quarta-feira, 28 de março de 2012

Criminalidade aumenta 14,7% no Luxemburgo

A criminalidade no Luxemburgo aumentou 14,7 % em 2011, face ao ano precedente, em grande parte devido ao aumento de assaltos. Depois de um ligeiro declínio em 2010, no ano passado registaram-se 6.975 crimes, o pior resultado desde 2007.
Os dados foram avançados pelo ministro do Interior luxemburguês, Jean-Marie Halsdorf, esta semana, durante a apresentação das estatísticas de criminalidade da polícia referentes a 2011.

Os delitos contra propriedades continuam a ser os mais elevados (17,8 %), em grande parte causados por assaltos (48,7 %). Os assaltos tiveram como alvo preferencial as casas habitadas (59,1 %), mais lucrativas, enquanto as casas desabitadas eram 35,5 %.

Mas os crimes praticados contra pessoas também aumentaram. Entre 2010 e 2011, um em cada cinco crimes foram cometidos contra pessoas (17,6 %). A tendência do aumento de delitos também se aplica a golpes e agressões voluntárias (10,9 %), ameaças, difamação, calúnia e injúrias, assim como ao vandalismo, furto de veículos e violência doméstica. No ano passado, a polícia fez em média duas intervenções por dia por causa da violência doméstica.

No sentido contrário, os assaltos à mão armada, as violações, os atentados ao pudor e os homicídios voluntários registaram uma queda no ano passado. Esta última categoria registou apenas quatro casos em 2011. Já as tentativas de homicídio passaram de 77 (2010) para 82 (2011).

Já dentro das infracções consideradas "diversas", o consumo de estupefacientes foi a que registou maior progressão. Os casos de desobediência e ultrajes a agentes de autoridade mantiveram-se estáveis.

Em resposta a estes números, onde se nota um impressionante recrudescimento de assaltos, o director da Polícia grã-ducal, Romain Netgen, referiu-se à "crise".
"Esses números reflectem uma realidade económica devido à crise", sem esquecer o aumento do crime transfronteiriço em relação a 2010. Segundo a polícia, o crime transfronteiriço representa cerca de 60 % dos crimes praticados no Luxemburgo, na sua maioria roubos.

A evolução demográfica do país e o clima social foram outros dos factores que explicam este aumento da criminalidade.

O ministro do Interior, por sua vez, relativizou estes dados comparando os níveis de criminalidade do Luxemburgo com o resto da Europa. "Apesar destes dados, o Luxemburgo continua a ser um país relativamente seguro em comparação com o resto da Europa, mesmo que uma tragédia como a de Toulouse possa ocorrer", disse Jean-Marie Halsdorf.

Halsdorf garantiu ainda à polícia que este ano vão chegar os novos radares e que o projecto de reforma da polícia deve ser finalizado em Outono.
Foto: Anouk Antony

Suzana, ex-Tentações, actua sábado em Consdorf

A cantora Suzana, ex-Tentações, vai actuar no sábado no Centro Cultural de Consdorf, neste que é o seu primeiro concerto no Luxemburgo. O CONTACTO conversou com a artista antes da sua vinda.

CONTACTO.: Quais as expectativas que tem para este concerto?
Suzana: Estou bastante ansiosa. Espero que as pessoas compareçam e gostem de ouvir as minhas canções. Tenho algumas pessoas inscritas no meu clube de fãs que vivem no Luxemburgo e espero que estejam lá todos. Espero que seja uma noite muito feliz para todos e todas, que se divirtam muito. Como é a primeira vez no Luxemburgo será muito bom ter o apoio de todos.

CONT.: Como definiria a música que faz? Quais são as suas referências musicais?

S.: Considero a minha música pop ligeira e romântica. Há vários cantores que eu gosto muito e com quem, de certa forma, até me identifico, como Céline Dion, Phil Collins e Tony Carreira, entre mais alguns.

CONT.: Começou a sua carreira nas Tentações. Como foi essa experiência?

S.: Fantástica. Foi um período muito bom e que me ensinou muito. Eu já estava na música, fazia bailes, bares e discotecas, mas nada ao nível das Tentações. Eu já tinha alguma experiência de estúdio, mas com a banda foi completamente diferente. Entrei num mundo completamente profissional, e com um ritmo diferente e muito mais exigente. A este nível, as coisas acontecem muito rapidamente, e ou se está preparado para acompanhar, ou o barco passa. Esta experiência ajudou-me muito a crescer como profissional e como pessoa. Foram momentos muito bons e inesquecíveis. Tenho fãs que me acompanham desde as Tentações até hoje.

CONT.: Tem sido cantora de apoio de Tony Carreira desde há muitos anos. Como surgiu esta oportunidade? 

S.: Vim para este mundo profissional pela mão de Tony Carreira. Ele viu-me fazer uma primeira parte de um espectáculo seu e gostou de me ouvir. Falámos, ele na altura tinha planos para fazer algo comigo, mas a solo. Passado um ano, recebo um telefonema de um sócio do Tony a convidar-me para integrar a banda Tentações, da qual também era produtor. Aceitei.
Com o fim das Tentações, voltei a receber um convite do Tony e do António Gomes [Editora Espacial, n.d.R.] para gravar a solo, o que também aceitei. Fui a única a gravar de imediato. Esse convite deixou-me lisonjeada, uma vez que saí com o meu primeiro disco seis meses depois. Foi uma prova de confiança e de incentivo às minhas qualidades e também de muita responsabilidade. Senti-me e sinto-me muito orgulhosa por, ainda hoje, ter um amigo, um profissional e colega – como ele diz e me trata muitas vezes – ligado à minha carreira e a quase todos os meus discos.
Mas estava muita coisa a acontecer naquela altura, o Tony estava com muitos espectáculos, como ainda hoje, e com espectáculos que marcaram a sua carreira para sempre, como o Olímpia, os Coliseus, e o Pavilhão Atlântico. Na altura em que o meu disco sai, ele para me ajudar, mesmo com garantia de trabalho e de divulgação e promoção, convida-me a fazer parte do seu espectáculo, o que aceitei de bom grado, e ainda bem, porque foi a maior escola por onde passei até aos dias de hoje. Foi uma honra ter feito parte da equipa do maior cantor português.

CONT.: Já tem oito discos editados, incluindo um Best Of . Olhando para trás, como descreveria a sua carreira?

S.: A minha carreira não foi um chegar, ver e vencer. Tem sido tudo conquistado a pulso e de uma forma lenta, mas penso que segura. A minha carreira tem sido um passo de cada vez e na procura de um caminho certo. De certa forma, tenho feito aquilo que mais gosto, que é cantar, e com o apoio das pessoas de quem eu gosto e confio. Olhando para trás, tenho que me sentir feliz por verificar que tenho vindo a ganhar mais amigos e pessoas que gostam daquilo que lhes ofereço, que são as canções.

Texto: IF
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O baile vai ser abrilhantado pela banda Paulo de Oliveira. Os bilhetes (10 euros, em pré-venda; 15 euros, na bilheteira) estão à venda: na sede da Associação Cultural de Consdorf; Tip Top Chaussures (Echternach); e Café Graça (Mersch). Mais informações pelos telefs. 691 643 045, 621 494 412, 621 380 148.

Nova esperança para portadores da Doença dos Pezinhos

A associação DJ Ricky muda de nome para "Association Luxembourgoise de Paramiloidose Portugaise" e vai dedicar-se a ajudar os portadores de paramiloidose, mais conhecida por "Doença dos Pezinhos". A associação tem ainda como objectivo descobrir a origem e a possível cura da doença.

A partir de agora, a associação conta também com o apoio da médica Karin Dahan, do Laboratório Nacional de Saúde (LNS) do Luxemburgo. A médica, que no LNS trata das doenças raras, vai apoiar a associação cedendo informações sobre o avanço da pesquisa relativamente à paramiloidose, vai ser a intermediária entre a associação e médicos que acompanham a doença, e vai promover encontros com representantes de laboratórios fabricantes de medicamentos contra a doença.

O CONTACTO acompanhou um desses encontros, que juntou Ricardo Macedo, presidente da nova associação, com alguns médicos e representantes do Laboratório Pfizer, que comercializa medicamentos contra a paramiloidose. No encontro esteve também Carla Chaves, portadora da doença. Uma reunião que serviu para discutir os efeitos dos medicamentos como o Vyndaqel (Tafamidis), descoberto há um ano, e o valor da comparticipação do Estado.

A Doença dos Pezinhos foi descoberta em 1939 pelo prof. Corino de Andrade, ao analisar um paciente que se queixava de dores desconhecidas para a medicina daquela época. Em Portugal, a doença afecta um número significativo de famílias: mais de 600 estão a ser acompanhadas, e existem mais de dois mil casos. Em Portugal, a paramiloidose afecta sobretudo os habitantes oriundos de zonas piscatórias de Norte e Centro.

