sábado, 31 de outubro de 2009

Portugal: Valter Lemos é novo secretário de Estado do Emprego - PCP diz que é um "erro"

O líder do PCP, Jerónimo de Sousa, considerou hoje um "erro" atribuir a um secretário de Estado um assunto que é da responsabilidade do primeiro-ministro, referindo-se a Valter Lemos, escolhido para a pasta do Emprego.

"É um erro centrar na responsabilidade de um secretário de Estado ou até de um ministro aquilo que é da responsabilidade de um Governo e particularmente de um primeiro-ministro", afirmou Jerónimo de Sousa.

O líder comunista considerou ainda que o importante é saber quais as políticas que o Executivo socialista vai tomar: "A questão de fundo é o que Governo vai fazer e não tanto o secretário de Estado", disse.

"Sócrates não aprendeu a lição com a perda da maioria absoluta"

Jerónimo de Sousa acusou ainda José Sócrates de não ter aprendido "a lição" da perda da maioria absoluta, criticando o discurso de "auto-satisfação" do primeiro-ministro na tomada de posse do novo Governo.

"Infelizmente parece que a lição não foi assumida pelo PS. (…) Não aprendeu a lição, pelo menos naquele discurso de tomada de posse", afirmou Jerónimo de Sousa, à margem de um almoço do PCP que decorreu em Lisboa.

"No discurso da tomada de posse, ouvimos novamente um discurso (…) como se o povo português tivesse mantido a maioria absoluta, com aquela auto-satisfação com que Sócrates se apresentou (…) quando, de facto, o povo português o que condenou foi essa política que levou ao aumento das injustiças, ao aumento das desigualdades, às dificuldades económicas, à crise que o pais através", afirmou Jerónimo de Sousa.

O líder comunista disse ainda que, para o PCP, a "questão fundamental é a valorização do salário dos trabalhadores", acusando o "patrão dos patrões", referindo-se a Francisco Van Zeller, presidente da Confederação da Indústria Portuguesa, os grandes grupos económicos e o governador do Banco de Portugal de não quererem aumentar o salário mínimo.

Portugal: Tratado de Lisboa e candidatura ao Conselho de Segurança da ONU são prioridades da política externa, diz Gomes Cravinho

O Tratado de Lisboa, a candidatura de Portugal ao Conselho de Segurança da ONU e a continuidade das políticas de cooperação são as prioridades apontados pelo secretário de Estado dos Negócios Estrangeiros e da Cooperação para a nova legislatura.

"Temos grandes responsabilidades na área da política externa. Temos grandes desafios pela frente, como o Tratado de Lisboa, que vai introduzir alterações muito importantes na nossa forma de trabalhar, e ainda a campanha para o Conselho de Segurança da ONU, que vai mobilizar todo o Governo", disse Gomes Cravinho à entrada para a cerimónia de posse dos secretários de Estado do XVIII Governo Constitucional, no Palácio da Ajuda, em Lisboa.

O governante destacou ainda a necessedidade de prosseguir, na legislatura que agora se inicia, o aprofundamento, na área da coperação, de um conjunto de reformas em curso.

Trinta e sete secretários de Estado do XVIII Governo Constitucional tomaram hoje posse no Palácio da Ajuda, cinco dias depois da cerimónia em que foi empossado o primeiro-ministro e os ministros do executivo de José Sócrates.

EUA: Obama anuncia fim da proibição de entrada no país de seropositivos em vigor desde 1987

O presidente norte-americano, Barack Obama, anunciou sexta-feira o fim da proibição para os doentes de sida de viajarem para os Estados Unidos, veto que permanecia em vigor desde 1987.

A ordem para cancelar essa proibição é emitida segunda-feira e entra em vigor no início de 2010, logo que tenha transcorrido um período de espera de 60 dias, indicou Obama numa cerimónia na Casa Branca para assinar a prorrogação de um programa de luta contra a Síndroma da Imunodeficiência Adquirida (SIDA).

Recordou que "há 22 anos, numa decisão baseada no medo mais do que nos factos, os EUA impuseram a proibição a quem fosse portador do vírus da sida de poder entrar no seu território",

"Falamos de eliminar o estigma dessa doença mas isso não nos impedia de tratar como uma ameaça quem nos visitasse ou vivesse entre nós", constatou o presidente.

"Se quisermos ser um líder global na luta contra a sida e o vírus da imunodeficiência humana (HIV) temos de agir como tal", advogou.

Por isso, acrescentou que a sua Administração "publicará esta segunda-feira uma norma definitiva que eliminará a proibição com efeito imediato após o Ano Novo".

Os EUA contam-se entre a dezena de países em todo o mundo que proíbem a entrada aos doentes com sida, medida que impediu a realização de congressos importantes sobre a doença no seu território nas últimas duas décadas.

Uma proibição da Era Reagan

A proibição foi imposta em 1987, durante a governação do presidente republicano Ronald Reagan, numa época em que se conhecia pouco sobre a síndroma e o seu tratamento não tinha alcançado a eficácia dos dias de hoje.

Em 1993, o Congresso incluiu nas leis de emigração como impedimento para entrar no país uma única condição médica explícita - a referente aos seropositivos.

O processo para revogar a medida começou já durante o mandato de George W. Bush, quando o Serviço de Imigração anunciou que tinha levantado a proibição nos seus regulamentos internos.

"O Congresso e o presidente Bush começaram este processo o ano passado e há que elogiá-los por isso. Nós só terminamos o trabalho", declarou.

Obama destacou que a luta contra a sida está ainda "longe de terminar".

"A sida provavelmente já não é a principal causa de morte entre os norte-americanos dos 25 aos 44 anos, como sucedia antes. Mas 1,1 milhões de norte-americanos continuam a viver com essa doença", concluiu.

Clima: Paris, Berlim e Brasília vão ser linha da frente em Copenhaga

O presidente francês, Nicolas Sarkozy, anunciou sexta-feira à noite, em Bruxelas, que a França, a Alemanha e o Brasil vão tomar "iniciativas" tendo em vista facilitar um acordo durante a conferência de Copenhaga, em Dezembro, sobre o clima.

Os Governos dos três países vão tentar "pôr em cima da mesa um papel que possa gerar consenso", revelou ontem declarou Sarkozy aos jornalistas à saída de um conselho europeu em Bruxelas.

O presidente francês assinalou também que com a cimeira de Bruxelas, "pela primeira vez, há o reconhecimento de um mecanismo nas fronteiras para o caso de os outros países do mundo não cumprirem as mesmas obrigações do que a Europa", em matéria de normas ambientais.

As palavras "taxa carbono nas fronteiras" não figuram no comunicado final da cimeira, "mas o princípio está lá", realçou.

Sarkozy referiu que será preciso repartir entre os estados-membros da UE o dinheiro para ajudar os países mais pobres a aceder à energia primária. "Decidimos por isso criar um grupo de trabalho para ter em conta as possibilidades financeiras de cada um", acrescentou.

Interrogado sobre a organização de uma conferência intermédia sobre o clima, antes da de Copenhaga, proposta por ele em Nova Iorque em Setembro, Sarkozy não confirmou que esta poderia vir a ter lugar. Em meados de Novembro "em Singapura, haverá uma cimeira da Cooperação Económica Ásia-Pacífico (APEC). Teria achado interessante, uma vez que só faltará a Europa, que se lhe juntássemos. Mas nem toda a gente é entusiasta dessa ideia, penso nomeadamente nos Estados Unidos", explicou Sarkozy.

Os europeus chegaram a acordo sexta-feira em Bruxelas sobre uma posição de negociação tendo em vista a conferência internacional de Copenhaga e o princípio de ajuda aos países mais pobres mas recusaram, nesta fase, pôr dinheiro na mesa, o que lhes valeu a crítica dos ecologistas.

Futebol: UEFA elege Benfica "equipa da semana" pela capacidade goleadora

A UEFA elegeu o Benfica como equipa da semana na Europa, na sequência da última goleada (6-1) sobre o Nacional, em jogo da Liga portuguesa, anunciou sexta-feira o organismo máximo do futebol europeu no seu site na internet.

Os responsáveis pela UEFA destacam "a impressionante capacidade goleadora do Benfica", que colecciona goleadas esta época, não só para a Liga portuguesa, mas também na Liga Europa, na qual "arrasou" o Everton, uma das boas equipas do futebol inglês, com uma vitória por 5-0.

São, também, destacados a nível individual pela UEFA o ex-jogador do Benfica Kostas Katsouranis, que já leva seis golos em sete jogos, apesar de ser um médio defensivo, ao serviço do Panathinaikos, actual líder do campeonato grego, e o capitão do Inter, o veterano, Javier Zanetti, pela sua regularidade e longevidade.

No plano colectivo, além do Benfica, a UEFA salienta a proeza do Alcorcón, da III Divisão espanhola, pela sua surpreendente e estrondosa goleada sobre o Real Madrid, por 4-0, em jogo da Taça do Rei.

Portugal/Novo Governo: Trinta e sete secretários de Estado tomam hoje posse

Trinta e sete secretários de Estado tomam posse este sábado no Palácio da Ajuda, cinco dias depois da cerimónia em que foi empossado o primeiro-ministro e os ministros do novo Executivo de José Sócrates.

A cerimónia que decorre na Sala dos Embaixadores a partir das 12h, conta com a presença de representantes dos órgãos de soberania, como o presidente da Assembleia da República, o presidente do Tribunal Constitucional e o presidente do Supremo Tribunal de Justiça.

Os membros do novo Governo que tomaram posse na segunda-feira - o primeiro-ministro José Sócrates, os ministros e o secretário de Estado da Presidência do Conselho de Ministros - também estarão presentes na cerimónia.

A cerimónia começa com a leitura do “auto de posse dos secretários de Estado” e, de seguida, um a um, e pela ordem da lei orgânica do Governo, os secretários de Estado deslocam-se para junto da mesa, prestam juramento e assinam o auto de posse.

No final, o Presidente da República, Aníbal Cavaco Silva, assina o “auto de posse dos secretários de Estado”.

Como é habitual na tomada de posse dos secretários de Estado, nem o Presidente da República, nem o primeiro-ministro discursam.

A equipa de secretários de Estado do XVIII Governo Constitucional, o segundo Governo liderado por José Sócrates, apresenta 17 novos elementos em relação ao anterior executivo.

Em relação ao último Governo, vão continuar secretários de Estado com as mesmas pastas 16 membros.

Há ainda a registar cinco secretários de Estado que transitam do XVII para o XVIII Governo Constitucional mas que mudam de pasta.

No total, são 38 os secretários de Estado do novo Executivo, porque na segunda-feira tomou já posse como secretário de Estado da Presidência do Conselho de Ministros João Tiago Silveira.

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Luxemburgo: Nova embaixadora de Angola apresentou credenciais ao Grão-Duque

A nova embaixadora de Angola para o Benelux, Maria Elisabeth Simbrão, apresentou quinta-feira as suas credenciais ao Grão-Duque Henri.

Segundo nota divulgada ontem pela Embaixada de Angola em Bruxelase e pela Chancelaria da Corte Grã-Ducal, a cerimónia decorreu no Palácio Grão-Ducal, na cidade do Luxemburgo.

Durante o encontro, foram abordadas questões relativas à situação política e socioeconómica em Angola e sobre as perspectivas de reforçar as relações de amizade e cooperação entre os dois povos e países. Elisabeth Simbrão aproveitou a ocasião para transmitir ao soberano luxemburguês as saudações do chefe de estado angolano, José Eduardo dos Santos, pode ler-se na mesma nota.

