quinta-feira, 29 de outubro de 2009
Luxemburgo: Pantera negra avistada entre Mamer e Bertrange
Nos últimos meses, o felino foi avistado em diversos locais no Luxemburgo e na Bélgica, mas ninguém sabe de onde vem - ou se existe. A verdade é que nenhum circo ou jardim zoológico declarou a fuga de um animal desta espécie, e alguns dos alertas vieram a provar-se falsos. O animal que alguns afirmam ter visto em Bascharage no domingo à tarde era afinal um gato. Na segunda-feira, havia quem dissesse ter visto o felino no parque de Merl, na capital, mas os rumores foram recebidos com cepticismo pelos moradores.
A pantera foi vista pela primeira vez no início de Setembro em Meurthe-et-Moselle, a 50 km do Luxemburgo. Desde então, multiplicam-se as "aparições" do animal, que poderá ter sido abandonado por um particular.
Na dúvida, as autoridades luxemburgueses recomendam prudência. Capaz de percorrer largas distâncias num dia, o felino alimenta-se de carne crua, mas tende a evitar o homem.
Portugal/Gripe A-H1N1: homem internado morreu nos Açores
O homem, de 50 anos, foi internado quarta-feira com “sintomas de grave dificuldade respiratória”, acrescentou Laurindo Frias. O responsável indicou ainda que o homem “sofria de doença crónica associada, o que terá motivado o agravamento do seu estado e a consequente morte ocorrida esta manhã”.
Laurindo Frias garantiu que o homem, residente no concelho de Ponta Delgada, na ilha de São Miguel, estava há dois dias com sintomas de infecção respiratória, mas não recorreu à linha de Saúde Açores ou a cuidados médicos. “A razão deste senhor vir à urgência foi a grave situação respiratória que tinha, um quadro de pneumonia, e penso que a gravidade da situação teve a ver directamente com a sua patologia”, acrescentou o director clínico.
Laurindo Frias adiantou que no Hospital do Divino Espírito Santo, em Ponta Delgada, estão internados naquela unidade quatro adultos, um dos quais nos Cuidados Intensivos, e uma criança com gripe A.
Recorde-se que ontem uma criança de dez anos morreu no hospital de D. Estefânia em Lisboa, vítima de Gripe A.
Luxemburgo : Taxa de desemprego atinge 5,7 %
Em relação ao mês precedente, registou-se um aumento de 3,7 %, o que corresponde a um acréscimo de 484 pessoas.
Estes números foram revelados por Nicolas Schmit, ministro do Trabalho, e Jeannot Krecké, titular da pasta da Economia, após reunião do Comité de Conjuntura que se realizou a 28 de Outubro.
Em relação ao mês de Setembro de 2008, o número de desempregados no Grão-Ducado aumentou 35,4 %, o que corresponde a 3.502 pessoas. Num ano, a taxa de desemprego subiu de 4,3 % para 5,7 %.
Em finais de Setembro deste ano, 6.631 desempregados residentes no Luxemburgo beneficiaram do subsídio de desemprego, o que representa um aumento de 46,9 % em relação ao mês homólogo do ano passado.
O Comité de Conjuntura diz ainda ter analisado 139 pedidos de empresas para o desemprego parcial, tendo 126 obtido parecer favorável.
Assim, num universo total de 14.571 trabalhadores, 8.434 irão trabalhar em horário reduzido.
No indice das diferenças de oportunidades entre homens e mulheres, Portugal parece-se com ...o Cazaquistão
Numa escala de 1 (igualdade total) a 0 (desigualdade total), Portugal obtém 0,7013 pontos, o mesmo que o Cazaquistão e a Jamaica, e imediatamente atrás do Peru e Israel, no "Relatório Global sobre Desigualdades de Género", que inclui 134 países, elaborado com a colaboração de diversas universidades norte-americanas, como Harvard ou Berkeley.
Se, na primeira edição do ranking (2006), Portugal surgia em 33º lugar, na segunda caiu para 37º e no ano passado já surgia em 39º, apesar de uma subida ligeira da pontuação, que não levou a uma melhoria da posição geral devido à melhor prestação de outros países e aumento do universo da análise.
Apesar de surgir atrás de países como Moçambique (26º) ou República da Quirguízia (41º), Portugal tem diversos pares europeus e mesmo da União Europeia em posições inferiores, como a Polónia (50º), Eslovénia (52º) e até a Itália (72º).
Das quatro componentes avaliadas, a Participação Política das portuguesas é a mais pontuada (47º lugar) e Saúde e Condições de Sobrevivência o pior (80º).
São ainda avaliadas as desigualdades entre homens e mulheres no que diz respeito a Participação e Oportunidades Económicas e a Realização Educativa.
No primeiro lugar está este ano a Islândia (0,828 pontos), que roubou o título à Noruega.
Desde a primeira edição que os quatro primeiros lugares vão alternando entre Finlândia, Islândia, Noruega e Suécia.
Novidade em 2009 foi a entrada de dois países africanos - África do Sul e Lesoto - nos dez primeiros, grupo que inclui ainda Nova Zelândia, Dinamarca, Irlanda e Filipinas.
No fundo da tabela há uma maioria de países muçulmanos: Qatar, Egipto, Mali, Irão, Turquia, Arábia Saudita, Benim, Paquistão, Chade e Iémen (o último, com 0,461 pontos).
Para o fundador e presidente do Foro, Klaus Schwab, uma participação mais activa das mulheres na vida económica, política e académica é uma condição para uma "rápida retoma económica", mas também para o combate às alterações climáticas, segurança alimentar e redução dos conflitos.
A maior subida na edição deste ano pertenceu ao Paraguai (34 lugares, para 66º), e de modo geral os países sul-americanos acompanharam a tendência de melhoria.
Portugal: António Braga mantém-se como secretário de Estado das Comunidades
Ocupando o cargo desde Março de 2005, António Braga teve na reestruturação consular a medida mais controversa do seu mandato.
Desde que foi anunciada, em Dezembro de 2006, até que começou a ser concretizada, no final de 2007, choveram críticas, protestos e manifestações em todo o mundo contra a reforma dos consulados.
