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sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

Colectivo de hackers "Anonymous" pirateou site da ArcelorMiital

Um grupo de piratas cibernéticos belgas, que reivindica pertencer ao colectivo de hackers "Anonymous", atacou ontem à noite o site da ArcelorMittal, como tinham ameaçado há dias.

Ontem à noite quem tentasse aceder ao site da ArcelorMittal (www.arcelormittal.com) deparar-se-ia com uma mensagem vídeo do colectivo que denunciava o encerramento de uma unidade da empresa em Liège, acompanhado de um texto em defesa dos trabalhadores.

A mensagem critica a empresa que apesar dos gordos lucros que regista anualmente continua a fechar fábricas na Europa.

Logo após o ataque dos piratas, a ArcelorMittal vedou ontem o acesso ao seu site, que ainda esta manhã é impossível de aceder.


quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

Liège: Um minuto de silêncio ao meio dia pelas vítimas do ataque de ontem na Praça de Saint-Lambert

A cidade de Liège, no sudeste da Bélgica, observa hoje ao meio dia um minuto de silêncio em homenagem às cinco vítimas mortais do ataque feito por um homem ontem na Praça de Saint-Lambert.

O ataque, feito com granadas, uma pistola automática (Kalashnikov) e um revólver, fez cinco mortos e 125 feridos, cinco deles em estado muito grave. Na Praça de Saint-Lambert, no centro de Liège, morreu um bebé de 17 meses, dois adolescentes de 15 e de 16 anos, uma idosa de 75 anos e o autor do ataque, Nordine Amrani.

Hoje de manhã a Praça de Saint-Lambert regressou à normalidade, embora ainda sejam visíveis alguns vestígios do ataque, nomeadamente marcas de balas, vidros partidos e manchas de sangue. A polícia anunciou hoje ter encontrado o corpo de uma mulher na casa do atirador que matou cinco pessoas e feriu 125 no ataque no centro de Liège, na Bélgica.

"Nordine Amrani suicidou-se com uma bala na cabeça. O médico legista indicou que disparou uma bala na zona frontal. Não deixou qualquer mensagem para explicar o gesto", afirmou Daniele Reynders, o procurador da cidade durante uma conferência de imprensa.

O agressor, que cumpriu penas de prisão por posse ilegal de armas e devido ao tráfico de estupefacientes, também foi chamado a interrogatório pela polícia num caso de abuso sexual. A polícia revelou que Amrani saiu de sua casa com uma mochila e armado com granadas, um revolver e uma espingarda de assalto.

O agressor caminhou até uma praça movimentada do centro da cidade, onde começou a disparar e a atirar granadas contra lojas e transeuntes.

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Euro em crise: França e Bélgica são os novos alvos dos especuladores

Os "credit default swaps" (CDS) para a dívida a cinco anos da França e da Bélgica atingiram hoje novos máximos históricos, ao passo que os dos países periféricos - Portugal, Irlanda, Itália, Grécia e Espanha -, que até agora eram o principal alvo dos especuladores, aliviam dos recordes.

Vários especialistas internacionais explicam o fenómeno como uma propagação das tensões sobre a dívida pública desses países periféricos aos seus congéneres da Europa Ocidental.

Para tal, muito contribuíram as declarações dos responsáveis da Pimco - a maior gestora do mundo de fundos de obrigações - que colocaram na segunda-feira no mesmo saco a Espanha, a Itália e a Bélgica, considerando que os três países necessitam de uma intervenção externa para conseguirem recuperar da crise.

A Bélgica está também a ser afectada pela revisão em baixa das suas perspectivas feita pelas agências de notação financeira, justificada com o clima de instabilidade política do país.

Até a França tem sido alvo de inúmeros rumores de que poderá ver reduzido a notação financeira devido ao elevado patamar em que se encontra a sua dívida pública, que pode ultrapassar os 90% do Produto Interno Bruto (PIB) do país em 2012. Os analistas não escondem a sua preocupação com o efeito que um eventual corte de 'rating' de uma das principais economias europeias poderá ter.

