domingo, 28 de fevereiro de 2010

Luxemburgo - Taça FLF: Jeunesse e Racing eliminados

A eliminação da Jeunesse d'Esch e do Racing Luxembourg foram as grandes surpresas dos 1/16 avos de final da taça da Federação Luxemburguesa de Futebol (FLF), disputada no sábado.
Os "alvinegros", líderes da elite do futebol grão-ducal, perderam por 3-2 na sua deslocação a Diekirch (equipa da divisão da Promoção), enquanto que a equipa da capital foi derrotada pelo Canach (também da Promoção), por 2-1.
Nos restantes encontros não se verificaram grandes surpresas, apesar de alguns encontros terem sido anulados hoje devido ao mau tempo.

Resultados completos:

FC Schifflingen 95 (2) - UN Käerjéng 97 (BGL): 1-3
Jeunesse Canach (PH) - RFCU Luxemburg (BGL): 2-1
Avenir Beggen (PH) - Fola Esch (BGL): 1-2
Minerva Lintgen (PH) - CS Petingen (BGL): 1-3 (a.p.)
US Mondorf-les-Bains (1) - FC RM Hamm Benfica (BGL): 0-2
US Esch (2) - Swift Hesperingen (BGL): 0-1
FC 72 Erpeldingen (PH) - F 91 Düdelingen (BGL): 1-3
Atert Bissen (1) - FC Differdingen 03 (BGL): 1-6
FC Wiltz 71 (PH) - US Rümelingen (BGL): 6-7 (g.p.)
Sporting Club Steinfort (PH) - Etzella Ettelbrück (BGL): 0-1
Young Boys Diekirch (PH) - Jeunesse Esch (BGL): 3-2
Daring Echternach (1) - FC Monnerich (BGL): anulado
Tricolore Gasperich (1) - Progrès Niederkorn (BGL): anulado
Sporting Mertzig (1) - CS Grevenmacher (BGL): anulado
Union Mertert/Wasserbillig (1) - CS Obercorn (PH): anulado
Etoile Sportive Clemency (1) - Jeunesse Schieren (PH): anulado

Luxemburgo: Sporting Etoile du Sud bate Núcleo e FanTeam continua na frente campeonato de futsal


Após a 5a ronda do campeonato de futsal disputada na tarde de sábado, a formação do FanTeam continua na liderança da prova. O primeiro lugar foi consolidado pela vitória frente ao Café Cheminé, por 5-1.
Nos restantes encontros, destaque para a vitória do Sporting Etoile du Sud frente ao Núcleo Sportinguista (6-3), no duelo entre "leões".
Nesta ronda folgaram Barril Oco e Béierbuttek.
Resultados completos da jornada:
Lavaredas Action Wear - ALSS - 2-2
FanTeam - Café Chaminé - 5-1
Axa - Michel Simôes - Café Central - 0-4
Sporting Etoile du Sud - Nucleo Sportinguista - 6-3

VII Congresso da CCPL: Nota final - O novo Conselho da Confederação, eleito hoje, nomeará o próximo presidente nos próximos dias

A palavra final coube a Manuel Batista, presidente da mesa do congresso, que agradeceu a presença até uma hora tão tardia dos delegados e dos representantes das autoridades luxemburguesas e portuguesas. A estes últimos recordou, "brevemente receberão o programa de acção da CCPL para os próximos três anos, hoje aprovado, um documento com 24 páginas".

O presidente da mesa informou ainda no final dos trabalhos que foram eleitos 30 membros para o Conselho da CCPL. Para o Conselho Fiscal foram eleitos Bruno Cavaleiro, Custódio Portásio e Carlos de Jesus.

O Conselho da CCPL reunirá dentro de alguns dias e caber-lhe-á nomear o próximo presidente da CCPL.

O congresso terminou cerca das 19h15 (mais de uma hora depois do previsto) com um vinho de honra oferecido pela CCPL a todos os congressistas (cerca de meia centena), convidados e representantes das autoridades portuguesas e luxemburguesas.

JLC

VII Congresso da CCPL: "Não acredito na vitimização, acredito na acção", diz Pedro Castilho, presidente da JCI-Luxemburgo

O presidente da Jovem Câmara Económica do Luxemburgo (JCI-Luxemburgo), Pedro Castilho, interviu no final do congresso da CCPL, lançando o repto aos presentes para que "se querem que as coisas mudem, mudem-nas".

"Não tenho aqui a minha caneta comigo.... vocês têm a vossa? Então, façam um jogo comigo. Façam uma cruz no papel à vossa frente", pediu Pedro Castilho à assistência, no que muitos presentes cumpriram. "Já fizeram essa cruz? Agora, quero pedir-lhes para que repitam esse gesto em Outubro do próximo ano".

"Não acredito na vitimização, mas na acção. Estou aqui perante vós, hoje, para que se inscrevam, para que participem nas próximas eleições autárquicas luxemburguesas em Outubro de 2011. Se querem que as coisas mudem, é preciso que saibam que podem mudá-las", disse em jeito de conclusão o jovem dirigente da JCI-Luxemburgo.

Discursaram ainda na conclusão dos trabalhos do VII Congresso da CCPL: a presidente da ASTI, Laura Zuccoli, que começou por se dirigir aos congressistas em português; Furio Berardi, presidente do CLAE; o presidente do sindicato OGB-L, Jean-Claude Reding, entre outros.

"Integração bem sucedida passa por uma aposta na educação das crianças imigrantes"


"A integração de uma comunidade pode ser bem sucedida se apostarmos na educação das crianças imigrantes. Portugal é não só um país de emigração mas também de imigração e nesse campo temos aprendido muito nos últimos anos", começou por dizer na sua intervenção o deputado Carlos Gonçalves (PSD), eleito pelo Círculo da Europa para a Assembleia da República.

Carlos Gonçalves salientou ainda "a importância fundamental" de os portugueses participarem na vida cívica e política do seu país de acolhimento, neste caso, o Luxemburgo.

O deputado disse ainda acreditar que "é preciso fazer mais entre parlamentos dos dois países" (Portugal e Luxemburgo) para discutir e fazer avançar a discussão em torno das questões que dizem respeito à comunidade lusa no Grão-Ducado.

"O programa de acção da CCPL mais parece um programa de Governo"

E concluiu com um elogio à CCPL, numa crítica nada disfarçada ao actual Executivo português.

"O vosso plano de acção hoje aqui apresentado mais parecia um programa do Governo português para as comunidades, que é algo que, lamentavelmente, não existe", disse, numa conclusão igualmente muito aplaudida pela assistência.

Seguiram-se as seguintes intervenções: Marc Angel, do partido socialista luxemburguês (LSAP); Mil Majerus, do partido cristão-social (CSV); Marc Hayot, representante do OLAI, o "Office Luxembourgeois d'Accueil et Intégration"; Marguerite Krier, em representação do Ministério da Educação luxemburguês; o embaixador de Portugal no Luxemburgo, José Pessanha Viegas.

Na sua intervenção, o embaixador começou por dizer que a presença de tantos e ilustres convidados e representantes das autoridades portuguesas e luxemburguesas neste congresso prova bem a importância que estes dão à comunidade lusa do Grão-Ducado, "que segundo as últimas estimativas chega já perto das 90 mil pessoas, ou seja, constituem já cerca de 17% da população do Luxemburgo".

"A comunidade portuguesa no Grão-Ducado atingiu uma maturidade que lhe permite hoje participar na vida cívica e política do Luxemburgo", considerou o diplomata.

O embaixador evocou ainda os problemas existentes actualmente no Consulado de Portugal no Luxemburgo, que derivam da falta de pessoal, disse, "mas", ressalvou, "a situação vai mudar em breve, já que um concurso foi aberto para admissão de novos funcionários".

"O tempo é de acção e de unidade"

"O tempo é de acção, como já aqui ouvi dizer, mas também é de unidade. Estou aqui, em representação do Estado português, e quero assegurar-vos que estou no Luxemburgo para vos servir e para ajudar a comunidade portuguesa", concluiu Pessanha Viegas.

O último dos convidados a falar foi o ministro luxemburguês do Trabalho e da Imigração, Nicolas Schmit, que disse ter escutado "muito atentamente cada intervenção".

Evocando uma imigração portuguesa já com quase meio-século no Luxemburgo, o ministro disse que "longe vão esses tempos".

"Hoje construímos juntos a Europa, com um tratado que tem o nome de Lisboa, de onde partiram os navegadores que foram descobrindo esse mundo. Espero que isso seja um bom sinal para esta Europa em construção", disse.

"Hoje há nomes de consonância portuguesa em todos os sectores de actividade do país, desde a diplomacia ao parlamento luxemburguês", recordou o ministro, afirmando que é preciso continuar nesse sentido em matéria de integração.

"O crescimento e o desenvolvimento da nossa economia também a devemos aos imigrantes. Toda a integração começa pelo trabalho. O desemprego é a desintegração social. E quem vos diz isto sou eu, como ministro doTrabalho".

O ministro admitiu igualmente que existe um problema com muitos alunos portugueses que não conseguem adaptar-se ao sistema de ensino luxemburguês, "que foi concebido quando a maioria das crianças eram de língua materna luxemburguesa".

"Este congresso releva da cidadania activa"

"Vocês têm razão em pedir mais cidadania. A cidadania não pode ser decretada, constrói-se, adquire-se, reclama-se. O que vocês fizeram hoje aqui, este congresso, é uma cidadania activa, participativa. Adiram aos partidos políticos, aos sindicatos, participem na vida política", apelou Nicolas Schmit.

O ministro apelou também para que o maior número possível de portugueses adiram à dupla nacionalidade, já que a lei luxemburguesa lhe permite naturalizarem-se luxemburgueses sem perda da nacionalidade de origem. "Esse é um bom caminho para uma maior integração e participação".

O detentor da pasta da Imigração pediu ainda aos presentes para fazerem passar a mensagem, para que o maior número de pessoas participem nas próximas eleições muncipais luxemburguesas, marcadas para Outubro de 2011.

"Só assim podemos lutar melhor contra as discriminações e construir um Luxemburgo melhor", concluiu.

JLC

VII Congresso da CCPL: "Mir hunn en Dram" - lança José Coimbra de Matos

Encerrou a contagem dos votos para a eleição dos corpos gerentes da CCPL.

Entretanto, chegaram já ao congresso o ministro do Trabalho e da Imigração luxemburguês, Nicolas Schmit, o embaixador de Portugal, José Pessanha Viegas, o cônsul de Portugal no Luxemburgo, José Carvalho Rosa, o presidente do CLAE, Furio Berardi, bem como os representantes do OLAI e dos sindicatos LCGB e OGBL.

