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sábado, 24 de dezembro de 2011

Crónica: O Natal dos simples!


Os dramas que atravessam a sociedade portuguesa agravam-se sempre no Natal e, este ano, de forma muito particular, pelas infelizes razões que são conhecidas de todos. Com os apelos do consumismo e a redução dos rendimentos, a quadra deixou de ser festiva para muita gente, tornando-se no mais difícil período do ano.

Percebo perfeitamente que o comércio precise de facturar e, por isso, nesta altura, apela aos desejos mais escondidos e recalcados de consumo das sociedades. Mas isso acaba por subverter as tradições e os objectivos daquela a que se chama, por excelência, a festa da família.

Há muito tempo que defendo o regresso do Natal às origens, recordando de certo modo aquilo que foi a minha infância. Nesse tempo já distante, havia presentes, mas em número muito mais parcimonioso, deixando tempo às crianças para apreciarem todas e cada uma das prendas que recebiam. Hoje, esse número tornou-se escandalosamente esbanjador, a tal ponto que são as crianças que elegem um deles, desprezando a maioria. Não têm tempo para desfrutar de todos os presentes.

Seria por isso bom que o Natal recuperasse a sua magia, a fantasia de outros tempos, que permitisse a reunião da família, sem que as pessoas estivessem a pensar no drama de terem gasto muito mais que aquilo que de facto podiam. Deixo as questões de carácter mais religioso para quem, sobre o assunto, está mais habilitado que eu.

Seria também bom que a reunião de família permitisse recuperar algum ânimo, para enfrentar os momentos difíceis que aí vêm e para se recomporem de tudo o que passaram, ao longo de um ano de extremas dificuldades.

Recordo que num Natal da minha infância fui surpreendido por uma bicicleta fantástica, um pouco maior que a primeira que tive e que não acompanhara o meu repentino crescimento. Tornara-se pequena. Fiquei deslumbrado com a nova, mas também nostálgico, por saber que a "velha" bicicleta vermelha tinha ido embora, integrada no negócio de aquisição da nova. Para mim, os brinquedos também eram merecedores de afecto e a companheira de tantas passeatas e aventuras estava já a causar-me uma saudade imensa.

Isto contrasta com o que se vê hoje. A playstation ou o telemóvel do ano passado tornaram-se obsoletos, perante os desejos das crianças e jovens que, em cada ano, exigem sempre mais, a última novidade. E num espírito de concorrência, violador do espírito do Natal. Se o amigo ou o vizinho têm, ele também quer ter. E os pais cedem a isto.

Só um exemplo, para que se veja o terrorismo que os mais novos exercem sobre os progenitores: um adolescente de 14 anos já teve mais telemóveis que eu. Usa para isso os mais diversos expedientes, desde perdê-los, a parti-los e os pais ficam desarmados, porque não querem que a criança seja privada daquilo que todos os amigos têm. E, de cada vez que se compra, escolhe-se sempre um modelo mais sofisticado que o anterior.

Para muitos, o Natal deste ano vai ser mais dramático, como já o disse. Muita gente ficou sem parte do respectivo subsídio, incluindo os pensionistas, os que mais precisam. E não me parece que os mais jovens tenham consciência suficiente para perceberem esse drama e colaborarem na redução dos seus efeitos.

Por estes dias, vejo os centros comerciais cheios de gente, embora as lojas mais vazias. Vejo muita gente a deitar contas à vida, a comprar sem prazer, mas apenas porque a "ditadura" do consumismo é mais forte que as possibilidades e a consciência de cada um. Não é deste Natal que eu gosto. Prefiro o outro, o da família, das filhoses, das rabanadas, do bolo rei, do bacalhau, do peru. Prefiro o Natal da missa do galo e o da solidariedade que, na minha terra, juntava os jovens, para oferecerem uma ceia aos excluídos, aos marginalizados, aos indigentes. Prefiro o Natal dos amigos que, sem SMSs, se visitavam brevemente, antes da consoada, com os votos de uma noite feliz.


Sérgio Ferreira Borges,
analista político

Duas famílias luxemburguesas abriram as portas de casa ao CONTACTO e contam como vão passar a consoada

Em vez de bacalhau para a ceia, os luxemburgueses comem "Traïpen", uma espécie de chouriço de sangue luxemburguês. Em vez de bolo-rei, o Stollen de origem germânica. Mas há quem cobice iguarias francesas ou não se importe de comer apenas uma sandes. As tradições luxemburguesas já não são o que eram? Descubra as diferenças entre os Natais passados e o Natal presente das famílias luxemburguesas que abriram as casas ao CONTACTO. 