No Luxemburgo ainda não se conhece a dimensão da doença, mas estima-se que existam cerca de 250 casos, que vão sendo detectados em consultas. O Estado luxemburguês comparticipa integralmente os medicamentos, que custariam a cada doente 120 mil euros por ano. Estes fármacos estão apenas disponíveis nas farmácias dos hospitais.

Texto e foto: Joaquim Pedreira

CCPL: Voluntários procuram-se

A Confederação da Comunidade Portuguesa no Luxemburgo (CCPL) está à procura de voluntários. Em comunicado divulgado na segunda-feira, a associação diz que precisa da "contribuição de dezenas de voluntários", e apela à "participação cívica do maior número possível de cidadãos" para "uma sociedade mais justa e mais solidária".

A confederação procura voluntários com conhecimentos suficientes em francês e em português para assegurar a tradução mensal de documentos, ou capacidades para organizar seminários de discussão sobre os mais diversos temas, tais como "a problemática do ensino, da integração, da participação activa nos órgãos políticos e sociais do Luxemburgo". Ou ainda para "organizar a formação de centenas de portugueses" e "trabalhar para a tomada de consciência cívica e política no intuito de uma participação activa nas eleições locais".

Os interessados devem contactar a CCPL pelos tel. 29 00 75, 62117 84 45 e 621 29 97 13 ou por e-mail (ccpl@ccpl.lu ).

"Especial emigração portuguesa"

Chegam todas as semanas ao Luxemburgo. A crise em Portugal obriga milhares de pessoas a abandonar o país em busca de uma vida melhor. Angola e Brasil são os destinos preferidos fora da Europa, mas no velho continente, a par da Grã-Bretanha e da Suíça, o Luxemburgo continua a ser um dos destinos fortes para a emigração portuguesa. Mas a verdade é que toda a gente reconhece que o Grão-Ducado, também tocado pela crise que alastra por toda a Europa, já não consegue suportar mais portugueses. Jean-Claude Juncker diz que "os que chegam agora são mal acolhidos, ficam mal alojados, trabalham em condições inaceitáveis do ponto de vista social", e por isso está preocupado. O primeiro-ministro luxemburguês vai mesmo mais longe e afirma que "é preciso pôr fim" à nova vaga de imigração dos portugueses. O CONTACTO publica aqui cinco histórias de vida de homens e mulheres que deixaram recentemente Portugal e rumaram ao Luxemburgo. Têm em comum o sonho de alcançar uma vida melhor no Grão-Ducado. No fim, uns estão melhor do que outros, mas são todos vítimas do sonho da imigração.

De Portugal para as ruas frias do Luxemburgo

Pedro juntou as poupanças de uma vida e resolveu imigrar para o Luxemburgo. Em Portugal não fez grandes estudos, mas conseguiu fazer um curso técnico-profissional de Informática e Sistemas que nunca lhe serviu para nada. Antes de imigrar, Pedro estava desempregado há já quatro meses. O contrato de trabalho temporário numa fábrica de peças para automóveis na região de Leiria acabou e Pedro ficou sem trabalho. Agarrou nas poupanças que o salário mínimo de 475 euros ainda lhe permitiu fazer e, em Novembro do ano passado, arrancou para o Luxemburgo. "Cheguei aqui e só consegui trabalhar um dia na fábrica das padarias 'Fischer'. Fiquei doente, apanhei uma pneumonia e estive internado no hospital de Esch durante uma semana. Tinha um quarto alugado e enquanto tive os dois mil euros que trouxe de Portugal, consegui aguentar a renda, mas ao fim de dois meses estava a dormir na rua. Pagava 680 euros de aluguer por mês", conta Pedro ao CONTACTO.

As noites na rua eram passadas junto aos locais mais quentes da cidade. Durante o dia vagueava com sacos às costas à procura de um rumo, de um trabalho. No meio de tantas dificuldades, Pedro ainda teve a felicidade de obter ajuda das equipas do "Streetworker" que lhe ofereceram dormida no albergue nocturno de Hollerich. "A minha sorte foi que aqui no Luxemburgo há a campanha de acolhimento dos sem-abrigo durante o Inverno. E em Janeiro deram-me uma cama no 'foyer'. O meu problema é que a partir do dia 30 (próxima sexta-feira), volto outra vez para a rua. Não sei como é que vou poder arranjar emprego a dormir na rua", desabafa Pedro ao CONTACTO.

O acolhimento dos sem-abrigo nos albergues nocturnos faz-se entre as sete da noite e as oito da manhã do dia seguinte. A essa hora, com um duche tomado, os sem-abrigo são outra vez despejados nas ruas da capital. Ao meio-dia têm direito a almoçar gratuitamente no Vollekskichen ("A cozinha do Povo"), um restaurante/cantina em Bonnevoie. Para a noite, os utentes dos albergues recebem ainda duas sandes e uma laranja. Pedro vem aqui almoçar todos os dias. E é aqui, à volta de uma mesa, que se partilham as mágoas, as frustrações e as outras histórias de insucesso na busca de um trabalho no Luxemburgo.

Rui é outro português utente da Vollekskichen. Ninguém diz que este homem tem apenas 38 anos. As noites dormidas na rua deixaram-lhe marcas indeléveis de um envelhecimento precoce. Chegou em Janeiro deste ano e ainda não conseguiu arranjar trabalho. Nada.
Já não é a primeira vez que Rui arrisca uma vida melhor no Luxemburgo. Trabalhou de forma legal na construção civil durante nove anos até que um dia resolveu voltar para Portugal. Agora que voltou ao Luxemburgo, pensou que poderia beneficiar de algumas ajudas do governo, mas enganou-se. "A assistente social ajudou-me a escrever uma carta ao Ministério do Trabalho em que eu explicava a minha situação: que trabalhei no Luxemburgo, que fiz descontos e que agora, sem trabalho, precisava de alguma ajuda até resolver a situação. Qual não foi o meu espanto quando me disseram que não tinha direito a nada. Tenho de trabalhar três meses seguidos para beneficiar de alguma ajuda do governo. Eu só queria que me ajudassem a pagar um quarto. Eu não quero dinheiro, quero um tecto para poder dormir enquanto não arranjo trabalho. Eu só vou conseguir arranjar trabalho na construção civil a partir do momento em que o tempo comece a melhorar aqui no Luxemburgo. Agora não há trabalho e há muita gente no desemprego. Mas na rua, como é que eu me vou arranjar?", pergunta Rui.

E continua: "Conheço o Luxemburgo há vinte anos e isto está muito diferente. Na altura eu cheguei à gare de Esch num domingo à tarde e na segunda fui logo trabalhar. Mas agora!? Agora é muito difícil", diz Rui.

Tal como Pedro, Rui também dormiu na rua até ser recolhido pelas brigadas do "Streetworker". Como Pedro, também Rui só tem guarida até ao final desta semana. Mas no meio do infortúnio, Pedro e Rui ainda são uns privilegiados. A assistente social que cuida dos dois portugueses ofereceu-lhes a possibilidade de poderem dormir num quarto de um hotel, em Livange. Tratamento de luxo, dizem eles.

"Podemos entrar e sair quando quisermos e só temos que dividir o quarto com outra pessoa. Assim é muito mais fácil podermos andar durante o dia a entregar currículos. Mas a verdade é que nem para lavar pratos me chamam. Cada vez que concorro a algum lugar dizem-me que já está ocupado", desabafa Pedro.

Pedro e Rui engrossam a longa lista das vítimas do sonho da imigração para o Grão-Ducado: gente que deixa tudo, que arrisca a sua sorte no país com o salário mínimo mais alto da Europa, mas que muitas vezes tem de voltar de mãos vazias. "O Luxemburgo é uma ilusão e já não é o 'eldorado' que era. Os portugueses que já estão cá, quando chegam lá abaixo, contam muitas histórias, mas é tudo mentira... é muito difícil arranjar trabalho no Luxemburgo. O problema é que a Europa está toda em crise e nós temos a concorrência de todos os trabalhadores da Europa, e não só. Há também muita gente do Norte de África, marroquinos", conta Pedro ao CONTACTO. "Eu não sou racista, mas a verdade é que o governo luxemburguês só ajuda os sérvios e os ex-jugoslavos. Esses têm todos grandes alojamentos e isso enerva-me", acrescenta Rui.

Stephanie Silva é a assistente social destes dois homens e confirma a impressão que toda a gente tem: há uma nova vaga de imigração portuguesa, diferente das outras todas.

"As pessoas chegam aqui sem nada, sem dinheiro e logo no dia em que chegam vêem imediatamente pedir ajuda para dormir. Homens e mulheres. Chegam e como não conseguem arranjar trabalho acabam na rua. Depois há ainda o problema da língua. A maior parte só fala português, e não conseguem dizer nada em francês, e isso é uma dificuldade acrescida", refere Stephanie Silva.

