sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Entrevista com o actor Luís Vicente

A alguns dias de estrear "A Tempestade" em Trier e no Luxemburgo, o actor Luís Vicente cita Eugène Ionesco :

"Deus criou o mundo,
Shakespeare criou a Humanidade"


Partilha com Gil Vicente o apelido e o teatro nas veias, e confia que a arte do palco é realmente a sua grande paixão, apesar de fazer também televisão e cinema. O actor português Luís Vicente, que ficou conhecido pelo papel de Átila na série "Duarte & Companhia", está há um mês em Trier, na Alemanha, para os ensaios de "A Tempestade" de Shakespeare.

A peça é uma co-produção entre A Companhia de Teatro do Algarve (ACTA), de que Luís Vicente é director, o Teatro de Trier, o Teatro Nacional do Luxemburgo (TNL) e o Centro Cultural Kinneksbond, em Mamer, onde a peça sobe a palco a 17 e 18 de Fevereiro, depois de estrear no dia 12 na Alemanha.


Sexta-feira, são cerca das três e meia da tarde, em Portugal ainda é hora de almoço, e assim encontramos Luís Vicente no restaurante The Good Friend , na companhia de Tânia Silva, uma das actrizes da ACTA com quem integra o elenco de A Tempestade. Contam-nos como chegaram à gare do Luxemburgo e enfiaram pela rua em frente, tinham "tantas saudades de comer português", que não resistiram "a um bom bacalhau". A partir daí, a conversa faz-nos viajar por William Shakespeare, com paragens em Eugène Ionesco, Platão, Henry de Montherlant, Vélez de la Guevara, Bertolt Brecht, Lutz Hübner, Inês de Castro, o estado do mundo, os economistas, os políticos. Para regressar sempre a Shakespeare, inelutavelmente.

Luís Vicente conta como o convite surgiu por parte do director do Teatro de Trier, projecto a que se associaram depois o TNL e o Kinneksbond, com o patrocínio da UE e o apoio do Instituto Camões do Luxemburgo e da Caixa Geral de Depósitos. Aceite o convite, convinha saber em que direcção caminhar juntos.

"Há aspectos que são comuns às três entidades", começa Luís Vicente. "Na ACTA, temos preocupações de âmbito artístico, mas também de ordem social. Queríamos explorar a questão das migrações e a diversidade cultural, que são questões que preocupam a Alemanha e o Luxemburgo. Também fazemos esse trabalho em Faro, porque ultimamente têm imigrado para o Algarve pessoas vindas de África, do Leste Europeu, do Brasil. A partir daí, foi fácil decidir em que peça pegar".

Um paradigma que explica o mundo de hoje

Mas porquê Shakespeare? Não foram tentados por Brecht ou outros autores germânicos já que vinham à Alemanha e ao Luxemburgo?

“A ACTA já trabalhou com autores alemães como Offenbach, Brecht ou Hübner, este último é um jovem autor contemporâneo muito bom. Mas a escolha para esta co-produção pareceu evidente às três companhias. Ionesco [ dramaturgo franco-romeno, n.d.R. ] costumava dizer: ‘Só há dois verdadeiros criadores: Deus, que criou o mundo, e Shakespeare, que criou a Humanidade’", recorda Vicente, em jeito de resposta. E explica-nos que A Tempestade “é um texto extraordinário, em que surgem confrontos do ponto de vista étnico, sociológico, e até conflitual na perspectiva da poesia, é um texto que serve todos os intentos das três companhias".

"A Tempestade é um paradigma. A Europa vive um momento difícil”, analisa o actor, evocando a crise, a procura de um sentido por parte do poder político e económico, a vaga de imigrantes que tenta entrar numa Europa que se abre por dentro, mas se fecha como uma ilha aos de fora.

“É sintomático três companhias teatrais, de três países europeus, terem pegado nesta peça que se passa numa ilha, para reflectir sobre o que acontece à nossa volta. Um dos actores da ACTA, Mário Spencer, que faz de Kaliban, é natural da Guiné Bissau, o que introduz reflexões na peça que não tinham passado pela cabeça dos colegas alemães, porque simplesmente não têm o mesmo passado colonial que Portugal. O curioso é que este texto é tratado em Portugal como uma tragédia, e na Alemanha como uma comédia. Uma comédia do poder. O texto tem-nos conduzido a uma reflexão conjunta com a equipa alemã e luxemburguesa, o clima de trabalho tem sido muito bom, muito convicto, com uma poesia que aponta para a reflexão. Quando levamos à cena uma peça, o que é interessante é fazer reflectir os espectadores sobre a realidade. O teatro tem essa missão. Por isso recorremos aos clássicos, porque os clássicos só o são se forem intemporais. E é esse o caso das peças de Shakespeare”, explica o actor.

"Platão, na República, defende que os poetas devem ser expulsos da cidade porque os seus pensamentos corrompem a juventude. Nos tempos que correm, não sei se esta metáfora não deveria ser aplicada aos economistas, porque são actualmente os sujeitos mais fantasiosos que existem, não há entre eles discursos coincidentes, não fazem bem nenhum à cidade. Não sei se também não deveriam ser expulsos da cidade”, questiona o actor. “A cidade precisa de actos conscientes. Com toda a humildade, penso que com esta peça estamos a dar um contributo interessante para uma reflexão, divertida e descomprometida, acerca da realidade que vivemos hoje na Europa”.

Natural de Setúbal, onde nasceu em 1953, filho da cidade de Faro por adopção, desde que aí chegou em 1997 para fundar a ACTA (a convite do prof. José Louro), Vicente recorda as palavras inscritas no frontispício do Teatro Lethes, na capital algarvia: " ’Monet Oblectando’, o que significa ‘Aprender brincando’. É o que estamos a procurar fazer com esta peça".

Não é a primeira colaboração da ACTA a nível europeu, mas Vicente confia que com este carácter multilinguístico é a primeira vez. “Mas todos estão a encarar a experiência como muito enriquecedora”, diz.

Perdidos nas traduções?

A peça vai ser representada em alemão, português e inglês, o que significa na prática que os actores de Faro vão responder às deixas dos actores que se dirigirem a eles nas línguas de Goethe e de Shakespeare. Para que os espectadores não se sintam desfasados ou perdidos nas traduções, estará montado junto ao palco um ecrã com legendas em alemão e português. Esta multitude de línguas não resulta numa torre de Babel, assegura Vicente, "mas num desafio muito interessante para os actores".

“Contracenar com actores que nos falam noutra língua é realmente um desafio. Claro que sabemos o que nos estão a dizer, porque todos conhecemos a peça e é para isso que servem os ensaios. Mas o mais importante é a verdade que cada actor consegue dar à personagem que encarna e não tanto as palavras. Porque o desafio está em fazer perceber ao público as intenções de uma personagem através da linguagem corporal, mais do que através das palavras ou da língua", confirma a jovem Tânia Silva (na foto ao lado), que integra a ACTA desde 2004 e que já vai na sua terceira aventura “shakespeariana”, após "Ricardo III" (2006) e "Troilo e Créssida" (2010).


Tragédia de Inês de Castro é terceiro tema preferido pelas artes


Luís Vicente confia que “gostaria que este projecto abrisse perspectivas” para mais colaborações. Uma das peças que gostaria igualmente de trazer ao Luxemburgo é um projecto que a ACTA está a preparar para Outubro. Trata-se de uma peça sobre Inês de Castro, dirigida pelo encenador polaco Lech Madzik, antigo aluno de Karol Wojtyla (papa João Paulo II), com quem fundou a companhia de teatro Szena Plastyczna , em Lublin. O autor tem várias obras publicadas na Polónia sobre a tragédia de Inês. “Muitas portugueses não sabem que Inês de Castro é o terceiro tema mais trabalhado pelas artes e pelas literaturas no mundo inteiro, isto se falarmos de personagens que tiveram existência factual. O primeiro tema mais abordado é Jesus Cristo e o segundo é Napoleão. Já no século XVI, o castelhano Luis Vélez de Guevara escreveu sobre Inês de Castro, mas foi sobretudo Montherlant, com a sua peça "La reine morte" [1942], que deu uma amplitude mundial à história.”

Átila e a fama do pequeno ecrã

Quando evocamos Átila, a personagem de mafioso que Luís Vicente interpretou em "Duarte & Companhia", série transmitida pela RTP entre 1985 e 1989, o actor não consegue evitar um sorriso. "Foi uma série emblemática, produzida numa altura em que Portugal só tinha dois canais. As condições de produção eram rudimentares. Mas apesar disso, a série foi um êxito fabuloso e está hoje na história da televisão em Portugal. Nenhum de nós tinha consciência que estava a fazer história. Marcou uma época. E ainda hoje me falam na série, porque a RTP está sempre a fazer reposições”.

Mas até nessa sitcom antes da hora já havia uma preocupação social e até política, recorda Vicente. “Até há teses universitárias sobre a série, sabia? Muitos diálogos não eram inocentes, eram inspirados em comentários ou homens políticos da altura. Havia vários níveis de leitura possíveis”.

Depois da série, dedicou-se mais ao teatro, mas nunca deixou a televisão, tendo entrado em novelas como “Laços de Sangue” (2010), “Vingança” (2007) ou “Morangos com Açúcar” (2004). Actualmente interpreta o papel do vampiro Lúcio Cunha em "Lua Vermelha" (SIC). ”Gostei muito de entrar na Lua Vermelha porque é a primeira vez que contraceno com a minha filha [Sara Vicente, que interpreta Maria do Céu]. Trabalhei com muita gente jovem, há muito tempo que um trabalho em televisão não me dava tanto prazer”, recorda. E, para breve, revela que vai participar numa série sobre o Caminho de Santiago de Compostela, numa co-produção entre a RTP e um canal da Galiza.

Mas, em jeito de conclusão, reitera que, apesar da fama que a televisão lhe trouxe, é o teatro que continua a ser a sua grande paixão. “O que faço em televisão, faço-o de maneira honesta, mas penso que o que faço no teatro é muito mais interessante, por isso é o meu caminho preferido e o que mais gosto de partilhar com as pessoas. O teatro dá-me outro tipo de prazer, é uma relação muito mais directa com o público, é um pulsar mais intenso, a preparação é mais profunda. Exige-me mais reflexão, pesquisa. E sobretudo se for Shakespeare. Todos os actores sonham em interpretar Shakespeare. E se a minha popularidade em televisão puder contribuir para atrair mais espectadores a esta peça que trazemos à Alemanha e ao Luxemburgo, fico muito contente com isso”.