Pela primeira vez na história da diáspora portuguesa, os emigrantes uniram-se para protestar contra uma reforma.
Foi também pela mão de António Braga que foi criado o Consulado Virtual, que, via Internet, disponibiliza serviços e informações até agora apenas acessíveis nos postos e secções consulares portuguesas no estrangeiro.
António Braga inaugurou também o Gabinete de Emergência Consular que funciona 24 horas por dia e presta apoio aos portugueses no estrangeiro que se encontrem em situações de emergência.
O titular da pasta da Emigração foi ainda um dos mentores do Observatório da Emigração, que tem como função fazer a análise dos fluxos migratórios, das comunidades portuguesas e a história da emigração portuguesa.
O LusaVox, um concurso on-line de descoberta de talentos musicais entre os portugueses no estrangeiro, e a Gala dos Talentos, que homenageia emigrantes que se distinguem em áreas como o desporto, a política, o associativismo ou a ciência, entre outros, foram outras das iniciativas do secretário de Estado.
No papel continua o Netinvest, uma iniciativa de apoio ao investimento em Portugal por parte dos empresários portugueses que vivem no estrangeiro, largamente anunciada pelo Governo mas nunca concretizada.
Quanto ao Ensino do Português no Estrangeiro, destaca-se a passagem da sua tutela do Ministério da Educação para o Ministério dos Negócios Estrangeiros, que só estará plenamente concretizada em 2010/2011.
Natural de Braga e licenciado em Filosofia, António Braga esteve ligado à Educação e iniciou funções de deputado em 1995, na VII Legislatura.
No Parlamento dedicou-se também à Educação, foi vice-presidente do Grupo Parlamentar do PS (1995 a 1998 e 2001/2002), vice-presidente do Grupo Parlamentar de Amizade Portugal Rússia (2002/2005) e membro do Grupo Parlamentar de Amizade Portugal Canadá (2002/2005).
Em Março de 2005, assumiu o cargo de secretário de Estado das Comunidades Portuguesas.
Foto: Manuel Dias
Luxemburgo: Eléctrico na capital, um projecto que tarda, que tarda...
"O dossier do eléctrico está a avançar bem", garantiu esta semana o novo ministro dos Transportes e do Desenvolvimento Sustentável, Claude Wiseler (CSV).
"Não vejo outra alternativa para a mobilidade do que o conceito já elaborado pelo Governo", disse o ministro referindo-se ao projecto "Mobilidade 2020", que prevê as infra-estruturas rodoviárias e ferroviárias e as conexões intermodais a criar até ao ano 2020. O eléctrico é uma das pedras basilares do projecto "Mobilidade 2020".
A declaração de Wiseler surge como resposta ao que dissera a sua colega de partido, Martine Stein-Mergen, dias antes em entrevista ao Wort.
"Enquanto as finanças públicas não estiverem saneadas, deveríamos voltar a analisar mais uma vez as soluções alternativas ao projecto do eléctrico para a capital", disse a deputada, que é também chefe de secção do Partido Cristão-Social (CSV) na cidade do Luxemburgo. A deputada quer que o orçamento do projecto volte a ser calculado e que se estude também o custo eventual de um eléctrico subterrâneo.
Na sequência da declaração de Stein-Mergen, o Partido Alternativo Reformador Democrático (ADR) - desde sempre opositor do eléctrico e defensor do projecto de um metro - aproveitou a deixa e critica não só a deputada de ter "copiado os projectos do ADR", como acusa o CSV de ter utilizado o eléctrico como promessa eleitoral, não acreditando, lê-se num comunicado, que o projecto seja um dia realidade.
Também os socialistas (LSAP), parceiros de coligação do CSV, criticam Stein-Mergen, acusando-a de "torpedear" os projectos do seu próprio partido e do Governo.
O antigo ministro dos Transportes, o socialista Lucien Lux (que lançou o projecto "Mobilidade 2020" em 2007), insta o seu sucessor, Claude Wiseler, a dar garantias de que o projecto do eléctrico vai mesmo avante, segundo o que estipulavam os acordos feitos entre o CSV e o LSAP.
O projecto do eléctrico na capital deverá numa primeira fase (2015-2020) ligar o aeroporto do Findel à gare central, atravessando o Kirchberg, o Glacis, o boulevard Royal (na imagem), a ponte Adolphe e a avenue de la Liberté.
Numa segunda fase, deverá passar por estações periféricas situadas em Cessange, Hollerich, Howald, entre outras.
Com este projecto, o objectivo do Governo luxemburguês é promover a mobilidade fácil e rápida dentro da capital, através de um transporte público agradável e ecológico, em detrimento dos automóveis, que têm vindo a aumentar exponencialmente, nos últimos anos, o tráfego e os engarrafamentos dentro da cidade.
Uma ideia do fim dos anos 80
Facilitar a circulação e a mobilidade entre a capital, o resto do país e as regiões fronteiriças era a ambição primeira do BTB ("bus-tram-bunn", ou autocarro-eléctrico-comboio), quando foi apresentado em 1993.
Hoje, essa necessidade é ainda mais premente. A população do país aumentou três vezes mais do que o previsto, o número de postos de trabalho na capital viu-se multiplicado por 20 e o movimento de trabalhadores transfronteiriços é hoje quase 30 vezes superior ao do princípio dos anos 90.
Acresce que o aumento constante do fluxo dos utentes nos autocarros urbanos da capital faz com que as projecções alertem para que bem antes de 2020 se atinja o limite da capacidade de transporte e gestão de passageiros. Em 2020 deverão registar-se entre a Gare e o Centro Hamilius entre 60 e 80 mil movimentos de passageiros nos dias úteis, o que representa a passagem de cerca de 10 a 12 mil utentes nas horas de ponta naquele eixo.
A ideia de um eléctrico para a capital como meio de transporte prioritário tinha sido lançado desde o fim dos anos 80 pelo "Movimento Ecológico".
