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quinta-feira, 7 de julho de 2011

Até 2015 Comissão Europeia quer acabar com as tarifas em roaming

No início deste mês, os operadores de comunicações móveis da UE foram novamente obrigados a baixar os preços de retalho das chamadas em roaming em consonância com as regras da UE introduzidas em 2007 e alteradas em 2009.

Os consumidores que optarem pela eurotarifa regulamentada pela União Europeia não pagarão mais de 35 cêntimos por minuto nas chamadas efectuadas. Nas chamadas recebidas noutro país da União Europeia o preço pago não irá ultrapassar os 11 cêntimos por minuto.

Mas a Comissão Europeia quer ir mais longe porque a imposição destas reduções só faz os preços baixarem apenas temporariamente.

"As regras impostas não solucionaram o problema subjacente da falta de concorrência nos serviços de roaming , tendo os preços permanecido obstinadamente próximos dos limites máximos retalhistas", diz a Comissão Europeia em comunicado. Desta forma, tornou-se necessária uma nova intervenção regulamentar "que permita atingir de forma durável o objectivo definido (...) de tornar quase nula, em 2015, a diferença entre as tarifas de roaming e as nacionais."Ou seja, Bruxelas quer liberdade no roaming em vez do fim das tarifas máximas.

A proposta, que consta de um projecto legislativo que a Comissão Europeia vai apresentar esta quarta-feira em detalhe, passa por libertar os cidadãos europeus de estarem presos à operadora de telecomunicações habitual quando se encontram no estrangeiro (ou quando realizam chamadas para outros países europeus). Podem optar por comprar uma espécie de pacote com chamadas de qualquer operadora mantendo o mesmo número de telemóvel.

A ideia é que, em 2015, a diferença de preço entre comunicar no país de origem ou a partir do estrangeiro, dentro da UE, esteja próxima do zero.

Foto: Guy Jallay

segunda-feira, 6 de junho de 2011

UE debate hoje no Luxemburgo crise sanitária provocada por bactéria E.coli

Os ministros da Saúde da União Europeia (UE) debatem nesta segunda-feira, no Luxemburgo, o impacto sobre a saúde pública da infeção provocada pela bactéria E.coli, que já provocou quase duas dezenas de mortos.

O comissário europeu da Saúde, John Dalli transmitirá, no conselho de ministros, as últimas informações sobre o surto.

“Pretendo manter um debate substantivo e concreto sobre este importante tema no conselho (…), com a esperança de que possamos consolidar os nossos esforços para combater o surto de E.coli”, afirma o comissário num comunicado, citado pela agência Efe.

No sábado, a Comissão Europeia ofereceu ajuda às autoridades alemãs para acelerar as investigações que permitam averiguar a origem do surto infecioso.

O Executivo comunitário afirmou, na altura, estar disposto a participar nos trabalhos de investigação e a verificar os resultados das diversas análises para acelerar a identificação da origem da infeção.

A ministra espanhola da Saúde, Política Social e Igualdade, Leire Pajín, já anunciou que, durante a reunião, vai pedir a revisão do atual sistema europeu de alerta alimentar, para evitar danos como os sentidos no setor hortofrutícola espanhol devido à chamada “crise dos pepinos”.

Um surto infecioso da bactéria Escherichia Coli (E.coli) foi detetado na Alemanha na semana passada.

Apesar de as autoridades terem inicialmente atribuído o surto à contaminação de pepinos espanhóis, a origem da infeção continua desconhecida.

A Organização Mundial de Saúde (OMS) anunciou já tratar-se de uma nova estirpe da bactéria nunca antes detetada.

segunda-feira, 30 de maio de 2011

Alemanha/Pepinos: Ordem dos Médicos alemã adverte contra pânico, surto de EHEC é controlável

A Ordem dos Médicos alemã reconheceu hoje que a bactéria Escherichia coli (EHEC), encontrada sobretudo em pepinos, "é um potencial risco para a vida das pessoas“, mas advertiu contra o pânico, garantindo que a situação pode ser controlada.

Em declarações ao jornal Passauer Neue Presse, o presidente da Ordem dos Médicos, Frank-Ulrich Montgomery, afirmou que “todos podem proteger-se contra a EHEC”, se seguirem as instruções do Instituto Robert Koch (RKI), que coordena o combate a epidemias: lavar frequentemente as mãos e renunciar temporariamente o consumo de pepinos, salada e tomate crus.

Até domingo, a perigosa variante da EHEC, conhecida por Síndrome Hemolítico Urémico (HUS), que pode causar graves danos intestinais, renais e do sistema nervoso central, já matou dez pessoas, nove mulheres e um homem, todos no norte da Alemanha.

Centenas de pessoas foram contaminadas, registando-se na Alemanha 1200 suspeitas e casos confirmados.

No Hospital Universitário de Hamburgo há quatro crianças e 14 adultos nos cuidados intensivos, e um total de 30 pacientes com HUS e sem qualquer função renal.

“Vamos perder mais vidas humanas", disse no domingo o médico-chefe daquela unidade hospitalar, Joerg Debatin.

Os médicos estão a aplicar uma nova terapia nos casos mais graves de HUS, com uma nova substância, a Eculizumab.

