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quarta-feira, 4 de julho de 2012

ASTI e OLAI publicam brochura para recém-chegados lusófonos

(Da esq. p/a dta.:) Alcinda Lopes da Costa, presidente
da associação Cap-Vert Espoir et Développement (CVED),
Conny Heuertz, do Gabinete Luxemburguês de Acolhimento
e Integração (OLAI), Laura Zuccoli, presidente da Associação
de Apoio aos Trabalhadores Imigrantes (ASTI), e Shevon
Weber, assistente social estagiária na ASTI, apresentaram na
segunda-feira a brochura em português "Bem-vindo
ao Luxemburgo"                                                           Foto: Gerry Huberty
Que documentos são necessários para residir e trabalhar no Luxemburgo? Como fazer o reagrupamento familiar ou ter direito à segurança social luxemburguesa? Estas são as perguntas mais frequentes dos recém-chegados ao Luxemburgo. Para responder a estas questões, ASTI e OLAI lançam uma brochura de informação para lusófonos.

A brochura de informação "Bem-vindo ao Luxemburgo", concebida a pensar nos imigrantes lusófonos recém-chegados, sobretudo para os que vêm de países terceiros da União Europeia (UE), como Cabo Verde, Brasil, Guiné-Bissau, Angola, Moçambique, São Tomé e Príncipe, ou mesmo Timor, foi lançada na segunda-feira pela Associação de Apoio aos Trabalhadores Imigrantes (ASTI) e o Gabinete Luxemburguês de Acolhimento e de Integração (OLAI), em colaboração com as associações Amizade Cabo-Verdiana e Cap-Vert Espoir et Développement (CVED).

"Sabemos que haverá, por ventura, também muitos portugueses que vão querer ter acesso a este folheto, porque são informações que também lhes interessam. Para responder à chegada em grande número de portugueses nos últimos tempos já tínhamos lançado em Maio um guia em português, francês e inglês, e esse era apenas para cidadãos da UE", recorda Laura Zuccoli, presidente da ASTI.

No folheto agora editado, de 24 páginas, os recém-chegados de países terceiros lusófonos podem encontrar todo o tipo de informação sobre a permanência e o trabalho no Grão-Ducado, como fazer a inscrição na comuna, o reagrupamento familiar, o direito à cobertura médica e às prestações sociais, os cursos de luxemburguês existentes e onde são facultados, o funcionamento do sistema escolar luxemburguês e a escolarização das crianças, o sistema de bolsas universitárias para filhos de imigrantes, como proceder para mandar traduzir a carta de condução, como adquirir a nacionalidade luxemburguesa, o que é o Contrato de Acolhimento e Integração (CAI), a participação na vida cívica e política, além de todas as informações práticas e contactos úteis sobre as entidades luxemburguesas que ajudam na comunicação entre imigrantes e administração pública.

PERGUNTAS FREQUENTES

"Estas são mesmo as perguntas mais frequentes feitas à ASTI pelos recém-chegados e retomámos simplesmente esses assuntos por essa ordem na brochura", afirma Shevon Weber, assistente social estagiária que trabalha na ASTI e participou no projecto deste folheto. "É uma espécie de FAQ, Perguntas Frequentes!", resume Zuccoli. "Este folheto é o mesmo, mas em português, que já tínhamos editado em chinês, persa e em sérvio-bósnio há uns meses. Achámos que estava na altura de pensar nos lusófonos dos países terceiros, que são também cada vez mais a chegar ao Luxemburgo".

Alcinda Lopes da Costa, presidente do CVED, insiste que "agora o mais importante é fazer chegar esta brochura aos cidadãos".

"Muitas vezes, dada a sua situação de recém-chegados, porque não falam ainda bem a língua, ou mesmo porque ainda não estão legalizados, muitos imigrantes mostram-se acanhados, não fazem perguntas, não ousam, nem se dirigem a certas estruturas, como a ASTI, que existem para os ajudar".