José Luís Correia
Portugal: Primeira criança vítima mortal da gripe H1N1
"A criança deu entrada no Serviço de Urgência perto das 06:00 de hoje (ontem dia 28 de Outubro) com sintomatologia gripal", tendo sido realizadas "análises laboratoriais e identificado o vírus H1N1 nas secreções respiratórias", adianta o CHLC. A Direcção Clínica aguarda o resultado da autópsia para determinação da causa de morte. O Conselho de Administração do CHLC informa que a criança morreu hoje no Serviço de Infecciologia do Hospital D. Estefânia.
Entretanto, o Ministério da Saúde registou na última semana 149 focos de Gripe A (H1N1) em escolas de todo o país, anunciou a tutela.
"Uma vez que este número tem vindo a sofrer um aumento significativo nos últimos dias, o Ministério da Saúde considera relevante a sua divulgação: 149 clusters [focos] de Gripe A em escolas de todo o país, entre os dias 22 e 28 de Outubro", lê-se na nota semanal do gabinete da ministra Ana Jorge.
Segundo a mesma fonte, entre 19 e 25 de Outubro foram observados nos serviços de saúde 4732 doentes com sintomas de gripe, independentemente dos vírus em causa.
Durante o mesmo período estiveram internados 47 doentes, dos quais quatro em unidades de cuidados intensivos. Quanto à situação clínica, acrescenta o Governo, a maioria dos novos casos diagnosticados não apresentou gravidade.
Luxemburgo: Descontentes, trabalhadores da Villeroy&Boch vão apelar ao Gabinete de Conciliação
O pacote de indemnizações proposto pela direcção da empresa de faianças resume-se a 1.230.000 euros, o que corresponde a uma média de 20 euros por mês de antiguidade para cada um dos 230 trabalhadores da fábrica que vai fechar no Rollingergrund, na capital luxemburguesa.
Os sindicatos que representam os trabalhadores dizem-se insatisfeitos e informam que estes vão apelar ao Office National de Conciliation (ONC), que tomará a decisão final, em acordo com a legislação vigente.
O ONC é a instância estatal que tem por missão regular no Luxemburgo os diferendos entre o patronato e os parceiros sociais quando estes não conseguem acordar-se.
quarta-feira, 28 de outubro de 2009
Música: Álbum e filme "This is it", de Michael Jackson foram lançados esta semana
O duplo álbum "This is it", de Michael Jackson, está nos escaparates desde ontem.
"This is it" inclui alguns dos êxitos de Michael Jackson, como "Beat it", "Thriller", "Billie Jean" ou "I just can´t stop loving you", recuperados das gravações originais.
O alinhamento desta colectânea respeita a ordem pela qual os temas aparecem no filme "This is it", que chegou esta quarta-feira aos cinemas de todo o mundo, incluindo Portugal e Luxemburgo.
No Luxemburgo, o filme pode ser visto a partir de hoje no cinema Utopolis (até 10 de Novembro), no Kirchberg, e no Cine Belval (até 5 de Novembro), em Esch-Belval.
Jackson, outra vez postumamente nos tops
Este último disco de Jackson chegou ontem ao mercado e já perspectiva converter-se num novo "número um" do artista, apesar das críticas contraditórias sobre a sua qualidade.
O primeiro disco inclui músicas originais do cantor e êxitos como "Billie Jean", "Smooth Criminal", "Human Nature" e "Thriller", remasterizados e na mesma ordem em que aparecem no filme, a sequência que Jackson tinha escolhido para os concertos previstos para este Verão em Londres, no seu regresso aos palcos.
O segundo disco inclui quatro temas do cantor nunca antes publicados, entre os quais uma versão "a capella" de "Beat it" e alguns clássicos de Jackson, como "She's Out Of My Life" e ainda a leitura de um poema escrito e lido por MJ, intitulado "Planet Earth".
O duplo disco apresenta ainda várias fotografias captadas nos últimos ensaios do rei da Pop para os espectáculos que deveria realizar em Londres.
São esses mesmos ensaios que integram o filme "This is it", o último testemunho de Michael Jackson, que morreu a 25 de Junho aos 50 anos, vítima de uma overdose medicamentosa.
Para o crítico Dan Aquilante, do diário New York Post, o álbum póstumo de Jackson "é uma colecção que vale a pena" e que confirma um dos maiores regressos da história por um artista à ribalta.
"É aqui que temos um olhar sobre a evolução do som de 'Jacko', através de versões de teste inéditas de clássicos como ''Wanna Be Startin', 'Somethin' e 'Beat It'", disse.
Uma opinião diferente tem o analista musical Glenn Gamboa, do Newsday, que considera que o álbum vai ser uma decepção para os fãs que procurem nos discos a banda sonora da película homónima.
Para Gamboa, 'This is it' "é, mais ou menos, outra colecção de grandes êxitos de Jackson, cuja popularidade e vendas dispararam desde a sua morte, em Junho".
O crítico explica ainda que os temas dos álbuns não "não são as versões em directo" do filme com o mesmo nome.
Gamboa disse ainda que o mais atractivo do disco é o livro com 36 fotografias exclusivas que acompanha os CDs e não as novidades sonoras. As fotografias mostram Jackson "com boa saúde", a interpretar os seus famosos passos de dança.
Texto: Lusa/Vídeo: Youtube
Crónica: Sócrates mantém núcleo duro
António Mendonça presidiu, até há pouco, ao Conselho Directivo da Instituto Superior de Economia e Gestão, onde é professor catedrático. Tem 55 anos e desde os seus primeiros tempo como estudante daquele instituto foi considerado um aluno brilhante. Militou durante muitos anos no PCP, que abandonou no final dos anos 80. Mendonça é um defensor do investimento público e, por essa razão, é de crer que o TGV e o novo aeroporto de Lisboa são obras que ele vai tentar concretizar. É considerado também um dos mais notáveis adversários da corrente neo-liberal. Aliás, o ISEG foi sempre a escola de Economia que se opôs à marcada tendência neo-liberal das Faculdades de Economia da Universidade Nova e da Universidade Católica. A sua gestão à frente do ISEG foi largamente elogiada, sendo responsável pela ampliação e modernização daquela escola.