O carro que Aline Schiltz (a primeira à esquerda, na foto de cima) conduz tem um autocolante com o galo de Barcelos no vidro de trás. Lá dentro, ouve-se um disco antigo de António Variações. "Esta música comove-me", diz Aline em português perfeito.

Aline é luxemburguesa mas viveu sete anos em Lisboa, para onde foi como estudante Erasmus. Em Portugal fez um estudo sobre a emigração do Fiolhoso para o Luxemburgo e as casas típicas dos emigrantes portugueses.

Agora está no Grão-Ducado para fazer um doutoramento sobre a comunidade portuguesa no Luxemburgo, mas continua muito ligada a Portugal, e não perde uma ocasião de lá voltar. "No ano passado levei os meus pais a passar o Natal em Lisboa. Chegámos no dia 23 e passámos as festas com amigos. Mas para nós, o mais importante é estarmos juntos".

Este ano a família Schiltz passa o Natal no Luxemburgo, em casa dos pais de Aline, por onde já se passeiam, perfeitamente integradas, as gatas portuguesas da investigadora, Mimi e Agostinha. De Londres e Bruxelas vêm as duas irmãs e os dois sobrinhos de Aline. A mãe, Michelle Schiltz, já cozinhou os "Stollen" (uma espécie de bolo-rei de origem germânica, com frutos secos e frutas cristalizadas), e reserva-os agora embrulhados em celofane transparente para oferecer aos amigos e família. "Devem fazer-se no primeiro domingo do Advento, para estarem bons nesta altura", explica a assistente social reformada.

Nas sobremesas, só se sabe que vai haver também tronco de Natal ("bûche de Noël"), um doce tradicional em países francófonos. Mas a ementa principal ainda está por decidir, até porque a família admite que não segue à risca as tradições gastronómicas luxemburguesas.

"Antigamente, era diferente. Na consoada, quando voltávamos da missa da meia-noite ('Metten'), comia-se sopa de cebola e chouriço de sangue ['Traïpen' ou 'boudin noir'], com puré e compota de maçãs", conta o pai de Aline, Jean Schiltz. "Aquecia!". E no dia seguinte "comia-se peru, e de sobremesa o tronco de Natal", prossegue Michelle. "Mas nem sempre era peru. O Luxemburgo era muito pobre, e muitas famílias criavam um porco, ou um peru, ou galinhas. O que era servido em casa era de produção caseira", recorda Michelle.

"Agora também temos um porco, mas com o tempo tornámo-nos moles, e guardamo-lo de ano para ano: não temos coragem de matar o animal", brinca o pai de Aline. Jean Schiltz, dentista reformado, vive com a família numa casa de campo perto de Ettelbruck desde 1975, mas nasceu na capital. E as recordações dos Natais da sua infância evocam menos as tradições do mundo rural que os pequenos luxos que só a cidade era capaz de proporcionar.

"Quando eu era pequeno e vivia com os meus pais na cidade do Luxemburgo, o ponto alto do Natal era o gelado da Namur. Só tínhamos gelado uma vez por ano. Era entregue casa a casa numa camioneta, e para nós era uma excitação: 'Vem? Não vem?'". Desses Natais passados, Jean recorda ainda as músicas tocadas ao piano, o pinheiro que a mãe decorava "com velas verdadeiras" e a porta de casa sempre aberta. "É verdade, a tua mãe acolhia sempre os viajantes que andavam à boleia. E na nossa casa também havia sempre portas abertas: vinham os miúdos todos das redondezas, o que naquela época não era habitual", conta Michelle.

A tradição da hospitalidade, essa, mantém-se na família Schiltz. "Já tivemos vários Natais com amigos estrangeiros que não tinham família no Luxemburgo. Um ano tivemos mesmo um Natal africano, com comida típica africana, e foi muito agradável", conta Aline.

E para este Natal, já decidiram a ementa? "Esperamos que haja gelado!", brinca Aline. "Eu gostava de começar uma nova tradição: comer sanduíches. Mas por alguma razão, a moda ainda não pegou...", ironiza o pai da investigadora.

A tradição já não é o que era 

"As coisas mudaram muito nos últimos 30 anos", diz Jeanny Goerend (a primeira à esquerda, na foto ao lado). "Quando eu era miúda, as famílias ainda iam à missa da meia-noite, a maioria, pelo menos. Hoje em dia o Natal é mais comercial. Agora oferecem-se presentes. Antigamente só havia prendas no São Nicolau [festejado a 6 de Dezembro]. Agora o São Nicolau ('Kleeschen') continua a ser importante, mas nos últimos anos também surgiu o hábito de dar prendas no Natal", explica a funcionária europeia.

