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quarta-feira, 7 de setembro de 2011

Luxemburgo: Três iraquianos ainda em greve de fome

Apenas três do grupo de cerca de 25 requerentes de asilo iraquianos em greve de fome, que protestavam desde sexta-feira na place Clairefontaine, na capital, contra a demora no tratamento dos seus pedidos de asilo junto do governo luxemburguês, estão no local e continuam em greve de fome. Os restantes abandonaram o protesto no seguimento de uma reunião com Nicolas Schmit, o ministro do Trabalho, do Emprego e da Imigração, na segunda-feira à tarde.

"O ministro Nicolas Schmit disse na reunião que estamos a chantagear o governo luxemburguês com a nossa acção de protesto porque temos aqui mulheres e crianças", contou indignado Mikail Wilson, o porta-voz dos iraquianos. "Eu sou uma pessoa digna e estou aqui apenas para fazer valer os meus direitos", desabafou.

"A única coisa que o ministro me disse é que ia contratar mais seis funcionários para os serviços de imigração", uma resposta que Mikail Wilson não considera suficiente. "Estamos em 2011 e isto é o Luxemburgo, não estamos num país do Terceiro Mundo!", exclamou o iraquiano.

O grupo de iraquianos estava em protesto na place Clairefontaine desde sexta-feira, mas apenas três – Wilson Mikail e mais dois homens – ficaram depois da reunião com o ministro da Imigração. "Eu disse na reunião ao ministro que, como prova da minha boa fé, ia pedir às pessoas para abandonarem a praça", explicou Mikail. Às 17h de segunda-feira, o CONTACTO encontrou os manifestantes na praça a arrumarem os seus pertences. "Eles vão embora para provar ao governo luxemburguês que não queremos causar problemas." "Não quero que o governo se zangue. Eu dou a minha lealdade a este país se levarem o meu processo em frente", assegurou Wilson.

"O CONTACTO tentou falar com o ministro da Imigração, Nicolas Schmit, mas tal não foi possível até à hora de fecho da edição. No entanto, em declarações à rádio DNR, Nicolas Schmit disse que os dossiês de requerimento de asilo dos manifestantes vão ser analisados nos próximos dias e que as pessoas vão ser informadas do andamento dos processos", acrescentando que "a decisão do ministério não pode ser alvo de chantagem".

Irina Ferreira
Fotos: Paulo Lobo/Irina Ferreira

terça-feira, 12 de julho de 2011

Luxemburgo recebeu 895 pedidos de asilo político em seis meses

Nos primeiros seis meses do ano o Estado luxemburguês recebeu 895 pedidos de asilo político. A maioria é solicitada por cidadãos dos Balcãs. Mas cada vez há mais que chegam de cidadãos do Magrebe.

Os pedidos de asilo político provêm sobretudo de sérvios (405), macedónios (135) e kosovares (56), segundo números divulgados na segunda-feira pela Associação de Apoio aos Trabalhadores Imigrantes (ASTI).

Apesar de continuarem a ser o maior número, os pedidos de asilo de cidadãos sérvios diminuiu nos últimos três meses, após o executivo luxemburguês ter assinado uma convenção com o governo da Sérvia.

O Luxemburgo recebe igualmente cada vez mais pedidos do Magrebe e do Mundo Árabe, desde o deflagrar das contestações aos regimes dessas regiões (desde Dezembro de 2010), movimento conhecido como "A Primavera Árabe". Só no primeiro semestre deste ano, o Estado luxemburguês recebeu 29 pedidos de asilo político da Tunísia e 14 da Argélia.

Foto: Jorge Rodrigues