Helena André vem de Bruxelas, onde foi a representante portuguesa na Confederação Europeia dos Sindicatos. Com uma inegável experiência política, exerceu diversos cargos directivos na Federação socialista do Benelux e, mais recentemente, foi co-redactora da moção de estratégia que José Sócrates apresentou, no último congresso. A sua grande experiência reside, no entanto, na área sindical e, por essa razão, a sua escolha agradou às estruturas sindicais. A UGT foi mais entusiástica na reacção; a CGTP, mais contida, deu-lhe, para já, o benefício da dúvida.
Para a Agricultura foi escolhido António Serrano, um homem que vai ter vida difícil. Para já, tem o dossier leiteiro para resolver. Os preços estão em queda livre e os agricultores defendem o regresso do regime de quotas, com uma quebra de produção que estanque a descida dos preços. Mas a Comissão Europeia cedeu ligeiramente, revogando a decisão de acabar com as quotas, em 2012.
O pacote financeiro de ajuda dará a Portugal menos de sete milhões de euros, valor que os produtores contestam, por ser muito reduzido. Alguns poderão receber aquilo que chamam de ninharia – 250 euros.
António Serrano terá de tomar decisões importantes, resistindo às pressões da CAP, que representa interesses muito particulares, em todo este processo. E as relações com a CAP, por tradição, costumam deitar ministros abaixo. Quando o titular cede aos interesses desta confederação, acaba por ser contestado pelos pequenos e médios agricultores e por largos sectores da sociedade. Quando se opõe a esses interesses, é a própria CAP que se encarrega da contestação. Em qualquer dos casos, há sempre instrumentalização da enorme capacidade de contestação dos agricultores, com cortes de estradas e tractores nas ruas.
Esta semana, os ministros escolhem os seus secretários de Estado e José Sócrates pediu a todos que concluíssem esse processo até à noite de quarta-feira, ou, o mais tardar, até quinta-feira, à hora de começo do Conselho de Ministros. Ainda sem data marcada, os secretários de Estado devem tomar posse no sábado. Haverá muitas reconduções e, obviamente, algumas novidades. O nome de António Braga, nas Comunidades, não é ainda certo. Muitos sectores socialistas defendem a sua substituição, argumentando que a prestação eleitoral do PS nos dois círculos da emigração ficou aquém das expectativas, o que quer dizer que o trabalho de Braga, como secretário de Estado, não terá sido o melhor. Alguns sectores próximos de Jaime Gama estarão a ter impor o nome de Paulo Pisco, possibilidade que parece não agradar a José Sócrates. Mas Luís Amado não costuma contrariar os desejos do presidente da Assembleia da República.
Este não é o único problema que Luís Amado tem para resolver. O secretário de Estado da Cooperação, João Gomes Cravinho, tem sido muito contestado e as suas relações com o ministro têm-se degradado. No ministério diz-se, à boca cheia, que ele não tem estatura para substituir o ministro nas suas ausências, uma constatação já feita pelo próprio Luís Amado. Apesar da excessiva discrição com que tem exercido a sua função, a secretária de Estado dos Assuntos Europeus pode permanecer, porque tem o apreço de muita gente no Ministério.
Dada como certa é a saída de todos os secretários de Estado do Ministério da Educação. Isabel Alçada, a nova ministra, não quer "herdar" gente da equipa anterior, que está muito desgastada com a luta contra os professores. Pelo contrário, António Mendonça pode ficar com Paulo Campos, um secretário de Estado que tem acompanhado os dossiers das grandes obras. Mas, em contrapartida, não tem vontade de conservar Ana Paula Vitorino, um mulher muito ligado ao aparelho, circunstância que assusta sempre os independentes.
Sérgio Ferreira Borges*
analista político
(O autor assina a crónica política "Avenida da Liberdade", semanalmente, no CONTACTO)
Brasil: Resposta à crise foi "formidável", mas futuro é apenas "esperança", diz Nobel da Economia 2009
"Quando as pessoas falam dos BRIC (Brasil, Rússia, Índia, China), talvez devessem falar dos IC, porque a Índia e China tiveram essa descolagem [de crescimento económico] mas o Brasil ainda não, e a Rússia é um animal totalmente diferente", apontou o economista norte-americano perante uma plateia de empresários na capital argentina, Buenos Aires.
"Todos conhecem a anedota de que o Brasil é o país do futuro e sempre o será. Ainda não vemos no Brasil o tipo de crescimento que vemos na Ásia. Eu acho que isto continua a ser uma esperança e não uma perspectiva certa", adiantou.
Para o economista, o Brasil não foi tão afectado pela crise mundial porque "não está tão exposto ao comércio mundial e também porque criou uma estrutura financeira muito mais sólida."
"Foi afectado mas não muito, os bancos aguentaram-se muito bem e, de facto, o mundo quer levar dinheiro para o Brasil e isto gera problemas para a competitividade das suas exportações", defendeu.
O Nobel norte-americano fez um paralelo com a década de 1930, que foi melhor para a América Latina do que para os Estados Unidos ou a Alemanha, sem que tal se tenha traduzido em boas perspectivas para as décadas seguintes.
O Brasil tem um "dinamismo empreendedor" e "indústrias de exportação bem-sucedidas", o que "leva muitos a pensar que tem excelentes perspectivas de crescimento, mas, por outro lado, muita gente diz isso do Brasil há décadas", referiu ainda.
Portugal/Selecção: Utilização de Cristiano Ronaldo no play-off contra a Bósnia pode estar comprometida
Cristiano Ronaldo fez esta quarta-feira uma ressonância magnética, que apesar de confirmar uma evolução positiva não dá o problema como resolvido.O objectivo do internacional português de defrontar o Milan, a 3 de Novembro, para Champions League, não vai portanto poder ser cumprido.
O Real Madrid emitiu um boletim clínico no qual informa que há uma "diminuição significativa do edema ósseo, exceptuando uma zona onde, apesar da melhoria, ainda existe de forma ligeira".
O clube madridista informa ainda que Ronaldo se "mantém de baixa médica até que seja feito um novo exame médico dentro de uma semana".
Por outro lado, receia-se também que a participação do jogador português ao serviço da equipa de todos nós esteja comprometida nos jogos do play-off de apuramento para o Mundial2010, contra a Bósnia, nos dias 14 e 18 de Novembro.