José Luís Correia

Portugueses representam 15 % dos moradores da cidade do Luxemburgo

13.751 é o número de portugueses que residem oficialmente no território da cidade do Luxemburgo, o que faz destes os estrangeiros mais numerosos na capital luxemburguesa, representando quase 15 % dos habitantes, e posicionando-os como a segunda nacionalidade mais representada depois dos luxemburgueses.

São os números apresentados esta semana pela autarquia da capital no seu habitual City Breakfast com a impresa.

A terceira nacionalidade mais numerosa na cidade é a francesa, com 14,05% dos moradores, o que representa 13.189 habitantes. Seguem-se os italianos, os belgas e os alemães.

A cidade tem actualmente 93.865 moradores, dos quais bem menos de metade, cerca de 35 % são cidadãos nacionais. Os únicos bairros em que os luxemburgueses estão em maioria são Cents, Hamm e Cessange.

Infografia: Sabina Palanca/Contacto/LW

"Discriminação é institucionalizada"

Os portugueses voltam a ser alvo de um ataque xenófobo no site de Pierre Peters. O portal continua activo e o presidente da Confederação da Comunidade Portuguesa no Luxemburgo não percebe porquê. Para Coimbra de Matos, o Estado é o primeiro a discriminar os estrangeiros.

"Portugueses! Pousem as vossas pás, párem os motores dos bulldozers e dos camiões e voltem para Portugal!".

A frase pode ser lida no site do nacionalista luxemburguês Pierre Peters, no que é o mais recente ataque xenófobo aos portugueses, divulgado na quarta-feira pelo portal Bomdia. O fundador do Movimento Nacionalista já tinha sido alvo de buscas policiais em finais de Janeiro, mas até agora não foram deduzidas quaisquer acusações contra Peters, apurou o Point24 junto da Procuradoria.

O portal, esse, continua activo. "Tenho a certeza que se houvesse um estrangeiro que fizesse declarações deste tipo contra outras nacionalidades, o mínimo que lhe podia acontecer era estar na prisão", acusa Coimbra de Matos. "Este site tem de ser banido". O dirigente associativo também não percebe por que razão "não aconteceu ainda nada" no caso do e-mail xenófobo enviado por um agente da Polícia, em Agosto. E acusa o Estado luxemburguês de ser o primeiro a discriminar os estrangeiros no acesso à Função Pública.

Comentando a notícia de que o Governo exige a nacionalidade luxemburguesa para aceder às 12 vagas de condutor de ambulância postas a concurso, um caso divulgado hoje pelo diário L'essentiel, o presidente da CCPL diz que se trata de "discriminação institucionalizada". "Há alguma lógica que os estrangeiros possam ser burgomestres, pela lei aprovada recentemente, e não possam ser condutores de ambulância? Isto é irracional e é um apelo a que haja discriminação".

Procuradoria desconhece caso

Até ontem, a Procuradoria não tinha conhecimento do novo ataque xenófobo de Peters contra os portugueses. Foi o Point24 quem alertou o porta-voz, Henri Eippers, para a nova entrada no site.

(texto completo na edição de sexta-feira, dia 11 de Fevereiro, do Point 24, edição portuguesa)

Luxemburgo vai ter dois Burger King: um em Foetz, outro em Wasserbillig

A conhecida cadeia norte-americana de fast food Burger King vai abrir a sua primeira filial na área de serviço de Wasserbillig, já na Primavera.

Seguir-se-á a abertura de um segundo restaurante na zona comercial de Foetz, como anunciado oportunamente pelo CONTACTO em Fevereiro de 2010.

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Portugal: Sócrates acusa Bloco de Esquerda de conduta "incoerente" e "sectária" por apresentar moção de censura contra o Governo

O primeiro-ministro português José Sócrates (na foto, supra) acusou hoje o Bloco de Esquerda de contradição política ao anunciar uma moção de censura por mera competição com o PCP e de adotar um comportamento sectário face ao seu Governo.

O primeiro-ministro acusou hoje o Bloco de Esquerda de “colossal irresponsabilidade” ao anunciar uma moção de censura ao Governo, dizendo que a instabilidade política seria duramente paga por dez milhões de portugueses.

José Sócrates falava aos jornalistas no final do debate quinzenal, na Assembleia da República, depois de o líder do Bloco de Esquerda, Francisco Louçã, ter anunciado a apresentação de uma moção de censura ao Governo.

Passos Coelho diz que país não precisa de viver todas as semanas na esquizofrenia da crise política

O líder do PSD, Pedro Passos Coelho, recusou hoje comentar o anúncio de uma moção ao Governo por parte do BE mas sublinhou que Portugal não pode viver "esquizofrenicamente todas as semanas" sentimentos de crise política.

Por seu lado, o líder do grupo parlamentar social democrata, Miguel Macedo, afirmou que o PSD "vai avaliar com ponderação, frieza e responsabilidade" a posição a assumir em relação à moção de censura do BE ao Governo.

Fotos: Lusa

Luxemburgo: Imprima você mesmo o seu bilhete TGV

Desde esta semana cada passageiro pode comprar e imprimir o seu bilhete para o TGV. Quando chega à gare, o viajante pode dirigir-se directamente para o comboio sem ter que aventurar-se nas filas de espera. Mais informações em www.cfl.lu, na internet.

Foto: Serge Waldbillig

Luxemburgo: Cães estão proibidos de entrar nos restaurantes

Os cães e os animais em geral não podem entrar nos restaurantes, relembrou o ministro da Saúde, Mars Di Bartolomeo, esta semana. Apenas cães-guia e peixes de aquário estão autorizados.

Foto: Shutterstock

28 sem-abrigo morreram em 2010 no Luxemburgo

Foram 28 os sem-abrigo que faleceram em 2010. Em quase todos os casos, o frio foi a causa da morte. Em sua memória foi celebrada na quarta-feira uma missa na igreja de Bonnevoie (ver foto). Assistiram à missa o arcebispo do Luxemburgo, Fernand Franck, o presidente do Parlamento, Laurent Mosar, a ministra da Família, Marie-Josée Jacobs, entre outras invidividualidades.

Foto: Charlot Kuhn / LW

Deputados luxemburgueses devem abster-se de lançar ou assinar petições

Os deputados luxemburgueses não devem lançar ou assinar petições dirigidas às autoridades públicas.

É a decisão tomada pela conferência dos presidentes do Parlamento luxemburguês. Nenhuma lei o proíbe, mas esse comité considera que os deputados já têm tribuna cativa no Parlamento para exprimir as suas opiniões e devem assim abster-se de tomar parte em petições que serão posteriormente votadas por si próprios na Câmara dos Deputados.

Foto: Guy Wolff/LW

Opinião

Moção de censura entra em jogo

A política portuguesa passou a contar com um dado novo, vindo do Partido Comunista que, de uma só vez, conseguiu colocar a pressão sobre o Governo, mas também sobre os dois partidos de direita – o novo dado chama-se moção de censura.

O líder dos comunistas admitiu a possibilidade de o seu partido viabilizar uma moção de censura, vinda de alguns dos partidos de direita, votando-a favoravelmente. Menos de 24 horas depois desta afirmação, Jerónimo de Sousa foi mais longe e disse que essa iniciativa política podia partir do seu próprio partido, bastando para isso uma decisão do Comité Central.

Mas há alguma ambiguidade, por parte de Jerónimo de Sousa. Por um lado, diz que a moção de censura deve ser usada de "forma ponderada", ao mesmo tempo que avisa que o seu partido não assina nada de cruz. Portanto, a questão dos "pressupostos e dos considerandos" é muito importante, para que o PCP se possa associar aos partidos da direita, no derrube de um governo que, ainda assim, mantém a matriz do Partido Socialista.

O que se realça de tudo isto é que o PCP quer ser parte activa neste jogo e está disposto a negociar, quer com o PSD quer com o PS. Resta saber até onde vai a vontade dos outros partidos em chegar a acordo com os comunistas. No caso do PS, um eventual entendimento seria para que o PCP inviabilizasse qualquer moção de censura e permitisse a continuidade desde governo. Caso o acordo fosse com o PSD, naturalmente, que teria fins opostos, isto é, o voto dos deputados comunistas deveria garantir a queda do executivo de José Sócrates.

O Bloco de Esquerda mantém-se fora deste jogo. Este fim de semana, reuniu-se a sua Mesa Nacional, órgão máximo entre congressos, que não analisou o assunto. A ordem de trabalhos prendia-se com questões relacionadas com a precariedade laboral e, no final, os seus dirigentes, reafirmaram a sua posição de princípio. Uma moção de censura, nesta altura, é absolutamente inútil.

Mas o poder está desorientado, nem todos os membros do governo dizem a mesma coisa e há leis, como a do divórcio, que confirmadamente contém erros, alguns dos quais foram aqui enunciados. É mesmo o fim de um ciclo político que só não acabou ainda, porque cada um obedece mais à sua estratégia que aos interesses nacionais.

O ministro dos Assuntos Parlamentares, Jorge Lacão, manifestou-se favorável a um entendimento com o PSD para reduzir o número de deputados. Dos actuais 230, a Assembleia da República passaria para 180, de acordo com a sua proposta que está de acordo com a do PSD.

Lacão foi de imediato desautorizado pelo Primeiro-Ministro. José Sócrates disse que essa não era a posição do Partido Socialista e que qualquer revisão do sistema eleitoral excluiria a redução do número de deputados. A polémica agitou não apenas os círculos políticos, mas também alguns especialistas em direito administrativo e constitucional. A discussão divide-se em dois pontos. Por um lado, a possibilidade de os partidos mais pequenos verem reduzida a sua representação parlamentar. Por outro, o baixo rácio entre eleitores e eleitos.

Qualquer dos argumentos é ponderável, mas o que não é admissível é que, por mais uma vez, se adie a reforma do sistema político, usando como desculpa este argumento bloqueador. Há processos para ultrapassar as duas questões. Para além de que, a redução do número de deputados só se justifica se se mantiver o actual modelo de eleição, que gera vagas enormes de inutilidades, no parlamento. Com um outro sistema, com certeza que só se elegerão deputados com mais utilidade.