Pedro diz que fala português, francês, inglês e espanhol, mas nem por isso conseguiu arranjar emprego. Rui, para além do português, fala francês, mas nem isso lhe tem valido. "Eu pensei que fosse mais fácil arranjar trabalho sem o luxemburguês e o alemão. Enganei-me. A verdade é que eu não reúno as condições mínimas para estar neste país, e a minha sorte tem sido a Stephanie: ela tem-nos ajudado no que pode", garante Rui ao CONTACTO.

A situação é difícil para os dois portugueses, mas a esperança de uma vida melhor no Luxemburgo não os deixa pensar em regressar a Portugal. "Eu agora estou numa situação muito complicada, mas não penso voltar a Portugal. Mesmo estando mal, consigo estar melhor aqui do que em Portugal e por isso não tenciono voltar. Se arranjar um trabalho, aqui consigo sobreviver com ordenado mínimo e em Portugal não. Vamos pensar positivo", diz Pedro ao CONTACTO.

Texto: Domingos Martins

O sonho começou na Noruega, passou pela Suíça e acabou no Luxemburgo


Fábio e Paulo são dois algarvios de gema. Cresceram e viveram em S. Bartolomeu de Messines, uma vila encastrada na serra de Silves, com pouco mais de oito mil habitantes. O viajante que passa vê oliveiras, alfarrobeiras, figueiras, amendoeiras e vastos pomares. A agricultura é a vida da freguesia.

Fábio trabalhava na Conforama de Albufeira. Paulo era técnico de montagem de cozinhas. Há dois meses, despediram-se, fizeram as malas, deixaram as mulheres e os filhos e partiram à procura do sonho da imigração, numa viagem que os havia de levar à Noruega, à Suíça e por fim ao Luxemburgo.

A ideia dos dois amigos era a mesma de milhares de portugueses que estão a abandonar o país: arranjar trabalho para poderem proporcionar uma vida melhor à família. Primeiro vieram eles, depois virá a família, se tudo correr bem.

Primeira paragem, Oslo. Através da internet, conseguiram arranjar um contacto de uns portugueses que os orientaram na terra dos fiordes. Ficaram alojados numa pousada da juventude num quarto com beliches para oito pessoas, mas a estadia durou apenas um mês. "Apanhámos temperaturas de 26° negativos e foi muito difícil. Vimos rapidamente que ali não nos conseguiríamos adaptar. Encontrámos um português e conhecemos um italiano que também fugiu da crise em Itália", recorda Fábio ao CONTACTO. 

"Tinham-nos dito que na Noruega era fácil arranjar trabalho, uma vez que é um país pouco procurado por portugueses. Mas afinal é muito difícil. Vimos mais de 350 espanhóis a dormir na estação dos comboios que não tinham onde ficar. Em Londres, também há portugueses a dormir na rua, e na Suíça a situação repete-se. Antigamente eram só os portugueses que eram pobres e que imigravam. Agora é a Europa inteira, são como gafanhotos", descreve Paulo ao CONTACTO. "Deixámos currículos à bruta, na Noruega, mas nunca ninguém nos respondeu. Os noruegueses não gostam dos estrangeiros e por isso viemos embora", acrescenta o amigo.

Da Noruega passaram à Suíça. "Chegámos lá e pediram-nos nove euros por uma latinha de salsichas, e desmoralizámos. Há muitos portugueses à procura de emprego na Suíça e o nível de vida lá é muito caro. Para além disso, o processo de legalização é muito difícil, e por isso também viemos embora. Falámos com um amigo que nos apresentou a Maria e viemos para o Luxemburgo". Há mais de um mês que estão no Grão-Ducado. Alugaram um quarto num café explorado por portugueses, em Beggen. Pagam 640 euros por mês com direito a mudas de roupa, almoço e jantar. Queixam-se de tudo na "pensão" dos portugueses. Dizem que o aquecimento não funciona, que a comida é "asquerosa", que a higiene na cozinha "não existe" e que as roupas da cama são deixadas de uns hóspedes para os outros. No rés-do-chão da casa, funciona a cozinha, que "está inundada de cães". "Há 14 pessoas por piso, todos portugueses e todos na mesma condição. Vieram todos à procura de trabalho. Nós comemos lá apenas duas vezes e desistimos. Ver os cães a entrar e a sair da cozinha enquanto se fazem as refeições, é abaixo de cão", dizem os algarvios ao CONTACTO.

O porto de abrigo é a casa da amiga Maria, portuguesa, chegada ao Luxemburgo há cerca de seis anos, e que desde que os dois algarvios chegaram lhes tem servido de cicerone no país.

"Levantamo-nos às oito da manhã, imprimimos entre dez a doze currículos por dia e andamos a distribuir papel por todo o lado. Fui à Conforama aqui do Luxemburgo entregar o meu currículo. Passadas duas semanas telefonei para lá porque estranhava a falta de notícias. Disseram-me que não sabiam do meu currículo", conta Fábio ao CONTACTO. "Também já fui à ADEM e aí é que perdi a vontade de continuar".
Paulo já gastou mais de três mil euros no sonho da imigração

"O senhor que me recebeu disse-me que os 'portugueses só servem para trabalhar nas obras', e para o trabalho na construção civil disse-nos que tinha 'seiscentos trabalhadores' de empresas que tinham falido que 'sabiam falar francês e com experiência no sector', coisa que nós não temos. Foi muito mau", desabafa Fábio.

E continua: "Eles olham para nós e dizem: 'português é para as obras', e não nos dão outra oportunidade. Mas nós estamos dispostos a fazer qualquer coisa. Até hoje só recebi uma resposta de uma empresa de transportes, de resto nada".

"Estamos muito tristes e desanimados. O Luxemburgo não é o paraíso que pintam. Os portugueses quando chegam a Portugal pintam isto de cor-de-rosa e por isso chegámos aqui iludidos. Nós quando saímos de Portugal, sabíamos que não ia ser fácil, mas o senhor da ADEM disse-nos que era praticamente impossível trabalhar no Luxemburgo e isso desanimou-nos muito", diz Paulo.

Como bons algarvios, Fábio e Paulo falam inglês, mas francês, nada. Na Noruega, a língua de Shakespeare deu para desenrascar, mas também não ajudou nada na procura de um trabalho. Os amigos conhecidos através da internet traduziam-lhes os currículos para a língua norueguesa. No Luxemburgo, os dois amigos dizem que "o inglês não serve para nada". "Temos de saber falar, pelo menos francês, já para não referir o alemão e o luxemburguês", diz Fábio.

Desde que saíram de Portugal, Fábio e Paulo já gastaram mais ou menos três mil euros, cada um, em passagens aéreas, no alojamento e na comida. Fábio que saiu de Portugal com a ideia de arranjar dinheiro para acabar as obras que começou na casa, mas agora diz que "o melhor é voltar" e que com o dinheiro gasto na aventura europeia "já tinha terminado as obras em casa". Paulo reconhece que Portugal está "muito mal", que há empresas "a fecharem todos os dias", mas "pelo menos lá em baixo estou na minha casa com a minha família". "No início as nossas mulheres davam-nos força, mas agora já nos começam a dizer para regressar. As saudades são muitas e nós sentimos a falta da família".

Quanto ao que irão fazer em Portugal, os dois amigos não sabem nada. Dizem que não recebem subsídio de desemprego "porque não se despediram para receber subsídios", e por isso não afastam a hipótese de voltar a sonhar com uma vida melhor fora de Portugal. Mas a experiência destes dois meses já serviu para alguma coisa: "À aventura nunca mais, porque isto sai muito caro. Só voltamos a sair de Portugal se tivermos uma proposta concreta de trabalho".

Texto e fotos: Domingos Martins

Licenciada em Comunicação Social é mulher da limpeza no Grão-Ducado

Cristel Sousa e Ivo Lopes chegaram ao Luxemburgo no dia 10 de Fevereiro. Ambos são licenciados em Comunicação Social e iniciaram um mestrado na mesma área na Universidade de Trás-os-Montes. Três dias depois de terem chegado ao Grão-Ducado, ela já estava a trabalhar nas limpezas. "Eu fui-me inscrever numa empresa de limpezas aqui no Luxemburgo, e no dia da minha inscrição perguntaram-me logo se eu podia começar nesse dia. Eu disse que sim. Tiraram-me uma fotografia para o cartão, entregaram-me a bata, e às seis horas da tarde fui trabalhar, a limpar escritórios", conta Cristel ao CONTACTO.

Ganha dez euros à hora e trabalha no turno da noite, das quatro da tarde às dez da noite. Não é o emprego com que sonhou quando resolveu imigrar, mas é muito melhor do que o que tinha em Portugal – ou seja, nada. "Em Trás-os-Montes não há empresas de limpeza, e mesmo que houvesse não nos pagariam a mais de cinco euros", diz Cristel.

O namorado demorou mais tempo a encontrar trabalho, mas também já conseguiu. É ajudante de cozinha numa creche no Luxemburgo. Com os contratos de trabalho na mão, os dois já puderam inscrever-se na comuna de residência e na ADEM, o equivalente aos Centros de Emprego em Portugal.

