quinta-feira, 1 de março de 2012

Luxemburgo: Tribunal dá razão a Miss Global Cabo Verde - Ex-directora do concurso condenada

Natasha Bintz     Foto: M. Dias
O Tribunal do Luxemburgo condenou a ex-directora do concurso Miss Global Cabo Verde, Natascha Bintz, a pagar os prémios em falta à vencedora do concurso, Yasmine Lima. A luxemburguesa prometeu à vencedora do concurso os bilhetes de avião até à Jamaica para representar Cabo Verde no evento internacional, mas na hora da viagem, as despesas ficaram por conta de Yasmine Lima.

O Tribunal deu como provado a falta de pagamento do prémio, tal como aconteceu dias antes da deslocação a Montego Bay, na Jamaica, em meados de Setembro de 2011.

"Natascha Bintz confirmou a viagem de Yasmine Lima até à Jamaica. A citada, à última da hora, alterou o seu compromisso [...], o que obrigou Yasmine Lima a viajar pelos seus próprios meios", pode ler-se no acórdão. Natascha Bintz organizou no ano passado a primeira edição da Miss Global Cabo Verde e foi agora condenada a pagar o valor da viagem.

O tribunal condenou também a ex-directora do concurso a pagar os gastos de representação efectuados por Yasmine Lima na Jamaica, assim como as taxas de juro, as custas judiciais do processo e os honorários do advogado da queixosa.

"Fiquei contente com o resultado do Tribunal. Ela [Natascha Bintz] dizia que queria fazer algo pelos cabo-verdianos, mas não compreendi o que ela queria fazer. Fica aqui uma prova de que os cabo-verdianos não se deixam pisar", disse Yasmine ao CONTACTO.

Yasmine Lima venceu o concurso Miss Global Cabo Verde a 18 de Junho de 2011, no Luxemburgo. Depois, a 24 de Setembro, ficou em terceiro lugar no concurso Miss Global International, na Jamaica.

Texto: Henrique de Burgo

Luxemburgo: Atribuição de bolsas de estudo e abonos de família "é discriminatória", diz a Comissão Europeia

Foto: Marc Wilwert
A Comissão Europeia exigiu na segunda-feira que o Luxemburgo "ponha fim à discriminação" na atribuição de bolsas de estudo e de abonos de família. Na mira do Executivo comunitário está uma lei de 2010 que limita a atribuição de bolsa aos residentes no país. A situação afecta sobretudo os trabalhadores fronteiriços, que combatem a lei há quase dois anos. Mas há portugueses a viver no Luxemburgo que também são vítimas desta lei considerada discriminatória por Bruxelas.

Os fronteiriços estão mais perto da vitória na batalha para obter bolsas de estudo, depois de a Comissão Europeia ter exigido na segunda-feira que o Luxemburgo "ponha fim à discriminação" na atribuição destes subsídios.
Desde 2010 que o Luxemburgo exige que os estudantes vivam no país para poderem obter bolsas de estudo. Uma exigência que exclui os trabalhadores fronteiriços, mas não só. Que o diga Renato Ruivo, a viver no Grão-Ducado há quatro anos. "Eu vivo no Luxemburgo, não sou fronteiriço, mas tenho exactamente o mesmo problema", conta o imigrante português.

Quando chegou ao Luxemburgo, em 2008, a lei era diferente. Divorciado, Renato Ruivo ficou com o poder paternal das filhas. A mãe nunca pagou a pensão de alimentos a que o tribunal a condenou, e Renato teve de emigrar para poder sustentar as filhas. Apesar de não viverem no Luxemburgo, as duas filhas, na altura com 17 e 20 anos, recebiam os abonos de família do Grão-Ducado. A mais velha começou nesse ano a estudar em Londres, a mais nova ficou a viver com a avó em Portugal, para acabar o ensino secundário.

"A minha maior dificuldade é não ter estudos", explica Renato, que tem o 8o ano do liceu, "e eu tinha que manter as minhas filhas a estudar. É por isso que eu cá estou, para poder pagar-lhes os estudos". Nos primeiros dois anos, ao abrigo da antiga lei, as filhas receberam sempre os abonos de família. "Receberam sempre tudo direitinho, e deu para a Andreia, a minha filha mais velha, continuar a estudar em Londres. As minhas filhas viviam com aquele dinheiro", conta Renato.

As coisas mudaram em 2010, quando ainda faltava um ano para Andreia acabar o curso de "Business e Marketing" na Universidade de Westminster. É nessa altura que a lei muda. A nova lei limita os abonos de família até aos 18 anos, quando até aí o abono era pago enquanto o aluno fizesse prova de que continuava a estudar. A partir dos 18 anos, o aluno deixa de receber esse subsídio e tem de pedir uma bolsa se quiser prosseguir os estudos. Mas para isso é preciso provar que vive no Luxemburgo.

Andreia é uma das melhores alunas do curso que frequenta em Inglaterra, mas mesmo assim não consegue obter a bolsa.
"No CEDIES [Centro de Documentação e de Informação sobre o Ensino Superior] disseram-me: 'Ela não reside no Luxemburgo, não tem direito'. A lei diz que ela tem de residir no Luxemburgo, apesar de fazer parte do meu agregado familiar e de depender de mim para viver. E contra isto, batatas!".
Resultado: Andreia "fez o último ano lectivo sem receber nada", insurge-se Renato. "Ela queria continuar a estudar e fazer mestrado, mas o problema é o dinheiro", lamenta o pai.
É por isso que o imigrante português não perde uma notícia sobre o processo que opõe os trabalhadores fronteiriços ao Estado luxemburguês. Porque o desenlace, quando chegar, também o afecta.