Maria Elisabeth Simbrão, que já foi embaixadora de Angola em Lisboa, substitui em Bruxelas Toko Diankenga Serão, destacado agora para a Sérvia.

A nomeação de Elisabeth Simbrão por parte de José Eduardo dos Santos foi conhecida em Janeiro, mas só em 10 de Julho a dipolmata se apresentou ao rei Alberto II da Bélgica e 14 dias depois à rainha Beatrix, no Palácio Real, em Haia.

Coube na semana passada ao chefe de Estado luxemburguês receber a nova embaixadora, o que a oficializa como chefe da missão diplomática angolana no Grão-Ducado.

Ontem à tarde, o Grão-Duque Henri recebeu ainda as cartas de credenciais dos novos embaixadores destacados no Luxemburgo do Cazaquistão, do Chile, da Macedónia e do Benim.

JLC

Futebol: Cristiano Ronaldo é o único português a figurar entre os eleitos a melhor do Mundo

Cristiano Ronaldo é o único jogador português que integra a lista de pré-nomeados para o prémio "Melhor Jogador do Mundo" da FIFA, troféu que venceu em 2008.O extremo do Real Madrid é um dos favoritos, a par do argentino Lionel Messi, rival do Barcelona, entre 23 futebolistas.A Espanha é o país mais representado, com seis jogadores, seguindo-se a Inglaterra com quatro nomeados.No início de Dezembro, a FIFA divulgará o nome dos finalistas, cinco masculinos. Os vencedores serão anunciados no dia 21 do mesmo mês, em Zurique.A selecção dos finalistas está a cargo dos técnicos e capitães das seleções, que não podem votar em jogadores de seu próprio país.

Pré-nomeados:

Cristiano Ronaldo (Real Madrid/Portugal)
Andrés Iniesta (Barcelona/Espanha)
Carles Puyol (Barcelona/Espanha)
David Villa (Valência/Espanha)
Didier Drogba (Chelsea/Costa do Marfim)
Diego (Juventus/Brasil)
Fernando Torres (Liverpool/Espanha)
Frank Lampard (Chelsea/Inglaterra)
Franck Ribéry (Bayern Munique/França)
Gianluigi Buffon (Juventus/Itália)
Iker Casillas (Real Madrid/Espanha)
John Terry (Chelsea/Inglaterra)
Kalá (Real Madrid/Brasil)
Lionel Messi (Barcelona/Argentina)
Luís Fabiano (Sevilha/Brasil)
Michael Ballack (Chelsea/Alemanha)
Michael Essien (Chelsea/Gana)
Samuel Eto'o (Inter Milão/Camarões)
Steven Gerrard (Liverpool/Inglaterra)
Thierry Henry (Barcelona/França)
Zlatan Ibrahimovic (Barcelona/Suécia)
Wayne Rooney (Manchester United/Inglaterra)
Xavi (Barcelona/Espanha)

EUA: Filme de Michael Jackson "This is it", é primeiro do "box office"

O filme de Michael Jackson "This is it" está no primeiro lugar de vendas, no dia de estreia, alcançando os 7,4 milhões de dólares (4,9 milhões de euros) nos Estados Unidos.

Nos restantes países, a película teve receitas de 12,7 milhões de dólares (8,5 milhões de euros).

O filme mostra imagens dos ensaios do rei da 'pop' para os seus espectáculos em Londres, que iriam marcar o regresso do cantor aos palcos.

A distribuidora Sony disse que as receitas de 7,4 milhões (4,9 milhões de euros) são os melhores resultados comerciais para um filme que estreou a uma quarta-feira.

O filme "This is it" depressa se tornou no número um nos Estados Unidos, ultrapassando o "Paranormal Activity" (ainda sem tradução em português), um filme de terror que ainda não tem data de estreia em Portugal mas que está a fazer grande sucesso nos Estados Unidos.

A Sony disse ainda que espera melhores resultados para esta sexta-feira e para domingo, estimando uma queda no sábado, uma vez que é Halloween, o Dia das Bruxas, festa que conta com muita adesão popular naquele país.

O filme, que estreou quarta-feira em 99 países (incluindo Portugal e Luxemburgo) e estreou quinta-feira em mais dez, registou receitas de 1,9 mil milhões de dólares (1,3 milhões de euros) no Reino Unido, 1,4 milhões (943 mil euros) em França, 1,2 milhões (809 mil euros) no Japão e 1,1 milhões (741 mil euros) na Alemanha.

Michael Jackson morreu a 25 de Junho, nas vésperas de começar a série de concertos em Londres.

Gripe A (H1N1): vacina para todos os residentes no Luxemburgo

Ao contrário do que estava previsto, a fase prioritária de vacinação contra a gripe A já terminou.

Desde ontem que todas as pessoas que desejem podem ser vacinadas contra o vírus H1N1 nos centros criados especificamente para o efeito.

A razão apontada pelo Governo para esta mudança de estretégia: os residentes no Grão Ducado não dão mostras de quererem tomar a vacina. Até ontem à tarde tinham sido apenas vacinadas 1.617 pessoas (desde a passada terça-feira); 1.250 fizeram-no ontem.

No Luxemburgo já foram registados 1.057 casos confirmados de Gripe A (H1N1).

Luxemburgo: Menos de 10 % dos pacientes do Centro Psiquiátrico de Ettelbruck são portugueses e cabo-verdianos

"O grande desafio do Centro Hospitalar Neuropsiquiátrico (CHNP) é conseguir mudar os preconceitos da sociedade sobre estabelecimentos como este e as condições de vida dos pacientes", disse Florbela Oliveira, psicóloga portuguesa daquele centro, acrescentando que uma enfermeira portuguesa vai reforçar a equipa de cuidados ao domicílio a partir de Dezembro Foto: M. Dias

Segundo as estatísticas do Centro Hospitalar Neuropsiquiátrico (CHNP) de Ettelbruck, menos de 10 % dos 450 pacientes do estabelecimento são portugueses e cabo-verdianos.

"Os luxemburgueses (80 %) constituem a grande maioria dos utentes do CHNP", revelou Léon Schmit, director de tratamentos daquele centro hospitalar

No domingo, o CHNP promovia a terceira edição de uma jornada de "portas abertas", iniciativa que serve para informar o público sobre as actividades do centro e para tentar mudar os preconceitos da sociedade sobre as doenças mentais.

"O nosso trabalho é mostrar às pessoas que a doença psiquiátrica é uma doença como outra qualquer e que pode atingir toda a gente", disse Léon Schmit.

Um novo serviço, chamado "Horizon", a ser lançado em meados de Novembro, foi apresentado ao público. O seu objectivo é a integração ou a reintegração na sociedade de adultos entre os 18 e os 65 anos que têm problemas crónicos de humor, de ansiedade ou de personalidade. A duração máxima da cura é de seis meses. O CHNP conta com seis enfermeiras e uma psicóloga portuguesas. Florbela Oliveira, originária da Bairrada, é psicóloga do CHNP há seis anos e meio.

"O grande desafio do centro é conseguir mudar a mentalidade da sociedade em que vivemos com a divulgação externa das actividades feitas no CHNP", disse Florbela Oliveira.

O Centro Hospitalar Neuropsiquiátrico dispõe de um serviço de consultas externas para antigos pacientes e para pessoas com problemas que necessitem de ajuda médica. Uma enfermeira portuguesa irá reforçar a equipa de cuidados ao domicílio (SPAD) do CHNP a partir de Dezembro, apurou ainda o CONTACTO. Este serviço, que existe desde 2001, é composto por 14 enfermeiras, que acompanham antigos pacientes com visitas ao domicílio. O objectivo do serviço é reduzir o período de hospitalização e evitar a recaída dos pacientes.

Com o objectivo de descentralizar as actividades do estabelecimento, o CHNP tem vários anexos: um estabelecimento em Useldange, que acolhe sobretudo pessoas dependentes do álcool; um edifício em Manternach, que acolhe toxicodependentes; e um em Diekirch, aberto em Junho último.

Léon Schmit adiantou ainda que o CNHP vai abrir mais delegações no país, dentro de sensivelmente três anos: um em Esch/Alzette e outro em Putscheid, este sobretudo destinado aos jovens. Por ora, ainda decorrem negociações com o governo sobre esta estrutura que poderá acolher 16 pessoas.

Desde 2005, todos os pacientes que necessitam de hospitalização psiquiátrica são internados nos hospitais do Luxemburgo, que dispõem de um serviço de psicologia.

O CHNP tem três estabelecimentos principais: a "Rehaklinik", clínica de reabilitação psiquiátrica; o Centro "Pontalize", para as actividades de cuidados, e o acompanhamento de idosos; e o "De Park", para o acompanhamento de pessoas com deficiência mental.

A jornada "portas abertas" de domingo foi a ocasião de descobrir os diferentes serviços propostos pelo CHNP, dos ateliês artísticos à ergoterapia e terapia de desporto, e ainda o hospital de dia, a hidroterapia, a terapia de ginástica e massagem e a terapia musical.

Cristina Casimiro

Luxemburgo: Parlamento faz primeiro balanço da reforma do ensino fundamental

Seis semanas depois do regresso às aulas, o Partido Democrático (DP) luxemburguês fez quinta-feira à tarde um balanço positivo no Parlamento da reforma do ensino fundamental, que engloba a pré-primária e a primária. As únicas críticas foram apontadas à falta de informação e de preparação dos professores e ao novo sistema de avaliação, que o DP considera ter sido introduzido demasiado rapidamente.

As bancadas parlamentares cristã-social (CSV), socialista (LSAP) e verde ("Déi Gréng") concordaram que falta rever alguns elementos, como a falta de professores em certas escolas, mas reafirmaram que a presente reforma não deve ser posta em causa e que a sua introdução neste ano lectivo foi um sucesso. O ADR (Partido Alternativo Reformador Democrático) foi o único a lamentar o desaparecimento do Boletim de Notas.

A ministra da Educação, Mady Delvaux-Stehres, voltou a explicar os objectivos do ensino fundamental e o do novo sistema que valoriza as competências do aluno.

A ministra revelou que foram 15.043 os docentes que participaram durante as férias escolares nas formações de preparação ao novo sistema de ensino e que entretanto quatro mil outros também já se inscreveram. A ministra reafirmou que o problema da falta de professores está a ser tratado com prioridade. Um balanço mais promenorizado está previsto em 2012, anunciou ainda a ministra.

Maioria esmagadora chumba moção do ADR contra o eléctrico


O ADR (Partido Alternativo Reformador Democrático) voltou a criticar o projecto do eléctrico. O partido, que tem desde sempre preconizado a criação de um metro para a cidade do Luxemburgo, apresentou ontem uma moção para pedir uma moratória que avaliasse o custo final da obra. Todos os outros partidos votaram contra.

JLC
Foto: Serge Waldbillig

UE: 27 buscam acordo sobre alterações climáticas após desbloquearem Tratado de Lisboa

Os líderes europeus vão tentar alcançar hoje um acordo sobre a ajuda aos países pobres no combate às alterações climáticas, após terem chegado a um compromisso para satisfazer as reivindicações do presidente checo para assinar o Tratado de Lisboa.