"Mir hunn en Dram"


Parafraseando Martin Luther King, mas em luxemburguês, o presidente da CCPL, Coimbra de Matos, começou por dizer aos convidados e representantes das autoridades portuguesas e luxemburguesas, que "Temos um sonho" ("Mir hunn en dram").

Esse sonho é o reconhecimento do "peso" da população portuguesa no Luxemburgo, que representa já mais de 80 mil pessoas no país, disse Coimbra.

O ainda dirigente da Confederação recordou, em francês, os principais pontos do programa de acção da CCPL discutido durante o congresso deste domingo.

CCPL apela para a "inscrição automática nos cadernos eleitorais"

Também Mili Tasch-Fernandes se dirigiu aos presentes para chamar a atenção para o facto que as campanhas de sensibilização que a CCPL levou a cabo para que os portugueses se inscrevessem nos cadernos eleitorais não contou com o apoio do Estado luxemburguês. Mili Tasch apelou para que os residentes vivendo há tempo suficiente no país fossem inscritos automaticamente nas listas eleitorais, de modo a poderem votar nas próximas eleições autárquicas luxemburguesas.

Mili Tasch pediu ainda mais verbas e apoios por parte do Estado luxemburguês para o funcionamento da CCPL, "que tem sempre lutado, desde a sua fundação em 1991, para a integração plena dos cidadãos portugueses na sociedade luxemburguesa, bem como para a sua participação cívica e política".

Mili Tasch rematou, acrescentando: "Já não há nós nem vós, o Luxemburgo é a nossa casa comum. E parafraseando os luxemburgueses, ouso dizer-lhes: Mir wëlle och bleiwen wat mir sinn (também queremos continuar a ser o que somos; n.d.R.: lema dos luxemburguesas quando querem afirmar a sua nacionalidade)", no que foi uma intervenção muito aplaudida.

JLC
Fotos: JLC
O embaixador de Portugal no Luxemburgo, José Pessanha Viegas, com o ministro do Trabalho luxemburguês, Nicolas Schmit
A esposa do embaixador também esteve presente na parte final do congresso da CCPL

O cônsul de Portugal no Luxemburgo, José Carvalho Rosa, acompanhou igualmente a conclusão dos trabalhos do VII Congresso da CCPL, que decorreu este domingo em Cessange



VII Congresso da CCPL: Decorre actualmente votação para órgãos gerentes da Confederação




A mesa do congresso da CCPL apelou os congressistas para que estes se candidatassem para o Conselho da Confederação, bem como para o Conselho Fiscal.

Os congressistas esperam para breve a intervenção do deputado do PSD pelo Círculo da Europa na Assembleia da República, Carlos Gonçalves, que está a acompanhar os trabalhos desde que este foram retomados depois do almoço.

Ausência de Pisco criticada


O deputado do PS eleito pelo Círculo da Europa, Paulo Pisco, cuja presença estava igualmente confirmada neste congresso, não está, no entanto, presente. O parlamentar português contacou a organização para informar que se encontrava retido em Paris devido ao cancelamento dos voos com partida da capital francesa, na sequência do temporal que se abateu naquela região.

Alguns congressistas criticaram o facto de o representante socialista (Paulo Pisco) não estar presente no congresso, enquanto que o deputado social-democrata (Carlos Gonçalves, na foto) conseguiu chegar ao Luxemburgo por TGV.

JLC Fotos: JLC

VII Congresso da CCPL: Participação cívica domina recomeço dos trabalhos, no início da tarde

A apresentação do programa de acção da CCPL continuou com Mili Tasch-Fernandes, da direcção da CCPL, a recordar algumas lutas que a confederação vai continuar a ter em termos políticos e cívicos.

A responsável salientou como prioridades nesta matéria a luta para que os cidadãos estrangeiros possam ser eleitos para o posto de burgomestre, bem como a importância de os portugueses participarem nas eleições autárquicas luxemburguesas e de estes integrarem os partidos e os sindicatos grão-ducais.

"Continuaremos a sensibilizar a nossa comunidade para estas formas decisivas de participarem na vida cívica e política deste país", lançou.

A responsável recordou ainda a aprovação em Outubro de 2008 da lei da dupla nacionalidade, que a CCPL considera, disse, "um instrumento de integração".

Mili Tasch saleintou também a importância da comunidade reforçar os laços com a secretaria de Estado das Comunidades, como "órgão de coordenação" entre a diáspora lusa e o Estado português.

A responsável evocou igualmente as dificuldades que o Consulado de Portugal no Luxemburgo, que dispõe de dezena e meia de funcionários, tem de enfrentar para poder servir diariamente a comunidade que hoje ultrapassa os 80 mil indíviduos no Grão-Ducado.

"Problema linguístico continua a ser principal entrave à educação e formação da comunidade"

O sucesso escolar das crianças portuguesas no Luxemburgo foi também abordado por Mili Tasch-Fernandes.

"O sistema de ensino luxemburguês não corresponde, não responde nem está adaptado à diversidade da comunidade estrangeira em presença no Grão-Ducado", lamentou a responsável, dando como exemplo o caso de seu irmão, no fim dos anos 60, e do seu próprio filho, nos anos 80.

"Entre o fim dos anos 60 e os anos 80 não houve progressos no sistema de ensino luxemburguês. O meu filho utilizou os mesmos manuais na escola que o meu irmão tinha utilizado 15 anos antes. Aí eu vi que a escola luxemburguesa continuava a não levar em conta o número de crianças estrangeiras em geral, e as portuguesas em particular, que frequentavam o ensino nacional", recordou.

"Vocês, como portugueses, como cidadãos que fazem parte da sociedade deste país, têm que se manifestar quando estão descontentes com o sistema de ensino ministrado aos vossos filhos. Isso também é participar civicamente na sociedade", lançou.

A CCPL posiciona-se igualmente em favor do ensino integrado da língua portuguesa no sistema escolar luxemburguês e pela introdução da língua materna no pré-escolar.

"O problema linguístico foi e é um obstáculo à educação e à formação profissional da nossa comunidade. Hoje, há uma grande percentagem de portugueses no desemprego no Luxemburgo, porque as autoridades grã-ducais não tomaram ainda as medidas necessárias para formar essa população", denunciou.

Segundo dados oficiais recentes, dos mais de 15 mil desempregados registados na Administração do Emprego luxemburguesa (ADEM), quase 4 mil são portugueses.

JLC/JL/CJ
Fotos: JLC

VII Congresso da CCPL: Paulo Pisco ausente, Carlos Gonçalves já presente

Os trabalhos recomeçaram cerca das 14h, sem que se registassem atrasos.

O almoço contou já com a presença do deputado social-democrata Carlos Gonçalves, que chegou de Paris, vindo em TGV.

Antes da pausa para o almoço, o presidente da CCPL, Coimbra de Matos, havia anunciado aos congressistas que o deputado português pelo PS, Paulo Pisco, cuja presença estava prevista neste congresso, não vai estar presente, devido às intempéries que levaram ao cancelamento dos voos a partir da capital francesa.

Perante a presença do deputado social-democrata, numerosos foram os congressistas que criticaram a ausência do representante socialista.

Também presente no almoço dos congressistas, que decorreu em franco convívio no piso térreo do Centro Cultural de Cessange, esteve o conselheiro social e cultural da Embaixada de Portugal no Luxemburgo, Carlos Correia.

JLC/JL/CJ

VII Congresso da CCPL - pausa para almoço

Pausa para almoço 12h30 - 14h

Antes da pausa para o almoço, o presidente da CCPL, Coimbra de Matos, anunciou aos delegados que o deputado português pelo PS, Paulo Pisco, cuja presença estava prevista neste congresso, não vai estar presente.

Coimbra de Matos explicou que o deputado se encontra em Paris impossibilitado de embarcar no avião devido ao cancelamento de voos nos dois aeroportos da capital francesa devido às intempéries que ali se fazem sentir.

VII Congresso da CCPL - imagens (2)







VII Congresso da CCPL - "A comunidade e a integração"

Depois de apresentados os relatórios de actividades para os anos 2006-2009, e dos respectivos relatórios financeiros, actualmente, o presidente da CCPL, Coimbra de Matos (na foto), procede à apresentação do programa de acção da confederação, alocução que está a ser totalmente dedicada à temática "a comunidade e a integração".

Dirigindo-se à cerca de meia centena de delegados do movimento associativo português do Luxemburgo presentes no Centro Cultural de Cessange, Coimbra de Matos apelou para que as associações lusas não se resumam "a organizar bailes e festas, mas igualmente eventos de carácter mais cultural".

Coimbra de Matos criticou certas fusões de clubes portugueses com clubes luxemburgueses que foram feitas, em detrimento das associações lusas, porque "as actividades da parte portuguesa morreram ou quase desapareceram".

O presidente da CCPL apelou ainda a comunidade para que fosse repescado o projecto do Centro Cultural Português, uma ideia que nasceu no princípio dos anos 90, antes da criação do Instituto Camões.

"É verdade que o Estado português, com o apoio do Estado luxemburguês, abriram o Instituto Camões no Luxemburgo, mas porque é que isso impediria a sociedade civil de criar um centro que fosse uma estrutura que não só servisse o movimento associativo português do Grão-Ducado, como representasse a cultura lusa neste país e servisse até de plataforma de intercâmbio entre portugueses e luxemburgueses", considerou.

"Um grupo folclórico português tem a mesma legitimidade do que um clube de pingue-pongue luxemburguês"

"Conseguir dinamizar hoje um rancho folclórico português no Grão-Ducado é hoje muito dispendioso. Muitos dirigentes confiam-me que não conseguem suportar as despesas e que são inclusive os dançarinos que pagam os seus próprios fatos. Isto é inconcebível! Se um clube de pingue-pongue luxemburguês recebe subsídios do Estado luxemburguês, então o rancho português, que também faz parte do espectro cultural do Luxemburgo, merece igualmente esse tipo de subsídios e apoios", preconizou o presidente da CCPL.

Críticas apontadas aos media portugueses

Coimbra de Matos criticou também os media de Portugal que "pouco ou nada ligam às comunidades".

"Hoje esteve aqui presente a RTL, mas vêem aqui alguém da RTPi, canal que também é pago com o dinheiro que nós emigrantes enviamos para Portugal?", fustigou.