Contactada por este jornal, a responsável do CEDIES, Dominique Faber, recusa comentar o caso. Mas sempre diz que "a lei é clara: o apoio financeiro é atribuído ao estudante, não aos pais. E a lei luxemburguesa sujeita a atribuição da bolsa à condição de residência [do aluno] no país".

LEI VIOLA DIREITO COMUNITÁRIO

É esta lei que está agora na mira da Comissão Europeia. Na segunda-feira, o Executivo comunitário instou o Luxemburgo "a pôr fim à discriminação dos trabalhadores migrantes e dos membros das suas famílias na atribuição de bolsas de estudo e dos abonos de família". E deu dois meses ao Grão-Ducado para alterar a situação. Passado esse prazo, a Comissão Europeia vai mesmo levar o caso ao Tribunal Europeu das Comunidades.

A Comissão considera que limitar o financiamento de estudos superiores aos residentes no país "lesa sobretudo os trabalhadores migrantes originários de outros Estados-membros". O que "constitui uma forma de discriminação indirecta baseada na nacionalidade e viola a legislação europeia sobre a livre circulação dos trabalhadores", acusa o Executivo comunitário.

Uma tese defendida há quase dois anos pelos sindicatos luxemburgueses, que apresentaram queixa junto da Comissão Europeia em 2010.

"O Governo acabou com os abonos de família depois dos 18 anos e integrou-os nas bolsas. Segundo a lógica do Governo, os filhos dos trabalhadores fronteiriços não têm direito a estas bolsas, apesar de os pais pagarem impostos no Luxemburgo. É toda uma lógica para excluir os fronteiriços, com o Governo a criar cada vez mais apoios sociais ligados à condição de residência", acusa Mil Lorang, responsável do departamento de comunicação da OGB-L.

 Agora, o sindicato exige que o Luxemburgo não espere pelo fim do prazo para obedecer a Bruxelas. "Em vez de continuar a teimar e arriscar uma condenação no Tribunal de Justiça das Comunidades, o governo devia finalmente admitir que a lei de 26 de Julho de 2010 é um erro jurídico e político, que convém rectificar o mais rapidamente possível", insta a central sindical em comunicado. Mas Mil Lorang teme que o aviso da Comissão não chegue para forçar o governo a alterar a lei.

"Tenho a impressão que o Governo não vai fazer nada", disse o sindicalista ao CONTACTO. "Isto pode demorar mais um ou dois anos, se o caso chegar a tribunal. No entretanto, os fronteiriços não recebem nada. Mas depois [de o Tribunal condenar o Luxemburgo], podem fazer valer os seus direitos, nomeadamente os que apresentaram recurso", explica. À espera fica também Renato Ruivo, que vai consultar um advogado para recorrer da decisão que tem impedido a filha mais velha de receber bolsa de estudos.

Texto: Paula Telo Alves

quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

CONTACTO: Edição de 29 Fevereiro 2012


Clique na imagem para ampliar

A Comissão Europeia exigiu esta semana que o Luxemburgo ponha fim à discriminação na atribuição das bolsas de Estudo e de abonos de família. Na mira do executivo comunitário está uma lei de 2010 que limita a atribuição de bolsa aos residentes no país. A situação afecta sobretudo os trabalhadores fronteiriços (os belgas, alemães e franceses que todos os dias vêm para o Luxemburgo trabalhar) , mas também há portugueses a viver no país que também são vítimas desta lei considerada discriminatória por Bruxelas.
A história está toda no CONTACTO desta semana.

Mas há mais : A queima do Inverno decorreu este fim-de-semana no Luxemburgo. Uma festa ancestral de origem pagã que decorre anualmente no primeiro fim-de-semana a seguir ao Carnaval. Muito semelhante à queima do entrudo em Portugal.A ocasião é para celebrar o fim do Inverno queimando enormes cruzes, feitas de madeira e feno. As cruzes foram ateadas no sábado e no domingo em praticamente todo o país e as fotos estão no jornal desta semana.

No CONTACTO trazemos ainda uma grande fotografia de Cristiano Ronaldo a treinar já com os novos equipamentos no estádio de Varsóvia. A equipa das quinas começa nesta quarta-feira a preparação para o Euro 2012. Ronaldo diz que quer ser campeão. Paulo Bento quer chegar pelo menos aos quartos de final. Para já o objectivo é vencer os polacos neste jogo de preparação.

Tempo ainda para uma conversa com Ana Bacalhau. A vocalista dos Deolinda garante ao Contacto que o concerto do próximo domingo aqui no Luxemburgo vai ser memorável.
Uma entrevista e um concerto a não perder.

