sexta-feira, 23 de março de 2012

Luxemburgo: Museus gratuitos até domingo

Foto: Serge Waldebillig
Os museus no Luxemburgo abrem hoje as portas para três dias de visitas gratuitas que se prolongam até domingo. Três dias para poder visitar a maioria dos museus do país sem ter de pagar bilhete. Colecções permanentes e exposições temporárias, visitas guiadas e oficinas, encontros com artistas, actividades lúdicas para os mais pequenos, são algumas das propostas para o fim-de-semana.

Esta é a 15a edição da iniciativa, baptizada "Invitation aux Musées" ("Convite aos Museus"). O evento, organizado pelo grupo de museus da cidade do Luxemburgo ("Statermuséeën"), estende-se este ano pela terceira vez ao resto do país.

O programa completo pode ser consultado em www.statermuseeen.lu , na internet. Ali pode consultar as localidades e museus que aderem à iniciativa.

Lojas do Cidadão: Governo português estuda possibilidade de usar patrocínios

O Governo estuda a hipótese de as lojas do cidadão usarem o nome da empresa privada que as patrocinaria, como já aconteceu no metropolitano de Lisboa, admitiu ontem o secretário de Estado com esta tutela, Feliciano Barreiras Duarte.

Segundo o secretário de Estado Adjunto do Ministro Adjunto e dos Assuntos Parlamentares, está a ser discutido pela tutela o " branding das lojas do cidadão".

"Não vemos razão para que não se possa acrescentar ao nome de uma loja do cidadão o de uma marca de um privado, à semelhança do que já acontece noutras situações em Portugal e no mundo", afirmou o governante, na conferência "Por uma Administração Pública em Tempo Real - Interoperabilidade e desmaterialização de processos administrativos ao serviço do país".

Festival Afrika arranca este fim-de-semana em Esch/Alzette

Foto: Marc Lazzarini
O ritmo das vibrações africanas está de volta a Esch/Alzette, este fim-de-semana, com o Festival Afrika. Depois do sucesso do ano passado, a Kulturfabrik apresenta como cabeças-de-cartaz dois artistas da África Ocidental.

Oumarou Bambara (do Burkina Faso) actua com a sua banda Kankélé hoje à noite na Kulturfabrik, pelas 22h. Fundado em 1998, o grupo Kankélé destaca-se pelos sons rítmicos do balafon, instrumento de percussão parecido com um xilofone. Amanhã, vai ser a vez de o costa-marfinense Anoï Hugues e o seu grupo Wouissa conquistarem o público luxemburguês. Anoï Hugues, residente em França, é um artista multidisciplinar que combina a dança, a coreografia, o canto e a percussão.

Ainda este fim-de-semana, sobem ainda ao palco nomes como Tebby Ramasike ou Mostafa Zrika.

PS estranha inquérito crime só a ex-ministros de Sócrates

Foto: Lusa
O líder parlamentar do PS, Carlos Zorrinho (foto), considerou ontem "estranho" o momento escolhido pela Procuradoria-Geral da República (PGR) para abrir um inquérito crime a ex-ministros de José Sócrates por alegados procedimentos ilegais no pagamento de despesas.

Depois de confrontado com a decisão da PGR face à queixa apresentada pela Associação Sindical dos Juízes Portugueses contra 14 ministros do anterior Governo liderado por José Sócrates, Zorrinho reagiu: "Considera estranho o timing da iniciativa e também estranho que esta iniciativa seja tomada exclusivamente em relação a um Governo em particular [de José Sócrates].
 Mas, cabe à justiça apurar os factos, e os factos que forem apurados devem ser revelados", frisou Zorrinho.

Emigração em Portugal em 2011 aproximou-se da registada nos anos 60 e 70

Os números da emigração em Portugal, no ano passado, aproximam-se dos picos registados nas década de 60 e 70 do século passado.

O Diário de Notícias revela que em 2011 sairam do país, para trabalhar, 150 mil portugueses. Nos últimos 5 anos, foram meio milhão de pessoas a procurar emprego fora do país.

Além dos destinos tradicionais como França, destacam-se agora outros países como Angola, Brasil e Inglaterra.

A par da construção civil, que continua a ser um dos sectores de maior trabalho para os emigrantes, o país tem assistido a uma nova vaga de emigração entre os jovens licenciados.

Portugal: "Paralisação não resolve problemas do país"

Foto: Lusa
O Governo remeteu ontem para o final do mês um balanço da greve geral nos serviços do Estado, mas sublinhou a "sensação" de que a esmagadora maioria dos portugueses entende que a paralisação não resolve os problemas do país.

"O entendimento do Governo é que a greve convocada pela CGTP é uma greve que nas actuais circunstâncias do país pouco resolverá relativamente aos problemas do país. Pelo contrário, não ajudará a resolver os problemas do país. A sensação que temos é que a esmagadora maioria dos portugueses tem exactamente essa noção também", afirmou o secretário de Estado da Presidência do Conselho de Ministros, Luís Marques Guedes (foto).

"Contudo, ressalvou, a greve é um direito e será sempre integralmente respeitado pelo Governo".

Luxemburgo: "Les Fameux Gars" estreia hoje com Nilton Martins

Nilton Martins volta aos filmes de El Assal
A primeira longa-metragem do realizador luxemburguês Adolf El Assal, "Les Fameux Gars", estreia hoje, e conta com a participação do português Nilton Martins.

"Les Fameux Gars" conta a história de Steve, um aluno de uma turma luxemburguesa que descobre que a sua escola ganhou uma viagem a Alcabideche, em Portugal. Steve fica eufórico, já que é uma oportunidade para visitar o seu país natal. Uma vez lá chegado, Steve decide passar lá as suas férias. O filme, rodado no Luxemburgo, conta com a participação do actor de origem portuguesa Nilton Martins, que tem um papel secundário. O restante elenco é composto por Caty Baccega, Jean-François Wolff, Gilles Soeder, Dieudonné Kabongo e pelos rappers luxemburgueses Godié, Nytt, Taipan, Cico e Last’Ar. "Les Fameux Gars" pode ser visto a partir de hoje no Utopolis e no CinéBelval.


Luxemburgo: "The Last Virgin" satiriza os fundamentalismos religiosos

Foto: TNL
"The Last Virgin" é uma sátira desempoeirada sobre os fundamentalismos religiosos, o conflito israelo-palestiniano e é também uma crítica mordaz aos preconceitos raciais. A peça de teatro, em língua inglesa, estreou nos Ateliers do Thêatre National du Luxembourg (TNL), na sexta-feira, com lotação esgotada.

Um judeu, um muçulmano e um católico num bar protagonizam um jogo de enganos no qual assenta o carácter satírico de "The Last Virgin" ("A Última Virgem"), a peça de teatro do escritor e jornalista israelita Tuvia Tenenbom, que estreou na sexta-feira nos Ateliers do Thêatre National du Luxembourg (TNL), na capital.

Cada um dos três homens faz-se passar por quem não é e, neste jogo de enganos, desconstroem-se estereótipos relacionados com o conflito israelo-palestiniano e é feita uma crítica feroz e bem-humorada aos fundamentalismos religiosos.

Nesta comédia desempoeirada fala-se de bombistas suicidas, do paraíso islâmico e dos costumes judaicos. Nenhuma das três religiões – islamismo, judaísmo e catolicismo – é poupada e a peça constrói-se sobre o peso dos clichés associados a cada uma delas.

As três personagens masculinas, muçulmanas (se o espectador se fiar nas aparências), confrontam-se ao longo da peça através de uma luta ideológico-política que assenta na desconstrução de estereótipos.

A virgem, aquela que dá o nome à peça, é um fantasma sedutor que assombra os três homens e que tudo faz para os seduzir. Neste jogo de manipulações, a mulher, Fátima, aparenta ser presa fácil às congeminações engendradas pelos três homens; cada um parece ter propósitos nada claros em relação a ela.

O Muro das Lamentações, o local mais sagrado do judaísmo, serve de rastilho a todos os complots magicados pelas três personagens masculinas. Os três homens querem destruir o Muro. Se aquele local de oração desaparecesse da cidade de Jerusalém, os judeus deixariam de ter razões para continuar na Terra Santa e voltariam para a sua cidade-natal, Nova Iorque. Mas como fazê-lo? Fátima é, aos olhos de todos, a escolha evidente. Uma virgem judia que, num atentado bombista suicida, fizesse explodir o local mais sagrado do judaísmo, seria considerada um símbolo da luta palestiniana para a libertação da Terra Santa da invasão israelita. A partir daí, e em resultado dos jogos de influência que interligam as personagens numa rede crescente de enganos, nada corre conforme o previsto.