Estas advertências seguem-se às declarações no início do mês do director executivo da bolsa londrina (London Stock Exchange), Xavier Rolet, que apontou a França como a próxima vítima da crise da dívida soberana na zona euro.

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Bélgica: Elio Di Rupo aceita continuar a tentar formar Governo

O líder socialista francófono belga, Elio Di Rupo, aceitou domingo continuar a tentar formar Governo, depois da insistência do Rei Alberto II, que se recusou a dispensá-lo da função apesar do impasse das negociações.

Encarregado a 9 de Julho de conduzir as negociações necessárias para formar um Governo de coligação, Elio Di Rupo está numa situação de impasse, sem conseguir ultrapassar as divergências entre os partidos flamengos e francófonos.

Domingo, o presidente do PS pediu ao monarca para “ser dispensado da sua missão”, informou o palácio real em comunicado, numa audiência que durou mais de três horas.

Apesar do impasse e do aparente fracasso, "o rei recusou o pedido e pediu-lhe que prossiga na sua missão” e Di Rupo "aceitou”, adianta o comunicado.

O partido liderado por Di Rupo ganhou as eleições entre os francófonos, em 13 de Junho, enquanto do lado dos flamengos a vencedora foi a Nova Aliança Flamenga (NVA), favorável à independência da Flandres.

As divergências respeitam em particular aos temas mais sensíveis, como o conflito linguístico entre as duas comunidades e a autonomia regional reforçada pretendida pelas Flandres, mas também a questão do círculo eleitoral bilingue de Bruxelles-Hal-Vilvorde, que a Flandres quer eliminar, a nova lei de financiamento das regiões e o refinanciamento de Bruxelas.

quinta-feira, 22 de abril de 2010

Última hora / Bélgica: Governo de Yves Leterme demitiu-se

O governo belga dirigido por Yves Leterme (na foto) decidiu hoje apresentar a sua demissão, no seguimento de um conflito linguístico entre francófonos e flamengos, anunciaram media belgas.

Foto: Arquivo LW

terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

Bélgica/Acidente ferroviário: Várias fontes confirmam que comboio não parou no sinal vermelho

(actualizado às 16h36)

Segundo o canal de rádio e televisão flamengo VRT, várias fontes confirmaram que o comboio que vinha de Lovaina não parou num sinal vermelho na segunda-feira de manhã, originando assim o acidente que matou 18 pessoas, dos quais um dos maquinistas, e feriu mais de 160, estando 11 destas em estado considerado grave.

Acidente ferroviário na Bélgica: Balanço ainda provisóro é de 18 mortos e 162 feridos


(actualizada às 13h05)

A colisão frontal, na segunda-feira de manhã, entre dois comboios de passageiros, em Buizinguen (perto de Bruxelas), fez 18 mortos e 162 feridos, sendo considerado o pior desastre ferroviário na Bélgica desde 1974. O balanço ainda provisório do número de mortos do choque de dois comboios perto de Bruxelas na segunda-feira de manhã, é de 18.

O acidente teve lugar às 8h28, em plena hora de ponta, em Buizinguen, à saída da estação de Hal (Flandres), 15 quilómetros a sudoeste de Bruxelas, quando um comboio de passageiros vindo da capital belga colidiu com outro que vinha em direcção oposta. A violência do choque fez com que as duas locomativas fossem projectadas no ar e as carruagens descarrilassem.

Além dos 18 mortos, entre os quais se encontra um dos maquinistas, a colisão terá feito 162 feridos, 11 dos quais em estado grave. Os corpos ainda não foram todos identificados.

O número de passageiros estimado nos dois comboios era de 300, menos do que o habitual à hora de ponta devido às férias escolares do Carnaval.

