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terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Canadá retira-se do Protocolo de Quioto: "Este acordo não tem sentido sem os EUA e a China", diz Otava

O Canadá vai retirar-se do Protocolo de Quioto, sobre a redução das emissões de gases com efeitos de estufa, afirmou segunda-feira à noite em Otava o ministro canadiano do Ambiente, Peter Kent.

O governante justificou a decisão, afirmando que “Quioto não funciona” e que o Canadá corria o risco de ter de pagar multas de vários milhões de dólares se se mantivesse signatário do protocolo.

O Canadá torna-se assim o primeiro país a retirar-se oficialmente deste acordo assinado em 1997 e em vigor desde 2005.

Nos termos do protocolo, o Canadá comprometeu-se a reduzir em 2012 as suas emissões em seis por cento face aos níveis de 1990. No entanto, as suas emissões poluentes aumentaram e o governo conservador de Stephen Harper rejeitou abertamente as obrigações assumidas pelo governo liberal que o assinou.

Referindo-se à sua presença na conferência sobre as alterações climáticas em Durban, Kent afirmou que a plataforma alcançada “representa um caminho que permite avançar”, o que, aos olhos do Canadá, não sucede com o Protocolo de Quioto.

“Não abrange os dois maiores emissores, os Estados Unidos e a China, e por isso não pode funcionar”, justificou.

quinta-feira, 29 de abril de 2010

EUA: Alterações climáticas vão resolver problema americano com Cuba afundando a ilha, diz embaixador no México

As alterações climáticas vão-se encarregar de resolver o problema que os Estados Unidos têm com Cuba porque em 50 anos a ilha vai desaparecer debaixo do mar, disse hoje o embaixador americano no México.

Ao intervir da Expo Negócios Verdes, um fórum ecológico que está a decorrer na Cidade do México, Carlos Pascual foi apresentado como perito em alterações climáticas e energias renováveis.

O diplomata advertiu que os problemas do meio ambiente como o aquecimento global, em 50 anos vão mudar a face do planeta onde algumas zonas irão desaparecer debaixo de água.

O mesmo responsável recomendou a quem esteja interessado em adquirir terrenos perto da costa que será melhor escolher zonas mais afastadas e deu como exemplo o Estado da Florida, nos Estados Unidos, que diz irá ficar debaixo de água.

"Nos Estados Unidos não teremos de nos preocupar muito com Cuba porque o meio ambiente vai eliminar esse nosso problema", afirmou o diplomata provocando sorrisos na assistência composta por peritos ambientais e empresários.

Foto: Arquivo LW

terça-feira, 2 de março de 2010

Tempestade na Madeira foi apenas um "sinal" de uma tendência global, alerta investigador

Portugal "vai viver muito as alterações climáticas" e a violenta tempestade na Madeira é apenas mais um sinal de uma tendência global, defende António Baptista, diretor do centro norte-americano de Ciência e Tecnologia para a Observação de Margens Costeiras.

"Nenhum evento por si próprio é sinal de alterações climáticas. Não foi a primeira vez que aconteceu [uma tempestade na Madeira]. Há registos idênticos de há 30 ou 40 anos. Pode sim observar-se um conjunto vasto [de fenómenos] dos últimos anos (…) que representa um mundo que está em mudança", disse António Baptista em entrevista à Lusa nos Estados Unidos.

Outros fenómenos invulgares nas zonas costeiras são o aparecimento de tipos de peixes em zonas onde historicamente não têm presença ou até a morte inexplicável de grande quantidade de espécimes.

"Quando posto num contexto de vários eventos extremos que estão a acontecer, temos indicação de que há mudança. (…) Faz sentido dizer que há mudanças profundas, mas não sabemos quais são".

As causas, afirma, estão lá: os gases com efeito de estufa estão a aumentar, o que tem influência direta na radiação solar e na temperatura.

"Há causas básicas de mudança, estamos a ver os efeitos e temos de percebê-los", disse à Lusa.

Residente há mais de 20 anos nos Estados Unidos, e com fortes laços com o Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC) português, Baptista foi um dos oradores do Encontro de Ciências do Oceano, que decorreu na semana passada em Portland, Estados Unidos.

Formado em engenharia civil na Academia Militar, fez mestrado e doutoramento no Massachussetts Institute of Technology nos anos 1980 e hoje é professor na Universidade de Saúde e Ciência do Oregon, além de diretor do centro para as zonas costeiras.

Pelas características geográficas - uma grande costa em relação à área total - Portugal "deve ser olhado como indicador" do impacto das alterações climáticas nas zonas costeiras, a nível internacional, acredita Baptista.

"As mudanças serão significativas, só não se pode saber quais", afirmou à Lusa o investigador.

Noutros pontos do planeta, os dados recolhidos apontam para maior variabilidade e maior frequência de ocorrência de tempestades, mas por enquanto "é difícil provar qual vai ser a mudança".

"Não é possível voltar ao passado nas zonas costeiras. É preciso antecipar agora, tomar as medidas necessárias para ter zonas saudáveis, que permitam aos animais ser saudáveis e aos homens também. Não há ambiguidade ou dúvida. É profunda e irreversível a mudança", afirma.

