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sábado, 4 de fevereiro de 2012

Juncker ameaça Atenas com fim das ajudas da UE

Foto: Gerry Huberty
O presidente do Eurogrupo e primeiro-ministro do Luxemburgo, Jean-Claude Juncker, ameaçou hoje Atenas com o fim das ajudas da União Europeia e não descartou que a Grécia se veja confrontada com a capitulação e a insolvência.

Se a Grécia não aplicar as reformas necessárias não poderá esperar que se produzam "os contributos solidários dos demais", afirmou Juncker em declarações à revista semanal alemã Der Spiegel, citadas pela EFE, nas quais augura a bancarrota do país num prazo de dois meses.

"No caso de chegarmos à conclusão que as culpas são todas da Grécia, não haverá um novo programa [de ajudas], o que significa que em março se produzirá a declaração de quebra", afirma Juncker.

A simples possibilidade da insolvência do país poder acontecer deveria "dar aos gregos músculos, ao passo que neste momento apenas dão sinais de paralisia", acrescentou à revista o presidente do Eurogrupo, lamentando o atraso no processo de privatizações.

"A Grécia deveria saber que não vamos ceder no tema das privatizações", advertiu o chefe de governo luxemburguês, que sublinhou como elemento prejudicial para a imagem do país a "existência de elementos corruptos em todos os níveis da administração".

Jean-Claude Juncker destacou finalmente que antes de uma decisão sobre um novo programa de ajudas, os credores privados terão que ter decidido as respetivas contribuições para o resgate da Grécia e deverá haver conversações com as autoridades helénicas sobre medidas suplementares de poupança.

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Euro/Crise: Primeiro-ministro grego, Merkel e Sarkozy analisam hoje crise da dívida

A crise da dívida grega estará hoje em análise numa conferência telefónica entre o primeiro-ministro grego, a chanceler alemã, Angela Merkel e o presidente francês, numa altura em que surgem rumores sobre o possível incumprimento do país.

Fontes do governo grego citadas pela agência Efe, que pediram o anonimato, afirmaram que na conferência telefónica será abordada a vontade da Grécia de cumprir os compromissos para poder continuar a receber apoio financeiro.

Na conferência será também abordada a possibilidade de os credores privados comprarem títulos da dívida soberana grega, segundo a mesma fonte.

Os rumores sobre uma possível declaração de incumprimento por parte de Atenas têm-se sucedido nos últimos dias, numa altura em que o Governo grego continua os contactos com os parceiros europeus para obter a entrega dos 8.000 milhões de euros da sexta tranche do programa de resgate e um segundo programa de ajuda, no valor de 160.000 milhões de euros.

Os 8.000 milhões de euros da sexta tranche são essenciais para que a Grécia continue a assegurar o pagamento dos salários e das pensões, já que o país anunciou que só tem os compromissos assegurados até outubro.

Também hoje, o Fundo Monetário Internacional (FMI) realiza uma reunião sobre a Grécia para analisar se o país tem cumprido os seus compromissos para poder continuar a receber as tranches do programa de assistência financeira, no montante global de 110.000 milhões de euros, aprovado em maio de 2010.

terça-feira, 12 de julho de 2011

Euro/Crise: "Nenhum país estará em risco" se UE estiver unida, garante Luc Frieden

Nenhum país estará em risco se a Zona Euro e a União Europeia (UE) estiverem unidas, disse hoje o ministro luxemburguês das Finanças, Luc Frieden, à entrada para o conselho de ministros das Finanças.

No dia seguinte à reunião dos ministros europeus das Finanças sobre a situação grega, com o alastrar das preocupações à Itália, o governante luxemburguês, citado pela agência espanhola EFE, mostrou-se convencido de que se não houver unidade da UE e um país “tiver um problema importante isso afectará” toda a estrutura.

“Estamos a lidar com a Grécia, Irlanda e Portugal e vamos assegurar-nos de que, através das medidas que estamos a tomar, esteja assegurada a estabilidade da Zona Euro”, considerou Frieden, que acrescentou saber que “vai ser difícil convencer os mercados”, por estes esperarem sempre que haja decisões face ao panorama actual.

Os ministros das Finanças da Zona Euro asseguraram na segunda-feira, em Bruxelas, que estão “completamente decididos” a tomar as medidas necessárias para impedir os riscos de contágio da crise da dívida, incluindo uma diminuição das taxas de juro.