Laura Zuccoli diz que o folheto vai ser distribuído às associações que trabalham ou têm membros lusófonos de países não-comunitários, mas adianta que esta brochura pode também ser facultada a qualquer associação, entidade ou privado que a solicite, através do tel. 43 83 33-1 (ou pelo e-mail partenariat@asti.lu ). "Vamos ainda contactar as comunas, as embaixadas e os consulados para ver se querem distribuir o folheto aos seus utentes. Vamos tentar fazer chegar este folheto ao máximo de gente".

A brochura vai ainda estar disponível nos expositores que a ASTI tem na gare central da cidade do Luxemburgo e no complexo Utopolis, em Kirchberg, bem como na sua sede (10-12, rue Auguste Laval, em Eich), na cidade do Luxemburgo, e pode ser descarregada no site da associação ( www.asti.lu ) ou no portal do OLAI ( www.olai.public.lu ).

"Este folheto foi financiado em 50 % pelo OLAI e em 50 % pelo Fundo Europeu para a Integração de Cidadãos de Países Terceiros", acrescenta, por seu lado, Conny Heuertz, do OLAI, para quem é muito importante, nesta brochura, "os imigrantes ficarem a conhecer, por exemplo, o CAI - Contrato de Acolhimento e Integração, que pode facilitar e muito a sua instalação no Luxemburgo".
Texto: José Luís Correia

quarta-feira, 9 de maio de 2012

Panfleto em português explica como registar-se nas comunas


Foto: M.Dias
É a resposta às dificuldades que os estrangeiros têm tido para se inscreverem nas comunas. Lançado na segunda-feira, o guia de 15 páginas, em francês, português e inglês, explica o que é necessário para obter um certificado de registo ("attestation d'enregistrement"), o documento que comprova o direito de residência dos cidadãos comunitários.

A iniciativa vem da Associação de Apoio aos Trabalhadores Imigrantes (ASTI) e da Confederação da Comunidade Portuguesa no Luxemburgo (CCPL), e tem a colaboração de uma dezena de associações e do Governo luxemburguês.
"Demo-nos conta de que há muitos cidadãos comunitários que vêm viver para o Luxemburgo. No entanto, a alguns é recusado o certificado de registo, por falta de informação", explica Michel Thorn, da ASTI.

"As comunas dão informações divergentes para emitir o certificado de registo", corrobora a presidente da associação, Laura Zuccoli. "E a alguns cidadãos comunitários é-lhes recusado o certificado, apesar de preencherem todas as condições legais para o poderem obter".

Casos que têm sido denunciados pela CCPL, e de que o CONTACTO deu conta em várias reportagens. Há comunas que exigem um contrato de trabalho indeterminado, apesar de bastar um contrato temporário, e outras que pedem documentos que a lei não exige.
Para facilitar as diligências junto das autarquias, a brochura informa os cidadãos comunitários, de forma clara e acessível, sobre as condições e os documentos necessários para obter um certificado de registo, obrigatório para quem queira permanecer no país por um período superior a três meses.

A lei luxemburguesa diz que os cidadãos da União Europeia podem permanecer no território luxemburguês durante três meses, sem ser necessário fazer qualquer declaração. A partir de três meses, devem inscrever-se na comuna de residência para obter um certificado de registo ("attestation d'enregistrement") que ateste o seu direito a residir no país. Para isso é necessário ter um contrato de trabalho ou ser trabalhador independente, ou, no caso de não terem um contrato de trabalho, fazer prova de que dispõem de um seguro de saúde e de recursos suficientes para não se tornarem uma sobrecarga para o sistema de Segurança Social. Os estudantes inscritos num estabelecimento de ensino público ou privado reconhecido no Luxemburgo também podem obter um certificado de registo.

O panfleto, que pode ser pedido junto das associações de estrangeiros ou descarregado no portal da ASTI ( www.asti.lu ) , também inclui informações sobre a possibilidade de transferir o subsídio de desemprego entre países da UE. Quem tiver direito a subsídio de desemprego no país de origem, pode pedir que este lhe seja pago no Luxemburgo durante três meses, ao abrigo do direito comunitário.