"Pode discutir-se qual é a grandeza das mudanças climáticas a nível global, mas não há dúvida de que os gases com ‘efeito de estufa’ estão a aumentar de forma espetacular. (…) A questão agora não é julgar a sociedade pelo que fez para que chegássemos a isto, mas olhar para o futuro e perceber o que fazer para gerir melhor os recursos".

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

Clima: Próximos 40 anos são cruciais para evitar o pior, revela estudo

Os responsáveis governamentais devem fazer tudo o que puderem para reduzir as emissões de gases com efeito de estufa nos próximos 40 anos, para evitar um ponto de não retorno a longo prazo, conclui a Academia Americana de Ciências.

Os investigadores examinaram, com a ajuda de um modelo informático, a forma como diferentes níveis de emissões de gases poluentes em 2050 podem impedir o objectivo de limitar o aumento da temperatura a dois ou três graus acima dos valores da era pré-industrial.

Na cimeira sobre o clima que as Nações Unidas organizaram em Copenhaga, em Dezembro, os países celebraram um acordo mínimo, sublinhando a necessidade de limitar o aumento da temperatura do planeta para dois graus, deixando por definir as formas de cumprir este objectivo.

O estudo, publicado na segunda-feira, define os níveis críticos que, caso sejam ultrapassados em 2050, não vão permitir o cumprimento dos objectivos de variação máxima de temperatura no final do século, com as tecnologias energéticas actuais.

Um dos cenários equacionados foi o da continuidade sem uma verdadeira política ambiental, que mostra que é preciso reduzir as emissões poluentes em cerca de 20 por cento em relação aos níveis de 2000.

Num segundo cenário, em que a procura de energia e de terras de cultivo aumentaria muito rapidamente, conclui-se que a redução de gases com efeito de estufa seria de cerca de 50 por cento.

Este estudo, realizado por investigadores norte-americanos e europeus, foi publicado com o Anuário da Academia Americana de Ciências.

Foto: Arquivo LW

sábado, 19 de dezembro de 2009

Copenhaga: Um enorme fracasso - lamentam em uníssono ambientalistas

O resultado hoje obtido na Conferência de Copenhaga sobre as alterações climáticas foi "um enormíssimo fracasso" que adia por um ano um verdadeiro acordo vinculativo, disse hoje à Lusa um especialista em questões de ambiente.

"Objectivamente estamos perante um fracasso negocial, já que os resultados são paupérrimos", afirmou Viriato Soromenho-Marques, professor universitário e responsável pelo programa de Ambiente da Fundação Calouste Gulbenkian.

No seu entendimento, não se cumpriu o caderno de encargos que em 2007 foi definido pela 13/a Conferência das Partes da ONU (COP13) em Bali, que tinha indicações muito claras para um conjunto de medidas que visariam criar um novo regime climático para o pós-Quioto e para vigorar em 2013.

"O que foi aprovado foi uma declaração cuja forma de elaboração foi um pouco estranha, já que foi imposta pelos Estados Unidos e alguns países industrializados e emergentes, deixando o plenário da conferência na obrigação de o assumir", afirmou.

Uma das lições desta conferência, na sua perspectiva, é que os países estão num grau desigual de atenção a esta problemática.

"O tema das alterações climáticas não ganhou ainda maturidade em muitos países, e nomeadamente nos Estados Unidos", sublinhou.

"Viu-se em Copenhaga o abismo que separa a cultura política europeia da norte-americana em relação às alterações climáticas", em grande parte devido aos oito anos de Administração do presidente George W. Bush, cuja sombra "pairou sobre Copenhaga" na fragilidade das posições do Presidente Barack Obama.

Por outro lado, "chegámos a Copenhaga convencidos de que o mundo estava dividido em três partes, com os países desenvolvidos de um lado, os países emergentes de outro e depois uma longa lista de países pobres menos desenvolvidos".

Todavia, "assistimos em Copenhaga a um fenómeno muito curioso, em que uma parte dos países do primeiro e os do segundo grupo se uniram numa declaração sem qualquer validade, não vinculativa, deixando de fora rodos os outros países, nomeadamente os 27 da União Europeia, que são a vanguarda deste processo, e os países mais pobres do mundo, que não contribuem em nada para as alterações climáticas".

"Os mais conscientes e os mais pobres do mundo ficaram isolados neste processo", o que "é um tema para reflectir" considerou.

2010 será na sua opinião um ano dificílimo e decisivo, porque o Senado dos Estados Unidos irá aprovar uma nova lei da energia e do clima, "que vai ser uma carta para a política externa nesta matéria", e porque há um conjunto de fricções e tensões entre Washington e Pequim, designadamente quanto aos mecanismos de monitorização, que terão de ser superados.

"O acordo vinculativo de que o mundo precisa só deverá acontecer dentro de um ano, no México, na COP16 marcada para Dezembro", concluiu.

