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sexta-feira, 8 de junho de 2012

Cesário quer reforçar laços entre Portugal e Comunidades

Foto: Gonçalo Guimarães Gomes
Na sua mensagem do 10 de Junho dirigida às comunidades portuguesas, o secretário de Estado das Comunidades, José Cesário, chama a si o objectivo de "reforçar os laços entre Portugal e os cidadãos residentes no estrangeiro".

Os eixos principais desse reforço estendem-se à qualidade do ensino da língua, a proximidade dos consulados face às populações e o fomento da participação cívica, social e política das Comunidades quer nos países de acolhimento, quer na vida interna de Portugal.

No plano educativo, "está a ser a levado a cabo um rigoroso programa de avaliação do respectivo sistema e de certificação dos cursos de Português," refere Cesário, que, no entanto, reconhece "ajustes importantes e períodos de adaptação, que só a prática tornará patentes".

sexta-feira, 30 de março de 2012

"Não pagamos!"

Foto: Marc Wilwert
A partir do próximo ano, os emigrantes portugueses vão ter de pagar uma propina de 120 euros por cada filho que frequente os cursos de Português no ensino paralelo. A medida anunciada pelo Governo português está a indignar o Sindicato de Professores no Estrangeiro, que apela ao boicote.

"Não pagamos!". O grito de protesto celebrizado nos anos 90 pelos estudantes universitários pode vir a servir de lema para uma nova luta anti-propinas.

Em causa está a introdução de propinas nos cursos de Português no estrangeiro. A partir do próximo ano, os emigrantes portugueses vão ter de pagar uma propina de 120 euros por cada filho que frequente os cursos de Português no ensino paralelo, leccionados fora do horário escolar. Aulas que até agora eram gratuitas, como prevê a Constituição Portuguesa, mas que vão passar a ser pagas, anunciou o secretário de Estado das Comunidades na terça-feira. A medida está a indignar o Sindicato de Professores no Estrangeiro, que quer que os pais boicotem o pagamento.

"É óbvio que estamos contra. E dizemos que não pagamos!", diz Carlos Pato, responsável pelo SPE. O sindicalista, que vive no Luxemburgo, garante que o sindicato vai fazer tudo para que a medida não vá para a frente.

"A nossa mensagem é solicitar aos pais, mães e encarregados de educação que inscrevam os filhos nos cursos. E depois o senhor secretário de Estado que venha às salas de aula pedir aos pais que têm dois e três filhos nos cursos o dinheiro, que é um enorme rombo no orçamento familiar", diz Carlos Pato.

Para o responsável do SPE, a introdução de propinas é injusta e constitui uma dupla cobrança. O Governo português paga o salário dos professores, mas as salas são cedidas gratuitamente.

"Os Governos estrangeiros cedem as salas, as fotocopiadoras e os computadores a custo zero. Então porque é que o senhor secretário de Estado vem tirar dinheiro aos bolsos dos emigrantes, que enviam milhões de euros para Portugal?", indigna-se. "Ainda por cima numa altura em que há uma nova vaga de emigração que está em situações de miséria. Isto é um enorme desprezo pelo esforço que cada português faz para sair do país e encontrar uma vida melhor, uma vida que o nosso país não lhes pode proporcionar. O senhor secretário de Estado sofre de miopia social".

A medida também é discriminatória, acusa Carlos Pato.

"Os alunos que andam no ensino integrado, porque a tutela tem medo de mexer nos acordos bilaterias, não vão pagar a famigerada propina. Vai haver pessoas da mesma família, primos ou até irmãos, em que um paga e outro não, porque não têm acesso ao ensino integrado".

No Luxemburgo, a medida afecta pelo menos 2.028 alunos, o número de inscritos este ano no ensino paralelo. Isentos ficam os alunos do ensino integrado, que são actualmente 2.184.

Texto: P.T.A.

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Educação: Portugal deve saber recuperar qualificados que saem do País, diz sociólogo António Barreto

O sociólogo António Barreto defende que Portugal não pode impedir os portugueses qualificados de sair do País, pelo que os deve deixar partir para aprenderem no estrangeiro e criar condições para o seu regresso.

“Não tenham medo de quem se vai embora. Tenham medo é de quem não volta. Não é preciso que Portugal impeça [os portugueses] de partir, não fixem raízes a ninguém, deixem as pessoas partir e ir aprender [lá fora] mas depois saibam ir recuperá-los e criar condições para eles voltarem”, afirmou António Barreto.

O comentador político falava por ocasião de um jantar-debate promovido pela Associação Portuguesa para o Desenvolvimento das Comunicações (APDC), que decorreu terça-feira à noite, em Lisboa.

Para Barreto, outra grande necessidade da sociedade actual é interromper a cultura do “segredo de Estado”. A informação, diz, é “a alma do negócio” e cabe aos sectores público e privado facilitar o acesso à informação.

“A informação é a alma do negócio. A partilha da informação é a alma do negócio. Quem pensa que o segredo ainda é a alma do negócio está muito enganado”, reiterou o comentador político. “Até com o analfabetismo estamos a acabar. Até com a tuberculose estamos a acabar. Por que é que não se acaba com o segredo de Estado?”, interrogou Barreto.

Para o sociólogo, os casos do TGV e do novo aeroporto são exemplos de como “o Estado é opaco”, uma vez que “se os estudos [destes projectos] tivessem sido conhecidos desde o início” não se tinha assistido a tantos reveses nas decisões políticas. António Barreto referia-se, nomeadamente, às várias localizações para o novo aeroporto de Lisboa.

O comentador defende ainda que “sem investimento, não há programa de resgate que valha” ao País, sublinhando que as políticas públicas devem concentrar esforços no conhecimento e na informação.

Para António Barreto, o investimento no computador Magalhães foi um “desígnio político” desnecessário, defendendo uma aposta nos conteúdos: “Não considero que investimento no Magalhães fosse necessário. Foi um desígnio político. Era mais importante a aposta nos conteúdos”, afirmou o comentador político.

Televisão pública deve elevar cultura de um povo


O sociólogo manifestou-se ainda “favorável à exigência de um serviço público de televisão” que contribua para “elevar a cultura do povo”.

António Barreto considerou que “a RTP podia ser uma joia na cultura portuguesa” mas, para isso, tem de “fazer o que os outros não fazem”.

Para o comentador político, o canal público de televisão não precisa de ter futebol, nem entretenimento, nem mesmo informação. A RTP deveria ser antes um espaço para a “alta cultura”.