No último trabalho que tiveram antes de vir para o Luxemburgo, tiveram de "emigrar" de Trás-os-Montes até Lisboa. Foram contratados por uma empresa de "call-center", fizeram uma formação durante cinco dias, e na altura de começarem a trabalhar a empresa que tinha encomendado o serviço anulou o contrato. Cristel e Ivo já tinham alugado um quarto em Lisboa, mas rapidamente fizeram as malas e regressaram a Valpaços.

No final da licenciatura fizeram um estágio curricular numa empresa de Vila Real. A promessa era que depois teriam a oportunidade de efectuar um estágio profissional, mas tal nunca aconteceu.

As habilitações académicas de ambos, ora eram demais, ora faltava a experiência profissional. "As pessoas tinham medo de nos dar trabalho com o mestrado. Diziam-nos que tínhamos habilitações a mais. Às vezes diziam que nos faltava a experiência, e por isso nunca conseguíamos arranjar trabalho na nossa área. Um dos últimos trabalhos que tive foi a servir casamentos, das oito da manhã às duas da manhã, e no fim recebia 40 euros. Aqui no Luxemburgo, a limpeza não é o meu sonho, e é evidente que não estamos contentes. A família que temos aqui disse-nos que seria fácil arranjar trabalho, mas eu ainda nem sequer recebi uma marcação de entrevista. Eu não tinha a noção de que a situação fosse tão complicada. Pensei que seria mais rápido, e neste momento não sei se fico no Luxemburgo ou não".

Os dois jovens portugueses têm família no Luxemburgo, imigrantes há muitos anos, ligados ao sector da construção civil e às limpezas. A família tem servido de rede a Cristel e Ivo. Estão a morar num apartamento da família que está a venda, e enquanto não há comprador, os primos deixam-nos viver lá.

Ela é filha de imigrantes portugueses em França, país onde viveu até aos dez anos de idade. Ele nasceu no Luxemburgo, país para onde os pais imigraram há muitos anos. Ela domina perfeitamente o francês. Ele fala menos bem a língua de Molière, e nem por ter nascido no Luxemburgo consegue falar luxemburguês. A escola que frequentou em Esch, há vinte anos, não o obrigava a falar a língua nativa do país.

Com família em França, Cristel põe a hipótese de tentar a sua sorte no país vizinho. "Eu tenho uma tia que trabalha num supermercado e disse-me que me arranjava trabalho ao pé dela, mas se for para fazer limpezas, não sei....".

Para já, Cristel passa o dia a enviar currículos e a frequentar feiras de emprego, como a "Moovijob", que decorreu no início do mês de Março, na capital. Mas nem aí teve sorte.

Texto e  foto: Domingos Martins

Portugueses são os mais afectados pelo desemprego no Luxemburgo

Segundo os dados da ADEM, o equivalente aos centros de emprego em Portugal, em Janeiro deste ano inscreveram-se pela primeira vez na administração luxemburguesa do emprego 850 portugueses. No total a ADEM recebeu 2.500 novos pedidos de inscrição.

Em declarações ao CONTACTO, Jean Hoffmann, da direcção da ADEM no Luxemburgo, diz que "o número é muito elevado" e logo a seguir acrescenta que os portugueses lideram o "ranking" luxemburguês de inscrições no organismo, representando 35 % dos desempregados no país, logo seguidos dos luxemburgueses, com 30 %, e dos franceses, com 8 %.

O responsável da ADEM diz que não se trata de uma questão de nacionalidade, mas que estes números revelam a realidade laboral do país. Os portugueses trabalham sobretudo nos sectores da construção e na indústria, e estes foram os sectores mais atingidos pela crise. E explica: "O sector financeiro no Luxemburgo, por exemplo, também foi muito afectado pela crise, mas conseguiu sobreviver e dar a volta à situação. Os desempregados deste sector foram absorvidos pelo mercado de trabalho. A construção e a indústria, pelo contrário, continuam a ser tocadas pela crise e naturalmente os portugueses são os mais afectados".

Jean Hoffmann garante no entanto que estes números são equivalentes aos do ano passado. "O mês de Janeiro é sempre muito complicado nas questões do desemprego. Há contratos que acabam e que não são renovados, há o Inverno que afecta os trabalhadores da construção, e por isso os números são sempre mais elevados. Lá para Abril, os números vão começar a baixar, porque começa a haver mais oferta de trabalho", garante aquele responsável.

IMIGRAÇÃO PORTUGUESA NÃO PÁRA

O número de portugueses no Luxemburgo não pára de aumentar. Em 2011, inscreveram-se no Consulado do Luxemburgo quase cinco mil portugueses, e a manter-se o ritmo de Janeiro e Fevereiro deste ano, o número de novas inscrições consulares poderá atingir as 6 mil em 2012. Segundo as contas do conselheiro das Comunidades Portuguesas no Luxemburgo, Eduardo Dias, "em breve poderemos ser 120 mil".

Ainda segundo os números fornecidos pelo conselheiro das Comunidades, que diz citar o Ministro do Trabalho do Luxemburgo, chegaram ao Luxemburgo 250 novas crianças portuguesas, entre Setembro de 2010 e Setembro de 2011, e só até ao dia 8 de Fevereiro deste ano chegaram mais 140 novas crianças.


Números que impressionam e que vêm dar razão ao Cônsul Geral do Luxemburgo, que há muito tempo contraria os números do STATEC, o instituto de estatísticas nacional, que indica a existência de apenas 80 mil portugueses no Grão-Ducado.

Segundo o governo português, em média saem de Portugal entre 120 mil a 150 mil portugueses por ano. O secretário de Estado das Comunidades Portuguesas, que ontem esteve na Assembleia da República a falar sobre fluxos migratórios, diz que muitos dos portugueses que emigram não conseguem empregos compatíveis com a sua formação, mas garante que a maioria dos que deixam o país continuam a ser trabalhadores com poucas qualificações.

De acordo com os registos do Instituto de Emprego e Formação Profissional, em Portugal, o número de licenciados desempregados que anulou a inscrição nos centros de emprego para emigrar subiu 49,5 % entre 2009 e 2011.

CARITAS ABRE SERVIÇO PARA IMIGRANTES LUSÓFONOS

A nova vaga de imigração portuguesa para o Luxemburgo levou a Caritas a criar um novo serviço de apoio social especial para lusófonos.

A instituição não tem mãos a medir com a crescente procura de imigrantes originários dos países lusófonos.

O responsável pelo serviço, Amílcar Monteiro, diz que o perfil dos novos imigrantes está a mudar em relação aos mais antigos: "cada vez mais jovens, citadinos e com bom nível escolar, mas muitas vezes não dominam nenhuma das línguas do país e não têm carta de condução. E isto complica a entrada dos novos imigrantes no mercado de trabalho".

Para ajudar, a Caritas propõe ainda serviços de tradução e de aconselhamento ao nível das questões sociais, bem como um serviço de orientação profissional.

Amílcar Monteiro garante que nos "últimos meses, o número de pessoas que se dirigiram à Caritas duplicou".


Texto e foto: Domingos Martins

"É preciso pôr fim a isto"

Foto: M. Dias
CONTACTO - Segundo os números do Consulado de Portugal no Luxemburgo, os portugueses deverão ser neste momento mais de cem mil, e com as novas inscrições de 2011 e 2012, o número de portugueses no Luxemburgo poderá atingir os 115 mil no final deste ano. O Luxemburgo tem meios para receber toda esta gente?

Jean-Claude Juncker - Eu estou muito contente com o desempenho e com o trabalho que os portugueses têm feito no Luxemburgo. Sou um grande admirador de Portugal e dos portugueses que procuraram o Luxemburgo, mas eu considero que esta nova vaga de imigração não é saudável, porque as pessoas vêm com a ideia de que o Luxemburgo é um paraíso. Eles só comparam o salário português ao luxemburguês, mas não comparam, por exemplo, o preço das rendas de casa em Portugal e no Luxemburgo.

Eu tenho a impressão que os que chegam agora, na maior parte das vezes pouco qualificados, não vão ser capazes de se integrarem normalmente na sociedade luso-luxemburguesa, e por isso eu acho que é preciso pôr fim a esta imigração, que é uma imigração selvagem.

A imigração portuguesa foi sempre bem organizada, bem estruturada, e agora o que temos é uma imigração de desespero, porque as coisas estão mal em Portugal e os portugueses vêm para o Luxemburgo e vão acabar por ser infelizes.

Vamos tentar organizarmo-nos com o governo português para que em Portugal se explique, de forma clara, que o Luxemburgo não é um paraíso, mas que vai ser muito difícil para os novos imigrantes se integrarem. É preciso pôr fim a isto.

CONTACTO - E o que é que o governo do Luxemburgo pode fazer?

JCJ - Não podemos interferir nas escolhas pessoais de cada um, mas eu penso que os que chegam agora são mal acolhidos, ficam mal alojados, trabalham em condições inaceitáveis do ponto de vista social, e isso eu não posso aceitar. Não faz jus à imigração portuguesa.