No entanto, a RTL também foi alvo de críticas. "A CCPL já propôs ao canal fazer um programa para as comunidades em presença no pais, mas a RTL fez ouvidos moucos a isso, na clara violação do cadernos de encargos que a convenção assinada com o Estado luxemburguês prevê", denunciou.

JLC/JL/CJ
Foto: JLC

VII Congresso da Confederação Portuguesa do Luxemburgo - imagens






VII Congresso da Confederação da Comunidade Portuguesa no Luxemburgo

Congresso começa com um minuto de silêncio em memória das vítimas das cheias na Madeira



O sétimo congresso da CCPL-Confederação da Comunidade Portuguesa no Luxemburgo começou hoje cerca das 9h30 no Centro Cultural de Cessange com o presidente da mesa, Manuel Batista, a pedir aos presentes que prestassem um minuto de silêncio em homenagem às vítimas do temporal que assolou o arquipéalgo da Madeira a 20 de Fevereiro e fez mais de 40 mortos.

Coube a Mirandolina Tasch-Fernandes (mais conhecida por Mili Tasch-Fernandes), da direcção da CCPL, dirigir a palavra de boas-vindas à cerca de meia centena de delegados presentes no início dos trabalhos.

"Este congresso é um fórum de discussão para definirmos estratégias e encontrarmos soluções por forma que a comunidade portuguesa alcance uma melhor cidadania no Luxemburgo", disse Mili Tasch.

A representante da direcção da CCPL evocou ainda o facto de a comunidade portuguesa no Grão-Ducado estar em constante aumento, não só devido aos numerosos nascimentos nas famílias lusas do Luxemburgo como à chegada todos os dias de novos portugueses a este país.

Mili Tasch falou da importância dos portugueses participarem mais na vida cívica e política do Luxemburgo, apelando a comunidade para mais interculturalidade.

"Temos que saber agir de forma realista. Não é por sermos numerosos que devemos ou podemos ignorar os luxemburgueses e as restantes comunidades estrangeiros", apelou.

Residem actualmente no Luxemburgo mais de 80 mil portugueses, quando há dez anos, em 2000, o número rondava os 60 mil, segundo dados oficiais do Consulado de Portugal no Grão-Ducado, que coincidem com os números do Statec, instituto de estatísticas do Luxemburgo.

Mili Tasch (na foto, à esquerda) falou ainda da introdução na legislação luxemburguesa do conceito de dupla nacionalidade sem perda da nacionalidade de origem (em Outubro de 2008), que está a ser pedida por muitos portugueses, sobretudo da segunda e da terceira geração. Nesse sentido, a responsável disse ainda que sabe que muitos deles o fizeram com a intenção de integrarem a Função Pública luxemburguesa.

A responsável disse igualmente das "lacunas" que existem no ensino e que dificultam a vida dos alunos portugueses no Grão-Ducado. "É inaceitável que a escola faça selecções injustas entre crianças portuguesas e luxemburguesas", lamentou.

"Queremos lutar por aquilo a que temos direito como cidadãos", rematou Mili Tasch-Fernandes.

Coube ainda à responsável, depois de uma palavra de boas-vindas do presidente da mesa do congresso, proceder à apresentação dos relatórios dos anos 2006-2008.

Neste momento, o presidente da CCPL, José António Coimbra de Matos, apresenta o relatório de actividades 2008-2009.

Texto: Jessica Lobo/José Luís Correia
Fotos: Carlos de Jesus/José Luis Correia


O presidente da CCPL, José António Coimbra de Matos, e Mili Tasch-Fernandes, da direcção da CCPL

VII Congresso da Confederação da Comunidade Portuguesa no Luxemburgo já começou

O VII Congresso da Confedração da Comunidade Portuguesa no Luxemburgo (CCPL) começou cerca das 9h30 e decorre actualmente no Centro Cultural de Cessange, na cidade do Luxemburgo, e conta com a presença:

- representantes do movimento associativo português no Luxemburgo
- membros das Comissões Consultivas para Estrangeiros (CCE), em representação de muitas autarquias luxemburguesas
- representantes do Conselho Nacional para Estrangeiros (CNE) do Luxemburgo, órgão de consulta do Governo luxemburguês para as questões de imigração
- os dois representantes da comunidade portuguesa do Grão-Ducado no seio do Conselho das Comunidades Portuguesas (CCP), órgão de consulta do Governo português para os assuntos da emigração
- entre outros delegados que estão presentes a título individual

Estão ainda previstas as presenças dos deputados portugueses do PS e do PSD pela Europa, Paulo Pisco e Carlos Gonçalves, respectivamente.

Para o início dos trabalhos estão presentes cerca de meia centena de delegados.

JLC/JL/CJ
O jornal CONTACTO acompanha a par e passo este domingo o VII Congresso da Confederação da Comunidade Portuguesa no Luxemburgo.

O congresso começou esta manhã cerca das 9h30 e decorre até cerca das 18h, no Centro Cultural de Cessange, na cidade do Luxemburgo.

Luxemburgo: Deputado do PS reúne-se hoje, domingo, com ministro do Trabalho luxemburguês para debater desemprego entre portugueses

O deputado do Partido Socialista (PS) português pela Europa, Paulo Pisco, reúne-se hoje, domingo, com o ministro do Trabalho do Luxemburgo, Nicolas Schmit, para debater o desemprego entre os portugueses que residem neste país.

"Tenho marcado um encontro com o ministro do trabalho, com quem vou abordar a questão do emprego e formação profissional", disse à Lusa o deputado socialista.

Segundo dados do Governo luxemburguês, um terço dos 15 mil desempregados no Luxemburgo é de nacionalidade portuguesa.

Dos 80.951 portugueses que residem oficialmente no Luxemburgo, 3.700 estão desempregados, indicam os números oficiais.

Portugal e Luxemburgo estão já em conversações para que as autoridades portuguesas colaborem na formação profissional dos emigrantes portugueses naquele país para promoveram a sua integração no mercado de trabalho.

"É importante que haja uma continuidade daquilo que ficou em previsão, de forma a que se possam concretizar os acordos que foram abordados pelas autoridades de ambos os países. O que procurarei fazer é esperar que sejam concretizados estes contactos iniciais que foram feitos", disse Paulo Pisco.

Também este domingo, o deputado do PS vai participar no VII Congresso da Confederação da Comunidade Portuguesa no Luxemburgo, onde vai intervir na sessão de encerramento.

A visita que realiza ao Luxemburgo termina amanhã, segunda-feira, com uma visita ao Consulado de Portugal.

Luxemburgo: Cidadania e educação dominam VII Congresso da Confederação da Comunidade Portuguesa

A cidadania e a educação vão ser alguns dos temas em debate no VII Congresso da Confederação da Comunidade Portuguesa no Luxemburgo (CCPL), que decorre hoje, domingo, no Centro Cultural de Cessange, e vai eleger a nova direção daquela organização.

"No congresso vão ser debatidos problemas que estão em agenda, ou seja, as questões ligadas sobretudo à educação, à participação cívica, ao reconhecimento e à cidadania", disse à Lusa o presidente da CCPL, Coimbra de Matos.

O responsável sublinhou que a cidadania será o "ponto forte" do debate porque é importante que "a partir do momento em que somos considerados cidadãos da Europa, sejamos reconhecidos como tal".

"O que é necessário é que os Estados, tanto de acolhimento como de origem, tenham em consideração que somos cidadãos e não podemos continuar a ser considerados estrangeiros aqui nem emigrantes em Portugal", afirmou.

Para Coimbra de Matos, esta é uma "questão de princípio" porque "a partir do momento em que este reconhecimento de cidadania se processar a todos os níveis, as pessoas terão autoestima muito maior e poderão passar a ser cidadãos melhores".

O secretário geral da CCPL considerou que os direitos de cidadania estão a ser negados a muitos portugueses no estrangeiro e dá como exemplo o recenseamento eleitoral.

"É fácil dizer que as pessoas têm direito de voto, mas depois exige-se um certo número de situações administrativas em que é necessário tratar de papelada e mais papelada e as pessoas deixam de se interessar. As pessoas deviam estar automaticamente inscritas para votar", defendeu.

"A questão da nacionalidade foi uma batalha durante muitos anos, conseguiu-se mas agora há outras barreiras. Tem de se fazer cursos. Há pessoas que estão aqui há 20 anos e não têm direito à dupla nacionalidade. São barreiras que se impõem, que não são facilitadoras", acrescentou.

A educação é outros dos temas em destaque porque "um terço dos alunos de origem portuguesa sai da escola sem diploma".

"Isso é muito grave", sublinhou o dirigente associativo, afirmando que há dois fatores que contribuem para esses números: pais para quem a escola não é sinónimo de progresso e o sistema escolar luxemburguês que "é complicado e leva ao abandono precoce da escola".

Todos os dias continuam a chegar portugueses ao Luxemburgo


Coimbra de Matos disse ainda que continuam a chegar portugueses ao Luxemburgo "todos os dias", mas que não há emprego para a maioria.

"Fala-se em 15 mil desempregados. Um terço dos desempregados no Luxemburgo são portugueses", indicou. Segundo o presidente da CCPL, muitos dos portugueses que chegam ao Luxemburgo não encontram trabalho e acabam por regressar a Portugal, mas ninguém sabe quantos são, quantos ficam e quantos regressam.

"As autoridades portuguesas não querem aceitar este problema e da parte luxemburguesa também não lhes interessa que se conheça esses dados. Ninguém quer divulgar números", afirmou.

O VII Congresso da CCPL realiza-se este domingo no Centro Cultural de Cessange, na cidade do Luxemburgo, e conta com a presença dos deputados do PS e do PSD pela Europa, Paulo Pisco e Carlos Gonçalves, respectivamente.

Fundada em Junho de 1991, integravam a CCPL no último congresso 68 associações.

VII Congresso da CCPL

Congresso da CCPL, cerca das 9h15 da manhã deste domingo - Centro Cultural de Cessange

sábado, 27 de fevereiro de 2010

Internacional: FMI quer reforçar poder e ter um papel de supervisão e intervenção mundial alargada

O diretor geral do Fundo Monetário Internacional (FMI), o francês Dominique Strauss-Kahn, anunciou sexta-feira que a instituição pediu aos estados membros para que estes lhe concedam um papel de supervisão e intervenção mundial alargada, de modo a detetar riscos potenciais.

O FMI "necessita de um mandato bastante claro para detetar os riscos que pesam sobre a estabilidade económica e, sublinho, sobre o sistema financeiro mundial", afirmou Strauss-Kahn, no discurso que fez perante o comité de Bretton Woods, em Washington.

