo terceiro do Acordo como a da sua entrada em vigor, «após depositados os instrumentos de ratificação de todos os estados junto do Governo da República Portuguesa». Que foi feito então? Aprovou-se um Protocolo Modificativo que não estabelecia qualquer data para a entrada em vigor.
Juntamente com aquela, uma outra data foi arredada do Acordo pelo Protocolo: a que apontava para a elaboração, até janeiro de 1993, de «um Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa referente às terminologias científicas e técnicas». Quase 17 anos depois da data-limite da prevista elaboração do Vocabulário, e 11 depois da assinatura do Protocolo, na Cidade da Praia, a 17 de julho de 1998, ainda não há notícia nem recado do Vocabulário.
Ao Protocolo Modificativo de 1998, outro se seguiu, em São Tomé, a 25 de julho de 2004. Em questão, neste, a ainda não ratificação por todas as partes contratantes.
Optando-se por simplificar o processo, o novo texto consagrou que o Acordo entraria em vigor «com o terceiro depósito de instrumento de ratificação junto do Governo da República Portuguesa».
À parte a questão de saber se há ou não, neste clausulado, «torção» do texto constitucional, do ordenamento jurídico interno dos Oito (com Timor) e do ordenamento jurídico internacional, facto é que os três depósitos necessários aconteceram entretanto. Só Moçambique e Angola ainda o não fizeram.
O acordo, portanto, vigora. Na Lusa, lá para o fim de Janeiro, a grafia das notícias será a que nele se consagra - e este texto, por antecipação, exemplifica.
Raul M. Marques,
da Agência Lusa
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