Esta semana, o Observatório da Justiça, presidido pelo sociólogo, Boaventura Sousa Santos, concluiu que a nova lei do divórcio, entre outros erros, não acautela as questões materiais, da parte mais frágil. Esse e outros erros foram aqui denunciados em tempo útil. Mas insisto que o novo quadro legal abre caminho à fraude, sobretudo, ao abuso de confiança, para além de que estimula o casamento de estrita conveniência, por exemplo, para aquisição da nacionalidade.

Tudo isto parece fazer parte de uma estratégia mais vasta. Primeiro, destruíram-se os fundamentos de um valor civilizacional, como era o matrimónio, para depois, em nome da igualdade de direitos e da não discriminação, abrir esse instituto a pessoas do mesmo sexo. Mas esqueceram-se que, antes da lei do casamento gay, os homossexuais tinham o mesmíssimo direito de acesso ao casamento que qualquer heterossexual. Ou estarei enganado?

Sérgio Ferreira Borges
(o autor assina uma coluna de análise política semanalmente no CONTACTO)

Opinião

Hieróglifos

Os acontecimentos na cidade dos mil minaretes pontificam, desde há mais de uma semana, nos inúmeros serviços noticiosos, mas raro é o analista que se atreve a delinear uma entre várias prováveis origens ou uma entre várias possíveis evoluções, reduzindo-se à evidente correlação (pelo menos temporal) com a insurreição tunisina. Os analistas andam perdidos nos anais.

Terá a quase aceite evidência de que o filhote mais novo de Mubarak se prepara, com o apoio da finança internacional, a suceder ao pai e assegurar essa dinastia faraónica numa república multipartidária em estado de sítio desde há décadas, forçando eventuais pretendentes a inflamar as massas? Algo já velho de dez anos mas que ganha amplitude com o aproximar de eleições presidenciais, as quais, desde o golpe de 1952, são de candidato único, não obstante as promessas de reforma.

Ou será que a instabilidade no mundo árabe, do Mediterrâneo ao Golfo Pérsico, e mais além, cuja emergência é facilitada pela presença ou de autocracias e similares ou de religiosos intolerantes, com as consequentes rivalidades internas e o afadigar diplomático, cai que nem sopa no mel nos esforços do povo escolhido para aligeirar o cerco e a pressão, após o relativo esquecimento da ameaça iraniana?

Parece, pois, inútil resumir o que todos leram, ouviram e viram, tanto como é despropositado, ou extemporâneo, teorizar sobre bases incertas ou não comprovadas. Porém, o repentino abalo num país que nos habituaram a ver estável obriga a deixar elementos de reflexão.

Que aqueles que tradicionalmente se tomam por donos do mundo, polícias, julgadores e correctores de tudo o que nele se passa, não se levantem contra os perturbadores da ordem estabelecida, antes com eles façam coro contra um seu amigo e aliado – é suspeito. Que um gasoduto expluda e arda, em acto de sabotagem, mas não aquele que se liga a um determinado país vizinho (Israel) – é suspeito. Que as forças do Bem reclamem, de repente, eleições, sabendo que recentemente dois processos desses deram a vitória ao Mal e que é grande a probabilidade de tal se repetir – é suspeito. De resto, o atraso evidente, e a timidez, com que os fazedores de chuva e os fabricantes de guarda-chuvas mencionaram as virtudes dos valores democráticos, também isso é suspeito. Que os serviços secretos egípcios sejam os principais parceiros da Grande Agência em todo o espaço muçulmano (contrariamente ao suposto) e não tenham pressentido a avalancha e prevenido que o ressentimento popular se faça contra o líder, directamente, mas contra a situação económica em geral – é suspeito.

Todos estes "laissez-faire" são motivo de interrogação. Uns suspeitos de directores do circo, outros de bobos da corte.

O actual nome do Egipto (Misr) significa "a terra" ou "fortificação". Bem... é verdade que os hieróglifos são difíceis de ler, mas mais ainda de decifrar.

Carlos Roso

"Daqui a dez anos já não haverá Arcelor no Luxemburgo", diz um dos trabalhadores portugueses da empresa

A Arcelor anunciou que vai despedir 262 dos 800 trabalhadores das unidades de Rodange e Schifflange. O CONTACTO falou com um trabalhador português da empresa que vê um futuro nada risonho.

"Daqui a dez anos, no máximo, já não haverá Arcelor no Luxemburgo". É a conclusão a que chega um trabalhador português da ArcelorMittal, quando o CONTACTO lhe pede para dizer como tem sido o ambiente vivido pelos trabalhadores da empresa desde que esta anunciou os despedimentos. "É um clima de medo", garante o português, que pediu para guardar o anonimato.

"Vão despedir sobretudo electricistas, mecânicos, técnicos térmicos, esse tipo de postos", revela o português que diz não temer, por enquanto, pelo seu lugar, devido à sua "experiência" e "especificidade técnica" do seu trabalho.

"Para já, querem despedir um terço da malta em Rodange e Schifflange. O [Lakshmi] Mittal está só à espera de um pretexto. Como Rodange e Schifflange lhe custam caro, vão esses primeiro". A decisão final cai em Março.

"Mas não acredito que fique por aí", aventa o português. E vai mais longe. "O objectivo final é fechar todas as unidades no Grão-Ducado. Até a sede histórica da Arbed [ antigo nome da siderúrgica luxemburguesa, antes de ser comprada por Mittal, n.d.R.] , porque a sede da Mittal está na Holanda. Ele não precisa de duas sedes europeias. Talvez, por enquanto, guarde a unidade de Differdange porque é ainda onde dispõe de muito terreno e porque é uma das únicas unidades de produção das placas 'jumbo', uma das nossas grandes saídas para o mercado norte-americano".

Mas o futuro é mais que previsível para o português. "Quando fechou Florange [em França], vieram para o Luxemburgo os trabalhadores de lá. Mas aqui a mão-de-obra é muito cara e é só uma questão de tempo até o Mittal deslocalizar tudo para o estrangeiro", analisa. "Muitos dos meus colegas já andam à procura de trabalho, mas eu penso que é uma atitude precipitada."

Porquê?, pergunta o CONTACTO. "Porque o Mittal tem uma convenção com o Estado luxemburguês, se vai despedir pessoal tem que apresentar argumentos. E quando isso finalmente acontecer e os últimos forem despedidos, só vão sair com indemnizações. Ele não pode fazer o que quer aqui", assegura o trabalhador.

"Se ele me oferecer emprego com o mesmo salário na Indonésia ou no Brasil, eu vou", garante. Caso contrário diz que pensa voltar para Portugal. Na mesma situação estão meia centena de colegas portugueses.

A ArcelorMittal emprega actualmente cerca de cinco mil pessoas no Grão-Ducado.

Recorde-se que as centrais sindicais LCGB e OGB-L manifestaram recentemente preocupação com os postos de trabalho que vão ser suprimidos e apresentaram um plano que visa economizar 38 milhões de euros, dos quais 8,8 milhões através do despedimento de 262 trabalhadores a tempo inteiro.

José Luís Correia
Foto: Tessy Hansen

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Coreia do Sul: Seul desafia empresários portugueses a explorarem mercado

Os empresários portugueses devem aproveitar as oportunidades do mercado sul-coreano e promover os produtos nacionais num espaço com 50 milhões de pessoas e elevado poder de compra, desafiou o embaixador da Coreia do Sul em Lisboa.

"O volume das transações comerciais entre a Coreia do Sul e Portugal é muito pequeno. Cada vez que me encontro com responsáveis ou empresários portugueses, faço sempre apelos para que as empresas portuguesas apostem na exportação para a Coreia do Sul, onde há mercado para produtos de qualidade ligados à imagem de Portugal, como o vinho e o azeite", disse Kang Dae-Hyun em entrevista à Lusa.

Números do Instituto Nacional de Estatística referentes a 2010 indicam que as importações portuguesas da Coreia do Sul somaram 247,25 milhões de euros, contra apenas 47,17 milhões de euros de exportações para o país asiático, o que representa um défice da balança comercial bilateral de 200 milhões de euros.

"Por isso insisto que existem muitas oportunidades, e que os empresários e as instituições portuguesas devem organizar uma grande delegação e uma mostra de exportações portuguesas na Coreia do Sul. A promoção é importante no mercado coreano, é preciso vender os produtos e a imagem", afirmou Kang.

O representante de Seul, que está em Lisboa há dois anos, adiantou que da parte portuguesa tem recebido manifestações de interesse genéricas, mas nada de projectos ou ideias concretas.

Kang Dae-Hyun lembrou também que ao abrigo do Acordo de Comércio assinado em 2010 entre a União Europeia e a Coreia do Sul, que entrará em vigor em 1 de Julho deste ano, os produtos portugueses podem entrar no mercado sul-coreano isentos de impostos.

E a título de exemplo das oportunidades a explorar e do trabalho a fazer, o embaixador sul-coreano conta que os coreanos entre os 30 e os 40 anos têm conhecimento do vinho português. Isto porque, "vá lá saber-se porquê", foi utilizado num manual do ensino secundário como exemplo num exercício sobre a noção de vantagem competitiva. No entanto, não é fácil encontrar vinho português à venda na Coreia.

"Os coreanos ouviram falar do vinho português, mas não o conseguem comprar, não o encontram nas prateleiras ao lado do vinho espanhol, italiano, francês, australiano chileno ou da África do Sul", afirma.

Foto: Arquivo LW

CONTACTO:Edição de 09.02.2011


Na edição do CONTACTO de hoje destaque para os cinquenta anos da Guerra Colonial. ¨

Pusémo-nos à procura de ex-combatentes de Angola que vivem no Luxemburgo e que contam na primeira pessoa as memórias de uma guerra que quase ninguém entendeu e que fez mais de oito mil mortos.

Angola abriu as hostilidades, depois a guerra colonial estendeu-se a Moçambique e à Guiné Bissau.

Um trabalho da jornalista Paula Telo Alves, a não perder nesta semana no CONTACTO.

Mas trazemos ainda outras histórias: o rescaldo das eleições em Cabo Verde. O PAICV ganhou as eleições de domingo, mas no Luxemburgo foi o Mdp de Veiga que ganhou.

O CONTACTO acompanhou a par e passo a votação da comunidade cabo-verdiana no Luxemburgo e contamos alguns dos incidentes que ocorreram nas secções de voto aqui no Luxemburgo.