"Em particular, lançamos a ideia de um novo procedimento de supervisão multilateral. Este irá permitir que o fundo avalie os efeitos alargados e sistémicos das políticas nacionais e os riscos associados de uma forma diferente", acrescentou o diretor geral do FMI.

Atualmente, o FMI é responsável pela supervisão do risco-país dos países e dos desenvolvimentos relativos à economia mundial, mas na "prática, o essencial do nosso papel é aplicado a um nível nacional", salientou Strauss-Kahn.

Desemprego entre portugueses residentes no Luxemburgo gera "situação complicada", diz deputado Carlos Gonçalves (PSD)

O aumento do desemprego entre a comunidade portuguesa residente no Luxemburgo está a gerar uma "situação complicada", disse sexta-feira à Lusa o deputado do PSD pela Europa, Carlos Alberto Gonçalves.

"O número de desempregados de nacionalidade portuguesa é superior à média nacional (no Luxemburgo). E a situação é complicada", reconheceu Carlos Gonçalves, contactado telefonicamente a partir de Lisboa.

O deputado que se encontrava ontem em Tours, centro de França, desloca-se amanhã, domingo, ao Luxemburgo, onde participará no VII Congresso da Confederação da Comunidade Portuguesa no Luxemburgo (CCPL), que terá lugar no Centro Cultural de Cessange.

"É evidente que num momento de crise (económica) são sempre as comunidades (de emigrantes) as mais fragilizadas. Ou seja, são os emigrantes os primeiros, até pela falta, muitas vezes, de formação profissional, conhecimento da língua, de estarem muitas vezes em actividades que não requerem grande formação, portanto não são competitivas", frisou.

Segundo dados do governo luxemburguês, um terço dos 15 mil desempregados no Luxemburgo têm nacionalidade portuguesa.

Actualmente estão registados 80.951 portugueses como residindo oficialmente no Luxemburgo.

Antes do Luxemburgo, Carlos Gonçalves esteve em Marselha e no principado do Mónaco, onde manteve contactos com representantes da comunidade portuguesa residente e com a consulesa de Portugal em Marselha.

Algarve/XVII Mundialito de Futebol Feminino: Portugal mantém primeiro lugar, ex aequo com a Roménia

Portugal reparte com a Roménia a liderança do Grupo C do Mundialito feminino de futebol, após cumpridas duas jornadas da prova, que decorre, até quarta feira, 3 de março, no Algarve.

As duas seleções empataram sexta feira à noite a zero, no Parchal, resultado que as coloca em igualdade pontual (quatro), mas a turma portuguesa dispõe da vantagem nos golos marcados, devido à goleada imposta às Ilhas Faroé (5-0) na primeira jornada, enquanto a Roménia venceu a Áustria por 2-0.

O terceiro lugar é ocupado pela formação austríaca, com três pontos, após vencer hoje as Ilhas Faroé (3-0).

O Grupo A é liderado pela Alemanha (seis pontos), campeã mundial, que hoje averbou a segunda vitória na competição, com nova goleada, desta vez à Finlândia (7-0), depois de vencer a Dinamarca na jornada inaugural por 4-0.

A China, que na primeira jornada empatou com a Finlândia, bateu hoje a Dinamarca por 2-0, e é segunda (quatro pontos), seguida da Finlândia, terceira, com um. A Dinamarca ocupa o último lugar, sem qualquer ponto.

No Grupo B, os Estados Unidos alcançaram hoje uma vitória tangencial sobre a Noruega (2-1) e lideram, com seis pontos, mais dois do que a Suécia, que hoje goleou a Islândia (5-1) e assegurou o segundo lugar.

O terceiro posto é ocupado pela Noruega, com apenas um ponto, enquanto a Islândia ainda não pontuou.

A terceira e derradeira jornada da fase de grupos está agendada para segunda feira, com Portugal a defrontar a Áustria (14h, hora local), no Estádio Algarve, em São João da Venda (a cerca de 7 kms de Faro).

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Portugal: Queiroz chama Varela para o jogo com a China


O avançado Silvestre Varela, do FC Porto, estreou-se hoje na convocatória da selecção portuguesa de futebol para o particular com a China, a última antes da divulgação da lista final para o Mundial2010.


Em bom momento no FC Porto, o extremo terá oportunidade de cumprir a sua primeira internacionalização A num encontro para o qual regressam o lateral Paulo Ferreira (Chelsea), o médio Pedro Mendes (Sporting) e o avançado Cristiano Ronaldo (Real Madrid).


Numa lista de apenas 17 nomes, notam-se as ausências de Pepe e Deco, lesionados, Rui Patrício e Fábio Coentrão, convocados para os sub-23, além de Ricardo Costa, João Moutinho, Miguel Veloso e Edinho.

"Existem alguns jogos durante o fim de semana, por isso decidi para já convocar só estes 17, mas tenho ideia de que, provavelmente, juntar-se-ão mais um ou dois nomes. Estou a pensar ter um número reduzido neste estágio, para todos poderem jogar", afirmou o seleccionador português, Carlos Queiroz.


A estreia de Varela e os regressos de Cristiano Ronaldo, Pedro Mendes e Hugo Almeida, após lesão, são os principais destaques da convocatória da Seleção Nacional para o encontro de preparação do Mundial'2010, com a China, a 3 de março, em Coimbra.


A federação revela que o seleccionador Carlos Queiroz poderá chamar mais jogadores após os jogos deste fim-de-semana, entre os quais Ruben Micael (FC Porto) e Djaló (Sporting), que foram convocados para a Selecção Sub-23.

Lista de convocados:

Simão Sabrosa e Tiago (Atlético Madrid)
Hilário, Paulo Ferreira e Ricardo Carvalho (Chelsea)
Duda (Málaga)
Nani (Manchester United)
Bruno Alves, Raul Meireles, Rolando e Varela (FC Porto)
Cristiano Ronaldo (Real Madrid)
Liedson e Pedro Mendes (Sporting)
Eduardo (Sp.
Braga)
Miguel (Valencia)
Hugo Almeida (Werder Bremen)

Cartaz oficial da visita do Papa a Portugal foi hoje divulgado



O cartaz de divulgação da visita do Papa Bento XVI a Portugal, em Maio, foi hoje apresentado em Lisboa.

Além do cartaz, o coordenador da Comissão Organizadora da Visita de Bento XVI a Portugal, D. Carlos Azevedo, bispo auxiliar de Lisboa, apresentou o site oficial da visita, bem como outras informações sobre a organização da viagem de Bento XVI.

O Papa desloca-se a Portugal entre 11 e 14 de Maio, com passagens por Lisboa, Fátima e Porto.

Portugal: Se ficar evidente intervenção do Governo no negócio PT/TVI haverá consequências políticas, alerta Aguiar-Branco

O líder parlamentar do PSD, José Pedro Aguiar-Branco, disse hoje que se ficar demonstrado de forma evidente que houve intervenção do Governo no negócio entre a PT e a TVI isso “há de ter consequências políticas”.

Em entrevista à Antena 1, na qualidade de candidato à liderança do PSD, Aguiar-Branco foi mais longe, dizendo que “se ficar inequivocamente demonstrado, de forma absolutamente objetiva e inequívoca” uma intervenção do Governo nesse negócio terá de ser ponderado se isso “não justifica, sim ou não, uma eventual moção de censura”.

Em conferência de imprensa, no Parlamento, depois de apresentar uma proposta de inquérito parlamentar para apurar se houve intervenção do Governo na intenção de compra de parte da TVI pela PT, foi-lhe perguntado se reiterava o que tinha dito na entrevista à Antena 1, hoje divulgada.

“Eu disse e repito, mas essa é uma opinião que não vincula o grupo parlamentar. A entrevista à Antena 1 foi na qualidade de candidato à liderança do PSD, eu estou aqui a falar na qualidade de líder parlamentar”, respondeu José Pedro Aguiar-Branco.

Questionado se a possibilidade de haver uma moção de censura ao Governo por parte do PSD está excluída ou não, Aguiar-Branco disse que “essa matéria não foi tratada”.

Perante a insistência dos jornalistas, o líder parlamentar do PSD acrescentou que vai haver uma comissão de inquérito para averiguar “a interferência ou não do Governo no negócio da PT com a TVI”, concluindo: “É evidente que a demonstração inequívoca dessa situação há de ter consequências políticas”.

Genial 2010: Concurso de ideias inovadoras para jovens residentes no Luxemburgo

A Agência luxemburguesa para a Inovação, Luxinnovation, e o Ministério da Educação do Luxemburgo promovem este ano mais uma edição do concurso Genial 2010, aberto a todos os alunos da escola Fundamental e do ensino secundário.

O concurso pretende promover a criatividade e a inovação dos mais novos e as candidaturas podem ser apresentadas de forma individual, em grupo ou ainda por classe.

No ano passado foram apresentados a concurso 77 projectos inovadores que envolveram 128 alunos de 18 escolas.

Mais informações sobre a edição deste ano do Genial podem ser encontradas no site www.genial.lu, na internet.

UE: Ministros da Defesa criam força especial para emergências

Os ministros da Defesa da UE decidiram hoje criar uma força conjunta de reação rápida para atuar em catástrofes humanitárias e ampliar as relações com a NATO para "otimizar recursos e unir esforços" em "cenários de operações" comuns.

O secretário geral da Aliança Atlântica, Anders Fogh Rasmussen, que hoje participou pela primeira vez numa reunião informal dos responsáveis pela tutela da Defesa dos 27, pediu aos parceiros europeus uma maior colaboração e um maior tempo de antena aos países que não são estados-membros da UE mas que participam nas missões militares comunitárias, como é o caso da Turquia.

A ministra da Defesa espanhola, Cárme Chacón, que foi a anfitriã desta reunião de dois dias em Palma de Maiorca, em representação da presidência da UE, declarou estar "muito satisfeita" com os acordos alcançados.

Segundo Chacón, a ideia de criar uma força especial de reação para crises e emergências surgiu após o terramoto do Haiti (na foto).

Espanha, que exerce até junho a presidência rotativa da UE, propôs a possibilidade dos atuais "battle groups" (agrupamentos táticos de combate) assumirem esta responsabilidade.

A questão será abordada pelos ministros da Defesa dos 27 na próxima reunião, agendada para abril.

Outro tema que dominou a agenda do encontro foi as relações com a Aliança Atlântica.

Em conferência de imprensa, o secretário geral da NATO explicou que propôs várias medidas para melhorar a cooperação, entre elas, "um acordo de segurança em cenários em que (as duas organizações) estão presentes, como o Afeganistão e o Kosovo".