Tudo isto e muito mais no CONTACTO, o primeiro jornal de língua portuguesa no Luxemburgo.


segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

História do Grão-Ducado lançada em Portugal

Nasceu há 10 anos para manter os laços entre as pessoas que viveram, vivem e gostam do Grão-Ducado. Chama-se Associação Fórum Portugal-Luxemburgo. Para assinalar a década de existência, a entidade, com sede em Lisboa, lança em fins de Março a primeira História do Luxemburgo em língua portuguesa, da autoria do professor Gilbert Trausch. A obra inédita vai ser apresentada pelo director do Centro Robert Schuman no Luxemburgo.

Estatutariamente, o Fórum Portugal-Luxemburgo visa a promoção e o desenvolvimento das relações entre os dois países. Mas, na realidade, o que se pretende "é manter os laços entre pessoas", explicou ao CONTACTO Eugénia Malheiros, actual secretária da associação.

"É a realização de um desejo de um conjunto de pessoas que estiveram a trabalhar no Luxemburgo, umas oriundas da emigração tradicional, outras que passaram por instituições em resultado da adesão de Portugal à então Comunidade Económica Europeia, hoje União Europeia", especificou.

Foi a 11 de Abril de 2002 que se reuniu a assembleia constitutiva do Fórum Portugal-Luxemburgo. A comemoração da década está à porta.

Em sua casa, em Lisboa, mesmo ao lado do Parque das Nações, onde se exibiu a Expo 98, Eugénia Malheiros mostra-nos a primeira acta onde consta o nome dos pioneiros do Fórum.

Rute Costa, professora catedrática da Universidade Nova, foi a primeira presidente. Ainda criança emigrou para o Luxemburgo, onde frequentou todo o ensino secundário, regressando depois a Portugal para ingressar na Universidade. Foi vice-presidente Marie Jeanne dos Santos Salvestrin, que actualmente trabalha para o Governo do Luxemburgo. Como secretário, Manuel Malheiros, que passou pela chefia da divisão de tradução jurídica do Tribunal de Justiça das Comunidades Europeias e foi o último governador civil de Setúbal, cargo extinto pelo actual Governo de Portugal. Foram vogais Ana Paula Costa, Isaías Gomes dos Santos, José Carvalho Pires e Pol Bradtk.

São várias as actividades culturais a que os associados aderem para manterem vivos os laços. Por exemplo, todos anos se reúnem para comemorar o Dia Nacional do Luxemburgo.

"Aproveita-se o convívio e matam-se saudades", observa Eugénia Malheiros, que recorda também a visita ao museu municipal de Loures, com o apoio da autarquia, o passeio de barco pelo Tejo, com o apoio da Câmara do Barreiro, ou a visita ao Museu de Cerâmica de Sacavém.

Em 2004 foi proposto ao embaixador Alain de Muyser que o dia de S. Nicolau fosse festejado na embaixada com a participação dos membros do Fórum. A ideia foi logo acolhida e agora todos os anos, a 6 de Dezembro, nos salões da Embaixada, a festa acontece com todas as crianças pertencentes às famílias dos membros do Fórum e da Embaixada. "É uma forma de manter vivas também as tradições do Luxemburgo".

Depois da festa recolhem-se donativos para serem doados à Associação Sol, uma instituição que acolhe crianças doentes de Sida. Nos últimos três anos, algumas crianças desta instituição participaram também na festa de S. Nicolau.

No âmbito cultural, um grande marco da associação foi a tradução para português do policial "Um porto para os advogados", de Josy Braun, um escritor luxemburguês. A obra foi inclusive referida pelo semanário Expresso nas suas páginas sobre o que de melhor se publica em Portugal. Todos os custos da tradução foram suportados pelo Fórum. O lançamento do livro, em Lisboa e Porto, teve o apoio da Embaixada. Várias personagens da história de ficção são cidadãos portugueses residentes no Grão Ducado, o que reflecte a influência lusa na sociedade luxemburguesa.

Neste momento, porém, a associação está a passar por algumas dificuldades. Uma delas tem a ver com a saúde da actual presidente, Viviane Salvestrin, que se encontra no Luxemburgo para receber tratamentos.

Por outro lado, vai ser necessário chamar mais gente para o Fórum, e incrementar as actividades, diz Eugénia Malheiros, esposa de Manuel Malheiros, que desempenhou as mesmas funções logo em 2002. Aquela dirigente permaneceu 14 anos no Grão-Ducado, ondeexerceu actividades docentes na área de Língua e Cultura Portuguesas. Em Portugal foi professora do ensino secundário, nas disciplinas de Português e Francês, durante 38 anos.

Neste momento, a associação conta cerca de 40 sócios, mas a professora quer mais gente para manter vivas as relações entre Portugal e o país que acolhe cerca de 100 mil portugueses. Neste sentido, a associação conta já com o apoio da Câmara do Comércio Luso-belga-luxemburguesa para a criação de um site na internet. "Vai ser uma forma de divulgar o Fórum", explicou.

Mas, apesar de se considerar uma fase menos boa esta pela qual a associação está a passar, nunca se poderá dizer que está parada. Bem pelo contrário.

A Embaixada do Luxemburgo vai nos dias 28, 29 e 30 de Março realizar três conferências, no Porto, em Lisboa e em Faro, respectivamente, para apresentar o livro "História do Luxemburgo" do Professor Gilbert Trausch. Trata-se de uma obra cuja tradução foi promovida pelo Fórum Portugal-Luxemburgo, com todo o apoio da Embaixada. É a primeira história do Luxemburgo publicada em língua portuguesa.