O marido, Romain Goerend, concorda. "É verdade", diz o antigo jornalista da RTL (rádio e televisão), hoje reformado. "No Luxemburgo havia a tendência para festejar sobretudo o São Nicolau. Hoje, por causa da proliferação da internet, sobretudo, as coisas mudaram. Antes nunca se tinha ouvido falar do Halloween, por exemplo, e agora é uma festa que também é festejada no Luxemburgo – o que curiosamente é uma espécie de revivalismo celta. O Luxemburgo tem um passado céltico, ligado aos gauleses – o que de resto nos liga aos portugueses, com os celtiberos", exemplifica.

Mas este apaixonado pelo estudo da História não se angustia com as mudanças que o Natal sofreu nos últimos anos. Até porque, garante, as tradições natalícias luxemburguesas são uma criação recente.

"Acho que nunca houve verdadeiramente, à parte algumas canções de Natal luxemburguesas compostas depois da Guerra, nos primeiros anos da rádio luxemburguesa, tradições especificamente luxemburguesas. Adoptámos as tradições regionais dos nossos vizinhos", explica.

"De facto, há poucas especialidades gastronómicas luxemburguesas. Era uma população rural que tinha pratos muito simples, muito rústicos. Antes, no Natal, eram refeições muito simples, como o chouriço de sangue. Isso mudou completamente: agora, tornou-se a melhor refeição do ano", explica Romain.

O antigo jornalista ainda se lembra de quando o chouriço de sangue era um prato apetecível.

"Quando eu era criança, lembro-me de um Natal ter sido convidado para tocar flauta de bisel na missa da meia-noite". Nessa noite, o pai levou o grupo a comer "a ementa tradicional, o 'boudin noir' com couve roxa", a um restaurante. "Ir a um restaurante era um evento raro naqueles tempos, e recordo-me sempre desse Natal, com muita neve, um Natal verdadeiramente clássico".

Hoje o hábito de comer chouriço de sangue na consoada está em vias de extinção, mas à mesa dos Goerend não vai faltar o tronco de Natal "com creme de manteiga", garante Jeanny. Mas a especialidade natalícia por que todos anseiam é o patê de lebre caseiro feito pela funcionária europeia, que nasceu no Luxemburgo mas é filha de pais franceses. Um prato atípico, mas que não destoa nas mesas luxemburguesas, assegura o antigo jornalista. "Afinal, sabe o que se diz da comida luxemburguesa: tem a qualidade da comida francesa, servida nas quantidades da comida alemã!". E o importante é mesmo estar com a família. "Essa dimensão ficou-nos, a festa da família: passamos o Natal com os nossos filhos", conclui Romain Goerend.

Paula Telo Alves 
(texto e fotos)

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Duas Ceias de Natal em Esch e Bonnevoie para os Sem-Abrigo



 Em Esch, Centro Abrisud acolheu Sem-Abrigo numa ceia de Natal muito especial 

A associação "Amis du Foyer de Nuit Abrisud" convidou no sábado (17 de Dezembro) os sem-abrigo que frequentam o centro nocturno de Esch-sur-Alzette para um jantar de Natal, que ficou marcado pelos sorrisos e pela entrega de pequenos presentes.

Fundada em 2010, a associação "Amis du Foyer de Nuit Abrisud" quer ajudar moralmente, financeiramente e materialmente o abrigo nocturno Abrisud, que trata de encontrar alojamento temporário para as pessoas sem abrigo. A associação tem ainda como objectivo reintegrar os excluídos socialmente, através de actividades e passeios.

No sábado, a associação convidou os utentes do abrigo para um jantar de Natal, com entrega de um pequeno presente, mas igualmente de casacos de Inverno, que tanto lhes fazem falta nesta época do ano.

Actualmente, o abrigo acolhe 18 pessoas, dos quais cerca de um quarto são lusófonos. Rodeados e apoiados por sete profissionais – educadores, assistentes sociais ou ainda estudantes em formação – os sem-abrigo tentam encontrar habitação, trabalho e um pouco da dignidade perdida nas ruas, onde vivem sem meios de subsistência. Em qualquer altura da vida, qualquer pessoa pode ter problemas e ser incapaz de pagar um aluguer ou facturas. Qualquer pessoa pode um dia ir viver para a rua e ficar sem abrigo. Um ciclo vicioso que leva à exclusão social. "Não devemos esquecer que uma pessoa sem abrigo e, por essa razão, sem endereço, não tem direito a subsídio de desemprego, não pode beneficiar da segurança social ou mesmo inscrever-se na ADEM", recordou nessa noite o presidente e fundador da associação "Amis du Foyer de Nuit Abrisud", Paul Weidig.