Esta terça-feira, os investigadores da polícia belga já haviam recuperarado as caixas negras dos dois comboios o que lhes permitirá determinar as causas e as circunstâncias do acidente e saber se este teve origem em erro humano, mecânico ou meteorológico. Segundo o site de notícias flamengo hbvl.be que cita uma testemunha, o maquinista do comboio que vinha de Lovaina passou o sinal vermelho. A testemunha indica que o maquinista aprecebendo-se tarde demais de que o sinal vermelho ou os travões não funcionavam, tentou accionar o alarme para imobilizar o comboio, mas pôde apenas saltar da locomotiva, a tempo de sobreviver à catástrofe, embora com ferimentos graves.

Os destroços das carruagens acidentadas ainda continuam por retirar dos carris no local do acidente e a SNCB indica que os trabalhos de remoção vão prosseguir por tempo indeterminado durante toda a semana.

Maquinistas belgas hoje em greve

Entretanto, os maquinistas da SNCB estão hoje em greve, numa reacção ao acidente, em sinal de luto pelo colega maquinista que faleceu no acidente, mas sobretudo para "denunciar a degradação das condições de trabalho".

A paralisação surgiu espontaneamente, sem envolvimento dos sindicatos. Segundo a SNCB, a circulação ferroviária foi seriamente afectada, com numerosos atrasos, uma vez que maquinistas de cidades tão importantes como Liége, Charleroi, Lovaina e Namur, aderiram à greve.

Independentemente da greve, a SNCB avisou já que a circulação de comboios entre Hal e Bruxelas, vai estar seriamente afectada durante esta semana.

Este é já considerado o pior desastre ferroviário na Bélgica desde 1974, quando um descarrilamento de um comboio fez 18 mortos e 69 feridos.

Grão-duque Henri envia condolências ao rei Alberto II


O Grão-Duque Henri enviou, ainda na segunda-feira, uma mensagem de condolências ao rei Alberto II da Bélgica, seu tio e padrinho de baptismo (é irmão da já falecida Grã-Duquesa Joséphine-Charolotte, mãe do Grão-Duque).

"É com grande comoção que a Grã-Duquesa e eu próprio soubemos do terrível acidente ferroviário desta manhã [segunda-feira] em Buizingen. Receba do povo luxemburguês e da nossa parte as nossas mais sentidas condolências. Os nossos sentimentos de compaixão mais profundos vão para as famílias atingidas pelo drama", pode ler-se na mensagem a que o CONTACTO teve acesso.

JLC/com agências

Bélgica/Acidente ferroviário: Ligações entre Paris e Bruxelas continuam suspensas terça feira

As ligações ferroviárias entre Paris e Bruxelas continuam suspensas esta terça-feira, depois do acidente entre comboios que vitimou segunda-feira mortalmente 18 pessoas nos arredores da capital belga, informaram as empresas ferroviárias dos dois países.

Em comunicado, as operadoras ferroviárias afirmavam ontem que, "no seguimento do dramático acidente ferroviário que ocorreu em Hal, na Bélgica, esta manhã [segunda-feira], a SNCB [Société Nationale des Chemins de fer Belges] interrompeu o tráfego ferroviário entre a França e a Bélgica".

A suspensão da circulação é justificada com a realização das operações de socorro e a reparação das vias, acrescentando-se no texto que "não está prevista nenhuma circulação amanhã [terça-feira] com partida de França e destinada a Bruxelas".

Os comboios Thalys, TGV, Eurostar (trans-Mancha) e TER (comboios regionais) não podem fazer a ligação a Bruxelas.

Os comboios com partida de cidades francesas de província destinados a Bruxelas terminarão o seu percurso em Lille, França.

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

Bruxelas: Vinte mortes em colisão de comboios

Dois comboios de passageiros chocaram esta manhã numa estação nos arredores de Bruxelas, provocando pelo menos vinte mortos e vários feridos graves, segundo a AFP.

Os comboios colidiram de frente perto da estação ferroviária de Halle, a 15 quilómetros de Bruxelas, pouco antes das 8h30, de acordo com o jornal Público, que cita a televisão belga VRT.