Ao celebrar dez anos, o Fórum continua a construir, e com toda a força, as pontes entre Portugal e o Grão-Ducado.

Texto: Licínio Lima

domingo, 26 de fevereiro de 2012

Korn actuam pela quarta vez na Rockhal

Foto: Rockhal
A banda norte-americana Korn regressa pela quarta vez ao Luxemburgo. O Rockhal recebe um dos maiores nomes da década de noventa da cena nu metal, no dia 15 de Março, depois do incrível concerto de 2011. Músicas do último álbum "The Path of Totality" prometem aquecer a noite. Mais informações em (www.rockhal.lu).

Madredeus vão estar no Luxemburgo

Foto: Guy Wolff
A nova formação dos Madredeus regressa em Abril com novo álbum e uma digressão europeia para assinalar os 25 anos da banda.

No Luxemburgo, o grupo actua em Outubro na Philharmonie.

"Essência", o primeiro álbum da nova formação dos Madredeus, é editado dia 2 de Abril, estando já previstos vários concertos para apresentar o disco em Portugal e no estrangeiro, incluindo no Luxemburgo.

Além de Pedro Ayres Magalhães (guitarra clássica), fundador da banda, e Carlos Maria Trindade (sintetizadores), que a integrou a partir de 1994, os novos Madredeus são ainda constituídos por Beatriz Nunes (voz), Jorge Varrecoso e António Figueiredo (violinos), e Luís Clode (violoncelo). A nova vocalista, que substitui Teresa Salgueiro, tem formação clássica e estudou música nas áreas clássica e do jazz.

Os Madredeus começam o seu périplo pelos palcos nacionais e estrangeiros em Abril, passando por Londres, Istambul, Toulouse, Viena, Basileia e Munique, entre outros. No Luxemburgo, os Madredeus actuam no dia 11 de Outubro, na Philharmonie.

A partir de 28 de Fevereiro: Curso de ortografia luxemburguesa

A associação Moien organiza um curso de ortografia e gramática da língua luxemburguesa, a partir de 28 de Fevereiro, em Gasperich, na capital. O curso é convencionado pelo Ministério da Educação e Formação do Luxemburgo e tem como objectivo promover o acesso à língua e à cultura aos estrangeiros que vivem no país.
Escrever correctamente em luxemburguês pode ser agora mais fácil com este curso de ortografia e gramática, composta por dez sessões de 2 horas, das 19h às 21h. A associação tem também um serviço de correcção de textos. Para mais informações, inscrição ou programa detalhado, entre em contacto pelo tel. 263 113 43 ou e-mail (moien@pt.lu ).

sábado, 25 de fevereiro de 2012

Ainda há vagas para oficina de BD

Ainda há vagas para a oficina de banda desenhada organizada pela Confederação da Comunidade Portuguesa no Luxemburgo (CCPL).

A oficina, destinada a jovens dos 14 aos 20 anos, decorre de 28 de Fevereiro a 27 de Março, todas as quintas-feiras, entre as 15 e as 17h, na mediateca da Caixa Geral de Depósitos (n. 180, route de Longwy, na capital). A workshop inclui cinco ateliers: bases de banda desenhada, desenho, técnicas de BD, storyboard e acabamentos. As aulas são em português e em inglês. Mais informações pelo email ccpl@ccpl.lu ou pelo tel. 29 00 75.

Marly Marques regressa à Abadia

Foto: M. Dias
A cantora portuguesa Marly Marques vai estar novamente no domingo na Abadia de Neumünster, na capital. Inserida na programação "Piano Plus", Marly vai cantar ao lado do pianista luxemburguês Claude Schaus, este domingo, pelas 11h30. "Piano Plus" é uma aposta do Centro Cultural Abadia de Neumünster que junta o piano a outros instrumentos e vozes.

A cantora já tinha actuado a 5 de Fevereiro na Abadia, num concerto com ritmos de jazz, samba e bossa nova. Desta vez, Marly Marques promete clássicos do jazz. A cantora é a vocalista do "Marly Marques Quintet", banda de jazz formada em 2011 por Paul Fox, um conceituado baterista de jazz luxemburguês. Até então, Marly fazia parte de uma banda de blues , os "Outsiders Mood". O concerto é gratuito, mas só com reserva. Mais informações disponíveis na internet ( www.ccrn.lu ).

Falência da Mangen deixa 180 portugueses no desemprego


O sector da construção no Luxemburgo sofreu novo abalo. A Mangen Construções S.A. declarou falência na terça-feira, deixando 225 trabalhadores no desemprego.
Oitenta por cento são portugueses.

Luís Carlos é um jovem português na casa dos vinte anos. Chegou ao Luxemburgo há ano e meio e trouxe consigo a esperança de um futuro melhor para si e a namorada. Com a falência da Mangen, viu ontem comprometidas as suas esperanças.

"Estou aqui há um ano e meio e vim com a esperança de ter um futuro, como muitos que estão aqui. Com esta falência, já nem sei ao certo o que me falta receber. Recebi uns 500 euros e depois mais algum e depois comecei a perder a conta. Vejo agora um futuro muito curto, mais difícil.”

Para Luís Carlos e colegas de trabalho, a revolta está à flor da pele, um mês depois de terem sabido que a empresa ia declarar falência.