LUXEMBURGO REGISTA NÚMERO RECORDE DE IMIGRANTES

No ano passado, o Luxemburgo registou um novo recorde de imigrantes. Em 2011 chegaram ao país 20.268 estrangeiros, "um número inédito desde que o Statec contabiliza os fluxos migratórios", disse ao CONTACTO Sylvain Besch, investigador no Centro de Estudos e Formação Interculturais e Sociais. Ou seja, desde o final dos anos 60 que o Grão-Ducado não recebia tantos imigrantes.

Uma nova vaga de imigração impulsionada pela crise económica na Europa, alerta a ASTI. A esmagadora maioria dos recém-chegados ao Luxemburgo (80 %) são cidadãos comunitários.
"A crise financeira e as políticas de austeridade levaram ao aumento da imigração de países do Sul da União Europeia, como a Grécia, Espanha, Portugal e Itália", diz Laura Zuccoli.
No ano passado, as autarquias emitiram 10.559 certificados de registo. Destes, 4.059 foram entregues a portugueses, seguidos dos franceses, com 2.304 certificados de registo, belgas, com 800, e alemães, com 722.
Texto: Paula Telo Alves

Texto do panfleto deixa de fora algumas situações

O texto da brochura editada pela ASTI e pela CCPL foi revisto e aprovado pela Direcção da Imigração do Ministério dos Negócios Estrangeiros luxemburguês, mas deixa de fora uma das possibilidades de fazer prova de recursos suficientes.

Para aqueles que não têm um contrato de trabalho, uma das formas de fazer prova de rendimentos é através de um termo de responsabilidade, um documento em que um terceiro assume a responsabilidade pelas despesas de estadia e as eventuais despesas de afastamento em que o cidadão da UE possa vir a incorrer, durante o prazo de dois anos.

Isso mesmo tinha sido transmitido às comunas numa circular informativa distribuída às autarquias pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros em Maio do ano passado. Neste caso, diz o documento, os cidadãos da UE "só podem obter o certificado de registo depois de o termo de responsabilidade ter sido validado pelo ministro [dos Negócios Estrangeiros]".

Uma informação que ficou de fora da brochura agora apresentada pela ASTI e pela CCPL.
"Essa possibilidade estava incluída no texto original, mas não chegámos a acordo [com o Ministério] e não ficou no texto final", disse ao CONTACTO a presidente da ASTI. "Entendemos que era melhor divulgar um documento com a aprovação do Ministério, sem prejuízo de apoiarmos as pessoas que se sintam lesadas nos seus direitos, quando esteja em causa a interpretação e aplicação da lei", diz Laura Zuccoli.

No portal do Ministério dos Negócios Estrangeiros luxemburguês, é possível descarregar o formulário necessário para fazer o termo de responsabilidade. Aí especifica-se que "o garante deve primeiro dirigir-se à administração comunal da sua residência para que o burgomestre ou um seu delegado legalize a assinatura do garante, isto é, certifique que o garante assinou pessoalmente o documento". Só depois é que o formulário deve ser entregue no Ministério dos Negócios Estrangeiros (Direction de l’Immigration - B.P. 752 - L-2017 Luxembourg).

O termo de responsabilidade deve ser acompanhado pelas três últimas folhas de salário da pessoa que assume o termo de responsabilidade, ou de um documento que ateste os rendimentos mensais, precisa ainda o ministério. 
P.T.A.

sábado, 11 de fevereiro de 2012

Luxemburgo: Subsídios de 1 euro por dia violam direitos do Homem

Foto: M. Dias
A Comissão Consultiva dos Direitos do Homem é peremptória. Reduzir os subsídios dos refugiados para 25 euros por mês, "menos de um euro por dia", viola as convenções internacionais que o Luxemburgo ratificou.

Se o projecto-lei do Governo luxemburguês for para a frente, os requerentes de asilo no Luxemburgo vão passar a receber 25 euros por mês, um corte de 70 %. As crianças com menos de dois anos passam a receber ainda menos: 12,5 euros em vez dos actuais 133,50 euros.