Mas há mais: os trabalhadores portugueses da Arcellor Mittal temem o encerramento das unidades no Luxemburgo do gigante mundial do aço . Para já, certo, certo é que a empresa anunciou o despedimento de 262 trabalhadores....

Por fim uma história insólita. Um casal português casou há dezoito anos no Consulado de Portugal no Luxemburgo. Mas afinal não estão casados. Nos registos centrais em Portugal o marido é dado como divorciado e ela como casada. Resultado: o casamento de Luís e Manuela não existe.

Uma história que está a deixar os cabelos em pé ao casal....e para ler no CONTACTO desta semana.

CONTACTO, o primeiro jornal de Língua portuguesa no Luxemburgo

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Egipto: Pelo menos 297 mortos nas manifestações - Human Rights Watch

Pelo menos 297 pessoas foram mortas durante os violentos protestos que tiveram início a 25 de Janeiro no Egipto, indicou hoje a organização de defesa dos direitos humanos Human Rights Watch.

A organização não governamental indicou que pôde confirmar que 232 pessoas morreram no Cairo, 52 em Alexandria e 13 em Suez, explicou a investigadora Heba Morayef no site da Human Rights Watch.

A grande maioria das mortes ocorreu a 28 e 29 de Janeiro e as vítimas foram atingidas por balas verdadeiras durante confrontos entre manifestantes e polícia, acrescentou.

"Uma parte significativa [das mortes] foi resultado de balas de borracha e de bombas lacrimogéneas atiradas de perto para a multidão", precisou.

A polícia desapareceu depois das ruas, sendo substituída pelo exército e por comités populares de auto-defesa.

Segundo a organização, os hospitais receberam instruções para minimizarem o número de mortos.

"O número real de mortos será provavelmente mais elevado que os 297 porque a contagem se baseia nos principais hospitais das três cidades. Incluímos apenas o número de mortos que pudemos confirmar", acrescentou.

A Alta Comissária da ONU para os Direitos Humanos, Navi Pillay, apontou no passado dia 1 de Fevereiro o número de 300 mortos registados no Egito desde o início do movimento de contestação, mas indicou que se trava de "informações não confirmadas".

As autoridades egípcias não deram qualquer balanço das vítimas e anunciaram apenas 11 mortos durante os confrontos entre partidários do regime e manifestantes anti-Mubarak a 2 e 3 de Fevereiro.

Egipto: Entrada de jornalistas na praça Tahrir condicionada por Ministério da Informação

O Ministério da Informação egípcio passou a partir de hoje a controlar a entrada de jornalistas na praça Tahrir, no Cairo, centro da contestação ao regime do Presidente Hosni Mubarak.

Os militares que vigiam a principal entrada, junto a ponte Qasr Al Nil, têm ordens para recusar a entrada a jornalistas sem acreditação emitida pelo Serviço de Informações do Estado, um departamento do Ministério da Informação.

Uma fonte daquele serviço disse à Agência Lusa que a medida foi tomada depois de “jornalistas estrangeiros terem tido problemas de segurança”.

É a primeira vez que é condicionado oficialmente o acesso de jornalistas à praça por aquela entrada.

Hoje está marcada mais uma concentração de protesto contra o regime, além da manifestação permanente que decorre naquele local.

À hora de almoço, a fila para entrar através daquele que tem servido como principal acesso à praça atingia já centenas de metros de comprimento.

Egipto: Mubarak ordena criação de comissão de inquérito a violência na praça Tahrir

O presidente egípcio, fortemente contestado nas ruas, ordenou na segunda-feira à noite a criação de uma comissão de inquérito à violência na praça Tahrir, onde desde quarta-feira se registaram confrontos entre partidários e opositores do regime, anunciou a agência oficial Mena.

Hosni Mubarak "deu instruções para a criação de uma (...) comissão de inquérito transparente, independente e imparcial, [formada] por personalidades egípcias conhecidas pela sua honestidade e credibilidade, que investigará os acontecimentos, as violações terríveis e inaceitáveis que fizeram vítimas inocentes entre os manifestantes", refere a Mena.

Partidários de Mubarak irromperam na quarta-feira pela praça Tahrir (da Libertação), ocupada por manifestantes antigovernamentais, e envolveram-se em confrontos, que causaram 11 mortos e cerca de um milhar de feridos, segundo o balanço oficial.

O primeiro-ministro, Ahmed Chafic, pediu publicamente desculpas pela violência e exigiu a abertura de um inquérito.

O regime egípcio liderado por Mubarak enfrenta desde 25 de Janeiro um movimento de contestação popular sem precedentes, que exige a saída do presidente, no poder há perto de 30 anos. Desde o início da contestação pelo menos 300 pessoas morreram e milhares ficaram feridas, de acordo com um balanço não confirmado pelas Nações Unidas e citado pela agência AFP.

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Luxemburgo: Conferência para pais e avós, hoje às 15h, em Strassen

"Avós e pais, entre a cultura do país de origem e a do país de acolhimento", é o título de uma conferência em língua francesa (no original, "Etre grand-parents et parents entre la culture du pays d'origine et celle du pays d'accueil") dirigida a pessoas de todas as idades, que tem lugar na segunda-feira, 7 de Fevereiro, às 15h, no Centro Cultural Barblé, n°203, route d'Arlon, em Strassen. A palestra é proferida pelo psicólogo e terapeuta familiar Gilbert Pregno, director da Fundação Kannerschlass - Escola para Pais Janusz Korczak, instituição sediada na localidade de Soleuvre (tel.: 59 59 59-59 e/ou por correio electrónico: eltereschoul@kannerschlass.lu ).

Esta conferência é uma iniciativa do grupo português do "Club Senior Stroossen". Para mais informações, tel.: 691 492 435.

Barómetro: Portugueses são os que menos confiam no Governo

Os portugueses são os que menos confiam no Governo entre um grupo de 23 países analisados num barómetro que avalia o nível de confiança nas empresas, Governo, ONG e media, que hoje será divulgado.

De acordo com o Edelman Trust Barometer 2011, que pela segunda vez inclui Portugal, apenas nove por cento dos 203 inquiridos afirmou confiar no executivo.

Face a 2010, o “Governo é a única instituição cujo nível de confiança se reduz”, refere o estudo. No ano passado, 27 por cento dos inquiridos afirmou confiar no executivo, um valor que desceu para nove por cento.

Entre os mais desconfiados nos Governos estão os irlandeses (20 por cento) e os alemães (33 por cento), enquanto os chineses (88 por cento) se mostram os mais confiantes.

Na mesma linha, Portugal "é o segundo país que atribui menos credibilidade a um representante do Governo ou regulador", sendo apenas superado pela Indonésia, numa tabela liderada pelo Brasil.

Os portugueses consideram os técnicos das empresas (como cientistas ou engenheiros) os porta-vozes mais credíveis e os presidentes executivos os segundo menos credíveis.

Já as Organizações Não Governamentais (ONG) são as instituições em que os portugueses mais confiam (69 por cento), seguidas pelas empresas (47 por cento) e os media (39 por cento).

No que respeita às empresas, os portugueses afirmam confiar mais nas multinacionais suecas (87 por cento) e suíças (83 por cento), estando no fim da lista três economias emergentes: Rússia (23 por cento), Índia (24 por cento) a China (28 por cento).

Metade dos inquiridos afirmou confiar nas multinacionais da vizinha Espanha.

Uma análise por sectores demonstra que a tecnologia (78 por cento) e a biotecnologia (77 por cento) são os sectores em que os portugueses mais confiam, por oposição aos seguros (31 por cento), serviços financeiros (31 por cento) e banca (31 por cento).

Na comparação com 2010, a banca e os seguros registam os maiores decréscimos em termos de confiança dos portugueses.

"Apesar da reduzida confiança no sector bancário, Portugal está acima de países como Espanha (35 por cento), Estados Unidos (25 por cento) ou Reino Unido (16 por cento)", refere o barómetro.

Dos inquiridos, são os indonésios que se mostram mais confiantes no sector bancário (92 por cento) e os irlandeses os que se afirmam menos confiantes (seis por cento).

Segundo o barómetro, os motores de busca "são a primeira fonte de informação" e os media tradicionais "são os mais credíveis, com destaque para a rádio e imprensa escrita, generalista e de negócios".

Em Portugal, o Edelman Trust Barometer 2011 resulta de uma parceria entre a consultora de comunicação GCI e a Escola de Negócios da Universidade do Porto e é baseado em entrevistas telefónicas feitas a cidadãos que veem regularmente notícias económicas e políticas, possuem pelo menos uma licenciatura e pertencem ao escalão de rendimento mais elevado.

José Maria Neves reeleito primeiro-ministro de Cabo Verde

O líder do PAICV e primeiro-ministro cabo-verdiano José Maria Neves classificou como “histórica” a vitória do seu partido nas legislativas de domingo e reivindicou ter renovado a maioria absoluta.

“É uma vitória histórica o PAICV conseguir renovar a maioria absoluta e queria felicitar o povo de Cabo Verde pela sua participação cívica nestas eleições. Deu uma prova de grande maturidade política e fez a escolha que considerou a mais viável para continuar a construir o novo e grande Cabo Verde dos nossos sonhos”, afirmou José Maria Neves na declaração de vitória, perante centenas de apoiantes e militantes do PAICV, concentrados junto à sede nacional, no Plateau, centro histórico da capital cabo-verdiana.

“A nossa proposta Mais Cabo Verde teve uma grande adesão de todos os cabo-verdianos”, sublinhou.

O líder do PAICV afirmou que vai formar um governo aberto à sociedade civil e, frisou: “a partir de hoje sou o primeiro-ministro de todos os cabo-verdianos, os que votaram PAICV e os que votaram nos outros partidos”.

“Este é momento em que todos os cabo-verdianos devem, comemorar a vitória da República, e o governo que constituiremos será um governo aberto à sociedade civil mobilizando competências para ser um governo de todos e para todos”, explicou.

O líder do PAICV reafirmou algumas das promessas feitas durante a campanha eleitoral, designadamente a do pagamento do 13º mês em 2012 para todos os funcionários públicos, e prometeu ainda acelerar o ritmo de crescimento do país.

O presidente do PAICV salientou também que “várias verdades” ficaram provadas nestas eleições, sendo uma delas que os ciclos em Cabo Verde eram de 10 anos.

