sexta-feira, 9 de março de 2012

Luxemburgo: Rainha da Bretzel é portuguesa e vai distribuir bolos na terça-feira

Foto: M. Dias
A Rainha da Bretzel deste ano é portuguesa e vai estar na capital a distribuir os tradicionais bolos luxemburgueses na próxima terça-feira, durante o cortejo anual organizado pela Federação dos Empresários de Panificação e Pastelaria do Grão-Ducado.

Claudine Macedo, de 27 anos, espera que o facto de ter nacionalidade portuguesa leve mais portugueses ao cortejo.

"É engraçado que uma tradição luxemburguesa tenha como símbolo uma portuguesa. Espero que venham muitos portugueses ao cortejo. Somos uma comunidade importante no Luxemburgo e é bom mostrarmos que participamos nos eventos deste país e que estamos unidos", diz a funcionária bancária ao POINT24. Na próxima terça-feira, vão ser distribuídos três mil "bretzel" gigantes na Grand Rue, na capital, a partir das 15h30. Antes, o cortejo vai passar na Câmara dos Deputados e na autarquia da cidade do Luxemburgo, para entregar bolos aos eleitos.

 "Normalmente entregamos também um 'bretzel' gigante ao primeiro-ministro, para ele poder dividi-lo com a mulher, Christine, e ele gosta imenso", conta o vice-presidente da Federação, Max Nosbuch.

Os pasteleiros do Luxemburgo vão ter muito trabalho para cozinhar os três mil 'bretzel' que vão ser oferecidos ao público. "É extremamente popular. As pessoas arrancam-nos os bolos das mãos, é de loucos!".

O cortejo é organizado todos os anos dias antes do "Bretzelsondeg" (Domingo de Bretzel), uma tradição luxemburguesa em que os bolos servem para fazer declarações de amor.

"Normalmente o homem oferece um 'bretzel' à apaixonada. Se ela gostar dele, oferece-lhe depois ovos na Páscoa. Mas este ano, como é ano bissexto, são as mulheres que oferecem os 'bretzel' aos homens", explica Max Nosbusch.

Os 'Bretzel' têm a forma dos 'Pretzel' alemães, um pão salgado em forma de nó, mas o vice-presidente da Federação dos Empresários de Panificação do Luxemburgo garante que doces, só no Grão-Ducado.

"O 'bretzel' é um bolo tradicional luxemburguês. Na Alemanha, fazem-no salgado. Somos os únicos a fazê-lo doce, com açúcar e amêndoas torradas", explica Max Nosbusch.

Na próxima terça-feira, o cortejo vai percorrer as ruas da capital com o comboio "Pétrusse Express" a partir das 13h30. O comboio sai da Câmara dos Deputados "sob a alta autoridade da Rainha da Breztel", pode ler-se no programa, e deverá passar na Grand Rue às 15h30, onde serão distribuídos bolos gratuitamente.

Texto: P.T.A.

Seca em Portugal: Pedido de ajuda a Bruxelas "já vem tarde"

Foto: Lusa
Agricultores e ambientalistas consideram que o pedido de ajuda que a ministra da Agricultura fez a Bruxelas por causa da seca “já vem tarde” e que o Governo devia tomar outras medidas.“Tendo em conta que a seca já vai no terceiro mês, podemos considerar que o pedido é tardio”, disse o dirigente da Confederação Nacional da Agricultura, João Dinis.

A ministra da Agricultura, Assunção Cristas, disse na quarta-feira que o Governo português já enviou “uma carta” para Bruxelas por causa da seca e dos seus efeitos na agricultura e a pedir para que sejam “accionadas” medidas. Em declarações à Lusa, João Dinis criticou também a “enorme falta de imaginação da senhora ministra”, que “não consegue ir além da rotina” da antecipação das ajudas aos agricultores.

Ana Sousa emprega 25 pessoas no Luxemburgo

A estilista Ana Sousa inaugurou ontem a sua terceira loja no Luxemburgo, criando mais seis postos de trabalho. As lojas Ana Sousa dão emprego a 25 pessoas
no país. No Grão-Ducado as lojas Ana Sousa já empregam 25 pessoas nas lojas de Esch, Ettelbruck e na nova loja na capital, no no 9, na rue de la Gare.

Com uma facturação de 42 milhões de euros em 2011, Ana Sousa quer alargar a sua rede de lojas. A estilista vê no Luxemburgo uma placa giratória para o comércio no centro da Europa e assume a aposta no país.

"A primeira loja que abri foi em Espanha e só depois em Portugal. Da mesma forma, aqui no Luxemburgo quisemos primeiro experimentar o mercado à volta da cidade do Luxemburgo e só agora achamos que era a altura ideal para chegarmos ao centro do Luxemburgo. É um país muito central na Europa e permite-nos ligações com países vizinhos", diz a criadora.

Sinal da aposta no Luxemburgo é a criação da empresa luxemburguesa Flor da Moda - Lux, filial do Grupo Ana Sousa, que vai ser responsável pela gestão das lojas Ana Sousa em todo o mercado da Europa Central.

Em 2011, o grupo Ana Sousa cresceu 6 % e o objectivo é continuar a facturar. "De momento estamos a procurar mercados emergentes como o Brasil, Rússia e Médio Oriente, que são mercados apetecíveis", diz João Sousa, administrador do grupo Ana Sousa, que tem 74 lojas em vários países.

Texto: HB, Fotos: Gerry Huberty

Luxemburgo: Ex-Comandos portugueses querem criar associação europeia

Foto: Ricardo Raminhos
Ricardo Raminhos Um grupo de ex-Comandos portugueses quer criar a Associação de Comandos Europeia. A ideia nasceu no Luxemburgo. O grupo de ex-Comandos portugueses no Luxemburgo conta já com 20 membros e reuniu-se no passado sábado em Differdange para um jantar-convívio. Tudo começou há dois anos, quando quatro ex-comandos de Differdange decidiram criar um grupo de comandos portugueses na rede social Facebook. Rapidamente outros ex-irmãos de armas os contactaram, não só do Luxemburgo, mas da Bélgica, França, Holanda e Suíça

No sábado lançaram as bases da Associação Europeia de Comandos. O Grão-Ducado deverá funcionar como “quartel-general” e o quarteto fundador propõe-se assumir a direcção da associação: Carlindo Amaral, presidente; José Fernandes, vice-presidente; Eurico Sabugueiro, tesoureiro e Henrique Montoito, secretário. O grupo quer que a associação tenha o aval de Lisboa, quer propor algumas alterações de estatutos e poder vir a ajudar veteranos de guerra em dificuldades financeiras.

Os Comandos portugueses foram criados em 1962 como grupos de intervenção rápida e contraguerrilhas para apoiar o exército português nos teatros de guerra. A 29 de Junho celebram 50 anos e o grupo do Luxemburgo vai estar presente nas comemorações em Lisboa.

Texto: Ricardo Raminhos

Luxemburgo: Feira de emprego decorre hoje na capital

Foto: Hans Giessen
O Moovijob, a feira do emprego, do recrutamento e das carreiras decorre hoje, entre as 9h e as 17h30, no LuxCongrès (4, place de l'Europe), na capital.

Uma centena de empresas de diversos sectores, entre eles a banca, contabilidade, comércio e distribuição, saúde, função pública e serviços têm a oferecer aos visitantes oportunidades de emprego e de formação profissional.

Ao longo do dia vai haver diversas conferências sobre temas como o trabalho transfronteiriço e palestras sobre assuntos como criação de empresas. A feira tem ainda um espaço onde os visitantes se podem informar sobre trabalhar no Luxemburgo.

A entrada é gratuita e a organização recomenda a pré-inscrição (http://tour-delux. moovijob.com).

Portuguesa "fura" filas do Consulado

Maria João Gomes passou três dias a tentar obter uma certidão de nascimento no Consulado de Portugal no Luxemburgo. Até descobrir como "furar" as filas...

"Eu precisava de uma certidão de nascimento para tratar dos papéis do divórcio", conta Maria João Gomes, funcionária europeia no Luxemburgo.

"Por isso fui ao Consulado. Cheguei por volta das 11 da manhã. Por cima das senhas, um aviso dizia: 'Esgotada a capacidade de atendimento'. Percebi que tinha de ir mais cedo. No dia seguinte cheguei por volta das 9h30, mas aconteceu a mesma coisa: já não dava para tirar senha", conta.

À terceira costuma ser de vez, mas Maria João voltou a não ter sorte. "No dia a seguir cheguei às 8h30 da manhã. A sala estava cheia, havia gente à espera na rua, e lá estava outra vez o papel a dizer: 'Esgotada a capacidade de atendimento'. Fiquei sem saber o que fazer: eu às 7h da manhã recuso-me a ir para o Consulado".