Os chamados "anticorpos monoclonais" já deram bons resultados no ano passado, em três crianças que contrairam a doença, e melhoraram com este tratamento, como relataram médicos e cientistas de Heidelberg, Montreal e Paris, numa revista da especialidade.

O Instituto de Higiene de Hamburgo detectou a EHEC, na semana passada, em três pepinos importados de Espanha, e escolhidos ao acaso, mas os peritos não excluem que haja outras origens da doença.

Entretanto, o ministério da Saúde de Mecklemburgo-Pomerânia, também no norte da Alemanha, anunciou que foram também detetados indícios de EHEC em pepinos de outras origens, que só serão reveladas se as suspeitas se confirmarem.

terça-feira, 5 de abril de 2011

Grécia: Descoberto texto mais antigo da Europa, segundo investigador

Uma placa de argila cozida com mais de 3.000 anos, considerada o mais velho texto escrito e decifrável da Europa, foi descoberta numa antiga “lixeira” do Peloponeso, indicou hoje um arqueólogo que leciona na Universidade norte-americana do Missouri.

Encontrada durante escavações numa colina de Iklena, uma pequena aldeia do departamento de Messene, a 300 quilómetros a sudoeste de Atenas, esta placa é aparentemente “um documento financeiro” proveniente de uma antiga cidade do período micênico, explicou o arqueólogo, Michael Cosmopoulos, citado pela agência de notícias francesa AFP.

A placa de argila cozida tem mais um século que as anteriores descobertas similares até agora feitas.

“Trata-se da mais antiga placa descoberta na Grécia, logo, a mais antiga da Europa”, declarou Cosmopoulos.

“Numa das faces da placa figuram nomes e números e na outra um verbo que remete para o verbo confecionar”, precisou o especialista.

A inscrição na placa é em Linear B, uma escrita utilizada pelos micênicos da Idade do Bronze (1600 a.C.), a época da guerra de Troia, descrita na “Ilíada”, de Homero.

As escavações, supervisionadas pela Escola de Arqueologia de Atenas e parcialmente financiadas pela National Geographic Society, começaram em 2006 e trouxeram à luz do dia as ruínas de uma grande estrutura com muralhas imensas, frescos e um sistema de drenagem avançado, datado de 1550-1440 antes da nossa era.

Segundo Cosmopoulos, que está a dirigir as investigações, o sítio foi provavelmente destruído por volta de 1400 a.C., antes de ser invadido pelo reino próximo de Pylos, cujo rei Nestor é mencionado na “Ilíada”.

“A descoberta da placa sugere que a escrita é bastante mais antiga do que pensávamos até agora”, considerou o académico.

A Escola de Arqueologia de Atenas deverá em breve dedicar uma publicação ao achado, que já saiu na National Geographic, ao passo que a placa será apresentada ao público por Cynthia Shelmerdine, uma especialista em escrita micênica da Universidade de Austin, no Estado norte-americano do Texas, que foi a primeira a decifrá-la, adiantou Cosmopoulos.

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Mau Tempo: Problemas nos aeroportos europeus devem manter-se até ao Natal

A neve e os atrasos dos voos continuam a causar problemas nos aeroportos europeus, que podem manter-se até ao Natal: dois terços das ligações programadas para segunda-feira nos principais aeroportos foram canceladas ou sofreram grandes atrasos. À semlhança do que aconteceu no Luxemburgo.

A limpeza de toneladas de neve e gelo das pistas dos aeroportos europeus não deverão ter terminado antes de quarta ou quinta-feira.

De acordo com a Organização Europeia para a Segurança na Navegação Aérea (Eurocontrol), na segunda-feira operaram na Europa cerca de 22.500 voos, e não os 26 mil previstos, sendo que a maior parte dos 3.500 voos cancelados correspondem a ligações de e para Reino Unido, França, Alemanha e Bélgica.

O Eurocontrol alerta que a situação pode complicar-se no Centro e Leste da Europa, sobretudo nos aeroportos de Berlim e Hamburgo, na Alemanha, e Praga, na República Checa.

Agravam-se os problemas dos transportes terrestres

Entretanto, agravaram-se os problemas no transporte terrestre por falta de combustível e também pelo encerramento de estradas aos veículos pesados.

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Eurobarómetro: Europeus querem governo económico mais forte

Cerca de 75% dos cidadãos das União Europeia (UE) consideram que uma melhor coordenação das políticas económicas e financeiras entre os Estados membros ajudaria a combater a crise.

De acordo com uma sondagem realizada pela UE, no seu "Eurobarómetro da Primavera de 2010", 72% dos inquiridos querem melhor fiscalização dos grandes grupos financeiros internacionais e, em média, os europeus acreditam mais na UE como a mais capaz para tomar medidas contra os efeitos da crise.

Quanto às medidas para cortar os números do défice e da dívida pública em cada um dos seus países, em média 74% dos europeus acreditam que estas não podem ser adiadas.

Entre os mais optimistas estãos os cidadãos residentes no Luxemburgo: 81% deseja um governo económico europeu mais forte, contra 75% no ano passado. Os belgas e os alemães são ainda mais exigentes, 87% e 85%, respectivamente.

