domingo, 18 de março de 2012

Solidariedade em rede ajuda novos imigrantes em França

Foto: LUSA
Uma rede familiar e de solidariedade entre a numerosa comunidade portuguesa em França está a evitar que os novos emigrantes no país se encontrem em situações de emergência social, afirmou o coordenador da capelania católica portuguesa.

O padre Geraldo Finatto disse à agência Lusa que, embora exista esta solidariedade, há por vezes um “aproveitamento” da situação de quem chega por parte dos empregadores. Não conhece, porém, nenhum caso de emergência social na “vaga verdadeiramente forte” de emigração portuguesa para França que se tem verificado “de há três anos para cá”.

“Em cada missa que celebro, vejo gente nova que vem de Portugal. Uma pessoa da família ou a família inteira”, disse à agência Lusa. Estas pessoas, “que já estudaram, que já estiveram economicamente bem em Portugal – com casa, carro, bom trabalho –, e que com a crise viram toda a subida social que tiveram cair”, chegam à procura de trabalho “devido à acumulação de créditos”.

“A diferença entre esta e a primeira geração de emigrantes é que os primeiros vieram pobres mas sem dívidas e com perspectiva de ganhar para construir alguma coisa em Portugal. Estes agora, apesar de terem mais estudos, vêm para cá pagar as dívidas”, explicou.


"Não há casos de grande gravidade"
O padre Geraldo Finatto acredita que os portugueses que têm chegado a França nos últimos anos vêm amparados: “Eu não vi famílias chegarem aqui sem saberem onde pôr os pés”, afirmou, acrescentando que existe uma rede familiar e de solidariedade que ajuda os portuguesas a decidirem vir para aqui e que contribui para impedir situações de emergência social.

Quem chega “adapta-se ao trabalho que encontra”, e isto quer dizer que, por regra, os homens trabalham na construção civil e as mulheres nas limpezas. Esta rede, resumiu, é mais extensa e funciona melhor do que noutros países da Europa, mas não é uma rede sem furos. O capelão reconhece que pode haver portugueses a passar dificuldades escondidos atrás da vergonha: “Os portugueses não pedem ajuda. O emigrante sai do país para mudar de vida. E é uma vergonha pedir ajuda". 

Sem comentários:

Enviar um comentário