“Era uma invenção”, observou, afirmando ainda que na questão das sondagens, o partido no poder confirmou que tinha razão: “As nossas sondagens confirmaram-se”.

Para José Maria Neves, o povo de Cabo Verde provou uma vez mais que é possível fazer política “de forma diferente, de forma positiva”, cabendo-lhe continuar a governar o país com o ensinamento de Amílcar Cabral, "pai" das nacionalidades cabo-verdiana e guineense: “Governar com decência, honestidade e patriotismo”.

domingo, 6 de fevereiro de 2011

Egipto: Regime e oposição decidem criar comité para preparar mudanças da Constituição

Os participantes nas negociações entre o regime egipcio e a oposição, incluindo a Irmandade Muçulmana, combinaram hoje criar um comité para preparar as mudanças constitucionais até à primeira semana de Março, anunciou um porta-voz do governo.

Magdi Radi indicou que houve consenso para “a formação de um comité que incluirá o poder judicial e um certo número de personalidades políticas para estudar e propor emendas constitucionais e emendas legislativas requeridas (…) antes da primeira semana de Março”.

As negociações entre o poder e a Irmandade Muçulmana, principal força da oposição no Egipto e “ovelha negra” do regime, começaram hoje no âmbito do diálogo nacional lançado pelo vice-presidente Omar Souleimane, para o qual foram convidadas todas as forças políticas, segundo a agência Mena.

Além da Irmandade participaram nas negociações os partidos Wafd (liberal) e Tagammou (esquerda), membros de um comité escolhido por grupos pró-democracia que lançaram o movimento de contestação que exige desde 25 de Janeiro a partida do presidente egípcio, Hosni Mubarak, bem como figuras politicas independentes e homens de negócios.

Estas negociações traduziram-se na primeira vez em meio século que o poder egípcio e a Irmandade Muçulmana, oficialmente interdita, dialogaram publicamente.

UE/Cimeira: Luxemburgo e Bélgica rejeitam abolir indexação dos salários à inflação

O Luxemburgo e a Bélgica, cujos salários são indexados à inflação, rejeitaram sábado à noite a ideia de abolir esta prática, recusando uma proposta avançada por Paris e Berlim, que defendem uma “maior coordenação” das políticas económicas europeias.

“O primeiro-ministro belga e eu rejeitámos claramente a ideia de abolir a indexação dos salários”, afirmou o primeiro-ministro luxemburguês, Jean-Claude Juncker, à margem da reunião extraordinária do Conselho Europeu, que decorreu na sexta-feira em Bruxelas.

Juncker recordou que o seu país tem “a indexação dos salários mais automática”, mas também “um défice de 0,7% do Produto Interno Bruto [PIB], uma dívida pública muito baixa, de 19% do PIB, e uma das mais baixas taxas de desemprego da União Europeia”.

“Por isso, não vejo verdadeiramente em que medida a abolição da indexação dos salários vai aumentar a competitividade do meu país ou da Zona Euro”, reforçou.

O primeiro-ministro belga, Yves Leterme, também mostrou que “não está contra a convergência económica” na Europa, mas defendeu que “os Estados-membros devem ter espaço para gerir as suas próprias políticas”.

“Cada Estado-membro tem o seu próprio sotaque, as suas tradições. Não aceitaremos que o nosso modelo de concertação social seja desfeito”, preveniu.

Alemanha e França propuseram na sexta-feira aos seus parceiros europeus um “pacto de competitividade e de convergência” destinado a reforçar a disciplina e a coordenação no seio da Zona Euro para evitar novas crises da dívida. O projecto não foi ainda detalhado mas deverá incluir metas comuns em matéria de reformas, de dívida pública e de política salarial.

Nos últimos anos, “os custos dos salários divergiram no seio da Zona Euro”, sublinhou a chanceler alemã Angela Merkel, salvaguardando que isso “não quer dizer” que se vá “coordenar os salários”, mas, de facto, “os custos salariais são um elemento que determina a competitividade de um país”.

sábado, 5 de fevereiro de 2011

Luxemburgo: CLAE lança concurso "Fábrica de Escritas"

Na sequência do enorme sucesso que obteve junto do público em 2010, o Comité de Ligação das Associações de Estrangeiros (CLAE) volta a lançar este ano o projecto "La Fabrique des écritures" (Fábrica das Escritas).

Os textos dos participantes serão apresentados no Salão do Livro do 28° Festival das Migrações, marcado para 18, 19 e 20 de Março, na Luxexpo, no Kirchberg, na cidade do Luxemburgo. O projecto destina-se a todos os que queiram enviar trabalhos, seja em texto (verso ou prosa), fotografia, desenho, colagem, graffiti, vídeo ou outro suporte. A iniciativa está aberta a pessoas de todas as idades e nacionalidades, mesmo que não residentes no Luxemburgo. Os trabalhos podem ser realizados em qualquer língua, mas devem inscrever-se na filosofia geral do festival.

As obras podem ser enviadas até 20 de Fevereiro por via postal ou correio electrónico, em CD ou DVD ou em qualquer outro suporte, devidamente assinados e com o contacto do autor, para o e-mail info@clae.lu ou para a seguinte morada: CLAE, La Fabrique des écritures, 26, rue de Gasperich, L-1617 Luxembourg. Todas as informações estão disponíveis em www.clae.lu , na internet.

JLC
(texto e foto)

Luxemburgo: Projecto DJ Nôs Sabura lança primeiro álbum

O "First Bar", em Hollerich, acolheu recentemente o lançamento oficial do primeiro trabalho de um projecto cabo-verdiano chamado "DJ Nôs Sabura".

Trata-se de um projecto animado pelos DJ Chu (à esquerda, na foto) e DJ Nix (à direita), fundado em Agosto de 2007 e que tem organizado várias actividades musicais, festas, mas também alguns eventos, tais como o concurso de beleza "Mini-Miss Cabo Verde".

"Apesar de existirmos desde há alguns anos, só agora decidimos lançar o nosso trabalho a sério, pois achamos que neste momento temos todas as condições reunidas para o fazer e nos apresentarmos com um trabalho junto do público", explica DJ Nix.

Como conteúdo, "neste Mix Tape" – nome deste álbum -, podemos encontrar mixagens de ritmos cabo-verdianos como a kizomba, o kuduro, funana e outros, estando claramente marcada uma assinatura musical que acaba por ser nossa e diferente dos outros DJs", garante DJ Chu.

Quanto aos estilos deste duo, "podemos dizer que nos complementamos um ao outro na arte de mixar a música", explicam.

Para tornar a noite ainda mais especial, DJ Nôs Sabura convidaram alguns amigos, como DJ Vibs e DJ Aníbal, para "navegarem na mixagem de sons e de ritmos" pela noite fora.

Tendo já animado noites em Itália, França, Holanda e Cabo Verde e, claro, no Luxemburgo, DJ Nôs Sabura quer agradecer ao seu público pelo apoio dado até agora, mas sobretudo ao jovem conjunto "Diabolas do Sul", que tem ajudado o duo na divulgação e na organização de eventos.

Numa constante procura de novos sons, "este é um projecto que vai evoluir e já estamos a pensar no próximo álbum que, além de músicas cabo-verdianas, vai ter sons mais hip-hop e outros", revelam, em primeira mão, os DJs.

Para pedir o novo trabalho de DJ Nôs Sabura, basta contactar os DJs Nix e Chu, pelo tel. 691 849 323 ou 691 552 706.

Gualter Veríssimo
(texte e foto)

Na cidade do Luxemburgo: Pedidos para "Noites brancas" devem ser dirigidos ao Bierger-Center

Desde 1 de Janeiro, os pedidos de autorização para as chamadas "noites brancas" na capital deixaram de ser geridos como até aqui pelo "Office Social" para terem de passar pelo Bierger-Center e pelo Secretariado Geral da cidade do Luxemburgo.

Os pedidos de autorização devem ser feitos através do formulário disponível em linha no site internet www.vdl.lu ou no Bierger-Center, e enviados por fax (47 96-41 41) ou por e-mail ( secretariat@vdl.lu ) para o Secretariado Geral. Os interessados serão informados pelo Secretariado Geral da autorização para a noite branca. A autorização poderá, então, ser levantada no Bierger-Center. Os pedidos para noites brancas esporádicas deverão ser entregues cinco dias úteis antes da data e os pedidos de autorização para noites brancas regulares devem ser entregues pelo menos dois meses antes da data da primeira noite branca. Para mais informações, telef. 47 96 26 75 ou 47 96 41 01.

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

UE/Cimeira: 27 condenam violência no Egipto, transição deve começar imediatamente

Os chefes de Estado e de Governo da UE, reunidos hoje em Bruxelas, "condenaram veementemente" a violência que se tem verificado no Egipto, sublinhando que o processo de transição deve começar imediatamente.

"O Conselho condena veementemente a violência e aqueles que utilizam e encorajam a violência" no Egipto, e considera que “qualquer tentativa de restringir a livre circulação das informações é inaceitável, nomeadamente a agressão e as intimidações dirigidas a jornalistas”.

Numa declaração política aprovada pelos líderes europeus, os 27 exortam todas as partes “a darem provas de contenção e a evitarem mais actos de violência, e a darem rapidamente início a uma transição ordeira”.

"O Conselho Europeu sublinha que o processo de transição deve-se iniciar imediatamente", de acordo com o texto da declaração política.

A União Europeia está "determinada a dar todo o seu apoio" aos processos de transição para a governação democrática, o pluralismo, maiores oportunidades de prosperidade económica e de inclusão social e reforço da estabilidade regional.

Por fim, os líderes pedem à Alta Representante (da UE para os Negócios Estrangeiros), Catherine Ashton, para “elaborar um pacote de medidas com o objetivo de materializar o apoio da União Europeia aos processos de transição e transformação”.

Desde 25 de Janeiro que milhares de manifestantes exigem a demissão de Mubarak. A contestação, segundo um balanço provisório avançado pela ONU, terá provocado, até ao momento, pelo menos 300 mortos.

Holanda quer proibir venda de canábis a turistas

A Holanda tenciona proibir a venda de canábis a turistas nos conhecidos "coffee shops". Apenas os residentes do país munidos de uma carta para o efeito vão poder consumir e comprar aquele narcótico.