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Luxemburgo: Feira do Estudante hoje e amanhã, na Luxexpo

A mobilidade dos estudantes é o tema da 24a Feira do Estudante, que decorre esta quinta e sexta-feira, dias 11 e 12 de Novembro, nos pavilhões da Luxexpo, no Kirchberg.

Organizada pelo Centro de Documentação e Informação sobre o Ensino Superior (Cedies), a Feira do Estudante acolhe anualmente cerca de oito mil visitantes luxemburgueses e estrangeiros à procura de informações sobre cursos e orientação profissional junto dos vários stands vindos de 18 países diferentes.

Na Luxexpo vão estar representadas universidades, altas escolas, ministérios, associações profissionais e empresas privadas, permitindo aos jovens informarem-se sobre as últimas evoluções do ensino superior na Europa e no mundo. O evento servirá também para apresentar o novo portal www.berufer.anelo.lu , na internet, dedicado às profissões. O site foi concebido pela Administração do Emprego (ADEM), pelo Cedies, pelo Centro Nacional de Psicologia e de Orientação Escolar (CPOS) e pelo Serviço Nacional da Juventude. A Feira vai contar ainda com animações, conferências, workshops e ateliês.

Foto: Gerry Huberty

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Cavaco Silva promulgou o novo Estatuto do Aluno

O Presidente da República já promulgou o Estatuto do Aluno, que acaba com as provas de recuperação e volta a distinguir faltas justificadas e injustificadas.

Contactada pela Lusa, fonte da assessoria de imprensa da Presidência da República confirmou que o diploma já foi promulgado.

A nova versão do Estatuto do Aluno foi aprovada no Parlamento em votação final global a 22 de julho, com os votos favoráveis de PS e CDS-PP.

PSD, PCP, Bloco de Esquerda e Os Verdes votaram contra.

Apesar de entre a aprovação do Parlamento e a promulgação do diploma ter apenas decorrido um mês, segundo as associações de diretores contactadas pela Lusa anteriormente, serão ainda necessários “um a dois meses” para adaptar os regulamentos internos ao novo Estatuto do Aluno.

O novo diploma acaba com as provas de recuperação, realizadas pelos alunos com excesso de faltas, independentemente da sua natureza, um mecanismo introduzido pelo anterior Governo com o apoio da então maioria socialista.

É recuperada a distinção entre faltas justificadas e injustificadas e são reduzidos os prazos dos procedimentos disciplinares, alterações propostas por todos os partidos, incluindo os que vão votar contra, e pelo próprio Governo, que também tinha apresentado propostas nesse sentido.

O Estatuto do Aluno determina ainda que o "incumprimento reiterado" do dever de assiduidade determina "a retenção" do aluno.

No 1º ciclo do ensino básico, o aluno não poderá dar mais de dez faltas injustificadas e nos restantes ciclos as ausências não podem exceder o dobro do número de tempos letivos semanais, por disciplina.

Quando atingido metade destes limites, os pais são convocados à escola para serem alertados para as consequências da violação do limite de faltas e para se procurar uma solução.

Caso tal não seja possível, a escola informa a comissão de proteção de crianças e jovens.

Com a ultrapassagem dos limites de faltas, é determinado ao aluno um plano individual de trabalho a realizar em período suplementar ao horário letivo.

Este plano "apenas poderá ocorrer uma única vez no decurso de cada ano letivo".

Entre as medidas corretivas, constam a advertência, a determinação de tarefas de integração escolar, o condicionamento de acesso a determinados espaços, sendo as três últimas da competência do diretor.

Poderá ocorrer ainda a expulsão da sala de aula, tendo o docente a possibilidade de marcar falta.

Das medidas disciplinares sancionatórias constam a repreensão registada, a suspensão por um dia, a suspensão até dez dias e a transferência de escola, sendo esta última determinada pelo diretor regional de educação.

O diretor da escola pode ainda decidir "sobre a reparação dos danos provocados pelo aluno no património escolar".

Pais e estudantes devem ainda, no momento da matrícula, conhecer o regulamento interno da escola e subscrever uma declação anual de aceitação, bem como de "compromisso ativo" quando ao seu cumprimento.

"Os pais e encarregados de educação são responsáveis pelos deveres de assiduidade e disciplina dos seus filhos e educandos", lê-se na nova redação do artigo 6, número 3.

"Os pais e encarregados de educação são responsáveis pelos deveres de assiduidade e disciplina dos seus filhos e educandos", lê-se na nova redação do artigo 6, número 3.

Os regulamentos internos das escolas podem prever prémios de mérito destinados a distinguir os alunos.

*** Este texto foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico ***

quinta-feira, 6 de maio de 2010

Luxemburgo: Um terço dos alunos portugueses reprova pelo menos uma vez

A educação e o sistema de ensino luxemburguês que muitos consideram inadaptado à população escolar do Grão-Ducado é a primeira de uma série de reportagens que o CONTACTO passa a publicar a partir desta semana sobre a comunidade portuguesa radicada no Luxemburgo e os principais problemas que a afectam.

A questão não é nova, faz talvez parte do conjunto de assuntos que se discutem, dos cafés aos gabinetes, por todos os que estão no Grão-Ducado.

Para procurar algumas respostas, o CONTACTO foi falar com os membros da comunidade portuguesa, com responsáveis por instituições que conhecem de perto a realidade social do país e com pessoas que aceitaram dar o seu testemunho, embora muitas vezes de forma anónima.

Os temas focados nos textos resultantes, que se vão dividir pelas próximas edições do CONTACTO, passaram pela educação (que constitui o tema da primeira reportagem), desemprego, formação profissional, toxicodependência, sida, criminalidade, prostituição, associativismo, diplomacia, integração e discriminação.

A partir de cada uma das entrevistas, procurou-se resumir a situação actual, com o natural enfoque sobre a população portuguesa, complementando com documentação relevante e recolhendo os testemunhos reais de quem vive os problemas de mais perto.

Algumas notas e números a reter sobre esta série de reportagens, de entre fontes oficiais e da recolha junto de quem conhece a realidade no terreno: mais de um terço dos alunos portugueses reprovam pelo menos uma vez na escola primária; no liceu clássico há apenas 6 % de portugueses; mais de um terço dos portugueses fazem parte do total dos desempregados; 56 % de portugueses encontram-se em risco de pobreza; os portugueses constituem 15 % do total dos sem abrigo do país e há pelo menos 200 pessoas em miséria extrema na comunidade; perto de 40 % dos toxicodependentes são portugueses ou têm origem portuguesa; 35 % dos infectados com sida são portugueses; cerca de 15 % do total de encarcerados são portugueses; Portugal está diplomaticamente representado por uma Embaixada, um Consulado e a comunidade mantem activas cerca de uma centena de associações.