A opinião dos cidadãos portugueses, embora num modo geral esteja em linha com a da média europeia, não é, no entanto, tão optimista.

Quanto ao efeito da coordenação dos países em termos de políticas económicas, em que a média é de 75%, cerca de 62% dos portugueses acreditam que esta pode ajudar a melhor enfrentar os efeitos da crise, sendo o segundo país menos otimista em 27, apenas ultrapassado pelo Reino Unido, com 60%.

terça-feira, 4 de maio de 2010

Islândia/Vulcão: Aeroportos irlandeses fechados seis horas devido a nova nuvem de cinzas vulcânicas

Os voos de e para os aeroportos irlandeses serão retomados hoje a partir das 14h, depois de uma interrupção de seis horas provocada pela passagem de uma nuvem de cinzas vulcânicas proveniente da Islândia.

Em Portugal, o encerramento do espaço aéreo irlandês provocou o cancelamento de pelo menos 14 voos nos aeroportos de Faro e Porto.

A autoridade irlandesa da aviação civil (IAA) anunciou num comunicado que autorizou “os aeroportos irlandeses a retomar o conjunto das operações a partir das 13h” (mais uma hora no Luxemburgo).

O comunicado refere que os aeroportos de Dublin, Shannon, Cork, Knock, Donegal, Waterford e Kerry poderão retomar as operações com normalidade.

A IAA tinha interdito os voos de e para a Irlanda entre as 7h e as 13h desta terça-feira.

No entanto, as autoridades irlandesas advertem que o tráfego poderia conhecer “novas perturbações”. “Segundo as previsões, os ventos devem continuar a soprar de norte nos próximos dias” e por isso desencadear a formação de uma nuvem com alta concentração de cinzas, adverte a IAA.

Vinte dias depois, vulcão continua activo

A erupção de um vulcão na Islândia a 14 de Abril paralisou o tráfego aéreo na Europa durante mais de uma semana, causando grandes perdas para as companhias aéreas e impedindo o embarque de milhares de passageiros em todos os pontos do mundo. Mais de 20 dias depois, o vulcão islandês continua activo, embora com mais baixas emissões de cinzas. Apenas a meteorologia e os ventos explicam a nova perturbação que afectou os céus da Irlanda.

terça-feira, 20 de abril de 2010

Islândia/Vulcão: Nuvem de cinzas vai ser empurrada para o Ártico

Uma mudança de direcção do vento vai empurrar no final da semana para o Ártico a nuvem de cinzas emitida pelo vulcão islandês Eyjafjoll, anunciou hoje a Organização Meteorológica Mundial (OMM).

"A situação actual de alta pressão (anticiclone) com ventos fracos e de ar descendente no centro da alta pressão não ajuda muito à dispersão da nuvem de cinzas", afirmam os especialistas desta agência da ONU num comunicado.

"Devemos esperar uma mudança da situação para o fim da semana, quando uma forte baixa pressão se deverá desenvolver sobre a Islândia. A mudança para baixa pressão atmosférica e as chuvas associadas a esse sistema vão não só empurrar a nuvem para o Ártico como também contribuir para limpar as cinzas a mais baixa altitude", acrescentam.

Até lá, "as cinzas muito finas enviadas para alta altitude, ou seja a mais de 6.000 metros, vão permanecer aí durante algum tempo, uma vez que essas partículas muito pequenas só podem ser deslocadas de forma eficaz através de movimentos de convecção atmosférica importantes (trovoadas)", afirmam os especialistas.

Por outro lado, segundo as últimas informações transmitidas à OMM pelas autoridades islandesas acerca da evolução da erupção, "a brancura da nuvem sugere que contém sobretudo vapor e poucas cinzas".

O tráfego aéreo na Europa está sujeito a importantes restrições desde quinta-feira passada, com o cancelamento de milhares de voos, devido às nuvens de cinzas emitidas pela erupção de um vulcão na Islândia a 14 de Abril (quarta-feira).

Islândia/Vulcão: Transportadoras aéreas já perderam 1,7 mil milhões de euros em bolsa

A nuvem de cinzas resultante da erupção do vulcão islandês Eyjafjallajokull já causou perdas de 1,732 milhões de euros na capitalização bolsista das companhias aéreas cotadas, e provocou custos diários de 220 milhões de euros para o sector.

"Desde o dia 15 de abril, em que o índice europeu para as companhias aéreas atingiu o máximo das últimas 52 semanas, [o valor de mercado do sector do transporte aéreo] já perdeu 6,1 por cento, ou o equivalente a 1,732 milhões de euros de capitalização bolsista", adiantou à agência Lusa Luís Gonçalves, operador da corretora Go Bulling, do Banco Carregosa.

Até agora, foram cancelados mais de 80 mil voos, provocando "custos diários estimados para o sector de 220 milhões de euros".

Em termos bolsistas, as transportadoras aéras estão a perder cerca de 240 milhões de euros por dia, o que significa que os investidores estão a descontar o impacto da paralização do espaço aéreo europeu.