A colisão ocorreu debaixo de neve densa na linha que liga Mons a Bruxelas entre dois comboios que seguiam cheios de pessoas a caminho do trabalho, ainda segundo o Público. A RTL avançava que a colisão envolveu um terceiro comboio, após o descarrilamento provocado pela colisão.

Os serviços ferroviários para Bruxelas e Paris foram suspensos.

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

Bélgica/Libramont: Joana Amendoeira canta aqui ao lado, sábado

E Libramont aqui tão perto...A fadista Joana Amendoeira, uma das mais aclamadas vozes do chamado "fado novo", vai estar em Libramont-Chevigny, a 75 km do Luxemburgo, este sábado, dia 5 de Dezembro, às 20h15, para um concerto no Centro Cultural daquela localidade belga.

É perto, e barato: a entrada para ver e ouvir a fadista portuguesa custa 10 euros para adultos e cinco para crianças.

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Se Juncker for chamado para presidir UE, Luxemburgo perde primeiro-ministro em Janeiro

O primeiro-ministro luxemburguês, Jean-Claude Juncker, diz-se pronto para ser o primeiro presidente do Conselho da União Europeia. Uma ambição conhecida há muito, mas que pode estar prestes a tornar-se concreta, quando o Tratado de Lisboa, que institui a função, entrar em vigor, o que deverá acontecer a 1 de Dezembro.

O Tratado de Lisboa, que prevê a criação do cargo de presidente permanente do Conselho da União Europeia (UE), pode entrar em vigor no primeiro dia do mês seguinte à ratificação por todos os Estados-membros. O último país a ratificar o tratado foi a República Checa na terça-feira. O que marca como data possível para a entrada em vigor do tratado o dia 1 de Dezembro, se os líderes dos 27 Estados-membros assim o decidirem.

A criação desta função vai acabar com as presidências rotativas da UE, consideradas muito dispendiosas. A função passa a ser ocupada durante dois anos e meio por um candidato permanente a ser nomeado pelos líderes dos 27.

O Tratado de Lisboa prevê que o primeiro presidente do Conselho da UE pode entrar em funções a partir de Janeiro de 2010. Se realmente esse homem for Juncker, então o Luxemburgo vai perder o seu primeiro-ministro dentro de menos dois meses. Nesse caso, a questão vai ser saber quem sucederá a Juncker.

Até lá, é necessário que os 27 se concertem e decidam sobre quem querem para este lugar.

Juncker, o europeu convicto

O primeiro-ministro luxemburguês, Jean-Claude Juncker afirmou que não declinaria o convite para se tornar o primeiro presidente permanente do Conselho da União Europeia (UE), em entrevista ao jornal francês "Le Monde", na sua edição de 27 de Outubro.

"Se fosse convocado, não teria razão para recusar, com a condição de ser apoiado por ideias ambiciosas para este cargo", declarou Juncker na entrevista.

Há algum tempo que o nome de Juncker era citado como possível candidato para a função.

Embora seja facto notório no Luxemburgo que Juncker há muito ambiciona e se prepara para este cargo, esta foi a primeira vez que o chefe de Governo luxemburguês manifestou claramente a nível internacional o seu interesse.

"Aprendi que não é necessário apresentar-se como candidato para um cargo destes. É preciso deixar que chegue a chamada dos outros", pode ler-se no "Le Monde".

Entrevistado dois dias depois pelo "Luxemburger Wort", Juncker explicou que "não é candidato", mas que "não recusaria o convite dos chefes de Estado e de Governo europeus".

“Ao contrário de 2004, não prometi aos eleitores luxemburgueses que ficaria até ao fim do meu mandato no Luxemburgo. Por isso, não teria nenhum motivo para recusar esse convite", disse, manifestando, no entanto, dúvidas sobre as possibilidades da sua nomeação, face aos outros nomes que circulam.