Esta é parte de um retrato dos mais de 90 mil portugueses que constituem quase metade dos estrangeiros residentes e cerca de 18 % da população total do Luxemburgo.

Leia a primeira reportagem desta série, no jornal CONTACTO desta semana.

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quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

Luxemburgo: FAPEL organiza Fórum para pais de alunos sobre educação e formação, sexta e sábado

A Federação das Associações de Pais de Alunos da Escola Fundamental (pré-primária e primária) organiza uma conferência sobre a temática "Influência dos pais nos resultados de aprendizagem dos alunos".

A conferência tem lugar esta sexta-feira, 26 de Fevereiro, às 20h, no edifício Jean Monnet, no Kirchberg (rue Alcide de Gasperi, acesso pela rue Albert Wehrer), na capital. A entrada é gratuita, mas apenas possível sob apresentação de um documento de identificação.

O conferencista convidado, Charles Desforges, professor na Universidade Exeter, no Reino Unido, é um dos especialistas sobre a temática "a importância da cooperação da família e da escola e as suas consequências nas faculdades intelectuais do aluno". Com base nos seus resultados de investigação, Desforges forneceu recomendações ao governo inglês em matéria de ensino. Nesta conferência, Desforges vai abordar a influência da escola e dos pais sobre o desempenho das crianças, dos obstáculos às exigências e eventuais consequências. O aspecto essencial da responsabilidade dos pais é um dos pontos destacado pelo especialista. A conferência é proferida em inglês, com tradução simultânea em francês e luxemburguês.

No dia seguinte, sábado, decorre um fórum, entre as 9 e as 16h, na Ecole de Commerce et de Gestion (ECG), situada no n°21, rue Marguerite de Brabant, campus escolar Geeseknäppchen, em Merl, na capital.

Neste fórum, os pais interessados vão poder consultar ateliês e standes informativos e ter um contacto directo junto de responsáveis dos Ministérios da Família, da Educação e da Saúde. Os seminários organizados pelos ministérios vão abordar as diferentes etapas de desenvolvimento dos alunos, a exigência infantil nas estruturas de acompanhamento, as etapas do programa de estudos, bem como a sua saúde mental e física. Outros seminários, conduzidos por trabalhadores sociais, vão discutir os estímulos e apoios no acompanhamento dos alunos na sua aprendizagem escolar ou durante as fases difíceis como, por exemplo, a puberdade. No ateliê da FAPEL vai ser apresentada a estrutura das parcerias escolares, em especial as tarefas dos representantes de pais.

Os standes fornecem aconselhamento sobre a orientação escolar e profissional, entre outras informações úteis sobre as diferentes organizações que se dedicam às necessidades específicas das crianças e à protecção dos seus direitos.

O programa completo destes dois dias pode ser consultado no site da FAPEL ( www.fapel.lu ).

A conferência e o fórum são organizados com os patrocínios dos ministérios da Família, da Educação e da Saúde.

JLC
Foto: Anouk Antony

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

Luxemburgo: Fórum para pais de alunos sobre educação e formação, dias 26 e 27 de Fevereiro

A FAPEL-Federação da Associações do Pais de Alunos da Escola Fundamental (pré-primária e primária) organiza uma conferência sobre a temática: "Influência dos pais nos resultados de aprendizagem dos alunos".

A conferência tem lugar a 26 de Fevereiro (sexta-feira), às 20h, no edifício Jean Monnet, no Kirchberg (rue Alcide de Gasperi, acesso pela rue Albert Wehrer). A entrada é gratuita, mas apenas possível sob apresentação de um documento de ientificação.

O conferencista convidado, Charles Desforges, professor na Universidade Exeter, no Reino Unido, é um dos especialistas sobre a temática "a importância da cooperação da família e da escola e as suas consequências nas faculdades inteletuais do aluno". Com base nos seus resultados de investigação, Desforges forneceu recomendações ao governo inglês em matéria de ensino.

Nesta conferência, Desforges vai abordar a influência da escola e dos pais sobre o desempenho das crianças, desde os obstáculos às exigências e eventuais consequências. O aspecto essencial da responsabilidade dos pais é um dos pontos destacado pelo especialista. A conferência é proferida em inglês, com tradução simultânea em francês e luxemburguês.

No dia seguinte decorre um fórum, entre as 9 e as 16h, na Ecole de Commerce et de Gestion (ECG), situada no n°21, rue Marguerite de Brabant, campus escolar Geeseknäppchen, em Merl, na capital.

Neste fórum, os pais interessados vão poder consultar ateliês e standes informativos e ter um contacto directo junto de responsáveis dos ministérios da Família, da Educação e da Saúde.

Os seminários organizados pelos ministérios vão abordar as diferentes etapas de desenvolvimento dos alunos, a exigência infantil nas estruturas de acompanhamento, as etapas do programa de estudos, bem como a sua saúde mental e física. Outros seminários, conduzidos por trabalhadores sociais, vão falar dos estímulos e apoios no acompanhamento dos alunos na sua aprendizagem escolar ou durante as fases difíceis como, por exemplo, a puberdade.

No ateliê da FAPEL vai ser apresentada a estrutura das parcerias escolares e, em especial, as tarefas dos representantes de pais.

Os standes fornecem conselhos sobre a orientação escolar e profissional, entre outras informações úteis sobre as diferentes organizações que se dedicam às necessidades específicas das crianças e com a protecção dos seus direitos.

O programa completo destes dois dias pode ser consultado no site da FAPEL (www.FAPEL.lu).
Esta conferência e este fórum são organizados com os patrocínios dos ministérios da Família, da Educação e da Saúde.

JLC

sábado, 30 de janeiro de 2010

Portugal/Educação: Sócrates considera investimento nas escolas o melhor para combater a crise

O primeiro ministro, José Sócrates, afirmou hoje que "o melhor investimento" para combater a crise é aquele que o Governo está a fazer na requalificação das escolas, considerando a aposta na educação a melhor forma de "homenagear a República".

"Este investimento que estamos a fazer nas escolas é o melhor investimento que podemos fazer para combater a crise, para dar emprego, para dar oportunidades às empresas portuguesas e ao mesmo tempo investirmos naquele sector que é absolutamente fundamental para o sucesso económico do nosso país", disse José Sócrates na inauguração das instalações modernizadas da Escola Secundária Carolina Michäelis, no Porto.

O primeiro ministro garantiu que "uma nova escola é sempre um novo começo que significa um impulso para a construção de um Portugal melhor", apelidando de "ambicioso" o programa do Parque Escolar.