O Tribunal de Justiça Europeu decidiu no mês passado que a cidade holandesa de Maastricht pode proibir a venda de marijuana e haxixe a clientes estrangeiros, dos quais muitos luxemburgueses, nos “coffee shops”. Agora, a proibição poderá ser aplicada em todo o país, com o objectivo de combater o turismo da droga.

Esse é, pelo menos, o plano dos liberais e democratas cristãos, que formaram governo em Outubro, pretendem proibir a venda de marijuana e haxixe no país a turistas nos quase 700 "coffee shops" da Holanda.

Só em Maastricht, são cerca de 1,4 milhões os belgas, franceses, luxemburgueses e alemães que se deslocam anualmente aos 14 "coffee shops" da cidade. Maastricht situa-se no Sudoeste da Holanda, na fronteira com a Bélgica, a cerca de uma centena de quilómetros do Luxemburgo.

Os residentes de Maastricht queixam-se dos problemas de trânsito, do ruído nocturno e da proliferação de traficantes nas ruas. Os estrangeiros constituem mais de dois terços da clientela dos "coffee shops". "Vai ser uma catástrofe económico para nós e para o turismo", prevê Marc Josemans, proprietário do "Easy Going" e presidente da Associação dos coffee shops oficiais de Maastricht. Adrian, um luxemburguês de 25 anos, assegura que vai continuar a frequentar aquela cidade holandesa. "Não vimos só aos 'coffee shops', vimos também fazer compras. Por isso, vamos continuar a vir cá", explica o jovem luxemburguês a uma agência noticiosa estrangeira.

Luxemburgo: Feira de Antiguidades até segunda-feira na Luxexpo

Uma centena de antiquários e de galerias de arte de toda a Grande Região apresentam a partir de hoje as suas mais belas relíquias na Luxexpo, em Kirchberg, na capital.

A Feira de Antiguidades 2011 decorre até segunda-feira. Nestes quatro dias, as portas dos pavilhões da Luxexpo estão abertas das 11 às 19 horas.

Na tarde de segunda-feira, as senhoras têm entrada livre (Ladies' day).

Os bilhetes custam 8 euros. Entrada gratuita para os jovens com menos de 15 anos.

Para mais informações consulte o portal www.antiquaires.lu

Foto: Arquivo LW

Estados Unidos devem 78 mil milhões de dólares ao Luxemburgo

Grão-Ducado é segundo maior credor dos EUA na Europa

O Luxemburgo comprou mais dívida pública dos Estados Unidos que a Alemanha e a França, em títulos do tesouro norte-americanos, e é o segundo maior credor dos EUA na Europa. A culpa é dos serviços financeiros a operar no Grão-Ducado, que investem em dívida pública estrangeira.

Segundo dados do Governo norte-americano citados pelo Guardian, o Luxemburgo tem 78,5 mil milhões de dólares em títulos de tesouro americanos (cerca de 57,5 mil milhões de euros), contra 60,1 da Alemanha e 35,1 da França. Na Europa, só a Suíça tem mais títulos de dívida pública dos EUA, um montante que ronda os 101,3 mil milhões de dólares.

O défice federal norte-americano é um indicador da dependência dos Estados Unidos em relação a outros países. Sem surpresa, a China está no topo da lista de credores, com 906 mil milhões de dólares em títulos do tesouro americano. O que surpreende é que o Luxemburgo tenha comprado mais dívida pública norte-americana que os grandes países europeus.

O facto levou mesmo alguns leitores do Guardian a colocar comentários jocosos no site do diário britânico, surpreendidos por um país "com apenas 500 mil habitantes" ter adquirido tanta dívida pública dos EUA.

Contas feitas, se a riqueza fosse distribuída per capita , cada habitante do Luxemburgo seria credor de 157 mil dólares junto do Tesouro americano (cerca de 115 mil euros).

"Se os EUA não pagarem ao Luxemburgo, será que eles podem enviar a artilharia como na vida real?", ironiza um comentador no site do Guardian.

De acordo com dados do Tesouro americano, os maiores credores estrangeiros dos EUA são a China (906 mil milhões de dólares), o Japão (877 mil milhões), o Reino Unido (477 mil milhões), a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (213 mil milhões) e o Brasil (177 mil milhões). O Luxemburgo figura em 13o na lista de titulares estrangeiros da dívida pública norte-americana, e é segundo na Europa, só ultrapassado pela Suíça.

Paula Telo Alves
Foto: Shutterstock

Eleições Legislativas de Cabo-Verde no Luxemburgo: Mesas de voto em Ettelbruck, na capital e em Esch

A Embaixada de Cabo Verde no Luxemburgo vai instalar no domingo, dia de eleições legislativas naquele país, quatro mesas de voto em três zonas do Grão-Ducado.

Nas instalações da Embaixada, n°117, Val Sainte-Croix, na cidade do Luxemburgo, estarão disponíveis duas mesas de voto, destinadas aos residentes da capital e arredores.

Uma terceira mesa será instalada na Maison Communale da comuna de Ettelbruck, na place de l'Hotel de Ville, para os residentes da zona norte do Grão-Ducado.


Uma quarta mesa estará disponível no "Biergeramt" (rés-do-chão), da comuna de Esch-sur-Alzette, na place de l'Hotel de Ville.


O horário de voto é entre as 8h e as 18h.

Luxemburgo: Grão-Duque Henri operado ao coração


O Grão-Duque Henri foi ontem hospitalizado por se ter sentido mal ao início da manhã. Foi submetido com sucesso a uma angioplastia coronária, informou o serviço de imprensa da corte.

"O estado de saúde de Sua Alteza não é preocupante", segundo um comunicado da corte, acrescentando que terá alta rapidamente. O Grão-Duque deu entrada ontem de manhã no Centro Hospitalar do Luxemburgo.

Recorde-se que, em Junho de 2009, o Grão-Duque Jean também foi hospitalizado devido a problemas de circulação vascular, tendo tido alta cinco dias depois.

O Grão-Duque Henri subiu ao trono a sete de Agosto de 2000, sucedendo ao seu pai, o Grão-Duque Jean. Henri casou-se com Maria Teresa Mestre a 14 de Fevereiro de 1981 e têm cinco filhos: o grão-duque herdeiro Guillaume, os príncipes Félix, Louis e Sébastian, e a princesa Alexandra. Têm também dois netos, Gabriel e Noah.


Foto:Guy Jallay


Luxemburgo/Conferência: Com a internet e as redes sociais "a idade da privacidade acabou"

Decorreu na semana passada uma conferência sobre as redes sociais e a protecção de dados privados que contou com umconvidado de prestígio, Richard Allan, porta-voz da rede social Facebook na Europa.

Numa iniciativa da Comissão Nacional de Protecção de Dados luxemburguesa (CNPD), a conferência foi moderada por Gérard Lommel e pretendeu assinalar os 30 anos da assinatura da Convenção do Conselho da Europa para a protecção de dados, convenção que o Luxemburgo assinou. Mas em 30 anos muitas coisas evoluíram, sobretudo em matéria de como manter os dados privados na internet e nas redes sociais em linha.

Para debater esta e outras questões, os organizadores não deixaram por mãos alheias a escolha do painel de oradores e convidaram, além de Richard Allan, da rede Facebook, Alexander Dix, comissário para a protecção de dados e acesso à informação do Estado de Berlim (Alemanha).

Alexander Dix lembrou aos presentes duas frases que resumem um pouco a equação actual relativamente à privacidade de todos aqueles que navegam na internet e não só: "A privacidade não existe em nenhum lado – inevitavelmente!", frase de Scott Mcnealy, director e fundador da Sun Microsystems, ou uma outra frase, dita por Marc Zuckerberg, co-fundador de Facebook, que afirma claramente que "A idade da privacidade acabou".

Mas um dos momentos mais esperados era a visão sobre o futuro dos dados privados na internet por parte do porta-voz da rede Facebook na Europa. Richard Allan começou por dizer que "hoje, há muitas pessoas que podem ter publicadas e ao acesso de todos, informações pessoais e profissionais na internet". Na rede social Facebook, meio privilegiado para divulgar informações e dados pessoais "junto de uma comunidade de amigos, é necessário um trabalho conjunto entre os utilizadores e o nosso grupo para que possamos garantir cada vez mais uma segurança dos internautas neste domínio, que é uma das grandes preocupações desde sempre", explicou.

A própria rede Facebook criou em 2009 um conselho consultivo, para reflectir e trabalhar no conceito de segurança global e tentar responder aos desafios constantes em termos de segurança na internet. No entanto, "esta é uma de muitas etapas a desenvolver, havendo outras igualmente importantes como a sensibilização e educação dos internautas sobre este assunto", explica Allan. Desta conferência e da mesa redonda que se seguiu, fica a ideia golbal de que, apesar de actualmente a privacidade na rede não poder ser garantida, existe um trabalho sério que deve ser partilhado pelos internautas e que pode diminuir os riscos de invasão da vida privada. Basta espreitar a página Facebook de Richard Allan e perceber como se pode dar os primeiros passos em matéria de privacidade na internet quando se tem uma página na rede social, convidou o próprio, em jeito de conclusão.

Gualter Veríssimo
(texto e fotos)

Luxemburgo: CCPL lança projecto "Qued'arte" para pessoas com deficiência

O projecto pretende usar o teatro para fomentar a integração de jovens em situação de deficiência física e/ou mental. A iniciativa vai envolver 50 jovens e vai percorrer alguns palcos do Luxemburgo, estando previstos mini-espectáculos com os grupos de alunos. A iniciativa vê o teatro como ponto de partida para educar, inovar e transpor barreiras e para melhor aceitar as diferenças.

O Qued'arte é uma parceria entre cinco instituições: o Tricentenaire, a Trissomie 21., o Instituto Saint-Joseph, a Fundação Kräizbierg e o Info-Handicap. O projecto está ainda na fase de arranque e procura jovens participantes. Os interessados em colaborar no projecto devem contactar a CCPL por telefone, através do número 29 00 75, ou por e-mail: ccpl@ccpl.lu , ou no site www.ccpl.lu

I.F.

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Guimarães procura embaixadores no Luxemburgo

Guimarães apresentou no domingo os embaixadores que vão promover a Capital Europeia da Cultura localmente e nas comunidades de emigrantes, durante uma cerimónia a que assistiu a ministra da Cultura, Gabriela Canavilhas, mas ainda procura um representante no Luxemburgo.

