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sexta-feira, 13 de julho de 2012

Governo português garante apoio ao Ciberdúvidas

Foto: Guy Jallay
Sem apoios financeiros, o Ciberdúvidas, portal online dedicado à língua portuguesa, estava em risco de fechar, alertou na terça-feira o responsável do portal.

Ontem, a Secretaria de Estado da Cultura veio garantir apoio ao projecto. A secretaria de Estado da Cultura portuguesa anunciou ontem que vai disponibilizar "uma verba que permitirá assegurar a continuidade do portal Ciberdúvidas da Língua Portuguesa", para cobrir os custos de funcionamento.

"O Ciberdúvidas e o seu criador, o jornalista José Mário Costa, prestam um trabalho de inexcedível dedicação à causa pública, à língua portuguesa e aos portugueses, desde há década e meia”, afirma Francisco José Viegas. "Assegurar a sua continuidade enquadra-se integralmente na nossa missão, naquilo que diz respeito à promoção e defesa da língua", diz o secretário de Estado.

Na terça-feira, José Mário Costa disse à Lusa, depois de ter sido ouvido em audição na Comissão Parlamentar de Educação, Ciência e Cultura, na Assembleia da República, que o portal poderia encerrar até Setembro, se continuasse sem apoios financeiros.

Nas contas dos responsáveis pelo projecto criado há 15 anos, e que recebe 2,5 milhões de visitas por mês, o portal precisava "apenas do valor irrisório de 2.000 euros mensais para continuar".

sexta-feira, 1 de junho de 2012

Língua portuguesa é uma mais-valia para os goeses

Foto: Thalassa/FTV
O autor de um livro sobre literatura goesa em português, apresentado na quarta-feira em Goa (sul da Índia), defendeu que a língua de Camões é uma mais-valia para os goeses, nomeadamente no sector das tecnologias de informação.

No dia em que apresentou o seu livro "Oriente e Ocidente na Literatura Goesa", que resulta de uma tese de doutoramento em literatura portuguesa apresentada na Universidade de Goa, Eufemiano de Jesus Miranda manifestou o desejo de ver crescer o interesse dos estudantes goeses pela língua portuguesa.

"Da minha parte, farei tudo o que puder pela língua portuguesa, que para mim é uma segunda língua de berço", disse, após a apresentação daquele que é um dos poucos livros escritos em português a ser lançado em Goa nos últimos 50 anos.

domingo, 11 de março de 2012

Luxemburgo: Olimpíadas da Língua Portuguesa no Camões

Para assinalar a Jornada Internacional da Língua Materna, dia 15 de Março, a Coordenação do Ensino Português organiza pelo segundo ano consecutivo as Olimpíadas da Língua e Cultura Portuguesa, nas instalações do Instituto Camões (IC).

O regulamento do concurso, aberto a todos os jovens com idades entre os 12 e os 18 anos de idade, pode ser consultado no portal da Coordenação de Ensino, na internet ( www.portugaledu.lu ).

As inscrições, individuais ou em equipa, podem ser feitas até à próxima segunda-feira, dia 12 de Março, pelo telefone 45 24 03 ou por correio electrónico ( nepl@education.lu ).

As Olimpíadas da Língua e Cultura Portuguesa são organizadas em colaboração com o IC e têm o apoio da Mediateca da Caixa Geral de Depósitos no Luxemburgo.

domingo, 27 de novembro de 2011

Cabo Verde acolhe Colóquio Internacional sobre a Língua Portuguesa nas Diásporas

A utilização da Língua Portuguesa nas diferentes comunidades emigradas dos oito Estados-membros da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) é o tema central de um colóquio internacional que decorrerá a partir de amanhã até quarta-feira em Cabo Verde.
A iniciativa é promovida pelo Instituto Internacional de Língua Portuguesa (IILP), com sede na Cidade da Praia, e reúne cerca de duas dezenas académicos e investigadores de Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste, bem como representantes das diferentes diásporas.

  O diretor executivo do IILP, Gilvan Muller de Oliveira, adiantou que o Colóquio Internacional sobre a Língua Portuguesa nas Diásporas é o segundo dos quatro que o instituto organiza como evento preparatório para a 1.ª Conferência Internacional sobre o Futuro da Língua Portuguesa no Sistema Mundial, a realizar em Lisboa em outubro de 2012.