Rasmussen assinalou ainda a necessidade de trabalhar em conjunto ao nível da segurança marítima e na luta contra a pirataria nas águas do oceano Índico, onde a UE está presente com a operação "Atalanta".

De acordo com o responsável, "no âmbito da segurança é um pouco absurdo que a UE e a NATO trabalhem juntas nos mesmos cenários e ainda não tenham sido capazes de alcançar um acordo".

Rasmussen considerou que é necessário encontrar uma solução para "os problemas políticos que dificultam a cooperação".

"Estou consciente que o aspeto político entre a UE e a NATO é muito sensível, mas estou convencido que estas sensibilidades não podem ser utilizadas para não se fazer nada", referiu o secretário geral, acrescentando que as suas propostas receberam "um amplo apoio dos ministros" da UE.

Rasmussen recusou, no entanto, pronunciar-se sobre a posição do Chipre sobre a possibilidade de dar uma maior voz à Turquia.

Foto: Arquivo LW

Madeira: 41 mortos confirmados

Foto: LUSA

O responsável pelo Ministério Público na ilha da Madeira, anunciou ontem que o número de mortos confirmados causados pelo temporal de sábado aumentou para 41, tendo sido já autopsiados 40 corpos.

O último corpo que deu entrada no necrotério improvisado do Funchal é o de uma mulher com cerca de 80 anos, encontrada no Pomar da Rocha.

O temporal que se abateu sobre a ilha no sábado causou ainda dezenas de feridos, 18 dos quais ainda internados, 600 desalojados e 29 desaparecidos, segundo as últimas contas do Governo Regional.

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Crónica: Luísa Todi - uma cantora para a eternidade

Luísa Todi nasceu em Setúbal em 1753, era filha de um professor de música e foi através da música, e particularmente do canto, que se tornou célebre na Europa do séc. XVIII.

Luísa Rosa de Aguiar começou por fazer teatro musicado revelando já muito nova a potencialidade e a beleza da sua voz. Aos 15 anos, e numa época em que as mulheres não costumavam subir ao palco, desempenhou o papel de Tartufo, a personagem principal (masculina) da peça de Molière - o célebre autor de teatro francês clássico. Casou um ano depois com um grande admirador seu, o violinista napolitano Francesco Saverio Todi, que a aconselha e lhe proporciona o aperfeiçoamento do canto com um outro grande músico italiano, mestre de capela da rainha D. Maria I.

Luísa de Aguiar adopta o apelido do marido e é com esse apelido que a cantora lírica portuguesa será conhecida e considerada como "a meio-soprano de todas as centúrias". Embora tenha começado a cantar em público em 1772, fez a sua estreia um ano antes na corte de D. Maria I. Segue para Londres, onde actua em companhia do marido, mas é em Madrid que o público lhe reserva uma extraordinária ovação. Quando em 1778 actua em Paris, já é considerada como uma das maiores cantoras do seu tempo, o que lhe permite ser convidada para cantar nas mais prestigiadas salas e cortes europeias: Versalhes, Veneza, Parma, Viena de Áustria, Mainz, Bona.

Mas, embora célebre e acolhida triunfalmente em todas as capitais europeias, volta a Portugal em 1783 para cantar para a corte portuguesa. Apesar de todo o seu talento, Luísa Todi não só tinha admiradores – no seu percurso de cantora teve igualmente de enfrentar alguns rivais, e muito particularmente a soprano alemã Gertrudes Mara. Após a sua actuação em Lisboa, regressa a Paris, onde as duas cantoras competem num "duelo" que ficará célebre na história do canto. Em 1784, a convite, e sob a protecção da imperatriz Catarina II da Rússia, Luísa parte com o marido e com os filhos para S. Petersburgo, onde canta para um público que a aplaude clamorosamente e lhe reconhece o seu extraordinário talento, perfeição e expressão nas línguas que domina perfeitamente: francês, inglês, italiano e alemão. A imperatriz e a cantora passam muitos momentos juntas, facto que alicerça uma amizade e uma admiração profunda e mútua. Isto, traduz-se materialmente por parte da "grande Catarina da Rússia", em presentes de grande valor, entre os quais um colar de diamantes oferecido à portuguesa. Por parte de Luísa, e em sinal de agradecimento, escreve com o marido a ópera "Pollinia" dedicada à imperatriz. Em 1786, para a inauguração do Teatro da Ermitagem de S. Petersburgo, o compositor italiano Giuseppe Sarti compõe uma ópera na qual também faz actuar Luigi Marchesi, um célebre "soprano-castrato", que vem arrebatar um certo protagonismo a Luísa Todi. Temendo perder a estima e a admiração da soberana, Luísa influencia a imperatriz de modo a que Sarti seja afastado da corte de S. Petersburgo. No entanto, como por vezes há males que vêm por bem, esta intriga da meio-soprano portuguesa parece ter proporcionado a sorte de Sarti pois que, Potemkine, grande mecena e amador de música, amante e depois marido de Catarina II, vai doar ao italiano casa e terras junto do seu palácio de Kiev (hoje capital da Ucrânia) e não só a sua fama será grande, como também se tornará mais tarde um dos protegidos da soberana.

Em 1787, Frederico Guilherme II, imperador da Prússia (reino que existiu até ao século XIX e do qual faziam parte o norte da Alemanha e uma parte da Polónia), convidou Luísa a ir cantar a Berlim onde o público também a acolhe com muito carinho e admiração. Luísa acaba por ficar a viver naquela cidade durante alguns anos, mas volta a Lisboa em 1793 para cantar na corte de D. Maria I e, muito especialmente no baptizado da terceira filha do futuro rei D. João VI. Por mais estranho que pareça, a cantora teve de pedir uma autorização especial para poder cantar em público visto que, nessa época, em Portugal, as mulheres não estavam autorizadas a fazê-lo. Foi em Nápoles, e no ano de 1799, que Luísa Todi termina oficialmente a sua carreira. No entanto, em 1801 ainda volta a cantar no Porto. Enviuvou em 1803, e em 1809, ao fugir das tropas francesas de Napoleão, é no terrível acidente das Ponte das Barcas que perde todas as suas jóias e a sua fortuna. Em 1811 chega a Lisboa, onde, em S. Pedro de Alcântara, mora num modesto segundo andar, e é ali, que em 1833, já cega, virá a falecer. A sua cidade natal prestou-lhe a devida homenagem atribuindo o seu nome à maior avenida de Setúbal e erigindo um monumento à sua memória. Foi igualmente em reconhecimento desta voz singular que foi criado o "Concurso Nacional de Canto Luísa Todi" destinado a proporcionar, tanto a jovens formados, como a cantores formados em início de carreira, as devidas oportunidades de projecção de carreira e os factores de reconhecimento na área do canto lírico.

Mafalda Lapa

(Crónica mensal sobre estórias de mulheres portuguesas que marcaram a História. Próxima publicação: 17 de Março)

Conjuntura: Bruxelas mantém em 0,7 % a previsão de crescimento da economia europeia este ano

A Comissão Europeia manteve hoje em 0,7 por cento a previsão de crescimento económico europeu para 2010, considerando que a União Europeia (UE) está "gradualmente a recuperar, apesar de ainda enfrentar dificuldades".

As previsões intercalares, com estimativas para as sete maiores economias dos 27, hoje divulgadas por Bruxelas, apontam para um crescimento do PIB da União Europeia e da Zona Euro de 0,7 por cento em 2010, a mesma percentagem das previsões feitas em novembro passado.

"A recuperação da economia da UE está a materializar-se mas ainda é frágil", declarou o comissário europeu para a Economia e Assuntos Monetários, Olli Rehn (na foto).

Esta atualização "intercalar" das previsões de Outono baseia-se na evolução verificada em sete Estados-membros, os mais importantes em termos económicos.

Alemanha, França, Itália, Reino Unido, Espanha, Holanda e Polónia representam cerca de 80 por cento do PIB nominal da UE e 85 por cento do da Zona Euro.

"O PIB real começou a crescer novamente no terceiro trimestre de 2009, pondo fim à mais prolongada e profunda recessão da história da UE", considera a Comissão Europeia em comunicado de imprensa.

O Executivo comunitário salienta que as medidas anti-crise adotadas desde finais de 2008 "tiveram um papel fulcral" na recuperação económica.

As projeções para a inflação também se mantêm inalteradas em 1,4 e 1,1 por cento para a UE e para a Zona Euro, respetivamente.

Em relação às Previsões de outono (novembro), a Alemanha mantém as mesmas perspetivas (1,2 por cento), o mesmo acontecendo com a França (1,2) e Itália (0,7).

Por seu lado, as perspetivas em Espanha são um pouco menos sombrias mas continuam negativas, passando de um decréscimo de 0,8 por cento do PIB previsto em novembro para 0,6 agora.

As estimativas para a Holanda aumentam de 0,3 por cento para 0,9 e também para a Polónia, de 1,8 para 2,6.

O Reino Unido é o único dos grandes Estados-membros da UE a piorar as suas previsões para 2010, de um crescimento de 0,9 por cento do PIB para 0,6.


Foto: Arquivo LW

Campos de férias da Cruz Vermelha luxemburguesa: inscrições já abriram

As inscrições para os campos de férias deste ano da Cruz Vermelha luxemburguesa (CV) já abriram.

Mais uma vez este ano a CV organiza um conjunto de actividades para as crianças que queiram participar na colónia de férias da instiruição. A oferta é variada e destina-se a crianças e jovens dos 4 aos 17 anos. Este ano graças ao Cheque-Serviço a inscrição pode ser gratuita.
Para cada campo de ferias há disponibilidade de várias datas de acordo com a idade dos participantes.

Mais informações podem ser obtidas através da internet em www.croix-rouge.lu

"Trip" brasileira chega ao Luxemburgo em Setembro - em língua alemã

O Luxemburgo é um dos quatro países onde está prevista a edição da revista masculina brasileira "Trip". A publicação vai ser lançada em quatro países, em língua alemã – além do Luxemburgo, na Alemanha, na Suíça e na Áustria.

Thomas Garms, editor e jornalista do país vizinho, é o proprietário da licença editorial da revista brasileira para os quatro países. Garms tem experiência na área das publicações para homens, uma vez que editou no passado as revistas "Men’s Health" e "Hörzu" e foi colaborador da "Playboy".

A revista deverá sair na Alemanha já em Abril e alargar a sua publicação a partir de Setembro aos restantes países.