Luxemburgo: Ministro do Trabalho quer apresentar reforma da ADEM até Junho de 2010
Após ter analisado a situação das instalações da ADEM, na cidade do Luxemburgo, em Esch/Alzette, em Wiltz e em Diekirch, o ministro afirma que "a situação é catastrófica em certos escritórios", implicando uma "reforma cada vez mais necessária e urgente".
Nicolas Schmit sublinhou "o número importante de desempregados que fazem fila na ADEM" e a sobrecarga de trabalho com que o pessoal da ADEM está confrontado, não conseguindo dar seguimento aos dossiês que não param de aumentar.
O ministro explica que "não se trata de fazer um novo estudo, mas de proceder a uma reforma agora, começando hoje", com vista a restaurar a confiança dos empregadores e dos desempregados na ADEM.
Para concretizar a reforma da ADEM, Nicolas Schmit solicitou a ajuda e o conselho de Bernard Brunhes, especialista em assuntos sociais, que terá por missão identificar os pontos fracos da ADEM e apresentar soluções para um melhor funcionamento daquela administração.
A reforma da ADEM será conduzida em concertação com os seus funcionários e parceiros sociais, e será acompanhada de um reforço dos efectivos e do material informático. "Visto que há urgência", Schmit estabeleceu o mês de Junho de 2010 como meta para apresentar a reforma.
Texto: NC/Foto: Anouk Antony
Luxemburgo: Mais de 700 pessoas já estão vacinadas contra gripe A
O Luxemburgo dispõe de 20 mil doses de vacinas para o primeiro grupo de risco a ser vacinado. Pessoal hospitalar, bebés até aos seis meses e mulheres grávidas são o grupo definido como prioritário nesta primeira fase, que começou ontem.
Numa segunda fase, que arranca em Novembro, será vacinada o resto da população.
A vacinação não é obrigatória e é gratuita.
Luxemburgo: Governo garante que riscos associados à vacina são inferiores aos do contágio
Os resultados da sondagem da empresa TNS ILRES, são claros: duas em cada três pessoas entrevistadas não se preocupa com a doença e não pensa tomar a vacina contra o H1N1. Cerca de 46% da população do Luxemburgo pensa que a vacinação em massa é exagerada e 41% mostra-se desconfiada em relação à vacina. O estudo foi realizado na semana passada através de uma entrevista a 602 pessoas.
A argumentação dos que desconfiam da vacina repete-se: interesses económicos das farmacêuticas, testes feitos à pressa, efeitos secundários inesperados. Desconfianças que se avolumam quando se sabe que, aqui ao lado, na Alemanha, os funcionários do Estado e os polícias vão receber um medicamento diferente que aquele que vai ser ministrado à população. Em causa está a substância adjuvante utilizada nesta vacina.
MAS AFINAL PORQUÊ TANTO MEDO?
Do leque de vacinas licenciadas pela Agência Europeia do Medicamento, a escolha do Governo do Luxemburgo recaiu sobre o Pandemrix do laboratório britânico GlaxoSmithKline, a mesma que também vai ser utilizada, por exemplo, em Portugal.
Esta vacina, que no Luxemburgo vai ser ministrada em apenas numa dose, mas que noutros países será distribuída em duas, é fabricada pelo método tradicional da cultura de ovos, é feita de antigénio (vírus morto), mais adjuvante, a tal substância que adicionada ao antigénio potencia o efeito da vacina).
O problema, dizem os que estão cépticos, é que nos Estados Unidos, por exemplo, em 1976 houve um programa de vacinação maciça contra uma epidemia gripe. Foram imunizados 42 milhões de pessoas e foi depois detectada em cerca de 500 dessas pessoas uma doença neurológica rara, o síndrome de Guillan-Barré. Vinte e cinco pessoas acabaram mesmo por morrer.
Os defensores deste tipo de vacina dizem que as conclusões ao inquérito não foram muito claras e que, ao que se apurou na altura, um dos lotes estaria contaminado com um agente estranho. Mais: as vacinas têm sempre algum tipo de adjuvante, e que no caso da Pandemrix estamos apenas perante uma substância mais potente como forma de se garantirem mais doses de vacinas.
Mas os receios não se ficam por aqui: é que um dos adjuvantes utilizado na Pandemrix é o esqualeno, uma substância que foi primeiramente descoberta no óleo do fígado de tubarão, mas que também se encontra em inúmeras espécies de origem vegetal, como por exemplo, no azeite.
O problema é que desde a Guerra do Golfo em 1991, um grupo de investigadores diz ter descoberto anticorpos contra o esqualeno artificial nos veteranos de guerra que apresentavam doenças sem explicação. Tal facto sugere que o esqualeno ou os anticorpos contra o esqualeno eram responsáveis por aquilo que ficou conhecido como "Síndrome da Guerra do Golfo". Estes investigadores acreditam que o esqualeno foi utilizado como uma droga adjuvante nas vacinas contra o Antrax.
GOVERNO VERSUS OPOSIÇÃO
O ministro da Saúde luxemburguês, Mars di Bartolomeo, já garantiu que vai tomar a vacina contra o vírus H1N1. Diz o ministro que os benefícios da vacina são muito superiores ao risco do contágio.
Do outro lado da barricada está o deputado dos Verdes ("Déi Gréng") Jean Huss que garantiu ao CONTACTO que "não vai tomar a vacina", exactamente pelas razões contrárias às do ministro da Saúde.
"Primeiro porque não acredito numa catástrofe. Até agora ainda não dei conta de uma catástrofe, nomeadamente nos países do sul do hemisfério onde o Inverno está a acabar. Até agora, o vírus H1N1 tem-se mostrado absolutamente benigno, menos perigoso do que o da tradicional gripe sazonal, e depois porque não prevejo uma grande mutação do vírus nos países como o nosso, onde há cuidados de saúde de higiene e de alimentação. Mas sobretudo", conclui o deputado ecologista, "os riscos dos efeitos secundários são maiores do que os efeitos positivos de uma eventual vacinação".