"Este momento que estamos a viver é de completa revolta. A gente já desconfiava, mas só há cerca de um mês é que soubemos. Não achamos justo não nos terem dado uma palavra antes, mas ainda assim tenho a esperança de entrar noutra empresa”, diz Luis Carlos.

Para já, Luís quer ficar por cá, até porque não vê hipótese de encontrar trabalho em Portugal. "Vou ficar por aqui porque em Portugal não há futuro nenhum."

SINDICATOS ACUSAM EMPRESA DE MÁ GESTÃO
O grupo Mangen, com sede em Steinfort, entregou ontem no tribunal do Luxemburgo o pedido de falência. São 225 trabalhadores que vão para o desemprego. Oitenta por cento falam português.
Uma falência que deixa os trabalhadores e os sindicatos perplexos. A empresa ainda tinha em carteira encomendas no valor de 30 milhões de euros, e os sindicatos acusam a empresa de má gestão, tal como no caso da Soccimo, que foi à falência em Julho do ano passado.

"Na Mangen o problema é de gestão. Não havia dinheiro em caixa. A linha de crédito baixou e os clientes não estavam a pagar. Isso levou a atrasos nos pagamentos. Os trabalhadores não receberam ainda o prémio final de 2011 e estão com parte do salário de Janeiro em falta. Na Socimmo, o problema também foi de gestão e as pessoas têm de perceber que quando tudo parece bem e se gere mal, as coisas acabam mal", explica Jean-Luc de Matteis, do sindicato OGB-L.

"Muitos dos clientes da empresa são comunas, que devem mais de um milhão de euros. A direcção viu-se sem dinheiro e com dívidas que ultrapassam os 5 milhões de euros, e daí a falência. Há alguns meses que estivemos a discutir com a empresa e os Ministérios do Trabalho e da Economia para encontrar soluções. Os trabalhadores da Mangen vão receber 10.500 euros após a declaração de falência, para além do subsídio de desemprego. Eu pergunto-me se o governo não teria interesse financeiro em prestar assistência à Mangen desde o início. Com encomendas no valor de 30 milhões de euros, talvez bastasse a garantia de 2 milhões de euros para saldar as contas em atraso, mas os Ministérios em causa não fizeram nada para ajudar a empresa. É mais um dia negro para a indústria da construção", lamenta Jean-Paul Fischer, do LCGB.

Fonte do Ministério do Trabalho garantiu de forma lacónica ao CONTACTO que o Ministério fez tudo para tentar salvar a empresa.

"Tentámos fazer tudo dentro das nossas possibilidades, juntamente com o Ministério da Economia, e nada foi conseguido. Se a empresa declara falência é algo que já não nos cabe decidir.”

Uma versão contestada pelos trabalhadores. "Se o governo quisesse salvar a Mangen, não precisava de grandes somas. Era só dar confiança aos bancos, mas não o fizeram", diz Manuel Mendes (nome fictício a pedido do entrevistado), que trabalhava na Mangen há 26 anos.


UMA VIDA A TRABALHAR NA EMPRESA
"Vim para o Luxemburgo em Fevereiro de 1979 com o meu pai, que também era emigrante. Tinha 14 anos e a antiga quarta classe. Em Junho do mesmo ano comecei a trabalhar na construção, mas já levava dois anos a trabalhar em Portugal. Na altura estava a começar a ser obrigatório fazer o 6o ano, mas eu não o fiz e ninguém me obrigou a fazê-lo. Por isso comecei a trabalhar jovem na companhia do meu pai e não foi muito difícil adaptar-me", conta Manuel Mendes.

Em 1986, Manuel entra para o grupo Mangen para não mais deixar a empresa.

"Nunca tive problemas de trabalho. É a primeira falência que acontece na minha vida de trabalhador e espero que seja a última", desabafa.

Manuel Mendes vai a caminho dos 50 anos. Acredita que vai conseguir trabalho, mas quando fala dos colegas mais desprotegidos sente-se-lhe a voz embargada.

"Quando se entra numa situação delicada como esta, de perder o trabalho e ficar em situação financeira difícil, há pouco por que lutar e as coisas podem ficar difíceis. Os mais jovens vão ser tocados mais no aspecto familiar e se têm cá alguém que lhes possa dar uma ajuda moral, onde se sintam acolhidos e apoiados, isso é o mais importante. Reconheço que para muita gente isso não vai ser fácil, sobretudo quando as pessoas estão sozinhas e não têm para quem se virar. Refiro-me aos jovens e aos que têm chegado recentemente de Portugal", diz.

Apesar da precariedade no sector, regressar a Portugal não é alternativa para estes recém-chegados, diz Manuel Mendes.

"Regressar a Portugal? Alguns podem ter vontade de regressar, mas pergunto-me com que expectativa. O que vão fazer? O que lá vão encontrar? Mal por mal, e tendo em conta algumas regalias que podem ter aqui, creio que as pessoas vão optar por ficar por cá, a não ser que estejam numa situação muito complicada e não tenham alojamento ou estejam com grandes dificuldades financeiras."



"HÁ PORTUGUESES A DORMIR EM CARROS" 
Apesar de a Mangen não ter casos de trabalhadores a viver nestas condições, a OGB-L tem conhecimento de portugueses que "dormem nos carros e nas obras".