Juncker aproveitou para recordar as qualidades da pessoa que deveria aceder a essa função.

“Num documento sobre as expectativas do Benelux, dizemos claramente que o presidente permanente do Conselho da UE tem de ser um homem que estabeleça métodos de comunidade confirmados. Além do tratado, não podemos aceitar que alguns aspectos políticos sejam discutidos por apenas alguns países membros. O presidente do Conselho tem de ser o primeiro defensor da União Europeia. O cargo não deverá servir para aumentar a sua glória pessoal. É uma função de responsabilidade, que supõe que se consiga encontrar acordos internos no conselho europeu”, declarou ao Wort.

Quanto à questão da ratificação do Tratado de Lisboa, Juncker considerava na semana passada (e antes que se soubesse que a República Checa pudesse vir a ratificar o tratado) que este podia vir a entrar em vigor ainda antes do fim do ano, "quando todas as questões (...) com a República Checa estiverem resolvidas".

Juncker é considerado por muitos líderes da UE como alguém de fortes convicções europeias. Enquanto veterano dos chefes de Governo europeus em exercício (desde 1995, mas integrando o Executivo desde 1981), os seus pares reconhecem-lhe como qualidades, além de longevidade política, a de este ter trabalhado ao longo das últimas duas décadas com afinco em prol da construção e da coesão europeias. Ainda antes de chefiar o Executivo grão-ducal, já Juncker demonstrava o seu empenho pela causa europeia.

Enquanto ministro das Finanças de Jacques Santer, foi um dos mestres-arquitectos do Tratado de Maastricht (1992). Este tratado transformou a CEE em UE, reforçou a colaboração entre Estados-membros, graças a uma política estrangeira e de segurança comum, instituindo ainda a cooperação policial e judiciária em matéria penal nos estados-membros.

Arquitecto da Europa social e económica


O papel de Juncker foi sobretudo determinante na criação da União Económica e Monetária (UEM), que esse tratado também instituiu, e que viria a criar o "euro".

Em 1991, ao presidir o Conselho "Assuntos Económicos e Financeiros", Juncker redigiu ele mesmo algumas largas passagens no Tratado de Maastricht para a criação da UEM. E quando as negociações estavam comprometidas pela recusa de adesão do Reino Unido, foi o luxemburguês que sugeriu o conceito do "opting-out", o que desbloqueou a situação.

Em 1996, é mais uma vez um negociador bem sucedido ao deslindar a delicada situação que se tinha criado entre Helmut Kohl e Jacques Chirac sobre o Pacto de Estabilidade da UEM. A imprensa internacional chama-lhe nessa ocasião o "Herói de Dublim".

Durante a presidência luxemburguesa do Conselho da UE de 1997, Juncker apela a "uma Europa mais social", que responda às aspirações dos cidadãos comunitários. No conselho extraordinário europeu sobre o Emprego, em Novembro desse ano, Juncker, que além de chefe do Executivo luxemburguês, cumulava então a pasta das Finanças e do Emprego, propõe o Plano de Acção a favor do Emprego, que estipula que cada Estado-membro deve submeter-se a um plano anual nacional com critérios quantitativos e verificáveis de modo a lutar mais eficazmente contra o desemprego.

Um mês depois, é durante o Conselho Europeu do Luxemburgo que a UE abre as suas portas aos países do Leste Europeu (a adesão viria a dar-se em 2004). Na mesma cimeira, Juncker é um dos grandes incentivadores da criação do Euro 11, grupo de países membros da UEM (futura Zona Euro), entretanto rebaptizado Eurogrupo. Foi também por isso que quando tiveram que nomear um presidente permanente para o Eurogrupo, em Janeiro de 2005, a escolha dos ministros das Finanças da Zona Euro recaiu naturalmente sobre o luxemburguês. Políticos e analistas não têm poupado elogios à mestria com que tem chefiado este grupo de trabalho.