A conselho do advogado, Maria João Gomes decide então consultar o Portal do Cidadão. E descobre que pode pedir o documento pela internet. "Só tive de me inscrever no site. Criei um nome de utilizador e uma palavra-passe, paguei vinte euros com o cartão de crédito, e enviaram-me a certidão uma semana depois por correio".

O preço é o mesmo do Consulado, e se o documento for pedido por correio normal, o utente não paga custos de envio. Um alívio para a funcionária europeia, que recomenda o portal como alternativa para pedir documentos.

"Acho que se as pessoas soubessem que há esta possibilidade, muita gente faria isto, em vez de estar horas à espera nas bichas".

Portugal lançou em 2008 o Consulado Virtual, um sistema que deveria disponibilizar serviços pela internet. Mas o POINT24 sabe que o serviço não funciona. As duas máquinas que foram instaladas no Luxemburgo para o Consulado Virtual não funcionam, e os funcionários nunca receberam formação para poderem trabalhar com o equipamento.

Para evitar as filas à porta do Consulado, a única solução continua a ser o Portal do Cidadão (www.portaldocidadao.pt), que só disponibiliza alguns serviços.

Texto: P.T.A.

quarta-feira, 7 de março de 2012

CONTACTO: Destaques da edição de 7 de Março

O cônsul de Portugal no Luxemburgo não vai ser substituído. José Carvalho Meneses Rosa atinge o limite de idade e regressa a Lisboa no próximo mês. O futuro número dois da Embaixada de Portugal vai acumular as funções de cônsul.Um exclusivo CONTACTO para ler nesta edição.

Noventa e quatro portugueses já assinaram o Contrato de Acolhimento e Integração. Os números foram avançados ao CONTACTO pelo OLAI, no seguimento da primeira jornada de integração que teve lugar na Chambre de Commerce, no sábado.

 Michel Teló e Deolinda actuaram no Luxemburgo. O cantor brasileiro aqueceu a Rockhal enquanto que a voz de Ana Bacalhau conquistou o público na Philharmonie. Se perdeu um ou os dois concertos, não pode deixar de ler as reportagens na edição desta semana.

 No sábado, é dia de Festival Portugal Pop. Miguel Ângelo e Adelaide Ferreira são este ano os cabeças de cartaz do festival que tem como palco a Kulturfabrik, em Esch-sur-Alzette.

No desporto, Carlos Manuel, antigo jogador do Benfica, vai estar no Luxemburgo no sábado, na festa em que o Sport Luxemburgo e Benfica vai assinalar os seus 24 anos de existência.

Tudo isto e muito mais no CONTACTO, o primeiro jornal de língua portuguesa no Luxemburgo.  

Ainda não recebe o CONTACTO em casa?

Para receber o jornal gratuitamente (exclusivamente para residentes no Grão-Ducado), inscreva-se no site oficial do jornal em www.contacto.lu ou pelo tel. 4993-9393 (Departamento de Assinaturas).

segunda-feira, 5 de março de 2012

Yasmine Lima eleita Miss International Carnival Queen 2012

A luxemburguesa de origem cabo-verdiana Yasmine Lima, de 22 anos, foi eleita Miss International Carnival Queen 2012. A cerimónia juntou 20 candidatas e decorreu durante os festejos do Carnaval, na ilha de Curaçao, nas Antilhas.

"Na final, quando chamaram a candidata de Tenerife, pensei que era a vencedora. Fiquei feliz por ela e felicitei-a. Depois, ouvi o público a gritar 'Cabo Verde, Cabo Verde', e aí anunciaram o meu nome. Fiquei contente”, conta Yasmine.

Além deste título, Yasmine obteve os títulos de Miss Dancing Queen e Miss Simpatia, acumulando já sete títulos nas três provas em que participou.

"Na Jamaica e no Luxemburgo eu já tinha ganho o título Miss Simpatia. Mas agora em Curaçao, quando ganhei o título Miss Dancing Queen e o Miss Simpatia, para mim já estava tudo conseguido e não pensava ganhar mais nada. Mas ganhei! Foram três títulos e fiquei mesmo contente", diz, emocionada.

Como prémio, Yasmine recebeu 10 mil euros, uma taça Swarofsky e uma coroa com diamantes. No próximo ano, Yasmine vai regressar a Curaçao para entregar a coroa e acompanhar a vencedora da Miss Global Cabo Verde 2012 que vai representar o país. Garantida também está a viagem à Jamaica, mas para isso "vai assinar um contrato", porque esta segunda edição da Miss Global Cabo Verde vai ser "diferente”.

"Quero fazer as coisas de maneira diferente e séria e não posso repetir o erro da anterior directora [Natasha Bintz]."

A final da Miss Global Cabo Verde vai ser a 16 de Junho. As candidaturas foram alargadas até 25 de Março.  Texto: Henrique de Burgo

Inscrições para curso de Francês até 15 de Março

A associação Amizade Cabo-verdiana do Luxemburgo informa que se encontram ainda abertas as inscrições para o curso de francês A1.1, nível principiante.

As aulas começam no dia 1 de Março, mas as inscrições prolongam-se até dia 15 do mesmo mês. As aulas são ministradas todas as terças e quintas-feiras, entre as 19h e as 21h, na sede da associação Amizade Cabo-verdiana (19, Rue Michel Welter), na capital.

O preço do curso são 50 euros. Mais informações através do tel. 691 630 030 (Rúben Mendes).

domingo, 4 de março de 2012

Luxemburgo: Núcleo Sportinguista vai a Manchester

Foto: Lusa
O núcleo Sportinguista do Luxemburgo organiza dias 15, 16 e 17 de Março uma viagem a Manchester para o jogo da primeira mão da Liga Europa que o Sporting vai disputar frente ao City.
A partida está programada para Hahn, dia 15. As viagens de avião, hotel e bilhete para o jogo custam 150 euros. Reservas através do 661 815 634.

Igreja luxemburguesa promove "jejum automóvel"

Foto: Guy Jallay
O AutoFasten (jejum automóvel), que vai na oitava edição, decorre este ano a partir de hoje até 1 de Abril.

A ideia é desafiar os automobilistas a trocar o carro por um meio de transporte alternativo durante a Quaresma. O objectivo é levar os automobilistas a repensar os seus hábitos e o impacto no ambiente.

Esta acção transfronteiriça que antecede a Páscoa estende-se à Grande-Região. No Luxemburgo, a iniciativa é organizada pelo Conselho das Igrejas Cristãs do Grão-Ducado e é uma forma de as igrejas cristãs vincarem as alternativas ao automóvel: andar a pé, de bicicleta, de autocarro ou de comboio.

Este "jejum automóvel" é, portanto, uma renúncia e ao mesmo tempo uma escolha. "Com o AutoFasten, as pessoas vão estar conscientes da sua própria liberdade", disse o vigário-geral Erny Gillen.

No Luxemburgo esta iniciativa é apoiada por políticos, empresas de transportes públicos como os CFL, TICE, RGTR e AVL, e movimentos ecologistas como a Greenpeace.

"Podemos ter uma nova qualidade de vida se protegermos o clima", diz o coordenador Ingo Hanke, que relembra os resultados desta iniciativa nos últimos anos.

"Os resultados dos anos anteriores foram positivos. Muitos participantes tiveram a oportunidade de partilhar a sua experiência com colegas, ao andar de bicicleta ou a pé. São pequenos gestos, mas com resultados positivos”.

Para aqueles que não têm acesso aos transportes públicos, os organizadores propõem que se recorra ao car sharing (partilha automóvel entre várias pessoas).

Quem quiser participar, basta inscrever-se no site www.autofasten.lu , ficando habilitado a ganhar um dos muitos prémios, incluindo bilhetes de transporte gratuitos e bicicletas.

À margem do Autofasten, decorrem no Luxemburgo três conferências sobre as alterações climáticas.

A primeira incide sobre o carro eléctrico e vai ter lugar no dia 6 de Março, pelas 20h, na ErwuesseBildung (5, Avenue Marie Therese), na capital. No dia 16, pelas 19h e no dia 17, das 10h às 17h, Michael Habecker apresenta a conferência-debate "Um futuro ecológico e positivo", na Maison de la Nature, em Kockelscheuer. Finalmente, os biocombustíveis são o centro das discussões, a 21 de Março, das 12h às 14 horas, na Caritas (29, rue Michel Welter), na cidade do Luxemburgo.