Copenhaga: Acordo apenas "registado" ou "tomado nota" é "um fracasso", considera associação ambientalista Quercus

A organização ambientalista portuguesa Quercus considerou hoje que o Acordo de Copenhaga, que foi "registado" ou "tomado nota" e não "adoptado" pelos órgãos da Cimeira, constitui "um fracasso".

"Apesar da Cimeira estar agora oficialmente terminada, o Acordo de Copenhaga foi 'apenas registado' ou 'tomado nota' e não 'adoptado' pelos órgãos da Cimeira e suscita ainda dúvidas sobre o seu valor e enquadramento. Para tal necessitaria do consenso do plenário, com o voto favorável de todos os países, o que não aconteceu. Assim, o acordo, além de representar um fracasso na opinião da Quercus é um documento ainda mais fragilizado", considera em comunicado.

Segundo a direccção nacional da Quercus, "nem o símbolo da Convenção das Nações Unidas deverá vir a estar presente no texto final que, mesmo depois de terminada a Cimeira, ainda recebe algumas correcções".

Reiterando que o "frustrante acordo" "é uma falsa partida com muitos culpados", a Quercus responsabiliza os EUA, que "não querem assumir por agora metas de emissões ambiciosas e vinculativas" e a China, que "se recusou a ver acompanhado internacionalmente o seu esforço de redução de emissões".

Entre os "muitos culpados", a organização identifica também o Canadá, "por trazer uma posição muito fraca para Copenhaga e sem intenção de a melhorar", e o Brasil, por pretender "uma abertura a projectos inadequados no mecanismo de desenvolvimento limpo e que participou activamente com os Estados Unidos na elaboração do famigerado acordo".

Para a Quercus - Associação Nacional de Conservação da Natureza, "é fundamental que a União Europeia se comprometa unilateralmente com uma redução de 20 para 40 por cento das suas emissões de gases com efeito de estufa entre 1990 e 2020".

"Portugal tem também desafios pela frente e deve tomar medidas internas mais coerentes, na área do ordenamento do território, promovendo os transportes colectivos, na área da conservação de energia e eficiência energética, a par das energias renováveis mais sustentáveis, preparando-se para uma verdadeira revolução energética ao longo da próxima década, também aqui citada em Copenhaga pelo Primeiro-Ministro e que a Quercus tem reivindicado", sustenta ainda.

A conferência das Nações Unidas sobre as alterações climáticas decidiu hoje "tomar nota" do acordo alcançado na sexta-feira por três dezenas de países, tornando-o assim operacional.

O acordo, hoje apresentado aos 193 países membros da Convenção sobre o Clima da ONU, é um documento de apenas três páginas que fixa como objectivo limitar o aquecimento planetário a dois graus em relação aos níveis pré-industriais.

Prevê também um montante de 30 mil milhões de dólares a curto prazo (para 2010, 2011 e 2012), depois um aumento até 100 mil milhões de dólares até 2020, destinado aos países mais vulneráveis para os ajudar a adaptar-se aos impactos do desregulamento climático.

Copenhaga: Delegação brasileira classifica encontro como "decepcionante fracasso"

Um “decepcionante fracasso”, foi desta forma como a secretária brasileira de Mudanças Climáticas, Suzana Kahn, classificou a Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP 15), em Copenhaga, que terminou hoje esvaziada após 12 dias de negociações.

“Tudo o que vinha sendo negociado desde Bali (a última conferência do clima, em 2007), como trazer os Estados Unidos para um acordo legalmente vinculante, bem como os emergentes, ficou de fora”, afirmou.

Segundo a imprensa brasileira, a reunião de Clima terminou em “completo desacordo”, mesmo depois de horas de discussão durante a madrugada. Os 193 países encerraram a negociação sem chegar a uma unanimidade.

O texto do documento pré-aprovado por, no total, 30 países ricos, emergentes ou em desenvolvimento e barrado por países como Tuvalu, Venezuela, Bolívia, Cuba e Sudão, não prevê metas de redução de emissões globais e tão pouco especifica os compromissos dos países ricos ou em desenvolvimento.

O embaixador brasileiro para mudanças climáticas, Sérgio Serra, lamentou a falta de metas ao afirmar que “ninguém está contente” e que o Brasil saiu “insatisfeito”.

Os chefes de Estado, entre eles o Presidente Lula da Silva, deixaram Copenhaga antes mesmo de uma decisão final.

Tanto a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, chefe da delegação brasileira e o negociador-chefe do Brasil, Luiz Alberto Figueiredo, abandonaram a reunião sem dar declarações.

Apenas o ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, permaneceu a negociar até mais tarde. Minc ainda acusou os EUA pelo fracasso do acordo: “Os EUA foram o principal entrave desta conferência”.

O documento final foi “bastante genérico”, avalia Paulo Barreto, investigador do Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazónia (Imazon), em declarações à Lusa.

“É frustrante, foi pior do que se esperava. Não aconteceu um acordo global. De facto, já se esperava que não haveria um detalhamento, mas precisávamos de um acordo que estabelecesse o máximo de aumento da temperatura e um corte de emissões”.