Aquando da presidência luxemburguesa de 2005, no Conselho Europeu de Março, Juncker consegue obter um acordo que reforma o Pacto de Estabilidade, sem alterar os princípios fundamentais do texto. Nessa cimeira, consegue ainda mobilizar os líderes europeus para relançar a Estratégia de Lisboa, adormecida desde 2000. Esta Estratégia visa fazer evoluir a sociedade e a economia europeias em matéria do conhecimento através de políticas que apostem nas novas tecnologias da informação, da investigação e do desenvolvimento, assim como acelerar as reformas estruturais para reforçar a competitividade e a inovação.

Juncker foi também governador do Banco Mundial entre 1989 e 1995, cargo em que ficaram conhecidas as suas posições em defesa da economia europeia. Desde então é também governador do Fundo Monetário Internacional (FMI) e governador do Banco Europeu para a Reconstrução e o desenvolvimento (BERD).

Tudo pela Europa


Juncker granjeou para si, pessoalmente, os louros por o Grão-Ducado ter votado em 2005 (com 56,52% dos votos) a favor da Constituição Europeia. O que veio apenas reforçar a nível internacional a ideia de que os luxemburgueses e o Luxemburgo são europeus convictos da primeira hora.

Recorde-se a este propósito o célebre episódio em que Juncker lançou o "ultimato" aos eleitores luxemburgueses de que se não votassem em favor da Constituição, ele se demitiria. Argumentou então dizendo que se os eleitores votassem contra a Constituição Europeia, era como se votassem contra o trabalho que ele próprio desenvolvera durante 10 anos. E o que poderia ter sido para muitos um suicídio político, foi para Juncker apenas a maneira de afirmar as suas convicções profundas, em nome e defesa da UE.

Frequentemente tem explicado esta sua convicção na UE, declarando que "é a construção europeia que tem garantido a paz e a estabilidade na Europa desde a II Guerra Mundial." Para Juncker, não se trata apenas de uma União económica e social, trata-se de assegurar um futuro comum.

Timothy Garton Ash, famoso jornalista do "The Guardian", no seu último livro "Facts are subversive", vê a coisa da mesma forma: "O que a Europa era há 60 anos continua a ser o argumento mais forte para a construção da UE".

A partir de 2001, foi sob o impulso de Juncker que o Grão-Ducado se tornou um dos países que mais investe na cooperação ao desenvolvimento (cerca de 0,8 % do PIB) em países-alvo de África (como Cabo Verde), Ásia e da América Latina. Porque Juncker sempre preconizou que é desse modo que se trava a imigração ilegal para a Europa e se fomenta a paz social com os imigrantes já radicados no Grão-Ducado, ele que sempre repudiou uma "Europa-muralha".

Há outros candidatos em liça para o cargo, mas o que pode vir a determinar a preferência em favor de Juncker é o facto de a maioria dos Estados-membros dos 27 desejar como primeiro presidente da UE um representante de um pequeno país e que já tenha dado provas de integração europeia, ou seja, que faça parte do Espaço Schengen e/ou da Zona Euro. O Luxemburgo responde aos três critérios.

O concorrente mora ao lado

A corrida dos potenciais presidenciáveis para um cargo que ainda nem existe à frente do Conselho da UE provoca tonturas, tal as reviravoltas de nomes que vão sendo atirados e tidos como "preferidos" por este ou aquele lóbi europeu.

O chefe do Governo belga, Herman Van Rompuy, é o último que se perfila. Segundo fontes diplomáticas europeias, Van Rompuy, de 62 anos, viu-lhe serem dirigidos convites insistentes durante a cimeira dos chefes de Estado e de Governo dos 27 que decorreu quinta e sexta-feira da semana passada em Bruxelas.

"O seu nome é alvo de consenso junto dos líderes europeus e mesmo de unanimidade", asseguravam segunda-feira passada diferentes fontes diplomáticas, citadas por várias agências de imprensa e jornais europeus. Interrogado sobre o assunto, o porta-voz do primeiro-ministro belga, Dirk De Backer, respondeu: "Sem comentários".