Luxemburgo: "Casemates" reabrem ao público

As "Casemates do Bock" ("casamatas" em português, que quer dizer galerias subterrâneas) reabriram ao público na quinta-feira. Património mundial da Unesco desde 1994, as "casemates" são visitadas anualmente por mais de 100 mil pessoas, sendo a principal atracção turística do país. No séc. XV, quando foram construídas, estas galerias subterrâneas, com cerca de 23 kms de comprimento, eram utilizadas como meio de defesa dos ataques inimigos. As casemates podem ser vistas até final de Outubro. A entrada fica na Montée de Clausen, na capital.

Luxemburgo: "2 Days in New York" no festival Discovery Zone

O filme "2 Days in New York" é um dos destaques da segunda edição do "Discovery Days", festival de cinema da cidade do Luxemburgo, que decorre até 9 de Março. A comédia é uma continuação de "2 Dias em Paris" e conta com Brady Smith, Chris Rock e Julie Delpy. Da selecção oficial fazem parte ainda filmes como "Bellflower", "The Hunter", "Cairo 678", ou o drama iraniano "Mourning (Soog)". A programação é variada e conta com filmes para crianças, documentários, cinema nórdico, curtas-metragens e a secção "Hors les Murs". Os palcos do festival são a Cinemateca da cidade do Luxemburgo, os cinemas Utopolis e Utopia, o Cercle Cité e a sala do Théâtre Capucins. Os bilhetes custam 5 euros. Mais informações no portal do evento ( www.discoveryzone.lu).

Portugal: Despedimento colectivo duplica em Janeiro

O número de empresas que recorreram ao despedimento colectivo em Portugal quase duplicou em Janeiro deste ano, face ao mesmo mês de 2011, passando de 56 para 101 (+46,6 %). Como resultado, 871 trabalhadores ficaram no desemprego em Portugal continental. Segundo a Direcção-Geral do Emprego e das Relações de Trabalho (DGERT), ainda assim, as empresas conseguiram "segurar" 55 postos de trabalho em Janeiro deste ano, em relação aos 926 estimados no início dos respectivos processos de despedimento colectivo. O Norte foi a região mais afectada por estes processos, com 54 empresas a dispensar funcionários por despedimento colectivo.

No conjunto do ano passado, recorreram ao despedimento colectivo um total de 641 empresas, tendo sido despedidos 6.526 trabalhadores.

Portugal "alcança" Irlanda com 14,8% de desemprego

Foto: Lusa
Portugal alcançou a Irlanda com a terceira taxa de desemprego mais alta da União Europeia, ao registar uma subida para os 14,8 % em Janeiro deste ano, mais duas décimas que em Dezembro de 2011, diz o Eurostat.

O gabinete oficial de estatísticas da UE explica que, relativamente aos dados divulgados no mês passado referentes a Dezembro de 2011, reviu ontem em alta a taxa de desemprego em vários Estados-membros, tendo a revisão mais significativa sido a de Portugal, já que antes apontara para uma taxa de 13,6 % no último mês do ano, revista em alta em um ponto percentual.

O Eurostat indica que as revisões em alta se deveram sobretudo à inclusão, nos processos de cálculo, dos dados mais recentes do inquérito comunitário sobre as forças de trabalho, e da actualização das séries corrigidas de variações sazonais. Com estes dados actualizados e publicados ontem, apenas Espanha, com uma taxa de desemprego de 23,3 %, e a Grécia (19,9 %, dados que remontam a Novembro de 2011) apresentam valores mais elevados que Portugal, que igualou a Irlanda com uma taxa de 14,8 %, já que a taxa portuguesa subiu 0,2 por cento relativamente a Dezembro (14,6) e a irlandesa uma décima (era de 14,7).

Os resultados do Eurostat não são necessariamente iguais aos obtidos pelo Instituto Nacional de Estatística.

Ramos-Horta: "Qualquer um pode ser bom Presidente"

À Lusa, Ramos-Horta reafirmou que não fará apelos ao voto e garante que, se tiver de comparecer em algum evento de carácter político, social ou cultural, durante a campanha eleitoral, não haverá cartazes referentes à sua candidatura. "Não direi uma única palavra de apelo para votarem em mim. Pelo contrário, quase que tenho vindo a fazer campanha pelos outros candidatos".

Xanana Gusmão não apoia recandidatura de Ramos Horta

Nestas eleições o chefe de Estado timorense, ao contrário da votação há cinco anos, não conta com o apoio do Congresso Nacional da Reconstrução de Timor-Leste (CNRT, de Xanana Gusmão). Ramos Hortas diz no entanto que não gasta muito tempo a pensar no resultado das eleições, deixando em aberto o seu futuro político depois de 17 de Março. "Se eu não ganhar tenho muitas outras coisas para fazer na vida, no plano pessoal ou até no plano político. Quem sabe até não participo nas eleições legislativas de Junho apoiando um dos partidos. Levaria os meus votos e os meus apoiantes para esse partido que eu escolher apoiar", admitiu. Segundo o Presidente timorense, "alguns já ouviram esses zunzuns e estão muito interessados num possível apoio a um dos partidos que se vão digladiar para o parlamento nas eleições legislativas em Junho".

Ramos-Horta: "Se perco é uma grande lição de democracia"

Foto: Lusa
José Ramos-Horta não vai fazer campanha eleitoral para as presidenciais em Timor-Leste de 17 de Março.

O Presidente de Timor-Leste e candidato às presidenciais de 17 de Março, José Ramos-Horta, disse à agência Lusa que não vai fazer campanha eleitoral e considera que uma eventual derrota seria "uma grande lição de democracia para o país".

José Ramos-Horta afirma que decidiu avançar, no final de Janeiro, para as presidenciais, depois de uma petição nesse sentido, assinada por 120 mil pessoas, mas também pensa na possibilidade de perder. "O que mais pesou foi a petição", afirmou. "Também pensei: 'candidato-me e perco e é também uma grande lição de democracia no nosso país'. Faria um discurso de aceitação da derrota, de uma forma pedagógica, madura, equilibrada, serena. Será óptimo, é uma grande educação para o nosso país."

sábado, 3 de março de 2012

Cabo Verde goleia Madagáscar por 4-0

O seleccionador de Cabo Verde, Lúcio Antunes, tem motivos para sorrir
Cabo Verde alcançou esta quarta-feira uma vitória por 4-0 frente à congénere de Madagáscar. O jogo, a contar para a primeira mão da segunda eliminatória do Campeonato Africano das Nações 2013, foi disputado em Antananarivo. A vitória dos "Tubarões Azuis" começou a ser construída aos 11 minutos por Dady. Aos 39 minutos, Ryan colocou Cabo Verde a vencer por duas bolas a zero. Na etapa complementar, Varela, aos 77 minutos e Tony Varela, aos 87, confirmaram a vitória.

Alemanha: Schlecker despede quase 12 mil trabalhadores após falência

O gestor de falência da Schlecker, Arndt Geiwitz, diz que está "moderadamente optimista" quanto ao futuro da cadeia da loja alemã, considerando "necessário", no entanto, despedir 11.750 dos 25 mil trabalhadores para manter os negócios. A declaração de falência, que deu entrada nos tribunais em Janeiro, vai obrigar a Schlecker a encerrar 2.400 das 5.400 lojas espalhadas pela Alemanha, como já tinha sido anunciado por Geiwitz na quarta-feira.

"Lamentamos muito ter de despedir tanta gente, mas nenhuma empresa pode sobreviver permanentemente com prejuízos", explicou o gestor de falência.

A Schlecker apostou sobretudo nos baixos preços e perdeu a batalha para os principais concorrentes. Os prejuízos ascenderam a 200 milhões de euros em 2011. Nos anos anteriores, a cadeia já tinha tido prejuízos de dezenas de milhões de euros.

O principal problema da Schlecker, na opinião de Geiwitz, é a falta de competitividade no disputadíssimo mercado das cadeias de drogarias alemãs. Na opinião de numerosos analistas, a forma patriarcal como Anton Schlecker conduziu os destinos da empresa, aliada à falta de transparência e a graves erros de gestão, estiveram na origem da falência de um dos maiores impérios comerciais da Alemanha do pós-guerra.

As lojas Schlecker em Portugal e no Luxemburgo não vão ser afectadas.

Luxemburgo investe meio milhão de euros em Cabo Verde

O Luxemburgo assinou esta semana com Cabo Verde uma convenção de financiamento para um estudo sobre o desenvolvimento de estratégias de optimização energética, no valor de 500 mil euros.
 O estudo, a ser concretizado pelo instituto alemão Ifas, visa tornar operacional o estudo realizado em 2010 pela empresa portuguesa Martifer.
 As energias eólica, solar e geotérmica são as possibilidades identificadas em Cabo Verde. A convenção foi assinada pelo ministro das relações Exteriores cabo-verdiano, Jorge Borges, e pelo encarregado de negócios da Embaixada do Luxemburgo na cidade da Praia, Thierry Lippert. A iniciativa insere-se no III Programa Indicativo de Cooperação entre os dois países, assinado em Julho de 2010 para o período de 2011-15.