Foto: TNL
 "The Last Virgin" é encenada por Anne Simon e é da autoria de Tuvia Tenenbom. Tenenbom é fundador do The Jewish Theater of New York (Teatro Judeu de Nova Iorque). O jornal New York Times descreveu a obra teatral de Tenenbom como "irresistivelmente fascinante, sedutora e envolvente". A peça é protagonizada por Arash H. Marandi, Leila Anaïs Schaus, Raoul Schlechter e Milton Welsh.

"The Last Virgin" tem sido encenada nos Estados Unidos e na Europa nos últimos 10 anos. A peça foi primeiro encenada nos Estados Unidos, no Teatro Judeu de Nova Iorque, e recebeu rasgados elogios por parte dos críticos de teatro norte-americanos.

O Teatro Judeu de Nova Iorque, fundado em 1994, foi considerado o teatro judeu mais inovador do mundo pelo jornal italiano Corriere della Sera e é o único teatro judeu de língua inglesa em Nova Iorque.

A peça sobe hoje ao palco às 20h. Há ainda mais três actuações, nos dias 23, 29 e 30 de Março, sempre às 20h. Os bilhetes custam 20 euros e podem ser comprados através do site de internet do TNL
(http://www.tnl.lu/fr/index.php).

Texto: Irina Ferreira

PCP Emigração vai estar no Luxemburgo

A responsável pelo sector da emigração do PCP, Rosa Rabiais, vai estar no Luxemburgo para o 91o aniversário do partido, dia 1 de Abril. O PCP organiza um almoço no Café do Benfica em Dudelange. Inscrições pelo tel. 621 540 393.

Luxemburgo recebe sindicalistas lusos

O Luxemburgo vai receber o terceiro encontro de sindicalistas, conselheiros e dirigentes associativos das comunidades lusófonas da Europa. Organizado pela CGTP e OGB-L, o encontro, em que participam as centrais sindicais dos países da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), está marcado para 18, 19 e 20 de Maio, em Remich.

Luxemburgo: Cinco mil professores contra reforma da Educação

Fotos: Marc Wilwert
Entre três mil e cinco mil professores protestaram ontem no Luxemburgo contra a reforma do ensino secundário e da função pública.

O anúncio do adiamento da reforma durante um ano, feito por Mady Delvaux-Stehres na segunda-feira, não demoveu os sindicatos dos professores, que organizaram uma das maiores manifestações sectoriais jamais vistas no Grão-Ducado.

"É uma das maiores manifestação do Luxemburgo, sobretudo tendo em conta que é apenas um sector", regozija-se Eduardo Dias, da OGB-L. "Até a Polícia diz que são entre três e cinco mil manifestantes, o que equivale a mais de 50 por cento dos professores que trabalham no Luxemburgo", frisa o sindicalista.

Para Eduardo Dias, o protesto prova que a ministra tem de ouvir os professores.

"Mady Delvaux-Stehres tem de rever os papéis que tem em mãos e ter em conta o parecer dos professores, um dos principais intervenientes no processo educativo. A ministra não pode fazer a reforma contra os professores".


"Situação no Consulado é insustentável", acusa Pisco

Foto: Álvaro Cruz
O deputado socialista Paulo Pisco questionou o Governo sobre a precariedade no funcionamento do Consulado de Portugal no Luxemburgo, agravado pelo aumento do trabalho no posto consular e pela redução dos funcionários.

Paulo Pisco quer saber se o executivo tem consciência da "situação insustentável" no Consulado de Portugal no Luxemburgo e se está disponível para dotar o Consulado dos meios humanos e materiais adequados para responder às necessidades, e ainda se tem consciência da forma como a imagem de Portugal está a degradar-se neste país. Na segunda questão parlamentar sobre o assunto que apresenta no espaço de três semanas, o deputado diz que o Consulado "está a ter um enorme aumento de trabalho" devido à crescente entrada de portugueses no país, além do atendimento de cidadãos que vêm de outros países fronteiriços, mas tem "um número cada vez mais reduzido de funcionários, tendo uns partido para a reforma e outros pedido para sair devido à sua situação precária em termos laborais e salariais".

"É também já público que o consulado-geral ficará definitivamente sem um cônsul-geral, que será substituído por um diplomata que acumulará essas funções com as de número dois da Embaixada", indicou o deputado.

Pisco referiu também o aumento do desemprego entre os cidadãos portugueses, "que ronda os 35 por cento da população total" do Luxemburgo, como sendo uma situação que merece acompanhamento.

Estes problemas também já foram referidos pelo conselheiro do Conselho das Comunidades Portuguesas no Luxemburgo, Eduardo Dias, assim como pela Confederação da Comunidade Portuguesa no Luxemburgo (CCPL), na semana passada.

Consulados "não escapam à redução do pessoal"

Foto: Gonçalo Guimarães
O secretário de Estado das Comunidades, José Cesário, já respondeu às preocupações da comunidade com a decisão de não substituir o cônsul-geral, cujas funções passarão a ser asseguradas pelo futuro número dois da Embaixada, Rui Monteiro.

Cesário diz que o Consulado-geral vai manter o seu estatuto e que "a única alteração é que o responsável do posto acumula as funções de encarregado de negócios da embaixada e de cônsul-geral, o que é uma medida de racionalização da despesa e se justifica plenamente no Luxemburgo".
 

Sobre a falta de pessoal consular, Cesário admitiu que se tenham reformado alguns funcionários, que "vão sendo substituídos progressivamente", mas lembrou que "há uma política de redução dos funcionários da administração pública a que os consulados não escapam". 


Luxemburgo: Greve no Consulado rondou os 85 %

Foto: M. Dias
A adesão à greve geral no Consulado de Portugal no Luxemburgo rondou os 85 %. Ontem, só estavam a trabalhar duas funcionárias, além do cônsul-geral, José Carvalho Rosa.

Os restantes onze funcionários aderiram à greve geral dos trabalhadores portugueses, disse ao POINT24 fonte daquele Consulado.

Portugal presta contas ao Luxemburgo

Foto: M. Dias
O primeiro-ministro Jean-Claude Juncker recebeu ontem Carlos Moedas e Morais Leitão. Os dois secretários de Estado portugueses vieram ao Grão-Ducado prestar contas acerca do programa de ajuda financeira da troika.

Durante a manhã, os dois governantes foram recebidos pelo ministro dos Negócios Estrangeiros do Luxemburgo e à tarde foi a vez de os portugueses serem recebidos por Jean-Claude Juncker.

As conversas entre os dois governos passaram pela análise das relações bilaterais entre os dois países, a actualidade europeia, mas sobretudo pelo programa de ajuda financeira externa a Portugal. No final do encontro entre Juncker e a delegação portuguesa, Carlos Moedas, secretário de Estado adjunto do primeiro-ministro, disse ao POINT 24 que o encontro serviu para "dar a conhecer aos parceiros europeus as grandes reformas que estamos a fazer em Portugal". No dia anterior, a delegação portuguesa tinha estado em Paris.

Greve: Confrontos entre polícia e manifestantes

Foto: Lusa
A polícia e elementos da manifestação, promovida pela plataforma 15 de Outubro, envolveram-se ontem à tarde em confrontos junto ao Largo do Chiado, em Lisboa, tendo provocado feridos ligeiros.

Segundo testemunhas no local, os confrontos começaram quando manifestantes arremessaram objectos contra elementos da PSP, junto à esplanada do Café Brasileira, no Chiado.

Na esplanada, foram derrubadas cadeiras, mesas, chapéus-de-sol e os clientes que se ali se encontravam tiveram que fugir rapidamente para não serem atingidos por objectos e pedras da calçada. Também no Porto vários indivíduos foram agredidos pela polícia, na Praça Carlos Alberto, pouco tempo depois de o primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, ter sido recebido por centenas de manifestantes em protesto na Reitoria da Universidade.