Segundo declarações de Thomas Garms à "Deutsche Welle", a publicação incluirá artigos produzidos na Alemanha, juntamente com outros escritos para a edição brasileira. Garms refere ainda que a revista "Trip" se destina a "homens curiosos e apaixonados, principalmente jovens com boa formação cultural".

"A 'Trip' leva a vida a sério sem se levar demasiado a sério", afirma. O público-alvo masculino varia entre os 25 e os 50 anos, mas "também as mulheres gostarão de a ler", considera o editor.

A revista vai ser lançada na Alemanha a partir de Abril, com uma tiragem inicial de 100 mil exemplares. O preço de capa é de 4,80 euros.

F. Pinto

Liga dos Campeões: Inter de José Mourinho em vantagem


O jogo de reencontro entre José Mourinho e o Chelsea, em San Siro, saldou-se pela vantagem de 2-1 para o treinador português, nesta primeira mão dos oitavos-de-final da Liga dos Campeões .

O jogo não podia ter começado da melhor maneira para o Inter, com Milito a marcar aos 3 minutos: Eto'o recebeu a bola à entrada da área, deixou para Sneijder e este endossou para Milito, que rematou de pé direito surpreendendo Cech.

Milito viu um amarelo por simulação de grande penalidade aos 22 e Eto'o teve nos pés o 2-0, mas perante centro de Sneijder acabou por falhar a bola, acertando-lhe apenas de raspão. Ainda antes do descanso, parece ficar por marcar uma grande penalidade para os ingleses, por derrube de Samuel a Kalou.

Cinco minutos depois do intervalo, o golo do empate do Chelsea: Ivanovic evoluiu pelo corredor direito, passou em frente à área do Inter e deixou para trás, onde apareceu Kalou a rematar em arco.

O Inter respondeu quase de imediato por Cambiasso, apenas quatro minutos depois. Sneidjer - de novo ele - centrou pela esquerda, a bola foi defendida para trás e foi ter com Cambiasso, que marcou à segunda.

Resultados completos dos encontros da primeira "mão" (a segunda disputa-se a 9 e 10 de Março) dos oitavos de final da Liga dos Campeões em futebol:

AC Milan - Manchester United: 2-3

Lyon - Real Madrid: 1-0

Bayern Munique - Fiorentina: 2-1

FC Porto - Arsenal: 2-1

Olympiakos - Bordéus: 0-1

Estugarda - FC Barcelona: 1-1

CSKA Moscovo - Sevilha: 1-1

Inter de Milão - Chelsea: 2-1


Guiné-Bissau: Brasil constrói centro de formação policial para apoiar combate ao narcotráfico

O Brasil vai construir ainda este ano um centro de formação policial na Guiné-Bissau para apoiar o combate ao tráfico de droga na região da África ocidental.

O anúncio foi feito esta semana pelo diretor de Combate ao Crime Organizado da Polícia Federal do Brasil, Roberto Troncon Filho, durante o lançamento do Relatório Anual 2009 da Junta Internacional de Controlo de Entorpecentes (Jife), órgão das Nações Unidas.

De acordo com Troncon, a parceria entre o Brasil e os países africanos de língua portuguesa já permitiu a formação de mais de 150 polícias de Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique e São Tomé e Príncipe nos últimos dois anos.

O projeto do Centro de Treinamento Policial em Bissau, que mereceu elogios da Jife, tem um investimento de três milhões de dólares (2,2 milhões de euros) por parte da Agência Brasileira de Cooperação (ABC), vinculada ao Ministério das Relações Exteriores do Brasil.

O objetivo é formar uma polícia tecnicamente bem preparada no país, de acordo com os padrões internacionalmente aceites, para combater o tráfico de droga e o crime organizado, que continuam a ser um desafio significativo para a estabilidade na subregião.

A Guiné-Bissau é um dos principais países africanos na rota do tráfico de drogas da América do Sul para a Europa e, em menor quantidade, para a América do Norte, de acordo com o relatório da Jife.

O documento destaca que a cocaína apreendida em África tem origem principalmente na Colômbia e no Peru, e, em muitos casos, tem sido traficada através do Brasil e da Venezuela.

A Jife refere ainda que, até ao momento, não há relatos de cultivo da planta de coca ou da produção de cocaína em África.

Relâmpago danifica motor de um avião da Luxair, piloto decidiu regressar ao Findel

Um Bombardier Q400 da Luxair, com 70 passageiros a bordo, foi ontem obrigado a regressar ao aeroporto do Luxemburgo, depois de um relâmpago ter atingido e danificado um dos motores do aparelho, durante a trovoada que se fez sentir.

A aeronave que fazia a ligação entre o Luxemburgo e Munique foi obrigada a interromper a viagem depois da descolagem no aeroporto de Sarrebruck onde fez escala.

Cumprindo todas as normas de segurança, o comandante da aeronave decidiu regressar ao Luxemburgo onde aterrou o avião por volta das 19h, sem registo de qualquer incidente.

Os 70 passageiros pernoitaram num hotel da capital luxemburguesa e seguiram viagem às 6h40 desta manhã, num Boeing 737 da Luxair.

Até 23 de Abril: Concurso aberto aos alunos do Luxemburgo, França e Polónia celebra os 50 anos de Robert Schuman

O Centro Virtual do Conhecimento sobre a Europa (CVCE) (sediado no Castelo de Sanem, no Luxemburgo) lançou um concurso internacional para celebrar o sexagésimo aniversário da declaração Robert Schuman.

A iniciativa conta com o apoio da ministra da Educação luxemburguesa, Mady Delvaux-Stehres, e destina-se às escolas do ensino secundário do Luxemburgo, França e Polónia.

O concurso consiste num questionário composto por 20 perguntas, organizado em dois níveis de dificuldade, segundo o nível das turmas do ensino secundário (collège e lycée). Para melhor se prepararem para responder às questões as turmas podem consultar um dossier especial "Das origens do plano Schuman ao tratado CECA" que pode ser consultado a partir do sítio www.ena.lu (rúbrica "dossiers spéciaux"), na internet. Este é um desafio que, sob pretexto de avaliar os conhecimentos dos alunos sobre a Europa, pretende também encorajar o trabalho dos alunos em equipa.

O professor de cada turma interessada em concorrer terá de preencher uma ficha de inscrição via Internet, até 23 de Abril. As questões incidirão sobre a história da construção Europeia e a declaração de Robert Schuman de 9 Maio de 1950.

Podem participar no concurso os alunos inscritos num estabelecimento de ensino secundário, público ou privado, nos três países. Marianne Backes, directora do CVCE esclarece a razão desta escolha: "No Luxemburgo porque foi aí que Schuman nasceu, em França porque foi neste país que fez toda a sua carreira política e na Polónia, porque é um exemplo da abertura deste homem de Estado em relação aos outros países da Europa".

Mady Delvaux-Stehres acolhe a iniciativa com agrado e considera que este concurso permite ao Luxemburgo "associar-se aos parceiros tradicionais, mas também de se abrir a uma nova Europa, graças à Polónia". E a ministra acrescenta ainda: "Não se trata apenas de ficar a conhecer a Europa, mas os jovens vão poder aderir a uma ideia europeia: a solidariedade. O interessante neste concurso, é que não existe uma inscrição individual. É a turma que é mobilizada no seu conjunto o que encoraja o trabalho em equipa que é sinónimo de solidariedade, uma ideia forte da Europa. A Europa é forte e esplendorosa quando é solidária".

No final do concurso, haverá seis turmas vencedoras, duas por cada país (Luxemburgo, França e Polónia) de acordo com o nível do ensino secundário. Ganhará a turma que conseguir responder ao maior número de respostas exactas. Em caso de empate, será publicada uma questão aberta no sítio do concurso de 23 Abril a 3 de Maio de forma a distinguir os vencedores. Os resultados, publicados a 3 de Maio, serão directamente comunicados por correio electrónico às escolas vencedoras.

O prémio para os vencedores será uma viagem a uma cidade europeia (Bruxelas, Luxemburgo, Estrasburgo ou Varsóvia, de acordo com o país participante). Estão previstos ainda prémios para as turmas que ficarem em segundo e terceiro lugares.

Para mais informações sobre inscrições, pormenores e regulamento do concurso pode pesquise o sítio www.cvce.lu/Schuman_2010, na internet.

Cristina Campos
Foto: Mediateca da Comissão Europeia

Unesco corrige dados do ano passado: 390 mil pessoas falam luxemburguês

O Atlas da UNESCO das línguas garante que o luxemburguês é falado por 390 mil pessoas. Mais noventa mil do que no ano passado, altura em que a organização declarou "vulnerável" a língua do Grão-Ducado.
O número agora divulgado aproxima-se mais da estimativa feita no ano passado pela Universidade do Luxemburgo que avançava com 400 mil falantes de luxemburguês.
Recorde-se que no ano passado a classificação da UNESCO de "língua vulnerável" lançou uma enorme polémica no país e que levou a Universidade do Luxemburgo a fazer uma reclamação junto da UNESCO.
O estudo deste ano não é novo, mas apenas "corrige" os dados avançados no ano passado.
Segundo o Laboratório Linguístico da UNI 270 mil pessoas no Luxemburgo falam a língua de Dicks, a que se juntam mais 50% dos residentes estrangeiros (mais ou menos 100 mil pessoas), e ainda 30 mil fronteiriços, o que perfaz um total de 400 mil falantes.
A UNESCO esclarece que a classificação de "vulnerável" é aplicada não quando uma língua está em vias de desaparecer, mas quando se corre esse risco se entretanto nada for feito pelas autoridades para defender e promover uma língua.

Ensino Especial: Crianças autistas do Luxemburgo sem turmas especiais

O Luxemburgo não tem uma escola especial para acolher as 160 crianças autistas que vivem no país.

A única escola especializada para o acompanhamento deste tipo de crianças está situada em Dudelange e não consegue dar resposta a todas as solicitações, uma vez que só recebe alunos a partir dos quatro anos de idade. Uma regra que impede o acompanhamento precoce deste tipo de crianças e que reduz as possibilidades de se poder obter resultados positivos.

Mars di Bartolomeo, ministro da Saúde, garante que o número oficial de crianças autistas no país "não justifica a abertura de uma classe especializada em cada comuna Luxemburgo".

No entanto, informa o executivo, o pessoal dos Centros de Educação Diferenciada acabam de fazer uma formação especializada no domínio do autismo. Um dado que permite ao Governo afirmar que qualquer estabelecimento escolar pode acolher uma criança autista.