CONTACTO - Mas a crise é muito grande.. .

JCJ - Eu percebo muito bem o percurso individual de cada um, aqueles que deixam Portugal para encontrar um sítio onde possam viver melhor, mas ao virem para o Luxemburgo correm o risco de não viver melhor aqui do que em Portugal. 

Domingos Martins

Wort.lu tem nova cara

Foto: Marc Wilwert
Com um ar mais arejado e um novo visual, a nova versão do site wort.lu traz uma melhor apresentação da informação.

Visualmente, o site inspira-se na versão em papel do jornal Luxemburger Wort, com um novo logótipo e uma tipografia mais parecida ao papel. Do ponto de vista do conteúdo, o site incorpora as últimas novidades tecnológicas da internet. Maior interactividade, mais vídeos, fotos maiores e novas formas de acompanhar as notícias podem ser descobertas agora no site.

As notícias estão também mais diversificadas com a chegada de três novas rubricas: lifestyle, celebridades e multimédia, e tudo isto com informações melhor distribuídas pelo espaço virtual do site.

As páginas de informação de trânsito e de meteorologia, agora mais agradáveis, foram redesenhadas para proporcionar o máximo de informação possível num só clique.

O que não mudou foi a experiência do wort.lu, onde as redacções francesa, alemã e inglesa reagem à actualidade, e com notícias do Luxemburgo e do mundo. Para melhor se inteirar das mudanças, basta ver algumas das rubricas e páginas no wort.lu. O internauta pode também dar o seu feedback sobre o novo site e tornar-se "amigo" do jornal no Facebook ou no Twitter.

Instituto Camões "vai ter um responsável"

O conselheiro social da Embaixada de Portugal no Luxemburgo atinge a idade da reforma já em Abril. Carlos Correia é também responsável interino do Instituto Camões, o que já levou o deputado Paulo Pisco a questionar o Governo sobre a sua substituição. Ao CONTACTO, o secretário de Estado das Comunidades garantiu que aquele centro cultural "vai ter um responsável".

O deputado socialista Paulo Pisco apresentou na segunda-feira uma questão parlamentar sobre a substituição do responsável do Instituto Camões, que atinge a idade da reforma e vai regressar a Portugal. E dá como certo que o conselheiro social não vai ser substituído.

"Está em curso uma verdadeira sangria de diplomatas e técnicos na Embaixada e no Consulado-Geral de Portugal, que deixará o Luxemburgo sem Conselheiro Social na Embaixada, não estando prevista a sua substituição", diz o deputado. O secretário de Estado das Comunidades desmente-o.

"Ele não sabe! Isso é especulação, coisa que um responsável político não deve fazer", disse ao CONTACTO José Cesário, horas depois de a questão parlamentar ter sido divulgada. "O Centro Cultural do Luxemburgo terá um responsável", garante o secretário de Estado das Comunidades.

Em causa está a substituição do conselheiro social da Embaixada, Carlos Correia, que assegura também as funções de responsável interino do Instituto Camões no Luxemburgo. O conselheiro atinge a idade da reforma já no dia 25 de Abril, e o CONTACTO sabe que a Embaixada ainda não recebeu qualquer informação sobre se a sua permanência para além desse prazo vai ser autorizada por razões de serviço.

Ao CONTACTO, o secretário de Estado garantiu que Carlos Correia vai ter a comissão de serviço renovada "pelo menos até Junho". Depois, "no momento em que o conselheiro social terminar as suas funções, avaliaremos a sua substituição", diz José Cesário.

"Encontraremos uma solução para o Centro Cultural. Temos muito respeito por aquilo que o Estado luxemburguês nos cede, e queremos valorizar esse espaço", garantiu Cesário, referindo-se ao facto de a renda das instalações do IC ser paga pelo Governo do Luxemburgo.

Recorde-se que, ao abrigo de um protocolo de 1998 entre Portugal e o Luxemburgo, o Estado luxemburguês paga a renda das instalações do Instituto como contrapartida do desenvolvimento de actividades culturais no Grão-Ducado. Um montante que se eleva actualmente a 6.400 euros por mês.

GOVERNO SOCIALISTA É RESPONSÁVEL POR SITUAÇÃO NO CAMÕES

Carlos Correia
Carlos Correia não é formalmente director do Instituto Camões. O conselheiro social vem assegurando as funções de responsável daquele centro cultural desde que o anterior director foi exonerado por Freitas do Amaral, ministro dos Negócios Estrangeiros do primeiro governo de Sócrates, em 2006. Foi nessa altura que o Luxemburgo ficou sem adido cultural, que nunca foi substituído pelo Governo socialista, diz José Cesário.

"Se alguém pode ser responsabilizado por não haver adido cultural no Luxemburgo, é o anterior governo, que nunca nomeou um adido cultural e teve sete anos para o fazer", insurge-se o secretário de Estado das Comunidades.

Certo é que o Governo ainda não sabe quando vai substituir Carlos Correia, tanto nas funções de conselheiro social, como nas de responsável do Instituto Camões.

"No plano social, é uma questão que temos de avaliar. Há uma redução de conselheiros sociais e há vários que já saíram, como no Canadá e na Suíça", avisa José Cesário, que nega no entanto que o Governo tenha decidido não substituir o diplomata no Luxemburgo.

Quanto a saber quem vai ficar à frente do Instituto Camões no Luxemburgo, também ainda está tudo em aberto.

"Vamos encontrar uma solução para o centro cultural", diz Cesário. "Poderá ser por exemplo alguém que seja parte integrante do IC, como um professor ou um leitor, que exerça funções na área cultural. O que não quer dizer que não possa ser nomeado um novo adido cultural", diz.

Texto: Paula Telo Alves
Fotos: Marc Wilwert

Caso Luxair: Piloto condenado a três anos e meio de prisão

O caso do acidente da Luxair chegou ontem finalmente ao fim. Nove anos depois do acidente do Fokker que fez vinte mortos, incluindo uma hospedeira portuguesa, o Tribunal do Luxemburgo condenou o piloto a três anos e meio de prisão com pena suspensa.

Claude Poeckes, o homem que ia aos comandos do Fokker quando o aparelho se despenhou em Nideranven, em Novembro de 2002, foi também condenado a pagar uma multa de quatro mil euros.

O antigo director técnico e os dois técnicos da companhia aérea luxemburguesa acusados no processo também foram condenados pelo Tribunal. O antigo director técnico, Marc Gallowitch, foi condenado a dois anos de prisão e ao pagamento de uma multa de dois mil euros. Os dois técnicos, Guy Arendt e Leon Moes, foram condenados a penas de 18 meses, todos com pena suspensa.

Ilibados foram os três antigos directores da Luxair, tal como pedira o Ministério Público. Christian Heinzmann, Jean-Donat Calmes e Roger Siezen não foram considerados responsáveis pelo acidente.

O Fokker da companhia aérea luxemburguesa despenhou-se a 6 de Novembro de 2002 entre Roodt-sur-Syre e Niederanven, provocando a morte de 20 pessoas, incluindo a hospedeira luso-descendente Paula dos Reis, de 32 anos.

A hospedeira Paula Reis morreu no acidente
Natural de Condeixa, Paula dos Reis, na altura com 32 anos, deixou um filho de um ano de idade e o marido, o português Paulo Ferreira. A chefe de cabine da Luxair regressava a casa no voo proveniente de Berlim em que se deu o acidente que chocou o Grão-Ducado. No acidente morreu também o co-piloto e 18 passageiros.

A lentidão do processo levou mesmo as famílias das vítimas a apresentar queixa contra o Estado luxemburguês junto do Tribunal dos Direitos do Homem, em Estrasburgo. Em 2010, a família da hospedeira portuguesa que morreu no acidente aéreo recorreu para aquele Tribunal, queixando-se da lentidão da justiça luxemburguesa, juntando-se a uma família alemã que perdeu o filho no acidente.

O Grão-Ducado foi condenado por aquela instância superior por não respeitar os prazos judiciais.

O caso só começaria a ser julgado no Tribunal da Relação do Luxemburgo a 10 de Outubro de 2011.

Tânia Matias despedida do LCGB

Foto: Guy Jallay
Tânia Matias foi despedida da central sindical LCGB. A portuguesa recebeu o pré-aviso de despedimento no início deste mês, mas foi dispensada de todo o serviço com efeito imediato.

O CONTACTO sabe que na origem do despedimento estão desentendimentos entre a jovem sindicalista e o novo presidente, Patrick Dury. A direcção queria que Tânia Matias abandonasse o sector da Juventude e Internacional, de que era responsável, e que ficasse apenas com o sector do Comércio. Perante esta proposta, a sindicalista recusou e foi imediatamente despedida pelo presidente. Fontes contactadas pelo nosso jornal garantem que as relações entre o novo presidente e Tânia Matias não eram as melhores e que o despedimento terá sido um ajuste de contas.