O primeiro, lembrou, decorreu em setembro último em Maputo e versou sobre a Diversidade Linguística na CPLP, que tratou das mais de 300 línguas faladas nos oito países que têm em comum o Português.

Em 2012, acrescentou, estão previstos mais dois, um em Fortaleza (Brasil), subordinado ao tema "O Português na Internet e no Mundo Digital", e outro em Luanda, sobre "O Português nas Organizações Internacionais".

Cada um destes colóquios prepara um documento de recomendações ao IILP e à Conferência de Lisboa e conta com convidados especialistas no tema e membros das Comissões Nacionais do IILP que dão as suas sugestões para a elaboração do documento.

Segundo Gilvan Muller de Oliveira, a escolha de Cabo Verde para a realização do colóquio deve-se à importância que as migrações internacionais e a diáspora têm historicamente para o país, que tem comunidades espalhadas em praticamente todo o mundo, com particular destaque para Portugal, Estados Unidos, Holanda, França, Espanha e Luxemburgo.

O colóquio é dividido em cinco painéis - "Ações Oficiais para o Português nas Diásporas", "A Oferta do Ensino do Português: Práticas Atuais e Perspetivas Envolvendo as Diásporas", "Experiências Nacionais em Língua Portuguesa nas Diásporas", "Práticas Atuais do Português na Ásia" e "O Português como Língua de Herança - Experiências de Diferentes Países".

Além do IILP, que contará com Gilvan Muller de Oliveira e com a presidente do Conselho Científico, Maria Helena Lobo, estarão presentes os ministros cabo-verdianos da Educação, Fernanda Marques, e da Cultura, Mário Lúcio Sousa, bem como a Organização Internacional das Migrações (OIM).

O colóquio contará também com representantes das diferentes diásporas dos "oito" no Congo, África do Sul, Argentina, São Tomé e Príncipe, Gabão, Macau, China, Timor-Leste, Guiné-Bissau e Estados Unidos (Califórnia).

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Aulas em Língua Portuguesa arrancam em Belval

As aulas de Língua e Cultura Portuguesa vão começar no novo Liceu em Belval. Os cursos destinam-se ao 7° ano e vão ser leccionados à terça-feira, das 13h às 16h, na sala B 110.

Inscrições até 28 de Outubro pelo tel. 45 24 03.

Foto: Marc Wilwert

quinta-feira, 5 de maio de 2011

CPLP: Dia da Língua Portuguesa nos países lusófonos comemorado hoje em Lisboa

Um colóquio, uma exposição e um debate assinalam hoje em Lisboa o Dia da Língua Portuguesa e da Cultura na CPLP, comunidade dos países lusófonos.

Para assinalar a data, o secretariado executivo da CPLP promove uma conferência sob o tema na Sociedade de Geografia de Lisboa, que contará com as intervenções do professor catedrático e ex-ministro Adriano Moreira e da presidente do Instituto Camões, Ana Paula Laborinho.

No debate, que será moderado pelo embaixador António Monteiro, também deverá participar Aguinaldo Jaime, coordenador da comissão de reestruturação da Agência Nacional para o Investimento Privado de Angola (ANIP), entre outros.

O Instituto Camões vai celebrar a efeméride através de uma exposição bibliográfica de autores de língua portuguesa traduzidos.

Já a Feira do Livro de Lisboa, a decorre no Parque Eduardo VII, comemora o dia com um debate sobre a língua portuguesa.

O dia 05 de maio foi fixado como a data em que é anualmente comemorada a Língua Portuguesa e a Cultura na CPLP pelos chefes da diplomacia lusófonos, no âmbito do XIV Conselho de Ministros da Comunidade, realizado em junho de 2009, em Cabo Verde.

domingo, 15 de agosto de 2010

Língua: Licenciatura de Português na Universidade de Adis Abeba abre em Outubro

A criação da licenciatura de Português na Universidade de Adis Abeba, em Outubro, é “uma conquista importante” e “demonstra que esta é a década da Língua Portuguesa”, segundo o leitor cessante do Instituto Camões na capital etíope.

A licenciatura começará a funcionar em Outubro próximo, como variante do núcleo de Línguas Europeias Modernas.