Numa declaração lida pelo presidente do Eurogrupo e primeiro-ministro luxemburguês, Jean-Claude Juncker, os 17 ministros afirmaram que serão apresentadas propostas neste sentido “muito em breve”.

As propostas irão “melhorar a flexibilidade e o âmbito do Fundo Europeu de Estabilização Financeira, aumentar as maturidades dos empréstimos e baixar as taxas de juro”, segundo Juncker.

Lusa
Foto: Serge Waldbillig

quinta-feira, 7 de julho de 2011

Agências de rating na mira das autoridades norte-americanas

As agências de rating Moody´s e Standard & Poor’s estão na 'mira' do regulador norte-americano dos mercados bolsistas, penalizando a sua cotação e levando alguns analistas a rever em baixa (“downgrade”) as suas ações.

O regulador (SEC) está a investigar a Moody´s e a S&P e pondera avançar com uma queixa por fraude pelo seu papel nos negócios de obrigações hipotecárias que levaram ao desencadear da crise financeira de 2008.

As empresas poderão enfrentar a acusação de terem usado informação incompleta ou desatualizada para as suas avaliações de títulos baseados em crédito hipotecário de alto risco (“subprime”), ou ignorado os problemas com estes produtos financeiros.

No dia em que foi conhecida a investigação, as ações da Moody´s chegaram a estar a cair 7,2 por cento, enquanto as da McGraw-Hill Companies, que detém a Standard & Poor's, estiveram a recuar 3,7 por cento.

Num recente relatório ao mercado sobre a Moody´s, o analista William Bird, da Lazard Capital Markets, reviu em baixa o potencial de valorização das ações da empresa de ratings, de “comprar” para “neutral”.

A causa, referiu, é justamente a redução de emissões de títulos de dívida, face à atual incerteza nos mercados de crédito na Europa e nos Estados Unidos, quando parte substancial do rendimento das agências de ‘rating’ vem precisamente da notação destes títulos.

As agências de rating têm sido criticadas por legisladores em Washington como “facilitadores” da crise de 2008, atribuindo notações máximas a títulos que se baseavam em ativos de elevado risco, mas têm evitado um ambiente regulatório mais restritivo e mesmo ganho algumas batalhas a nível judicial.

Em maio, o Tribunal de Recurso norte-americano decidiu que estas empresas não são legalmente responsáveis pelos ‘ratings’, uma vez que constituem “meramente opiniões”, assim confirmando a tese das agências, que se consideram protegidas pela Primeira Emenda da Constituição.

Para elaborar os “ratings”, as agências baseiam-se em informação fornecida pelos emitentes, mas podem ser acusadas de ignorar falhas óbvias nos dados, nomeadamente a incapacidade de refletir a deterioração do mercado hipotecário.

Raro foi o processo apresentado no ano passado contra a Standard & Poor's e Moody's pelo então procurador-geral do Connecticut, Richard Blumenthal, que foi considerado em vários outros Estados, incluindo na Califórnia.

Contestado em tribunal pelas duas firmas, o processo acusa-as de terem atribuído ratings elevados a negócios hipotecários sabendo das suas falhas.

Um subcomité de investigações do Senado, encabeçado pelo senador Carl Levin, divulgou em abril de 2010 um relatório que acusa as agências de usar modelos ineficazes para calcular o risco de crédito, de empregar pessoal impreparado e de sucumbir a pressões concorrenciais para satisfazer os interesses dos bancos, que lhes pagavam por avaliações supostamente independentes.

Para além dos Estados Unidos, também em Espanha e em Portugal foram interposta ações contra as agências de rating.

segunda-feira, 6 de junho de 2011

Euro: Europeus escolhem desenho da nova moeda de dois euros

O desenho da nova moeda comemorativa de dois euros, que celebra o décimo aniversário da moeda única, vai ser escolhido pelos cidadãos, anunciou a Comissão Europeia.

Os residentes dos 17 países que integram a zona euro podem votar, através da Internet, num dos cinco desenhos previamente selecionados pelo júri, a partir de um concurso ao qual poderão concorrer os cidadãos de qualquer destes países.

A votação começa hoje e termina a 24 de junho, sendo o vencedor anunciado a 30 de junho, segundo o comunicado.