Ontem à tarde, no final de uma conferência de imprensa do LCGB, o CONTACTO questionou Patrick Dury sobre o despedimento de Tânia Matias. O presidente do LCGB limitou-se a dizer: "Não falo sobre esse assunto".

Quem não se coíbe de falar sobre o assunto é o conselheiro das Comunidades Portuguesas. Eduardo Dias garante que "é um acto lamentável".

"Por uma decisão que ninguém conhece, a comunidade portuguesa perde alguém que ocupava um cargo de relevo dentro de uma grande organização luxemburguesa. Manifesto a minha total solidariedade com Tânia Matias".

O conselheiro diz ainda que o afastamento de Tânia Matias "é uma perda para a comunidade portuguesa, porque era alguém que tinha uma notoriedade política e sindical, não só dentro do Luxemburgo, mas também a nível europeu".

Recorde-se que Tânia Matias foi candidata pelo CSV às últimas eleições europeias. Apesar de não ter sido eleita, alcançou o 8o lugar entre 48 candidatos a nível nacional, com um total de 42.830 votos.

Em 2005, durante a presidência luxemburguesa da União Europeia (UE), foi encarregada de missão do dossier Juventude.

Até agora era tesoureira da Confederação Geral da Juventude Luxemburguesa (CGJL), responsável pela área europeia, tendo sido também responsável pela região francófona da UE na Secção Juventude da Confederação Europeia de Sindicatos (CES).

Natural de Torres Vedras, Tânia Matias chegou ao Luxemburgo com apenas nove meses. Licenciada em Estudos Europeus pela Faculdade de Letras da Universidade do Porto, liderava também a Comissão dos Residentes Estrangeiros do sindicato cristão-social.

CONTACTO: Destaques da edição de 28 de Março





A nova vaga de imigração para o Luxemburgo está a fazer vítimas entre os portugueses que chegam ao país. Nesta edição, o CONTACTO traz-lhe cinco histórias de portugueses que decidiram deixar tudo e emigrar. Histórias mal sucedidas num país que está a rebentar pelas costuras. Uma grande reportagem para ler nesta edição do CONTACTO.

O conselheiro social da Embaixada de Portugal no Luxemburgo  atinge a idade da reforma já em Abril, mas o Governo ainda não tem planos para o substituir. Carlos Correia é também o responsável interino pelo Instituto Camões no Luxemburgo, o que já levou o deputado Paulo Pisco a questionar o Executivo sobre a sua substituição. Ao CONTACTO, o secretário de Estado das Comunidades garantiu que o centro cultural português "vai ter um responsável". Só não se sabe é quando.

O caso do acidente da Luxair chegou ontem finalmente ao fim. Nove anos depois do acidente do Fokker que fez vinte mortos, incluindo a hospedeira portuguesa Paula Reis, o Tribunal do Luxemburgo condenou o piloto a três anos e meio de prisão, com pena suspensa. O antigo director técnico e dois técnicos da companhia aérea luxemburguesa foram também condenados a penas entre 24 e 18 meses de prisão. Ilibados foram os três antigos directores da Luxair. 

Estas e outras notícias para ler nesta edição do jornal CONTACTO, o primeiro jornal em língua portuguesa no Luxemburgo.

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terça-feira, 27 de março de 2012

Porto é Melhor Destino Europeu 2012

Porto eleito Melhor Destino Europeu Foto: José Luís Correia
O Porto foi eleito o “Melhor Destino Europeu 2012” entre 20 cidades selecionadas por um júri da Associação dos Consumidores Europeus, foi hoje anunciado.

A votação online decorreu nas últimas três semanas no sítio da Internet do European Best Destination, tendo sido contabilizados mais de 212 mil votos.

Em 2.º lugar ficou Viena, na Áustria, e em 3.º Dubrovnik, na Croácia, tendo Lisboa ficado em 8.º lugar no ranking.

À frente da capital portuguesa ficaram Praga (República Checa), Bruxelas (Bélgica), Berlim (Alemanha) e Budapeste (Hungria).

Em 2010, Lisboa foi a cidade eleita pela Associação dos Consumidores Europeus para o "Melhor Destino Europeu 2010" e, em 2011, a vencedora foi Copenhaga, na Dinamarca.

O Porto – vencedor do título "Melhor Destino Europeu 2012" - vai poder incluir a utilização do logótipo "Escolha do Consumidor Europeu", durante um ano, em toda a comunicação do turismo oficial.

O vinho do Porto, o Centro Histórico, classificado Património da Humanidade, os museus, parques e jardins "encantadores", bem como lojas de moda, de criadores nacionais e internacionais, são algumas das virtudes do Porto apontadas pela organização no seu sítio da Internet.

PIB português vai cair 3,7% em 2012 - diz Fitch

A agência de notação financeira Fitch prevê que o PIB português encolha 3,7 por cento este ano, e considera "provável" que o Governo recorra a novas medidas de austeridade.

"O risco de derrapagens relativamente à meta para o défice orçamental em 2012 [4,5 por cento do PIB] é grande", escreve a agência numa nota de análise sobre as dívidas soberanas da zona euro. Este receio está relacionado com a probabilidade de um cenário macroeconómico mais negativo que o esperado, ou com novos problemas orçamentais nas empresas públicas.

“Tendo em conta estes riscos, a Fitch considera que há uma probabilidade significativa de que em 2012 sejam necessárias medidas adicionais de consolidação orçamental”, escreve a analista da agência.
O ministro das Finanças, Vítor Gaspar, tem dito repetidamente que não haverá mais medidas de austeridade este ano.

A Fitch prevê ainda que a economia de Portugal se contraia 3,7 por cento no próximo ano – uma recessão mais grave do que a previsão mais recente do Governo, 3,3 por cento. Para 2013, a Fitch augura um ano de estagnação (variação nula do PIB).

Também para este ano, a agência prevê que o défice corrente português se agrave de 7,5 para 7,6 por cento do PIB; e espera que a dívida pública continue a crescer, atingindo 116,3 por cento do PIB em 2013.
Em novembro, a Fitch reduziu a notação de Portugal de BBB- para BB+, níveis considerados “lixo”. Isto significa que a agência considera que o investimento em dívida portuguesa comporta riscos muito elevados.

segunda-feira, 26 de março de 2012

FC Metz vai caçar talentos em Differdange

Foto: Gaston Freymann
O centro de formação de futebol do FC Metz vai organizar uma jornada de "caça aos talentos" no dia 14 de Abril, das 9 às 17h, no estádio do Thillenberg, em Differdange.

O evento tem como objectivo principal reunir um grande número de jovens jogadores da região para serem observadas as suas qualidades e, num futuro próximo, os escolhidos poderão vir a integrar algumas das equipas do centro de formação da equipa "grená".

Os treinos e jogos vão ser dirigidos exclusivamente por uma equipa de treinadores do FC Metz. Todos os jogadores inscritos em clubes luxemburgueses ou franceses, nascidos entre 1999 e 2002, podem participar nesta jornada de detecção de talentos, mediante a inscrição no site www.fcmetz.com do clube da Lorena.

Portugal: Cavaco defende necessidade de "saber bem tudo" o que aconteceu nos "distúrbios" no Chiado

O Presidente da República lamentou hoje "profundamente" que dois fotojornalistas tenham sido atingidos durante os "distúrbios" que ocorreram quinta-feira no Chiado, sublinhando ser importante que se "saiba bem tudo aquilo que aconteceu".

"Lamento profundamente que dois fotojornalistas tenham sido atingidos durante os distúrbios a que as forças de segurança tiveram que fazer face", afirmou o chefe de Estado, quando questionado durante uma conferência de imprensa com o seu homólogo sérvio sobre os confrontos no Chiado entre a polícia e pessoas ligadas à plataforma 15 de Outubro na passada quinta-feira.

Recordando que as autoridades competentes já determinaram a realização de um inquérito "para que tudo seja clarificado", Cavaco Silva defendeu a necessidade de saber tudo o que aconteceu.

"Penso que é importante que todos saibamos, que o povo português saiba bem tudo aquilo que aconteceu nos distúrbios que ocorreram no Chiado", declarou.

Na quinta-feira à tarde, em dia de greve geral convocada pela CGTP, a Polícia de Segurança Pública (PSP) e várias pessoas ligadas à plataforma 15 de Outubro envolveram-se em confrontos junto ao Largo do Chiado, em plena baixa lisboeta.

Depois de vários manifestantes terem arremessado objetos contra agentes e da esplanada do café A Brasileira ter sido praticamente destruída, a PSP reforçou a sua presença com elementos das Equipas de Intervenção Rápida (EIR) e do Corpo de Intervenção.

Durante os confrontos entre manifestantes e polícias, os fotojornalistas José Sena Goulão (da agência Lusa) e Patrícia de Melo Moreira (da France Presse), que se encontravam no local a fazer a cobertura do acontecimento, foram agredidos.

Entretanto, o Ministério da Administração Interna lamentou os incidentes com os jornalistas, adiantando que a Inspeção-Geral da Administração Interna (IGAI) já abriu um processo de averiguações.