"A nova imigração vem com os olhos fechados e confrontamo-nos com muitos portugueses com contrato de curta duração que não têm sítio onde ficar, dormindo dentro dos carros ou nas obras. Muitos ficam pelo caminho porque as coisas não são como pensam. Também há imigrantes qualificados a lavar loiça porque só o português e o inglês não chegam. Se tivessem o francês era mais fácil”, denuncia o responsável pelo departamento da imigração da OGB-L, Carlos Pereira.

No Luxemburgo, trinta por cento dos desempregados são portugueses. Destes, noventa por cento só falam português, diz Carlos Pereira.

O aumento do desemprego e a nova vaga de imigração já levaram a OGB-L a tomar medidas. A central sindical está a ultimar uma brochura informativa para portugueses que pensem emigrar para o Luxemburgo, intitulada "Emigração de Olhos Abertos”, com o apoio do secretário de Estado das Comunidades. A ideia já foi experimentada em Cabo Verde. O objectivo é explicar aos emigrantes a situação social do Luxemburgo, o custo de vida, alojamento, instituições onde devem dirigir-se para esclarecer questões do direito do trabalho, entre outras informações.

Na Mangen, que vai continuar de portas abertas até que o Tribunal declare a falência da empresa, os trabalhadores estão preocupados. Há quem tenha lá passado toda a vida e tenha pena de ver a empresa acabar. Jerónimo Loureiro, que trabalhava na empresa há 32 anos, diz-se triste.

"No dia 15 de Abril faz 32 anos que aqui trabalho. Vim à Mangen tratar de uns papéis para a reforma e acho mal fecharem as portas a uma empresa destas, que era uma grande empresa"

Com 63 anos e a reforma no horizonte, Jerónimo Loureiro lamenta o adeus.

"Vai ser um adeus triste, porque preferia reformar-me e deixar a empresa ainda a trabalhar. É uma pena".


Texto e fotos: Henrique de Burgo

Sector da construção no Luxemburgo "tem trabalho"

No Luxemburgo, três em cada quatro trabalhadores da construção são portugueses, representando a mão-de-obra portuguesa cerca de 15 mil pessoas.

O sector registou várias falências nos últimos meses, deixando centenas de trabalhadores desempregados. Antes da Mangen, em Julho do ano passado, a falência da Socimmo deixou 466 pessoas sem emprego, incluindo 420 portugueses. Agora, o encerramento da Mangen atira para o desemprego 255 trabalhadores, 80 % dos quais são portugueses, garante a empresa.

Mas quando se pergunta se há crise no sector, sindicatos, empresários e trabalhadores dizem que "há trabalho".

Quatro meses depois da falência da Soccimo, em Outubro, só 142 dos 466 assalariados continuavam desempregados. A maior parte dos trabalhadores da empresa foi recrutada pelas empresas que retomaram as obras da Socimmo.

Na Mangen, também havia trabalhadores vindos "de outras empresas que fecharam", diz Manuel Mendes (nome fictício), que está na empresa há 26 anos e não vê sinais de crise. "Francamente, não vejo que a falta de trabalho esteja a impor-se aqui no Luxemburgo. Tirando as pessoas com mais idade e com menos qualificações, as falências poderiam ser absorvidas por outras empresas. A Mangen tinha contabilizado 30 milhões de euros em trabalho para este ano e agora alguém vai recuperá-los e acabar essas obras."

Jerónimo Loureiro, trabalhador na Mangen há 32 anos, também não percebe a falência: "Vejo aí tanto trabalho e isto aqui [a falência da Mangen] não foi falta de trabalho.”

Jean-Paul Metteis, da central sindical OGB-L, afina pelo mesmo diapasão. "O sector não está em crise. Há muito trabalho e as actividades aumentam. A procura existe, particularmente do Estado, que investiu 500 milhões de euros em 2011 em obras públicas”.

Uma visão que os empresários da construção refutam. Renato Constantini, proprietário da empresa de construções Constantini, admite que "há trabalho", mas diz que o sector "está doente".

"Há trabalho aqui no Luxemburgo, mas a lei do mercado é que está mal e por isso o sector está doente. A construção aqui no Luxemburgo é cíclica e depois do 'boom' de 2005 e 2006 perdemos valor e preço. Houve concorrência dos alemães, que passaram a trazer mão-de-obra do Leste a um preço mais baixo. Não digo que seja ilegal, mas é desigual. Os bancos não financiam quando os preços são baixos e os construtores são confrontados agora com novos imperativos". Como solução, Constantini aponta a procura de outros mercados. "Para combater isto é preciso sair. A minha empresa já opera em França há alguns anos e as empresas luxemburguesas podiam apostar mais em ir para fora.”

Os números indicam que as falências de empresas no Luxemburgo registaram um ligeiro aumento em 2011, com um total de 961 empresas, contra 918 em 2010, um aumento de 4,68 %. Estes números escondem, no entanto, que há mais empresas criadas do que as que declaram falência, garante fonte da "Chambre des Métiers" ouvida pelo CONTACTO.

Quando às falências no sector da construção, houve um ligeiro recuo: 8,70 % em 2011 contra 10 % em 2010.  