Esta é um pouco a história de Adriano. "Eu gostava de trabalhar. Apresentei-me ultimamente em dois empregos. Mas cada vez ouço a mesma coisa: demasiado velho para trabalhar e demasiado jovem para a reforma", conta o português ao CONTACTO. Com 58 anos de idade, vive no Luxemburgo há quase 13. O primeiro empregador foi à falência, o último despediu o pessoal devido à crise. Adriano, que trabalhou toda a sua vida, encontrou-se de repente no desemprego. Divorciado, incapaz de pagar um aluguer, porque há sempre um tempo de espera antes de receber qualquer subsídio, Adriano passa as noites no Abrisud, em Esch/Alzette. Já lá vai um ano.

Porque o centro para sem-abrigos de Esch só acolhe as pessoas a partir das 17h, durante o dia Adriano continua a procurar trabalho. Para passar o tempo lê tudo o que lhe vem à mão. "Gostava de conseguir um contrato numa empresa de inserção, daqui a um ou dois meses", diz. "Assim poderia terminar o meu tempo de descontos e encontrar alojamento."

O caso de Adriano é quase idêntico ao de todos os outros sem-abrigo que ali estavam presentes naquele jantar. Para já, Adriano e os outros encontram no Abrisud de Esch um telhado e pessoas amigas. Durante algumas horas, naquele jantar de Natal, no sábado, cada um pôde, por um curto período de tempo, esquecer as suas preocupações pessoais.

Foto e texto: Carlos de Jesus 
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Ceia de Natal também no Foyer Ulysse, em Bonnevoie

A Ceia de Natal para os Sem-Abrigo oferecida pela Caritas e pela Associação Cultural e Humanitária da Bairrada no Luxemburgo (ACHBL) teve lugar no Foyer Ulysse em Bonnevoie, no sábado (17 de Dezembro).

Preparado e servido por cerca de 20 pessoas, membros da ACHBL e simpatizantes, a tradicional Ceia de Natal para os Sem Abrigo compunha-se de sabores portugueses: canja, bacalhau com batatas e couves, e diferentes sobremesas da época, feitas pelos voluntários.

O jantar contou com a presença de Stéphanie Faia, Miss Portugal no Luxemburgo para 2012 (na foto, em cima) madrinha do evento, e que encantou com a sua beleza e sorriso. “Eu nunca tinha participado num jantar como este, mas penso que é muito importante podermos dedicar um dia para estas pessoas que tanto precisam”, confia. Este ano, mais uma vez, a organização distribuiu um saco de prendas a cada um dos sem-abrigo presentes, um donativo composto de bens de primeira necessidade preparado pela ACHBL com a contribuição de vários particulares e empresas.

Para Rogério Oliveira, presidente da ACHBL, esta Ceia de Natal "é uma oportunidade para tratar os sem-abrigo com dignidade e respeito". E assegura: "Continuaremos enquanto nos permitirem, porque nesta época festiva, temos de pensar nos que não tiveram a mesma sorte que nós, e que passam estes momentos sozinhos”.

"Geralmente o Verão é um período mais clemente com os sem-abrigo. Mas este ano não tem havido períodos calmos nos lares, uma consequência da crise", confiam-nos os responsáveis da organização. "Este ano, o jantar contou com menos participantes, o que nem por isso significa que haja menos pessoas a necessitarem de ajuda", dizem. Os sem-abrigo provenientes da África do Norte não quiseram participar ou por não partilharem as mesmas crenças, lamentou ainda a organização. Este ano, ao contrário dos últimos anos, a ceia não contou com a presença de muitos lusodescendentes. "Alguns terão conseguido estabilizar a vida, outros terão voltado para junto das suas famílias", consideraram os organizadores.

Uma Ceia de Natal que foi do agrado de todos os presentes e que permitiu a muitos aproveitar uma refeição completa e o calor humano que facilmente se sentia na sala.

Sabrina Sousa 
Fotos: Sérgio Lontro 


Ana Dias (Comité Miss Portugal-Lux.), Rogério Oliveira (ACHBL) e Stéphanie Faia, Miss Portugal-Luxemburgo para 2012

terça-feira, 15 de novembro de 2011

Estudo da Deloitte: Consumidores no Luxemburgo vão gastar menos no Natal

Os residentes no Luxemburgo vão consagrar este ano menos 23 % do seu orçamento aos gastos com as festas do Natal e do Fim de Ano.