ASTI crítica atrasos na Função Pública

A ASTI, Associação de Apoio aos Trabalhadores Imigrantes, crítica o Governo pelo atraso na apresentação da lei que vai regulamentar o acesso dos estrangeiros comunitários à Função Pública.
Em Dezembro do ano passado, o Governo e o Parlamento do Luxemburgo aprovaram na generalidade, sob pressão de Bruxelas, a possibilidade dos cidadãos comunitários poderem vir a trabalhar nos organismos do Estado, mas a verdade é que até agora ainda não foram divulgadas as listas com os lugares disponíveis, nem os requisitos em termos das línguas.
A ASTI garante que já interpelou o Governo e a Comissão Europeia sobre este assunto.

Luxemburgo: Cerca de metade dos luxemburgueses são contra a ida da "Gëlle Fra" para Xangai

Dois dias depois do anúncio da deslocação da estátua da "Gëlle Fra" (mulher dourada") para o pavilhão luxemburguês na Exposição Universal de Xangai que arranca a 1 de Maio, uma sondagem da TNS Ilres revela que 49% da poulação luxemburguesa é contra a iniciativa.

Uma escolha política sem concertação com a população, a deslocação de um símbolo da liberdade para um país comunista, desperdício de dinheiro, um monumento cultural e histórico deve ficar no seu país e o facto de os turistas não poderem ver um símbolo nacional neste Verão, são as principais razões apontadas pelos opositores à transferência da "mulher dourada" para a China.

Já os 39% que se dizem favoráveis à ida desta última para a Epoxição Universal, consideram o gesto autêntico, sendo a estátua mensageira da história e cultura luxemburguesa.

O comissário geral do pavilhão luxemburguês, Rober Goebbels informa que a estátua vai ser transportada gratuitamente num avião da Cargolux e vai ficar de 1 de Maio até 31 de Outubro em Xangai.

A "Gëlle Fra" foi criada depois da Primeira Guerra Mundial pelo escultor luxemburguês Claus Cito em homenagem aos soldados do país que combateram ao lado das forças aliadas.

No início da Segunda Guerra Mundial foi retirada e danificada pelas tropas nazis. Contudo, elementos da resistência esconderam os resquícios da "Gëlle Fra" debaixo das bancadas do actual estádio Josy Barthel onde foram encontrados em 1981.

Restaurada, a estátua da mulher dourada sempre se manteve no actual local desde 1984.

Foto: Guy Wolff

Portugal: Director do Expresso considera que compra da TVI tinha de ser conhecida por Sócrates

O director do jornal Expresso, Henrique Monteiro, considerou quarta-feira que "nunca ninguém comprou uma televisão em Portugal sem o conhecimento de um primeiro ministro", defendendo que José Sócrates tinha de conhecer o negócio.

"Estranho que todo o negócio fosse feito sem o conhecimento do primeiro-ministro. A minha perplexidade é ele dizer que não conhecia o negócio", disse o jornalista Henrique Monteiro na audição que decorre na comissão parlamentar de Ética.

Para Henrique Monteiro, "seria mesmo estranho" que houvesse a venda de uma empresa tão importante sem que o primeiro-ministro soubesse.

"Nunca ninguém comprou uma televisão em Portugal sem o primeiro-ministro saber", frisou.

Henrique Monteiro disse ainda que o jornal que dirige, o semanário Expresso, publicou uma manchete a dizer que o Governo sabia do negócio desde o início do ano, um facto que responde a uma pergunta colocada por um deputado sobre se o primeiro-ministro sabia ou não da operação.

A comissão parlamentar de Ética, Sociedade e Cultura está a efectuar, desde 17 de Fevereiro, audições a quase 50 pessoas ligadas ao sector da comunicação social e a seis entidades, na sequência de acusações ao Governo por alegadas interferências na comunicação social, nomeadamente na TVI através da PT.

Portugal/Casos TVI-Face Oculta: Paulo Penedos diz que divulgação total das escutas provará que não quis condicionar media

O advogado Paulo Penedos defendeu quarta-feira que quando for divulgada a totalidade das escutas telefónicas do caso Face Oculta ficará provada que a sua intervenção foi meramente profissional e não pretendeu condicionar a liberdade de expressão.

"A revelação total desses suportes técnicos só aprofundará a natureza profissional da minha intervenção [no alegado processo de compra da Media Capital pela PT sob orientação do Gverno]", disse o assessor jurídico da Portugal Telecom em comissão parlamentar de Ética, Sociedade e Cultura.

Segundo adiantou, a divulgação da totalidade das escutas afastaria mesmo "o objecto desta comissão porque mostraria que não há qualquer ato de condicionamento ou cerceamento da liberdade de expressão".

"Apesar das dificuldades em que me encontro, considero-me um homem livre. Não vim fazer um exercício de camuflar ou proteger ninguém", garantiu.

Paulo Penedos escusou-se a responder à maioria das questões levantadas pelos deputados, alegando querer respeitar três limites: o segredo de justiça, o sigilo profissional e o facto de ter informação privilegiada da estratégia da PT.

"Portugal está no mesmo caminho que a Grécia", alerta Manuela Ferreira Leite

A presidente do PSD considerou quarta-feira que Portugal está "rigorosamente no mesmo caminho" da situação da Grécia em termos económicos e que, se nada for feito, em dois anos poderá ficar em situação idêntica ou pior.

Manuela Ferreira Leite falava durante uma conferência promovida pela Câmara de Comércio Luso Francesa, num hotel de Lisboa.

"A verdade é que, não tendo nós os mesmos números da Grécia, estamos rigorosamente no mesmo caminho. E, portanto, a evolução do nosso endividamento, a evolução do nosso défice das contas públicas está exatamente no mesmo caminho que está a Grécia", declarou a presidente do PSD.

"Isto é: não façamos nada e daqui a dois anos estamos com estatísticas tão más ou piores do que a Grécia", acrescentou.

Segundo a ex-ministra das Finanças, é por isso que Portugal está atualmente "sob os holofotes das instituições financeiras".

"É evidente que os mercados e as instituições financeiras não vão permitir que haja um segundo país que chegue ao ponto a que chegou a Grécia. Portanto, quando veem que estamos no mesmo caminho, o melhor é travá-lo já", sustentou Manuela Ferreira Leite.

"Nós estamos com um aumento do endividamento da ordem dos dez por cento ao ano, portanto, faltam-nos apenas dois anos para estarmos iguais à Grécia. Não nos vão deixar chegar lá. É bom nós estarmos todos conscientes de que a forma como se olha a Grécia é a mesma forma com que se olha Portugal", rematou.

"Esperamos que Ferreira Leite se retracte"

O ministro dos Assuntos Parlamentares afirmou esperar que Ferreira Leite se retracte da comparação que fez entre Portugal e a Grécia, e desafiou os candidatos à liderança do PSD a demarcarem-se da posição da sua ainda presidente.

Segundo Jorge Lacão, a líder social democrata, “perante uma instituição onde era prioritário defender o interesse nacional e assumir a credibilidade das posições portuguesas, o Governo verifica consternado que [Manuela Ferreira Leite] fez exatamente o contrário”.

Manuela Ferreira Leite, para Jorge Lacão, “comprometeu o interesse nacional sem cuidar da realidade dos factos e da objetividade das situações vividas no país” e “comprometeu mais uma vez a imagem do nosso país no exterior”.

“Aguardamos que a drª Manuela Ferreira Leite se retrate daquilo que consideramos ser uma atitude de grande irresponsabilidade em relação ao que deve ser a conduta de um líder político em defesa do essencial, que é o interesse do país”, disse.

O ministro dos Assuntos Parlamentares estendeu depois este mesmo desafio a todos os candidatos à liderança do PSD: Paulo Rangel, José Pedro Aguiar-Branco e Pedro Passos Coelho.

“Aguardamos que os candidatos à liderança do PSD se possam claramente demarcar das afirmações da deputada Manuela Ferreira Leite, porque acima das questões político partidárias deve prevalecer o sentido da defesa do interesse nacional. Em nome do interesse nacional, apelamos a que esse sentido de responsabilidade possa vir ao de cima”, acrescentou o membro do Governo.

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

Crónica: Por que migramos?

A referência bíblica a Babel (Gn. 11, 1-9) faz-nos saber peregrinos, estrangeiros, o Outro. Mas isto releva do espiritual. Se procurarmos resposta na história económica, as teorias clássicas tomam de Adam Smith (*1) o dilema "da riqueza e pobreza das nações", recorrente em David Landes (*2) e que remete para o factor religioso em economia, ou seja, para a tese de Max Weber (*3) sobre o Protestantismo e o capitalismo, para nos fazer compreender que há nações ricas e outras pobres, o que nos deixa perplexos – as nações ricas, os países desenvolvidos, como o Grão-Ducado, atraem a si mão-de-obra e recursos das nações mais pobres ou menos desenvolvidas, como Portugal.

Como se chega a este estado de coisas? Com o atraso económico português, cujas teses estão em articulação com as da decadência hispânica de Antero de Quental e Oliveira Martins, formuladas nos anos 1870. Antero (*4) refere-se aos factores religioso (transformação do Catolicismo, Concílio de Trento, Inquisição e acção da Companhia de Jesus), político (institucionalização do Absolutismo e monopólio da Coroa) e económico (manutenção do Império colonial marítimo), como principais causas da decadência. Jaime Reis (*5) explica o atraso económico português referindo-se à dependência externa, à especialização no sector agrícola, à importação de manufacturas britânicas, à estrutura fundiária (minifúndio vs latifúndio) e às estruturas mentais (aristocracia vs burguesia/elites empresariais; analfabetismo).

Convenhamos. A migração dá-se porque existe mercado, oportunidades, redes e enquadramento (ou vazio) legal. A oferta de emprego (salários) mantém-se relativamente baixa nos países desenvolvidos (ricos), mas comparativamente alta nos países não desenvolvidos (pobres). Deste modo, a mão-de-obra portuguesa procura trabalho nas economias mais desenvolvidas, com maior índice salarial, enquanto o capital financeiro procura investimentos em mercados e sectores produtivos, de melhor rentabilidade, fazendo deslocar as empresas. Em teoria, pressupõe-se o equilíbrio6, em termos do salário em ambos os mercados, mas na prática isto não se verifica, porque o trabalho indiferenciado, como acontece com muita da mão-de-obra imigrante portuguesa no Grão-Ducado, não produz mais-valias significativas e as diferenças entre as economias e os países aumentam, provocando maiores assimetrias, concentração de riqueza e desequilíbrios nas trocas comerciais, havendo países cada vez mais ricos e outros cada vez mais pobres, um aspecto que, com a construção da UE e a globalização, mais se evidência. No dizer de João César das Neves (*7), "as sociedades pobres não têm o desenvolvimento e pensam que ele é a solução, as sociedades ricas têm o desenvolvimento, mas sabem que ele não é a solução."