O índice é composto por oito companhias, Easyjet, Iberia, British Airways, Aeroflot, Ryanair, Air France, Lufthansa e Turish Airways, sendo a mais penalizada a Ryanair, com uma queda de sete por cento.

Luís Gonçalves explicou ainda à Lusa que o fenómeno está também a causar perdas em bolsa nas empresas de sectores relacionados com a aviação, como o turismo, o retalho, as vendas online (como a Amazon por causa da distribuição), o correio expresso (DHL, Fedex) e a distribuição de produtos frescos.

"Os efeitos mais abrangentes na economia serão mínimos desde que os aviões comecem a voar em breve. Estamos apenas a ver o dinheiro a mudar de uma parte da economia europeia para outra", salientou hoje um economista da Schroders, Azad Zangana, dizendo, como exemplo, que o peso do sector na economia britânica é de apenas 0,53 por cento.

Assim, "a inatividade do sector teria de estender-se entre 10 a 16 dias para provocar uma quebra de 0,1 por cento no crescimento económico do Reino Unido", realçou o especialista.

A erupção de um vulcão do glaciar Eyjafjallajokull, na passada quarta feira, no sul da Islândia, originou uma nuvem de cinzas de grandes dimensões que provocou o encerramento de vários aeroportos do norte da Europa, criando graves perturbações no tráfego aéreo.

Islândia/Vulcão: Europa vai definir três zonas para abertura progressiva de espaço aéreo

A União Europeia anunciou ontem que vai definir três tipos de zona para uma abertura progressiva do espaço aéreo europeu, dependendo da influência que se verifique da nuvem de cinza vulcânica proveniente da Islândia, anunciou hoje a presidência espanhola.

Qualquer decisão respeitará porém a segurança como norma principal para definir que zonas do espaço aéreo europeu serão abertas.

As três zonas deverão estar definidas e implementadas "o mais tardar" até às 8h desta terça feira.

A UE vai ainda aplicar medidas para coordenar novos métodos para conseguir procurar alternativas para a mobilidade dos cidadãos retidos pelo fecho do espaço aéreo.

Foi o que anunciaram os ministros da UE ontem à noite, depois de uma reunião de quase quatro horas que os responsáveis de Transportes da UE mantiveram por videoconferência, respondendo a uma convocatória da Comissão Europeia e da presidência espanhola da UE.

O encontro serviu para analisar possíveis medidas para resolver a situação crítica causada pela nuvem de cinza vulcânica que afeta os céus europeus e que é uma circunstância imprevisível que está a impedir o normal funcionamento do transporte aéreo e a afetar gravemente a mobilidade dos cidadãos.

Três zonas de voo

A Eurocontrol vai definir três zonas de voo, dentro do espaço aéreo europeu, a primeira das quais "no núcleo central das emissões" permanecerá com "restrições absolutas às operações por ser impossível garantir a segurança das mesmas".

No nível dois estarão as zonas "onde se notem restos de cinzas mas onde esses restos não impedem que se possa realizar a operação de tráfico aéreo" e que serão definidas "em total coordenação com as autoridades dos estados membros".

A terceira e última zona será aquela onde não haverá quaisquer restrições a voos.

Os responsáveis europeus vão agora manter contactos de forma permanente e ao máximo nível para garantir o regresso à normalidade do tráfico aéreo europeu no mais curto espaço de tempo possível.

quinta-feira, 15 de abril de 2010

Islândia/Erupção de vulcão: Aeroportos de toda a Europa afectados devido a nuvem de cinza - Findel pode também vir a cancelar voos


O aeroporto da Portela, em Lisboa, registava hoje ao final da manhã algumas filas com centenas de passageiros surpreendidos pelo cancelamento dos voos para Inglaterra na sequência da nuvem de cinza de um vulcão na Islândia.

Junto aos balcões da Easy Jet, TAP e British Airways, companhias com voos para aquele destino, aguardavam filas de pessoas, algumas com mais de um centena de passageiros, à espera de vez para tentar remarcar um voo e assegurar dormida e refeições, uma vez que os voos de hoje foram todos cancelados.

"Já não conseguimos voo para hoje, mas apenas para sábado e por outra companhia aérea. É um grande transtorno porque eu ia trabalhar hoje e as miúdas começam a escola segunda feira", disse à Lusa António Sal, um português que vive com a mulher e duas filhas em Londres há cerca de seis anos.

António veio uma semana a Portugal de férias, mas o regresso hoje adiado causa-lhe também prejuízos que lamenta não serem suportados pela Easy Jet: "Ele pagam o hotel, mas eu tenho o meu carro no aeroporto de Londres e vou ter de pagar mais dois dias e ninguém se quer responsabilizar", afirmou.

Joe é inglês e vive nos arredores de Londres, veio com a família e alguns amigos de férias a Portugal e também tinha regresso marcado para hoje, que acabou por ser cancelado devido á nuvem de cinza que se desconhece pro quanto tempo vai prejudicar o trafego aéreo.

"Adiar o regresso a Londres causa-nos algum transtorno, mas temos de ver as coisas pelo lado positivo pois podemos aproveitar mais um dia de ferias por aqui", disse à Lusa, comentando gostar da ideia de poder desfrutar do "muito bom tempo" do país e salientando a "boa prestação" da companhia na resolução deste problema.