"A verdade e que este movimento de modernização das escolas tem apenas um objetivo: que nas nossas escolas coexista aquilo que é ambição de futuro com um espaço físico moderno", explicou, tendo acrescentado que o "país está muito necessitado de requalificação urbana".

Para José Sócrates, que hoje visitou também, no Porto, as obras de modernização em curso da Escola Secundária Filipa de Vilhena, apesar de todas as divergências em várias áreas, há um ponto em que o consenso é atingido: "o sucesso económico do nosso país depende do investimento que fizermos na área do conhecimento, da educação, da ciência e das qualificações".

"A melhor forma de combater a crise é fazermos deste programa um dos programas mais ambiciosos de investimento", enfatizou o primeiro ministro, garantindo que o Governo está a fazer "o mais sério investimento na requalificação do parque escolar, em prol do combate à crise mas também da construção de um país melhor".

Na véspera do arranque oficial das comemorações do centenário da República - que acontece domingo, no Porto - Sócrates considerou que não se poderia "homenagear de forma melhor a República do que investir na escola pública portuguesa".

"Este investimento se aposta no futuro, a verdade também é que honra o passado", disse, acrescentando que "ao escolher um investimento que pudesse simbolizar a República seria, sem dúvida, a educação e requalificação das escolas".

Na cerimónia de inauguração das novas instalações da Escola Secundária Carolina Michäelis estiveram ainda presentes o secretário de Estado da Educação, João Mata, a governadora civil do Porto, Isabel Santos, e o presidente da autarquia portuense, Rui Rio.

O Governo arranca em maio uma "nova fase" do Parque Escolar, etapa que envolve um investimento "superior a dois mil milhões de euros" e levará à "criação" de trinta mil postos de trabalho, disse o secretário de Estado da Educação, João Trocado da Mata.

"Estão concluídas ou em fase de conclusão cerca de cem escolas secundárias e está já uma nova fase [do programa Parque Escolar] em preparação. A partir de maio, mais cem escolas vão iniciar obra. No global, estamos a falar de um investimento superior a dois mil milhões de euros", frisou João Trocado da Mata à agência Lusa.

A Parque Escolar é a empresa responsável pela concretização do Programa de Modernização das Escolas do Ensino Secundário, que se desenvolve em várias fases e tem como objetivo a intervenção em 330 escolas até ao ano 2015, de acordo com o site da empresa.

*** Este texto foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico ***

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Comunidades: Deputado PS pede atenção parlamentar para abandono escolar de alunos portugueses no Luxemburgo

O deputado socialista Paulo Pisco alertou hoje para a necessidade de os parlamentos de Portugal e do Luxemburgo trabalharem em conjunto contra o elevado abandono escolar que afecta os alunos portugueses naquele país.

Para o deputado eleito pelo círculo emigração da Europa, deve haver "um trabalho conjunto, global, entre deputados, entre as diversas instituições dos dois países para promover a integração" dos alunos portugueses.

A integração "passa pelo ensino e por uma atenção maior daquilo que se passa na comunidade portuguesa, na medida em que o abandono escolar é relativamente elevado", referiu Paulo Pisco, no final de uma reunião hoje na Assembleia da República com uma comitiva parlamentares do Luxemburgo, que inclui o presidente da Câmara dos Deputados,Laurent Mosar.

De acordo com um estudo do Ministério da Educação luxemburguês, os alunos portugueses, que representam 19,1 por cento da população estudantil, são os que apresentam a maior taxa de abandono escolar entre os estrangeiros: 23,5 por cento do total de estudantes que abandonam a escola.

"É necessário ir ao encontro das causas que levam a este abandono escolar através de organismos especializados", indicou o parlamentar, no fim da reunião que abordou também o desemprego na comunidade portuguesa naquele país.

"Há questões relacionadas com a formação que são fundamentais para evitar um nível tão grande de desemprego entre a comunidade portuguesa" no Luxemburgo, declarou Pisco.

Segundo os últimos dados oficiais, no grão-ducado vivem 80.951 portugueses (16 por cento da população total do Luxemburgo), 3.700 dos quais estão desempregados, representando cerca de 32 por cento do total de desempregados do país.

O problema é agravado de muitos portugueses no desemprego não terem acesso aos cursos de formação ou reinserção profissional, principalmente por dificuldades com a língua.

"Tratando-se de dois domínios de integração, por um lado a educação e de outro a formação, eu pedi maior atenção para importância da Confederação das Comunidades Portuguesas no Luxemburgo e o seu trabalho para a integração da comunidade portuguesa, como também da comunidade lusófona, já que há 10 mil cabo-verdiano e 5 mil brasileiros no Luxemburgo", afirmou Paulo Pisco.

Segundo o deputado, a CCPL precisa "ter um apoio continuado e mais substância para dar continuidade aos seus projectos no âmbito da integração, social, cultural, educacional".

Pisco disse ainda que a delegação luxemburguesa irá levar os temas discutidos aos órgãos competentes do país.

Além de Laurent Mosar, a comitiva parlamentar luxemburguesa é também integrada pela vice-presidente da Câmara dos Deputados, Lydia Mutsch, e pelos líderes parlamentares do Partido Liberal, Xavier Bettel, dos Verdes, François Bausch, e pelo dos Socialistas, Lucien Lux.

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

Luxemburgo: Professores da Escola Fundamental em pânico com nova avaliação

Três meses depois da entrada em vigor da reforma do ensino primário, eis que chega a altura de os alunos receberem o seu primeiro balanço escolar. Este novo instrumento de avaliação resulta da introdução do novo modelo de Escola Fundamental que entrou em vigor no inicio deste ano lectivo.

Para o professor poder avaliar os progressos do aluno, o Ensino Fundamental está organizado em função do trimestre e não do fim do ano e baseia-se sobretudo no desenvolvimento de competências. Os alunos são avaliados em disciplinas como alemão, francês, luxemburguês, matemática, ciências, expressão corporal, psicomotricidade, desporto e saúde, e para cada uma dessas disciplinas estão definidos objectivos que cada aluno deverá atingir ao longo de dois anos, ou seja, ao longo de um ciclo.

Espera-se que no final desse ciclo o aluno tenha desenvolvido um conjunto de "competências específicas" de cada uma das disciplinas. Paralelamente, os pais recebem ainda informação sobre as "competências transversais" dos seus filhos adquiridas ao longo desse tempo. Estas competências transversais mostram, entre outros aspectos, a atitude do aluno perante o trabalho, a sua motivação, o respeito pelos outros ou o cuidado na apresentação dos trabalhos.