A imprensa belga entrou no jogo e não lhe poupa elogios. Segundo o diário flamengo "De Standaard", Van Rompuy "não é candidato, mas é o favorito". Sobretudo se o assunto vier a ser decidido pelo eixo Paris-Berlim, lê-se no jornal, que cita um analista do britânico "The Guardian".

Para o diário francófono belga "La Dernière Heure", Van Rompuy alcança o consenso que os seus dois homólogos do Benelux, o holandês Jan Peter Balkenende e o luxemburguês Jean-Claude Juncker, não conseguem.

Blair, caído em desgraça

Ainda há uma semana, o nome mais badalado era o do ex-primeiro-ministro britânico Tony Blair, agora relegado para último. Blair foi vítima do tradicional eurocepticismo inglês – o Reino Unido não faz parte da Zona Euro nem do Espaço Schengen –, algo que os demais europeus nunca entenderam. Mas também da sua política no Iraque.

E assim, foi debalde que Blair tentou obter o apoio dos líderes europeus ns últimas semanas. Bélgica, Holanda e Luxemburgo opuseram-se publicamente à sua candidatura. A França e a Alemanha mostraram muitas reticências.

Numa recente sondagem divulgado no Reino Unido, nem os apoios dos seus próprios concidadãos Blair mereceu como candidato a este cargo.

Além de Juncker, Van Rompuy e Balkenende, surgem ainda como possíveis candidatos o alemão Frank-Walter Steinmeier, o finlandês Olli Rehn, o sueco Carl Bildt e a austríaca Ursula Plassnik.

Ratificado que está desde terça-feira o Tratado de Lisboa e assim que os 27 decidirem quando este deve entrar em vigor, o nome do escolhido para se tornar o primeiro presidente da UE pode acontecer muito rapidamente. Nos próximos dias ou semanas.

José Luís Correia
e Cristina Casimiro

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Luxemburgo: Nova embaixadora de Angola apresentou credenciais ao Grão-Duque

A nova embaixadora de Angola para o Benelux, Maria Elisabeth Simbrão, apresentou quinta-feira as suas credenciais ao Grão-Duque Henri.

Segundo nota divulgada ontem pela Embaixada de Angola em Bruxelase e pela Chancelaria da Corte Grã-Ducal, a cerimónia decorreu no Palácio Grão-Ducal, na cidade do Luxemburgo.

Durante o encontro, foram abordadas questões relativas à situação política e socioeconómica em Angola e sobre as perspectivas de reforçar as relações de amizade e cooperação entre os dois povos e países. Elisabeth Simbrão aproveitou a ocasião para transmitir ao soberano luxemburguês as saudações do chefe de estado angolano, José Eduardo dos Santos, pode ler-se na mesma nota.

Maria Elisabeth Simbrão, que já foi embaixadora de Angola em Lisboa, substitui em Bruxelas Toko Diankenga Serão, destacado agora para a Sérvia.

A nomeação de Elisabeth Simbrão por parte de José Eduardo dos Santos foi conhecida em Janeiro, mas só em 10 de Julho a dipolmata se apresentou ao rei Alberto II da Bélgica e 14 dias depois à rainha Beatrix, no Palácio Real, em Haia.

Coube na semana passada ao chefe de Estado luxemburguês receber a nova embaixadora, o que a oficializa como chefe da missão diplomática angolana no Grão-Ducado.

Ontem à tarde, o Grão-Duque Henri recebeu ainda as cartas de credenciais dos novos embaixadores destacados no Luxemburgo do Cazaquistão, do Chile, da Macedónia e do Benim.

JLC

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Bélgica: Governo belga adia fecho de duas centrais nucleares até 2025

O governo belga decidiu segunda-feira prolongar por dez anos a exploração dos três mais antigos reactores do país, que deviam fechar em 2015 e não ser substituídos, anunciou o ministro do Clima e da Energia, Paul Magnette.