Os embaixadores estão divididos em quatro grupos, de âmbito local, regional, nacional e nas comunidades. Entre os portugueses na diáspora, os embaixadores para já apresentados foram escolhidos "a partir das cidades com que Guimarães tem acordos de geminação ou com quem o município tem acordos de cooperação", disse ao CONTACTO Andreia Martins, do departamento de Comunicação da Capital da Cultura.

Mas ainda há vagas na lista de embaixadores, e o Luxemburgo é um país considerado importante pela organização.

"Estamos sempre abertos a fazer crescer a lista de embaixadores. O Luxemburgo tem sem dúvida uma comunidade portuguesa muito representativa, e teremos certamente alguém a assumir esse papel, mas ainda não temos um nome", adiantou Andreia Martins ao CONTACTO.

A lista de embaixadores na diáspora apresentada no domingo inclui o professor de língua portuguesa Manuel Brás, de Neuchâtel, na Suíça, e o jornalista Carlos Silva, de Compiégne, em França, cidades geminadas com Guimarães.

A organização nomeou também embaixadores em Igualada e nas Canárias, em Espanha, em Kaiserlauten, na Alemanha, e em Dijon e Turcoing, em França.

A Capital Europeia da Cultura em Guimarães arranca oficialmente daqui a um ano, a 21 de Janeiro de 2012.

Paula Telo Alves (c/ agências)

Luxemburgo: Hoje, reunião dos moradores de Hollerich que estão contra mudança do Atelier para as instalações do antigo matadouro

A mudança da sala de concertos Atelier da rue de Hollerich, na capital, para o antigo matadouro, também em Hollerich, ainda não está completamente decidida, afirma a autarquia.

Os responsáveis autárquicos da cidade do Luxemburgo defendem a mudança – até já há projecto –, mas alguns dos residentes do bairro não concordam, temendo uma reedição do problema surgido com as Rives de Clausen. Para tentar resolver este impasse, foi marcada uma reunião para esta quinta-feira, 3 de Fevereiro, às 17h30, no Centro Cultural de Hollerich.

O burgomestre Paul Helminger referiu, na semana passada, no conselho comunal, que se tinha encontrado com os gerentes da sala de concertos para conhecer os planos da nova sala. Para Marc Angel (LSAP), "uma empresa privada que faz planos para um local que pertence à comuna é pouco habitual. A cidade e o Atelier estão em negociações, é um facto".

A comuna confirma que existe um projecto e garante que se integra perfeitamente no desenvolvimento da Porta de Hollerich. Ao mesmo tempo, Laurent Loschetter, do Atelier, afirma que o novo plano e a concretização do projecto foram já "aprovados" pelos vereadores e que a nova sala de concertos, com dois recintos, um com capacidade para 2.500 pessoas e outro para 600 espectadores, poderá estar a funcionar dentro de dois anos. Assim, e embora a autarquia da capital, afirme que "nenhuma decisão foi ainda tomada", é forçoso constatar que, por parte do Atelier, o projecto está bem adiantado.

Egipto: Quatro mortos hoje de manhã no Cairo eleva para sete vítimas mortais em 24 horas

Quatro pessoas morreram hoje de manhã vítimas de tiros disparados contra manifestantes hostis ao Presidente egípcio, Hosni Moubarak, elevando para sete o número de mortos nas últimas 24 horas nos protestos no Cairo, avança a agência AFP.

“Tivemos quatro mortos vítimas de balas”, declarou hoje de manhã o médico Mohamed Ismail, que se encontra num hospital de campanha montada numa praça adjacente à Tahrir, centro das manifestações contra Mubarak.

Citando fontes médicas, a agência francesa refere que o balanço de hoje se junta aos pelo menos 300 mortos, contabilizados durante a última semana, nas manifestações iniciadas a 25 de janeiro, para reclamar a saída de Mubarak do poder.

Segundo o ministro da Saúde egípcio, citado pela televisão do Estado, mais de 600 pessoas ficaram feridas na praça de Tahrir, a grande maioria por arremesso de pedras nos confrontos de quarta-feira.

Foto: Arquivo LW

Shakespeare traz Luís Vicente ao Luxemburgo, a 17 e 18 de Fevereiro

"A Tempestade" de William Shakespeare, foi a peça escolhida para uma co-produção internacional entre o Teatro de Trier (Alemanha), a ACTA-A Companhia de Teatro do Algarve, o Teatro Nacional do Luxemburgo (TNL) e a Associação Cultural Portuguesa de Trier, que resultará num espectáculo trilingue em alemão, português e inglês.

Do elenco português faz parte Luís Vicente, actor bem conhecido do público pelas suas participações televisivas, nomeadamente na famosa série dos anos 80, "Duarte & Companhia", e actualmente na série "Lua Vermelha", transmitida pela SIC. As restantes participações portuguesas são de Mário Spencer, Tânia Silva e Carlos Pereira. Entre as figuras conhecidas conta-se ainda o actor luxemburguês Luc Feit, além de integrarem o elenco alemão Jan Brunhoeber, Manfred, Paul Hänig, Hans-Peter Leu, Klaus-Michael Nix, Peter Singer.

Após a estreia de “A Tempestade” a 12 de Fevereiro, às 19h, em Trier – onde serão realizadas apresentações também nos dias 13, 15 e 16, às 20h, o espectáculo vem para a cidade de Mamer (a oeste da cidade do Luxemburgo), onde será apresentado a 17 e 18 de Fevereiro, no Centro Cultural Kinneksbond, às 20h.

BILHETES

JÁ À VENDA

Para assistir à peça no Kinneksbond, em Mamer, os bilhetes custam 20 euros, e 10 euros para estudantes. Para os detentores do Cartão Kinneksbond há um desconto de 10 %. Reservas online: www.kinneksbond.lu , ou pelo tel. 47 08 95-1 do Luxembourg Ticket (ou em: www.luxembourgticket.lu ).

Para mais informações, contactar o Centro Cultural Kinneksbond no n°42, route d’Arlon, em Mamer, ou pelo tel. 26 395-100.

José Luís Correia

Dois portugueses entre os candidatos para as eleições autárquicas luxemburguesas

Faltam oito meses paras as eleições comunais (autárquicas luxemburguesas) de 9 de Outubro, mas os primeiros candidatos já se começaram a apresentar. E entre eles, há dois portugueses.

José da Silva e Maria José Gomes Ganeto são os dois candidatos portugueses que integram a lista do Partido Socialista Luxemburguês (LSAP) à comuna de Esch/Alzette, nas próximas eleições comunais (autárquicas).

São os primeiros portugueses que se dão a conhecer publicamente, mas muitos outros deverão ainda apresentar-se. Nas últimas eleições comunais de 2005, a comunidade portuguesa bateu um recorde: 63 candidatos de nacionalidade portuguesa, mais 20 do que nas eleições de 1999. E contabilizados os luso-descendentes o número subia mesmo até à centena. A lista do LSAP por Esch/Alzette é encabeçada pela actual burgomestre Lydia Mutsch, que se recandidata ao posto que ocupa desde Abril de 2000.

O comité da secção da cidade do Luxemburgo do Partido Socialista luxemburguês (LSAP) também já apresentou o seu cabeça-de-lista. Trata-se do deputado e presidente do grupo no conselho comunal da capital, Marc Angel.

No sul do país, os Liberais (DP) escolheram, sem surpresas, o deputado e burgomestre de Differdange, Claude Meisch, como cabeça de lista.

Os Verdes (Déi Gréng) aproveitaram a deixa para revelarem que naquela autarquia, Roberto Traversini vai disputar o posto que Claude Meisch ocupa desde 2002.

José Luís Correia

Cursos de formação à distância do Instituto Camões

Decorre até domingo, 6 de Fevereiro, o período de apresentação de candidaturas para os cursos de formação à distância do Instituto Camões (2º semestre 2010/2011).

Trata-se de cursos de especialização nos seguintes domínios: cultura, língua, tradução, cursos de Português para estrangeiros, cursos de Português para fins específicos e cursos de formação contínua de professores.

Para mais informações, os interessados devem consultar o site do Instituto Camões: http://cvc.instituto-camoes.pt/ensino-a-distancia/novos-cursos.html.

No Luxemburgo são os estrangeiros que estão a salvar a segurança social

Sem os trabalhadores estrangeiros a Segurança Social luxemburguesa já teria entrado em ruptura. A garantia foi dada pelo próprio presidente da Caixa Nacional de Pensões do Luxemburgo durante uma conferência na ASTI.

Segundo Robert Kieffer a Segurança Social do Luxemburgo goza de boa saúde devido "ao aumento extraordinário de trabalhadores estrangeiros. Sem eles, o sistema já teria entrado em ruptura, as contribuições para a cobertura de despesas de saúde seriam mais elevadas e ainda a contribuição para a "assurance dependence" não teria sido criada em 1999".

O presidente da Caixa Nacional de Pensões do Luxemburgo diz que nos últimos trinta anos o número de trabalhadores no país mais do que duplicou, atingindo os 120 %, graças aos trabalhadores estrangeiros, incluindo os fronteiriços.

Em 1980 o número de trabalhadores estrangeiros no Luxemburgo era de 51.900 pessoas, ou seja, 32,8 %. Em 2008 era de 238.100, isto é, mais de 68% do total de trabalhadores. E é graças a este crescimento que o regime geral de pensões ainda subsiste. Caso contrário, em 1991 teria entrado em ruptura, assegura Robert Kieffer.

A boa saúde do sistema de pensões fica a dever-se ao facto de a maioria dos trabalhadores estrangeiros regressar ao país de origem aquando da reforma, não beneficiando assim das vantagens acumuladas ao longo dos anos de desconto da carreira. Há ainda a acrescentar que os trabalhadores fronteiriços recorrem, na maior parte dos casos, a tratamentos médicos no seu país de origem.

E Kieffer dá um exemplo: "Um trabalhador português que regresse à sua terra natal depois de 35 anos de descontos para a ´assurance maladie´ não vai poder beneficiar dos descontos feitos no Luxemburgo".

Resultado, a Caixa Nacional de Pensões tem um excedente de mais de 10,5 milhões de euros.

Luxemburgo: Burgomestres têm que saber falar luxemburguês

O projecto-lei que permite a todos os estrangeiros concorrer aos cargos de burgomestre e vereador foi aprovado na semana passada na Câmara dos Deputados. O domínio do idioma luxemburguês é uma das condições sine qua non.