Mas Joe ainda não conseguiu assegurar voo de regresso, uma vez que começam a escassear os voos de sexta feira para Inglaterra, tendo a companhia sugerido uma devolução do dinheiro do voo ou que aguardassem por mais informações de novos voos previstas para a tarde de hoje.

"Vou ter de me manter perto do aeroporto estas próximas horas, para decidirem quando regressamos, mas depois vamos concerteza aproveitar mais um dia nesta linda cidade de Lisboa", disse o inglês.

Nas filas junto aos balcões daquelas três companhias aéreas com voos para Inglaterra encontravam-se alguns funcionários da ANA - Aeroportos de Portugal a tentar orientar os passageiros que aguardavam a sua vez, distribuindo contactos telefónicos de linhas onde o dinheiro dos bilhetes podem ser devolvidos, caso os passageiros queiram fazer o regresso por outro meio de transporte.

Nos painéis de informação de voos, encontrava-se a palavra cancelado a vermelho em todos os voos das companhias EasyJet e British Airways, mas os da TAP continuavam sem qualquer informação apesar de a companhia ter já anunciado o cancelamento de todos os voos de hoje para Inglaterra.

Segundo a ANA - Aeroportos de Portugal vão ser afetados todos os voos dos aeroportos de Faro, Lisboa e Porto com destino ao Reino Unido, por causa da erupção do vulcão da Islândia que já obrigou à retirada de cerca de 800 pessoas das suas habitações no sul da Islândia.

Um vulcão localizado no sul da Islândia, no glaciar Eyjafjllajokull, registou na quarta feira a segunda erupção em menos de um mês, obrigando à retirada de cerca de 800 pessoas e ao encerramento, hoje, do espaço aéreo em vários países europeus, o que obrigou ao cancelamento de inúmeros voos na região.



Centenas de passageiros em terra ocupam tempo no aeroporto de Faro

A zonas das partidas e chegadas do aeroporto de Faro transformou-se hoje numa imensa sala de espera onde centenas de passageiros, que viram os seus voos cancelados, dormem, jogam cartas, fazem palavras cruzadas ou dão comida aos filhos.

No jardim exterior do aeroporto há também centenas de passageiros a apanharem sol, enquanto aguardam por informações sobre os seus voos, cancelados devido a uma nuvem de cinza expelida por um vulcão islandês e que interrompeu o tráfego aéreo no espaço europeu.

"Check in fechado, sem previsão de abertura", ou simplesmente "voo cancelado", é o que se pode ler na maioria dos monitores do Aeroporto Internacional de Faro, sendo a maioria das viagens com destino ao Reino Unido e norte das Europa.

Em declarações à Lusa, o diretor do aeroporto de Faro, António Mendes, referiu que por norma, a uma quinta feira de abril, embarcam cerca de sete mil pessoas neste aeroporto do Algarve.

Elisa Spencer Balacó é uma das passageiras que, com o seu bebé, viu hoje o voo cancelado com destino a Glasgow, Escócia.

"Disseram-nos que o espaço aéreo inglês está interdito por causa do vulcão na Islândia e por isso vou para casa", disse à Lusa.

Aeroportos do Norte da Europa cancelados devido a nuvem de fumo vinda da Islândia

Nuvens de cinzas de um vulcão em erupção na Islândia obrigaram hoje ao encerramento de espaço aéreo e aeroportos no Reino Unido, Irlanda e Escandinávia, deixando dezenas de milhares de passageiros em terra.

As autoridades dos vários países afirmam não estar em condições de prever quando vai ser possível retomar o tráfego aéreo normal, dependendo da continuação ou não da emissão das cinzas vulcânicas e dos ventos.

Segundo o geofísico Einar Kjartansson, do Instituto Meteorológico islandês, "é provável que a emissão de cinzas se mantenha a um nível semelhante por dias ou mesmo semanas", embora a influência disso no tráfego aéreo "dependa das condições meteorológicas".

A autoridade da aviação civil britânica informou a suspensão de todo o tráfego aéreo que não seja de emergência até "pelo menos" às 18h locais (+ 1 hora no Luxemburgo). As autoridades da Irlanda também encerraram o espaço aéreo por pelo menos oito horas e o mesmo aconteceu na Dinamarca, Noruega, Suécia, Finlândia, Bélgica e Holanda.

Os cinco principais aeroportos britânicos foram encerrados ao tráfego, incluindo o de Heathrow, o mais movimentado do mundo com cerca de 1.200 voos e 180.000 passageiros por dia.

O cancelamento de voos está a afetar passageiros em Portugal, Espanha, França, Bélgica, Holanda, Dinamarca, Irlanda, Suécia, Finlândia e Suíça, entre outros.

Aeroporto do Luxemburgo pode vir a cancelar voos

Previa-se que a partir das 16h, segundo o centro de controlo aéreo regional Eurocontrol, a nuvem de fumo vinda da islândia possa vir também a afectar fortemente o movimento nos chamados países do Benelux - Bélgica, Holanda e Luxemburgo - e noroeste da Alemanha.