É uma das maiores baixas em termos europeus reveladas ontem por um estudo da consultora Deloitte. Uma redução que segundo a consultora tem por base a convicção de que o Luxemburgo está em crise: seis em cada dez residentes no Grão-Ducado acreditam que o país está em recessão, o que equivale a 59 % da população inquirida.

No ano passado, 46 % da população acreditava que a economia estava estável. Um valor que está dentro dos parâmetros da média europeia. Este indicador é superior nos países mais afectados por medidas de contenção orçamental, como a Grécia (92 %), Portugal (88 %), Itália (84 %), Irlanda (78 %) e Espanha (72 %). Os números agora divulgados constam da 14a edição do estudo de Natal da Deloitte que pelo terceiro ano consecutivo inclui o Luxemburgo.

O Luxemburgo faz ainda parte do grupo de países mais pessimistas quanto ao futuro: 52 % da população pensa que o estado da economia vai piorar, quando no ano passado apenas 22 % da população expressou este sentimento.

Outro dado: este ano há o dobro de luxemburgueses que no ano passado a pensar que o seu poder de compra vai baixar em 2012. Ou seja, 36 % dos inquiridos, contra apenas 19 % no ano passado.

Curioso é que apesar deste sentimento negativo, os luxemburgueses estão acima da média europeia quando se pergunta se vai olhar para o preço na altura de comprar um presente de Natal: 41 % dos inquiridos dizem que vão comprar um presente sem olhar para o preço, um número que é 11% superior à media dos outros consumidores europeus. Para as compras de Natal, 57 % dos residentes no Grão-Ducado pensam comprar presentes que estejam em promoção. No resto da Europa, o número sobe para 65 %.

PORTUGUESES MUITO PESSIMISTAS 

A visão dos portugueses sobre o estado da economia degradou-se. Segundo a Deloitte, no ano passado 75 % dos entrevistados acreditava estar numa recessão. Este ano o número subiu para 88 %, e as expectativas da consultora para 2012 indicam que 72 % dos consumidores acham que a situação irá piorar, face a 58 % em 2010.

A 14a edição do estudo de Natal da Deloitte, realizada antes de serem conhecidas as medidas de retenção dos subsídios de férias e Natal de 2012 e 2013 e o aumento da carga fiscal para o próximo ano, revelou que a evolução do clima económico, a perda de poder de compra e o receio de perder o emprego levam 72 % dos portugueses a acreditar que o próximo ano vai ser "ainda mais negativo” do que 2011.

Esta visão sobre a economia piorou em todos os países europeus, à excepção da Irlanda e da Ucrânia, e aproxima-se hoje dos níveis que a consultora registou em 2008. As perspectivas futuras também se deterioram; em 2010, um em cada quatro consumidores acreditava que a situação económica ia melhorar no ano seguinte. Hoje, menos de um em 10 consumidores acredita na retoma a curto prazo.

DM 
Foto: Marc Wilwert

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Compras de Natal na Internet batem recorde em Portugal

A internet é cada vez mais um meio escolhido pelos portugueses para fazer as suas compras. No final de 2010, dois milhões de internautas portugueses terão adquirido 3,2 mil milhões de euros em bens e serviços através do seu computador pessoal, um aumento de 23% face a 2009.

"A compra através da internet tem evoluído bastante nos últimos anos. A taxa de penetração da internet em portugal já ultrapassa os 50 por cento da população portuguesa e, destes, cerca de 20 por cento [o triplo do que o que se verificava em 2005] já utiliza regularmente as compras 'online' através do seu computador pessoal", adianta a Associação do Comércio Electrónico e Publicidade Interactiva (ACEPI).

Em 2005, o número de portugueses que compravam regularmente na internet representava cerca de 7% e em 2009 era cerca de 16%. Em 2015, as vendas em linha em Portugal representarão cerca de 5,9 mil milhões de euros.

Os hábitos dos portugueses têm vindo a mudar e apesar de no top das vendas se manterem os livros, discos, informática e telemóveis, o vestuário e a alimentação têm crescido bastante, segundo presidente da ACEPI.

Foto: SHUTTERSTOCK

quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

Portugal: O Natal da TAP no aeroporto de Lisboa (com vídeo)

A TAP Air Portugal e a ANA, empresa que gere os aeroportos lusos, desejaram as Boas Festas aos passageiros no aeroporto de Lisboa de uma forma original no passado dia 23 de Dezembro.