O projecto-lei já provocou a indignação das associações de estrangeiros como a Associação de Apoio aos Trabalhadores e Imigrantes (ASTI), que tem liderado os combates contra o diploma. Ontem, a Comissão Consultiva dos Direitos do Homem (CCDH) foi peremptória. Num parecer enviado ao Governo, a CCDH considera que cabe ao Executivo "impedir todos os casos que violem os direitos humanos". E recorda que reduzir os apoios sociais "a menos de 25 euros por dia" pode violar a Convenção Europeia dos Direitos do Homem, que proíbe "tratamentos indignos e degradantes" e obriga os Estados a considerar "o interesse superior da criança" em todas as decisões.

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Luxemburgo: ASTI protesta contra novas expulsões de kosovares

A Associação de Apoio aos Trabalhadores Imigrantes (ASTI) criticou hoje a expulsão de 14 requerentes de asilo para o Kosovo, acusando o Governo luxemburguês de não observar "critérios transparentes" nos repatriamentos.

"O único critério aparente entre estas pessoas é o seu país de origem, o Kosovo", acusa a associação em comunicado.

O Governo luxemburguês expulsou hoje 14 requerentes de asilo para o Kosovo, incluindo uma família com três filhos menores que frequentavam a escola no Luxemburgo. Entre os requerentes de asilo expulsos, encontrava-se ainda outra família com duas crianças menores, uma de quatro anos e outra com dois meses, segundo a associação. A ASTI critica ainda a expulsão de um menor de minoria bósnia cuja mãe tinha um contrato-promessa de emprego no Grão-Ducado.

Alguns dos requerentes expulsos chegaram ao Luxemburgo em 2002, acusa a associação.

Em comunicado, o Ministério dos Negócios Estrangeiros diz que "todas as pessoas tinham sido informadas da decisão do Governo de não renovar ou recusar" o estatuto de tolerância no Luxemburgo, e que as expulsões foram acompanhadas pela Cruz Vermelha.

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Luxemburgo/Dupla nacionalidade: ASTI quer facilitar condições de acesso às naturalizações

A Associação de Apoio ao Trabalhadores Imigrantes (ASTI) reagiu segunda-feira aos números sobre a nova lei da nacionalidade luxemburguesa (também chamada "lei da dupla nacionalidade"), divulgados na semana passada pelo Ministério da Justiça luxemburguês.

A ASTI elogia a nova lei, mas diz continuar a defender condições mais flexíveis quanto ao tempo de residência mínima para se pedir a nacionalidade luxemburguesa sem perda da nacionalidade de origem (7 anos) e o nível de conhecimento exigido nos testes de língua luxemburguesa , aos quais se devem submeter os requerentes das naturalizações.

Para a ASTI esta nova lei não vem resolver todas as questões e sobretudo as que continuam a fazer carecer o Luxemburgo de uma certa "legitimidade democrática".

"Nas últimas eleições legislativas [Junho de 2009], apenas 45,3% dos residentes eram eleitores, o que não representa nem metade da população do país em idade de poder votar", denuncia a associação em comunicado divulgado ontem.

sábado, 28 de novembro de 2009

Luxemburgo: 30 anos da ASTI - entrevista com Serge Kollwelter e Laura Zuccoli

Laura Zuccoli (à esquerda), que integra a Associação de Apoio aos Trabalhadores Imigrantes (ASTI) desde 1986, sucede a Serge Kollwelter (à direita) que estava à frente dos destinos da associação desde 1979, ano da sua fundação / Foto: Michel Brumat

A Associação de Apoio aos Trabalhadores Imigrantes (ASTI) festejou na semana passada o seu 30° aniversário. A ocasião escolhida para a passagem de testemunho de Serge Kollwelter, que presidia aos destinos da ASTI desde a sua fundação, a Laura Zuccoli.

Uma oportunidade para o carismático fundador da organização abrir o baú das memórias e recordar as lutas travadas pela organização.

“A ASTI, criada em 1979, é a continuidade de uma associação mais antiga, nomeadamente a União (ainda hoje se encontra nas instalações da ASTI, na rue Auguste Laval, n°12-14, em Eich, na cidade do Luxemburgo), que se propunha olhar e agir perante os problemas dos portugueses, os quais, na prática, eram os mesmos que os dos espanhóis e italianos”, relembra a figura incontornável da organização, Serge Kollwelter, sublinhando que “o objectivo era reunir as várias associações existentes para um objectivo comum: a participação política e o direito de voto dos estrangeiros”.