Segundo os vários serviços ferroviários britânicos, a perturbação do tráfego aéreo provocou uma procura anormal.

A Eurostar, que assegura a ligação do Reino Unido à Europa continental, informou que os seus comboios estão praticamente cheios depois de milhares de reservas extra. Os comboios Virgin informaram que estão a transportar hoje cerca de 2.000 passageiros adicionais no percurso entre Glasgow e Londres.

As nuvens de cinzas vulcânicas, que se formam a partir de erupções explosivas, são constituídas por partículas de enorme dureza e cujo tamanho pode ir de 0,001 milímetros a 2 milímetros, segundo o instituto geológico norte-americano.

O risco que representam para os transportes aéreos prende-se com a forma como afetam a visibilidade e a possibilidade de partículas microscópicas serem sugadas para os motores dos aviões e provocar avarias.

As nuvens não provocaram problemas no aeroporto da capital da Islândia ou na cidade, Reiquejavique, estando a afetar sobretudo a parte sudeste da ilha, onde a visibilidade está reduzida a 150 metros.

quarta-feira, 7 de abril de 2010

Desemprego na Zona Euro sobe para 10%

A taxa de desemprego na Zona Euro atingiu os 10 por cento em Fevereiro, o valor mais alto desde Agosto de 1998 e 0,1 pontos percentuais acima do que se verificava em Janeiro, anunciou na quarta-feira passada o Eurostat.
Os dados do gabinete de estatística da União Europeia indicam ainda que na UE a 27 a taxa de desemprego atingiu no mês passado 9,6 por cento, também 0,1 pontos percentuais acima de Janeiro. Trata-se do valor mais alto desde Janeiro de 2000.
O Eurostat estima que mais de 23 milhões de pessoas na UE-27, dos quais 15,74 milhões na Zona Euro, estavam desempregados em Fevereiro.
Há um ano, em Fevereiro de 2009, a taxa de desemprego na UE-27 era de 8,3 por cento e na Zona Euro era de 8,8 por cento.

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

UE/BCE: Futuro de Vítor Constâncio pode ser decidido hoje

Os ministros das Finanças da Zona Euro vão tentar hoje, em Bruxelas, chegar a acordo sobre o novo vice-presidente do Banco Central Europeu, sendo Vítor Constâncio, governador do Banco de Portugal, um dos candidatos mais fortes ao lugar
O grego Lucas Papademos termina o seu mandato de oito anos em finais de Junho próximo havendo três candidatos ao lugar.

Vítor Constâncio e o governador do Banco Central do Luxemburgo Yves Mersch são vistos como os candidatos mais fortes, que partem com vantagem em relação ao terceiro nome que está na corrida, a do director do Banco Central da Bélgica Peter Praet.

Se os ministros das Finanças forem incapazes de chegar a um acordo claro hoje sobre um dos nomes, a decisão poderá ser adiada para ser tomada a 15 de Fevereiro, quando se voltarem a encontrar, também em Bruxelas.

O candidato escolhido (proposto) pelos ministros das Finanças será formalmente nomeado pelos chefes de Estado e de Governo dos 27, numa reunião que terá lugar a 25 e 26 de Março.

O Parlamento também será chamado a emitir um parecer, que não é vinculativo, sobre o candidato proposto pelos ministros das Finanças.

Na reunião de hoje, que terça-feira é alargada aos ministros dos 27, os responsáveis pelas Finanças europeias deverão ainda exortar o governo da Grécia a meter ordem no instituto nacional de estatísticas do país.

Na proposta de conclusões a ser aprovada terça-feira solicita-se à Comissão Europeia a apresentação de medidas para que o sistema estatístico grego passe a respeitar as exigências europeias na matéria.

A Comissão Europeia concluiu na passada terça-feira que o orçamento do governo grego não era fiável e parece ter sido falsificado para minimizar os efeitos da crise orçamental que abalou a União Europeia.

Foto: Lusa

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

UE: Alarga os teus horizontes” – A procura do melhor jovem jornalista europeu

A edição deste ano do Prémio Europeu para Jovens Jornalistas já foi lançado com o objectivo de encontrar o melhor potencial talento jornalístico de toda a Europa.

O concurso é destinado a jornalistas ou a estudantes de Jornalismo, entre os 17 e os 35 de idade , cidadãos de um dos Estados-Membros da UE ou de país candidato ou candidato potencial
(Balcãs Ocidentais e Turquia) e a Islândia.

O tema base sobre o qual todas as candidaturas devem versar é o alargamento da UE e / ou a visão futura da Europa.

O prazo de apresentaçao das candidaturas decorre até 28 de Fevereiro do 2009 e os trabalhos deverão ter sido publicados entre 1 de Outubro de 2007 e 28 de Fevereiro de 2010 nos meios de comunicação impressos, online ou rádio.

Para mais informações na internet em http://www.eujournalist-award.eu/

quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

Eurojust: João Manuel da Silva Miguel indicado para substituir Lopes da Mota

O procurador-geral da República, Pinto Monteiro, indicou hoje o nome do procurador João Manuel da Silva Miguel como substituto de Lopes da Mota como membro nacional da Eurojust, foi hoje divulgado.