Caso Luxair: Decisão conhecida na terça

A leitura da sentença no caso do acidente da Luxair está agendada para terça-feira às 15h, no Tribunal do Luxemburgo. O Fokker da companhia aérea luxemburguesa despenhou-se a 6 de Novembro de 2002 entre Roodt-sur-Syre e Niederanven, provocando a morte de 20 pessoas, incluindo a hospedeira portuguesa Paula Reis, de 32 anos. O Ministério Público pediu uma pena de três anos e meio para o piloto de avião, dois anos para o director dos serviços técnicos e 18 meses para o antigo chefe e vice-chefe dos mecânicos, todas com possibilidade de pena suspensa.

quinta-feira, 22 de março de 2012

Portugal/Greve Geral: CGTP anuncia greve parcial dos funcionários das autarquias para 12 de Abril

O secretário-geral da CGTP anunciou hoje uma greve de duas horas dos trabalhadores do poder local para 12 de abril, durante o discurso que encerrou a manifestação de Lisboa em dia de greve geral.
Arménio Carlos informou também que, na próxima quarta-feira, a CGTP apela aos trabalhadores para que se concentrem frente à Assembleia da República para mostrar o seu desacordo face ao "projeto de agressão" que constitui o novo código do trabalho, que nesse dia será discutido e votado na generalidade pelos deputados.
Para dia 31 de março, o dirigente sindical prometeu apoio à jornada de luta contra a precaridade, num dia em que também será discutida no parlamento a reforma administrativa do poder autárquico, que prevê a fusão e a extinção de freguesias.
“Apoiamos a luta contra o fecho das freguesias, do serviço ao público de proximidade”, afirmou Arménio Carlos, como introdução para anunciar a paralisação parcial de 12 de abril.
Estas declarações foram feitas num dia em que, garantiu Arménio Carlos, “muitos milhares de trabalhadores, jovens, desempregados e reformados” fizeram o percurso da manifestação entre o Rossio e a Assembleia da República, no centro de Lisboa.

Manifestantes agredidos pela polícia no Porto, PSP diz não ter registo de agressões     

Vários indivíduos foram hoje agredidos pela polícia, na Praça Carlos Alberto, no Porto, pouco tempo depois de o primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, ter sido recebido por centenas de manifestantes em protesto na Reitoria da Universidade.
Segundo o que a Lusa testemunhou, um indivíduo foi preso e, na sequência da detenção, outros manifestantes perseguiram o carro da polícia.
Nesse momento, agentes da polícia desferiram várias bastonadas nas pessoas que se encontravam nas imediações.
Fonte do comando da PSP do Porto disse à Lusa que foram identificadas três pessoas por arremesso de cenouras aos polícias e danos numa viatura policial.
Diz ainda a mesma fonte que uma dessas pessoas estava a resistir à identificação, pelo que foi conduzida a uma carrinha da polícia, para se proceder a esse ato.
A fonte do comando da PSP explicou que houve uma pequena escaramuça junto à carrinha, mas disse também não ter registo de agressões.
Vários manifestantes tentaram obter a identificação dos polícias envolvidas nas agressões, sem resultados práticos.
Um dos agentes presentes no cordão de segurança disse aos manifestantes para apresentarem queixa “amanhã”.

Portugal: “O projeto do TGV é um projeto que está arrumado” – Passos Coelho

O primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, garantiu hoje que "o projeto do TGV é um projeto que está arrumado", considerando que "atendendo às razões que foram apontadas pelo Tribunal de Contas, o Governo não vê “nenhuma razão para insistir nesta matéria".
À saída do Dia da Universidade do Porto, o primeiro-ministro foi questionado pelos jornalistas sobre o "abandono definitivo" do projeto português de alta velocidade, anunciado na quarta-feira pelo Ministério da Economia, tendo respondido que "é conhecido que o Governo, no seu próprio programa, não defendia o projeto do TGV".
"Na medida em que o Tribunal de Contas veio recusar o visto ao projeto e, sobretudo, atendendo às razões que foram apontadas pelo Tribunal de Contas, o Governo não vê nenhuma razão para insistir nesta matéria", acrescentou.
"Eu espero que não haja lugar agora a grandes disputas semânticas à volta do que estamos a discutir. O projeto do TGV é um projeto que está arrumado", enfatizou, perante a insistência dos jornalistas.

Cabo Verde: Jardim-de-infância precisa de material de refeitório

OCentro Infantil da Ribeira Grande - Ponta do Sol, na ilha de S. Antão (Cabo Verde) precisa de material de cozinha e didáctico.

Ciente desta carência, o antigo presidente da Organização dos Cabo-verdianos no Luxemburgo, José Maurício, deu o primeiro passo para ajudar a instituição local. Para "apadrinhar" o projecto, contactou a Associação dos Pais de Alunos de Origem Cabo-verdiana (APADOC), que vai trabalhar com o a Associação Apoio à Infância de S. Antão.

"A instituição educativa acolhe 60 crianças, dos zero aos seis anos (creche e jardim-de-infância), e cobre toda uma comunidade. No entanto, neste momento passa por algumas dificuldades", refere a presidente da APADOC, Joana Ferreira, que se mostrou logo receptiva à causa. "Tendo em conta que a APADOC trabalha na área da educação, decidimos abraçar a causa e estamos já a angariar fundos para esse jardim-de-infância, do concelho de Ribeira Grande."

A APADOC aproveitou a presença no Festival das Migrações para começar a angariar fundos, mas prevê seguir o projecto com novas acções.

"Começamos agora com a venda de alguns doces para angariar fundos, mas pretendemos seguir com mais acções. Temos membros da nossa associação que são professores, que trabalham com crianças e manifestaram colaborar. Vamos estender este projecto também às escolas", revela Joana Ferreira.

O jardim-de-infância precisa de materiais de cozinha como talheres, pratos, chávenas, entre outros, mas também de materiais didácticos.

Um dos objectivos já foi conseguido, com a ajuda da Associação da Bairrada.

"O material que mais precisavam era um fogão e isso já foi conseguido através da Associação da Bairrada. Ficamos contentes com o gesto, o que mostra que não são só as associações cabo-verdianas que ajudam o nosso país", diz a presidente da APADOC.

"A creche tem algumas crianças com necessidades especiais e serve uma comunidade inteira. Por isso, e desde já, pedimos apoio de toda a comunidade, especificamente de S. Antão, porque aqui no Luxemburgo há muita gente de Ribeira Grande", apela Joana Ferreira.

Os interessados em colaborar neste projecto podem fazê-lo com a entrega de materiais didácticos, jogos para desenvolvimento psicomotor de crianças ou mesmo materiais de cozinha.

ABERTAS INSCRIÇÕES PARA CONCURSO MUSICAL DA DIÁSPORA CABO-VERDIANA

Fora do âmbito deste projecto, a APADOC informa que estão abertas as inscrições para a quarta edição de "Revelação de Vozes da Diáspora 2012".

"A primeira eliminatória no Luxemburgo deve decorrer em inícios de Maio, em local ainda a anunciar", disse ao CONTACTO a presidente da APADOC.

Os candidatos devem ter entre 14 e 19 anos e preparar duas músicas.

A primeira música é cabo-verdiana, enquanto a segunda vai ter de ser apresenta numa das três línguas oficiais do Luxemburgo: alemão, francês ou luxemburguês.

Um júri constituído para o evento vai depois ditar o vencedor do concurso, que vai representar os cabo-verdianos do Luxemburgo na final de Paris, em Julho.

As inscrições estão abertas até o final do mês de Abril.

Mais informações sobre o projecto de solidariedade para Cabo Verde e "Revelação de Vozes da Diáspora 2012" através dos email's ferreira.joana1@gmail.com, Info@apadoc.lu, ou pelos tels. 661 650 704, 661 291 056.

Texto: Henrique de Burgo

Luxemburgo: Jantar de Solidariedade vai ajudar jovens e crianças deficientes

A Associação Portuguesa de Walferdange (APW) e os “Amigos dos 50 anos” vão recolher fundos para ajudar o Ivo, de 36 anos, residente na Ribeira Brava (Madeira), António Monteiro, de 50 anos, de Fontes (Santa Marta de Penaguião), e a Ana Lúcia, de 7 anos, da freguesia de Glória (Salvaterra de Magos).

O Ivo está acamado há 16 anos numa cama normal com um colchão de esponja. A mãe tem 61 anos, trata sozinha do filho, mas como são muito pobres não têm dinheiro nem sequer para os medicamentos que o jovem precisa. Até agora, o Estado pagava as fraldas, mas até isso deixou de fazer. A APW pretende oferecer uma cama adequada, fraldas e medicamentos ao Ivo.

Quanto a António Monteiro, teve um ataque cardíaco que o paralisou para a vida. O homem, pai de uma filha de quatro anos, precisa de uma casa de banho adequada à sua condição. Onde mora, a casa de banho fica no piso térreo, até onde não consegue deslocar-se.

A pequena Ana Lúcia tem uma doença rara da pele. Para se tratar tem que tomar medicação vinda do estrangeiro, que os pais não têm possibilidades de pagar.

A APW recorda que os fundos angariados não vão ser enviados para estas famílias, mas que pede facturas às pessoas que pretende auxiliar e, depois de verificar a veracidade desses documentos, paga essas facturas.

Para a recolha de fundos, a APW organiza um jantar a 31 de Março, pelas 19h30, na Sala Prince Henri, em Walferdange. O jantar será animado pelo duo Tózé Gomes de Brito & Gina, e o cantor Luís Guilherme, vindo de Portugal.