Em declarações à Lusa, Jorge Garcia Fernandes salientou “a importância desta conquista” na medida em que a sede da União Africana (UA) é na capital etíope e o português é uma das quatro línguas de trabalho da instituição.

“Tal implica que todos os documentos produzidos de comunicações têm de ser traduzidos para português”, explicou.

O leitor sublinhou que Portugal, representado pelo IC, “é o único país que dispõe de um centro de língua nesta organização internacional”.

Facto a que atribui “fulcral importância” por a UA ser “um dos grandes centros de decisões em África”.

O responsável referiu ainda o facto de que a UA “dá muito trabalho” pelas diversas sessões de trabalho e “realiza pelo menos duas cimeiras por ano”.

“A integração da Língua Portuguesa foi a estratégia escolhida há dois anos por Jorge Garcia Fernandes”, segundo uma nota do Instituto Camões (IC).

À Lusa, Garcia Fernandes afirmou que “é de todo o interesse fortalecer ainda mais a excelente posição que Portugal detém, apesar dos investimentos mais potenciados de outros Estados como França ou Espanha”.

Para o leitor do IC, “a próxima década vai ser fulcral para o crescimento do Português”, impulsionado também pelo Mundial de Futebol de 2014 e os Jogos Olímpicos de 2016 que se realizam no Brasil.

“O sinal televisivo do Mundial de Futebol deste ano foi transmitido na íntegra para todo o continente africano apenas em duas línguas: Português e Inglês”, referiu.

Na Etiópia, país com o qual Portugal mantém contactos desde o século XVI, “o jornalista Girma Besha é um dos poucos etíopes que se expressam em português corretamente, se não o único”.

Besha esteve em Portugal durante 10 anos na sequência da visita do então imperador Hailé Salassié (a convite de Oliveira Salazar, em 1958).

Garcia Fernandes referiu que “muitos dos documentos da História etíope, desde o século XVI, estão em português, o que está ligado também à implantação dos Jesuítas na Etiópia”.

“Há relatos anteriores até, nomeadamente de Pêro Pais, do século XV, que escreveu uma ‘História da Ethiopia’, que recentemente foi reeditada pelo antropólogo José Ramos”, acrescentou.

O leitor do IC salientou ainda haver neste país africano “muito património arquitetónico português para além da vasta documentação”.

A licenciatura de Português, criada ao lado das de Espanhol, Alemão, Francês, e Italiano, terá a duração de quatro anos, “devendo o IC enviar um professor ou um leitor”.

O Português será ministrado “num primeiro ano de forma intensiva, de modo a capacitar os alunos a ler e escrever”, introduzindo-se depois questões de fonética, técnicas de tradução, linguística, cultura europeia e literatura.

Jorge Garcia Fernandes trabalhou nos últimos três anos na Etiópia onde não regressará este ano.

Durante a sua comissão em Adis Abeba, lecionou cursos livres de Português na Universidade para turmas de 15 a 20 alunos e de 25 a 30 no Centro de Língua Portuguesa instalado na UA.

Os alunos deste centro são, explicou, “funcionários da organização e das legações, e diplomatas”.

terça-feira, 20 de julho de 2010

Guiné Equatorial estabelece Português como terceira língua oficial do país

O Presidente da Guiné Equatorial Teodoro Obiang promulgou hoje o decreto que estabelece o português como terceira língua oficial do país, um dos requisitos exigidos para poder integrar a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), avançou a agência EFE.

Para Obiang, a introdução do português "reforçará em grande medida as relações de aproximação, boa vizinhança e de irmandade que a Guiné-Equatorial mantêm com um grande número de estados luso-hispânicos, membros fundadores da CPLP".


As línguas oficiais da Guiné Equatorial passam a ser o espanhol, o francês e o português. A Guiné-Equatorial é um pequeno país centro africano, mas o terceiro produtor de petróleo e gás natural da África subsaariana.

Adesão do país à CPLP recusada por muitos

A possível adesão da Guiné Equatorial – que já detêm o estatuto de observador associado da CPLP desde 2006, tem vindo a esbarrar num coro de críticas por parte de várias organizações internacionais e de alguns responsáveis políticos dos estados lusófonos.