A conclusão do processo de ratificação do Tratado de Lisboa e o financiamento do combate às alterações climáticas são os dois temas fortes da Cimeira que decorre em Bruxelas, tendo quinta-feira os 27 "fechado" o primeiro, com um acordo "no sentido de anexar ao futuro Tratado um protocolo que responde" às pretensões de Vaclav Klaus, quanto a uma excepção para o país na aplicação da Carta de Direitos Fundamentais.

"Isto quer dizer que a diplomacia portuguesa e o seu trabalho serão finalmente reconhecidos e teremos o nome da nossa capital no Tratado", comentou o primeiro-ministro português, José Sócrates, no final do primeiro dia de trabalhos.

Já o presidente da Comissão Europeia, Durão Barroso, considerou que o acordo "eliminou a última barreira política para a entrada em vigor do Tratado de Lisboa", cujo processo de ratificação comparou a uma prova de atletismo muito particular: "Este Tratado, o novo tratado europeu tem sido uma maratona, mas uma maratona com obstáculos", disse.

Para hoje, segundo e último dia de Cimeira, fica adiada a tentativa de acordo em torno da ajuda a conceder aos países mais pobres para estes aceitarem reduzir as emissões de gazes nocivos, tendo o primeiro dia de trabalhos revelado posições ainda muito divergentes entre os 27.

Fontes diplomáticas disseram que a presidência sueca defende a necessidade de os europeus liderarem o processo e avançarem com números - no que é apoiada por países como Portugal, Reino Unido ou Dinamarca - mas a Alemanha, que lidera um grupo onde também se incluem a França e a Itália, defende que os europeus devem aguardar pelas promessas financeiras dos restantes países desenvolvidos.

Já os países de Leste, com poucos rendimentos e grandes poluidores, chefiados pela Polónia, estão dispostos a avançar em função das suas capacidades financeiras.

A Comissão Europeia calculou em 100 mil milhões de euros anuais, entre 2013 e 2020, a ajuda necessária para que os países mais pobres adoptem medidas contra as alterações climáticas.

Esta é uma das derradeiras oportunidades de haver um acordo ao nível da UE antes da conferência de Copenhaga, de 7 a 18 de Dezembro, que visa concluir um acordo que deve entrar em vigor antes de expirar a primeira fase do Protocolo de Quioto, em Janeiro de 2013, para travar de forma vinculativa as emissões de dióxido de carbono.

Admitindo que ainda há muitas diferenças entre os 27, Durão Barroso disse todavia acreditar que será possível um acordo hoje, de modo a que "a UE não perca agora a liderança que tem tido" no combate às alterações climáticas.

"Seria uma pena que, depois de tanto esforço, não conseguissemos esse acordo", disse.

Portugal/Gala do Desporto2009: Nelson Évora distinguido Atleta Masculino do Ano

O campeão olímpico do salto em comprimento Nelson Évora foi ontem distinguido Atleta Masculino do Ano, na 14ª edição da Gala do Desporto2009, promovida pela Confederação do Desporto de Portugal (CDP), no Casino Estoril.

Nelson Évora, medalha de ouro nos Jogos Olímpicos de Pequim, em 2008, e vice-campeão do Mundo do triplo salto, foi o atleta mais votado pelo público na internet até às 21h de quinta-feira, superando Cristiano Ronaldo, futebolista do Real Madrid, jogador do Ano da FIFA, Bola de Ouro e Bota de Ouro de 2008.

Rui Gonçalves (vice-campeão do Mundo de motocross) e Lenine Cunha (desporto para pessoas com deficiência) foram os outros candidatos finais ao galardão, apurados por um júri de entre um lote indicado previamente pelas federações desportivas.

O prémio Atleta Feminino do Ano foi atribuído a Michelle Larcher de Brito, que com apenas 16 anos é considerada a melhor tenista portuguesa de sempre. Recorde-se que a atleta, que esteve ausente na Gala do Desporto2009, atingiu a segunda ronda em Wimbledon e no Open dos Estados Unidos, duas das quatro provas do Grand Slam da temporada. A tenista portuguesa, radicada nos Estados Unidos, competia com a canoísta Joana Vasconcelos, campeã do Mundo e da Europa de pista em K1 5.000 metros e vice-campeã do Mundo de pista em k1 1.000 metros, e com Sara Moreira, medalha de ouro em 3.000 metros obstáculos e 5.000 metros nas Universíadas de Verão.

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Luxemburgo: Português acusado da morte de Elvis condenado a 18 anos de prisão, nove com pena suspensa

O português de origem cabo-verdiana acusado de matar o montenegrino Elvis Kosar, em Abril do ano passado, foi hoje condenado a 18 anos de prisão, nove com pena suspensa.

O tribunal considerou como circunstância atenuante a idade do arguido, de 21 anos, mas rejeitou o argumento da defesa de que o jovem teria sido provocado.

A morte do jovem montenegrino, vítima de uma rixa juvenil na estação de comboios de Esch-sur-Alzette, em 18 de Abril de 2008, chocou o país. Durante uma semana, o trágico incidente foi manchete quase diária nos jornais nacionais, que aventavam a hipótese de uma guerra entre gangues jugoslavos e cabo-verdianos, na sequência de uma mensagem prometendo vingança num site de condolências pelo jovem de 18 anos. Uma semana depois de Elvis ter sido esfaqueado, uma marcha pacifista reuniu milhares de pessoas em Esch-sur-Alzette.

Os motivos que terão levado ao confronto entre Elvis e o jovem português de 21 anos, que não tem antecedentes criminais, nunca foram apurados. O crime intrigou os amigos de Elvis Kosar e do jovem português acusado da sua morte: todos o consideravam uma pessoa calma, incapaz de violência. "Ninguém podia imaginar que ele fizesse isto!", disse na altura ao CONTACTO um dos amigos de Elvis.

O mais velho de cinco irmãos, Hernani, de origem cabo-verdiana, deixou a escola na Bélgica para ajudar a mãe, separada em segundas núpcias. Pelo menos até que se desentenderam e o primogénito saiu de casa. Quando se deu o crime, em Abril de 2008, o jovem trabalhava no MacDonald's de Foetz e vivia há alguns meses sozinho, apurou na altura o CONTACTO.

Elvis Kosar, de 18 anos, era filho de um pintor da construção e de uma doméstica refugiados há 10 anos no Luxemburgo. Vivia em Esch-sur-Alzette com os pais e os três irmãos, todos mais novos, e frequentava o Liceu Técnico de Bonnevoie.

Na altura, um amigo de Elvis disse ao CONTACTO que os dois "tinham contas a ajustar" desde que no Verão de 2007 se envolveram numa disputa durante um jogo de futebol, em frente à Maison de Jeunes, no Brill.

Vacina da gripe A Pandermix: efeitos secundários semelhantes à sazonal

A autoridade nacional que regula o medicamento em Portugal, o Infarmed esclareceu hoje que a vacina contra a gripe A tem um perfil de efeitos adversos semelhante ao da vacina sazonal, que nos últimos três anos provocou 39 notificações em Portugal.

Portugal e o Luxemburgo adoptaram a mesma vacina: a Pandermix.

No entanto, o Infarmed admite vir a receber muito mais notificações devido à especial atenção dos profissionais de saúde e de quem receber a vacina contra a gripe A (H1N1), que começou a ser administrada em Portugal na passada segunda-feira.

No Luxemburgo as primeiras vacinas foram distribuidas na passada terça-feira e os últimos dados dão conta que mais de 800 pessoas já foram vacinadas no Grão-Ducado.

Segundo o presidente da autoridade que regula o sector do medicamento em Portugal, Vasco Maria, "a maior sensibilidade" dos profissionais de saúde e de todos os que recebem o fármaco deverá levar a um aumento de notificações de reacções adversas.

Quando e se o Infarmed for confrontado com estes casos, caberá aos técnicos "olhar para as suas características e fazer uma interpretação da probabilidade", referiu Vasco Maria.

O responsável disse mesmo que são esperadas associações entre a vacina e as mortes, embora estas possam não estar relacionadas, pois "todos os anos morre gente e, a partir de agora, vai morrer gente que recebeu a vacina, pois esta vai abranger 30% da população".

O presidente do Infarmed lembra, no entanto, que "o risco de morrer por gripe pandémica em Portugal é muito baixo".

A notificação das reacções adversas à vacina da gripe A vai ser registada pelo Sistema Nacional de Farmacovigilância, ao qual, como acontece noutros países, se estima que só cheguem cerca de 10% dos efeitos, o que é "manifestamente insuficiente", realça Vasco Maria.

Um estudo apresentado hoje indica que este sistema, criado em 1992, recebeu, entre 2006 e 2008, 4299 notificações espontâneas de Reacções Adversas a Medicamentos (RAM), o que significa um aumento de 36% nesses três anos.

Portugal/Gripe A-H1N1: Probabilidade de complicação fatal em crianças é muito pequena, diz director da Pediatria do Hospital D. Estefânia

O director de pediatria médica do Hospital D. Estefânia, onde morreu um menino infectado com o vírus H1N1, afirmou hoje que a possibilidade das crianças terem uma complicação fatal devido à gripe A é “muito pequena”.

Um menino de 10 anos deu entrada na madrugada de quarta-feira no Serviço de Urgência do Hospital D. Estefânia com sintomatologia gripal, tendo acabado por falecer.

Foram realizadas análises à criança e foi identificada a presença do vírus H1N1. As autoridades de saúde aguardam o resultado da autópsia para determinar a causa da morte.

A criança frequentava a Escola Paula Vicente, no Restelo, em Lisboa. Alunos daquele estabelecimento ficaram consternados com a morte do amigo e manifestaram receio de contrair o vírus.

O director de pediatria médica do Hospital D. Estefânia, Gonçalo Cordeiro Ferreira, explicou à agência Lusa que, por “mais trágico que seja um acidente deste tipo, é uma circunstância pontual” e que as pessoas devem manter-se tranquilas.

“É natural que as crianças fiquem intranquilas”, mas é preciso explicar que, do ponto de vista estatístico, as complicações e a mortalidade devido à nova estirpe de gripe “são muito, muito baixas”, garante o pediatra, exemplificando que a probabilidade de isso acontecer é a mesma de lhe “cair um pedregulho em cima”.

Gonçalo Cordeiro Ferreira explica que a gripe pode originar nas crianças problemas respiratórios, cardíacos e neurológicos, mas que isso acontece "numa minoria mínima de crianças”.

“O que [as pessoas] precisam de saber é que a possibilidade de terem gripe existe, mas a possibilidade de ter uma complicação fatal é muito pequena e, sobretudo, em crianças desta idade”, sublinha o pediatra, comentando: “Não podemos tomar a árvore pela floresta.”

“Por mais trágico que seja, foi um caso e, do ponto de vista estatístico, é muito pouco provável que aconteçam novos acontecimentos assim até haver um número muito grande de casos”, reitera.

Nesse sentido, Gonçalo Cordeiro Ferreira defende que o esquema de vacinação contra a gripe A deve manter-se: “As crianças saudáveis, sem riscos, serão beneficiárias da vacina no grupo C e assim deve continuar.”

“As crianças que estão em grupos de risco obviamente que devem ser vacinadas, de acordo com o programa que está estabelecido” pela Direcção-Geral da Saúde, refere.

Para o pediatra, o programa é bastante abrangente em relação aos grupos de risco e não há nenhuma necessidade de rever o plano de vacinação.