O jantar (grelhada mista) custa 15 euros, para adultos, e 7,50 euros, para crianças dos 7 aos 12 anos. A organização pede aos participantes para trazerem sobremesa, como forma de contribuírem para esta causa. A entrada para o baile é gratuita.

A associação “Amigos dos 50 anos” aproveita a ocasião para convidar as pessoas entre os 50 e os 60 anos a integrarem o grupo.

Para reservas e inscrições, tel.: 33 20 05 ou 661 199 685.

Texto: Ricardo Raminhos

quarta-feira, 21 de março de 2012

Luxemburgo: Perto de trezentas pessoas aderiram ao zumba

Perto de trezentas pessoas estiveram em Mondorf-les-Bains, no Casino 2000, numa tarde dedicada ao zumba. A sala Chapitô encheu-se de energia e dança no domingo passado.

Muitos dos presentes já são amantes desta nova modalidade de fitness, mas para muitos foi a primeira experiência.

"Foi o primeiro de muitos que vamos organizar aqui no Luxemburgo, porque eu gosto de transmitir e passar esta grande energia que se sente a fazer o zumba", disse Simona Nittnausova Schmit, organizadora do evento. O zumba é uma aula de fitness que incorpora música latina e os movimentos de dança, criando uma dinâmica e um sistema de fitness excitante, estimulante e eficaz", explicou Simona, que esteve acompanhada pelo marido, Jack, que é proprietário do "Jack's Gym", em Hesperange.

"Pode-se ver a alegria das pessoas que estão aqui, enganam-se nos passos mas não param porque o ritmo puxa por elas", continuou. Criado pelo colombiano Alberto Perez (conhecido por Beto), o zumba reúne ritmos latinos como Salsa, Merengue, Rumba, Samba ou Calipso.

A festa do zumba continuou pela tarde fora até às 20h. Vários instrutores participaram e puxaram pelos homens e mulheres de todas as idades presentes no evento.

Texto e foto: Ricardo Rodrigues Silva

Cidade do Luxemburgo: Franceses são mais que portugueses

Foto: Marc Wilwert
"A comunidade portuguesa já não é a maior comunidade estrangeira na cidade. A francesa é a maior", disse esta segunda-feira o burgomestre da cidade do Luxemburgo, Xavier Bettel.

Em Dezembro de 2011, a cidade do Luxemburgo tinha 96.750 habitantes, quase mais 2.900 que em 2010.

Entre os estrangeiros (66 % da população da capital), a comunidade mais numerosa era a francesa (14.173) e a segunda, a portuguesa (14.084).

Quanto aos luxemburgueses, há 32.754 residentes na capital, mas representam apenas 33,85 % da população total. Segundo o Bierger-Center, entre os 66,15 % de residentes estrangeiros (dos quais 94 % são de países europeus), contam-se 153 diferentes nacionalidades.

Mas a grande surpresa vai para a comunidade francesa que se torna na maior comunidade estrangeira da cidade (14,65 % da população), quando era tradicionalmente encabeçada pela portuguesa (14,56 %). Durante o ano passado, 333 portugueses instalaram-se na capital.

Em terceiro lugar estão os italianos (5.740 habitantes), os belgas (4.002), os alemães (3.643), os britânicos (2.129) e os espanhóis (1.971).

Em 2012, a capital deve ultrapassar os 100 mil habitantes.

Juncker: "Amo Portugal, e não me perguntem porquê"


Fotos: M. Dias
A sala do restaurante da capital estava completamente cheia para o almoço com o primeiro-ministro do Luxemburgo. Um encontro sem agenda e que apenas serviu para Jean-Claude Juncker demostrar mais uma vez o afecto que tem por Portugal e pelos portugueses do Luxemburgo.

Oencontro juntou à mesma mesa patrões, governo e sindicato. Uma tripartida à portuguesa com o primeiro-ministro do Luxemburgo. Jean-Claude Juncker apareceu no restaurante sem seguranças ou guarda-costas, apenas acompanhado pelo director do Serviço de Imprensa do Governo e pelo motorista. Do lado português estavam os patrões – cinquenta empresários ligados ao sector da construção civil, à restauração, mas também ao comércio, aos seguros, aos stands de automóveis, às agências de viagens e até a uma escola de condução –, e os sindicalistas da OGBL, Eduardo Dias e Carlos Pereira.

"Agradeço muito o convite", começou por dizer Juncker, para logo depois inflamar a sala com uma declaração de amor.

"Eu sou um amigo de Portugal e amo Portugal, e não me pergunto porquê. Nas histórias de amor, nunca sabemos porque amamos, e a verdade é que muitas vezes, quando descobrimos o porquê, deixamos de amar", declarou o primeiro-ministro do Luxemburgo.

E continuou embalado: "Eu amo os portugueses que estão no Luxemburgo. Dizem-me muitas vezes que há muitos estrangeiros no nosso país, mas eu não creio. Os portugueses são os melhores embaixadores de Portugal no Luxemburgo. Nós sentimo-nos um pouco portugueses e nada do que é português nos é estranho", disse Juncker.

"Os portugueses já provaram que podem vencer no Luxemburgo. Temos aqui um dilema difícil de resolver. Eu sinto-me português, vocês sentem-se luxemburgueses: o melhor é bebermos à nossa saúde", concluiu Juncker.

"Ah! E já agora, se quiserem saber o que vamos comer, leiam o Point 24, que traz a ementa", gracejou o primeiro-ministro, que tinha a edição portuguesa do jornal na mão.

PEDIDO COLECTIVO DE NACIONALIDADE LUXEMBURGUESA

Do lado português, as honras da casa foram feitas por Eduardo Dias. O conselheiro das Comunidades Portuguesas apresentou a Jean-Claude Juncker a assistência: "Os empresários aqui presentes dão trabalho a mais de duas mil pessoas (...) e gostariam de continuar estes contactos, sem nuances políticas, mas para criar laços naturais e também rir".

O sindicalista da OGBL sabia o que tinha preparado. Começou por sugerir "um comboio para levar os indianos da Arcelor Mittal", depois referiu-se ao "amigo Sarkozy que tem por hábito atacar [Jean -Claude Juncker] e que agora quer fechar de novo as fronteiras". Mas a gargalhada geral estava guardada para a altura em que Eduardo Dias lançou um repto ao primeiro-ministro. "Sei que não tem resposta imediata ao repto que lhe vou fazer, mas o meu amigo David propõe que lhe peçamos a nacionalidade luxemburguesa a título colectivo. Nós gostamos muito de Portugal, mas estamos fartos. Queremos ser luxemburgueses, mesmo sem a língua". O primeiro-ministro ouviu e sorriu.

O sindicalista da OGBL lembrou ainda que dez mil reformados portugueses, e também alguns luxemburgueses, vivem e recebem as suas pensões em Portugal. Todos os meses a Caixa Nacional de Pensões do Luxemburgo deposita "mais de 10 milhões de euros" nos bancos portugueses, e por isso desafiou o governo do Luxemburgo a investir em Portugal em casas de repouso e em lares da terceira idade.

Eduardo Dias lembrou ainda a famosa história da renda das instalações do Instituto Camões, na cidade do Luxemburgo. O sindicalista recordou a vez em que o então ministro dos Negócios Estrangeiros do governo de Sócrates quis fechar o Instituto Camões por causa da contenção de despesas. "Nós pagamos e por isso podemos fechar", terá dito Freitas do Amaral. Mas o ministro estava mal informado. O conselheiro das Comunidades Portuguesas disse então a Freitas do Amaral que a renda das instalações do Instituto Camões era paga pelo Governo do Luxemburgo.

A história da renda do Camões remonta ao governo de António Guterres. O primeiro-ministro socialista desabafou que gostaria de ter alguma "coisa cultural" no Luxemburgo, mas que não tinha dinheiro. Jean-Claude Juncker ouviu o desabafo e disse: "Não te preocupes que nós vamos arranjar o sítio e pagamos-te a renda". Ainda hoje o governo do Luxemburgo é quem paga as instalações do instituto português no Boulevard Royal.

No final do almoço, o primeiro-ministro do Luxemburgo reafirmou a paixão que tem por Portugal, fez juras de fidelidade aos portugueses que vivem no Luxemburgo e prometeu que "uma vez por ano, na Primavera, vamos repetir esta experiência". A promessa está feita. Para o ano há mais.

Texto: Domingos Martins

Rui Monteiro vai assumir funções de cônsul de Portugal no Luxemburgo

Foto: Álvaro Cruz
O futuro número dois da Embaixada de Portugal no Luxemburgo chama-se Rui Miguel Peixoto Gonçalves Monteiro, e vai acumular com as funções de cônsul quando José Carvalho Rosa atingir o limite de idade e regressar a Lisboa, em Julho. O diplomata foi cônsul-geral na Venezuela e é actualmente conselheiro da Embaixada de Portugal em França.