Em causa estão as contínuas violações dos direitos humanos, mas também o facto de o português não ser falado naquele país.

Vários críticos consideram que a entrada do país na CPLP constituiria um precedente inaceitável na prática e na ética da organização, e levaria a descredibilização da organização, que acusam de estar a vender-se devido a interesses económicos de empresas lusófonas na Guiné Equatorial.

A possível adesão da Gzuné Equatorial será um dos temas que deverá ser abordado na cimeira da organização, sexta-feira, em Luanda.

sexta-feira, 9 de abril de 2010

Diplomacia: China apoia português como lingua de trabalho da ONU - Luis Amado

A China apoia o reconhecimento do português como língua de trabalho da ONU, anunciou hoje o ministro dos Negócios Estrangeiros de Portugal, Luís Amado.

“A seu tempo teremos o apoio da China para que o português seja reconhecido como língua de trabalho do sistema das Nações Unidos”, disse Luís Amado.

O apoio foi manifestado durante um encontro do ministro português com o seu homólogo chinês, Yang Jiechi, em Pequim.

“Há uma grande procura pela aprendizagem do português em toda a China, não só em Macau, mas também em Pequim e outras regiões”, disse Luís Amado.

O ministro português defendeu um “maior investimento do Estado” na promoção do ensino da língua portuguesa e a “abertura de mais espaços geo-políticos à presença e influência de Portugal”.

O ensino do português na China, que há apenas uma década estava confinado a três universidades (em Pequim, Xangai e Cantão), está hoje implantado numa dezena de cidades.

Devido às crescentes relações da China com os países lusófonos, sobretudo Angola e Brasil, só em Pequim há cinco universidades com licenciaturas em português.

Luís Amado terminou em Pequim um périplo de cinco dias pelo nordeste asiático que incluiu também a Coreia do Sul e a Mongólia.

Na capital chinesa, além de Yang Jiechi, Luís Amado encontrou-se com o “número dois” do Governo chinês, Li Keqiang, e o ministro do Comércio, Chen Deming.

A visita ocorre num bom momento das exportações portuguesas para a China, que subiram 20 por cento em 2009, para cerca de 222 milhões de euros.

Luís Amado regressa a Lisboa no próximo sábado.

quinta-feira, 25 de março de 2010

Língua: Falantes de português aumentam para 335 milhões em 2050

A língua portuguesa é falada por mais de 250 milhões de pessoas em todo o mundo, a grande maioria - quase 200 milhões - no Brasil, prevendo-se que esse número suba para os 335 milhões em 2050.

Na lista das línguas com maior número de falantes, o português surge entre o quinto e o sétimo lugar, conforme os critérios das organizações que as elaboram.

Se o critério for apenas o da língua materna, o português surge em sétimo lugar, mas se for analisado também como segunda língua, então sobe para o quinto lugar das tabelas.

Falado nos cinco continentes, o português é a língua oficial de oito países: Angola (12,7 milhões de habitantes), Brasil (198,7 milhões), Cabo Verde (429 mil), Guiné-Bissau (1,5 milhões), Moçambique (21,2 milhões), Portugal (10,7 milhões), São Tomé e Príncipe (212 mil) e Timor-Leste (1,1 milhões).

Contudo, em Timor-Leste são uma minoria as pessoas que falam português e em países como a Guiné-Bissau e Moçambique predominam outras línguas, com destaque para o crioulo, e em Angola o português convive com outras línguas nacionais.

Além da população residente, a maioria desses países tem uma vasta população emigrante que promove o português no mundo.

Dados oficiais indicam que existem mais de cinco milhões de emigrantes portugueses, espalhados sobretudo por França, Luxemburgo, Suíça, Inglaterra, Estados Unidos, Canadá e Venezuela, e uma diáspora brasileira de três milhões.

A língua portuguesa é ainda falada em locais por onde os portugueses passaram ao longo da História como Macau, Goa (Índia) e Malaca (Malásia).

Na Internet, a importância do português é mais facilmente avaliada, sendo o sexto idioma mais divulgado.

De acordo com o site "Internet World Stats", cerca de 73 milhões de pessoas navegam em português, mas representam apenas 4,2 por cento do total dos utilizadores da web.

No entanto, entre 2000 e 2009, o número de utilizadores de português na Internet aumentou 864 por cento.