Numa nota, a Procuradoria-Geral da República (PGR) informa que, "após consulta feita ao Conselho Superior do Ministério Público (CSMP) e não tendo havido oposição dos seus membros", foi indicado o nome de João Manuel da Silva Miguel, actualmente representante de Portugal no Tribunal Europeu dos Direitos do Homem.

O processo, adianta a PGR, "passa agora para a competência dos ministros da Justiça e dos Negócios Estrangeiros", Alberto Martins e Luís Amado, respectivamente.

Os vogais do CSMP pronunciaram-se por por escrito sobre o nome apresentado por Pinto Monteiro para substituir o procurador Lopes da Mota, que recentemente se demitiu da Eurojust (organismo europeu de cooperação judiciária), no seguimento de uma sanção de 30 dias aplicada pelo CSMP por alegadas pressões exercidas sobre os magistrados que investigam o caso Freeport.

O processo Freeport está relacionado com alegadas suspeitas de corrupção e tráfico de influências no licenciamento do espaço comercial de Alcochete, em 2002, quando o actual primeiro-ministro, José Sócrates, era ministro do Ambiente.
(Lusa)

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

Eurostat confirma que zona euro saiu da recessão

A economia da zona euro saiu da recessão no terceiro trimestre, impulsionada pela retoma das exportações e pelos investimentos públicos, de acordo com a segunda estimativa da evolução dos PIB hoje publicada pelo Eurostat.

O PIB (Produto Interno Bruto) dos 16 países da moeda única cresceu 0,4 por cento face ao segundo trimestre, quando caiu 0,2 por cento, indicou o gabinete de estatística europeu com sede no Luxemburgo.

Os números confirmam, assim, a primeira estimativa publicada a 13 de Novembro.

As exportações subiram 2,9 por cento face ao trimestre anterior, altura em que tinham caído 1,3 por cento e as despesas públicas aumentaram 0,5 por cento.

O crescimento da União europeia no seu conjunto foi revisto em alta para 0,3 por cento, contra os 0,2 por cento da primeira estimativa.

Face ao segundo trimestre de 2008, os PIB da zona euro e da UE-27 registou uma contracção de 4,1 e 4,3 por cento respectivamente, um abrandamento face às quedas de 4,8 e 4,9 por cento registadas no segundo trimestre.

Os dados relativos a Portugal mantêm-se, evidenciando um crescimento da riqueza produzida de 0,9 por cento no terceiro trimestre em aceleração, face aos 0,5 por cento registados de Abril a Junho.

Face ao trimestre homólogo, o PIB português contraiu-se 2,4 por cento no terceiro trimestre, após 3,7 por cento no anterior.

Lusa

terça-feira, 17 de novembro de 2009

Zona Euro: Preços ao consumidor recuam 0,1% em Outubro

Os preços no consumidor voltaram a cair na Zona Euro em Outubro, pela quinta vez consecutiva este ano, recuando 0,1% face a igual mês do ano anterior.

Os dados publicados segunda-feira pelo Eurostat (gabinete de estatísticas da UE sediado no Kirchberg) coincidem com a primeira estimativa da inflação nos 16 países do euro divulgada a 30 de Outubro pelo gabinete de estatísticas europeu e confirmam um abrandamento da tendência de queda dos preços após o recuo de 0,3% verificado em Setembro.

Em Portugal os preços recuaram 1,6%, após uma quebra de 1,8% em Setembro, com a Irlanda a apresentar uma taxa de inflação mais negativa entre os 16 países do euro, com os preços a cair 2,8% após 3% em Setembro.

Na União Europeia (UE) no seu conjunto, os preços subiram 0,5% em Outubro face a igual mês de 2008, após um aumento de 0,3% no mês anterior.

Em comparação mensal, os preços subiram 0,2% em Outubro face a Setembro, tanto na zona euro como na UE-27, enquanto estabilizavam em Portugal.

As taxas média de inflação nos doze meses até Outubro de 2009 foram as mais fracas na Irlanda (-1%), em Portugal (-0,6%) e no Luxemburgo (-1%) e as mais elevadas na Roménia (5,9%), na Lituânia (5,4%) e na Letónia (5,3%).

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

UE: Ministros das Finanças querem aumentar imposto sobre o tabaco para 60% do preço do maço de cigarros

Os ministros das Finanças da União Europeia (UE) acordaram terça-feira aumentar o imposto mínimo sobre o tabaco para promover a luta contra o tabagismo e limitar, durante um período transitório, as importações de cigarros oriundos de países com taxas menores.

O projecto de directiva prevê um aumento da taxa mínima sobre o tabaco que deve ser aplicada na UE, anunciou a presidência sueca da União, actualmente em exercício.

"É muito mais do que uma questão fiscal, é também uma questão se saúde pública", afirmou o comissário europeu para os Assuntos Fiscais, Laslo Kovacs, em conferência de imprensa.

Actualmente, os impostos sobre o tabaco (sobre o consumo) devem representar pelo menos 57% do preço do maço de 20 cigarros e pelo menos 64 euros por mil cigarros.

Espera-se agora aumentar o imposto para os 60% do preço do maço e para os 90 euros por mil cigarros, até 2014.