Texto: Lusa
Caricatura: Florin Balaban

Ministro da Cultura de Cabo Verde visita Luxemburgo

O ministro da Cultura de Cabo Verde, Mário Lúcio Sousa, vai estar no Luxemburgo na próxima quarta-feira, dia 28 de Março.
O ministro convida todos os artistas cabo-verdianos residentes no Luxemburgo para um encontro formal na Embaixada de Cabo Verde (117, Val de Ste-Croix), na capital.
O encontro está marcado para as 17h30 e vai servir para expor as políticas culturais. Os artistas cabo-verdianos vão ter também a oportunidade de colocar questões.

Portugal: Auto-estradas com portagens perderam em Dezembro 14 mil veículos por dia

As antigas SCUT do interior e do sul, portajadas desde 08 de dezembro, perderam quase 14 mil veículos por dia no último mês de 2011, indica um relatório do Instituto Nacional de Infraestruturas Rodoviárias (INIR).

Segundo o documento, relativo ao movimento nas autoestradas no quarto trimestre de 2011 e divulgado este mês, as quatro concessões perderam, no total, 13.990 viaturas em cada dia do mês de dezembro.

A Via do Infante (A22) movimentou diariamente, em dezembro de 2011, 6.528 viaturas, correspondente a uma quebra, face a 2010, de 48,4 por cento.

Aquela antiga SCUT do Algarve contabilizou menos 6.111 viaturas por dia, face ao mesmo mês de dezembro de 2010 (12.639). Em dezembro, mas de 2009, a Via do Infante registava um Tráfego Médio Diário (TMD) de 13.523 viaturas.

No entanto, a quebra naquela concessão já se vinha a agravar ao longo do ano, nomeadamente com descidas homólogas em outubro (menos 12,5 por cento) e novembro (menos 16,5 por cento).

Cenário semelhante verificou-se na A23, da concessão da Beira Interior, que também em dezembro passou a ser portajada, refletindo neste caso, no último mês de 2011, uma quebra de 30,9 por cento. Após a introdução de portagens, aquela via passou de um TMD de 11.489 para 7.942 viaturas (menos 3.547).

Contudo, indica o mesmo relatório do INIR, a quebra já se tinha acentuado anteriormente, com menos 10,9 por cento do tráfego em outubro (face ao mesmo mês de 2010) e em novembro, com menos 14,3 por cento.
No caso da A24, da concessão Interior Norte, o mês de dezembro representou uma quebra no movimento diário de 29,6 por cento, com um total de apenas 4.641 viaturas.

Ou seja, menos 1.952 viaturas percorreram aquela autoestrada após a introdução de portagens. Contudo, em outubro (menos 12,2 por cento) e em novembro (menos 15 por cento) também já se tinham registado quebras.

Na A25 (Beira Litoral/Beira Alta), o último mês de 2011 contabilizou um TMD de 10.861 face às 13.241 viaturas de 2010. Ou seja, uma quebra homóloga de 18 por cento.

Apesar de perder 2.380 viaturas por dia em dezembro, a descida no movimento registou-se ainda em outubro (menos 8 por cento) e em novembro (menos 13,1 por cento).

domingo, 25 de março de 2012

Luxemburgo: Aguarelas do Alentejo no Instituto Camões

Luís Ançã vai expor no Luxemburgo 20 desenhos sobre o Alentejo. A mostra chama-se "Sketching Alentejo" (desenhando o Alentejo), e reúne trabalhos a aguarela e tinta-da-china feitos no local, de uma forma que captura o instante.

Luís Ançã faz parte dos "urban sketchers", um grupo de desenhadores urbanos que vivem segundo o lema "descobrir o mundo, um desenho de cada vez". Armados de simples cadernos, estes desenhadores capturam em traços rápidos aquilo que vêem no dia-a-dia.

Desta vez, a pensar nesta exposição, Luís Ançã trocou o caderno por folhas de papel de aguarela. Mas garante que a abordagem é a mesma. "A diferença está apenas no suporte, a abordagem é a mesma. Qualquer suporte é bom para trabalhar, tudo depende do que se pretende fazer", disse ao POINT24 o professor de artes plásticas.

O resultado é um roteiro a traços rápidos das paisagens e tradições alentejanas, da praça do Giraldo, em Évora, aos mercados de Estremoz.

Esta é a segunda vez que Luís Ançã expõe no Luxemburgo, depois de cá ter estado com a exposição "Histórias do Alentejo", em 2003.

A exposição é inaugurada a 29 de Março, às 18h30, e pode ser vista até 19 de Abril, no Instituto Camões. A entrada é gratuita.

Texto: P.T.A.

Angola e Cabo Verde querem abolir vistos

O ministro do Interior angolano, Sebastião Martins, defendeu na quarta-feira que Cabo Verde e Angola deverão caminhar para que, no futuro, seja possível a supressão total de vistos entre os dois países.
Sebastião Martins e a sua homóloga cabo-verdiana, Marisa Morais, assinaram um acordo de facilitação de vistos entre os dois países e de reconhecimento mútuo de cartas de condução. O acordo assinado vai permitir, segundo o governante angolano, eliminar a burocracia para a concessão de vistos entre os dois Estados, mas também permitir estadas mais prolongadas para cabo-verdianos e angolanos. As partes acordaram igualmente incrementar a cooperação no combate à criminalidade organizada e narcotráfico. Os dois países vão também promover acções de formação em instituições policiais.

Luxemburgo: Taxa de desemprego em Fevereiro manteve-se nos 5,9 %

Foto: Guerry Huberty
A taxa de desemprego registada em Fevereiro é a mesma de Janeiro: 5,9 %. Segundo a nova contabilidade, no final de Fevereiro, o número de desempregados que não contam com medidas de incentivo ao emprego era de 15.427 pessoas. Face ao mesmo período do ano passado, houve um aumento de 1.411 pessoas (10,1 %). O número de desempregados que recebem o montante total do subsídio de desemprego era de 6.979, um aumento de 5 % face ao ano passado. Quanto ao número de pessoas afectadas por uma medida de incentivo ao emprego, a Adem garante que eram 4.311, mais 2,5 % que em Fevereiro de 2011. No final do mês, 2.198 ofertas de trabalho foram declaradas junto da Adem, mas ao todo há 3.031 ofertas de trabalho por preencher. 

Luxemburgo: Paulo Gomes assina pelo CS Oberkorn

Paulo Gomes é o novo treinador do CS Oberkorn.
 O treinador português, que já orientou o Muhlenbach, assinou esta semana um contrato de uma época e meia, e já esteve quarta-feira no encontro que a sua equipa perdeu em Ettelbruck por 1-0.

Luxemburgo vai continuar a gastar mais do que pode

Foto: Michel Brumat
O ministro das Finanças do Luxemburgo, Luc Frieden, apresentou na quarta-feira as previsões macroeconómicas e a evolução das finanças públicas até 2015.

De acordo com o ministro, o Luxemburgo vai continuar a gastar mais do que as suas receitas permitiriam e, se não mudar, vai ter de pedir dinheiro emprestado.

Em 2015, a dívida pública pode chegar aos 12 mil milhões de euros, ou seja, 25 % do PIB. Os novos números levam o ministro das Finanças a pedir um amplo debate público e a rever completamente a política de gastos públicos. "Precisamos mudar a nossa cultura de gastos", disse várias vezes o ministro das Finanças. "Os luxemburgueses sabem que não é possível gastar mais do que se pode e não recuperar do lado da receita. Não podemos continuar dessa forma e devemos rever os nossos gastos", concluiu Frieden

sábado, 24 de março de 2012

Hora de Verão: Este domingo adiante o seu relógio 1 hora

Este domingo muda a hora: os dias passam a ser mais longos e as noites mais curtas.

A hora legal é adiantada em 60 minutos na madrugada de domingo em toda a Europa: quando forem 2h da manhã no Luxemburgo há que avançar os ponteiros para as 3h, e o mesmo em Portugal.

Dá-se assim incício ao horário de Verão, que se prolonga até Outubro de 2011, altura em que se regressa à hora de Inverno.

Os três fusos horários que atravessam o continente europeu colocam Portugal, Grã-Bretanha e Irlanda na mesma hora do meridiano de Greenwich (Greenwich Meridional Time, GMT 0), enquanto a maioria dos restantes países europeus, como o Luxemburgo, se regulam pelo meridiano de Berlim, com um avanço de 60 minutos (GMT +1).

A mudança de hora deve-se a uma directiva que determina que os países da UE devem entrar na hora de Verão no último domingo de Março e adoptar a hora de Inverno no último domingo de Outubro, independentemente do fuso horário em que se encontrem.

Cesário quer eliminar do CCP os dez conselheiros nomeados

Foto: Gonçalo Guimarães
O secretário de Estado das Comunidades, José Cesário, disse esta semana que no próximo modelo do Conselho das Comunidades Portuguesas (CCP) pretende eliminar os dez membros nomeados, com o que vai reduzir a dimensão deste órgão.