As técnicas para avaliar estas competências podem ser desde trabalhos realizados na sala de aula a testes de papel e lápis, a análise de trabalhos realizados, passando pela observação do aluno nas diferentes actividades de aprendizagem, mas pode ainda compreender outro tipo de informação que o professor achar pertinente.

Num primeiro balanço da aplicação da nova Escola Fundamental, a ministra reconhece que "há sinais de pânico entre os professores", mas que não está "muito preocupada".

Mady Delvaux-Stehres garante que tem em consideração as queixas dos professores, mas que "Roma e Pavia não se fizeram num dia" e que "há que dar tempo a que os professores se familiarizem com o novo sistema".

A Escola Fundamental revolucionou por completo o sistema de ensino do Luxemburgo cuja regulamentação datava de uma lei de 1912. "Não queremos construir um novo edifício, mas antes reorganizá-lo de forma a estimular as capacidades dos alunos", garante a ministra.

As avaliações intercalares não são portanto, continua a ministra, "um fim em si mesmo, mas um meio para melhor apoiar o desenvolvimento da criança." E a ministra aproveita para recordar as mudanças: "Antes desta reforma, os professores concentravam-se sobretudo no conteúdo do currículo, através da partilha do conhecimento, ao longo do ano; agora, mesmo que haja um programa formal que deve ser respeitado, o professor tem que ter em consideração, sobretudo, a evolução das competências da criança. As necessidades individuais também são estimuladas. Cada criança deve realizar um conjunto mínimo de competências estabelecidas pelo currículo. As crianças que já atingiram esse objectivo são incentivados a chegar a um nível mais avançado".

Com a introdução do novo modelo escolar, também foi revisto o tradicional boletim formulado a partir da média das notas. O sistema antigo não revelava o progresso ou a regressão de uma criança. Contudo, afirma a ministra, "o sistema de pontos e de médias continua a ser um instrumento interessante para seleccionar os alunos nos graus mais elevados do ensino e por isso não o vamos abolir até ao final dos estudos do secundário (bac)", garante a ministra.

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Luxemburgo: Uso do telemóvel na escola pode levar a confiscação até um ano

O uso do telemóvel durante as aulas é proibido nas escolas luxemburguesas, de acordo com uma directiva do Ministério da Educação, mas as sanções variam de escola para escola, podendo ir até à confiscação do telemóvel durante um ano.

Há dois anos, a ministra da Educação, Mady Delvaux-Stehres, enviou uma circular para todas as escolas luxemburguesas, informando da proibição do uso do telemóvel durante as aulas, quer para telefonar ou para enviar uma mensagem escrita. A maior parte dos estabelecimentos escolares integrou a medida no regulamento interno. Contudo, os castigos aplicados aos alunos que não respeitam estas regras variam de escola para escola.

O liceu clássico Athénée, o liceu técnico de Bonnevoie e o liceu técnico Emile Metz são estabelecimentos de ensino que proíbem o uso de telemóveis nas salas de aulas. Mas quando chega o momento de punir os infractores, o método difere.

Para Claude Heiser, director adjunto do liceu Athénée, os alunos podem utilizar o telemóvel como entenderem fora das aulas, mas se arriscarem fazê-lo durante estas, o aparelho é confiscado e fica na posse da escola durante todo o trimestre.

O director do liceu técnico de Bonnevoie, Jean-Marie Wirtgen, afirma que em média são confiscados cinco telemóveis por semana. Um recorde para este liceu de 1.700 alunos, que retira os telemóveis aos infractores durante uma semana.

O mesmo não acontece no liceu técnico Emile Metz, onde depois do arranque do ano escolar nenhum telemóvel foi confiscado. Neste estabelecimento, o castigo é ligeiramente mais severo. O director, Armand Lengler, explica quais as medidas implementadas: "Se um aluno infringir o regulamento, o telemóvel é confiscado durante todo o trimestre. No caso dos reincidentes, o telemóvel fica em poder da escola durante todo o ano lectivo e será entregue no final do ano escolar, unicamente aos pais do aluno".

O director recorda que os alunos que fiquem sem telemóvel podem telefonar gratuitamente para os familiares em caso de urgência.

Para acabar com os problemas ligados ao uso do telemóvel nas escolas, os vizinhos franceses consideram a hipótese de criar uma lei que proíba a utilização do telemóvel na escola e sobretudo na sala de aulas.

Aneli Silva

terça-feira, 3 de novembro de 2009

Portugal/Novo Governo: Consolidar, desenvolver e reforçar são as palavras de ordem na Educação

Depois de quatro anos e meio de mudanças estruturais no sector da Educação, o programa do Governo para a próxima legislatura aponta para a consolidação, reforço e desenvolvimento das alterações introduzidas por Maria de Lurdes Rodrigues.

Segundo o documento entregue segunda-feira no Parlamento, a ministra Isabel Alçada deverá ter um mandato de consolidação das mudanças e de desenvolvimento das "linhas de evolução e progresso" do sistema educativo.

A única excepção deverá prender-se com o Estatuto da Carreira Docente (ECD) e a avaliação dos professores, diplomas contestados por esta classe e que os partidos da oposição, agora com maioria parlamentar, prometeram alterar durante a campanha eleitoral.

No entanto, no que diz respeito a estes dois assuntos, o programa do Governo reafirma apenas a necessidade de "acompanhar e avaliar" a aplicação do ECD, no quadro de processos negociais com os sindicatos, e de "acompanhar e monitorizar" o segundo ciclo avaliativo, de forma a "garantir o futuro de uma avaliação efectiva, que produza consequências (...)".

O novo Governo tem ainda a intenção de realizar programas de formação dos directores das escolas e dos professores avaliadores.

Criar 40 mil vagas para professores no ensino secundário até 2013

No âmbito do alargamento da escolaridade obrigatória para 12 anos, o Executivo prevê a criação de 40 mil vagas adicionais no ensino secundário até 2013, o que implica o reforço das instalações, equipamentos e recursos docentes das escolas.

O Governo pretende ainda concretizar a universalização da frequência do pré-escolar para as crianças de cinco anos, concluindo a construção de jardins de infância nas áreas metropolitanas de Lisboa e Porto, e reforçar a capacidade da rede pública para crianças de três e quatro anos.

No que toca à educação e formação de jovens e adultos inseridos no mercado de trabalho, será reforçada a iniciativa Novas Oportunidades, desenvolvido um programa de formação para empresários e promovida a educação à distância.

Em relação às aprendizagens dos alunos, o documento aponta para a necessidade de garantir maior coerência e articulação entre os ciclos de estudos e a introdução de melhorias e aperfeiçoamentos na organização dos currículos.