Barreto, que participou da primeira semana de encontros paralelos na COP15, afirmou ter sido um “grande desperdício” de tempo, pois os negociadores discutiram muito sem que chegassem à base para um “acordo robusto”.

O representante do Imazon critica ainda o facto de os líderes mundiais se terem reunido à “última hora”, em vez de terem marcado um encontro com mais antecedência para fazer negociações “mais complexas”.

O acordo pré-aprovado, definido pelo Presidente Obama como "insuficiente", apresentou o limite de aumento de temperatura global a 2ºC e a criação de um fundo que destinaria 100 mil milhões de dólares (70 mil milhões de euros) todos os anos a partir de 2020 para o combate às mudanças climáticas, mas não define metas sobre corte de emissões de gases de efeito estufa, que era a grande expectativa da conferência.

O documento ainda cita metas apresentadas voluntariamente pela União Europeia de corte de 20 por cento e pelos EUA, de 17 por cento.

Para Paulo Barreto, a “lição” desta reunião é a necessidade de haver mais “liderança” entre os chefes de Estado.

“O que vai acontecer dependerá do tipo de pressão da opinião pública para os governantes serem mais activos”.

Agora já se pensa nos prosseguimentos das negociações climáticas em 2010 antes do fim da vigência do Protocolo de Quioto, que expira a 31 de Dezembro de 2012.

A primeira reunião climática da ONU pós-Copenhaga será em Bona, na Alemanha, que ocorrerá de 31 de Maio a 11 de Junho e trata-se de uma reunião técnica anual de negociadores climáticos.

A seguir, de 8 a 19 de Novembro, ocorrerá na Cidade do México, a reunião ministerial sobre o clima, a COP16.

Copenhaga: Conferência "toma nota" do acordo climático e torna-o operacional

A conferência das Nações Unidas sobre as alterações climáticas decidiu hoje "tomar nota" do acordo alcançado na sexta-feira por três dezenas de países, tornando-o assim operacional.

Segundo Alden Meyer, director da União dos Cientistas Preocupados, o facto da conferência "tomar nota" do acordo "dá um estatuto jurídico suficiente ao acordo para o tornar operacional, sem ser necessária a aprovação das partes".

O acordo, hoje apresentado aos 193 países membros da Convenção sobre o Clima da ONU, é um documento de apenas três páginas que fixa como objectivo limitar o aquecimento planetário a dois graus em relação aos níveis pré-industriais.

Prevê também um montante de 30 mil milhões de dólares a curto prazo (para 2010, 2011 e 2012), depois um aumento até 100 mil milhões de dólares até 2020, destinado aos países mais vulneráveis para os ajudar a adaptar-se aos impactos do desregulamento climático.

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Copenhaga: Cimeira da ONU sobre alterações climáticas arranca hoje entre promessas e trabalho por fazer

Delegações de 192 países iniciam hoje, em Copenhaga, os trabalhos para tentar chegar acordo sobre as bases de um novo acordo climático que permita reduzir as emissões poluentes, mas são poucos os que parecem acreditar que desta cimeira saiam entendimentos vinculativos.


Quase doze anos depois da assinatura do Protocolo de Quioto, em 1997, que estabeleceu metas para inverter as emissões de gases com efeito de estufa (GEE), cabe agora às delegações de 192 países, reunidos até 18 de Dezembro em Copenhaga, juntarem esforços para conseguir aprovar o texto de um acordo legalmente vinculativo que concretize os objectivos necessários para assegurar que o aquecimento global não será superior a dois graus centígrados em relação à era pré-industrial.


Apesar de se terem alcançado avanços significativos nas negociações para reforçar as acções contra as alterações climáticas desde que foram iniciadas em Bali, em 2007, pelas 192 partes da Convenção-Quadro da ONU sobre as Alterações Climáticas, são poucos os que esperam que de Copenhaga saia um texto ambicioso e vinculativo, mas apenas um acordo político minimalista.


Para entrar em vigor em todo o mundo antes de 2013, altura em que expira a primeira fase do Protocolo de Quioto - que estabeleceu a redução de emissões de GEE em cinco por cento face aos níveis de 1990 para 37 países industrializados e a União Europeia no período entre 2008 e 2012 -, o acordo de Copenhaga deverá cumprir os requisitos políticos de todos os países participantes.


Esta exigência ainda está fortemente condicionada por diversos factores, entre os quais a clara falta de entendimento que existe entre as nações ricas e os países em desenvolvimento sobre o financiamento, a longo prazo (2012 até 2020), dos 100 mil milhões de dólares necessários para ajudar os segundos a atenuarem as suas emissões e a adaptarem-se aos impactos das alterações climáticas.


Outra dificuldade que se coloca é que enquanto todas as nações desenvolvidas (que são responsáveis por dois terços do carbono emitido para a atmosfera desde 1850), especialmente as grandes potências, não assumirem compromissos significativos de corte de emissões, as nações pobres e em desenvolvimento, as menos poluidoras, dificilmente aceitarão metas de redução numéricas, vistas como entraves à sua industrialização.