O compromisso autoriza um período de transição até 1 de Janeiro de 2018 para os estados que ainda não instauraram as taxas mínimas actuais ou que o fizeram recentemente, como a Bulgária, Grécia, Estónia, Letónia, Lituânia, Hungria, Polónia e Roménia.

As diferenças entre os impostos cobrados sobre o tabaco na UE atingem actualmente os 600 por cento (700 por cento em termos de preços praticados), estando o Reino Unido, França, Alemanha, Irlanda no topo da lista dos países que mais taxam o tabaco.

O texto aprovado hoje prevê também aumentar os impostos sobre o tabaco de enrolar, que tem agora um sistema de imposto muito inferior.

Os ministros europeus das Finanças também querem reforçar a cooperação entre administrações fiscais para uma luta mais eficaz contra a fraude fiscal.

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

UE: Sindicatos pedem a governos europeus para não diminuirem gastos públicos

A Confederação Europeia de Sindicatos (CES) pediu segunda-feira aos governos europeus para que não diminuam os gastos públicos para não "estragar" a incipiente recuperação económica, disse o secretário-geral daquela entidade, John Monks.

"Há uma tendência para declarar o fim da crise e de querer reduzir os gastos públicos. O maior temor da CES é que os governos na União Europeia actuem com precipitação e estraguem a recuperação", afirmou, em nota divulgada pela organização depois da chamada reunião de "Diálogo Macro-Económico".

"Há que tentar aumentar os gastos públicos e a melhor forma de o fazer não é reduzir os salários dos trabalhadores nem diminuir os serviços públicos, enquanto se permite que os banqueiros levem milhares de milhões em prémios", afirmou Monks, à saída da reunião.

A Confederação defende que "a prioridade deve ser promover as reformas fiscais que facilitem o crescimento", lê-se em comunicado emitido.

A instituição presidida por Jürgen R. Thumann alertou ainda para os perigos da regulação financeira excessiva, pedindo para que as taxas de juros se mantenham a um nível baixo.

O "Diálogo Macro-Económico" é uma conferência de alto nível a que assistem representantes do Conselho da Europa, da Comissão Europeia, do Banco Central Europeu e outros agentes sociais para trocar pontos de vista sobre a promoção do crescimento económico e da estabilidade.

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

França: "Europa está a falhar o encontro com a História", diz Dominique de Villepin

O ex-primeiro-ministro francês Dominique de Villepin considera que a Europa está a falhar o encontro com a História ao não aproveitar a oportunidade criada pela nova administração norte-americana.

"Sinto uma tristeza infinita ao constatar que, no momento em que a América queria fazer alguma coisa pelo mundo, os dirigentes europeus não estão lá. Estamos a falhar uma oportunidade formidável", afirmou Villepin em entrevista à agência Lusa, à margem do Estoril Film Festival onde deu uma aula sobre André Malraux e a política cultural.

Villepin era primeiro-ministro no momento da invasão norte-americana do Iraque e manifestou-se claramente contra a opção da administração Bush. Reconhece que muita coisa mudou desde então.

"A visão do mundo dos americanos e da administração americana de Obama mudou profundamente. A administração Bush considerava que a força era a única resposta à desordem do mundo e Barack Obama é muito mais respeitador dos povos e das diferentes identidades", afirmou.

Ainda assim, Villepin considera que "a política americana continua, como a política ocidental, a enganar-se no Afeganistão: "Não obteremos a paz no Afeganistão enquanto considerarmos que devemos obtê-la através de uma presença armada. Não haverá nova política no Afeganistão enquanto não começarmos a definir um calendário de retirada das tropas ocidentais."

"Barack é um homem da mão estendida, fá-lo no Iraque e no Irão, gostaria de fazê-lo no Médio Oriente mas infelizmente é muito difícil", acrescentou.

E é por isso que "é muito importante que a Europa não falhe este encontro com a História. Onde estão os estados europeus capazes de ajudar a América a fazer a paz no Médio Oriente, a criar um Estado Palestiniano? Onde estão os europeus capazes de ajudar os Estados Unidos a conseguir uma solução para o Irão?"

"A Europa tem falta de imaginação, de coragem e de vontade de desempenhar um papel no palco internacional. A grande ausência na cena mundial é a ausência da Europa."

Sobre o papel da França e de Portugal, Villepin sublinhou que os dois países "têm em comum uma ambição universalista". "Temos consciência dos nossos deveres em relação à África, conhecêmo-la. Por trás dos problemas teóricos, sabemos que há rostos de homens, mulheres, crianças, sabemos o que está em causa, em África, na América Latina, na Ásia."

"Sofremos de egoísmo e sobretudo de falta de ambição. A Europa, que é historicamente um continente de cultura, devia ser também um continente de dever. Em tempo de crise, temos tendência a encolher-nos, a fechar-nos sobre nós mesmos, a imaginar que a prioridade é a satisfação dos nossos problemas. O que é verdade na vida pessoal também o é na vida colectiva: quanto mais nos preocupamos com os problemas dos outros mais rapidamente resolvemos os nossos problemas."

Foto:Arquivo LW