Programas como o Plano de Acção para a Matemática, Plano Nacional de Leitura e a formação para o ensino de português, matemática e ciências experimentais são "processos a consolidar e desenvolver".

Nesta legislatura, o Governo pretende ainda adequar programas, manuais e materiais pedagógicos ao novo Acordo Ortográfico.

No funcionamento das escolas básicas e secundárias, pretende-se criar condições para que estas passem a funcionar em regime normal e de turno único, tal como já acontece no 1º ciclo.

Os programas de modernização do parque escolar e o apetrechamento tecnológico dos estabelecimentos de ensino são para prosseguir, enquanto o novo regime de administração escolar vai ser avaliado.

O desenvolvimento da autonomia das escolas e o prosseguimento da descentralização de competências para as autarquias, "com o objectivo de envolver todos os municípios", são outras prioridades.

O Governo quer ainda reforçar a autoridade dos professores bem como as competências e o poder de decisão dos directores na imposição da disciplina, na gestão e resolução de conflitos e na garantia de ambientes de segurança.

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Luxemburgo: Parlamento faz primeiro balanço da reforma do ensino fundamental

Seis semanas depois do regresso às aulas, o Partido Democrático (DP) luxemburguês fez quinta-feira à tarde um balanço positivo no Parlamento da reforma do ensino fundamental, que engloba a pré-primária e a primária. As únicas críticas foram apontadas à falta de informação e de preparação dos professores e ao novo sistema de avaliação, que o DP considera ter sido introduzido demasiado rapidamente.

As bancadas parlamentares cristã-social (CSV), socialista (LSAP) e verde ("Déi Gréng") concordaram que falta rever alguns elementos, como a falta de professores em certas escolas, mas reafirmaram que a presente reforma não deve ser posta em causa e que a sua introdução neste ano lectivo foi um sucesso. O ADR (Partido Alternativo Reformador Democrático) foi o único a lamentar o desaparecimento do Boletim de Notas.

A ministra da Educação, Mady Delvaux-Stehres, voltou a explicar os objectivos do ensino fundamental e o do novo sistema que valoriza as competências do aluno.

A ministra revelou que foram 15.043 os docentes que participaram durante as férias escolares nas formações de preparação ao novo sistema de ensino e que entretanto quatro mil outros também já se inscreveram. A ministra reafirmou que o problema da falta de professores está a ser tratado com prioridade. Um balanço mais promenorizado está previsto em 2012, anunciou ainda a ministra.

Maioria esmagadora chumba moção do ADR contra o eléctrico


O ADR (Partido Alternativo Reformador Democrático) voltou a criticar o projecto do eléctrico. O partido, que tem desde sempre preconizado a criação de um metro para a cidade do Luxemburgo, apresentou ontem uma moção para pedir uma moratória que avaliasse o custo final da obra. Todos os outros partidos votaram contra.

JLC
Foto: Serge Waldbillig

sábado, 17 de outubro de 2009

Governo luxemburguês lança novo manual para crianças surfarem em segurança na internet

Os ministérios luxemburgueses da Educação e da Economia elaboraram recentemente um manual para os professores que trabalham com os grandes utilizadores da internet e do telemóvel – os alunos. O guia, designado "Guide de la sécurité de l'information à l'école et à la maison" (Guia de segurança de informação na escola e em casa), é um manual diferente dos outros.

Actualmente, o mundo virtual não tem mais segredos para as crianças e muito menos a utilização de instrumentos como a internet. Numa altura em que é necessário impedir a utilização do telemóvel na sala de aula tanto do lado dos professores como dos alunos, recordar algumas regras em matéria virtual parece bastante útil.

"A utilização do computador e da internet faz parte integrante da vida diária das crianças", declarou o ministro da Economia, Jeannot Krecké, durante a conferência de imprensa na qual apresentava este novo manual que servirá de base de apoio aos professores na sala de aula. "É importante formar os alunos relativamente aos riscos ligados à utilização destes instrumentos numéricos e fornecer-lhes ao mesmo tempo os reflexos de segurança necessários que se apresentam como pano de fundo", disse.

Mady Delvaux-Stehres, ministra da Educação, apoiou as declarações de Krecké sublinhando que "a escola tem uma importante missão de educação nesta matéria".

Desde 2007, foram organizados cursos nas escolas para sensibilizar os alunos na utilização de instrumentos numéricos, mas com o aparecimento deste manual, os professores vão poder seguir um verdadeiro programa e sobretudo comunicar com os pais, que irão por sua vez ter um eco daquilo que está a ser feito na aula.

"Este guia está à disposição dos professores para os ajudar na concepção das aulas ligadas a temas associados à segurança de informação", continua a ministra da Educação, acrescentando que este “foi concebido para permitir aos alunos a aquisição de competências necessárias no domínio da segurança de informação que lhe são actualmente indispensáveis para usar a internet”.

Cinco Objectivos
O guia tem por principais objectivos:
– permitir aos alunos compreender as características e as funções simples da internet;
– saber observar as regras de conduta social na web;
– saber manipular o instrumento numérico com prudência e discernimento;
– saber detectar os riscos e reagir de maneira adequada;
– conhecer e adoptar os princípios simples de segurança da informação.

Os termos técnicos complicados não deverão doravante ser secretos para os alunos, protegendo-os desta forma dos perigos do virtual: “Os jovens devem saber usar com habilidade e de forma sã as tecnologias numéricas”, concluiu Mady Delvaux-Stehres.

O livro pode ser encomendado gratuitamente através do site do CASES que será apresentado na Feira de Outono (de 17 a 25 de Outubro, na Luxexpo, em Kirchberg).

As sugestões e comentários podem ser enviados para o portal www.cases.lu , na internet.

Texto: Cristina Campos /Foto: Jochen Kutler

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Luxemburgo: Como funciona o novo sistema de avaliação na Escola Fundamental?


A ministra da Educação luxemburguesa, Mady Delvaux-Stehres, apresentou recentemente o novo sistema de avaliação na Escola Fundamental (anteriormente denominada "ensino pré-primário" e "primário"). A questão pertinente para os pais é de saber como é que o aluno vai ser avaliado e quais são os resultados práticos desta mudança.

O Governo garante que este novo sistema coloca a tónica na avaliação das competências do aluno, em vez da avaliação do desempenho, típica do sistema de ensino anterior caracterizado pela atribuição de notas a partir de uma média nos testes e pelo conhecido boletim trimestral.

"Um dos principais objectivos da nova abordagem de avaliação é motivar o aluno para trabalhar e esforçar-se. Por isso, é preciso criar instrumentos de avaliação que dêem uma imagem mais clara do que o aluno realmente sabe fazer e dos progressos que fez ao longo do ciclo de aprendizagem", sublinhou na altura Mady Delvaux-Stehres, a ministra da Educação Nacional.