Um estudo recente revela também que o português é a terceira língua mais utilizada na rede social Twitter, atrás do inglês e do japonês.

A língua portuguesa está já presente nos sítios da Internet de alguns blocos político-económicos como a União Europeia, o Mercosul e a Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC).

Contudo, os sítios na Internet das Nações Unidas, União Africana, NATO, Programa da ONU para o Desenvolvimento (PNUD) e a União dos Estados Ibero-americanos (UEI) não apresentam a língua portuguesa como alternativa de escolha.

Segundo projeções divulgadas pelo Estado português, baseadas na evolução demográfica, os oito estados que têm o idioma como língua oficial deverão totalizar 335 milhões de habitantes em 2050, prevendo-se neste sentido, a consolidação da importância da língua portuguesa.

Para debater o Futuro da Língua Portuguesa no Sistema Mundial e delinear estratégias, dezenas de especialistas vão juntar-se numa Conferência Internacional, em Brasília, entre hoje e 31 de março.

Escritores, académicos, professores, editores, jornalistas e outros profissionais diretamente vinculados à difusão da língua vão refletir sobre o fortalecimento do ensino do idioma, a sua aplicação em organizações internacionais e a importância das diásporas de cidadãos da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa.

Foto: Guy Jallay

domingo, 31 de janeiro de 2010

Acordo Ortográfico: Adoção pelos Media é "passo importante" para "consolidação" da língua, diz Carlos Reis, professor da Universidade de Coimbra

O professor catedrático Carlos Reis considerou no sábado "um passo importante" que a Agência Lusa e outros órgãos de informação passem a adotar o Acordo Ortagráfico, porque se trata de um "importante instrumento de consolidação e internacionalização da língua portuguesa".

"O facto de a Lusa adotar agora o Acordo Ortográfico é uma boa notícia porque significa que a Comunicação Social portuguesa finalmente está atenta e desperta para a importância que ela mesma tem na entrada em vigor de tão importante instrumento de consolidação e internacionalização da língua portuguesa", disse Carlos Reis.

"Acordo Ortográfico é irreversível!"

A presidente da Sociedade de Língua Portuguesa (SLP), Elsa Rodrigues dos Santos, salientou, em declarações à Lusa, que o Acordo Ortográfico é "irreversível", mas alertou que a SLP entendeu ser "mais prudente" esperar mais um mês, até que saia a publicação do Vocabulário elaborado pela Academia das Ciências.

A mesma responsável aconselhou "alguma prudência" porque se está ainda à espera desse Vocabulário, numa altura em que "há problemas a serem clarificados", principalmente com a hifenização e aglutinação das palavras.

Embora entenda que o mais prudente seria esperar pelo Vocabulário da Academia das Ciências, a presidente da SLP refere que os órgãos de comunicação social que avançaram com a aplicação do Acordo Ortográfico podem utilizar essa experiência como "preparação", já que é sempre possível "retificar" o que tiver que ser alterado.

Carlos Reis, que se doutorou em Literatura Portuguesa em 1983 pela Universidade de Coimbra que é professor catedrático desde 1990, entende ser importante que a Comunicação Social adote o Acordo Ortográfico porque "no fundo ela substitui outros órgãos e entidades que deviam ter tido uma atitude mais ativa e não têm tido".

"Refiro-me concretamente ao Governo e à Academia de Ciências que têm estado numa atitude relativamente passiva quando comparado com o que acontece em outros países, designadamente o Brasil", acrescentou Carlos Reis, que é Reitor da Universidade Aberta.

Nas palavras de Carlos Reis, este "passo é importante também porque é o uso que vai ajudar a resolver vacilações e dificuldades que o Acordo Ortográfico pode levantar, como sempre acontece e aconteceu no passado quando iniciativas destas se concretizara".

Carlos Reis foi Diretor da Biblioteca Nacional de Portugal (1998-2002), Presidente da Comissão para o Bicentenário de Almeida Garrett (1999-2000), Presidente da Comissão Nacional do Centenário da Morte de Eça de Queirós (2000-2001) e Presidente da Associação Internacional de Lusitanistas (1999-2001).

Os jornais Expresso e Diário Económico vão adotar nos próximos meses as normas do Acordo Ortográfico, à semelhança do que a agência Lusa começou a fazer sábado, disseram sábado à Lusa os diretores destes títulos.