"O governo decidiu adiar por dez anos a primeira fase da saída do nuclear", indica um comunicado.

Segundo uma lei de 2003, aprovada numa altura em que os ecologistas participavam no poder, os sete reactores belgas deviam parar quando atingissem 40 anos, ou seja, entre 2015 e 2025.

O adiamento por dez anos diz respeito a dois reactores da central de Doel, um no Norte do país, perto de Antuérpia (Anvers) e um em Tihange (entre Namur e Liège, a cerca de 100 km do Luxemburgo), que atingirão 40 anos em 2015, precisou uma porta-voz do ministro.

Em troca do prolongamento da exploração destes três reactores, de há muito amortizados, os produtores de electricidade (Electrabel, filial do gigante francês GDF Suez, e a SPE) contribuirão todos os anos para o Orçamento de Estado.

De 2010 a 2014 inclusive, esta contribuição será de 215 a 245 milhões por ano.

A GDF Suez comprometeu-se aliás a manter na Bélgica um "alto nível de actividade ", segundo o comunicado.

Texto: Lusa/Foto: Maurice Fick (na imagem, a central Nuclear de Cattenom, perto de Metz)

terça-feira, 15 de setembro de 2009

Luxemburgo: Agricultores bloquearam fronteira belgo-luxemburguesa para exigir aumento do preço do leite pago ao produtor

Ontem, dezenas de produtores de leite belgas e luxemburgueseses bloquearam a fronteira em Sterpenich, para reclamar o aumento do preço do leite

Ontem, segunda-feira, pouco depois das 17h, agricultores e produtores de leite belgas e luxemburgueses começaram a concentrar-se junto ao posto de fronteira da auto-estrada A6, para bloquear a passagem aos camiões com os seus tractores.

Bastou uma dúzia de tractores para dificultar a passagem de camiões e automóveis, o que provocou de imediato um enorme engarrafamento, já que era a hora de fecho de expediente em muitos empregos no Luxemburgo e eram várias dezenas de milhares os automobilistas a circular naquela auto-estrada, no sentido Grão-Ducado - Bélgica.

Segundo o que os porta-vozes dos manifestantes disseram às patrulhas de polícia belgas e luxemburguesas enviadas para o local, os produtores de leite pretendiam desviar os camiões para o parque de estacionamento do posto-fronteira para controlar as mercadorias transportadas.

Esta tarde, em Ettelbruck e Erpeldange: 50 mil litros de leite derramados num descampado

No Luxemburgo está prevista outra acção esta terça-feira.

Os produtores de leite vão distribuir gratuitamente leite aos transeuntes que cruzarem e têm também previsto, pelas 14h15, despejar 50 mil litros de leite em pradarias nas imediações de Ettelbruck e Erpeldange.



Quanto custa o leite?

O preço do leite pago ao produtor ronda, no Luxemburgo, os 0,30 a 0,40 euros por litro, isto depois de a principal compradora da produção leiteira nacional, a Luxlait, ter aceite, em Agosto de 2008, as reivindicações das federações dos agricultores e produtores de lacticíneos.

Mas a média no resto da União Europeia não ultrapassa os 0,24 euros/litro pagos ao produtor e em muitos estados-membros, como na Bélgica por exemplo, o preço não ultrapassa os 0,20 euros/litro.

Os produtores insurgem-se por considerarem que a diferença entre o preço que lhes é pago e a margem de lucro dos revendedores é colossal e porque o preço ao qual o leite lhes é comprado actualmente não cobre os custos de produção.

"Por isso, preferimos dá-lo ou despejá-lo na valeta", argumentavam ontem em Sterpenich os agricultores furiosos.

O protesto dos produtores de leite arrasta-se em toda a Europa há meses. Já em 22 de Junho, centenas haviam-se manifestado no Kirchberg, bloqueando aquele bairro durante horas.

Fotos: Anouk Antony/Bossmann