Por outro lado, nações industrializadas contrapõem que países, como a Índia ou a China vão registar nos próximos anos o maior crescimento de emissões de GEE, pelo que acreditam ser justo que estes partilhem igualmente, em termos per capita, o custo de salvar o planeta.


Também os Estados Unidos (EUA), que juntamente com a China são responsáveis por 40 por cento das emissões globais de dióxido de carbono, têm estado no centro das atenções e sido alvo de críticas devido à lentidão do Senado a aprovar o pacote climático, previsto para 2010, e sem o qual será muito difícil um avanço real nas negociações.


Acresce ainda que nas semanas que antecederam ao COP-15, designação oficial da ONU para a cimeira de Copenhaga, foram descobertas alegadas manipulações de dados feitas por cientistas de renome para exagerar o aquecimento global, que agora são utilizados por nações mais cépticas para pôr em causa as previsões feitas pelo Painel Intergovernamental sobre Alterações Climáticas, algumas baseadas nesses dados.


Apesar destas condicionantes que possam levar a que de Copenhaga saia, na maior das hipóteses, uma base para continuar as negociações e assinar os acordos vinculativos na próxima Conferência das Partes, a realizar no México no final de 2010, há também sinais positivos que fazem acreditar o contrário.


Segundo os mais optimistas, um consenso em torno de um acordo vinculativo é ainda possível, sobretudo após os 'grandes actores do cenário climático', como a China ou a Índia, e outros países como o Japão e o Brasil, terem apresentado objectivos quantificados de redução de emissões, e a nova administração Obama ter atiçado esperanças ao propor reduzir 17 por cento das emissões até 2020 (em relação a 2005), afirmando-se disposta a agir contra o aquecimento global.


A par de a UE se ter comprometido a reduzir as emissões em 20 por cento até 2020 (em relação a 1990), meta que pode ser alargado para 30 por cento se outros países industrializados realizarem "esforços comparáveis", outro sinal de esperança é a já confirmada presença de mais de cem chefes de Estado e de Governo na cimeira convocada pela ONU, a que também assistirão cerca de 15 mil delegados e o próprio secretário-geral, Ban Ki-moon.


Foto: Arquivo LW

terça-feira, 3 de novembro de 2009

Portugal: Energias renováveis e combate às alterações climáticas são prioridades do novo Executivo

O programa do Governo dá continuidade às políticas já em curso na área do ambiente, apostando nas energias renováveis, na conservação da natureza e da biodiversidade, no combate às alterações climáticas e à produção de resíduos.

No programa entregue segunda-feira no Parlamento, a próxima legislatura é apontada como o momento para rever a Lei de Bases do Ambiente, que data de 1987, carecendo de actualização face à realidade actual e aos instrumentos jurídicos hoje disponíveis.

O programa assume como prioridade ambiental o desafio das alterações climáticas, no quadro do Protocolo de Quioto, procurando reduzir o mais possível o "défice de carbono" e as emissões nacionais até 2012.

No mesmo âmbito, será elaborado um 2.º PNAC (Programa Nacional para as Alterações Climáticas), para depois de 2012, que contribua para uma economia menos dependente dos combustíveis fósseis.

O investimento feito nas energias renováveis será continuado nesta legislatura, sobretudo na eólica e hídrica, mas também na fotovoltaica e na energia das ondas, com vista a ultrapassar a meta comunitária estabelecida para Portugal.

O PS propõe-se igualmente continuar a apostar nos veículos eléctricos a preços competitivos e na eficiência energética através da redução do consumo de energia nos edifícios públicos.

Outro domínio considerado "prioritário" é o dos recursos hídricos, nomeadamente através do lançamento de uma Parceria Portuguesa para a Água, entre várias entidades, desde as universidades às empresas, e de um programa de requalificação dos principais rios portugueses, tanto ao nível da qualidade da água, como do repovoamento de espécies autóctones e da valorização paisagística.

No que se refere aos resíduos, o enfoque vai para o resíduo como recurso, fomentando a sua reciclagem, mas promovendo simultaneamente a prevenção da sua produção.

Em detrimento da solução aterro serão exploradas as alternativas de tratamento biológico da matéria orgânica.

Outro domínio prioritário é a conservação da natureza e da biodiversidade, com a consolidação da salvaguarda da Rede Natura e com o fomento das sinergias sustentáveis entre a biodiversidade e as actividades económicas ligadas ao uso do território, como a agricultura, a floresta, a pesca, a caça e o turismo.

O PS quer ainda aprofundar a reforma fiscal ambiental, continuando a incentivar os serviços relevantes para o ambiente e a onerar as actividades poluentes.

Foto: Christian Mohr

sábado, 31 de outubro de 2009

Clima: Paris, Berlim e Brasília vão ser linha da frente em Copenhaga

O presidente francês, Nicolas Sarkozy, anunciou sexta-feira à noite, em Bruxelas, que a França, a Alemanha e o Brasil vão tomar "iniciativas" tendo em vista facilitar um acordo durante a conferência de Copenhaga, em Dezembro, sobre o clima.