*** Este texto foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico ***

sábado, 30 de janeiro de 2010

Comunidades: Conselho Permanente "regista garantias" sobre ensino de português no estrangeiro

O Conselho Permanente das Comunidades Portuguesas (CPCP) registou sexta-feira "as garantias" dadas pelo Governo e pela presidente do Instituto Camões para a manutenção do ensino do português no estrangeiro enquanto língua materna dos emigrantes.

Após três dias de reuniões em Lisboa, o Conselho Permanente aprovou um Programa de Acção para 2010 orientado por "seis eixos operacionais", um dos quais no sentido de "prosseguir esforços para que a nova lei sobre o sistema eleitoral referente às comunidades contemple disposições que harmonizem a realização dos diversos actos eleitorais e inclua disposições diversificadas que facilitem a participação eleitoral das comunidades".

No final dos trabalhos no Parlamento, Fernando Gomes (presidente do CPCP) e António Fonseca (vice-presidente) divulgaram o Programa de Acção para 2010 que prevê também a apresentação de "propostas em matéria de reforço associativo nas comunidades, em particular na vertente de formação dos jovens dirigentes que visem salvaguardar e renovar as estruturas associativas nas comunidades".

De igual modo, foi decidido "prosseguir esforços para que o CCP tenha representação no Conselho de Opinião da RTP".

No documento final do CPCP, a que a Agência Lusa teve acesso, ficou ainda decidido "acompanhar a prossecução das atribuições dadas pelo novo regulamento consular aos responsáveis das missões diplomáticas em matéria de promoção cultural, social e protecção ao cidadão e que seja feito o acompanhamento da implementação das atribuições previstas no novo regulamento consular.

Acompanhar a prossecução do Programa Nacional do Ano Europeu de Combate à pobreza e à Exclusão Social é outro dos eixos operacionais aprovados pelo CPCP.

Quanto ao ensino do português no estrangeiro como língua materna, os responsáveis do CPCP registaram as garantias dadas pelo secretário de Estado das Comunidades, António Braga, e pela presidente do Instituto Camões, Ana Paula Laborinho, de que isso não vai acabar.

O CPCP decidiu, neste domínio, solicitar que seja realizado o acompanhamento prioritário da "implementação da nova estratégia do Ensino do Português no Estrangeiro (EPE) junto dos responsáveis das missões diplomáticas, de forma a podermos transmitir as eventuais dificuldades encontradas na prossecução das garantias dadas em matéria de continuidade do ensino do português como língua materna junto das Comunidades.

Entre outros pontos importantes aprovados, está a consideração de que a perspectiva apresentada pelo secretário de Estado das Comunidades Portuguesas de que o CCP não terá dotação própria no orçamento do Ministério dos Negócios Estrangeiros (MNE) é "inédita e grave".

O Conselho Permanente das Comunidades Portuguesas decidiu usar das suas competências e intervir junto dos órgãos de soberania para a lei sobre esta matéria "seja respeitada e cumprida".

Por último, estando prevista uma revisão constitucional em 2011, ficou decidido que o CPCP articulará com a sua Comissão da Especialidade e irá "prosseguir a anterior reflexão do CPP no sentido da inclusão deste na próxima revisão" da Lei Fundamental do país.

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

Portugal: Presidente do Instituto Camões vai ao Parlamento prestar declarações sobre fim do ensino da língua materna

A presidente do Instituto Camões, Ana Paula Laborinho, disse hoje à Agência Lusa que está disponível para ir ao Parlamento responder aos deputados sobre a possibilidade de acabar o ensino do português enquanto língua materna em alguns países.

"Terei toda a disponibilidade para ir ao Parlamento", disse Ana Paula Laborinho contactada telefonicamente pela Lusa.

Na semana passada, a presidente do IC, que assumiu recentemente a política de promoção da língua, admitiu que o ensino do português enquanto língua materna pode acabar em alguns países porque o objectivo é a sua integração nos sistemas de ensino no estrangeiro.

Em reacção a estas declarações, o PCP e o CDS-PP pediram à responsável para ir prestar esclarecimentos na Comissão dos Negócios Estrangeiros e Comunidades Portuguesas, que aprovou a audiência de Ana Paula Laborinho com carácter de urgência.