Luxemburgo: Ministro da Saúde quer aumentar preço do tabaco e alargar espaços para "não-fumadores"


Enquanto a campanha europeia anti-tabaco "HELP" entra numa nova fase, o ministro luxemburguês da Saúde, Mars Di Bartolomeo, anunciou na semana passada que apresentará em 2010 um projecto-lei para reforçar a lei anti-tabaco de 2006. O que está, desde já, previsto, anunciou, é um aumento do preço do tabaco e um alargamento dos espaços para "não-fumadores".

Segundo o ministro, a legislação de 2006, que proíbe inclusive qualquer tipo de publicidade ao tabaco, está actualmente em fase de avaliação. Esta deveria resultar num novo "plano tabaco" cujo objectivo será reforçar a lei actual. O projecto-lei deverá ser apresentado em Conselho do Governo em 2010. O preço dos cigarros poderá assim vir a ser aumentado, ao mesmo tempo que as zonas de "não-fumadores" poderão ser alargadas ao conjunto do sector da Horeca (hotelaria e restauração).

Se, por um lado, no Luxemburgo o número de fumadores baixou sensivelmente nestes últimos anos, por outro, verificou-se um aumento do número de jovens fumadores entre os 15 e os 17 anos. Uma constatação bastante preocupante, diz o ministro, na medida em que os danos provocados pelo tabaco no organismo ainda em crescimento dos jovens são mais importantes do que aqueles que se verificam no organismo de um adulto.

Mars Di Bartolomeo anunciou também uma campanha nacional intitulada "Ne fous pas ta vie en l'air" ("Não jogues a tua vida pela janela", em tradução livre) que insiste nomeadamente na prevenção. Para o ministro da Saúde luxemburguês, que já se assumiu enquanto antigo fumador, a melhor forma de deixar de fumar é nunca ter começado.

Na União Europeia (UE), morrem por ano, cerca de 650 mil pessoas devido ao tabaco, sendo que dessas, 19 mil são fumadores passivos. No Luxemburgo, entre 500 a 600 mortes por ano são imputadas ao tabaco. Os números, que falam por si só, levaram a Comissão Europeia a lançar-se em 2005 numa vasta campanha anti-tabaco.

A campanha foi planeada para e com os jovens, depois de se ter constatado que as imagens chocantes não produziam sempre os resultados esperados. Se a campanha assenta sobretudo em estratégias concretas para deixar de fumar, o público-alvo desta vez são sobretudo os adolescentes. Assim, e desde 15 de Outubro, foi difundido um anúncio publicitário em 134 canais de televisão em toda a UE, que apresenta heróis de manga (desenhos animados japoneses) que no final de 11 episódios (um episódio por mês), ajudam personagens dependentes do tabaco a libertarem-se do cigarro a partir de situações absurdas.

O objectivo é levar os jovens a consultar o sítio www.help-eu.com , onde verdadeiras soluções, publicadas por outros internautas, podem ser visualizadas. O sítio conta já com mais de mil participantes.

Refira-se ainda que os 60 milhões de euros com que está orçamentada esta campanha provêm do orçamento agrícola da UE. Trata-se de fundos que até ao momento serviam para subvencionar as plantações de tabaco, subvenções que estão continuamente em baixa, por forma a desaparecerem por completo em 2010.

Foto: Tessy Hansen/Texto: Cristina Campos

Luxemburgo: Pantera negra avistada entre Mamer e Bertrange

A pantera negra procurada há meses na Bélgica e no Luxemburgo voltou a ser vista no início desta semana entre Mamer e Bertrange. O animal foi visto por pessoas que passeavam nessa zona, mas as buscas não deram qualquer resultado, informa o Ministério da Administração Interna em comunicado divulgado esta tarde.

Nos últimos meses, o felino foi avistado em diversos locais no Luxemburgo e na Bélgica, mas ninguém sabe de onde vem - ou se existe. A verdade é que nenhum circo ou jardim zoológico declarou a fuga de um animal desta espécie, e alguns dos alertas vieram a provar-se falsos. O animal que alguns afirmam ter visto em Bascharage no domingo à tarde era afinal um gato. Na segunda-feira, havia quem dissesse ter visto o felino no parque de Merl, na capital, mas os rumores foram recebidos com cepticismo pelos moradores.

A pantera foi vista pela primeira vez no início de Setembro em Meurthe-et-Moselle, a 50 km do Luxemburgo. Desde então, multiplicam-se as "aparições" do animal, que poderá ter sido abandonado por um particular.

Na dúvida, as autoridades luxemburgueses recomendam prudência. Capaz de percorrer largas distâncias num dia, o felino alimenta-se de carne crua, mas tende a evitar o homem.

Portugal/Gripe A-H1N1: homem internado morreu nos Açores

Um homem infectado com a gripe A que estava internado no hospital de Ponta Delgada, nos Açores, morreu hoje, segundo a Secretaria da Saúde do Governo Regional. De acordo com o director clínico da unidade hospitalar, o doente sofria de problemas respiratórios.

O homem, de 50 anos, foi internado quarta-feira com “sintomas de grave dificuldade respiratória”, acrescentou Laurindo Frias. O responsável indicou ainda que o homem “sofria de doença crónica associada, o que terá motivado o agravamento do seu estado e a consequente morte ocorrida esta manhã”.

Laurindo Frias garantiu que o homem, residente no concelho de Ponta Delgada, na ilha de São Miguel, estava há dois dias com sintomas de infecção respiratória, mas não recorreu à linha de Saúde Açores ou a cuidados médicos. “A razão deste senhor vir à urgência foi a grave situação respiratória que tinha, um quadro de pneumonia, e penso que a gravidade da situação teve a ver directamente com a sua patologia”, acrescentou o director clínico.

Laurindo Frias adiantou que no Hospital do Divino Espírito Santo, em Ponta Delgada, estão internados naquela unidade quatro adultos, um dos quais nos Cuidados Intensivos, e uma criança com gripe A.

Recorde-se que ontem uma criança de dez anos morreu no hospital de D. Estefânia em Lisboa, vítima de Gripe A.

Luxemburgo : Taxa de desemprego atinge 5,7 %

A Taxa de desemprego atingiu os 5,7 %, no final do passado mês de Setembro, no Luxemburgo.
Em relação ao mês precedente, registou-se um aumento de 3,7 %, o que corresponde a um acréscimo de 484 pessoas.
Estes números foram revelados por Nicolas Schmit, ministro do Trabalho, e Jeannot Krecké, titular da pasta da Economia, após reunião do Comité de Conjuntura que se realizou a 28 de Outubro.
Em relação ao mês de Setembro de 2008, o número de desempregados no Grão-Ducado aumentou 35,4 %, o que corresponde a 3.502 pessoas. Num ano, a taxa de desemprego subiu de 4,3 % para 5,7 %.
Em finais de Setembro deste ano, 6.631 desempregados residentes no Luxemburgo beneficiaram do subsídio de desemprego, o que representa um aumento de 46,9 % em relação ao mês homólogo do ano passado.
O Comité de Conjuntura diz ainda ter analisado 139 pedidos de empresas para o desemprego parcial, tendo 126 obtido parecer favorável.
Assim, num universo total de 14.571 trabalhadores, 8.434 irão trabalhar em horário reduzido.

No indice das diferenças de oportunidades entre homens e mulheres, Portugal parece-se com ...o Cazaquistão

Portugal caiu pelo terceiro ano consecutivo, para 46º lugar, no índice do Foro Económico Mundial que mede as desigualdades entre homens e mulheres no acesso a recursos e oportunidades, que continua a ser liderado pelos países do Norte da Europa.

Numa escala de 1 (igualdade total) a 0 (desigualdade total), Portugal obtém 0,7013 pontos, o mesmo que o Cazaquistão e a Jamaica, e imediatamente atrás do Peru e Israel, no "Relatório Global sobre Desigualdades de Género", que inclui 134 países, elaborado com a colaboração de diversas universidades norte-americanas, como Harvard ou Berkeley.

Se, na primeira edição do ranking (2006), Portugal surgia em 33º lugar, na segunda caiu para 37º e no ano passado já surgia em 39º, apesar de uma subida ligeira da pontuação, que não levou a uma melhoria da posição geral devido à melhor prestação de outros países e aumento do universo da análise.

Apesar de surgir atrás de países como Moçambique (26º) ou República da Quirguízia (41º), Portugal tem diversos pares europeus e mesmo da União Europeia em posições inferiores, como a Polónia (50º), Eslovénia (52º) e até a Itália (72º).

Das quatro componentes avaliadas, a Participação Política das portuguesas é a mais pontuada (47º lugar) e Saúde e Condições de Sobrevivência o pior (80º).

São ainda avaliadas as desigualdades entre homens e mulheres no que diz respeito a Participação e Oportunidades Económicas e a Realização Educativa.

No primeiro lugar está este ano a Islândia (0,828 pontos), que roubou o título à Noruega.

Desde a primeira edição que os quatro primeiros lugares vão alternando entre Finlândia, Islândia, Noruega e Suécia.

Novidade em 2009 foi a entrada de dois países africanos - África do Sul e Lesoto - nos dez primeiros, grupo que inclui ainda Nova Zelândia, Dinamarca, Irlanda e Filipinas.

No fundo da tabela há uma maioria de países muçulmanos: Qatar, Egipto, Mali, Irão, Turquia, Arábia Saudita, Benim, Paquistão, Chade e Iémen (o último, com 0,461 pontos).

Para o fundador e presidente do Foro, Klaus Schwab, uma participação mais activa das mulheres na vida económica, política e académica é uma condição para uma "rápida retoma económica", mas também para o combate às alterações climáticas, segurança alimentar e redução dos conflitos.

A maior subida na edição deste ano pertenceu ao Paraguai (34 lugares, para 66º), e de modo geral os países sul-americanos acompanharam a tendência de melhoria.

Portugal: António Braga mantém-se como secretário de Estado das Comunidades

António Braga mantém-se como secretário de Estado das Comunidades, anunciou hoje fonte oficial.

Ocupando o cargo desde Março de 2005, António Braga teve na reestruturação consular a medida mais controversa do seu mandato.

Desde que foi anunciada, em Dezembro de 2006, até que começou a ser concretizada, no final de 2007, choveram críticas, protestos e manifestações em todo o mundo contra a reforma dos consulados.

Pela primeira vez na história da diáspora portuguesa, os emigrantes uniram-se para protestar contra uma reforma.

Foi também pela mão de António Braga que foi criado o Consulado Virtual, que, via Internet, disponibiliza serviços e informações até agora apenas acessíveis nos postos e secções consulares portuguesas no estrangeiro.

António Braga inaugurou também o Gabinete de Emergência Consular que funciona 24 horas por dia e presta apoio aos portugueses no estrangeiro que se encontrem em situações de emergência.

O titular da pasta da Emigração foi ainda um dos mentores do Observatório da Emigração, que tem como função fazer a análise dos fluxos migratórios, das comunidades portuguesas e a história da emigração portuguesa.

O LusaVox, um concurso on-line de descoberta de talentos musicais entre os portugueses no estrangeiro, e a Gala dos Talentos, que homenageia emigrantes que se distinguem em áreas como o desporto, a política, o associativismo ou a ciência, entre outros, foram outras das iniciativas do secretário de Estado.

No papel continua o Netinvest, uma iniciativa de apoio ao investimento em Portugal por parte dos empresários portugueses que vivem no estrangeiro, largamente anunciada pelo Governo mas nunca concretizada.