Português obrigado a traduzir passaporte no Brasil

A autoridade de viação do Rio de Janeiro pediu a um cidadão português para apresentar a tradução do passaporte para matricular o veículo.

"Disseram-me que era o trâmite normal quando se trata de um cidadão estrangeiro. Eu insisti que era a mesma língua, e inclusive trata-se de um passaporte europeu, que possui tradução em três idiomas", contou Frederico Roque de Pinho à Lusa.

O documento era exigido como identificação deste jornalista português, que pretendia apenas matricular o carro adquirido recentemente no Brasil. Face à impossibilidade de fazer uma tradução para a mesma língua, Frederico Roque de Pinho entregou apenas fotocópia autenticada do passaporte.

O português, que está no Rio de Janeiro para fazer um curso de MBA em Finanças, aguarda ainda para saber se as autoridades aceitam a fotocópia do documento.

Demissão de Cavaco chega à AR

Foto: Facebook/Wort
A petição 'online' que pede a demissão do Presidente da República e recolheu mais de 40 mil assinaturas vai ser entregue no Parlamento na quarta-feira da próxima semana, num acto "ordeiro e cívico".

Segundo o primeiro subscritor da petição "Pedido de demissão do Presidente da República", Nuno Luís Marreiros, a entrega nos serviços da Assembleia da República será feita às 10h, num "acto ordeiro, cívico, de entrega de um documento colectivo de cidadãos", que contará com a presença de membros do grupo entretanto criado, baptizado "Iniciativa Democrática".

De acordo com a lista de signatários, que pode ser consultada na internet, no link da petição 'online', até hoje já assinaram o documento 40.037 pessoas.

Vidro escuro do Azeite Gallo contestado no Brasil por racismo

Foto: Azeite Gallo
A marca de azeite portuguesa Gallo foi contestada no Brasil por causa de uma campanha de publicidade que tem por objectivo promover a sua nova embalagem em vidro escuro.

A frase em questão, que pode ser lida num anúncio impresso, diz: "O nosso azeite é rico. O vidro escuro é o segurança". A afirmação feita no anúncio envolve racismo, segundo a parte reclamante (cujo nome não foi revelado), que se dirigiu ao conselho que regulamenta a publicidade no Brasil, o Conar.
A detentora da marca Gallo, por seu lado, limitou-se a confirmar a existência do processo, acrescentando que não fará declarações até que o caso seja julgado. "O assunto está sob julgamento e não temos nada a declarar neste momento", afirmou a empresa numa nota enviada à Lusa.

Portugal: Número de licenciados a emigrar aumentou quase 50 %

Foto: Lusa
O número de licenciados desempregados que anulou a inscrição nos centros de emprego para emigrar subiu 49,5 % entre 2009 e 2011, de acordo com os registos do Instituto de Emprego e Formação Profissional.

O número de licenciados é reduzido face ao total de trabalhadores que decidiram emigrar, segundo os registos do IEFP, mas sugere que a opção pelo estrangeiro está cada vez mais em cima da mesa dos trabalhadores mais qualificados que se encontram numa situação de desemprego.

Em 2011, a emigração justificou o fim da inscrição de 1.893 desempregados licenciados (contra os 1.266 registados em 2009), de um total de 22.700 trabalhadores que deixaram de estar inscritos no IEFP porque decidiram aceitar ofertas de trabalho no estrangeiro.

Para Octávio Oliveira, presidente do IEFP, a saída de trabalhadores para o estrangeiro tem sido constante nos últimos anos e resultado de um mercado de trabalho cada vez mais globalizado. A divulgação de ofertas de emprego no espaço europeu e a cooperação dos serviços públicos de emprego tem aliás sido uma das prioridades na União Europeia, reforçou.

De acordo com os dados do instituto, a maioria dos desempregados que optam por emigrar têm entre 35 e 54 anos (55,2 por cento) e possuem habilitações escolares ao nível do ensino secundário (24,3 por cento).

Entre os grupos de profissões com mais trabalhadores a emigrar, estão os operários, artífices e trabalhadores similares (20,4 por cento do total), pessoal dos serviços de protecção e segurança (12,3 por cento) e os trabalhadores não qualificados dos serviços e comércio (10,5 por cento).

Seca está a desesperar agricultores no Alentejo

Foto: Lusa
Falta de pastagens para alimentar o gado, plantações de cereais "bastante comprometidas" e com risco de perdas totais e "despesas extras" para regar culturas de regadio são os efeitos da seca no Baixo Alentejo

No passado dia 10 de Fevereiro, durante uma reunião de agricultores em Beja, José da Luz, presidente da Associação de Agricultores do Campo Branco, que engloba os concelhos de Almodôvar, Aljustrel, Ourique e Castro Verde, disse que a situação nos campos da região "tem vindo a complicar-se" devido à seca.

Num ano em que "se semeou muito mais do que em qualquer outro" e devido à falta de chuva, "as primeiras sementeiras" da região "estão com grandes problemas" e as pastagens, necessárias para alimentar o gado, "praticamente não existem", frisou.

"Se não chover" em breve, poderá começar a ouvir-se o "toque de finados" (anúncio da morte) nos campos da região do Campo Branco, alertou na altura José da Luz. 

Elvas vai criar hortas comunitárias

Foto: Lusa
Uma horta comunitária para famílias carenciadas vai ser criada em Elvas num terreno de quatro hectares, dividido em 100 talhões.

O projecto é direccionado para famílias sem possibilidades económicas e para quem gosta de passar os seus momentos de lazer vivendo com a natureza, tratando a terra, e, se possível, os seus animais.

Portugal: Seca atinge todo o território

Mais de 30 % do território de Portugal continental está em situação de seca extrema e quase 70 % em seca severa, revelou ontem o Observatório de Secas do Instituto de Meteorologia.
Segundo aquele observatório, a situação de seca meteorológica teve um "agravamento grave” desde 15 de Fevereiro. Também a quantidade de água armazenada em 11 bacias hidrográficas de Portugal Continental desceu em Fevereiro.

Alentejo faz novena por causa da seca

Foto: Lusa
Por causa da seca, a população da Aldeia da Sete, no concelho de Castro Verde, está a pedir chuva a Deus e aos santos, através de uma novena que inclui preces e orações rezadas e cantadas à moda alentejana.

Através da novena "Cantes para pedir Chuva", que começou no domingo e decorre até segunda-feira, sempre a partir das 20h na capela da aldeia, homens e mulheres "unem vozes num sentido apelo" a Deus e aos santos, disse à Lusa Pedro Mestre, da organização.

"Devido ao facto de estarmos a passar uma fase já complicada de falta de chuva, o desespero tomou conta do povo" da aldeia, que, tal como aconteceu em 1990 e 2005, retomou a tradição antiga de "evocar os céus em momentos de aflição". Em cada encontro da novena, os participantes, para pedirem "a chuva, que tarda em cair", a Deus, à Virgem e aos santos da devoção, rezam e cantam, sob a forma de cantos alentejanos, preces e orações, as quais "o povo acredita que podem resultar", contou.

"Certo é que o povo acredita" e "fala-se que em 1990 resultou", já que, após terminar a novena, "choveu", contou Pedro Mestre, referindo que a população da aldeia espera que tal "aconteça também" este ano.

Embaixada de Cabo Verde vai estar amanhã no norte

Clara Delgado
A Embaixada de Cabo Verde no Luxemburgo informa que no próximo domingo, dia 4 de Março, a encarregada de Negócios, Clara Delgado, vai encontrar-se com a comunidade cabo-verdiana do Norte (Ettelbruck e arredores).

O encontro vai ter lugar no edifício "Hall du Deich", pelas 15h, e tem como objectivo auscultar as eventuais preocupações da comunidade cabo-verdiana.

sexta-feira, 2 de março de 2012

Michel Teló surpreendido com êxito mundial

Foto: M. Dias
"Nunca imaginei que uma música cantada em português tivesse tamanho sucesso na Europa. Quero aproveitar ao máximo este momento".Foi assim que Michel Teló resumiu ontem à tarde o seu êxito mundial, durante uma conferência de imprensa na Rockhal, a poucas horas de actuar na sala de espectáculos de Esch-Belval.