Entretanto, o PSD enviou um requerimento à Assembleia da República onde questiona o Governo acerca do eventual fim do ensino do Português como língua materna.

Em causa estão declarações de Ana Paula Laborinho que, a 15 de Janeiro, admitiu que “o ensino de português enquanto língua materna pode acabar em alguns países porque o objectivo é a sua integração nos sistemas de ensino no estrangeiro”.

O PCP considerou estas declarações de "extrema gravidade" e considera "imperiosa" e "urgente" a presença da nova titular do Instituto Camões na Comissão de Negócios Estrangeiros e Comunidades Portuguesas.

"(…) Estamos perante declarações de extrema gravidade cujo verdadeiro alcance se impõe esclarecer de imediato", refere o requerimento, assinado pelos deputados José Soeiro e Paula Santos.

Para os comunistas, as comunidades portuguesas "não podem ficar dependentes de estratégias" dos países de acolhimento "muitos dos quais têm como principal objectivo a homogeneização linguística e cultural das minorias".

"Sendo o Instituto Camões a instituição responsável pelo cumprimento do estipulado na Constituição da República no sentido de “assegurar aos filhos dos emigrantes o ensino da língua portuguesa e o acesso à cultura portuguesa”, as declarações atribuídas à Presidente deste Instituto adquirem particular gravidade”.

Segundo o PCP, estas declarações “vão ao arrepio daquilo que deveria ser o pilar estratégico de agregação identitária das comunidades portuguesas e luso-descendentes, ou seja, a promoção e alargamento das escolas portuguesas e o desenvolvimento de uma rede qualificada de ensino de português no mundo".

PSD e CDS-PP criticaram igualmente as declarações da presidente do IC. Os centristas pediram a presença da nova presidente do Instituto Camões no Parlamento para explicar a estratégia e as prioridades do seu mandato, juntando-se ao PCP no pedido de esclarecimentos a Ana Paula Laborinho.

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

Portugal: Diário da República adopta novo Acordo Ortográfico em Janeiro

Gabriela Canavilhas afirmou não querer antecipar-se à agenda do Conselho de Ministros, mas garantiu que já em Janeiro entrará em vigor o novo Acordo Ortográfico e será dada a ordem para impressão do Diário República segundo o renovado português.

A ministra da Cultura portuguesa afirmou que "se seguirá o que está planificado e em Janeiro entrará em vigor o novo acordo ortográfico".

Pedro Garcia Cardoso, do conselho de administração da Imprensa Nacional - Casa da Moeda tinha declarado à Lusa, no final de Novembro, que "está tudo a postos quer em termos de maquinaria quer de formação de quadros" para a aplicação do Acordo Ortográfico ao Diário da República.

O responsável declarou que "a formação foi já acautelada e há as necessárias infra-estruturas tecnológicas". "Estamos apenas à espera da ordem da Presidência do Conselho de Ministros, podemos começar imediatamente", disse Garcia Cardoso.

A ministra garantiu que o novo Acordo Ortográfico entrará em vigor, conforme o previsto, em Janeiro próximo, mas quer "reflectir maduramente" sobre uma futura Academia da Língua Portuguesa.

Questionada pela agência Lusa sobre a criação de uma Academia da Língua Portuguesa, Gabriela Canavilhas afirmou: "Está prevista no programa do Governo a concepção de uma nova agremiação, mas tenho de reflectir maduramente sobre esta matéria".

"Tenho que me sentar à mesa com as instituições que já estão instaladas e que têm uma palavra a dizer sobre essa matéria para concebermos o contorno ideal e correcto para esta Academia da Língua Portuguesa", esclareceu.

A titular da pasta da Cultura sublinhou que se pretende "sentar à mesa com outras instituições científicas que já estão activas". Gabriela Canavilhas não exclui a hipótese de se reunir com instituições dos outros países de língua portuguesa.

terça-feira, 13 de outubro de 2009

Portugal: Ciberdúvidas da Língua Portuguesa continua com apoio da Vodafone e dos CTT

A Fundação Vodafone e os CTT renovaram por mais um ano o apoio mecenático ao site português Ciberdúvidas da Língua Portuguesa, que recebe mensalmente 2,5 milhões de visitas de todo o mundo lusófono, disse segunda-feira o coordenador do projecto.