A nomeação de Rui Monteiro ainda não foi publicada em Diário da República, mas o CONTACTO sabe que é ele quem vai substituir Rui Martinot Correia, o actual número dois da Embaixada, e acumular as funções de cônsul no Luxemburgo. Fonte do Ministério dos Negócios Estrangeiros confirmou que é este o nome na calha para ocupar o segundo posto diplomático no Luxemburgo.

Rui Monteiro é actualmente conselheiro na Embaixada de Portugal em França. Logo que a comissão de serviço chegue ao seu termo, está previsto que o diplomata seja transferido para a Embaixada de Portugal no Luxemburgo, disse ao CONTACTO fonte da Embaixada em Paris. O processo está em tramitação e não se sabe ainda quando será publicado o despacho da nova nomeação, adiantou a mesma fonte.

Tal como o CONTACTO anunciou em exclusivo, o futuro número dois da Embaixada de Portugal no Luxemburgo vai acumular as funções de cônsul mas não vai ser nomeado cônsul-geral, porque assim "não poderia substituir a embaixadora como encarregado de negócios na sua ausência", disse o porta-voz do ministro dos Negócios Estrangeiros, Miguel Guedes, a este jornal.

O governo extingue assim um dos actuais três postos diplomáticos no país (embaixador, o número dois da Embaixada e o cônsul), o que já levou a protestos da comunidade portuguesa (ver caixa).

RUI MONTEIRO TEM EXPERIÊNCIA COMO CÔNSUL-GERAL

Esta não é a primeira vez que Rui Monteiro exerce as funções de cônsul. O diplomata, com 46 anos, foi cônsul-geral em Valência, na Venezuela, durante quatro anos e oito meses. Um cargo que ocupou de Janeiro de 2004 até Agosto de 2008, durante o qual chegou a acumular funções como cônsul também de Caracas, a capital venezuelana, a 200 quilómetros de Valência.

Enquanto Rui Monteiro foi cônsul em Valência, o Consulado de Portugal naquela cidade atendia diariamente uma média de 80 pessoas. No Luxemburgo, são atendidas 70 pessoas por dia, mas quase outras tantas voltam para trás e têm de regressar noutro dia por falta de capacidade de atendimento, denunciou na semana passada o conselheiro das Comunidades no Grão-Ducado, Eduardo Dias.

As comparações não se ficam por aqui. A Venezuela tem a segunda maior comunidade portuguesa na América Latina a seguir ao Brasil, com cerca de meio milhão de portugueses. A grande maioria está concentrada em grandes cidades como Caracas e Valência, as duas circunscrições consulares portuguesas no país. Mas o número de portugueses no Luxemburgo não pára de aumentar. São actualmente 107 mil, segundo números do Consulado, mas poderão atingir os 120 mil já este ano por causa da nova vaga de imigração, alerta o conselheiro das Comunidades.

Rui Monteiro nasceu em 1 de Julho de 1965, em Lisboa, e é licenciado em Direito pela Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa. Entrou para o quadro diplomático do Ministério dos Negócios Estrangeiros em 1991. Esteve na Embaixada em Budapeste, onde foi segundo-secretário e depois primeiro-secretário, até 2000. Em Janeiro de 2004, assumiu as funções de cônsul-geral em Valência, cargo que chegou a exercer em acumulação com o de cônsul-geral em Caracas durante dois meses. Em Fevereiro de 2009, foi nomeado chefe de divisão dos Assuntos Económicos Bilaterais Europa e América da Direcção-Geral dos Assuntos Técnicos e Económicos, a que se seguiu o cargo de director de Serviços da Diplomacia Económica. Actualmente, é conselheiro na Embaixada de Portugal em França.

Texto: Paula Telo Alves

Festival das Migrações: "A guerra nunca acaba"

Foto: M. Dias
Quase quarenta anos depois do fim da Guerra na Guiné, a história dos combatentes portugueses e guineenses ainda provoca emoções em quem lá esteve. A começar por José Manuel Saraiva, autor do documentário sobre a guerra exibido no Festival das Migrações e ex-combatente em Xitole, no sul da Guiné.

Há um sentimento palpável de emoção quando as luzes se acendem. Na sala do Festival das Migrações onde foi exibido o documentário "De Guileje a Gadamael – o corredor da morte", vêem-se muitos guineenses. São eles os primeiros a pedir o microfone para falar com o escritor, no debate organizado pela associação Os Amigos do 25 de Abril que se seguiu à projecção.

"Obrigado, muito obrigado por ter mostrado este documentário. É uma satisfação para todos os guineenses, para verem que não é uma invenção: foi mesmo uma obrigação ir à guerra", agradece um imigrante da Guiné no Luxemburgo.

José Manuel Saraiva, ex-jornalista a viver entre Portugal e o Luxemburgo, é o autor do documentário que a SIC exibiu em 1996, e que agora foi mostrado pela primeira vez perante uma audiência.

"Já não via este documentário há muitos anos", conta ao CONTACTO José Manuel Saraiva, que admite ter ficado emocionado com a recepção ao filme. "Havia muitos guineenses na sala... E o documentário é forte, é terrível".

Realizado para a SIC, o documentário retrata um dos episódios mais sangrentos da guerra colonial: a retirada das tropas portuguesas de Guileje para Gadamael, em 1973, debaixo dos ataques do PAIGC. Vinte anos depois, os combatentes do exército português e das tropas do PAIGC evocam em conjunto os acontecimentos dolorosos que os opuseram durante a guerra.

Uma viagem ao passado que o autor do documentário também foi obrigado a fazer, quando regressou à Guiné para filmar "O corredor da morte", em 1995. José Manuel Saraiva foi alferes em Xitole, no sul da Guiné, entre 1968 e 1970. Foi ferido, esteve no hospital militar, e viu morrer alguns companheiros, num cenário que classifica como "sinistro".

O escritor e Eduardo Dias, da associação Amigos do 25 de Abril
"Eu vivi os dois anos mais sinistros e horríveis da minha vida na Guiné, mas tenho um enorme afecto pelo povo guineense", diz José Manuel Saraiva.

"Já exorcizei muitos fantasmas, já não passo noites a pensar nisso, mas é evidente que é uma emoção...". Pausa. "Eu tinha 22 anos", continua. "Tínhamos todos 20 ou 22 anos, e de repente estávamos a ver gente a morrer ao nosso lado...".

No regresso à Guiné para filmar o documentário para a SIC, o segundo que fez sobre a guerra colonial, José Manuel Saraiva decide voltar a Xitole, a 80 quilómetros de Guileje. No antigo aquartelamento, encontra um cenário de desolação. Abrigos subterrâneos cobertos pelas ervas, o depósito de água destruído, tudo vencido pelo mato. Mas o memorial aos camaradas mortos em combate ainda lá está, e a emoção é mais forte do que ele.

"Quando entrei no aquartelamento, encontro o memorial aos cinco homens que morreram na minha unidade. Não foi destruído, porque na Guiné há muito respeito pelos mortos. Tive um ataque de choro terrível. E pensei: 'Oh Zé Manel, mas o que é que tu vieste fazer para aqui outra vez?'".

"Ninguém imagina o que é... Tive um capitão que dizia: 'A guerra não acaba nunca'", conclui o ex-combatente.

José Manuel Saraiva nasceu na aldeia de Santo António d'Alva, em 1946. Foi jornalista, tendo pertencido aos quadros de O Diário, Diário de Lisboa, Grande Reportagem e Expresso. É autor de dois documentários sobre a Guerra Colonial, produzidos pela SIC, um dos quais transmitido pelo canal Arte em França e na Alemanha. É sua também a história que deu origem ao telefilme "A Noiva", de Luís Galvão Teles.

Desde 2001, dedica-se inteiramente à escrita. Nesse ano publica a sua primeira obra, "As Lágrimas de Aquiles", inspirada em acontecimentos da guerra na Guiné, a que se segue o romance histórico "Rosa Brava", em 2005 – um best-seller que vendeu mais de 50 mil cópias e foi traduzido em Itália. Em 2008, publica "Aos Olhos de Deus" e em 2011 "A Terra Toda".

Casado com uma funcionária do Tribunal de Justiça da União Europeia, sediado no Luxemburgo, José Manuel Saraiva vive agora entre Portugal e o Grão-Ducado.

Actualmente, está a terminar o próximo livro, um romance histórico sobre a fuga da corte portuguesa para o Brasil.