Texto: Henrique de Burgo

F91 Dudelange - Fola na reabertura da Liga BGL

Foto: Nicolas Bouvy
O encontro F91 Dudelange - Fola é o principal destaque da 14a jornada da Liga BGL, após a longa pausa de Inverno. Os campeões em título não podem perder para continuar na luta pelo título.

Os dois clubes mais ricos do futebol luxemburguês defrontam-se amanhã (18h) para gáudio dos espectadores que deverão encher o estádio Jos Nosbaum, em Dudelange. Com uma primeira volta abaixo das expectativas, o Fola vai tentar pontuar para continuar a subir na tabela, uma tarefa bastante difícil para a formação de Esch. A ronda abre às 17h, em Differdange, com a equipa local a receber o Pétange. Também às 18h joga-se o CS Grevenmacher - Niederkorn, RM Hamm Benfica - Racing Luxembourg e Jeunesse d'Esch - Käerjéng. No domingo disputam-se mais dois encontros, ambos às 16h: Rumelange - Hesperange e Hostert - Kayl/Tétange.

"O Grito" de Munch vai a leilão em Nova Iorque

A Sotheby's vai leiloar a única versão pertencente a um coleccionador privado de "O Grito", de Edvard Munch.

O leilão está previsto para 2 de Maio em Nova Iorque, e a expectativa é arrecadar mais de 80 milhões de dólares.

O dono da obra de arte pintada em 1895 é o empresário norueguês Petter Olsen. Existem quatro versões da famosa pintura de um personagem em desespero com as mãos no rosto, e grita. As outras três estão em colecções de museus noruegueses.

Simon Shaw, vice-presidente e chefe do departamento de Arte Moderna e Impressionista da Sotheby's em Nova Iorque, classificou a obra como uma das imagens de maior reconhecimento instantâneo do mundo, perdendo apenas para "Mona Lisa"', de Leonardo Da Vinci.

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Benfica "examinado" em Coimbra após derrota em Guimarães

O Benfica vai ser testado amanhã em Coimbra, depois da primeira derrota na Liga portuguesa, a que se seguiu o desaire na "Champions". Os encarnados lideram o campeonato com mais dois pontos que o FC Porto e recebem os dragões a 2 de Março.

A primeira derrota do Benfica deixou o FC Porto – que domingo recebe o Feirense – a depender apenas de si para discutir a liderança no "clássico".

Em Coimbra, o Benfica vai encontrar uma Académica com um dos piores registos na Liga. As "águias" não contam com Luisão, mas Javi Garcia poderá regressar. O FC Porto recebe o Feirense, que lhe roubou pontos na primeira volta, adversário que deverá ultrapassar.

O Sporting entra em campo frente ao Rio Ave.

Os "leões" discutem taco-a-taco o quarto lugar da Liga com o Marítimo, que abre hoje a jornada com a recepção à equipa da União de Leiria. O Braga recebe segunda-feira o Vitória de Guimarães, no "derby” minhoto, enquanto o Beira-Mar joga com o Vitória Setúbal – que não ganha desde Setembro – um jogo de capital importância para ambas as equipas.

Também no domingo, o Olhanense (7°, 22 pontos) e Gil Vicente (9°, 22) encontram-se num jogo que pode implicar mudanças entre ambos na tabela, enquanto o Paços de Ferreira (12°, 18 pontos) recebe o Nacional (8°, com 22).

2012: Luxemburgo escapa à recessão na Zona Euro

O Luxemburgo deve alcançar um crescimento de 0,7 % em 2012, face à anterior previsão de 1 %. Já a zona euro mergulha em recessão, pela segunda vez em três anos.

"O consumo luxemburuguês deverá acelerar ligeiramente em 2012", diz o estudo da Comissão Europeia, enquanto "o desemprego, em quebra acentuada no final de 2011, deve continuar em 2012 e atingindo novos picos". Quanto à inflação, subiu para 3,7 % em 2011, e em 2012 deve retomar o nível de 2010, 2,7 %.

A zona euro regista um recuo de 0,3 %. A inesperada estagnação na retoma económica nos finais de 2011 deverá prolongar-se durante a primeira metade deste ano, mas prevê-se, todavia, "um crescimento moderado" no segundo semestre do ano. A economia espanhola vai cair pelo menos 1% este ano.

A Grécia vai contrair mais 4,3% e a retoma na Alemanha será muito moderada. O Reino Unido vai evitar por pouco uma recessão e os Jogos Olímpicos podem ajudar a economia a acelerar no segundo semestre para crescer 0,6 % em 2012. Já a França vai crescer 0,4 %, duas décimas abaixo da anterior previsão.

Economia portuguesa recua 3,3 % em 2012

A Comissão Europeia reviu ontem em baixa as previsões para a evolução da economia portuguesa.
O Produto Interno Bruto (PIB) de Portugal deve diminuir 3,3 % em 2012. Nas previsões intercalares divulgadas ontem pela Comissão para os 27, só na Grécia (-4,4 %) está prevista uma recessão pior do que Portugal. Em Novembro, a Comissão previa uma quebra do PIB na ordem dos 3 %, o mesmo valor que o Governo inscreveu no Orçamento do Estado para 2012. Ao contrário das previsões de Novembro, os dados intercalares ontem apresentados não contêm números sobre 2013, nem para outros indicadores senão o PIB e a inflação (que deverá atingir 3,3 %). A Comissão nota que a "redução muito forte no emprego" no final do ano passado teve um impacto significativo no consumo privado, uma tendência que se deverá prolongar em 2012.