"Eu sei o quanto é difícil isto acontecer na vida de um artista", disse o músico brasileiro aos jornalistas. Para o cantor de "Ai se eu te Pego", o sucesso deve-se "à magia que a música tem, ao ritmo, à alegria e à coreografia". O cantor diz sentir-se muito acarinhado no velho continente. "Estou apaixonado pela Europa", confessou. À porta da Rockhal, horas antes do concerto, já havia fãs à espera. Cátia Rodrigues e o irmão, Hugo, já lá estavam desde as 15h30, à espera "de conseguir um bom lugar".

Texto: Irina Ferreira

Luxemburgo: Alunos do Liceu Michel Lucius apoiam associação portuguesa

Um grupo de alunos do Liceu Técnico Michel Lucius entregou um cheque de 2.055 euros à associação "Enfants du Soleil", uma associação presidida por duas imigrantes portuguesas no Luxemburgo.

O montante foi recolhido durante uma noite de solidariedade organizada pelos alunos, parte de um projecto escolar que integra o currículo do 12o ano de Comércio e Gestão.

A associação presidida por Sandra Vilela, que tem como vice-presidente Dores Borges (na foto, à dta), vai utilizar o donativo dos alunos para ajudar dois jovens, um que precisa de uma cedeira-de-rodas e outro de uma cama articulada.

Na foto vêem-se ainda os alunos Débora de Araújo Borges, Christophe Kohn, Adin Mujkic, Enja Jans e Laura Schenten.

Luxemburgo: Dexia muda de nome

O banco Dexia passou a chamar-se Banco Internacional do Luxemburgo (BIL) desde que foi vendido a um grupo de investidores do Qatar, em Outubro passado, mas só ontem é que as letras gigantes com o nome do banco foram removidas da fachada. Um trabalho que levou todo o dia aos trabalhadores que removeram as letras do edifício da capital.

Na Bélgica, onde o nome do banco passa a ser Belfius Banque et Assurances, funcionários removeram também esta semana o nome da fachada das agências. No Luxemburgo, a nova identidade visual do banco deverá ser decidida na próxima assembleia extraordinária do banco, dia 22 de Março.

Luxemburgo: Primeira jornada de orientação para imigrantes organizada amanhã

Foto: Serge Waldbillig
A primeira jornada de orientação para os imigrantes que assinaram um Contrato de Acolhimento e Integração (CAI) é já no sábado.

Organizada pelo Ministério da Família e da Integração e o Gabinete Luxemburguês de Acolhimento e de Integração (OLAI), a jornada informativa, que conta com a presença da ministra da Família, Marie-Josée Jacobs, arranca às 13h30 no centro de conferências da Câmara do Comércio do Luxemburgo, no Kirchberg (7, rue Alcide de Gasperi).

Desde que foi aprovado, o Contrato de Acolhimento e Integração já foi assinado por 371 estrangeiros, incluindo de nacionalidade portuguesa, soube o POINT24 junto de fonte próxima do OLAI.

O objectivo do CAI é favorecer a integração dos imigrantes. Os signatários comprometem-se a frequentar cursos de línguas, de instrução cívica e uma jornada de orientação.

A jornada conta com tradução simultânea para francês, inglês e português. Os participantes devem apresentar o cartão de signatário. Mais informações junto de Octávia Alves, do OLAI, pelo tel. 247 85 734.

Benfica e FC Porto lutam pela vitória no clássico da Luz

O Benfica recebe hoje, na Luz, o FC Porto. O clássico entre as duas equipas empatadas no 1° lugar está a suscitar grande expectativa. Do ponto de vista anímico, os portistas partem em vantagem depois de ter recuperado cinco pontos nas últimas jornadas.
O vencedor vai ganhar um impulso decisivo na luta pelo título, e o derrotado pode vir a sofrer as consequências da aproximação do Sporting de Braga, terceiro classificado, a três pontos de distância do duo da frente. Um empate vai deixar ainda mais em aberto a luta pelo campeonato nas nove jornadas que faltam. O público espera um jogo aberto, com as duas equipas a darem o seu melhor. O Sporting de Braga, que se desloca amanhã ao terreno do Nacional da Madeira, pode ser o grande beneficiado da jornada, caso vença na Choupana e se registe um empate na Luz.
O Vitória de Setúbal, depois da vitória em Aveiro, recebe amanhã o Sporting e vai tentar conquistar pontos aos leões, 100 % vitoriosos na era Sá Pinto. Domingo, disputam-se o Feirense - Académica, Gil Vicente - Paços de Ferreira e Rio Ave - Beira-Mar, encontros decisivos para as equipas da segunda metade da tabela. O Vitória de Guimarães recebe o Marítimo na tentativa de reduzir a desvantagem para os insulares, enquanto o Leiria recebe o Olhanense, segunda-feira.

Luxemburgo: 10 % dos carros vão ser eléctricos em 2020

Foto: Shutterstock
Os Ministérios da Economia e do Desenvolvimento Sustentável garantem que em 2020, no Luxemburgo, 10 % das viaturas vão ser eléctricas.

Para cumprir as metas de redução das emissões de CO2, o governo vai gastar 10 milhões de euros até 2020, em 850 postos de carregamento no país, para servir 40 mil veículos eléctricos.

Bolsas de estudo: Ministro luxemburguês bate o pé a Bruxelas

Foto: Serge Waldbillig
O ministro do Ensino Superior quebrou finalmente ontem o silêncio sobre a atribuição das bolsas de estudo, considerada discriminatória por Bruxelas. E confirmou "com firmeza a posição do Luxemburgo".

O caso das bolsas de estudo vai mesmo seguir para o Tribunal das Comunidades. Em comunicado divulgado ontem, o ministro do Ensino Superior confirma "com firmeza a posição do Luxemburgo" e defende a legislação considerada discriminatória por Bruxelas.

Na mira do Executivo comunitário está uma lei que limita a atribuição de bolsa aos residentes no país, vedando o acesso aos filhos dos trabalhadores que não vivem no país. Biltgen acusa a Comissão Europeia de "infantilizar" os estudantes.

"A Comissão Europeia, com esta posição, considera o aluno, qualquer que seja a sua idade, como 'filho' de um trabalhador; este princípio constitui uma infantilização dos estudantes que atingiram a maioridade", defende o ministro.

No parecer fundamentado enviado na segunda-feira, a Comissão Europeia dava ao Luxemburgo um prazo de dois meses para alterar a lei. Passado esse prazo, o caso segue para o Tribunal das Comunidades.

Texto: P.T.A.

Flauta Mágica de Mozart mostra-se no Luxemburgo

O studio d'opéra do Luxemburgo vai apresentar este fim-de-semana a Flauta Mágica de Mozart. Um espectáculo feito com recursos escassos mas que promete ser um êxito, garante
Filomena Domingues, responsável da organização.

O studio d'opéra do Luxemburgo é uma associação sem fins lucrativos que pretende produzir ópera no Luxemburgo. Uma organização que conta com a participação de artistas de várias nacionalidades e que tem à frente uma portuguesa. Filomena Domingues também canta, mas desta vez cabe-lhe a produção do espectáculo. "Temos quase cem pessoas envolvidas no espectáculo, entre solistas, coralistas e os músicos da orquestra que veio da Roménia". A orquestra é composta por alunos da Universidade de Timisoara, na Roménia. Filomena Domingues explica que a opção por estes músicos se prende com o facto de os custos serem muito mais baixos. "A orquestra é composta por alunos. Têm uma grande vantagem: já tinham muita experiência nesta ópera e porque nos sai muito mais barato".


A produção da "Flauta Magica" envolve um orçamento na ordem dos 40 mil euros. "É muito mais barato do que as produções estrangeiras que se apresentam aqui no Luxemburgo. Mas ainda estamos à espera da resposta de alguns mecenas". Este é o segundo espectáculo levado ao palco pelo studio d'opéra do Luxemburgo. No ano passado, estrearam-se em Esch sur Alzette. "Correu muito bem. Tivemos a sala sempre cheia e temos a certeza que 'A Flauta Mágica de Mozart' também vai ser. Nós não temos recursos financeiros, mas mesmo sem dinheiro é possível fazer coisas boas", garante Filomena.


A ópera de Mozart vai subir ao palco esta noite no castelo de Vianden e amanhã e domingo vai estar na abadia de Neumünster, na cidade do Luxemburgo. O espectáculo de sábado está praticamente esgotado, mas para domingo, às 17h, ainda há bilhetes.

DM

Luxemburgo: Médica portuguesa fala hoje sobre cancro da mama

Foto: M. Dias
No Luxemburgo, todos os dias é diagnosticado um caso de cancro da mama. A médica portuguesa Emanuelle Mendonça dá hoje uma conferência sobre como combater a doença, a principal causa de mortalidade entre as mulheres.