Pode-se especular em termos da Nova Economia e dos valores, interpretando o fenómeno migratório como crise e oportunidade de crescimento, uma escolha individual, das famílias, de certas comunidades, e políticas (segurança social, ensino, saúde) associadas à demografia, em termos da relação custo e benefício, porque migrar tem custos, com reflexos nos aspectos materiais da existência, mas também psicológicos (motivação e realização).

Os Portugueses migram para destinos (mercados), onde eles pensam que o seu trabalho seja mais produtivo, independentemente dos seus recursos e das suas qualificações.

No Grão-Ducado, a imigração "a salto" tem início em meados dos anos 1960, mas só a 20 de Maio de 1970 é que o Governo de Marcelo Caetano assina o acordo migratório e passados dois anos, a 11 de Abril de 1972, este é rectificado pelo Governo luxemburguês. Nesta perspectiva, procura-se maximizar as vantagens, através da receita, da poupança e do investimento, e minimizar os riscos e os problemas que representam a escolha de emigrar.

No mercado luxemburguês, os salários que se praticam na construção, nas limpezas e nos serviços HORECA (*8), não são elevados. Se os imigrantes portugueses conseguem fazer poupança, é porque trabalham mais horas e se desdobram em vários trabalhos, enquanto outros procuram rentabilizar a sua poupança através do investimento imobiliário, dos serviços financeiros, dos pequenos negócios ou expedientes.

Há outro aspecto importante – o número de filhos. Em termos da mentalidade camponesa, o número de filhos representa um investimento para trabalhar no campo e assegurar o amparo na velhice. Mas, no contexto da economia global, ter filhos deixa de ser um bem de investimento, pelo ónus financeiro que esta opção representa, atendendo à conjuntura de crise, ou recessão, e ao facto de poder haver trabalhos, mas não empregos, independentemente da formação (dos estudos), para se traduzir em um bem de consumo, mesmo sabendo que, até ver, as políticas da Segurança Social no Grão-Ducado garantem prestações elevadas.

Portanto, mais do que das crises económicas, dos ciclos e contra-ciclos, da conjuntura, a emigração portuguesa contemporânea é estrutural. Resulta de políticas que não valorizam os recursos humanos, não investem no desenvolvimento de produtos de valor acrescentado, nem na formação do espírito burguês empreendedor, o mesmo espírito que cria pequenas e médias empresas [PME’s] de reduzida sofisticação. Ela torna-se um desafio em busca de respostas, com sentido económico e existencial. E todos acabamos por entrar nesta barca vicentina (*9), que desta margem nos pode levar à Glória, passando primeiro pelo "vale da sombra e da morte" (Salmo 23, 4).
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*1 , Adam, 1979. The Wealth of Nations (17761), Harmondsworth: Penguin Books, 3 vols.
*2 Landes, David S., The Wealth and Poverty of Nations. Why some are so rich and some so poor. New York: Norton & Company.
*3 Weber, Max, 1996. A Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo (1904-19051), Lisboa: Presença.
*4 Quental, Antero de, 1982. Causas da decadência dos povos peninsulares (18711), Lisboa: Ulmeiro.
*5 Reis, Jaime, 1993. O Atraso Económico Português (1850-1930), Lisboa: IN-CM
*6 Ver: filme DVD "Uma mente brilhante" (2001) sobre John Forbes Nash,
*7 Neves, João César das, 2001. A Economia de Deus, Lisboa: Principia: 115
*8 HORECA: serviços nos sectores da hotelaria, restaurantes, cafetarias e catering.
*9 Alusão ao “Auto da Barca do Inferno” (1517), de Gil Vicente, referência pioneira do teatro ibérico.


António de Vasconcelos Nogueira
o autor tem um doutoramento em Filosofia e um pós-doutoramento em História Económica pela Universidade de Aveiro; é especializado na vertente de Estudos Judaicos, diáspora e migração portuguesa. (Rubrica quinzenal; próxima publicação: 3 de Março).

Catástrofe na Madeira é a pior dos últimos cem anos

O cenário é caótico. Aos 42 mortos confirmados, um dos quais inglês, há suspeitas de que haja mais vítimas nos parques de estacionamento dos centros comerciais. Há ainda 32 desaparecidos e 370 desalojados, segundo as estimativas oficiais. Cavaco Silva está hoje em visita oficial ao arquipélago. Esta é já considerada a maior catástrofe natural na região nos últimos 100 anos

Cenário lunar naquela que até há poucos dias era considerada a "Pérola do Atlântico" Foto: Lusa

O caos, a dor e a desolação tomaram conta da "pérola do Atlântico". A ilha das estrelicias, dos antúrios vermelhos, das bananeiras, do Lido, da marina com o famoso "bar dos Beatles", não passa agora de uma imensa pedreira, suja, lamacenta. Tragédia natural para uns, mão de Deus para outros, agora é hora de arregaçar as mangas e deitar mão a tudo o que ajude à limpeza da cidade. O Funchal foi a zona mais atingida pelo aluvião que se abateu no passado sábado sobre a Madeira. Apesar da tragédia, a mensagem oficial do Governo regional é só uma: não assustar o turismo. "A hotelaria da Madeira não foi afectada pelo temporal e mantém todas as condições de funcionamento com segurança. Os estabelecimentos hoteleiros, na sua generalidade, estão operacionais e segundo os contactos efectuados pelos nossos serviços, não foram reportadas dificuldades nem problemas a destacar", garante a secretária regional dos Transportes e Turismo, Conceição Estudante, citada pelo Público. O governo regional estima em cerca de 17 mil os turistas actualmente na Madeira. Alberto João Jardim considera mesmo que para os madeirenses e para a economia regional seria uma "calamidade decretar o estado de calamidade", avançando que quer "fazer já a Festa da Flor". Em entrevista à RTP, o presidente do Governo Regional da Madeira afirmou que "numa terra como esta seria uma calamidade decretar o estado de calamidade", lembrando que a Madeira vive do turismo. "Quero fazer já a Festa da Flor no mês de Abril", acrescentou o governante. "Eu não posso destruir um mercado que é a nossa sobrevivência", explicou ainda, por entender que declarar o estado de calamidade iria "afectar as pessoas da Madeira por via da sua economia ser afectada". Três dias depois do desastre natural, as equipas de socorro continuavam ontem as operações para retirar o entulho e água dos parques de estacionamento de três centros comerciais do Funchal, onde poderão estar mais vítimas do temporal O esvaziamento das caves que servem de parque de estacionamento dos centros comerciais Anadia, Oudinot e Dolce Vita é uma operação que envolve bombeiros, equipas cinotécnicas e de mergulhadores da Marinha. Os trabalhos de remoção de entulhos e pedras de estradas continuam também na baixa do Funchal e nos concelhos da Ribeira Brava e Ponta do Sol. As máquinas realizam trabalhos de recuperação de modo a repor a normalidade, designadamente no que diz respeito às acessibilidades na baixa da cidade do Funchal e no concelho da Ribeira Brava, onde persistem dificuldades de acesso aos sítios da Serra de Água, da Furna, da Murteira e do Pomar da Rocha. Por desvendar continua a existência ou não de cadáveres entre a lama e pedras que transbordaram das três ribeiras que percorrem a cidade do Funchal e no parque de estacionamento do Centro Comercial Anadia, perto do Mercado dos Lavradores, inundado pelas águas lamacentas do ribeirinho e da ribeira de Santa Luzia. "Em princípio há essa hipótese, mas até agora ainda ninguém disse ter o seu familiar ou conhecido nos parques de estacionamento. Neste momento, admito tudo", disse o Presidente do Governo Regional à RTP. A força das águas que sábado destruiu a ilha da Madeira, deixando centenas de pessoas desalojadas, poderá ter atirado pessoas "de diferentes pontos da ilha" para o mar. "Neste momento admito tudo", repetiu o responsável, apontando a hipótese de algumas pessoas terem sido "levadas nas enxurradas". "De uma maneira geral, foram arrastadas para o mar e será muito difícil resgatá-las", frisou.

NÚMERO DE VÍTIMAS

MORTAIS PODE AUMENTAR

Além das 32 pessoas desaparecidas e dos 42 mortos, o vice-presidente do Governo Regional da Madeira, Cunha e Silva, anunciou ainda que o temporal deixou 370 pessoas desalojadas. No entanto, Alberto João Jardim contestou o número, considerando que existem apenas "26 famílias desalojadas". "Houve pessoas que, por pânico legítimo ou outra razão, fugiram de casa. Algumas já regressaram e outras, por medo que a sua casa esteja em risco, não voltaram para lá. Mas, se for possível mandar [as pessoas] para as suas casas elas vão regressar", explicou o presidente regional, defendendo que "desalojados são aqueles que perderam as suas casas Durante a entrevista à RTP, Alberto João Jardim disse recear que ao número de vítimas mortais já confirmadas se possam vir a juntar os mais de 32 desaparecidos. "Nós estamos ainda a trabalhar em escombros. O meu receio é que os 30 desaparecidos se venham a transformar em vidas perdidas", disse o presidente do Governo Regional da Madeira. Na segunda-feira viveram-se outra vez momentos de pânico na ilha: no Funchal circulavam informações sobre uma iminente evacuação da população face a um agravamento das condições meteorológicas nos próximos dias. O boato foi prontamente desmentido pelas autoridades regionais. No sítio das Murteiras, na Ribeira Brava, 50 pessoas foram obrigadas a abandonar as suas residências devido à ameaça de um deslizamento de terras. Na Ponta do Sol, o presidente da Câmara mandou evacuar a zona mais baixa da localidade. Entretanto o presidente da Câmara da Ribeira Brava lançou um apelo para que os comerciantes reabrissem os seus estabelecimentos na baixa da Ribeira Brava. Só neste concelho foram realojadas 120 pessoas e no Funchal 250. As comunicações via telefone ou telemóvel continuam difíceis na ilha e o reabastecimento de água potável e da energia eléctrica também. Problemas que ainda afectam sobretudo parte do Curral das Freiras, da Ribeira Brava e a baixa do Funchal. O aeroporto da Madeira esteve encerrado no sábado praticamente todo o dia, mas agora está operacional. O Porto do Funchal também está operacional, e os transportes públicos na cidade do Funchal estão a ser restabelecidos progressivamente.