Os Governos dos três países vão tentar "pôr em cima da mesa um papel que possa gerar consenso", revelou ontem declarou Sarkozy aos jornalistas à saída de um conselho europeu em Bruxelas.

O presidente francês assinalou também que com a cimeira de Bruxelas, "pela primeira vez, há o reconhecimento de um mecanismo nas fronteiras para o caso de os outros países do mundo não cumprirem as mesmas obrigações do que a Europa", em matéria de normas ambientais.

As palavras "taxa carbono nas fronteiras" não figuram no comunicado final da cimeira, "mas o princípio está lá", realçou.

Sarkozy referiu que será preciso repartir entre os estados-membros da UE o dinheiro para ajudar os países mais pobres a aceder à energia primária. "Decidimos por isso criar um grupo de trabalho para ter em conta as possibilidades financeiras de cada um", acrescentou.

Interrogado sobre a organização de uma conferência intermédia sobre o clima, antes da de Copenhaga, proposta por ele em Nova Iorque em Setembro, Sarkozy não confirmou que esta poderia vir a ter lugar. Em meados de Novembro "em Singapura, haverá uma cimeira da Cooperação Económica Ásia-Pacífico (APEC). Teria achado interessante, uma vez que só faltará a Europa, que se lhe juntássemos. Mas nem toda a gente é entusiasta dessa ideia, penso nomeadamente nos Estados Unidos", explicou Sarkozy.

Os europeus chegaram a acordo sexta-feira em Bruxelas sobre uma posição de negociação tendo em vista a conferência internacional de Copenhaga e o princípio de ajuda aos países mais pobres mas recusaram, nesta fase, pôr dinheiro na mesa, o que lhes valeu a crítica dos ecologistas.

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

UE: 27 buscam acordo sobre alterações climáticas após desbloquearem Tratado de Lisboa

Os líderes europeus vão tentar alcançar hoje um acordo sobre a ajuda aos países pobres no combate às alterações climáticas, após terem chegado a um compromisso para satisfazer as reivindicações do presidente checo para assinar o Tratado de Lisboa.

A conclusão do processo de ratificação do Tratado de Lisboa e o financiamento do combate às alterações climáticas são os dois temas fortes da Cimeira que decorre em Bruxelas, tendo quinta-feira os 27 "fechado" o primeiro, com um acordo "no sentido de anexar ao futuro Tratado um protocolo que responde" às pretensões de Vaclav Klaus, quanto a uma excepção para o país na aplicação da Carta de Direitos Fundamentais.

"Isto quer dizer que a diplomacia portuguesa e o seu trabalho serão finalmente reconhecidos e teremos o nome da nossa capital no Tratado", comentou o primeiro-ministro português, José Sócrates, no final do primeiro dia de trabalhos.

Já o presidente da Comissão Europeia, Durão Barroso, considerou que o acordo "eliminou a última barreira política para a entrada em vigor do Tratado de Lisboa", cujo processo de ratificação comparou a uma prova de atletismo muito particular: "Este Tratado, o novo tratado europeu tem sido uma maratona, mas uma maratona com obstáculos", disse.

Para hoje, segundo e último dia de Cimeira, fica adiada a tentativa de acordo em torno da ajuda a conceder aos países mais pobres para estes aceitarem reduzir as emissões de gazes nocivos, tendo o primeiro dia de trabalhos revelado posições ainda muito divergentes entre os 27.

Fontes diplomáticas disseram que a presidência sueca defende a necessidade de os europeus liderarem o processo e avançarem com números - no que é apoiada por países como Portugal, Reino Unido ou Dinamarca - mas a Alemanha, que lidera um grupo onde também se incluem a França e a Itália, defende que os europeus devem aguardar pelas promessas financeiras dos restantes países desenvolvidos.

Já os países de Leste, com poucos rendimentos e grandes poluidores, chefiados pela Polónia, estão dispostos a avançar em função das suas capacidades financeiras.

A Comissão Europeia calculou em 100 mil milhões de euros anuais, entre 2013 e 2020, a ajuda necessária para que os países mais pobres adoptem medidas contra as alterações climáticas.

Esta é uma das derradeiras oportunidades de haver um acordo ao nível da UE antes da conferência de Copenhaga, de 7 a 18 de Dezembro, que visa concluir um acordo que deve entrar em vigor antes de expirar a primeira fase do Protocolo de Quioto, em Janeiro de 2013, para travar de forma vinculativa as emissões de dióxido de carbono.

Admitindo que ainda há muitas diferenças entre os 27, Durão Barroso disse todavia acreditar que será possível um acordo hoje, de modo a que "a UE não perca agora a liderança que tem tido" no combate às alterações climáticas.

"Seria uma pena que, depois de tanto esforço, não conseguissemos esse acordo", disse.

domingo, 25 de outubro de 2009

Alterações climáticas: Fim da Terra será daqui a 500 milhões de anos, escreve Filipe Duarte Santos

A Terra vai deixar de ser um planeta azul para se tornar castanho avermelhado, como Marte, e os homens vão colonizar outros planetas ou ser substituídos por andróides... daqui a 500 milhões de anos.