A médica portuguesa Emmanuelle Mendonça dá hoje às 14h30 uma conferência em português sobre as vantagens do exercício físico para combater o cancro da mama.

A conferência, que tem lugar em Oberfeulen, perto de Ettelbruck, na sala da terceira idade (2, Place de la Chapelle), aborda a importância do exercício físico, mesmo em pequenas doses, para combater o cancro da mama e aumentar a taxa de sobrevivência.

"A duração da actividade física a partir da qual os efeitos sobre a sobrevivência foram observados corresponde a 30 minutos de caminhada, quatro a cinco vezes por semana", explica a médica.

Emmanuelle Mendonça estudou no Lycée Michel Rodange, na cidade do Luxemburgo, antes de ingressar na Faculdade de Medicina da Universidade Católica de Louvain, na Bélgica. Actualmente, termina a especialização em ginecologia e obstetrícia nas Clínicas Universitárias Saint Luc.

A conferência é organizada pelo Clube Sénior de Ettelbruck e pela Associação Luxemburguesa de Grupos Desportivos Oncológicos (ALGSO). A entrada é gratuita.

Mais informações (em português) junto de Sónia Ferreira, mediadora intercultural, pelo telefone 46 08 08 415.

Luxemburgo não vai ratificar o ACTA

O Luxemburgo não vai ratificar o Acordo de Comércio Anti-contrafacção (ACTA), pelo menos para já.

Questionado ontem pelos Verdes, o ministro da Economia, Etienne Schneider, diz que o governo vai esperar que o Tribunal das Comunidades se pronuncie. É uma boa notícia para os activistas que há meses combatem o ACTA.

Ontem, o ministro da Economia do Luxemburgo esteve no Parlamento para responder a questões sobre o acordo, numa sessão pedida pelos Verdes, no mesmo dia em que o Parlamento Europeu recebeu uma queixa contra o texto. Etienne Schneider desvalorizou as críticas ao acordo, mas anunciou que o Luxemburgo não vai ratificar o texto antes de a União Europeia se pronunciar.

"A União Europeia vai provavelmente enviar o acordo ao Tribunal das Comunidades para verificar se não viola direitos fundamentais. O processo pode levar até dois anos. O governo propõe por isso não apresentar um projecto-lei para ratificação à Câmara dos Deputados, e esperar que o Tribunal [das Comunidades] se pronuncie", pode ler-se no portal do Parlamento luxemburguês.

O acordo, que já foi assinado por 23 países da UE, incluindo o Luxemburgo, prevê que os fornecedores de serviços de internet denunciem utilizadores suspeitos de violar direitos de autor, o que motivou protestos em todo o mundo por violação da liberdade de expressão e da privacidade.

Para entrar em vigor, o ACTA ainda tem de ser aprovado no Parlamento Europeu e ratificado por todos os países que o assinaram.

Luxemburgo: Feira "myenergy days" quer sensibilizar as pessoas para a poupança de energia

O salão "myenergy days", dedicado à renovação energética das habitações, decorre entre hoje e domingo na Luxexpo, no Kirchberg, na capital. O CONTACTO conversou com Daniela Arêde, responsável de comunicação do myenergy, que organiza o evento, para saber qual é a missão daquele organismo e a função da feira, que este ano vai na sua segunda edição. 

Daniela Arêde, responsável de comunicação do myenergy
CONTACTO: A segunda edição da feira "myenergy days" arranca hoje. Qual é o papel deste salão e qual é a missão do myenergy, o organismo que organiza o evento? 
Daniela Arêde: O myenergy é a estrutura nacional para o aconselhamento em energia que é subvencionado por dois ministérios, o da Economia e o do Desenvolvimento Sustentável e das Infra-estruturas. O myenergy oferece aconselhamento gratuito através de uma hotline (número gratuito), o 8002 11 90, para o qual as pessoas podem ligar para se informarem sobre métodos para economizar energia, sobre renovação energética em novas construções ou em edifícios antigos em fase de renovação ou sobre as subvenções do Estado nestes domínios. As pessoas podem marcar uma entrevista com um dos nossos conselheiros nas nossas instalações na cidade do Luxemburgo ou num dos nossos "infopoints" (que temos em colaboração com comunas ou sindicatos comunais), em vários pontos do país.

CONT.: E é um serviço permanente? 
D.A.: Não. Cada "infopoint" tem horários de funcionamento próprios, que podem ser consultados no nosso site em www.myenergyinfopoint.lu. O utilizador pode assim verificar se a comuna onde vive faz parte da rede de "infopoints" e marcar uma entrevista com um conselheiro myenergy.

CONT.: Qual é a importância e a função do salão "myenergy days"? 
 D.A.: A feira foi criada pelo myenergy, e a primeira edição decorreu no ano passado, em Maio. As razões para a sua criação são várias. O governo luxemburguês estabeleceu objectivos muito claros em termos ambientais: redução das emissões de dióxido de carbono e poupança de energia, principalmente na área da habitação, que tem um grande potencial no que toca à poupança de energia, isto porque o Luxemburgo tem muitas casas antigas que não obedecem, em termos energéticos, às regras actuais. O salão foi criado, por um lado, para ser precisamente o espaço onde as pessoas interessadas em renovar uma casa antiga podem obter aconselhamento energético junto dos especialistas da área e, por outro, para alertar as pessoas para a necessidade de pensarem na habitação que compram ou que renovam do ponto de vista energético.

CONT.: A população do Luxemburgo tem reagido positivamente à política energética do Governo luxemburguês, nomeadamente através da introdução do "passeport énergetique" (passaporte energético) para as habitações ou o CAR-e para os veículos amigos do ambiente? 
D.A.: Acho que as subvenções são um instrumento que funciona relativamente bem, mas aquilo que tentamos fazer é aconselhar as pessoas a fazer a melhor escolha no que toca à eficiência energética da habitação que querem comprar ou renovar. No entanto, o factor "custos" é aquele que mais importa ao comprador. As iniciativas que o Estado tem tomado não são poucas e entendo que as pessoas devem aproveitar enquanto podem porque em breve não vai haver orçamento para manter essas mesmas ajudas. Actualmente, a feira concentra-se na divulgação de informação sobre a poupança energética em habitações antigas e não nas novas construções. O que é importante para nós é que as pessoas saibam que o myenergy existe, que é um organismo de apoio para as pessoas que pensam renovar uma casa. É muito importante tomar as decisões mais adequadas do ponto de vista de poupança energética quando se renova uma casa antiga, e o myenergy pode encaminhar as pessoas.

CONT.: O myenergy tem um poder regulatório sobre as empresas do sector da energia no Luxemburgo ou o seu papel é apenas de aconselhamento independente? 
D.A.: O myenergy pode ajudar as pessoas a encontrar a empresa de serviços ou de venda de equipamentos que melhor se adequa ao projecto de renovação energética que têm em mente, e guiar os consumidores para que tomem a medida mais adequada e mais rentável. O nosso papel é ajudar os consumidores para que não estejam mal-informados.

CONT.: Quais são as questões a ter em conta quando se renova uma casa? 
D.A.: Aconselho as pessoas a telefonarem para a myenergy para a marcação de uma entrevista com um dos nossos conselheiros, com quem podem discutir o projecto de renovação, e que os pode aconselhar na escolha de serviços e produtos que há no mercado. Depois, quando decidem tomar uma medida concreta na sua casa e querem candidatar-se a um dos apoios do Estado, aconselho a que se dirijam a um arquitecto ou engenheiro que faça uma avaliação do projecto e que dê aconselhamento energético ("conseil en énergie"), sem o qual não podem candidatar-se a um apoio financeiro do Estado. A pessoa pode requerer um apoio financeiro tanto para o aconselhamento energético como para as medidas de optimização energética que decida aplicar na renovação da casa .

Entrevista conduzida por Irina Ferreira 
Fotos: I. Ferreira 

quinta-feira, 1 de março de 2012

"As pessoas é que transformam as canções em algo importante"

Ana Bacalhau, vocalista dos Deolinda, em entrevista/O grupo português actua na Philharmonie no domingo

Foto: Rita Carmo
Os Deolinda actuam pela segunda vez no Luxemburgo no próximo domingo, na Philharmonie, no Kirchberg, na cidade do Luxemburgo. Em entrevista ao CONTACTO, Ana Bacalhau fala sobre a carreira do grupo e dá uma boa notícia aos fãs do Luxemburgo: os Deolinda vão lançar um novo trabalho no próximo ano. 