Em conferência de imprensa, na segunda-feira, os Verdes questionavam a política do Governo luxemburguês que apela às pessoas para que se vacinem, mas que não explica os eventuais riscos associados à vacinação.
"Não dizemos às pessoas que se devem ou não vacinar. Dizemos que antes de tomarem a decisão, qualquer que seja, as pessoas devem estar bem informadas sobre aquilo que vão fazer, isto é, que seja uma decisão consciente", exige Jean Huss, dos Verdes, que garante que tal atitude "não foi até agora adoptada pelo Governo".
Também a associação luxemburguesa de defesa dos direitos dos pacientes, "Patiente Vertriedung asbl", enviou um comunicado às redacções onde questiona a vacinação maciça da população e a falta de informação prestada no Luxemburgo sobre a vacina.
"Quais são os efeitos secundários nefastos de curto, médio e longo prazo? Qual a razão porque muitos médicos e profissionais de saúde não querem ser vacinados? Porque é que os políticos, noutros países europeus, que trabalham na área da da saúde, como o ministro da Saúde da Áustria, se recusam a ser vacinados?", são algumas das questões levantadas pela associação que até agora, diz, não viu esclarecidas.
Nesta primeira fase de vacinação que começou ontem, o Luxemburgo vai dispor de 20 mil doses de vacinas, o que, segundo o ministro da Saúde, "é mais do que suficiente para vacinar o primeiro grupo de risco: pessoal hospitalar, bebés até aos seis meses e mulheres grávidas".
Numa segunda fase, que começa em Novembro, será vacinada o resto da população.
A vacinação não é obrigatória e é gratuita. O Luxemburgo já registou 785 casos de gripe A-H1N1, desde Junho deste ano.
Domingos Martins
Foto: Marc Wilwert
Luxemburgo: União dos Consumidores propõe mediador para litígios no sector da construção
Resolver os litígios nos sectores do turismo e dos seguros por mútuo consentimento tem vindo a ser a recomendação da União Luxemburguesa dos Consumidores (ULC), que quer alargar a mediação ao sector da construção.Uma estratégia que evita procedimentos jurídicos complicados e processos prolongados que, além de consumir tempo e nervos, também são financeiramente onerosos, defende a ULC. Como 30% dos litígios que chegam à ULC dizem respeito a conflitos no sector da construção, a ULC deseja implementar um processo de mediação especialmente dedicado a esse sector.
Há uns anos, em colaboração com o Agrupamento das Agências de Viagens do Luxemburgo (GAVL) e o Sindicato dos Agentes de Viagens do Luxemburgo (SAVL), a ULC montou um grupo de mediação para resolver litígios referentes a viagens organizadas. Em cooperação com a Associação das Companhias de Seguros, a ULC tenta chegar a acordos no âmbito de litígios referentes aos contratos de seguros.
Estas duas experiências levam Guy Goedert, presidente da ULC, a desejar criar uma célula de mediação para lidar com as discórdias dos consumidores com os profissionais da construção, e já iniciou conversações com a Confederação Luxemburguesa do Comércio com esse fim.
No entanto, a Federação dos Artesãos (FDA) não parece partilhar o interesse da ULC por um mediador para o sector da construção. Em declarações ao Luxemburger Wort, Patrick Koehnen, presidente da FDA, não vê a mais-valia da mediação, já que, sustenta, "a maioria dos litígios resolvem-se entre os profissionais e os particulares sem ajuda externa".
"Já existe um Centro de mediação do tribunal de Luxemburgo que conta com representantes das associações profissionais, das câmaras de comércio assim como da ordem dos advogados", diz Koehnen.
Mas a ULC quer aumentar o número de litígios resolvidos sem recorrer ao tribunal. Por enquanto, 80 % dos conflitos são resolvidos por consenso entre as partes, e Guy Goedert pensa que promover a mediação, levando os litigantes a sentar-se a uma mesa para conversar, pode evitar processos e assim melhorar a situação actual.
Um assunto que o presidente da ULC deseja discutir com Jeannot Krecké no âmbito de um encontro futuro.
De especial interesse para a ULC é o regulamento europeu para litígios transfronteiriços, que estipula que até um montante de 2.000 euros o litígio pode ser tratado por um procedimento simplificado, recorrendo-se unicamente a um juiz e não sendo necessária a presença de um advogado. Uma forma de procedimento que a ULC gostaria de ver aplicada a litígios puramente nacionais.
A ULC ainda recomenda aos promotores que sejam mais específicos na descrição das obras que comercializam.
Aos consumidores, a ULC aconselha que não assinem contratos que não entendam e peçam conselhos e esclarecimentos antes de se comprometerem.
Pedro Castilho
Novas tecnologias: E-mail expandiu-se em Portugal e no Mundo a partir de 1995
Portugal adoptou o e-mail como ferramenta de comunicação e está a acompanhar a sua evolução ao mesmo tempo que os restantes países, disseram à Lusa dois dos pioneiros portugueses da internet.Libório Silva, autor do livro "e-mail", referiu que a expansão do correio electrónico em Portugal aconteceu ao mesmo tempo que no resto do Mundo, fundamentalmente a partir de Janeiro de 1995, quando a Telepac abriu o acesso da internet a particulares via World Wide Web (www), a interface gráfica hipermédia que veio revolucionar a internet.
"Antes de 1995, só se podia entrar na internet através do [sistema operativo] Unix. Eu era responsável pelo Informix em Portugal e participava desde o início dos anos 1990 no Grupo Português de Utilizadores de Unix [PUUG], de que faziam parte apenas 20 ou 30 empresas", recordou.
Libório Silva, que organizou em 1995 em Lisboa o primeiro congresso internacional sobre internet em Portugal (com edições anuais até 2003), recordou que os primeiros e-mails eram escritos em linhas de comando, precedidos da palavra "send" (envio), porque o correio electrónico ainda não era gráfico.
O editor da Centro Atlântico contou que, no momento em que um dos oradores do congresso de 1995 (o site ainda está disponível em http://www.centroatl.pt/internet.95/), Rui Bana e Costa, fazia uma apresentação sobre e-mail, recebeu a mensagem de entrada de um e-mail, o que causou sensação entre os 400 participantes.