Avaliação das competências

Para o professor poder avaliar os progressos do aluno, o Ensino Fundamental está organizado em função do trimestre e não do fim do ano e baseia-se sobretudo no desenvolvimento de competências.

A partir de agora, os alunos são avaliados em disciplinas como alemão, francês, luxemburguês, matemática, ciências, expressão corporal, psicomotricidade, desporto e saúde, e para cada uma dessas disciplinas estão definidos objectivos que cada aluno deverá atingir ao longo de dois anos, ou seja, ao longo de um ciclo. Espera-se que no final desse ciclo, o aluno tenha desenvolvido um conjunto de "competências específicas" de cada uma das disciplinas.

Paralelamente, os pais recebem ainda informação sobre as "competências transversais" dos seus filhos adquiridas ao longo desse tempo. Estas competências transversais mostram, entre outros aspectos, a atitude do aluno perante o trabalho, a sua motivação, o respeito pelos outros ou o cuidado na apresentação dos trabalhos.

As técnicas de avaliação para avaliar estas competências podem ser desde trabalhos realizados na sala de aula a testes de papel e lápis, a análise de trabalhos realizados, passando pela observação do aluno nas diferentes actividades de aprendizagem, mas pode ainda compreender outro tipo de informação que o professor achar pertinente.

O balanço das aprendizagens

Os pais ou os encarregados de educação são informados regularmente (trimestralmente e no final de cada ciclo) sobre as aprendizagens dos seus filhos. Esta informação é fornecida com a ajuda de dois instrumentos utilizados em dois momentos do ciclo:
– O balanço intermédio ("bilan intermédiaire") do desenvolvimento das competências do aluno, estabelecido trimestralmente
– O balanço de fim de ciclo ("bilan de fin de cycle"), definido no final de cada ciclo.

"Os balanços são instrumentos que devem motivar os alunos, não o contrário", defendeu a ministra. A responsável pela pasta pela Educação defende que este tipo de avaliação tem uma função positiva, no sentido que estabelece desde muito cedo um contacto mais próximo entre a equipa pedagógica e a família, o que pode ajudar a melhorar ou resolver certos problemas que sujam com uma criança.

De referir que nestes balanços não são atribuídas classificações: baseiam-se em níveis de competências que o aluno deverá desenvolver durante o ciclo e que estão definidas no plano de estudos.

O sistema anteriormente em vigor era baseado na avaliação do desempenho do aluno que se traduzia na atribuição de uma classificação (uma nota). Ora esta classificação era baseada a maior parte das vezes no cálculo da média das classificações obtidas nos testes.

De acordo com o novo sistema de avaliação, as notas do boletim trimestral não informam sobre a progressão do aluno. Um aluno que obteve, por exemplo, 50 pontos no primeiro trabalho, 30 no segundo e 10 no terceiro, tem uma média trimestral de 30 pontos. Ora, um outro aluno que obteve primeiro 10, depois 30 e em seguida 50 pontos tem exactamente a mesma média no boletim. A mesma nota final não significou, no entanto, a mesma progressão.

Pelo contrário, os balanços intermédios propostos agora por este sistema de avaliação pretendem mostrar, para cada competência definida, a progressão do aluno de um trimestre para outro. No final de cada trimestre, o professor deverá comparar o nível de competências efectivamente atingido pelo aluno com os objectivos do nível de competências. Desta forma, os pais do aluno poderão saber se o aluno deverá ainda desenvolver esforços para atingir o nível de competências, se já o atingiu ou se progrediu de forma excepcional.

Estes balanços são entregues aos pais no decorrer de uma reunião individual com o professor. Nessa reunião, o professor deverá explicar aos pais onde se situam as competências dos filhos em relação ao nível de competências previsto para o seu ciclo de ensino.

Neste ano lectivo, entraram em vigor os balanços intermédios nos ciclos 1 e 2. No ciclo 2, estes balanços substituem o boletim tradicional. Nos ciclos 3 e 4, mantem-se o boletim tradicional em 2009-2010. O balanço intermédio será introduzido em 2010-2011 no ciclo 3 e em 2011-2012 no ciclo 4.

O balanço de fim de ciclo será utilizado já neste ano lectivo para os quatro ciclos da escola fundamental.

Texto: Cristina Campos
Foto: Guy Jallay

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

Luxemburgo: "Política da educação é desastrosa", diz sindicato dos professores da OGB-L

"A política de recrutamento de professores levada a cabo pelo Ministério da Educação luxemburguês é desastrosa", considerou ontem Monique Adam, a presidente do SEW, o sindicato dos docentes, pertencente à central sindical de esquerda OGBL.

Segundo a mesma, "o número de novos professores não é suficiente para o número de alunos que não pára de crescer" em cada ano lectivo. Além disso, "são cerca de 150 os professores que partem para a reforma" todos os anos. E a substituição não está garantida, já que "30% dos candidatos à docência chumbam anualmente no concurso de entrada", recordou Monique Adam, em conferência de imprensa.

O SEW diz igualmente suspeitar que a política do Ministério da Educação é "propositadamente orquestrada" por forma a contratar não professores mas "chargés de cours" ("encarregados de aulas", algo como "professores-assistentes"), que custam mais barato ao Governo.

Sindicato preocupado com reforma do ensino secundário

O sindicato diz ainda estar preocupado com a anunciada reforma do ensino secundário, prevista para esta legislatura, que preconiza privilegiar as competências e as línguas de preferência do aluno em detrimento das disciplinas em que este é mais fraco. O SEW diz temer que muitos alunos luxemburgueses prefiram, "por facilidade", a língua alemã, o que lhes vai posteriormente "dificultar a entrada no mundo do trabalho", no Luxemburgo.

O ensino pré-primário e primário foi reformado em Janeiro e o denominado "ensino fundamental" que põe em relevo as competências dos alunos, entrou em vigor neste ano lectivo.

Foto: Marc Wilwert

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Luxemburgo: "Escola para pais" propõe aulas sobre a educação das crianças

A Escola para pais "Eltereschoul Janusz Korczak", situada em Soleuvre, ao lado de Esch-sur-Alzette, oferece um vasto programa de actividades para o período compreendido entre Setembro de 2009 a Fevereiro de 2010, entre os quais um conjunto de aulas e seminários nocturnos sobre a educação e o desenvolvimento da criança e a vida familiar.