 CONTACTO: Os Deolinda actuaram pela primeira vez no Luxemburgo em Outubro de 2010, no CNA (Centre National de l’Audiovisuel) em Dudelange. Regressam praticamente dois anos depois. Os Deolinda estão diferentes?
Ana Bacalhau: Sim, sem dúvida. Entretanto fizemos quatro noites nos Coliseus, em Lisboa e no Porto, tocámos muito por todo o mundo, aprendemos imenso acerca da nossa música e acerca de nós. Portanto, acho que estamos mais ricos enquanto pessoas e enquanto músicos e por isso acho que o espectáculo que vamos apresentar vai ser mais rico por isso mesmo: por causa daquilo que vivemos, viajámos e por aquilo que nos temos vindo a tornar, músicos melhores, espero. Aquilo que pretendemos é dar um concerto memorável para as pessoas que nos vão ver.

CONT.: Quando actuaram em Dudelange tinham acabado de lançar "Dois Selos e um Carimbo". Esperavam tamanho sucesso? 
A.B.: Nós, quando começámos, queríamos que as pessoas gostassem da nossa música. Nós fazemos música popular e por isso mesmo tem que chegar às pessoas, tem que ser popular. Tínhamos esse desejo mas não sabíamos se o íamos concretizar. Há sempre um factor que não é decidido pelos músicos, que é decidido pelas pessoas, e que foge ao nosso controlo. Não sabíamos se as pessoas iam gostar da nossa proposta. Graças a Deus gostaram e queremos continuar a chegar a cada vez mais pessoas.

CONT.: Havia uma grande expectativa em relação a este vosso segundo álbum. Acabou por ser o disco da consagração. 
A.B.: Havia sim e podia pensar-se que o sucesso do primeiro disco [n.d.R.: "Canção ao Lado”, de 2008] foi uma questão de sorte, um mero acaso. A única coisa que podíamos fazer nessa altura era continuar a produzir música, música com qualidade, com personalidade e foi o que fizemos. E correu bem! [risos]

CONT.: Pegando no que diz, de quem fazem música com personalidade, aproveito para lhe perguntar: como define a música dos Deolinda? 
A.B.: A melhor maneira de a definir é como música popular portuguesa, que é um território muito vasto, e nós sofremos influências desde a canção de autor à canção popular, ao fado, mas depois, fora da música popular portuguesa, ouvem-se claras influências, acho eu, de músicas de outros países, do rock, do jazz, dos blues, música clássica, que é a formação de alguns dos membros dos Deolinda. Se tiver que classificar a nossa música, acho que o mais correcto é música popular portuguesa.

CONT.: Uma característica constante ao longo da carreira dos Deolinda é a ligação com o público, com os fãs, uma afinidade que se estabelece entre o grupo e as pessoas. Será essa a chave do vosso sucesso? 
A.B.: Não tem muito sentido para nós fazermos isto sem as pessoas. Até pelo nosso carácter, evidentemente, e também porque queremos incluir as pessoas. Foi sempre claro para nós, desde o início, que no fim dos concertos queríamos estar com as pessoas, queríamos perceber se gostaram, se não gostaram e porquê, saber a opinião delas. Tem sido uma constante na nossa carreira e, claro, é muito bom para nós, porque recebemos um feedback imediato. É mesmo importante.

CONT: Os Deolinda estão actualmente a trabalhar num novo álbum, que deverá ser lançado no próximo ano. O que pode dizer-nos sobre este novo trabalho?
A.B.: É verdade, contamos lançar o novo disco em 2013. Este ano temos estado a trabalhar nas canções novas, nos arranjos e depois com calma, no início de 2013, lançamos o novo disco.

CONT.: Vai ser um trabalho na linha dos anteriores? 
A.B.: Ainda não consigo dizer que tipo de disco é que temos. Ainda estamos na fase de arranjar as músicas, de encontrar caminhos para as guitarras, para o contrabaixo e para a voz… quer dizer, ainda não conseguimos ter uma noção do conjunto, mas acredito que o carácter está lá. Como sinto que evoluímos enquanto músicos e enquanto pessoas, acho que neste terceiro disco não nos queremos repetir, porque já não estamos no "Dois Selos e um Carimbo", avançámos um bocadinho .

CONT.: Foi há um ano sensivelmente que tocaram "Parva que Sou" no Coliseu do Porto. A canção teve um sucesso inesperado e fez dos Deolinda o porta-estandarte do descontentamento da chamada "Geração à rasca". Como é que essa música vos mudou, como é que mudou a vossa carreira? 
A.B.: A canção foi muito importante para muitas pessoas e também para nós, músicos. Em primeiro lugar, porque foi um momento que nós vivemos nos Coliseus que foi perfeitamente excepcional na nossa vida. A interpretação daquela canção extravasou a própria música, foi um verdadeiro momento de comunhão entre as pessoas, e depois o debate que a canção lançou, ou que ajudou a lançar, a forma como a mensagem levou muitas a pessoas a querer fazer ouvir a sua voz, a juntar-se, a manifestar-se, a mostrar que não estavam contentes, foi mesmo muito importante para nós. Sempre achámos que, enquanto cidadãos, devíamos participar activamente na vida social e comunitária e fazemo-lo publicamente através das nossas canções. Foi muito importante para nós ver que a canção teve o poder de incentivar as pessoas a mobilizarem-se no exercício da sua cidadania. Em segundo lugar, a canção mostra um lado nosso que até aí não tínhamos mostrado com tanta contundência, ou seja, algumas das nossas canções que têm um cariz crítico, interventivo como "Movimento Perpétuo Associativo" e "A Problemática Colocação de um Mastro", têm algum tipo de humor ou de ironia. Acontece que "Parva que Sou” não tinha, era crua. Esta não recorre ao humor, logo torna-se mais dura. A música fez com que o público se apercebesse de que nós não recorremos ao humor para fazer passar a nossa mensagem e mostrou uma faceta nossa que, até aquela altura, era desconhecida do público.

Foto: Rita Carmo
CONT.: Esperavam que a canção tivesse tamanho impacto na vida das pessoas, que fosse objecto de tanto interesse por parte da comunicação social? 
A.B.: As pessoas é que transformam as canções em algo importante. Portanto, tudo isso resultou da vontade das pessoas em discutir aquele assunto numa altura em que as pessoas estavam descontentes e foi uma forma de esse assunto ser discutido. A canção foi depois utilizada a nível político para vários objectivos mas o que foi importante para nós foi a reacção das pessoas à canção. O que é importante para nós é saber que as pessoas percebem a canção. Se os políticos não percebem, isso já nos ultrapassa! [gargalhadas].

CONT.: Portugal vive um momento difícil com as medidas de austeridade impostas pela troika, há descontentamento social, as pessoas vivem com mais dificuldade. Como é que os Deolinda encaram o que se passa em Portugal?
A.B.: Aquilo que vemos em Portugal é que começamos a sentir as consequências das medidas que foram tomadas e que são, de facto, muito severas e que vão causar muitas dificuldades às pessoas. Estamos numa altura em tudo é questionado, inclusivé se estas medidas vão resolver efectivamente os nossos problemas a médio e longo prazo. Vemos à nossa volta as pessoas cada vez com mais dificuldades. É, de facto, um momento complicado e difícil para a vida do país.

CONT.: Acha que a música que os Deolinda fazem pode servir um pouco de paliativo para todos esses problemas? 
A.B.: [risos] A música pode servir, por um lado, para que as pessoas se esqueçam dos seus problemas e pode servir, por outro, para que se lembrem deles e que ajam sobre esses mesmos problemas. Por isso é que ela é importante e por isso é que as pessoas não conseguem viver sem música, e o mesmo se aplica a outras artes. A arte é importante para a vida do ser humano. E ao contrário do que se pensa, que a arte não dá de comer nem de beber, mas alimenta! Alimenta a nossa alma, por isso nós precisamos dela. Eu estou em crer que era muito bom sentir isso, que as pessoas pensassem que a nossa música era precisa para se fortalecerem nas suas vidas. Era muito bom sentir isso.

CONT.: Voltando ao início da nossa conversa e à vossa actuação no Luxemburgo em 2010, quais são as vossas expectativas para este concerto na Philharmonie a 4 de Março? 
A.B.: Em primeiro lugar, é dar o melhor concerto possível. Em segundo, é conquistar mais público, fazer com que as pessoas que nos vão ver continuem a falar de nós, que falem de nós aos amigos, que queiram ver-nos de novo e que fiquem entusiasmadas e tocadas pela nossa música. É esse o nosso objectivo. É também conhecer a cultura dos sítios onde vamos, estabelecermos uma ligação com as pessoas.