Entretanto, Kollwelter reconhece “que a reivindicação fundadora da ASTI, ou seja, o direito de voto dos imigrantes (nas eleições comunais e europeias), foi essencialmente transposta pelo Tratado de Maastricht, houve claramente uma pressão europeia que fez avançar as coisas”.

É com regozijo que Serge Kollwelter relembra que a ASTI conseguiu levar o Estado luxemburguês perante o Tribunal de Justiça Europeu, obrigando-o a mudar uma lei sobre as Câmaras Profissionais.

“O Luxemburgo é um fiel da União Europeia , mas muito atrasado quando se trata da transposição de uma série de directivas”, lamenta Serge Kollwelter.

Ao longo dos 30 anos a comandar os destinos da ASTI, Kollwelter não esquece os momentos em que pôde “constatar que a situação de pessoas e as famílias melhorou significativamente".

Já quanto aos momentos “em que não nos sentimos bem podemos assinalar a forma rigorosa e desumana como se processaram e ainda se processam certos repatriamentos”, insurge-se Kollwelter.

Por isso, Serge Kollwelter deixa ao Ministério da Imigração a mensagem: “Uma sociedade significa viver juntos e não se constrói acumulando excepções e derrogações. Se não agirmos perante o défice democrático que temos, caminhamos para uma espécie de África do Sul, que entretanto já ultrapassou esse estado”.

Nova presidente e novo porta-voz

Laura Zuccoli é sucessora de Serge Kollwelter e à semelhança deste último já anda nestas lides há algum tempo, há 26 anos.

Laura Zuccoli, de origem italiana, aceitou o cargo, porque “o próprio Serge já falava desde algum tempo em transmitir o testemunho a outra pessoa (o próprio confiou ao CONTACTO que a ASTI estava injustamente demasiado associada à sua imagem), além de estar envolvida com a ASTI há já muito tempo, me identificar com ela e poder contar com toda uma equipa”.

Para a nova presidente, os desafios continuam a ser os mesmos de agora, isto é, “preservar a coesão social no sentido em que os estrangeiros tenham o seu lugar na sociedade, que não sejam apenas vistos como mão-de-obra”.

"Isto é válido tanto para estrangeiros não-comunitários como para estrangeiros comunitários", exemplificando que os portugueses continuam a chegar ao Luxemburgo, por isso, a questão da integração coloca-se sempre, sobretudo em época de crise".

A sucessora de Serge Kollwelter insiste que a "participação política é absolutamente essencial, porque não se pode viver num país em que 70 % da população activa, que não é luxemburguesa, não vota". "Apenas 46,3 % dos eleitores são residentes luxemburgueses", informa.

Laura Zuccoli propõe-se ainda no futuro, além de desenvolver uma série de projectos, "insistir na sensibilização da opinião pública, mostrando-lhes que temos boas práticas, as quais têm uma ligação directa com as nossas tomadas de posições políticas".

Sobre a escolha do porta-voz, a nova dirigente da ASTI afirma que após a sua nomeação não queria ser demasiado omnipresente e achou importante diversificar as caras no seio da ASTI.

Além disso, é a forma de "dar a outras pessoas a oportunidade de se exprimirem sobre assuntos como política e ter outra pessoa que simbolize a imagem da ASTI", defende.

Zuccoli assevera que o porta-voz (o cargo será ocupado por Jean Lichtfous) "é totalmente independente, no sentido em que não é pago pelo Estado, mas sim pela ASTI, e não integra nenhum projecto financiado pelo poder público".

"Temos projectos que são financiados pelo Governo e pela União europeia, mas tudo o que diz respeito à política somos independentes, e a pessoa que representa essa liberdade é o porta-voz.

ASTI consegue revisão da nova lei sobre a.s.b.l.

As associações sem fins lucrativos (asbl) e as fundações são actualmente regidas pela lei de 21 de Abril de 1928. Ainda que as associações estejam de acordo sobre uma revisão, o projecto-lei entregue no início do mês pelo Governo à Câmara dos Deputados não satisfaz as exigências das asbl.