Um dos participantes na votação será escoplhido de forma aleatória para receber um prémio composto por um conjunto de moedas de euro de coleção.

A moeda única circula atualmente por mais de 330 milhões de pessoas de dezassete estados-membros da Unão Europeia.

No início de 2012, os membros do euro vão emitir uma única moeda comemorativa de dois euros com um desenho comum, prevendo-se que venham a ser cunhadas cerca de 90 milhões de unidades.

Esta é a terceira vez que a zona euro emite uma moeda conjunta, com o mesmo desenho na face nacional.

A primeira foi emitida em 2007, para comemorar os 50 anos do tratado de Roma e a segunda, em 2009, para assinalar o décimo aniversário da União económica e financeira e a criação do euro como entidade virtual, três anos antes do seu aparecimento físico.

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Euro: Prémio Nobel da Economia defende ideia de Juncker de emitir eurobonds

O economista Paul Krugman, prémio Nobel da Economia em 2008, defendeu hoje a emissão conjunta de dívida por parte da União Europeia (as chamadas ‘Eurobonds’) para reforçar a solidariedade da união monetária, apesar de admitir que são um risco.

“De forma crucial, a falta de integração fiscal faz da moeda única uma proposição dúbia, na melhor das hipóteses. E isso é um problema para o projeto europeu, de forma geral”, diz Paul Krugman no blogue “A Consciência de Um Liberal”, em http://krugman.blogs.nytimes.com.

“A solidariedade faz-se com medidas económicas que funcionam, não com medidas que não funcionam”, refere Krugman, que acrescenta que a quebra da zona euro “poria um amortecedor naqueles sentimentos de solidariedade que deveriam levar o continente, passo a passo, a uma verdadeira federação”.

O economista diz, por isso, que “se fosse um líder europeu, estaria muito, muito preocupado, e disposto a aceitar grandes riscos, como a criação de E[uro]-bonds para virar as coisas ao contrário”.

Krugman admite ainda que a criação do euro tem tanto de económico como tem de político, num movimento de integração económica que visa ser economicamente produtivo e criar uma “solidariedade de facto”, no reforço da união política.

“Mas a estratégia depende de que cada movimento em direção à integração económica seja um símbolo político e uma boa ideia económica (…) não é claro, de forma alguma, que o euro passe o teste”, acrescentou.

A ideia das ‘Eurobonds’ tem vindo a testar a harmonia política entre os líderes da União Europeia, pelo menos desde que o presidente do Eurogrupo e primeiro ministro do Luxemburgo, Jean-Claude Juncker, junto com o ministro italiano das Finanças, defenderam numa carta pública a possibilidade da União Europeia emitir dívida soberana conjunta.

A chanceler alemã Angela Merkel rejeitou de imediato a proposta, a que a opinião pública da Alemanha também se opõe, considerando que seria o Estado alemão a pagar a dívida dos países mais fracos da zona euro.

A Alemanha é o Estado europeu que beneficia de melhores condições para contrair dívida, graças à confiança dos investidores na sua economia e graças às boas condições das suas finanças públicas.

O governo alemão receia que, caso tenha que emitir dívida em conjunto com membros mais fracos da zona euro, tenha de pagar juros mais altos, para compensar os riscos de incumprimento das economias europeias mais fracas.

Euro/Crise: Moeda única europeia "é a mais sólida do mundo" - Juncker

O primeiro-ministro do Luxemburgo e líder do grupo de ministros das Finanças da zona euro, Jean-Claude Juncker, considerou na sexta-feira que o euro é "a mais sólida moeda do mundo", tentando afastar receios sobre o futuro da moeda única.

"Nós não estamos a enfrentar uma crise do euro, mas sim uma crise da dívida [soberana] em nações individuais da zona euro", disse o responsável, sublinhando que "a existência do euro e a sua essência não estão em risco".

Os líderes dos 16 países que usam a moeda única, e que serão 17 a partir de Janeiro, com a entrada da Estónia, concordaram no princípio de Dezembro alterar os tratados para criar um mecanismo permanente de combate à crise a partir de 2013.