Esta Escola de pais tem por objectivo ajudar os pais na educação dos filhos através de um quadro de intercâmbio interactivo acerca de tudo o que é a educação, relacionamento e a família. Este estabelecimento preconiza uma educação sem violência e respeito pela Convenção dos Direitos da Criança e promove uma relação positiva entre pais e filhos por forma a que os direitos de cada parte sejam preservados.

Este mês arrancam os cursos "Triplo P", "Pais fortes fortes – Crianças fortes" e "Educar uma criança com mais confiança". Este último curso é composto por quatro módulos e visa apoiar os pais na educação diária dos filhos. O curso será ministrado em língua francesa, em Esch/Alzette, e em luxemburguês, na cidade do Luxemburgo. Serão admitidos os pais que efectuarem a inscrição e respectivo pagamento. O curso ajuda os progenitores a transmitir valores aos filhos, ao mesmo tempo que os ajuda a distinguir e perceber quais as necessidades das crianças e quais as necessidades do pai e da mãe.

Deste novo programa de actividades destaca-se a tradicional "Jornada dos pais", que este ano vai ter lugar a 24 de Outubro, no "Forum Geesseknäppchen" em Merl, na capital, entre as 9h30 e as 12h. "As discussões entre irmãos e irmãs: um drama ou uma oportunidade?" foi o tema escolhido para o debate deste ano.

Presente no mesa de oradores, e entre outros convidados, vai estar a psicóloga e psicoterapeuta Edith Tilmas. Ainda, no mesmo dia, entre as 14h e as 17h, vai realizar-se uma oficina sobre o tema: "Mãe, eu quero um irmão!" No capítulo das noites temáticas – são 40 ao todo – , a "Escola de Pais" coloca, este ano, em evidência a problemática "Crianças e jovens no mundo virtual".

A noite temática insere-se nas comemorações do 20° aniversário da Declaração dos Direitos das Crianças. O evento está marcado para 18 de Novembro, em Soleuvre, a partir das 19h30.

O programa pormenorizado da "Escola de Pais" está disponível para consulta no portal www.kannerschlass.lu/eltereschoul/index.html , na internet.

A "Escola de Pais Janusz Korczak" faz parte da associação Kannerschlass.

Aneli Silva

terça-feira, 15 de setembro de 2009

Luxemburgo: O que muda no ensino pré-escolar e primário a partir de hoje


Hoje, terça-feira, 15 de Setembro, dia de regresso às aulas no Luxemburgo, entra em vigor a reforma do ensino pré-escolar e primário, designada por "escola fundamental", que reorganiza os nove primeiros anos de escolaridade dos alunos. Os nove anos correspondem a: os actuais dois anos do ensino pré-escolar ("Spillschoul") e aos seis anos de escolaridade primária, sendo que o ano restante equivale ao ensino precoce (um ano antes da "Spillschoul") e que é facultativo.

A escola fundamental "vem reformar uma lei que vigorou quase um século (datada de 10 de Agosto de 1912) relativa ao ensino primário e que era urgente alterar", recordou a ministra da Educação, Mady Delvaux-Stehres, aquando da aprovação da lei a 21 de Janeiro deste ano no Parlamento.

A partir deste regresso às aulas, todos os estabelecimentos de ensino pré-escolar e primário do Grão-Ducado ficam organizados em quatro "ciclos" de aprendizagem que substituem a organização tradicional em "anos lectivos".

Os ciclos 2, 3 e 4 correspondem ao ensino primário (da 1a à 6a classe) e têm cada um uma duração de dois anos. Por sua vez, o ciclo 1 equivale à "Spillschoul" (pré-escolar).

Os professores de cada ciclo irão trabalhar e colaborar no seio de equipas pedagógicas, que por sua vez, em caso de necessidade, serão ajudadas por uma equipa multi-profissional composta por especialistas (por exemplo, terapeutas em psicomotricidade, psicólogos, educadores) que irão auxiliar os alunos em dificuldade.

NÍVEIS DE COMPETÊNCIAS

Todas as escolas fundamentais (primárias) serão incentivadas a trabalhar com base num nível de competências elaborado para os quatro ciclos de aprendizagem. Pretende-se que as aprendizagens deixem de ser encaradas como uma simples reprodução de saberes, como no sistema de ensino anterior, passando a implicar também a aplicação concreta desses saberes.

Neste ano lectivo 2009/2010, vão ser introduzidas novas formas de avaliação para os ciclos 1 e 2.

Um balanço de fim de ciclo informará, todos os anos, sobre o grau de desenvolvimento das competências visadas pelos níveis. À semelhança do passado, um documento de balanço intermediário será estabelecido no final de cada semestre. Trata-se de um modelo adaptado do actual Boletim de Notas.

Para os ciclos 3 e 4 (antigas 3a, 4a, 5a e 6a classes), o tradicional boletim vai manter-se. Todavia, os alunos vão igualmente receber um balanço de final de ciclo.

Outra novidade da reforma escolar prende-se com a nomeação dos professores que deixam de ser designados pelos municípios (comunas), sendo, a partir deste ano lectivo de 2009/2010, o próprio Estado a fazê-lo. O Estado pretende, assim, tornar as nomeações mais justas e equitativas, e melhor adaptadas.

As alterações no plano pedagógico e organizacional têm por objectivo "formar o melhor possível os alunos", declarava a ministra da Educação, Mady Delvaux-Stehres, aquando do debate para a aprovação da nova legislação em Janeiro.

"Os primeiros anos de formação são os mais importantes, fornecem a motivação necessária e decidem se as crianças terão sucesso na vida", rematou.

Texto: Nuno Costa/ Foto: Marc Wilwert

quarta-feira, 29 de julho de 2009

Portugal/Educação: Docentes portugueses no estrangeiro continuam sem aumentos salariais prometidos pelo Governo

O secretário-geral da Fenprof, Mário Nogueira, conversa com membros de uma delegação do Sindicato dos Professores no Estrangeiro (SPE), que se deslocou terça-feira à residência oficial do primeiro-ministro, em Lisboa, na sequência da luta pela actualização salarial dos professores portugueses que trabalham junto das nossas comunidades no estrangeiro
Foto: Lusa



Os professores portugueses que dão aulas no estrangeiro continuam à espera da actualização salarial prometida pelo Governo no início do ano, no decorrer de negociações com o Ministério da Educação, denunciou terça-feira o Sindicato dos Professores no Estrangeiro (SPE).

Privados de actualizações salariais desde 2006, como explicou o secretário-geral do SPE, os professores portugueses que leccionam em países estrangeiros conseguiram, na sequência de negociações com o Ministério da Educação em Fevereiro, ver garantido um aumento salarial de 2,9%, igual ao aplicado à Administração Pública.

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