A 11 de Novembro, Serge Kollwelter denunciava que "que os autores do texto não estabelecem nenhuma diferença entre um pequeno clube ou uma secção local e uma associação que gera milhões de euros de lucros, levando a que o trabalho administrativo para as pequenas associações seja demasiado pesado, o que é contraproducente".

Laura Zuccoli reconhece que "há mérito do ex-presidente da ASTI, porque conseguiu juntar um rol de associações tão diversificadas, desde associações de cariz ecológica, passando por associações de cariz social e desportivo, para fazer com que o projecto-lei inicial fosse retirado".

Zuccoli insiste que as asbl são importantes, uma vez que contribuem para a integração das pessoas.

Nuno Costa

quinta-feira, 30 de julho de 2009

ASTI: "Cidadãos estrangeiros devem ter acesso a cargos da Função Pública"

A Associação de Apoio aos Trabalhadores Imigrantes (ASTI) reivindicou na quarta-feira da semana passada a "abertura da Função Pública aos cidadãos estrangeiros".

A associação considera positiva a intenção do novo Governo de tornar os cargos da Função Pública acessíveis a cidadãos comunitários, pois a ASTI vê esse direito como sendo "uma extensão da democracia".

Contudo, a ASTI não concorda com o facto de os residentes não-comunitários, apesar de poderem ser eleitos para os cargos de burgomestre e vereador, e até decidir a atribuição de empregos a nível municipal, estes apenas abertos a cidadãos luxemburgueses, estarem excluídos dos mesmos – contradição esta completamente incompreensível para a associação.

Além disso, a ASTI clama pelo fim do da cláusula de residência de cinco anos que autoriza a participação dos residentes estrangeiros oriundos da União Europeia e de países terceiros nas eleições comunais. Os três meses necessários para as formalidades de inscrição nas listas eleitorais são suficientes, defende a associação.

Por seu lado, o Comité de Ligação das Associações Estrangeiras (CLAE) queixa-se do novo Executivo por não ter previsto rever a lei sobre a nacionalidade que aumentou o prazo de residência de cinco para sete anos. No que respeita as exigências linguísticas, a plataforma de associações estrangeiras advoga a substituição dos testes de avaliação por certificados de participação em aulas de língua e cultura luxemburguesas.

Em reacção à disposição dos ministérios do novo Executivo, ASTI e CLAE deploram que a pasta da Imigração e o Gabinete de Acolhimento e Integração ("Office d'accueil et d'intégration" ou OLAI) não façam parte de um só ministério.

O CLAE diz ainda lamentar que o Governo não tenha avançado pormenores no seu programa quanto à forma de pôr em prática a lei sobre a imigração e integração dos estrangeiros, votada em Novembro de 2008.

NC

sexta-feira, 24 de julho de 2009

Luxemburgo: Contra planos do Governo de "suavizar" exigências linguísticas, professores de francês defendem trilinguismo

A Associação dos Professores de Francês do Luxemburgo (APFL) opõe-se aos planos do novo Governo de aligeirar as exigências linguísticas dos alunos, que considera uma "mentira". A APFL denuncia o mito segundo o qual os alunos devem dominar perfeitamente o francês, o alemão e o inglês para passar o exame de fim do secundário ("bac") e opõe-se a uma opção "francês ou alemão, segunda língua", temendo o abandono do trilinguismo.

"Jean Asselborn disse que era preciso ser brilhante nas três línguas para obter o bac . Não é verdade, é perfeitamente possível acabar o liceu sem o domínio das três línguas", afirma Jean-Claude Frisch, presidente da APFL, naquilo que considera a "mentira do trilinguismo".