Quanto ao Ensino do Português no Estrangeiro, destaca-se a passagem da sua tutela do Ministério da Educação para o Ministério dos Negócios Estrangeiros, que só estará plenamente concretizada em 2010/2011.

Natural de Braga e licenciado em Filosofia, António Braga esteve ligado à Educação e iniciou funções de deputado em 1995, na VII Legislatura.

No Parlamento dedicou-se também à Educação, foi vice-presidente do Grupo Parlamentar do PS (1995 a 1998 e 2001/2002), vice-presidente do Grupo Parlamentar de Amizade Portugal Rússia (2002/2005) e membro do Grupo Parlamentar de Amizade Portugal Canadá (2002/2005).

Em Março de 2005, assumiu o cargo de secretário de Estado das Comunidades Portuguesas.

Foto: Manuel Dias

Luxemburgo: Eléctrico na capital, um projecto que tarda, que tarda...

Projecto de eléctrico para a cidade do Luxemburgo (na imagem, a place de Paris em 2015 ou 2020), segundo a Lifschutz Davidson Sandilands, empresa que venceu o concurso da GIE Luxtram

"O dossier do eléctrico está a avançar bem", garantiu esta semana o novo ministro dos Transportes e do Desenvolvimento Sustentável, Claude Wiseler (CSV).

"Não vejo outra alternativa para a mobilidade do que o conceito já elaborado pelo Governo", disse o ministro referindo-se ao projecto "Mobilidade 2020", que prevê as infra-estruturas rodoviárias e ferroviárias e as conexões intermodais a criar até ao ano 2020. O eléctrico é uma das pedras basilares do projecto "Mobilidade 2020".

A declaração de Wiseler surge como resposta ao que dissera a sua colega de partido, Martine Stein-Mergen, dias antes em entrevista ao Wort.

"Enquanto as finanças públicas não estiverem saneadas, deveríamos voltar a analisar mais uma vez as soluções alternativas ao projecto do eléctrico para a capital", disse a deputada, que é também chefe de secção do Partido Cristão-Social (CSV) na cidade do Luxemburgo. A deputada quer que o orçamento do projecto volte a ser calculado e que se estude também o custo eventual de um eléctrico subterrâneo.

Na sequência da declaração de Stein-Mergen, o Partido Alternativo Reformador Democrático (ADR) - desde sempre opositor do eléctrico e defensor do projecto de um metro - aproveitou a deixa e critica não só a deputada de ter "copiado os projectos do ADR", como acusa o CSV de ter utilizado o eléctrico como promessa eleitoral, não acreditando, lê-se num comunicado, que o projecto seja um dia realidade.

Também os socialistas (LSAP), parceiros de coligação do CSV, criticam Stein-Mergen, acusando-a de "torpedear" os projectos do seu próprio partido e do Governo.

O antigo ministro dos Transportes, o socialista Lucien Lux (que lançou o projecto "Mobilidade 2020" em 2007), insta o seu sucessor, Claude Wiseler, a dar garantias de que o projecto do eléctrico vai mesmo avante, segundo o que estipulavam os acordos feitos entre o CSV e o LSAP.

O projecto do eléctrico na capital deverá numa primeira fase (2015-2020) ligar o aeroporto do Findel à gare central, atravessando o Kirchberg, o Glacis, o boulevard Royal (na imagem), a ponte Adolphe e a avenue de la Liberté.

Numa segunda fase, deverá passar por estações periféricas situadas em Cessange, Hollerich, Howald, entre outras.

Com este projecto, o objectivo do Governo luxemburguês é promover a mobilidade fácil e rápida dentro da capital, através de um transporte público agradável e ecológico, em detrimento dos automóveis, que têm vindo a aumentar exponencialmente, nos últimos anos, o tráfego e os engarrafamentos dentro da cidade.

Uma ideia do fim dos anos 80

Facilitar a circulação e a mobilidade entre a capital, o resto do país e as regiões fronteiriças era a ambição primeira do BTB ("bus-tram-bunn", ou autocarro-eléctrico-comboio), quando foi apresentado em 1993.

Hoje, essa necessidade é ainda mais premente. A população do país aumentou três vezes mais do que o previsto, o número de postos de trabalho na capital viu-se multiplicado por 20 e o movimento de trabalhadores transfronteiriços é hoje quase 30 vezes superior ao do princípio dos anos 90.

Acresce que o aumento constante do fluxo dos utentes nos autocarros urbanos da capital faz com que as projecções alertem para que bem antes de 2020 se atinja o limite da capacidade de transporte e gestão de passageiros. Em 2020 deverão registar-se entre a Gare e o Centro Hamilius entre 60 e 80 mil movimentos de passageiros nos dias úteis, o que representa a passagem de cerca de 10 a 12 mil utentes nas horas de ponta naquele eixo.

A ideia de um eléctrico para a capital como meio de transporte prioritário tinha sido lançado desde o fim dos anos 80 pelo "Movimento Ecológico".

José Luís Correia

Portugal: Primeira criança vítima mortal da gripe H1N1

Um menino de dez anos infectado com o vírus da gripe A (H1N1) morreu ontem à noite no Hospital D. Estefânia, em Lisboa, onde estava internado desde a madrugada , anunciou o Centro Hospitalar Lisboa Central (CHLC).

"A criança deu entrada no Serviço de Urgência perto das 06:00 de hoje (ontem dia 28 de Outubro) com sintomatologia gripal", tendo sido realizadas "análises laboratoriais e identificado o vírus H1N1 nas secreções respiratórias", adianta o CHLC. A Direcção Clínica aguarda o resultado da autópsia para determinação da causa de morte. O Conselho de Administração do CHLC informa que a criança morreu hoje no Serviço de Infecciologia do Hospital D. Estefânia.

Entretanto, o Ministério da Saúde registou na última semana 149 focos de Gripe A (H1N1) em escolas de todo o país, anunciou a tutela.

"Uma vez que este número tem vindo a sofrer um aumento significativo nos últimos dias, o Ministério da Saúde considera relevante a sua divulgação: 149 clusters [focos] de Gripe A em escolas de todo o país, entre os dias 22 e 28 de Outubro", lê-se na nota semanal do gabinete da ministra Ana Jorge.

Segundo a mesma fonte, entre 19 e 25 de Outubro foram observados nos serviços de saúde 4732 doentes com sintomas de gripe, independentemente dos vírus em causa.

Durante o mesmo período estiveram internados 47 doentes, dos quais quatro em unidades de cuidados intensivos. Quanto à situação clínica, acrescenta o Governo, a maioria dos novos casos diagnosticados não apresentou gravidade.

Luxemburgo: Descontentes, trabalhadores da Villeroy&Boch vão apelar ao Gabinete de Conciliação

Ao fim de uma semana, terminaram as negociações para um plano social na Villeroy & Boch, sem que se chegasse a um acordo entre entre sindicatos e patronato.

O pacote de indemnizações proposto pela direcção da empresa de faianças resume-se a 1.230.000 euros, o que corresponde a uma média de 20 euros por mês de antiguidade para cada um dos 230 trabalhadores da fábrica que vai fechar no Rollingergrund, na capital luxemburguesa.

Os sindicatos que representam os trabalhadores dizem-se insatisfeitos e informam que estes vão apelar ao Office National de Conciliation (ONC), que tomará a decisão final, em acordo com a legislação vigente.

O ONC é a instância estatal que tem por missão regular no Luxemburgo os diferendos entre o patronato e os parceiros sociais quando estes não conseguem acordar-se.

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Música: Álbum e filme "This is it", de Michael Jackson foram lançados esta semana



O duplo álbum "This is it", de Michael Jackson, está nos escaparates desde ontem.

"This is it" inclui alguns dos êxitos de Michael Jackson, como "Beat it", "Thriller", "Billie Jean" ou "I just can´t stop loving you", recuperados das gravações originais.

O alinhamento desta colectânea respeita a ordem pela qual os temas aparecem no filme "This is it", que chegou esta quarta-feira aos cinemas de todo o mundo, incluindo Portugal e Luxemburgo.

No Luxemburgo, o filme pode ser visto a partir de hoje no cinema Utopolis (até 10 de Novembro), no Kirchberg, e no Cine Belval (até 5 de Novembro), em Esch-Belval.


Jackson, outra vez postumamente nos tops

Este último disco de Jackson chegou ontem ao mercado e já perspectiva converter-se num novo "número um" do artista, apesar das críticas contraditórias sobre a sua qualidade.

O primeiro disco inclui músicas originais do cantor e êxitos como "Billie Jean", "Smooth Criminal", "Human Nature" e "Thriller", remasterizados e na mesma ordem em que aparecem no filme, a sequência que Jackson tinha escolhido para os concertos previstos para este Verão em Londres, no seu regresso aos palcos.

O segundo disco inclui quatro temas do cantor nunca antes publicados, entre os quais uma versão "a capella" de "Beat it" e alguns clássicos de Jackson, como "She's Out Of My Life" e ainda a leitura de um poema escrito e lido por MJ, intitulado "Planet Earth".

O duplo disco apresenta ainda várias fotografias captadas nos últimos ensaios do rei da Pop para os espectáculos que deveria realizar em Londres.

São esses mesmos ensaios que integram o filme "This is it", o último testemunho de Michael Jackson, que morreu a 25 de Junho aos 50 anos, vítima de uma overdose medicamentosa.

Para o crítico Dan Aquilante, do diário New York Post, o álbum póstumo de Jackson "é uma colecção que vale a pena" e que confirma um dos maiores regressos da história por um artista à ribalta.

"É aqui que temos um olhar sobre a evolução do som de 'Jacko', através de versões de teste inéditas de clássicos como ''Wanna Be Startin', 'Somethin' e 'Beat It'", disse.

Uma opinião diferente tem o analista musical Glenn Gamboa, do Newsday, que considera que o álbum vai ser uma decepção para os fãs que procurem nos discos a banda sonora da película homónima.

Para Gamboa, 'This is it' "é, mais ou menos, outra colecção de grandes êxitos de Jackson, cuja popularidade e vendas dispararam desde a sua morte, em Junho".

O crítico explica ainda que os temas dos álbuns não "não são as versões em directo" do filme com o mesmo nome.

Gamboa disse ainda que o mais atractivo do disco é o livro com 36 fotografias exclusivas que acompanha os CDs e não as novidades sonoras. As fotografias mostram Jackson "com boa saúde", a interpretar os seus famosos passos de dança.

Texto: Lusa/Vídeo: Youtube

Crónica: Sócrates mantém núcleo duro

José Sócrates preferiu jogar pelo seguro e apresentou um governo que mantém as figuras com mais influência política, nalguns casos, com troca de pastas. As novidades são poucas, mas boas. Para a Economia, vai António Mendonça, um prestigiado académico, e para o Emprego, Helena André, uma antiga dirigente do Federação do Benelux, do Partido Socialista.

António Mendonça presidiu, até há pouco, ao Conselho Directivo da Instituto Superior de Economia e Gestão, onde é professor catedrático. Tem 55 anos e desde os seus primeiros tempo como estudante daquele instituto foi considerado um aluno brilhante. Militou durante muitos anos no PCP, que abandonou no final dos anos 80. Mendonça é um defensor do investimento público e, por essa razão, é de crer que o TGV e o novo aeroporto de Lisboa são obras que ele vai tentar concretizar. É considerado também um dos mais notáveis adversários da corrente neo-liberal. Aliás, o ISEG foi sempre a escola de Economia que se opôs à marcada tendência neo-liberal das Faculdades de Economia da Universidade Nova e da Universidade Católica. A sua gestão à frente do ISEG foi largamente elogiada, sendo responsável pela ampliação e modernização daquela escola.