Texto: Paula Telo Alves

Festival das Migrações: Catchupa rica foi rainha da gastronomia cabo-verdiana



A gastronomia cabo-verdiana esteve em destaque no Festival das Migrações, com um dos stands de cozinha mais concorridos. O chamariz tem sido o mesmo de todos os anos: a catchupa.

Em Cabo Verde, a catchupa rica é feita com diversos tipos de carne e a catchupa pobre é feita apenas com peixe, sendo esta acessível a todas as famílias, dada a abundância de peixe. Além da carne ou do peixe, a cachupa leva feijão, milho e grão estufados e ainda pode ser servida com legumes, como a batata, a abóbora, couve, mandioca ou banana. O resultado pode variar segundo as combinações dos ingredientes, mas sempre com um sabor sabe (delicioso).

No Festival das Migrações deste ano, a catchupa rica foi mais uma vez a rainha da cozinha cabo-verdiana, ainda que sem muitos legumes a acompanhar.

O CONTACTO foi provar o prato mais típico da gastronomia de Cabo Verde e ouviu a associação cabo-verdiana com sede no Luxemburgo, Ami ku Nhos, que continua à frente do stand.

"Estamos há oito anos seguidos aqui no stand da cozinha cabo-verdiana. Se o CLAE continua a contar connosco é porque confia no nosso trabalho. Da parte da associação Ami ku Nhos, estamos sempre disponíveis para participar e sentimo-nos gratos por isso", disse o presidente da Ami ku Nhos, Otílio Moreira.

A par do stand da cozinha portuguesa, o stand de cozinha cabo-verdiana esteve sempre com muito trabalho para confeccionar e servir as iguarias locais aos visitantes, durante o fim-de-semana.

"Este ano há ainda mais gente que vem cá ao nosso stand e não são só cabo-verdianos, mas também portugueses, luxemburgueses, franceses, belgas e outras nacionalidades. Como não podia deixar de ser, dentro da nossa gastronomia, o que as pessoas procuram mais é a catchupa. As pessoas gostam muito e perguntam onde podem comprar mais. Também vêm cá beber o grogue de Santiago e provar o nosso típico pastel de atum, doces de coco, donets cabo-verdianos, etc.", contou Otílio Moreira.

Entre os 19 voluntários do stand cabo-verdiano, contavam-se duas portuguesas.

A portuguesa Sara Semedo trabalha na cozinha da Ami ku Nhos há oito anos, altura em que a associação começou a participar no festival e já se sente à vontade na cozinha cabo-verdiana.

"Aprendi a fazer catchupa e estou à vontade na cozinha cabo-verdiana. Já trabalho com eles desde que começaram, há cerca de oito anos, e venho cá todos os anos trabalhar. Adoro trabalhar com a comunidade cabo-verdiana e sinto-me como na minha casa”, disse Sara Semedo.

A associação Ami ku Nhos completa no final deste ano o seu 12o aniversário e tem-se destacado também na cultura com danças cabo-verdianas, grupo de batucadeiras, entre outras actividades.

Texto e fotos: Henrique de Burgo 

Festival das Migrações: Emigração, filha bastarda da literatura portuguesa


Fotos: Carlos de Jesus
A emigração portuguesa vista por José Luís Peixoto e Altina Ribeiro. Duas gerações, duas experiências, dois livros sobre um tema que a literatura portuguesa ainda enjeita, lamentam os dois escritores.

A conferência com os escritores José Luís Peixoto e Altina Ribeiro, no domingo, no Salão do Livro do Festival das Migrações, acabou por ser totalmente dominada pelo tema da emigração. Ou não fossem os mais recentes romances dos dois autores dedicados a esse tema.

No caso de Altina Ribeiro, tanto o seu primeiro livro "Le fado comme seul bagage" (que vai ser adaptado para cinema por Anna da Palma), como o segundo, "Alice au pays de Salazar", falam da emigração. No primeiro fala de como emigrou para Paris com os pais, aos 9 anos, em 1969. O segundo é a história de uma amiga, que lhe pediu para contar em livro a sua experiência da emigração.

No seu último romance, intitulado "Livro", José Luís Peixoto inspira-se na emigração dos pais para França, também nos anos 60. "A emigração para mim é a história antes de mim, porque eles regressaram a Portugal após o 25 de Abril e eu nasci em Setembro de 1974", diz.

Altina resume o seu primeiro livro, no qual fala de como se sentiu desenraizada, de como descobriu a electricidade pela primeira vez, do "décalage" intergeracional com os pais, da emigração clandestina, dos "bidonsvilles" (bairros de lata). Recorda como o pai foi "a salto" para França, quase dois mil quilómetros a pé e em camiões de gado. Altina tinha dois anos e recorda que não reconhecia o pai quando este voltava a Portugal. "Quando vinha, o meu pai era um estranho, eu até ficava aliviada quando ele se ia embora".

Para Peixoto, a emigração era o que ouvia das conversas entre os pais e as irmãs. Eram as "auto-rutas", os "auto-buses", os "fogos-ruges", os "magasins", uma linguagem codificada e misteriosa para a criança que José Luís era, confiou no altura em que lançou o livro, em 2010. "Quando falavam de França, eu ficava de fora". "Há muitos filhos de emigrantes que vão para Portugal para descobrir o país dos pais. Este 'Livro' é para mim o caminho inverso, sou eu a tentar descobrir a emigração que os meus pais viveram. E também foi para me descobrir a mim próprio. Sou da geração que se define pelo que não viveu: a ditadura, a revolução, a emigração, a guerra colonial. Graças a este livro percebi o contexto em que nasci".

Peixoto conta que a reacção que o "Livro" recebeu fez-lhe perceber que em Portugal se precisava de falar deste tema. "Algumas pessoas perguntaram-me se eu tinha feito muita pesquisa para escrever este livro. Parece que não se dão conta que a emigração ainda é uma realidade". E lamenta que nem os antigos emigrantes falem, nem o resto da população, para quem a emigração parece um acto consumado, quando esta nunca realmente cessou. "Não há muitos romances sobre a emigração portuguesa e isso é inacreditável, quando um milhão e meio de portugueses emigrou para França nos anos 60 e 70. A literatura portuguesa raramente aborda o assunto, é tabu, não se fala e há sobretudo muitos clichés", critica o escritor. "Não há uma relação pacífica com este tema. Eu não sabia que havia dificuldades em Portugal para falar nisto. Para mim foi fácil, porque não o vivi. Mas penso que escrever sobre isso pode tornar mais sã a nossa relação com o passado. Em Portugal temos um problema com muitas questões do nosso passado, não só com a emigração".

"Os emigrantes merecem um reconhecimento porque construíram dois países, o país que deixaram e para onde enviavam dinheiro, e o país onde trabalharam. Admiro-os porque se lançaram no desconhecido e seguiram os seus sonhos. Quem segue os seus sonhos faz o mundo avançar".

"O meu primeiro livro é uma homenagem aos meus pais e a todos os emigrantes", diz também Altina. "Eles não sabiam escrever, não tinham meios para contar essa experiência, essa dor, então contei-a eu".

Na sua relação com a emigração como noutros domínios, Peixoto considera que Portugal é "bipolar".

"Acho que o país precisa de uma psicanálise. Num dia, somos os maiores, não há Expo como a nossa, vamos ganhar o Mundial de Futebol. No outro, somos os mais desgraçadinhos". Para o escritor, Portugal "evoluiu demasiado depressa" no último meio século. "A imagem do país deixou de ser a velhinha vestida de preto e com bigode, para passar a ser a ponte Vasco da Gama. Não percebo porque temos orgulho numa coisa, e esquecemos e escondemos a outra. As duas coisas coabitam, essa velhinha de bigode é a nossa avó, e é muito triste ter vergonha da nossa avó. Temos que encontrarmo-nos como país nesses dois pólos", aconselha José Luís Peixoto ao deitar o país no divã.

Texto: José Luís Correia

Miguel Portas no Festival das Migrações: "Empréstimo da troika é impossível de pagar, excepto se houver crescimento"

Foto: M. Dias
O empréstimo da troika a Portugal "é impossível de pagar, excepto se houver crescimento da economia". As palavras são de Miguel Portas, eurodeputado do Bloco de Esquerda que foi um dos oradores da conferência-debate intitulada "Os Portugueses e os Espanhóis na armadilha da austeridade". O eurodeputado português esteve a convite do Dei Lénk no Festival das Migrações, que decorreu na Luxexpo, no fim-de-semana.