Uma encenação que envolveu mais de 20 funcionários das duas empresas propôs durante 7 minutos um verdadeiro espectáculo de dança no meio do átrio dos balcões de "check-in" do aeroporto lisboeta.

Um momento excepcional que foi registado em vídeo e que levou muitos dos passageiros a participarem na festa improvisada.

in www.bomdia.lu

quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

Portugal: Um terço dos seis quilos de bacalhau que cada português consome é comido na época natalícia

Cada português consome, durante a época natalícia, um terço dos seis quilos de bacalhau que come durante todo o ano, o qual é proveniente do Atlântico Norte e do Pacífico.

Dados da Associação dos Industriais do Bacalhau (AIB) avançados à agência Lusa revelam que cada português consome, em média, seis quilos de bacalhau salgado seco por ano. Quase um terço (30 por cento) é consumido durante a época natalícia, segundo o secretário-geral da AIB, Paulo Mónica.

Esta é uma época em que as preferências dos portugueses em relação ao fiel amigo se alteram, o que se deve a um certo desafogamento financeiro.

No Natal, os portugueses “estão dispostos a pagar um pouco mais por um produto que lhes garanta um bom resultado na mesa”.

O preço do bacalhau depende de vários factores: “Desde logo, do tamanho do peixe. Peixes maiores correspondem a um preço mais elevado”, explicou Paulo Mónica.

“O tempo de cura (período em que o peixe está em contacto com o sal até estar pronto para sair para o mercado) tem, igualmente, influência no preço”, disse o secretário-geral da AIP, explicando que “tempos de cura maiores correspondem a preços mais elevados”.

Esta disponibilidade financeira dos portugueses para o bacalhau durante o Natal não corresponde, contudo, à registada durante o resto do ano.

Isto porque se tem verificado “uma procura crescente por produto com baixo preço, provavelmente como reflexo da crise que se vive”.

Já “o segmento de mercado que procura e valoriza a qualidade mantém-se estável”.

Dados da AIB indicam que, em 2008, o consumo de bacalhau no mercado nacional rondou as 58 mil toneladas.

No corrente ano, os preços da matéria-prima caíram cerca de 30 por cento relativamente a 2008.

A AIB estima que este ano haverá “um crescimento tímido no consumo, em grande medida devido à quebra dos preços relativamente a 2008”.

Contudo, Paulo Mónica refere que “convém não esquecer que a actual conjuntura económico-financeira das famílias tem um forte impacto, também, ao nível do consumo de bens alimentares, bacalhau incluído”.

Em 2008 e 2009, o valor do mercado nacional de bacalhau rondou os 500 milhões de euros.

A origem do bacalhau que os portugueses consomem é o Atlântico Norte (nas águas da Rússia, Islândia, Noruega e Canadá) e o Pacífico (Alasca, Estados Unidos da América).

O bacalhau salgado seco representa cerca de 80 por cento das vendas em Portugal, seguindo-se o demolhado ultracongelado (perto de 20 por cento).

Já a venda de bacalhau fresco é “absolutamente residual”, segundo Paulo Mónica.

Portugal: Bakugan e Nancy são os brinquedos mais vendidos este Natal

Bakugan (na imagem), Gormiti, Nancy e Littlest Petshop estão a ser nesta época natalícia os brinquedos mais vendidos em Portugal, a avaliar pelo Top10 do Toys R Us, a loja que vende mais brinquedos no mercado nacional.

Os dez brinquedos do Top de vendas nacional são Bakugan Starter Pack, Nenuco cabeleireiro, Blister 4 personagens Gormiti, Câmara digital 3Mp Hello Kitty, Battle Pack Bakugan, Parque de atracções Polly Pocket, Lego Cool Convertivle Creator, Nancy e o seu Ponei Fantasy, Winx Believix e o sortido de mascotes Littlest Petshop.

Fonte da empresa, em declarações à Lusa, explicou que cada um destes brinquedos é o mais vendido dentro da sua categoria, uma vez que a marca divide os seus artigos por categorias de brinquedos tecnológicos, de construção, ciência, cozinhas e complementos, mundo das bonecas, figuras de acção, jogos ou ar livre, entre outras.

Comparando com o 'ranking' do Natal do ano passado, notam-se algumas diferenças nos pedidos dos mais pequenos: as meninas pedem menos Barriguitas e Polly Pocket, mas mantêm o interesse pelo Nenuco, enquanto os rapazes continuam interessados nos Gormitti, mas este ano as crianças estão a pedir menos videojogos.