O CCP, órgão de consulta do Governo em matéria de emigração, é constituído por 73 conselheiros, repartidos por 63 eleitos e dez nomeados.

"Estamos a trabalhar numa alteração muito grande do quadro legal do Conselho [das Comunidades Portuguesas]. Pretendemos repor os conselhos de países, os conselhos regionais, alterar o universo eleitoral, fazendo-o coincidir com a Assembleia da República (...). Em princípio, deverão desaparecer os [10 membros] nomeados, mas o modo de eleição mantém o sufrágio directo", apontou José Cesário.

Cabo Verde revisitado na Gare de Dudelange

Cabo Verde vai estar em destaque no domingo na Gare de Dudelange-Usines, a partir das 15h, no âmbito da iniciativa "Invitation aux musées" (com entrada gratuita). O programa inclui a mostra de fotografias "Cabo Verde - Allers - retours", uma conferência sobre o intercâmbio escolar entre o arquipélago e o Luxemburgo e a projecção de um filme sobre o artista plástico Nelson Neves, realizado por Henri Fischbach. A terminar, o grupo Balaluei presta homenagem a Cesária Évora. A organização é do Centre de Documentation sur les Migrations Humaines de Dudelange.

CPLP: Eleições na Guiné foram livres e democráticas

A missão da CPLP considera as eleições presidenciais na Guiné, no passado domingo, "livres e democráticas", pelo menos no universo "que lhe foi dado observar".

"No universo das regiões, sectores, círculos eleitorais e número de eleitores que lhe foi dado observar, as eleições presidenciais antecipadas de 2012 terão respeitado na sua generalidade os princípios, regras e procedimentos internacionais que as permitem considerar como livres e democráticas", disse Armindo Maurício, chefe da missão. A missão da CPLP foi constituída por 23 observadores, de todos os estados-membros, que monitorizaram as eleições de domingo nas regiões de Bafatá, Biombo, Bissau/Biombo, Cacheu, Gabu, Oio e Quinara/Tombali.

Carlos Gomes Júnior, do PAIGC e Kumba Ialá, do PRS vão disputar a segunda volta, prevista para 22 de Abril.

OCDE: Portugal e Espanha podem ser as "próximas vítimas" do mercado financeiro

O secretário-geral da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Económico (OCDE), Angel Gurría, alertou ontem contra "falsas esperanças" quanto à superação da crise na zona euro.

Mesmo depois da reestruturação da dívida grega, “os países do euro ainda não ultrapassaram os seus problemas e Espanha e Portugal podem ser as próximas vítimas dos mercados financeiros”, disse Gurría. Para o secretário-geral da OCDE, "ficou claro" que os mercados financeiros atacam os países mais fracos da moeda única e, por isso, recomenda que se erga "a barreira de todas as barreiras" contra eventuais tentativas dos especuladores, aumentando o “plafond” do futuro Mecanismo de Estabilidade Europeu (MEE). "Tem de se criar um fundo de estabilidade com pelo menos mil milhão de euros e os países da União Europeia não devem esperar mais tempo, porque os mercados financeiros aproveitam as hesitações e a insegurança", alertou Gurría. O MEE, que entrará em vigor em Julho, deverá dispor de um capital de 500 mil milhões de euros para ajudar países da moeda única em dificuldades financeiras.

Portugal: Fusão de escolas está a avançar

Foto: Lusa
O processo de fusão de escolas em Portugal, decidido pelo Ministério da Saúde, está a avançar rapidamente nos municípios do Norte e do Algarve. No Porto, os agrupamentos vão passar dos actuais 27 para 14. Em Faro, as escolas recuam de 9 para 4. Os municípios e as escolas têm cinco dias para apresentar uma contraproposta.

Novo supermercado Cactus abre em Windhof

Foto: Guy Jallay
O grupo Cactus continua a sua estratégia de expansão e crescimento no Luxemburgo. Na terça-feira inaugurou mais um supermercado em Windhof, o 20° da conhecida cadeia luxemburguesa.

Após ter aberto a unidade de Rédange há cerca de quatro meses, o grupo Cactus inaugurou um novo espaço comercial em Winhdof na terça-feira, obra orçada em cerca de 28 milhões de euros.

A nova superfície comercial, que abrange cerca de 2.400m2, foi programada para servir as populações limítrofes. Conta com 80 empregados e oferece um ambiente agradável e espaçoso, onde os clientes têm à escolha uma vastíssima quantidade de produtos alimentares (e não só) repartidos por várias secções, a que se junta também um moderno restaurante e ainda uma galeria com quatro lojas.

Grevenmacher e Jeunesse d'Esch na luta pelo pódio

Foto: Nicolas Bouvy
O encontro no domingo entre o Grevenmacher e a Jeunesse d'Esch, respectivamente, 2° e 3° classificados com 35 e 33 pontos, é o jogo principal da 19a jornada da Liga BGL de futebol. As duas equipas vão lutar por um lugar de acesso às competições de UEFA, com o Differdange (4° classificado, com 30 pontos), que joga em Hostert,
muito atento ao resultado no estádio Op Flohr.

A vitória (3-1) no terreno do Hamm Benfica deu outro alento ao Grevenmacher que nos últimos quatro encontros tinha perdido por três vezes. A hemorragia de derrotas foi estancada no Cents, mas a recepção aos "alvinegros", neste domingo, apresenta-se complicada. Após a vitória frente ao Hostert – com dois golos já em período de descontos –, a Jeunesse, que pela primeira vez entrou nos lugares do pódio, arrisca-se, em caso de derrota, a ver o seu adversário directo passar a ter cinco pontos de vantagem e de ser alcançado na classificação pelo Differdange, que vai a Hostert jogar com o "lanterna vermelha". Nos restantes encontros, todos às 16h: o líder Dudelange recebe o RM Hamm Benfica; o Kayl/Tétange joga com o Käerjéng; o Progrès Niederkorn acolhe o Rumelange, num jogo importante para os comandados de Manu Cardoni; o Differdange desloca-se a Hostert; o Racing Luxembourg recebe o Pétange, e o Fola o Hesperange.

Portugal: Infarmed suspende vacinas RotaTeq e Prevenar 13

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A Direcção-Geral de Saúde (DGS) garante que não existe nenhuma incompatibilidade na administração conjunta das vacinas RotaTeq e Prevenar 13. A DGS confirma que o bebé que morreu em Camarate na segunda-feira recebeu as inoculações menos de 24 horas antes da sua morte.

"É uma prática comum, não há incompatibilidade entre as duas vacinas na sua administração conjunta", disse, em declarações à Lusa, a pediatra e directora dos Serviços de Prevenção e Controlo da DGS, Ana Leça.

A responsável recusa falar em "reacção adversa" à vacinação para explicar o que terá motivado a morte da criança de seis meses, na segunda-feira. O caso levou o Infarmed a suspender dois lotes destas duas vacinas que incluem cerca de 34 mil doses. A farmacêutica disse ontem à Lusa que vai manter a suspensão dos lotes das vacinas RotaTeq e Prevenar 13 enquanto aguarda os resultados.

sexta-feira, 23 de março de 2012

Benfica testado em Olhão, FC Porto em Paços de Ferreira

O Benfica, que nos próximos 15 dias tem três encontros decisivos, é o primeiro dos três clubes do topo a entrar em campo para a 24a jornada da Liga, ao deslocar-se, hoje, a Olhão.

Os encarnados defrontam a formação de Sérgio Conceição quatro dias antes da recepção aos ingleses do Chelsea, em jogo da "Champions" e vão ter um "osso" duro de roer.

Com a liderança garantida por um ponto em relação a Benfica e Braga, o FC Porto vai domingo a Paços de Ferreira, formação que esta época já venceu por 3-0 no Dragão, enquanto o Braga, que na próxima segunda-feira fecha a ronda com a recepção à Académica, vai estar atento aos seus mais directos concorrentes.

Depois de na jornada anterior se ter atrasado na luta pelo quarto lugar, em Barcelos, o Sporting regressa a Alvalade, amanhã, para receber ao Feirense. No domingo, o Vitória de Setúbal recebe a União de Leiria, penúltima da classificação, que na semana passada venceu o Rio Ave, por 1-0, na estreia de José Dominguez no comando técnico. O Beira-Mar recebe o Nacional, enquanto o Rio Ave vai até Guimarães. O Marítimo, quarto classificado com um ponto de vantagem sobre o Sporting, recebe na segunda-feira o Gil Vicente, de Paulo Alves, que já "roubou" pontos aos leões, ao Benfica e ao FC Porto.

Portugal: Vai nascer a confraria da Lampreia do Minho

A lampreia do rio Minho vai ganhar uma confraria própria até final deste mês, que tem como principal objectivo a preservação e promoção daquele "activo económico, social e cultural" da região, anunciaram os promotores.

O projecto é liderado pela Associação de Desenvolvimento Rural Integrado do Vale do Minho.