O cenário parece uma passagem de um filme, mas é uma realidade científica explorada pelo especialista em alterações climáticas Filipe Duarte Santos no livro "Que Futuro? Ciência, Tecnologia, Desenvolvimento e Ambiente", lançado em 2007, com a chancela da Gradiva.

A obra situa a ciência e a tecnologia dentro da problemática do desenvolvimento e do ambiente do planeta e questiona a sustentabilidade do actual paradigma de crescimento.

"Há uma incerteza muito grande para os próximos 50 ou 100 anos, porque esse futuro depende muito da nossa acção individual e colectiva. Mas num horizonte de milhões de anos, são certas as transformações que o planeta vai sofrer" com a nova era glaciar, explicou à agência Lusa o especialista.

Nos próximos 500 milhões a 800 milhões de anos, o aumento da luminosidade do sol e da temperatura na atmosfera - que já se regista actualmente de uma forma lenta - é o principal responsável pelas grandes transformações.

Filipe Duarte Santos, baseando-se nos últimos estudos científicos sobre o tema, dá como certo o desaparecimento dos oceanos, cujos fundos ficarão cobertos por espessas camadas de sal e gesso.

"A Terra deixará de ser o planeta azul e irá adquirir uma cor castanha com tonalidades vermelhas tal como Marte", lê-se numa passagem do livro, na qual especifica que a evaporação dos oceanos vai tornar a atmosfera da Terra semelhante à de Vénus.

O autor questiona até onde irá chegar o homem nesta longa história e adianta que a resposta depende sobretudo da relação que o Homo Sapiens estabelecer com a biosfera e com a biodiversidade a médio e longo prazo.

Várias soluções de engenharia geofísica e planetária permitem ao autor imaginar como pode a Terra manter-se habitável para lá dos 500 a 800 milhões de anos.

Duas soluções: um espelho reflector contra a radiação solar ou emigrar da Terra para planeta extra-solar


Uma delas é colocar um espelho reflector da radiação solar entre a Terra e o sol, criando uma zona de sombra na Terra, para a proteger da crescente irradiação solar total.

Outro tipo de resposta para assegurar a sobrevivência é emigrar da Terra, sendo a alternativa mais próxima Marte, onde a irradiação solar total é inferior a metade da terrestre.

"Provavelmente Marte será colonizado pelos humanos muito antes das condições de habitabilidade da Terra se deteriorarem irreversivelmente. Mas Marte é um local muito inóspito para o homem", diz o autor.

A colonização do sistema solar é necessariamente um processo muito selectivo, conduzido por elites minoritárias, diz Filipe Duarte Santos, lembrando que esse processo vai certamente gerar problemas éticos, políticos e sociais graves.

Outra solução para a sobrevivência do homem é a busca de um novo abrigo num planeta extra-solar semelhante à Terra, ao qual teríamos de chegar por meio de uma longa viagem interestelar.

Depois do Homo Sapiens... a Maquina Sapiens

Para assegurar a sobrevivência depois dos 500 milhões de anos, o autor imagina um cenário ainda mais especulativo onde as limitações biológicas são ultrapassadas pela via do transhumanismo e o Homo Sapiens é substituído pela Maquina sapiens.

"Sendo possível conhecer completamente os mecanismos de funcionamento e as estruturas organizativas do cérebro humano, este podia ser reconstruído com as componentes orgânicas substituídas por nanoestruturas moleculares", defende na obra.

Este cérebro não biológico de dimensões muito reduzidas, que seria associado a um robot, podia ter autonomia e formas de consciência semelhantes à do Homem dos dias de hoje.

Mas algumas das grandes mudanças que o especialista dá quase como certas para o Planeta vão já acontecer nos próximos 50 mil anos.

Entre elas, estão os campos de gelo da Gronelândia e de Antárctica que deverão "fundir-se completamente" se a concentração de dióxido de carbono atmosférico ultrapassar determinados valores, provocando uma subida do nível médio do mar de cerca de 60 metros.

"Os países que, porventura, existirem nas latitudes elevadas do hemisfério norte, onde hoje se localizam os países escandinavos, o Canadá e uma boa parte da Rússia e dos Estados Unidos, ficarão soterrados debaixo de enormes camadas de gelo e as respectivas populações terão que migar para sobreviver".

Os ventos vão ser mais fortes, a massa de cobertura vegetal do planeta vai diminuir acentuadamente, as savanas vão proliferar e as florestas tropicais húmidas refugiar-se em pequenos nichos dispersos.

Quanto aos dias de hoje, o especialista constata estarmos numa fase de transição de uma época dominada pela supremacia dos combustíveis fósseis para "uma outra ainda mal definida e com muitas incertezas".

Como especialista em alterações climáticas, destaca as várias razões que aconselham a diminuir a dependência dos combustíveis fósseis, entre as quais a redução das emissões de dióxido de carbono, o aumento do preço do petróleo (já nos 100 dólares o barril) e a relativa insegurança do seu abastecimento face à certeza de que as reservas não são ilimitadas.