Angola já é terceiro nas remessas de emigrantes

Angola já é a terceira principal origem das remessas de emigrantes portugueses, com 147 milhões de euros em 2011, segundo dados divulgados esta semana pelo Banco de Portugal (BdP).

Num ano em que as remessas totais dos emigrantes se mantiveram quase iguais às do ano anterior, o montante enviado pelos portugueses residentes em Angola cresceu quase 10 %. Nos números do BdP, as remessas dos portugueses em Angola estavam assim em 2011, já bastante acima das recebidas de destinos tradicionais da emigração portuguesa, como os Estados Unidos (130 milhões de euros), a Alemanha (113 milhões), o Luxemburgo (68 milhões) ou o Canadá (40 milhões). No entanto, as principais fontes de remessas de emigrantes continuam a ser a França e a Suíça. Estes dois países representaram mais de metade dos valores enviados para Portugal em 2011.

Zeca Afonso morreu há 25 anos

Foto: Lusa
Fez ontem 25 anos que Zeca Afonso morreu. A obra do cantor vai ser reeditada este ano para assinalar o aniversário da sua morte.

Para assinalar os 25 anos da morte de José Afonso, a Movieplay vai editar agora – com a etiqueta Art'Orfeumedia – versões remasterizadas dos onze álbuns que José Afonso editou para a Orfeu, disse à Lusa fonte da editora.

Na primeira semana de Abril sairão "Cantares do andarilho" e "Contos velhos, novos rumos", enquanto na primeira semana de Maio sairão "Traz outro amigo também", "Cantigas do Maio" e "Eu vou ser como a toupeira".

Em Outubro regressam "Venham mais cinco", "Coro dos tribunais" e "Com as minhas tamanquinhas", e em Abril de 2013 será a vez de "Enquanto há força", "Fura, fura" e "Fados de Coimbra".

Nascido a 2 de Agosto de 1929, em Aveiro, José Afonso morreu a 23 de Fevereiro de 1987, em Setúbal, aos 57 anos, vítima de esclerose lateral amiotrófica.

   

Portugal deixa de emitir vistos para os Estados Unidos

O presidente do Conselho Permanente das Comunidades Portuguesas, Fernando Gomes, considera que a decisão dos Estados Unidos de obrigar os portugueses que queiram emigrar a deslocarem-se a Paris “é uma forma burocrática de dificultar” a obtenção de visto.

O Governo Regional dos Açores também não gostou da atitude americana. "Consideramos que não é uma boa notícia, não é um tratamento satisfatório para a região tendo em atenção a relação histórica e afectiva que nos une", afirmou André Bradford, secretário regional da Presidência. Em comunicado esta semana, a representação diplomática dos Estados Unidos em Portugal anunciou que a embaixada em Lisboa e o consulado geral em Ponta Delgada vão deixar de emitir vistos de imigração para portugueses, passando o processo a ser assegurado pela representação norte-americana em Paris.

O modelo actual “funcionava e funcionou durante tantos anos”, sublinhou Fernando Gomes, destacando ainda o custo económico que a alteração implica. A maioria dos candidatos portugueses à emigração para os EUA tem origem nos Açores e o facto de passarem a ter de se deslocar a Paris tem “um custo acrescido desnecessário”, critica. A partir de 1 de Março, “todas as novas entrevistas para os vistos de imigrante para os EUA e da lotaria de vistos para residentes de Portugal e França passarão a ser efectuadas na embaixada dos EUA em Paris”, refere a embaixada norte-americana em Lisboa. Os casos pendentes, “para os quais a entrevista já tenha sido feita”, serão processados pela embaixada em Lisboa e pelo consulado-geral em Ponta Delgada “até 30 de Maio”, acrescenta a embaixada.

Bélgica: Caso do operário ilegal abandonado morto é "isolado"

O conselheiro para as Comunidades Portuguesas na Bélgica, Pedro Rupio, disse ontem que o caso do operário abandonado pelos colegas após ter tido um ataque cardíaco numa obra onde trabalhava ilegalmente é “isolado”.

"Este caso é isolado”, lamentou Pedro Rupio, sustentando que "a maioria trabalha de forma legal". "Na comunidade emigrante portuguesa a situação é bastante boa. Mesmo na construção civil, a maioria trabalha com papéis, legalmente".

O caso foi recentemente noticiado na imprensa belga e aconteceu em Novembro. O emigrante, de 49 anos, desempregado, foi contratado para trabalhar clandestinamente numa obra, no feriado de 11 de Novembro.
O emigrante português, que vivia há 12 anos na Bélgica, sofreu um ataque cardíaco na obra e foi abandonado pelos colegas num terreno pouco frequentado, a alguns quilómetros de distância.

Os resultados da autópsia revelam um pormenor mórbido: o português estava ainda vivo quando foi metido numa camioneta e morreu entre 15 minutos e uma hora depois, tendo sido largado já cadáver. A companheira do emigrante acusa o empreiteiro e o mediador que o contratou, ambos portugueses, de lhe oferecerem 10 mil euros pelo seu silêncio, mas optou pela denúncia. A justiça belga tem já a decorrer um processo-crime por não assistência a pessoa em perigo e ocultação de cadáver.