Ontem partiram da cidade do Luxemburgo 582 passageiros em 12 autocarros. Já no sábado passado tinham partido os primeiros 250 portugueses rumo umas merecidas férias.
O CONTACTO esteve lá.
Sob a organização da companhia de autocarros Sales Lentz, mas em colaboração com outras empresas, como a Taki-Talá, envolvidas na logística, partiram no sábado passado seis autocarros da cidade do Luxemburgo, com duas centenas de portugueses a bordo. Paragens previstas em Differdange, Rodange, Hagondange, Metz e Nancy para recolher mais passageiros. Segundo Diane Flammang, funcionária da Sales Lentz, que esteve de serviço no sábado a coordenar as diferentes partidas que levariam cada autocarro a diferentes regiões de Portugal, estariam de malas feitas cerca de 250 pessoas nesse dia.
Porque viaja de autocarro?
A pergunta que se faz, é, nos dias de hoje, o que leva as pessoas a ainda preferirem fazer uma viagem tão longa, de cerca de 24 horas, em vez de optarem pelo avião.
Os motivos são vários, prendendo-se na maior parte com o facto de mesmo as companhias aéreas de baixo custo praticarem preços proibitivos nesta altura do ano, não permitindo o transporte de muitas bagagens. Outros dos motivos evocados pelas portugueses que a nossa reportagem entrevistou é também o facto de que quando se trata de uma família inteira a diferença de preço entre o avião e o autocarro ser de facto significativa.
Armando e Maria da Conceição Gomes, casal de partida para Tondela, confiam-nos: "Costumamos fazer a viagem de autocarro uma vez por ano, precisamente nesta altura do Verão. É mais vantajoso fazer a viagem de autocarro". Em Portugal contam ficar um mês de férias até a reabertura da empresa em que Armando trabalha.
De partida para Mortágua, Manuel Andrade, reformado, e Maria Alice, ainda activa e com três semanas de férias, optaram pelo autocarro pelas mesmas razões.
"É mais económico do que o avião e ficamos quase à porta de casa, enquanto que se tivermos de voar para Lisboa ou para o Porto, ainda teríamos de acumular o custo do aluguer de um carro ou de um táxi, para mais umas centenas de quilómetros", dizem-nos. À pergunta, como pensam entreter-se durante tanta hora, "à conversa, a dormir e a comer", diz Maria Alice ao CONTACTO, divertida.
A imposição de novas e cada vez mais restritas regras de segurança em relação aos condutores de autocarros parece não trazer consenso. Se para uns há 20 anos a viagem se fazia mais rapidamente por piores estradas, hoje os motoristas são obrigados a parar de quatro em quatro horas, fazendo, em alguns casos, a viagem a três para se poderem revezar. De Haan, um dos motoristas da empresa de autocarros Unsen, uma das subcontratadas para estas viagens, confirma: "Os motoristas substituem-se. Dois deles vão até Espanha e um outro trata do final do percurso já em Portugal".
Se é verdade que tanta paragem acaba por ser cansativa, será talvez o preço justo a pagar por uma viagem que não está livre de perigos.
António e Alda Queta embarcavam para a Lisboa, ele durante um mês e meio, ela, estudante, até ao início do próximo ano lectivo.
Já para Rosa Amélia Santos, natural de Santana, Figueira da Foz, esta é só a segunda vez que viaja de autocarro, em vários anos. Para a longa viagem tinha previsto água e revistas. Empregada no meio hospitalar, tem duas semanas de férias e por enquanto ainda só tinha o bilhete de ida, estando ainda indecisa sobre como iria voltar. A fazer o trajecto inverso à maior parte dos viajantes estava Amadu Oliveira, estudante em Portugal que tinha vindo ao Luxemburgo visitar os pais durante uma semana. Como companhia tinha o computador e esperava que a bateria deste se aguentasse ao longo da viagem.
O primeiro grande grupo de autocarros do Verão 2010 partiu à hora prevista, sob chuva e em direcção a latitudes mais quentes.
Outras partidas em autocarro para Portugal estão previstas para esta noite e para amanhã à noite, sábado, não só da cidade do Luxemburgo, mas de Ettelbruck e de Esch/Alzette.
Muitos portugueses – mais de 40 mil, estima-se –, partem nestes dias de férias para Portugal. Alguns vão optar pelo avião, outros ainda pelo automóvel. A estes últimos, aconselha-se muitas paragens obrigatórias para descansar e se possível partir ao domingo para garantir um percurso mais tranquilo. A todos, boas férias!
Suzana Lopes Cascão/Rda
Fotos: M.anuel Dias / Carlos Almeida
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