Helena André vem de Bruxelas, onde foi a representante portuguesa na Confederação Europeia dos Sindicatos. Com uma inegável experiência política, exerceu diversos cargos directivos na Federação socialista do Benelux e, mais recentemente, foi co-redactora da moção de estratégia que José Sócrates apresentou, no último congresso. A sua grande experiência reside, no entanto, na área sindical e, por essa razão, a sua escolha agradou às estruturas sindicais. A UGT foi mais entusiástica na reacção; a CGTP, mais contida, deu-lhe, para já, o benefício da dúvida.

Para a Agricultura foi escolhido António Serrano, um homem que vai ter vida difícil. Para já, tem o dossier leiteiro para resolver. Os preços estão em queda livre e os agricultores defendem o regresso do regime de quotas, com uma quebra de produção que estanque a descida dos preços. Mas a Comissão Europeia cedeu ligeiramente, revogando a decisão de acabar com as quotas, em 2012.

O pacote financeiro de ajuda dará a Portugal menos de sete milhões de euros, valor que os produtores contestam, por ser muito reduzido. Alguns poderão receber aquilo que chamam de ninharia – 250 euros.

António Serrano terá de tomar decisões importantes, resistindo às pressões da CAP, que representa interesses muito particulares, em todo este processo. E as relações com a CAP, por tradição, costumam deitar ministros abaixo. Quando o titular cede aos interesses desta confederação, acaba por ser contestado pelos pequenos e médios agricultores e por largos sectores da sociedade. Quando se opõe a esses interesses, é a própria CAP que se encarrega da contestação. Em qualquer dos casos, há sempre instrumentalização da enorme capacidade de contestação dos agricultores, com cortes de estradas e tractores nas ruas.

Esta semana, os ministros escolhem os seus secretários de Estado e José Sócrates pediu a todos que concluíssem esse processo até à noite de quarta-feira, ou, o mais tardar, até quinta-feira, à hora de começo do Conselho de Ministros. Ainda sem data marcada, os secretários de Estado devem tomar posse no sábado. Haverá muitas reconduções e, obviamente, algumas novidades. O nome de António Braga, nas Comunidades, não é ainda certo. Muitos sectores socialistas defendem a sua substituição, argumentando que a prestação eleitoral do PS nos dois círculos da emigração ficou aquém das expectativas, o que quer dizer que o trabalho de Braga, como secretário de Estado, não terá sido o melhor. Alguns sectores próximos de Jaime Gama estarão a ter impor o nome de Paulo Pisco, possibilidade que parece não agradar a José Sócrates. Mas Luís Amado não costuma contrariar os desejos do presidente da Assembleia da República.

Este não é o único problema que Luís Amado tem para resolver. O secretário de Estado da Cooperação, João Gomes Cravinho, tem sido muito contestado e as suas relações com o ministro têm-se degradado. No ministério diz-se, à boca cheia, que ele não tem estatura para substituir o ministro nas suas ausências, uma constatação já feita pelo próprio Luís Amado. Apesar da excessiva discrição com que tem exercido a sua função, a secretária de Estado dos Assuntos Europeus pode permanecer, porque tem o apreço de muita gente no Ministério.

Dada como certa é a saída de todos os secretários de Estado do Ministério da Educação. Isabel Alçada, a nova ministra, não quer "herdar" gente da equipa anterior, que está muito desgastada com a luta contra os professores. Pelo contrário, António Mendonça pode ficar com Paulo Campos, um secretário de Estado que tem acompanhado os dossiers das grandes obras. Mas, em contrapartida, não tem vontade de conservar Ana Paula Vitorino, um mulher muito ligado ao aparelho, circunstância que assusta sempre os independentes.

Sérgio Ferreira Borges*
analista político

(O autor assina a crónica política "Avenida da Liberdade", semanalmente, no CONTACTO)

Brasil: Resposta à crise foi "formidável", mas futuro é apenas "esperança", diz Nobel da Economia 2009

O prémio Nobel da Economia de 2008, Paul Krugman, defendeu, terça-feira, que o Brasil teve um desempenho "formidável" perante a crise global, mas que o crescimento futuro do país é mais "esperança" do que certeza de crescimento.

"Quando as pessoas falam dos BRIC (Brasil, Rússia, Índia, China), talvez devessem falar dos IC, porque a Índia e China tiveram essa descolagem [de crescimento económico] mas o Brasil ainda não, e a Rússia é um animal totalmente diferente", apontou o economista norte-americano perante uma plateia de empresários na capital argentina, Buenos Aires.

"Todos conhecem a anedota de que o Brasil é o país do futuro e sempre o será. Ainda não vemos no Brasil o tipo de crescimento que vemos na Ásia. Eu acho que isto continua a ser uma esperança e não uma perspectiva certa", adiantou.

Para o economista, o Brasil não foi tão afectado pela crise mundial porque "não está tão exposto ao comércio mundial e também porque criou uma estrutura financeira muito mais sólida."

"Foi afectado mas não muito, os bancos aguentaram-se muito bem e, de facto, o mundo quer levar dinheiro para o Brasil e isto gera problemas para a competitividade das suas exportações", defendeu.

O Nobel norte-americano fez um paralelo com a década de 1930, que foi melhor para a América Latina do que para os Estados Unidos ou a Alemanha, sem que tal se tenha traduzido em boas perspectivas para as décadas seguintes.

O Brasil tem um "dinamismo empreendedor" e "indústrias de exportação bem-sucedidas", o que "leva muitos a pensar que tem excelentes perspectivas de crescimento, mas, por outro lado, muita gente diz isso do Brasil há décadas", referiu ainda.

Portugal/Selecção: Utilização de Cristiano Ronaldo no play-off contra a Bósnia pode estar comprometida

Cristiano Ronaldo fez esta quarta-feira uma ressonância magnética, que apesar de confirmar uma evolução positiva não dá o problema como resolvido.

O objectivo do internacional português de defrontar o Milan, a 3 de Novembro, para Champions League, não vai portanto poder ser cumprido.

O Real Madrid emitiu um boletim clínico no qual informa que há uma "diminuição significativa do edema ósseo, exceptuando uma zona onde, apesar da melhoria, ainda existe de forma ligeira".

O clube madridista informa ainda que Ronaldo se "mantém de baixa médica até que seja feito um novo exame médico dentro de uma semana".

Por outro lado, receia-se também que a participação do jogador português ao serviço da equipa de todos nós esteja comprometida nos jogos do play-off de apuramento para o Mundial2010, contra a Bósnia, nos dias 14 e 18 de Novembro.

Luxemburgo: Ministro do Trabalho quer apresentar reforma da ADEM até Junho de 2010

O ministro luxemburguês do Trabalho, Nicolas Schmit, qualificou na semana passada de "muito séria" a actual situação do desemprego no Luxemburgo e estima ser "urgente levar a cabo uma profunda reforma da Administração do Emprego (ADEM)".

Após ter analisado a situação das instalações da ADEM, na cidade do Luxemburgo, em Esch/Alzette, em Wiltz e em Diekirch, o ministro afirma que "a situação é catastrófica em certos escritórios", implicando uma "reforma cada vez mais necessária e urgente".

Nicolas Schmit sublinhou "o número importante de desempregados que fazem fila na ADEM" e a sobrecarga de trabalho com que o pessoal da ADEM está confrontado, não conseguindo dar seguimento aos dossiês que não param de aumentar.

O ministro explica que "não se trata de fazer um novo estudo, mas de proceder a uma reforma agora, começando hoje", com vista a restaurar a confiança dos empregadores e dos desempregados na ADEM.

Para concretizar a reforma da ADEM, Nicolas Schmit solicitou a ajuda e o conselho de Bernard Brunhes, especialista em assuntos sociais, que terá por missão identificar os pontos fracos da ADEM e apresentar soluções para um melhor funcionamento daquela administração.

A reforma da ADEM será conduzida em concertação com os seus funcionários e parceiros sociais, e será acompanhada de um reforço dos efectivos e do material informático. "Visto que há urgência", Schmit estabeleceu o mês de Junho de 2010 como meta para apresentar a reforma.

Texto: NC/Foto: Anouk Antony

Luxemburgo: Mais de 700 pessoas já estão vacinadas contra gripe A

Ontem, no primeiro dia da vacinação contra a gripe A, 761 pessoas passaram pelos seis centros de vacinação do país.

O Luxemburgo dispõe de 20 mil doses de vacinas para o primeiro grupo de risco a ser vacinado. Pessoal hospitalar, bebés até aos seis meses e mulheres grávidas são o grupo definido como prioritário nesta primeira fase, que começou ontem.

Numa segunda fase, que arranca em Novembro, será vacinada o resto da população.

A vacinação não é obrigatória e é gratuita.

Luxemburgo: Governo garante que riscos associados à vacina são inferiores aos do contágio

Primeiro foi o medo da doença. Agora é o medo da cura. O Governo do Luxemburgo decidiu começar ontem a primeira fase de vacinação contra o vírus H1N1 da gripe A, mas segundo uma sondagem realizada na semana passada, a maior parte da população não se vai vacinar.

Os resultados da sondagem da empresa TNS ILRES, são claros: duas em cada três pessoas entrevistadas não se preocupa com a doença e não pensa tomar a vacina contra o H1N1. Cerca de 46% da população do Luxemburgo pensa que a vacinação em massa é exagerada e 41% mostra-se desconfiada em relação à vacina. O estudo foi realizado na semana passada através de uma entrevista a 602 pessoas.

A argumentação dos que desconfiam da vacina repete-se: interesses económicos das farmacêuticas, testes feitos à pressa, efeitos secundários inesperados. Desconfianças que se avolumam quando se sabe que, aqui ao lado, na Alemanha, os funcionários do Estado e os polícias vão receber um medicamento diferente que aquele que vai ser ministrado à população. Em causa está a substância adjuvante utilizada nesta vacina.

MAS AFINAL PORQUÊ TANTO MEDO?


Do leque de vacinas licenciadas pela Agência Europeia do Medicamento, a escolha do Governo do Luxemburgo recaiu sobre o Pandemrix do laboratório britânico GlaxoSmithKline, a mesma que também vai ser utilizada, por exemplo, em Portugal.

Esta vacina, que no Luxemburgo vai ser ministrada em apenas numa dose, mas que noutros países será distribuída em duas, é fabricada pelo método tradicional da cultura de ovos, é feita de antigénio (vírus morto), mais adjuvante, a tal substância que adicionada ao antigénio potencia o efeito da vacina).

O problema, dizem os que estão cépticos, é que nos Estados Unidos, por exemplo, em 1976 houve um programa de vacinação maciça contra uma epidemia gripe. Foram imunizados 42 milhões de pessoas e foi depois detectada em cerca de 500 dessas pessoas uma doença neurológica rara, o síndrome de Guillan-Barré. Vinte e cinco pessoas acabaram mesmo por morrer.

Os defensores deste tipo de vacina dizem que as conclusões ao inquérito não foram muito claras e que, ao que se apurou na altura, um dos lotes estaria contaminado com um agente estranho. Mais: as vacinas têm sempre algum tipo de adjuvante, e que no caso da Pandemrix estamos apenas perante uma substância mais potente como forma de se garantirem mais doses de vacinas.