Filipe Duarte Santos diz, no livro, que tem esperança de que seja conseguida a exploração comercial da energia nuclear de fusão nos próximos 50 anos, a única solução de nuclear que considera dar a segurança necessária, mas salienta que as incertezas desta exploração são ainda muitas.

"Devemos fazer um grande esforço para reduzir o consumo de combustíveis fósseis e, simultaneamente, desenvolver e aplicar tecnologias de captura e sequestro de dióxido de carbono emitido nesse consumo. É um desafio muito grande", refere na obra.

"A capacidade de a ciência e a tecnologia assegurarem a continuidade do actual paradigma do crescimento está limitada, em última analise, pelas leis da natureza", concluiu o especialista.

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

EUA: CIA cria célula dedicada ao aquecimento global

A CIA pôs em funcionamento uma célula dedicada ao aquecimento global e às suas consequências para a segurança dos Estados Unidos da América, anunciou quinta-feira a agência.

Esta "pequena unidade" deve dedicar-se ao "impacto do aquecimento global na segurança nacional através de fenómenos tais como a desertificação, a subida das águas dos oceanos, as deslocações de populações e a concorrência acrescida para os recursos naturais", explica a agência, em comunicado.

O novo "Centro sobre Alterações Climáticas e Segurança Nacional" deverá aconselhar os responsáveis pelo país quando da negociação de acordos internacionais ligados ao ambiente.

O presidente Barack Obama, cujo país é um dos maiores poluidores do Planeta, afirmou-se terça-feira "determinado" a agir contra o aquecimento global mas reconheceu que "o mais duro" está por fazer até à Conferência de Copenhaga, marcada para Dezembro.

G20: UE "muito preocupada" com abrandamento das negociações sobre o clima

A União Europeia (UE) está "muito preocupada" com as negociações sobre o clima que "não estão no bom caminho" e considera que "não é aceitável" que elas abrandem, afirmou quinta-feira o primeiro-ministro sueco, Fredrik Reinfeld.

Depois da reunião das Nações Unidas em Nova Iorque sobre o clima, o presidente em exercício da UE, Reinfeld, insistiu em Pittsburgh na urgência de chegar a um novo acordo sobre a redução das emissões de gases com efeito de estufa no encontro de Dezembro, em Copenhaga.

Em conferência de imprensa, onde também esteve o presidente da Comissão Europeia, Durão Barroso, a poucas horas da abertura da cimeira do G-20, Fredrik Reinfeld afirmou que a UE está "muito preocupada com a situação do clima, no que se refere às negociações".

"De facto, (as negociações) estão a abrandar, isto não tem sentido, não é aceitável. Estamos muito preocupados com a necessidade de acelerar as negociações. Faltam apenas 75 dias, faltam muitas coisas para regular, isto é preocupante", sublinhou.

A conferência de Copenhaga, Dinamarca, está prevista para 7 a 18 de Dezembro e daí deverá resultar um novo acordo sobre as emissões de gases com efeito de estufa, substituindo assim o Protocolo de Quioto.

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Internacional: Crescimento desregulado da população acelera alterações climáticas e conduz à fome

O crescimento não regulado da população acelera as alterações climáticas, danifica os ecossistemas e condena vários países à pobreza, concluíram 42 especialistas, que defendem o controlo da natalidade, numa série de estudos publicados segunda-feira.

Actualmente, nascem todas as semanas mais 1,5 mil milhões de seres humanos, o que pode conduzir a um desastre planetário, advertem os peritos.

"É preciso dar mais atenção à necessidade de controlar a natalidade: todas as mulheres deveriam ser protegidas para evitar nascimentos não desejados", afirmaram os investigadores, num editorial colectivo publicado na revista British Royal Society.

A menos que se reduza a taxa de natalidade de forma drástica, através dos programas de planeamento familiar, a população mundial pode chegar aos 11 mil milhões de pessoas a meio do século, estimam os especialistas.

As Nações Unidas prevêem que a população passe dos 6,8 mil milhões de pessoas que actualmente existem para oito a 10,5 mil milhões até 2050.

"Em vários países (entre) os menos desenvolvidos, um crescimento rápido e contínuo da população poderá levar à fome, à falha do sistema educativo e ao conflito", alerta Malcom Potts, do Centro Bixby para a População, Saúde e Desenvolvimento Sustentável, da Universidade da Califórnia.

"Não há nenhuma dúvida de que a taxa actual de crescimento da população mundial é impossível de suportar ao longo do tempo", afirmou Roger Short, da Universidade de Melbourne, Austrália.

A quase totalidade deste crescimento (98%) deverá produzir-se em países em desenvolvimento, sobretudo em África, onde a população deverá chegar aos 1,93 mil milhões de habitantes até 2050.

"Como é que o Níger vai alimentar uma população que vai passar dos 11 mil milhões actualmente para os 50 mil milhões, em 2050? Um país semi-árido que poderá ser confrontado com os problemas climáticos?", questionou Lord Adair Turner, antigo chefe do patronato britânico, que preside a autoridade dos mercados financeiros.