Criado a 15 de Janeiro de 1997, o Ciberdúvidas tem “existido sempre com um problema de continuidade”, adiantou à agência Lusa José Mário Costa.

O espaço responde numa “perspectiva lusófona, mas isso tem custos”, acrescentou, lembrando que “é um serviço universal, gratuito” e que sobrevive com estes apoios, além de protocolos com outras entidades para prestação de serviços.

“Foi graças ao patrocínio da Fundação Vodafone e dos CTT-Correios de Portugal, que anualmente têm renovado o seu apoio, que nós conseguimos manter o serviço”, referiu o responsável.

As duas entidades “suportam a meias parte dos custos de manutenção do serviço prestado pelo Ciberdúvidas, um sítio na Internet de esclarecimento, de informação e de reflexão sobre o idioma oficial dos oito países da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) como não há outro nos seus moldes e natureza em todo o espaço da lusofonia”, acrescentou.

Segundo José Mário Costa, o Ciberdúvidas tem colaboradores brasileiros, portugueses e africanos de várias especialidades.

O coordenador do Ciberdúvidas adiantou que, mensalmente, o espaço recebe 2,5 milhões de visitas de todo o mundo da lusofonia, sendo, provavelmente, a maior parte dos acessos feita a partir do Brasil.

O Ciberdúvidas é um espaço que responde a dúvidas sobre a língua portuguesa, sempre em Português europeu e em Português do Brasil.

Neste último caso, o Ciberdúvidas utiliza a ortografia adoptada pelo Brasil desde 1 de Janeiro de 2009, com a adopção do novo Acordo Ortográfico.

O Ciberdúvidas conta também com o apoio do Ministério da Educação de Portugal, que destaca anualmente dois professores de Português a tempo inteiro, e da Universidade Lusófona, onde funciona o espaço.

O Ciberdúvidas foi criado pelos jornalistas João Carreira Bom (já falecido) e José Mário Costa, com o objectivo principal de esclarecer qualquer tipo de dúvidas sobre a arte de bem escrever (ortografia, sintaxe ou fonética).

quarta-feira, 17 de junho de 2009

Alemanha/Hamburgo: Conferência sobre Portugal e o Mundo Germanófilo

“Portugal, Hamburgo e O Mundo de Língua Alemã durante a Expansão Ultramarina Europeia” é o tema de um colóquio organizado pela Universidade Nova de Lisboa e pela Universidade de Hamburgo, de quinta-feira a sábado, nesta cidade alemã.

O evento destina-se a “aprofundar e trocar pontos de vista sobre as relações entre Portugal, Hamburgo e o mundo germanófilo”, durante a Idade Moderna, do séc. XVI ao séc. XVIII.

Na abertura, o professor Horst Pietschmann, da Universidade de Hamburgo, vai dissertar sobre os “Interesses Alemães entre a Expansão Portuguesa e Espanhola na Época do Imperador Maximiliano”.

Seguem-se intervenções de Marília dos Santos Lopes, da Universidade Católica, sobre Hamburgo e as notícias do além-mar na segunda metade do séc. XVII, e de Ana Maria Ramalheira, da Universidade de Aveiro, subordinada ao tema Alcácer Quibir, D. Sebastião e a ameaça turca na literatura volante alemã do século XVI.

Até sábado, haverá palestras de quase duas dezenas de investigadores alemães, austríacos e portugueses no colóquio, dividido em várias secções: Circulação de Notícias acerca de Portugal e do Império Português, Judeus de Origem Portuguesa em Portugal e Hamburgo, Relações Artísticas e Relações Políticas.

Na sessão de encerramento, no sábado, João Paulo Oliveira e Costa, da Universidade Nova de Lisboa, vai falar sobre “Adam Schall, um Homem entre a Igreja e os Impérios”, e Markus Klaus Schäffauer, da Universidade de Hamburgo, sobre "Hans Staden, Autor do Canibalismo”.

Com esta abordagem de estudiosos luso-germânicos sobre um tema pouco conhecido, a Universidade Nova de Lisboa e a Universidade de Hamburgo esperam “poder abrir linhas de investigação futuras”.