Em 2008, o Top10 do Toys R Us integrava o Playset vulcão Gormiti, Figuras Transformáveis Ben 10, Barco Polly Pocket, Nenuco escola, Hospital Barriguitas, PES 2009, Mario Kart Wii, Buzz Corridas Loucas, Eye Clops e projector Princesas.

Um estudo produzido anualmente pela consultora Deloitte sobre as principais tendências de consumo na zona EMEA (Europa, Médio Oriente e África) durante a quadra natalicia revela, no entanto, diferentes conclusões.

Segundo a Deloitte, cerca de 53 por cento dos adultos portugueses pretende comprar jogos educativos para os mais novos, 52 por cento prefere livros e 41 por cento quer oferecer roupa e sapatos aos mais pequenos. Apenas 17 por cento dos pais escolhe as bonecas para presente e nove por cento prefere oferecer dinheiro aos filhos.

Quanto aos locais favoritos para as compras, o estudo da Deloitte indica que cerca de 70 por cento dos portugueses admite recorrer aos hipermercados para fazer as suas compras e 67 por cento prefere optar pelo comércio tradicional.

A Lusa pediu dados sobre a venda de brinquedos neste Natal a todas as grandes superfícies, mas não quiseram fornecer informação alegando confidencialidade.

Natal 2009: Portugueses riscam este ano duas pessoas da lista de presentes

Os portugueses vão riscar duas pessoas das listas de Natal. Tornaram-se os mais cautelosos da Europa e vão comprar apenas 13 prendas, segundo um estudo da consultora Deloitte. Os comerciantes já sentem os efeitos da crise e falam em perdas de 10 a 30 por cento nas vendas.

Este ano, cada português deverá gastar cerca de 390 euros (menos 15 euros que no ano passado), de acordo com o estudo Xmas Survey 2009 da consultora Deloitte, que coloca assim os portugueses como os "mais cautelosos" da União Europeia na hora de fazer as compras de Natal.

Os comerciantes dizem já estar a sentir os efeitos da crise. "As vendas este Natal estão, para já, dez a trinta por cento abaixo do ano passado", revelou à Lusa o vice-presidente da Confederação do Comércio e Serviços de Portugal (CCP), João Vieira Lopes.

As vendas nesta época "chegam a representar 50 por cento do volume de negócios anual", lembra João Viera Lopes. Por isso, o Natal é o momento de apostar forte e há quem comece a trabalhar em Fevereiro para ver resultados em Dezembro.

Os centros comerciais da Sonae Sierra contrataram, só para este período, mais 300 pessoas para actividades que vão desde o desenvolvimento e montagem das decorações até à animação dos espaços.

Também nos 14 shoppings da Multi Mall Management o Natal é visto como "a época do ano mais importante" e para garantir o sucesso da "operação" foram contratados mais 150 profissionais, entre "pais natais, fotógrafos, animadores", disse à Lusa o gabinete de comunicação daquele grupo.

Mas o trabalho na maioria dos centros comerciais começa muitos meses antes: na Sonae Sierra, a "operação Natal" arranca em Fevereiro enquanto na Multi Mall Management, Julho é sinónimo de começar a pensar no Natal.

Na Sonae Sierra há uma equipa responsável por todo o projecto, que em termos de marketing representa "um investimento de 10 por cento do orçamento total" do ano, disse à Lusa o gabinete de comunicação do grupo.

Ainda na ressaca das festas de ano novo, a "operação Natal" da equipa da Sonae começa em Fevereiro. "Espiar" o trabalho da concorrência e viajar pelo mundo para conhecer os projectos desenvolvidos nos centros comerciais de renome mundial são algumas das suas tarefas que passam por participar em feiras internacionais de apresentação de decorações natalícias. "As decorações de Natal funcionam como o Mundo da Moda": é preciso "perceber quais são as principais tendências e as peças "must have" da estação", explicou o gabinete de imprensa da Sonae Sierra.

Escolhidas as decorações e depois de elaborados os protótipos e testados nos centros, Novembro é o mês de enfeitar os espaços e esperar pelo retorno do trabalho e do investimento feito.

Sílvia Maia,
da Agência Lusa

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

Portugal: 3.200 sapatos velhos fazem árvore de Natal em Mondim de Basto

Cerca de três mil sapatos velhos dão corpo a uma árvore de Natal de seis metros que ilumina a vila de Mondim de Basto, numa iniciativa da autarquia que pretende assinalar a unidade comunitária e familiar.

