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sábado, 12 de novembro de 2011

Santa Cruz foi há 20 anos

A 12 de Novembro de 1991, mais de duas mil pessoas marchavam até ao cemitério de Santa Cruz, em Díli, para prestarem homenagem ao jovem Sebastião Gomes, morto em Outubro do mesmo ano por elementos ligados aos invasores indonésios.

Durante o percurso, perto do Palácio do Governo, dão-se os primeiros confrontos entre timorenses e elementos da defesa e segurança indonésios. Há feridos nas duas partes.

A marcha fica dividida em duas, mas os timorenses em protesto voltam a reunir-se novamente. Já no cemitério encontravam-se polícias e militares indonésios. Durante cerca de meia hora disparam e espancam os manifestantes fora e dentro do cemitério. As imagens ficaram registadas e percorreram o mundo, dando mais tarde origem à liberdade do povo maubere.

Foto: Reuters

Timor: Massacre foi "mal necessário" para a luta

Faz hoje 20 anos que ocorreu o massacre no cemitério de Santa Cruz em Díli, Timor-Leste. Um "mal necessário" para a luta pela independência, afirma Gregório Saldanha, um dos organizadores da manifestação que antecedeu o ataque de 12 de Novembro de 1991."Tenho a convicção de que o acontecimento de Santa Cruz foi um mal necessário para esta luta, sem isso não éramos livres como país", considera Gregório Saldanha.

Segundo o antigo deputado da Fretilin, o massacre "aconteceu dentro de outras tragédias" que levaram o "mundo a reconhecer que o povo de Timor-Leste continuava a lutar pela sua independência e pela sua fé, e que os indonésios continuavam a violar os direitos deles". Saldanha deixou a carreira política para coordenar o Comité de 12 de Novembro, criado para encontrar as pessoas desaparecidas depois do massacre de Santa Cruz e apoiar as famílias das vítimas e sobreviventes.

Foto: AP