O concerto dos Deolinda na Philharmonie não está esgotado. Ainda há bilhetes a 35 e a 45 euros. Informações e reservas pelo tel. 26 32 26 32. 

Entrevista conduzida por Irina Ferreira

Luxemburgo: Tribunal dá razão a Miss Global Cabo Verde - Ex-directora do concurso condenada

Natasha Bintz     Foto: M. Dias
O Tribunal do Luxemburgo condenou a ex-directora do concurso Miss Global Cabo Verde, Natascha Bintz, a pagar os prémios em falta à vencedora do concurso, Yasmine Lima. A luxemburguesa prometeu à vencedora do concurso os bilhetes de avião até à Jamaica para representar Cabo Verde no evento internacional, mas na hora da viagem, as despesas ficaram por conta de Yasmine Lima.

O Tribunal deu como provado a falta de pagamento do prémio, tal como aconteceu dias antes da deslocação a Montego Bay, na Jamaica, em meados de Setembro de 2011.

"Natascha Bintz confirmou a viagem de Yasmine Lima até à Jamaica. A citada, à última da hora, alterou o seu compromisso [...], o que obrigou Yasmine Lima a viajar pelos seus próprios meios", pode ler-se no acórdão. Natascha Bintz organizou no ano passado a primeira edição da Miss Global Cabo Verde e foi agora condenada a pagar o valor da viagem.

O tribunal condenou também a ex-directora do concurso a pagar os gastos de representação efectuados por Yasmine Lima na Jamaica, assim como as taxas de juro, as custas judiciais do processo e os honorários do advogado da queixosa.

"Fiquei contente com o resultado do Tribunal. Ela [Natascha Bintz] dizia que queria fazer algo pelos cabo-verdianos, mas não compreendi o que ela queria fazer. Fica aqui uma prova de que os cabo-verdianos não se deixam pisar", disse Yasmine ao CONTACTO.

Yasmine Lima venceu o concurso Miss Global Cabo Verde a 18 de Junho de 2011, no Luxemburgo. Depois, a 24 de Setembro, ficou em terceiro lugar no concurso Miss Global International, na Jamaica.

Texto: Henrique de Burgo

Luxemburgo: Atribuição de bolsas de estudo e abonos de família "é discriminatória", diz a Comissão Europeia

Foto: Marc Wilwert
A Comissão Europeia exigiu na segunda-feira que o Luxemburgo "ponha fim à discriminação" na atribuição de bolsas de estudo e de abonos de família. Na mira do Executivo comunitário está uma lei de 2010 que limita a atribuição de bolsa aos residentes no país. A situação afecta sobretudo os trabalhadores fronteiriços, que combatem a lei há quase dois anos. Mas há portugueses a viver no Luxemburgo que também são vítimas desta lei considerada discriminatória por Bruxelas.

Os fronteiriços estão mais perto da vitória na batalha para obter bolsas de estudo, depois de a Comissão Europeia ter exigido na segunda-feira que o Luxemburgo "ponha fim à discriminação" na atribuição destes subsídios.
Desde 2010 que o Luxemburgo exige que os estudantes vivam no país para poderem obter bolsas de estudo. Uma exigência que exclui os trabalhadores fronteiriços, mas não só. Que o diga Renato Ruivo, a viver no Grão-Ducado há quatro anos. "Eu vivo no Luxemburgo, não sou fronteiriço, mas tenho exactamente o mesmo problema", conta o imigrante português.

Quando chegou ao Luxemburgo, em 2008, a lei era diferente. Divorciado, Renato Ruivo ficou com o poder paternal das filhas. A mãe nunca pagou a pensão de alimentos a que o tribunal a condenou, e Renato teve de emigrar para poder sustentar as filhas. Apesar de não viverem no Luxemburgo, as duas filhas, na altura com 17 e 20 anos, recebiam os abonos de família do Grão-Ducado. A mais velha começou nesse ano a estudar em Londres, a mais nova ficou a viver com a avó em Portugal, para acabar o ensino secundário.

"A minha maior dificuldade é não ter estudos", explica Renato, que tem o 8o ano do liceu, "e eu tinha que manter as minhas filhas a estudar. É por isso que eu cá estou, para poder pagar-lhes os estudos". Nos primeiros dois anos, ao abrigo da antiga lei, as filhas receberam sempre os abonos de família. "Receberam sempre tudo direitinho, e deu para a Andreia, a minha filha mais velha, continuar a estudar em Londres. As minhas filhas viviam com aquele dinheiro", conta Renato.

As coisas mudaram em 2010, quando ainda faltava um ano para Andreia acabar o curso de "Business e Marketing" na Universidade de Westminster. É nessa altura que a lei muda. A nova lei limita os abonos de família até aos 18 anos, quando até aí o abono era pago enquanto o aluno fizesse prova de que continuava a estudar. A partir dos 18 anos, o aluno deixa de receber esse subsídio e tem de pedir uma bolsa se quiser prosseguir os estudos. Mas para isso é preciso provar que vive no Luxemburgo.

Andreia é uma das melhores alunas do curso que frequenta em Inglaterra, mas mesmo assim não consegue obter a bolsa.
"No CEDIES [Centro de Documentação e de Informação sobre o Ensino Superior] disseram-me: 'Ela não reside no Luxemburgo, não tem direito'. A lei diz que ela tem de residir no Luxemburgo, apesar de fazer parte do meu agregado familiar e de depender de mim para viver. E contra isto, batatas!".
Resultado: Andreia "fez o último ano lectivo sem receber nada", insurge-se Renato. "Ela queria continuar a estudar e fazer mestrado, mas o problema é o dinheiro", lamenta o pai.
É por isso que o imigrante português não perde uma notícia sobre o processo que opõe os trabalhadores fronteiriços ao Estado luxemburguês. Porque o desenlace, quando chegar, também o afecta.

Contactada por este jornal, a responsável do CEDIES, Dominique Faber, recusa comentar o caso. Mas sempre diz que "a lei é clara: o apoio financeiro é atribuído ao estudante, não aos pais. E a lei luxemburguesa sujeita a atribuição da bolsa à condição de residência [do aluno] no país".

LEI VIOLA DIREITO COMUNITÁRIO

É esta lei que está agora na mira da Comissão Europeia. Na segunda-feira, o Executivo comunitário instou o Luxemburgo "a pôr fim à discriminação dos trabalhadores migrantes e dos membros das suas famílias na atribuição de bolsas de estudo e dos abonos de família". E deu dois meses ao Grão-Ducado para alterar a situação. Passado esse prazo, a Comissão Europeia vai mesmo levar o caso ao Tribunal Europeu das Comunidades.

A Comissão considera que limitar o financiamento de estudos superiores aos residentes no país "lesa sobretudo os trabalhadores migrantes originários de outros Estados-membros". O que "constitui uma forma de discriminação indirecta baseada na nacionalidade e viola a legislação europeia sobre a livre circulação dos trabalhadores", acusa o Executivo comunitário.

Uma tese defendida há quase dois anos pelos sindicatos luxemburgueses, que apresentaram queixa junto da Comissão Europeia em 2010.

"O Governo acabou com os abonos de família depois dos 18 anos e integrou-os nas bolsas. Segundo a lógica do Governo, os filhos dos trabalhadores fronteiriços não têm direito a estas bolsas, apesar de os pais pagarem impostos no Luxemburgo. É toda uma lógica para excluir os fronteiriços, com o Governo a criar cada vez mais apoios sociais ligados à condição de residência", acusa Mil Lorang, responsável do departamento de comunicação da OGB-L.

 Agora, o sindicato exige que o Luxemburgo não espere pelo fim do prazo para obedecer a Bruxelas. "Em vez de continuar a teimar e arriscar uma condenação no Tribunal de Justiça das Comunidades, o governo devia finalmente admitir que a lei de 26 de Julho de 2010 é um erro jurídico e político, que convém rectificar o mais rapidamente possível", insta a central sindical em comunicado. Mas Mil Lorang teme que o aviso da Comissão não chegue para forçar o governo a alterar a lei.

"Tenho a impressão que o Governo não vai fazer nada", disse o sindicalista ao CONTACTO. "Isto pode demorar mais um ou dois anos, se o caso chegar a tribunal. No entretanto, os fronteiriços não recebem nada. Mas depois [de o Tribunal condenar o Luxemburgo], podem fazer valer os seus direitos, nomeadamente os que apresentaram recurso", explica. À espera fica também Renato Ruivo, que vai consultar um advogado para recorrer da decisão que tem impedido a filha mais velha de receber bolsa de estudos.

Texto: Paula Telo Alves