A nova lei não faz distinções entre cidadãos comunitários e cidadãos vindos de países terceiros. Para as próximas eleições comunais, marcadas para dia 9 de Outubro, todos podem concorrer ao cargos de burgomestre e vereador, desde que residam no país há pelo menos cinco anos. Para votar, o prazo de residência é de seis meses.

No que respeita às línguas, os burgomestres e vereadores deverão obrigatoriamente falar luxemburguês. Já para os conselheiros comunais está prevista a possibilidade de se exprimirem em alemão ou francês, também línguas oficiais do país.

O ministro do Interior, Jean-Marie Halsdorf, voltou a reiterar que não concebe que uma pessoa que exerça um cargo oficial "não seja capaz de falar as três línguas do país".

O deputado do "Léi Lénk", André Hoffmann, desafiou Halsdorf a traduzir todas as circulares em francês para luxemburguês.

"Se num Conselho Comunal, alguém só falar luxemburguês, como é que pode votar um texto escrito num francês complexo?", questiona o deputado dos Verdes, Camille Gira.

A nova lei contou com 44 votos favoráveis (cristãos-sociais, socialistas, ecologistas e o único deputado esquerdista), três contra (reformadores democráticos alternativos) e sete abstenções (liberais). Segundo a Constituição luxemburguesa, um projecto-lei desta natureza requer dois terços dos votos.

Oposição contra o prazo de residência

Exceptuando os deputados do ADR, todos os partidos da oposição (DP, Verdes e Déi Lénk) manifestaram-se contra o prazo de residência de cinco anos estipulado pela nova lei.

Esta imposição levou os liberais a absterem-se na votação final. Além disso, os deputados do DP também exigiam que a idade mínima obrigatória para votar baixasse para 16 anos.

Também os Verdes e o deputado do "Déi Lénk", André Hoffmann, eram contra o prazo de residência, mas acabaram por se unir aos partidos da coligação (cristãos-sociais e socialistas) com receio que a lei ficasse novamente bloqueada.

Por isso, a seguir à votação, os Verdes apresentaram uma resolução, segundo a qual todos os partidos devem debater a questão do prazo de residência a seguir às eleições comunais, que veio a ser aprovada por unanimidade.

Nuno Costa
Foto: Guy Jallay
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OPINIÃO

As eleições autárquicas e a questão da integração

No meio dos casos Schmit e de outros "faits divers" políticos da semana passada, houve pelo menos um tema que escapou à cacofonia: a lei das eleições e das autarquias foi adaptada às necessidades e à realidade do Luxemburgo, tendo sido aprovada por maioria qualificada na quinta-feira. O projecto-lei foi depositado em 2008 e encontrou finalmente o voto favorável dos cristãos-sociais (CSV), dos socialistas (LSAP) e dos Verdes (Déi Gréng). De futuro, cidadãos de países terceiros (não-comunitários) poderão votar e ser eleitos nas eleições autárquicas luxemburguesas. Os cargos de burgomestre e vereador poderão ser ocupados tanto por luxemburgueses como não-luxemburgueses. As razões desta mudança estão ligadas à singularidade do país, que conta com cerca de metade de estrangeiros na sua população. A mensagem é clara: mais participação política em prol de uma melhor integração.

E eis que surge de novo a palavra integração. Se verificarmos os números, a integração é muito fraca, isto é, a participação política dos não-luxemburgueses está aquém do que seria de esperar ou de desejar. As inscrições nas listas eleitorais foram bastante baixas nas últimas eleições autárquicas e não vieram afectar em grande escala os resultados e as intenções de voto. Entretanto, um recente relatório da Universidade do Luxemburgo revelou que, nas últimas eleições legislativas de 2009, os não-luxemburgueses teriam votado sensivelmente da mesma forma que os nacionais. Não querendo fazer prognósticos, e como prefiro pragmatismos e números, sublinharei apenas que os estrangeiros estão muito pouco integrados no país, politicamente falando. Esta constatação foi alterada pelo partido de (extrema) direita ADR, que recusou subscrever o projecto-lei, pois considera que só os luxemburgueses deveriam poder chefiar as autarquias e que, numa altura em que a dupla nacionalidade é já uma realidade, não há nenhuma razão para dar oportunidade a estrangeiros. E logo fizeram a analogia de que um cidadão integrado no país é aquele que sabe falar luxemburguês e que pede a nacionalidade, assim que a lei o permite. Argumento muito pouco convincente e uma concepção de integração muito simplista.

Uma leitura diferente fez o Partido Democrático (DP), que também votou contra o projecto-lei, por não concordar com a condição de residência de pelo menos cinco anos para um estrangeiro poder votar, o que parece mais um pretexto do que uma real convicção.

Acredito que tudo se faz com tempo e medida, e que não há que recuar perante mais uma oportunidade de mostrar que luxemburgueses e estrangeiros podem, juntos, dar outra direcção ao país ou, pelo menos, construir uma base mais solidária e plural. Resta-nos também a nós, imigrantes e trabalhadores, usarmos esse direito já no próximo dia 9 de Outubro, inscrevendo-nos nos cadernos eleitorais. Devemos mostrar que estamos integrados em todos os sentidos da palavra, mas essa é outra batalha que temos de travar.

Cátia Gonçalves,
vice-presidente do Parlamento Jovem do Luxemburgo

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Mirandês: Microsoft e linguistas juntam-se para preservar e divulgar a língua mirandesa

A Microsoft, Instituto de Linguística Teórica e Computacional e a Associação de Língua Mirandesa têm em fase de desenvolvimento um projecto tecnológico “inovador” para preservar o ensino e divulgação da língua mirandesa.

A iniciativa junta peritos em software e linguística e vai permitir a quem escreve em mirandês ouvir “uma voz sintética naquela língua” ou, “a quem fala, ver a escrita reconhecida em texto para a mesma língua”.

O projecto é considerado como “fundamental”, quer para a investigação da língua mirandesa, quer para ensino e conhecimento da segunda língua oficial em Portugal, utilizando como ferramentas as mais recentes tecnologias de informação e comunicação.

Em declarações à Agência Lusa, o director de investigação da Microsoft Portugal, Miguel Sales Dias, disse que o projeto passa pela criação de um sistema de fala que reconheça o léxico fonético da língua mirandesa.

“Nós desenvolvemos tecnologias de base que serão utilizadas por quem desenvolve aplicações didáticas, para as disponibilizar depois a quem ministra o ensino do mirandês, quer na forma falada, quer na forma escrita”, especificou o investigador.

Os investigadores envolvidos no projeto acreditam que a tecnologia desenvolvida poderá ser utilizada para “melhorar” os modelos de ensino e divulgação do mirandês fora da sua área de influência (Miranda do Douro, Vimioso e Mogadouro).

“Os conteúdos desenvolvidos pela Microsoft são destinados a quem desenvolve aplicações, já que se constituem como um mecanismo de apoio à comunidade científica que se dedica ao estudo do mirandês. São recursos únicos que serão disponibilizados em modo livre”, adiantou Miguel Sales Dias.

Quando estas aplicações estiverem disponíveis, os falantes e estudiosos do mirandês vão poder verificar os resultados finais, já que, nesta altura, “os conteúdos apenas se destinam a investigadores na área do mirandês”.

Os primeiros demonstradores poderão estar disponíveis para a comunidade científica dentro de meio ano.

A médio prazo, os cerca de 500 alunos que estudam mirandês no Agrupamento de Escolas do concelho de Miranda do Douro poderão aplicar estas novas ferramentas nos seus computadores pessoais.

“As novas ferramentas podem ser aplicadas em todos os computadores que tenham o sistema operativo Windows,” adiantou responsável da Microsoft.

Na opinião dos investigadores, este é o primeiro e ao mesmo tempo um projecto “fundamental para manter viva” a língua mirandesa no mundo académico.

“Ao mesmo tempo, os falantes do mirandês passam a usufruir de avanços tecnológicos nas suas ferramentas de ensino. Estes recursos são inexistentes no seio da língua mirandesa. É um projecto que se encontra em fase de elaboração pela primeira vez em larga escala, com qualidade profissional”, concluiu Carlos Sales Dias.

Destaques da edição de 2 de Fevereiro de 2011

Na edição desta semana, o jornal CONTACTO dedica várias páginas às eleições legislativas que decorrem este domingo em Cabo Verde. O CONTACTO dá-lhe conta como é visto este escrutínio pela comunidade cabo-verdiana do Luxemburgo.

No editorial desta semana, destaque para o lançamento do Point24 em bi-semanário e em português pelo CONTACTO.

Nesta edição quisemos também saber como é celebrado o ano novo chinês. Para isso, acompanhamos uma jovem macaense na noite de passagem de ano chinesa.

Nas páginas interiores, não perca ainda o dossiê automóvel que lhe dará os melhores conselhos para adquirir um carro novo.

Estas e outras notícias no jornal CONTACTO, o seu semanário em língua portuguesa no Luxemburgo.

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Luxemburgo: CONTACTO lança edição portuguesa do Point24, a partir de hoje

O Luxemburgo tem desde hoje, terça-feira, mais um jornal em língua portuguesa, o Point24, produzido pelo grupo Saint-Paul Luxembourg e pelo semanário português CONTACTO, que vai contar com duas edições por semana.

O novo título, gratuito, vai chegar todas as terças e sextas-feiras à caixa do correio dos assinantes do CONTACTO, público maioritariamente português, mas que também engloba naturais de Cabo Verde, Brasil, Guiné-Bissau, Angola, Moçambique, São Tomé e Príncipe, bem como outros membros da comunidade lusófona residente no Luxemburgo.

O Point24, que já era distribuído em francês e alemão, passa a partir de hoje a ter uma edição em português.

Segundo os dados oficiais do país há cerca de 80 mil portugueses residentes no Luxemburgo, mas o Consulado-Geral de Portugal no país indica que actualmente deverá haver mais de 100 mil portugueses no Grão-Ducado.

Contabilizados os residentes lusófonos, ultrapassa-se o número de 110 mil pessoas, numa população total de 500 mil habitantes que o Luxemburgo conta.

É a pensar nessa comunidade lusófona, que tem aumentado muito nos últimos anos, de dimensão e de importância, que é produzido este novo jornal em português.