Miguel Portas acredita que "todo o modelo [n.d.R.: de ajuda financeira aos países em dificuldade] está condenado ao fracasso" e explica porquê: "Este bail out vai aumentar, e não diminuir, a dívida pública portuguesa". Para o eurodeputado bloquista, as medidas adoptadas pelo Governo português “têm feito aumentar o défice nos últimos dois anos". "Cortámos nos salários e nas pensões. Todas estas medidas foram implementadas para pagar os juros do empréstimo", resume Portas.

Aquilo a que Miguel Portas apelida de "a brutalidade da dívida pública" portuguesa reflecte-se nos números que o eurodeputado apresentou. O eurodeputado recorda que Portugal está a pagar 34 milhões de euros de juros sobre a primeira tranche do empréstimo da troika, no total de 77,9 milhões de euros. Mas Portas alerta que "os anos mais terríveis ainda estão para chegar. Em 2016, Portugal deve pagar 20 mil milhões de euros e isto se as coisas correrem bem", exclama o eurodeputado.

"Surpresa das surpresas, e analisando os dados oficiais, a dívida pública alemã é irmã da dívida pública portuguesa", diz Miguel Portas, para quem a entrada do euro em circulação ajudou países como a Alemanha e fez o contrário por países como Portugal: "O euro é demasiado caro para países da União Europeia como Portugal e Espanha".

Miguel Portas atacou o Governo de Passos Coelho. Para o eurodeputado, "o primeiro-ministro desistiu do próprio país". "Uma coisa incrível, o nosso primeiro-ministro disse aos jovens do país para imigrarem", disse o eurodeputado, referindo-se em seguida à nova vaga de imigração: "Nos últimos seis, oito meses, milhares de portugueses chegaram ao Luxemburgo, a França e a outros países, tal como aconteceu com os imigrantes nos anos 60".

Miguel Portas não hesita ao enumerar as medidas que entende serem necessárias para reverter a crise financeira em Portugal: "Para haver crescimento tem que haver investimento público. Há que defender os salários dos portugueses, sem eles não há poder de compra e, por último, o Banco Central Europeu (BCE) tem de ser capaz de emprestar aos estados da União Europeia da mesma forma que empresta aos bancos privados". "O BCE emprestou 530 mil milhões de euros aos bancos", lembra Portas. "Podemos dizer tudo sobre a Europa, menos que não tem dinheiro", rematou com alguma ironia o eurodeputado português.

Miguel Portas participou no debate a convite do partido luxemburguês Dei Lénk, onde esteve também Maite Mola, do p artido espanhol Izquierda Unida.

Texto: Irina Ferreira

CONTACTO: Edição de 21 de Março de 2012

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O nome do futuro Cônsul geral de Portugal no Luxemburgo já está escolhido. O diplomata foi cônsul-geral na Venezuela e é actualmente conselheiro da Embaixada de Portugal em França. A nomeação de Rui Monteiro ainda não foi publicada em Diário da República, mas o CONTACTO sabe em exclusivo que é ele quem vai substituir Rui Martinot Correia, o actual número dois da Embaixada, e acumular as funções de cônsul no Luxemburgo. Fonte do Ministério dos Negócios Estrangeiros confirmou que é este o nome na calha para ocupar o segundo posto diplomático no Luxemburgo.

A noticia faz esta semana manchete no CONTACTO.

 Mas há mais: O primeiro ministro do Luxemburgo almoçou com empresários portugueses no Luxemburgo. Jean-Claude Juncker aproveitou a ocasião para dizer que ama Portugal e os portugueses que vivem no Luxemburgo. No almoço estiveram mais de cinquenta empresários portugueses ligados a todos os sectores de actividade no Luxemburgo e que dão emprego a mais de dois mil trabalhadores.

Destaque ainda para o Festival das Migrações. O certame decorreu no passado fim-de-semana no Luxemburgo e continua a ser o ponto de encontro de raças e culturas no país. De Portugal vieram Miguel Portas, Paulo Gonzo, mas também o escritor José Luís Peixoto. As fotos e as reportagens do festival estão todas no especial de 10 páginas dedicado ao Festival.

Uma última notícia: O Luxemburgo vai começar a apostar nas corridas de cavalos. No final do mês de Março a Loterie National vai instalar sete terminais para poder aceitar apostas nas corridas de cavalos francesas.

Tudo isto e muito mais na edição do CONTACTO desta semana, o primeiro jornal de língua portuguesa no Luxemburgo.

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segunda-feira, 19 de março de 2012

Autoridades do Luxemburgo preocupadas com aumento de entrada de portugueses - diz Paulo Pisco

O deputado Paulo Pisco (PS) disse hoje que o aumento da entrada de portugueses no Luxemburgo está a preocupar bastante as autoridades locais, sobretudo pela situação de precariedade que muitos deles estão a enfrentar no país.
“Eu tive um conjunto de encontros diversificados, com o ministro do Trabalho e da Imigração, Nicolas Schmit, também com a diretora do gabinete de acolhimento e integração de imigrantes, Christiane Martin, com o cônsul-geral de Portugal no país, José Carvalho Rosa, com o sindicato OBGL e a CCPL (Confederação das Comunidades Portuguesas no Luxemburgo), e há uma tónica comum que é a preocupação em relação ao aumento de portugueses que estão a chegar ao Luxemburgo”, referiu o deputado do Partido Socialista.
Paulo Pisco, deputado eleito pela Emigração pelo círculo da Europa, chegou ao Luxemburgo na sexta-feira e regressou hoje a Portugal.
De acordo com Pisco, o encontro mais relevante foi com o ministro do Trabalho e da Imigração, no qual abordaram “a questão do aumento da chegada dos portugueses ao Luxemburgo e as consequências que isso tem tido no mercado de trabalho”.
“O assunto é bastante preocupante para as autoridades luxemburguesas de tal maneira que o ministro (Schmit) disse que estava disponível para vir a Portugal discutir esses assuntos com os seus homólogos, ao nível do Trabalho e dos Assuntos Sociais, porque é necessário haver respostas comuns para que esses problemas sejam resolvidos”, sublinhou.
O parlamentar português afirmou que “é importante para o governo do Luxemburgo ter interlocutores em Portugal, o que até ao momento não tem acontecido”.
“O problema do desemprego entre os portugueses e do aumento da imigração é um problema sério, está a provocar uma série de transtornos de natureza social e o governo luxemburguês está a tentar dar uma resposta. É muito preocupante que um terço da população que está no desemprego no Luxemburgo seja portuguesa”, declarou.
“Com o aumento da imigração, muitos portugueses estão em situação precária. Estão a trabalhar sem direitos e sem subsídios em alguns casos. Empresas não estão a respeitar as leis laborais luxemburguesas, o que está a originar situações de 'dumping' social e concorrência desleal”, acrescentou.
Segundo Pisco, o ministro do Trabalho e da Imigração luxemburguês afirmou que, nas próximas semanas, vai convocar “os representantes das empresas locais, das empresas portuguesas no país e dos sindicatos para tratar do assunto e, assim, encontrarem soluções para os problemas que estão a surgir”.
O parlamentar acrescentou que o ministro garantiu que “vai haver uma intensificação do controlo por parte da inspeção do trabalho”.
Paulo Pisco referiu ainda que há uma saturação das classes especiais para os jovens portugueses que estão há pouco tempo no país (três centenas foram integrados nessas turmas recentemente), que servem para que aprendam a língua e consigam adaptar-se à escola e à sociedade.
O deputado também demonstrou preocupação sobre o aumento de trabalho no consulado-geral do Luxemburgo, que possui cada vez menos capacidade para dar resposta às solicitações dos cidadãos, já que muitos funcionários estão próximos da reforma e não há indicação de substituições, além da determinação governo português em que o consulado atenda cidadãos portugueses das regiões de fronteiras com outros países e ainda a degradação dos equipamentos.
O secretário de Estado das Comunidades, José Cesário, explicou recentemente as mudanças que ocorrerão no consulado-geral, dizendo que o serviço continuará a ser o mesmo, embora o responsável do posto passe a "acumular as funções de encarregado de negócios da Embaixada e de cônsul-geral".
Paulo Pisco considerou “inaceitável que haja esse desinvestimento em termos diplomáticos e consulares”.
Pelos contactos diversos que manteve, o deputado do PS disse que esta situação de acumulação de cargos diplomáticos “desagrada profundamente” às autoridades governamentais e políticos da oposição luxemburgueses.

domingo, 18 de março de 2012

Solidariedade em rede ajuda novos imigrantes em França

Foto: LUSA
Uma rede familiar e de solidariedade entre a numerosa comunidade portuguesa em França está a evitar que os novos emigrantes no país se encontrem em situações de emergência social, afirmou o coordenador da capelania católica portuguesa.