Mas os receios não se ficam por aqui: é que um dos adjuvantes utilizado na Pandemrix é o esqualeno, uma substância que foi primeiramente descoberta no óleo do fígado de tubarão, mas que também se encontra em inúmeras espécies de origem vegetal, como por exemplo, no azeite.

O problema é que desde a Guerra do Golfo em 1991, um grupo de investigadores diz ter descoberto anticorpos contra o esqualeno artificial nos veteranos de guerra que apresentavam doenças sem explicação. Tal facto sugere que o esqualeno ou os anticorpos contra o esqualeno eram responsáveis por aquilo que ficou conhecido como "Síndrome da Guerra do Golfo". Estes investigadores acreditam que o esqualeno foi utilizado como uma droga adjuvante nas vacinas contra o Antrax.

GOVERNO VERSUS OPOSIÇÃO


O ministro da Saúde luxemburguês, Mars di Bartolomeo, já garantiu que vai tomar a vacina contra o vírus H1N1. Diz o ministro que os benefícios da vacina são muito superiores ao risco do contágio.

Do outro lado da barricada está o deputado dos Verdes ("Déi Gréng") Jean Huss que garantiu ao CONTACTO que "não vai tomar a vacina", exactamente pelas razões contrárias às do ministro da Saúde.

"Primeiro porque não acredito numa catástrofe. Até agora ainda não dei conta de uma catástrofe, nomeadamente nos países do sul do hemisfério onde o Inverno está a acabar. Até agora, o vírus H1N1 tem-se mostrado absolutamente benigno, menos perigoso do que o da tradicional gripe sazonal, e depois porque não prevejo uma grande mutação do vírus nos países como o nosso, onde há cuidados de saúde de higiene e de alimentação. Mas sobretudo", conclui o deputado ecologista, "os riscos dos efeitos secundários são maiores do que os efeitos positivos de uma eventual vacinação".

Em conferência de imprensa, na segunda-feira, os Verdes questionavam a política do Governo luxemburguês que apela às pessoas para que se vacinem, mas que não explica os eventuais riscos associados à vacinação.

"Não dizemos às pessoas que se devem ou não vacinar. Dizemos que antes de tomarem a decisão, qualquer que seja, as pessoas devem estar bem informadas sobre aquilo que vão fazer, isto é, que seja uma decisão consciente", exige Jean Huss, dos Verdes, que garante que tal atitude "não foi até agora adoptada pelo Governo".

Também a associação luxemburguesa de defesa dos direitos dos pacientes, "Patiente Vertriedung asbl", enviou um comunicado às redacções onde questiona a vacinação maciça da população e a falta de informação prestada no Luxemburgo sobre a vacina.

"Quais são os efeitos secundários nefastos de curto, médio e longo prazo? Qual a razão porque muitos médicos e profissionais de saúde não querem ser vacinados? Porque é que os políticos, noutros países europeus, que trabalham na área da da saúde, como o ministro da Saúde da Áustria, se recusam a ser vacinados?", são algumas das questões levantadas pela associação que até agora, diz, não viu esclarecidas.

Nesta primeira fase de vacinação que começou ontem, o Luxemburgo vai dispor de 20 mil doses de vacinas, o que, segundo o ministro da Saúde, "é mais do que suficiente para vacinar o primeiro grupo de risco: pessoal hospitalar, bebés até aos seis meses e mulheres grávidas".

Numa segunda fase, que começa em Novembro, será vacinada o resto da população.

A vacinação não é obrigatória e é gratuita. O Luxemburgo já registou 785 casos de gripe A-H1N1, desde Junho deste ano.

Domingos Martins
Foto: Marc Wilwert

Luxemburgo: União dos Consumidores propõe mediador para litígios no sector da construção

Resolver os litígios nos sectores do turismo e dos seguros por mútuo consentimento tem vindo a ser a recomendação da União Luxemburguesa dos Consumidores (ULC), que quer alargar a mediação ao sector da construção.

Uma estratégia que evita procedimentos jurídicos complicados e processos prolongados que, além de consumir tempo e nervos, também são financeiramente onerosos, defende a ULC. Como 30% dos litígios que chegam à ULC dizem respeito a conflitos no sector da construção, a ULC deseja implementar um processo de mediação especialmente dedicado a esse sector.

Há uns anos, em colaboração com o Agrupamento das Agências de Viagens do Luxemburgo (GAVL) e o Sindicato dos Agentes de Viagens do Luxemburgo (SAVL), a ULC montou um grupo de mediação para resolver litígios referentes a viagens organizadas. Em cooperação com a Associação das Companhias de Seguros, a ULC tenta chegar a acordos no âmbito de litígios referentes aos contratos de seguros.

Estas duas experiências levam Guy Goedert, presidente da ULC, a desejar criar uma célula de mediação para lidar com as discórdias dos consumidores com os profissionais da construção, e já iniciou conversações com a Confederação Luxemburguesa do Comércio com esse fim.

No entanto, a Federação dos Artesãos (FDA) não parece partilhar o interesse da ULC por um mediador para o sector da construção. Em declarações ao Luxemburger Wort, Patrick Koehnen, presidente da FDA, não vê a mais-valia da mediação, já que, sustenta, "a maioria dos litígios resolvem-se entre os profissionais e os particulares sem ajuda externa".

"Já existe um Centro de mediação do tribunal de Luxemburgo que conta com representantes das associações profissionais, das câmaras de comércio assim como da ordem dos advogados", diz Koehnen.

Mas a ULC quer aumentar o número de litígios resolvidos sem recorrer ao tribunal. Por enquanto, 80 % dos conflitos são resolvidos por consenso entre as partes, e Guy Goedert pensa que promover a mediação, levando os litigantes a sentar-se a uma mesa para conversar, pode evitar processos e assim melhorar a situação actual.

Um assunto que o presidente da ULC deseja discutir com Jeannot Krecké no âmbito de um encontro futuro.

De especial interesse para a ULC é o regulamento europeu para litígios transfronteiriços, que estipula que até um montante de 2.000 euros o litígio pode ser tratado por um procedimento simplificado, recorrendo-se unicamente a um juiz e não sendo necessária a presença de um advogado. Uma forma de procedimento que a ULC gostaria de ver aplicada a litígios puramente nacionais.

A ULC ainda recomenda aos promotores que sejam mais específicos na descrição das obras que comercializam.

Aos consumidores, a ULC aconselha que não assinem contratos que não entendam e peçam conselhos e esclarecimentos antes de se comprometerem.

Pedro Castilho

Novas tecnologias: E-mail expandiu-se em Portugal e no Mundo a partir de 1995

Portugal adoptou o e-mail como ferramenta de comunicação e está a acompanhar a sua evolução ao mesmo tempo que os restantes países, disseram à Lusa dois dos pioneiros portugueses da internet.

Libório Silva, autor do livro "e-mail", referiu que a expansão do correio electrónico em Portugal aconteceu ao mesmo tempo que no resto do Mundo, fundamentalmente a partir de Janeiro de 1995, quando a Telepac abriu o acesso da internet a particulares via World Wide Web (www), a interface gráfica hipermédia que veio revolucionar a internet.

"Antes de 1995, só se podia entrar na internet através do [sistema operativo] Unix. Eu era responsável pelo Informix em Portugal e participava desde o início dos anos 1990 no Grupo Português de Utilizadores de Unix [PUUG], de que faziam parte apenas 20 ou 30 empresas", recordou.

Libório Silva, que organizou em 1995 em Lisboa o primeiro congresso internacional sobre internet em Portugal (com edições anuais até 2003), recordou que os primeiros e-mails eram escritos em linhas de comando, precedidos da palavra "send" (envio), porque o correio electrónico ainda não era gráfico.

O editor da Centro Atlântico contou que, no momento em que um dos oradores do congresso de 1995 (o site ainda está disponível em http://www.centroatl.pt/internet.95/), Rui Bana e Costa, fazia uma apresentação sobre e-mail, recebeu a mensagem de entrada de um e-mail, o que causou sensação entre os 400 participantes.

"Ver ao vivo uma mensagem de e-mail a chegar em tempo real foi engraçadíssimo. Para a maioria dos participantes, era a primeira vez que viam um e-mail a chegar", disse.

Outro membro do PUUG era Vítor Magalhães, que teve a "sorte" de ter estudado na faculdade (de Ciência e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa) no momento em que estava a ser criado o primeiro ISP (fornecedor de acesso à internet) português, que ajudou a construir.

"A internet, naquela fase, ainda era texto, não era gráfica. As hiperligações baseavam-se no Ghoper [protocolo de redes de computadores destronado pela World Wide Web] e não por HTML", recordou.

A característica não gráfica dos primeiros 20 anos de internet fez do e-mail a ferramenta mais usada, ainda que por um grupo muito restrito, que em Portugal não ultrapassava as "200 e poucas pessoas" no início da década de 1990.

"Portugal acabou por seguir o resto do Mundo. Não houve antecipação nem atraso na adopção do e-mail", referiu Vítor Magalhães, actualmente dedicado em exclusivo à Byside, empresa especializada em gestão de perfis e comunicação segmentada, ligando os mundos online e offline.

Luxemburgo: Juncker diz-se pronto a ser primeiro presidente do Conselho da UE

O primeiro-ministro luxemburguês, Jean-Claude Juncker, afirmou ontem que não declinaria o convite para se tornar o primeiro presidente do Conselho da União Europeia (UE), em entrevista publicada na edição de terça-feira do jornal francês "Le Monde".

"Se fosse convocado, não teria razão para recusar, com a condição de ser apoiado por ideias ambiciosas para este cargo", declarou Juncker na entrevista.

Há algum tempo que o nome de Juncker, o mais velho dos primeiros-ministros em exercício da UE, é citado como possível candidato para a função de presidente do Conselho da UE, cargo previsto pelo Tratado de Lisboa, se este entrar em vigor.

Embora seja facto notório no Luxemburgo que Juncker há muito ambiciona e se prepara para este cargo, esta é uma das primeiras vezes que o chefe de Governo luxemburguês manifesta claramente e ao nível internacional o seu interesse.

"Aprendi que não é necessário apresentar-se como candidato para um cargo destes. É preciso deixar que chegue a chamada dos outros", disse ao "Le Monde".

Juncker, há muito na corrida

A candidatura de Juncker deve ser encarada seriamente e vê-se reforçada em diversos pontos.

Juncker é considerado pelos seus pares da UE como uma personalidade com carisma e de fortes convicções europeias. Como o mais velho dos primeiros-ministros em exercício da UE (desde 1995), os seus pares reconhecem-lhe como qualidades, além de longevidade política, a de Juncker trabalhar há 15 anos com afinco em prol da construção e da coesão europeias.

O luxemburguês tem chefiado com mestria o Eurogrupo.

Foram-lhe inteiramente atribuídos os louros por o Grão-Ducado ter votado em 2005 (com 56,52% de "sim") a favor da Constituição Europeia. O que veio apenas reforçar a nível internacional a ideia de que os luxemburgueses e o Luxemburgo são europeus convictos da primeira hora. Recorde-se a este propósito o célebre episódio em que Juncker lançou o ultimato aos eleitores luxemburgueses de que se não votassem em favor da Constituição, ele se demitiria. Argumentou então dizendo que se os luxemburgueses votassem contra a Constituição era como se votassem contra o trabalho que ele desenvolvera durante 10 anos. A população fez "fila indiana" atrás do seu primeiro-ministro.