Para já, a Alemanha excluiu a possibilidade de aumentar os 750 mil milhões de euros que compõem o fundo de emergência, assim como recusou a ajuda a Portugal ou a Espanha, aumentando os receios dos investidores sobre qual a fórmula que a Europa vai usar para impedir o contágio da crise da dívida soberana a outros países para além da Grécia e da Irlanda.

"Temos de lutar contra a crise da dívida na zona euro", disse Juncker na entrevista, acrescentado que não é possível "acumular montanhas de défice e de dívida, temos de consolidar as finanças públicas". Só nessa altura, concluiu, é que pode haver "crescimento livre de inflação e criação de empregos".

"Ninguém precisa de estar preocupado com o euro", reforçou Juncker.

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Crise do Euro: "Alemanha rejeitou prematuramente ideia de emissão de dívida conjunta", lamenta Juncker

O presidente do Eurogrupo e primeiro-ministro luxemburguês, Jean-Claude Juncker, disse hoje que a Alemanha "rejeitou prematuramente" a sua ideia de emitir dívida conjunta por parte dos países da Zona Euro.

Numa entrevista ao jornal alemão Die Zeit, Juncker disse que a sua proposta "foi rejeitada ainda antes de ter sido estudada", acrescentando que desta forma se criam "zonas tabu" que excluem as ideias dos outros.

Considerando que "a Alemanha tem uma visão algo simplista" destes assuntos, Juncker disse também que ao fazê-lo a maior economia da Zona Euro se portou "de uma forma anti-europeia".

Para Juncker, as críticas da Alemanha de que a emissão de dívida em conjunto levaria a uma taxa de juro única são incorretas. Juncker e o ministro das finanças de Itália, Giulio Tremonti, propuseram esta semana a criação de uma Agência Europeia de Dívida. A ideia teve o apoio da Comissão Europeia bem como de Espanha e Portugal.

Já o ministro das Finanças alemão, Wolfgang Schauble, bem como a chanceler alemã, Angela Merkel, mostraram-se contra, afirmando ao Financial Times que os governos dos países do euro devem continuar sob pressão dos mercados financeiros para sentirem a necessidade de fazerem uma gestão prudente das suas finanças públicas.

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Crise do Euro: Merkel e Juncker em rota de colisão

A chanceler alemã Angela Merkel rejeitou segunda-feira as propostas para a emissão de títulos de dívida pública europeus (eurobonds), proposta feita pelo presidente do Eurogrupo e também primeiro-ministro luxemburguês, Jean-Claude Juncker, em entrevista ao Financial Times.

Merkel argumenta que o Tratado de Lisboa não o permite, assim como também não permite juros unificados, já que elminaria um importante factor da concorrência.

Juncker e o ministro das Finanças italiano, Giulio Tremonti, defendem que a criação dos eurobonds seria uma ajuda para acabar com a crise do euro. A sua criação seria "uma mensagem clara para os mercados globais e [para] os cidadãos europeus sobre o nosso compromisso político com a União Económica e Monetária», defendem os dois governantes.

terça-feira, 16 de novembro de 2010

Juros/Dívida: Se o euro falhar, então a Europa falhará - Angela Merkel

A chanceler alemã, Angela Merkel, afirmou num congresso do seu partido que o euro é a cola que mantém a Europa junta e que se o projecto da moeda única falhar, a Europa falha também.

Segundo Angela Merkel, que falava num congresso do seu partido (CDU), citada pela Bloomberg, o papel da Alemanha é de “garantir uma nova cultura de estabilidade na Europa” e elevou o papel do euro a uma questão de vida ou morte.

“Se o euro falhar, então a Europa falhará”, afirmou Angela Merkel, explicando que o colapso do projecto da moeda única iria sinalizar a “ideia unificadora” que deu paz e prosperidade ao velho continente após a segunda guerra mundial.

No entanto, a líder alemã voltou a defender a ideia de que os investidores também devem pagar a sua parte, caso existam reestruturações, afirmando que foram os “excessos” dos mercados que causaram a crise e que os “mercados têm de arcar com as consequências dos seus actos”.

A chanceler alemã tem sido criticada por agudizar a crise da dívida soberana ao afirmar que os investidores deverão ser chamados a suportar parte das perdas caso um país entre em incumprimento financeiro, o que terá feito subir o prémio exigido pelos mercados internacionais para comprarem as dívidas públicas dos países periféricos, como é o caso da Irlanda e Portugal.