O padre Geraldo Finatto disse à agência Lusa que, embora exista esta solidariedade, há por vezes um “aproveitamento” da situação de quem chega por parte dos empregadores. Não conhece, porém, nenhum caso de emergência social na “vaga verdadeiramente forte” de emigração portuguesa para França que se tem verificado “de há três anos para cá”.

“Em cada missa que celebro, vejo gente nova que vem de Portugal. Uma pessoa da família ou a família inteira”, disse à agência Lusa. Estas pessoas, “que já estudaram, que já estiveram economicamente bem em Portugal – com casa, carro, bom trabalho –, e que com a crise viram toda a subida social que tiveram cair”, chegam à procura de trabalho “devido à acumulação de créditos”.

“A diferença entre esta e a primeira geração de emigrantes é que os primeiros vieram pobres mas sem dívidas e com perspectiva de ganhar para construir alguma coisa em Portugal. Estes agora, apesar de terem mais estudos, vêm para cá pagar as dívidas”, explicou.


"Não há casos de grande gravidade"
O padre Geraldo Finatto acredita que os portugueses que têm chegado a França nos últimos anos vêm amparados: “Eu não vi famílias chegarem aqui sem saberem onde pôr os pés”, afirmou, acrescentando que existe uma rede familiar e de solidariedade que ajuda os portuguesas a decidirem vir para aqui e que contribui para impedir situações de emergência social.

Quem chega “adapta-se ao trabalho que encontra”, e isto quer dizer que, por regra, os homens trabalham na construção civil e as mulheres nas limpezas. Esta rede, resumiu, é mais extensa e funciona melhor do que noutros países da Europa, mas não é uma rede sem furos. O capelão reconhece que pode haver portugueses a passar dificuldades escondidos atrás da vergonha: “Os portugueses não pedem ajuda. O emigrante sai do país para mudar de vida. E é uma vergonha pedir ajuda". 

Luxemburgo: Encontro de Zumba hoje, em Mondorf

Foto: Guy Jallay
Zumba é a nova dança na berra. No domingo há um grande encontro zumba no Casino de Mondorf.

Dizem os entendidos na matéria que a zumba foi criada pelo coreógrafo columbiano de Shakira, Beto Perez, no fim dos anos 90. Este novo estilo de dança mistura movimentos do fitness e das danças latinas (salsa, merengue, cumbia, reggaeton, samba, rumba). Assim, tanto pode ser considerado uma dança como um exercício de fitness.

No domingo, o encontro no Casino de Mondorf decorre entre as 16 e as 20h, e conta com as estrelas da zumba Jaromir Cremers e Myra Heerink, vindos da Holanda, além de outros instrutores de fitness e zumba.

O evento inclui uma festa-fitness e uma demonstração de bodybuilding com campeões do Luxemburgo. Os bilhetes custam 20 euros em pré-venda, e 25 euros na bilheteira. Mais informações pelo tel. 661 609 070.

sábado, 17 de março de 2012

Luxemburgo: Campeonato de futsal da ALF em liça este fim-de-semana

A terceira jornada do campeonato de futsal organizado pela Association Luxembourgeoise de Futsal (ALF) vai ter lugar este fim-de-semana em Ettelbruck e Differdange.

Os jogos referentes à zona norte disputam-se amanhã, no complexo desportivo de Ettelbruck, com os seguintes encontros: às 15h, FC Nordstadt - AAP Steinfort, às 16h30, All Stars - Estrela do Norte e, a partir das 18h, o ADCR Echternach - FC Bettendorf.

Os encontros referentes à zona sul estão agendados para domingo, no pavilhão Woiwer, em Differdange. Às 15h a ALSS Futsal Team defronta os Players Sud; a partir das 16h30, joga-se o Futsal US Esch - Futsal Monnerich e no último encontro da ronda, a partir das 18h, disputa-se o Samba Seven - Futsal Sparta Schifflange.

Texto: Álvaro Cruz

Luxemburgo: Grevenmacher quer regressar ao 1° lugar

Depois de ter perdido a liderança para o Dudelange, na última jornada, o CS Grevenmacher acolhe hoje, no seu estádio, o F91 Dudelange - novo líder do campeonato - e quer voltar a inverter as posições. No jogo grande da jornada, todas as atenções vão estar concentradas no estádio Op Flohr.

Com duas derrotas caseiras em 2012 e dois pontos de atraso em relação ao Dudelange, o Grevenmacher arrisca-se, em caso de derrota, a ver aumentar a distância para cinco pontos para o seu rival. Na frente da Liga BGL nas primeiras 15 jornadas, os azuis do Mosela têm amanhã a oportunidade de regressar à liderança da prova. Atento ao resultado vão estar Differdange e Jeunesse, que se deslocam respectivamente ao terreno do Fola e do Niederkorn.

O Racing Luxembourg recebe o Rumelange, que ainda não perdeu esta época, num jogo de extrema importância sobretudo para os visitantes, à procura de pontos para escapar aos lugares de relegação. O Käerjéng, que tem patinado as últimas jornadas, recebe o Hesperange de Dan Theis, que regressou às vitórias no domingo frente ao Pétange. O Hostert, lanterna vermelha, recebe o Hamm benfica, que não deverá deixar fugir os três pontos. A fechar a jornada, o Pétange – que ainda não ganhou em 2012 – desloca-se a Kayl, para tentar a primeira vitória deste ano, tarefa que não se apresenta nada fácil, frente à equipa sensação do campeonato.

Texto: Álvaro Cruz

Mapa homenageia imigrantes portugueses

Um mapa de Portugal feito com uma mistura de terra recolhida em Portugal e no Luxemburgo homenageia a imigração lusa no Grão-Ducado, numa mostra que pode ser vista até 8 de Abril na Abadia de Neumünster.

Esta é uma das muitas obras que podem ser vistas na exposição "O fim do Mundo", inaugurada na sexta-feira. A mostra reúne um colectivo de seis artistas contemporâneas portugueses. As obras de Baltazar Torres, Pedro Valdez Cardoso, Pedro Henriques, Susanne S. D. Themlitz, Martinho Costa e José Batista Marques representam as interrogações dos artistas sobre um futuro que se prevê incerto.

Tal como no período dos Descobrimentos os portugueses desmitificaram mitos sobre o fim do mundo, este projecto quer "promover e recuperar a reflexão crítica e a tomada de posição sobre o anunciado fim do mundo na entrada de um novo milénio", defendem os artistas.

Para José Batista Marques, esta exposição demonstra que "a arte contemporânea portuguesa está bem e se recomenda, apesar das dificuldades actuais", disse o artista ao POINT24 .

Na última sala estão expostos vários trabalhos de alunos do 11° e 12° ano da escola António Arroio (Lisboa). É ali que se encontra o mapa de Portugal, uma das obras mais simbólicas da mostra.  

Texto e foto: Carlos de Jesus

Luxemburgo: CCPL procura voluntários para projecto de integração

"Toi et moi, moi et toi ensemble" é o novo projecto de acolhimento e de integração da Confederação da Comunidade Portuguesa no Luxemburgo (CCPL), que se dirige aos recém-chegados ao Luxemburgo.

"Até ao momento temos poucos recém-chegados associados ao projecto. Queremos divulgar o "Toi et moi" junto de cidadãos de países terceiros que tenham chegado recentemente ao Luxemburgo. Eles são o nosso público-alvo", explica ao CONTACTO Sónia Tomás, uma das responsáveis do projecto de acolhimento a recém-chegados da CCPL.

O objectivo do projecto de acolhimento é "facilitar a integração dos recém-chegados", resume a coordenadora do "Toi et moi". "Não há nada mais triste que chegar sozinho e não ter nem família nem amigos. Não basta uma pessoa ter trabalho e um tecto para dormir, há também outras questões importantes como criar laços de amizade", diz Sónia Tomás.

"Queremos que o voluntário guie o recém-chegado e que o introduza à cultura luxemburguesa, que o ajude na procura de formação linguística para aprender as línguas do país e que lhe mostre o funcionamento administrativo dos serviços, por exemplo", especifica a responsável.

Até ao momento, 20 voluntários locais associaram-se ao projecto de acolhimento da CCPL. "Os recém-chegados são muito menos", lamenta a coordenadora do projecto. "Ao todo são oito e são maioritariamente brasileiros e cabo-verdianos", especifica Sónia Tomás, que coordena o projecto com Andrada Deatcu (na foto).

O projecto é co-financiado pelo Fundo Europeu de Integração e pelo Gabinete Luxemburguês de Acolhimento e de Integração (OLAI) e decorre até Setembro deste ano.

Os recém-chegados interessados em participarem no projecto e as pessoas que queiram tornar-se voluntárias locais devem contactar a CCPL pelo tel. 29 00 75 ou por email (ccpl@ccpl.lu).

Texto e foto: Irina Ferreira