Frisch explica ainda que os alunos das secções científicas e artísticas (B, C, E e F) podem desistir de uma língua logo no início do ciclo. "O que não acontece com os alunos dos liceus técnicos, sem contar com a possibilidade de compensar até duas notas insuficientes". "Atingimos um certo equilíbrio entre as três línguas e não se pode agora pôr isso em causa", defende Frisch, que acredita que renunciar ao trilinguismo, instaurando o "francês, segundo língua", criará uma cisão no seio da sociedade. A APFL teme que o "alemão, primeira língua" se transforme numa opção "mais fácil", enquanto o francês "seria opção para os alunos oriundos de meios sociais mais favorecidos, em que os pais obrigam os filhos a escolher o francês, conscientes da importância da língua para a integração do mercado de trabalho".

A tudo isto, segundo a APFL, junta-se a grande vantagem que é a possibilidade de escolher uma universidade num país vizinho. De outra forma, criar-se-á uma situação de bloqueio, em que um estudante de Medicina seria obrigado a ir para a Alemanha, em vez da França, por não ter um nível de francês suficiente". Sem esquecer a vantagem que constitui o trilinguismo no mercado de trabalho luxemburguês, salienta ainda Frisch, sobretudo face à concorrência dos fronteiriços.

Frisch vai mais longe nas críticas, afirmando que depois de conhecidos os resultados do estudo PISA "tudo foi posto em questão, mas o nosso ensino não está assim tão mal". "Quando a OCDE critica o nosso sistema escolar, estamos prontos a abandonar um acervo essencial, mas quando a mesma critica o nosso sistema bancário, somos nós que criticamos a OCDE!"

ASTI: multilinguismo não é motivo do insucesso escolar

A ASTI (Associação de Apoio aos Trabalhadores Imigrantes) considera que o multilinguismo é, mais do que um problema, uma vantagem para os estudantes e futuros profissionais luxemburgueses.

Em comunicado, aquela associação lembra que "os problemas de insucesso escolar, que temos tendência a atribuir às numerosas exigências linguísticas, existem noutros países em que as exigências linguísticas não são tão grandes". Em consequência, a ASTI afirma que "o multilinguismo luxemburguês pode acentuar os problemas, mas não é a base do problema".

O problema, para a associação, são as desigualdades sociais e, por isso, defende que "a escola deve agir contra as desigualdades sociais de que sofrem os alunos socialmente mais frágeis, muitas vezes provenientes da imigração. Trata-se, isso sim, de uma questão de coesão social".

No mesmo comunicado, a ASTI sugere o "rejuvenescimento" do ensino das línguas no Luxemburgo, colocando a ênfase na potencialidade das línguas como meio de comunicação oral.

Estadias e "banhos" linguísticos poderão ser, segundo a associação, métodos eficazes. "A experiência de mais de 20 anos da ASTI, com estadias linguísticas na Alemanha, ilustram bem esta ideia". E considera que "na Grande Região, a geminação entre liceus do Luxemburgo com outros desta região poderia ser o local de predilecção para utilizar as línguas, sabendo-se que a escola apresenta dificuldades ligadas ao carácter escolar e literário das línguas."

A ASTI espera que "este debate sobre o multilinguismo seja feito em larga escala" e que "não seja boicotado por aqueles que, na verdade, nada querem mudar".

F. Pinto

domingo, 12 de julho de 2009

Domingo/Grund: ASTI e ASTM organizam festa dos ateliers e das culturas

A festa dos ateliers e das culturas ("Fête des ateliers et des cultures") tem lugar este domingo, 12 de Julho, a partir das 11h30 na Abadia de Neumünster, no Grund, na cidade do Luxemburgo.

A festa, cuja entrada é gratuita, tem a colaboração de 300 estudantes de liceus luxemburgueses, e de artistas originários da África, da Ásia e da América Latina. O evento é organizado pela ASTM, a agência intercultural da ASTI (Associação de Apoio aos trabalhadores Imigrantes).

O grupo Cabo-Samba, composto por membros da associação São Vicente, vai animar o público com um programa de percussão cabo-verdiano único no Luxemburgo, durante todo o dia.

Pratos típicos dos três continentes serão apresentados numa " aldeia gastronómica " (village gastronomique). Das 13h30 às 19h, alunos de vários liceus do país e artistas animarão o público com espectáculos de música e dança. Durante toda a tarde, há ateliers de música, escrita e pintura para crianças.