"Ver ao vivo uma mensagem de e-mail a chegar em tempo real foi engraçadíssimo. Para a maioria dos participantes, era a primeira vez que viam um e-mail a chegar", disse.
Outro membro do PUUG era Vítor Magalhães, que teve a "sorte" de ter estudado na faculdade (de Ciência e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa) no momento em que estava a ser criado o primeiro ISP (fornecedor de acesso à internet) português, que ajudou a construir.
"A internet, naquela fase, ainda era texto, não era gráfica. As hiperligações baseavam-se no Ghoper [protocolo de redes de computadores destronado pela World Wide Web] e não por HTML", recordou.
A característica não gráfica dos primeiros 20 anos de internet fez do e-mail a ferramenta mais usada, ainda que por um grupo muito restrito, que em Portugal não ultrapassava as "200 e poucas pessoas" no início da década de 1990.
"Portugal acabou por seguir o resto do Mundo. Não houve antecipação nem atraso na adopção do e-mail", referiu Vítor Magalhães, actualmente dedicado em exclusivo à Byside, empresa especializada em gestão de perfis e comunicação segmentada, ligando os mundos online e offline.
Luxemburgo: Juncker diz-se pronto a ser primeiro presidente do Conselho da UE
"Se fosse convocado, não teria razão para recusar, com a condição de ser apoiado por ideias ambiciosas para este cargo", declarou Juncker na entrevista.
Há algum tempo que o nome de Juncker, o mais velho dos primeiros-ministros em exercício da UE, é citado como possível candidato para a função de presidente do Conselho da UE, cargo previsto pelo Tratado de Lisboa, se este entrar em vigor.
Embora seja facto notório no Luxemburgo que Juncker há muito ambiciona e se prepara para este cargo, esta é uma das primeiras vezes que o chefe de Governo luxemburguês manifesta claramente e ao nível internacional o seu interesse.
"Aprendi que não é necessário apresentar-se como candidato para um cargo destes. É preciso deixar que chegue a chamada dos outros", disse ao "Le Monde".
Juncker, há muito na corrida
A candidatura de Juncker deve ser encarada seriamente e vê-se reforçada em diversos pontos.
Juncker é considerado pelos seus pares da UE como uma personalidade com carisma e de fortes convicções europeias. Como o mais velho dos primeiros-ministros em exercício da UE (desde 1995), os seus pares reconhecem-lhe como qualidades, além de longevidade política, a de Juncker trabalhar há 15 anos com afinco em prol da construção e da coesão europeias.
O luxemburguês tem chefiado com mestria o Eurogrupo.
Foram-lhe inteiramente atribuídos os louros por o Grão-Ducado ter votado em 2005 (com 56,52% de "sim") a favor da Constituição Europeia. O que veio apenas reforçar a nível internacional a ideia de que os luxemburgueses e o Luxemburgo são europeus convictos da primeira hora. Recorde-se a este propósito o célebre episódio em que Juncker lançou o ultimato aos eleitores luxemburgueses de que se não votassem em favor da Constituição, ele se demitiria. Argumentou então dizendo que se os luxemburgueses votassem contra a Constituição era como se votassem contra o trabalho que ele desenvolvera durante 10 anos. A população fez "fila indiana" atrás do seu primeiro-ministro.
Um dos pontos que pode igualmente tender em favor de Juncker é o facto de a maioria dos Estados-membros dos 27 desejar como primeiro presidente do Conselho da UE um representante de um pequeno país e que já tenha dado provas de integração europeia, ou seja, que faça parte do Espaço Schengen e/ou da Zona Euro. O Luxemburgo responde aos três casos de figura.
Outros candidatos em liça
Mas há outros possíveis candidatos a este posto, como o do seu homólogo holandês Jan Peter Balkende. Também os nomes do britânico Tony Blair, do alemão Frank-Walter Steinmeier, do finlandês Olli Rehn, do sueco Carl Bildt e da austríaca Ursula Plassnik têm circulado.
Segundo o analista do Centro de Política Europeia, Antonio Missiroli, o favorito é o holandês Jan Peter Balkende. Para outros, o cargo vai disputar-se entre o antigo primeiro-ministro britânico Tony Blair e Juncker.
Durante algum tempo considerado como favorito para a presidência do Conselho Europeu, Tony Blair surge hoje isolado e abandonado. O próprio presidente francês Nicolas Sarkozy, que o apoiou no início, declarou recentemente que "o facto de a Grã-Bretanha não pertencer à Zona Euro é um problema para escolher um candidato britânico". Também a chanceler alemã Angela Merkel não parece entusiasmada com a nomeação de Blair. A Merkel juntam-se os países do Benelux e a Áustria.
Paradoxalmente, a eurocéptica imprensa britânica está a responder, só agora, com uma verdadeira campanha em favor do seu antigo primeiro-ministro para o cargo de presidente do Conselho Europeu.
Eurodeputado luxemburguês lança petição contra Tony Blair
Por iniciativa de Robert Goebbels, eurodeputado socialista luxemburguês, cinco deputados europeus entregaram na semana passada no Parlamento Europeu (PE) uma declaração escrita sobre a nomeação do futuro presidente do Conselho Europeu, deixando bem claro que o antigo primeiro-ministro inglês Tony Blair não corresponde a esse perfil.
Segundo estes deputados (um luxemburguês e quatro alemães) pertencentes aos três maiores grupos políticos - Robert Goebbels (Partido Socialista Europeu, PSE), Klaus-Heiner Lehne (Partido Popular Europeu, PPE), presidente da Comissão Jurídica, Herbert Reul (PPE), presidente da Comissão da Indústria, Jo Leinen (PSE), presidente da Comissão do Ambiente e Jorgo Chatzimarkakis, coordenador do Grupo Liberal - "o PE não pode simplesmente registar esse futuro presidente do Conselho, que será a cara e a voz da Europa". Para estes eurodeputados, o futuro presidente tem de vir de um país que adoptou ou que quer adoptar o Euro, ser originário de um Estado pertencente ao Espaço Schengen e fazer parte de um país que não recusa a aplicação da Carta Europeia dos Direitos Fundamentais.