Um dos pontos que pode igualmente tender em favor de Juncker é o facto de a maioria dos Estados-membros dos 27 desejar como primeiro presidente do Conselho da UE um representante de um pequeno país e que já tenha dado provas de integração europeia, ou seja, que faça parte do Espaço Schengen e/ou da Zona Euro. O Luxemburgo responde aos três casos de figura.

Outros candidatos em liça

Mas há outros possíveis candidatos a este posto, como o do seu homólogo holandês Jan Peter Balkende. Também os nomes do britânico Tony Blair, do alemão Frank-Walter Steinmeier, do finlandês Olli Rehn, do sueco Carl Bildt e da austríaca Ursula Plassnik têm circulado.

Segundo o analista do Centro de Política Europeia, Antonio Missiroli, o favorito é o holandês Jan Peter Balkende. Para outros, o cargo vai disputar-se entre o antigo primeiro-ministro britânico Tony Blair e Juncker.

Durante algum tempo considerado como favorito para a presidência do Conselho Europeu, Tony Blair surge hoje isolado e abandonado. O próprio presidente francês Nicolas Sarkozy, que o apoiou no início, declarou recentemente que "o facto de a Grã-Bretanha não pertencer à Zona Euro é um problema para escolher um candidato britânico". Também a chanceler alemã Angela Merkel não parece entusiasmada com a nomeação de Blair. A Merkel juntam-se os países do Benelux e a Áustria.

Paradoxalmente, a eurocéptica imprensa britânica está a responder, só agora, com uma verdadeira campanha em favor do seu antigo primeiro-ministro para o cargo de presidente do Conselho Europeu.

Eurodeputado luxemburguês lança petição contra Tony Blair

Por iniciativa de Robert Goebbels, eurodeputado socialista luxemburguês, cinco deputados europeus entregaram na semana passada no Parlamento Europeu (PE) uma declaração escrita sobre a nomeação do futuro presidente do Conselho Europeu, deixando bem claro que o antigo primeiro-ministro inglês Tony Blair não corresponde a esse perfil.

Segundo estes deputados (um luxemburguês e quatro alemães) pertencentes aos três maiores grupos políticos - Robert Goebbels (Partido Socialista Europeu, PSE), Klaus-Heiner Lehne (Partido Popular Europeu, PPE), presidente da Comissão Jurídica, Herbert Reul (PPE), presidente da Comissão da Indústria, Jo Leinen (PSE), presidente da Comissão do Ambiente e Jorgo Chatzimarkakis, coordenador do Grupo Liberal - "o PE não pode simplesmente registar esse futuro presidente do Conselho, que será a cara e a voz da Europa". Para estes eurodeputados, o futuro presidente tem de vir de um país que adoptou ou que quer adoptar o Euro, ser originário de um Estado pertencente ao Espaço Schengen e fazer parte de um país que não recusa a aplicação da Carta Europeia dos Direitos Fundamentais.

Goebbels sublinha que "este perfil não corresponde em nada ao candidato preferido de alguns grandes países, nomeadamente Tony Blair?"

Goebbels espera que, pelo menos, metade dos parlamentares europeus assine a declaração, porque nesse caso o documento terá valor de resolução adoptada pelo PE e será publicada no Jornal Oficial da UE.

Entretanto, decorre amanhã e na sexta-feira em Bruxelas o Conselho Europeu em que será discutida esta questão do futuro presidente do Conselho Europeu, que o Tratado de Lisboa prevê. Falta ao tratado ser ratificado pela República Checa. O Tratado de Lisboa confere aos chefes de Estado e de Governo, reunidos no Conselho Europeu, o direito de designar o futuro presidente permanente do Conselho Europeu.

Primeira página da edição do semanário CONTACTO de 28 de Outubro


Na edição do jornal CONTACTO desta quarta-feira, 28 de Outubro de 2009, a nossa manchete é dedicada ao XVIII Governo Constitucional Português, liderado por José Sócrates, que tomou posse na passada segunda-feira, no Palácio da Ajuda, em Lisboa.

Maioria das pessoas temem a vacina contra a gripe A. A primeira fase de vacinação, lançada ontem pelo Governo Luxemburguês e o número de portugueses utentes do Centro Hospitalar Neuropsiquiátrico de Ettelbruck, são também destaques na primeira página desta edição.

Executivo grão-ducal prepara-se para abrir o acesso de estrangeiros à Função Pública. O Concelho de Governo aprovou na sua reunião de sexta-feira uma série de textos legislativos que preparam a abertura da Função Pública aos cidadãos não luxemburgueses da União Europeia.

Dos 230 assalariados que a Villeroy & Boch vai despedir, a partir de 2010, 31 têm a nacionalidade portuguesa. Sindicatos e trabalhadores insurgem-se e consideram escandalosas as indmenizações propostas pelo patronato.

Destaque também para o Luxemburgo que desce 19 lugares no ranking da Liberdade de Imprensa. A queda está ligada às buscas policiais efectuadas em Maio ao jornal CONTACTO.

No desporto, acompanhámos o campeonato da elite do futebol luxemburguês e a inesperada vitória da suíça Timea Bacsinszky no BGL Luxemburgo Open de ténis. Uma estreia feliz para a jogadora helvética, que junta o seu nome à lista das vencedoras do mais importante certame da modalidade da Grande Região.

Estas e muitas outras notícias no jornal CONTACTO, o seu semanário no Luxemburgo.

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terça-feira, 27 de outubro de 2009

Luxemburgo: Nova campanha contra o tabaco dirigida aos adolescentes

A Fundação Luxemburguesa Contra o Cancro lançou uma nova campanha anti-tabaco destinada aos adolescentes sob o lema "Be smart. Don’t start" ("Sê esperto. Não comeces").

É com esta mensagem, simples mas eficaz, à qual se junta um simpático "smiley" não fumador (na foto), que a Fundação parte para uma nova campanha contra o tabagismo nos jovens. Desta vez, na mira está o primeiro cigarro, com a ideia subjacente de que a melhor maneira de parar é nem sequer começar.

No Luxemburgo, em 2008, havia 25 % de fumadores. "Trata-se de um bom número, mas um número que não diminui e estamos longe de passar a barreira dos 20 % como, por exemplo, no Canadá", comenta a Fundação. Para atingir este objectivo, a Fundação decidiu virar as suas campanhas para os adolescentes. Assim, paralelamente à 11a edição da sua já célebre "Mission Nicht-rauchen", que pede aos alunos das turmas participantes para imaginar uma original acção anti-tabaco, a Fundação inicia uma nova campanha em que lança mão de vários utensílios que fazem parte do universo dos adolescentes. Um poster em duas línguas em que se fornecem informações concretas sobre os cigarros e os seus perigos, ilustrados por desenhos humorísticos; um "smiley" autocolante com a frase "I am smokefree".

As turmas interessadas em participar no concurso "Mission Nicht-rauchen" têm até 20 de Outubro para se inscreverem e enfrentarem o desafio de não fumar até ao próximo mês de Maio. "É uma maneira de criar uma dinâmica de grupo positiva", explica Marie-Paule Prost-Heinisch, directora da Fundação. "Já temos cerca de 50 turmas inscritas. Em 2008, foram 160 as turmas no início e 90 a conseguir vencer o desafio. Em 10 anos, cerca de 32 mil alunos do secundário participaram nesta iniciativa. A força deste concurso é de manter o tabagismo na ordem do dia durante vários meses". Do ponto de vista político, as reivindicações da Fundação não mudam: "Pedimos a interdição de fumar nos cafés, bares e discotecas, bem como o aumento do preço do tabaco até uma harmonização com os preços praticados nos países vizinhos", afirma a directora.

Orientação aos pais sobre como ajudar o filho: falar cedo sobre os perigos do tabaco

A Fundação contra o Cancro bate-se para que os adolescentes encontrem dentro de si a força suficiente para dizer não ao primeiro cigarro, na maior parte das vezes consumido mais por fraqueza face à pressão do grupo do que por vontade própria. Os pais podem ajudar os filhos a ultrapassar este período de alto risco.

O primeiro conselho consiste em abordar o assunto suficientemente cedo com a criança, segundo a Fundação, entre os 11 e os 12 anos, altura em que a criança tem horror do fumo do tabaco. Deve falar-se sobre os perigos, os diferentes componentes de um cigarro e do fumo e das consequências para a saúde. Os pais devem encorajar os filhos a serem críticos em relação ao tabagismo e informá-los do facto de que os fumadores ficam dependentes da nicotina e não são livres de escolher se, quando e em que quantidade fumam. A Fundação aconselha também a encorajar a criança a ter confiança em si e nas suas capacidades, um bom meio de lutar contra as dependências.

No caso de o adolescentes já ser fumador, o importante, segundo a Fundação, é os pais definirem claramente o seu ponto de vista e estabelecer regras, explicando que não aprovam o cigarro e proibindo o fumo em casa.

Foto: Christian Mohr / Texto: F. Pinto

UE/Tratado de Lisboa: Eslováquia exige as concessões que forem dadas à República Checa

A Eslováquia quer as mesmas concessões que forem dadas à República Checa nas negociações para ratificar o Tratado de Lisboa, previsivelmente uma isenção na Carta dos Direitos Fundamentais da União Europeia, revelaram fontes comunitárias segunda-feira no Luxemburgo.

O presidente checo, o eurocéptico Vaclav Klaus, impôs no início de Outubro uma nova condição para ratificar o documento: uma derrogação à aplicação da Carta dos Direitos Fundamentais, anexa ao Tratado, que proteja o país de uma restituição dos bens confiscados a três milhões de alemães expulsos dos Sudetas checoslovacos após a II Guerra Mundial, através dos chamados decretos de Benes.

"Isto é algo que, por isso, é muito sensível na Eslováquia", admitiu a ministra dos Assuntos Europeus sueca, Cecilia Malmstrom, que falou no nome da Presidência rotativa da Presidência Europeia (UE) no final da reunião realizada no Kirchberg (Luxemburgo) pelos ministros dos Negócios Estrangeiros dos 27 para preparar a Cimeira Europeia das próximas quinta e sexta-feira.

A ministra sueca explicou que, por ora, não há uma "solução definitiva" para as exigências de Praga e lembrou que a Eslováquia, tal como o resto dos países, não quer reabrir o debate sobre o Tratado assinado na capital portuguesa a 13 de Dezembro de 2007 e concebido para permitir um melhor funcionamento da Europa a 27.

Nesta altura, a Presidência Sueca está em contacto com a República Checa e com os demais Estados membros para tratar de chegar a um consenso, pois este tem de contar com o apoio dos 27.

Segundo fontes comunitárias, não há, por ora, negociações com a Eslováquia, que aguarda e quer ter o que for oferecido aos checos, com o argumento de que a sua situação jurídica é praticamente igual.

Por seu lado, a Áustria excluiu segunda-feira aceitar que apareçam referências aos Sudetas nos textos, segundo estas mesmas fontes.

A opção que continua a parecer mais provável é que os Chefes de Estado e de Governo da UE aceitem simplesmente que a República Checa e a Eslováquia se unam à Polónia e ao Reino Unido como países onde a Carta de Direitos Fundamentais não terá carácter vinculativo.

Para além de Klaus, a ratificação do texto está pendente da decisão do Tribunal Constitucional checo sobre o recurso apresentado por um grupo de senadores conservadores.

Hoje, terça-feira, o Tribunal realizará uma audiência sobre o caso e marcará a data em que anunciará se admite a tramitação do recurso.