Ao repto lançado pela Câmara de Mondim de Basto, responderam muitas famílias e instituições do concelho, desde escolas a juntas de freguesia, juntando cerca de 3.200 sapatos velhos que, segundo Tiago Pires, dos serviços de Cultura da autarquia, dão corpo a uma árvore de Natal com "seis metros de altura e quatro de largura".

O responsável explicou que a ideia de construir uma árvore com este tipo de material partiu do tradicional sapatinho de natal que as famílias colocavam no presépio, na esperança de ver os seus pedidos ou desejos realizados.

"Baptizámo-la como a árvore dos desejos e o lema é em cada sapatinho um sonho”, disse.

“Acho que isto pode funcionar como um motor de sonho de toda a comunidade", salientou.

João de Deus Camões, proprietário de uma mercearia em Mondim de Basto, disse à Agência Lusa que aderiu logo à ideia, conseguindo recolher cerca de "200 sapatos" no seu estabelecimento.

"Ainda houve muita gente a trazer sapatos, tanto novos como velhos. Aderi a esta iniciativa para contribuir para o bem de uma comunidade", sublinhou.

Implantada na avenida Comendador Alfredo Álvares de Carvalho, no centro da vila, a árvore de sapatos já está a chamar a atenção de muitas pessoas.

Diana e Catarina, de 13 anos, pararam no passeio primeiro a observar e depois a tirar fotografias com o telemóvel para mostrar aos amigos e aos pais.

"Nunca tinha visto uma árvore de Natal assim. É uma experiência nova e muito bonita", referiu Diana.

Catarina disse que não sabia da iniciativa senão teria contribuído com "muito gosto".

Já Rita e Daniela fizerem questão de participar e doar um par de sapatos velhos que andavam esquecidos lá por casa.

"É uma ideia diferente porque o sapatinho de Natal veio dar início a isto. É também uma árvore dos desejos de Natal e o meu é que haja muita paz e alegria no mundo", salientou Daniela.

Tiago Pires considera que a iniciativa não está a deixar ninguém indiferente.

"Há uns que concordam outros não, mas toda a gente está a perguntar porque está ali aquela árvore. Os efeitos foram muito positivos, a adesão foi muito boa e por isso acho que temos todas as condições para a iniciativa continuar e crescer no próximo ano", sublinhou.

O responsável referiu ainda que, no âmbito da iniciativa, foram ainda angariados cerca de mil sapatos novos que a autarquia vai agora oferecer à Cruz Vermelha para que serem distribuídos pelas pessoas mais desfavorecidas do concelho.

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

Portugueses regressam aos postais de Natal para desejar boas festas, depois da euforia do SMS

Depois da euforia das boas festas enviadas por mensagem electrónica ou via telemóvel, os portugueses começam a regressar à forma tradicional de desejar um feliz Natal pelo correio, diferenciando assim os seus votos.

Em entrevista à agência Lusa, o director nacional da rede CTT disse que a quebra na correspondência natalícia - estimada em quatro a cinco por cento ao ano - começa agora a afrouxar.

Esta quebra iniciou-se há cerca de sete anos e deveu-se à banalização do envio de boas festas por SMS ou correio electrónico, adiantou Hernâni Santos.

Contudo, os portugueses começam agora a voltar ao correio tradicional, procurando sobretudo a diferenciação destes votos, já que “uma carta é única”, ao contrário dos SMS que, muitas vezes, são reencaminhados vezes sem conta, mudando só o número do destinatário.

Em alguns segmentos, explicou Hernâni Santos, “começa a ser interessante que as boas festas sejam feitas por carta e escritas à mão”.

“Há um regresso, não diria ao passado, mas à originalidade dos cumprimentos festivos de natal”, disse, sublinhando que “a escrita é única e ninguém consegue escrever da mesma forma a mesma carta para dez pessoas”.

Uma realidade mais visível na época natalícia, em que “a necessidade de aproximação é tão significativa”.

“O facto de o cumprimento ser feito pela escrita permite que cada carta tenha um aspecto particular”, adiantou.

Nesta Operação Natal dos CTT, espera-se que só hoje sejam distribuídas 7,5 milhões de correspondências. Em todo o mês de Dezembro, serão despachadas 120 milhões.

As cartas com votos de boas festas são muitas e cada vez mais as encomendas relativas ao comércio electrónico.

“Os pedidos electrónicos estão a crescer muito, sendo uma oportunidade de negócio”, disse Hernâni Santos, especificando que este comércio cresce mais de 10 por cento ao ano.

A circular estão também cerca de 200 mil cartas de crianças que escrevem ao Pai Natal e que terão resposta, desde que indiquem o remetente.

Sandra Moutinho,
da Agência Lusa

Foto: JLC