Goebbels sublinha que "este perfil não corresponde em nada ao candidato preferido de alguns grandes países, nomeadamente Tony Blair?"
Goebbels espera que, pelo menos, metade dos parlamentares europeus assine a declaração, porque nesse caso o documento terá valor de resolução adoptada pelo PE e será publicada no Jornal Oficial da UE.
Entretanto, decorre amanhã e na sexta-feira em Bruxelas o Conselho Europeu em que será discutida esta questão do futuro presidente do Conselho Europeu, que o Tratado de Lisboa prevê. Falta ao tratado ser ratificado pela República Checa. O Tratado de Lisboa confere aos chefes de Estado e de Governo, reunidos no Conselho Europeu, o direito de designar o futuro presidente permanente do Conselho Europeu.
Primeira página da edição do semanário CONTACTO de 28 de Outubro
Na edição do jornal CONTACTO desta quarta-feira, 28 de Outubro de 2009, a nossa manchete é dedicada ao XVIII Governo Constitucional Português, liderado por José Sócrates, que tomou posse na passada segunda-feira, no Palácio da Ajuda, em Lisboa.
Maioria das pessoas temem a vacina contra a gripe A. A primeira fase de vacinação, lançada ontem pelo Governo Luxemburguês e o número de portugueses utentes do Centro Hospitalar Neuropsiquiátrico de Ettelbruck, são também destaques na primeira página desta edição.
Executivo grão-ducal prepara-se para abrir o acesso de estrangeiros à Função Pública. O Concelho de Governo aprovou na sua reunião de sexta-feira uma série de textos legislativos que preparam a abertura da Função Pública aos cidadãos não luxemburgueses da União Europeia.
Dos 230 assalariados que a Villeroy & Boch vai despedir, a partir de 2010, 31 têm a nacionalidade portuguesa. Sindicatos e trabalhadores insurgem-se e consideram escandalosas as indmenizações propostas pelo patronato.
Destaque também para o Luxemburgo que desce 19 lugares no ranking da Liberdade de Imprensa. A queda está ligada às buscas policiais efectuadas em Maio ao jornal CONTACTO.
No desporto, acompanhámos o campeonato da elite do futebol luxemburguês e a inesperada vitória da suíça Timea Bacsinszky no BGL Luxemburgo Open de ténis. Uma estreia feliz para a jogadora helvética, que junta o seu nome à lista das vencedoras do mais importante certame da modalidade da Grande Região.
Estas e muitas outras notícias no jornal CONTACTO, o seu semanário no Luxemburgo.
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terça-feira, 27 de outubro de 2009
Luxemburgo: Nova campanha contra o tabaco dirigida aos adolescentes
A Fundação Luxemburguesa Contra o Cancro lançou uma nova campanha anti-tabaco destinada aos adolescentes sob o lema "Be smart. Don’t start" ("Sê esperto. Não comeces").É com esta mensagem, simples mas eficaz, à qual se junta um simpático "smiley" não fumador (na foto), que a Fundação parte para uma nova campanha contra o tabagismo nos jovens. Desta vez, na mira está o primeiro cigarro, com a ideia subjacente de que a melhor maneira de parar é nem sequer começar.
No Luxemburgo, em 2008, havia 25 % de fumadores. "Trata-se de um bom número, mas um número que não diminui e estamos longe de passar a barreira dos 20 % como, por exemplo, no Canadá", comenta a Fundação. Para atingir este objectivo, a Fundação decidiu virar as suas campanhas para os adolescentes. Assim, paralelamente à 11a edição da sua já célebre "Mission Nicht-rauchen", que pede aos alunos das turmas participantes para imaginar uma original acção anti-tabaco, a Fundação inicia uma nova campanha em que lança mão de vários utensílios que fazem parte do universo dos adolescentes. Um poster em duas línguas em que se fornecem informações concretas sobre os cigarros e os seus perigos, ilustrados por desenhos humorísticos; um "smiley" autocolante com a frase "I am smokefree".
As turmas interessadas em participar no concurso "Mission Nicht-rauchen" têm até 20 de Outubro para se inscreverem e enfrentarem o desafio de não fumar até ao próximo mês de Maio. "É uma maneira de criar uma dinâmica de grupo positiva", explica Marie-Paule Prost-Heinisch, directora da Fundação. "Já temos cerca de 50 turmas inscritas. Em 2008, foram 160 as turmas no início e 90 a conseguir vencer o desafio. Em 10 anos, cerca de 32 mil alunos do secundário participaram nesta iniciativa. A força deste concurso é de manter o tabagismo na ordem do dia durante vários meses". Do ponto de vista político, as reivindicações da Fundação não mudam: "Pedimos a interdição de fumar nos cafés, bares e discotecas, bem como o aumento do preço do tabaco até uma harmonização com os preços praticados nos países vizinhos", afirma a directora.
Orientação aos pais sobre como ajudar o filho: falar cedo sobre os perigos do tabaco
A Fundação contra o Cancro bate-se para que os adolescentes encontrem dentro de si a força suficiente para dizer não ao primeiro cigarro, na maior parte das vezes consumido mais por fraqueza face à pressão do grupo do que por vontade própria. Os pais podem ajudar os filhos a ultrapassar este período de alto risco.
O primeiro conselho consiste em abordar o assunto suficientemente cedo com a criança, segundo a Fundação, entre os 11 e os 12 anos, altura em que a criança tem horror do fumo do tabaco. Deve falar-se sobre os perigos, os diferentes componentes de um cigarro e do fumo e das consequências para a saúde. Os pais devem encorajar os filhos a serem críticos em relação ao tabagismo e informá-los do facto de que os fumadores ficam dependentes da nicotina e não são livres de escolher se, quando e em que quantidade fumam. A Fundação aconselha também a encorajar a criança a ter confiança em si e nas suas capacidades, um bom meio de lutar contra as dependências.
No caso de o adolescentes já ser fumador, o importante, segundo a Fundação, é os pais definirem claramente o seu ponto de vista e estabelecer regras, explicando que não aprovam o cigarro e proibindo o fumo em casa.
Foto: Christian Mohr / Texto: F. Pinto