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sexta-feira, 10 de setembro de 2010

ÚLTIMA HORA - Luxemburgo: "Déi Lénk" pondera pedir demissão de Mars Di Bartolomeo

O partido luxemburguês "Déi Lénk" (A Esquerda) afirmou hoje ao final da manhã que não exclui pedir a demissão do ministro da Segurança Social, Mars Di Bartolomeo (na foto), devido à polémica em torno do investimento em armamento por parte de um fundo do seu ministério.

"Mais do que apurar responsabilidades penais, é preciso apurar as responsabilidades políticas. Deve Mars Di Bartolomeo demitir-se ou não", lançou o esquerdista Serge Urbany hoje em conferência de imprensa.

No dia 19 do mês passado, o deputado do "Déi Lénk", André Hoffman, acusou, numa questão parlamentar, o fundo de compensação (FDC) da Segurança Social do Estado luxemburguês de investir em empresas que fabricam bombas de fragmentação.

A questão foi dirigida aos ministros dos Negócios Estrangeiros, Jean Asselborn, e da Segurança Social, Mars Di Bartolomeo, os quais "ainda não responderam", confirmou hoje Hoffman, que diz aguardar pela reposta dos dois para avançar com moções concretas numa interpelação parlamentar, que pode vir a incluir o pedido de demissão do ministro da Segurança Social.

O deputado do "Déi Lénk" sublinha que há "clara violação do direito nacional e internacional".

Recorde-se que o Parlamento luxemburguês ratificou em 2009 a convenção internacional contra a utilização deste tipo de armas, assinada em Oslo em 3 de Dezembro de 2008 e em vigor desde 1 de Agosto deste ano.

O assessor parlamentar de Hoffman, Marc Baum, que descobriu o imbróglio do Ministèrio da Segurança Social, diz que "a situação é ainda mais grave por se tratar de um fundo público".

Marc Baum considera as declarações do presidente do FDC, Robert Kieffer, "um escândalo". Em declarações ao "Le Quotidien", Kieffer disse desconhecer qualquer ligação da instituição com fabricantes de bombas de fragmentação.

André Hoffman diz não ter ficar surpreendido com tais declarações. Para Hoffman, Kieffer abrigou-se debaixo da legislação que prevê sanções para estas situações (5 a 10 anos de prisão e 25 mil a 1 milhão de euros de multa), mas só em casos "de conhecimento de causa".

Hoffman relembra que numa reunião com Robert Kieffer e Mars Di Bartolomeo, lhe fora assegurado por ambos que não haveria problemas de transparência, porque iria haver "um relatório todos os seis meses publicado na internet".

"A transparência deles é tão grande, que nem eles próprios sabem onde investem",
remata Hoffman.

O deputado esquerdista fez saber que vai ainda propor um novo modelo no que respeita à gestão das reservas da Segurança Social, isto é, acabar com a actual "política de aplicações financeiras que obedece a uma lógica perversa".

Além disso, o partido "Déi Lénk" vai propor que se investiga se há ou não bancos na praça financeira do Luxemburgo que se dedicam ao mesmo tipo de investimentos.

Foto: Serge Waldbillig

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Luxemburgo: Dirigente da Segurança Social diz desconhecer envolvimento da instituição com produtores de armas de fragmentação

O presidente do Fundo de Compensação da Segurança (FDC) Social, Robert Kieffer, afirmou ontem desconhecer qualquer ligação da instituição com fabricantes de bombas de fragmentação.

Recorde-se que anteontem numa questão parlamentar, o deputado do "Déi Lénk" ("A Esquerda"), André Hoffman, acusou o FDC de possuir acções de seis grandes companhias produtoras dos referidos artefactos explosivos (a Lockheed Martin, entre outras), no valor de 800 mil euros.

Para Hoffman, a situação é paradoxal visto que o Luxemburgo ratificou em 2009 a convenção internacional contra a utilização deste tipo de armas, assinada em Oslo a 3 de Dezembro de 2008 e em vigor desde 1 de Agosto deste ano.

"Esta questão parlamentar suscitou a minha atenção perante um problema que desconhecia. É claro que ouvi falar dos acordos de Oslo, mas não tinha consciência da ligação com a nossa instituição", assegurou o presidente do FDC, Robert Kieffer, em declarações ao diário "Le Quotidien".

Robert Kieffer explica que o FDC investiu conscientemente em duas sociedades, nomeadamente na SES Astra (empresa de satélites) e na Société nationale d'habitation bon marché (empresa especializada na construção e venda de habitações.

"Em relação às outras, criámos uma SICAV (sociedade de investimento de capital variável) que contém treze compartimentos administrados por gestores de fortuna no estrangeiro. São eles que depois compram acções, obrigações e outros fundos monetários", justifica Kieffer.

"Não conhecia o nome dessas empresas nem a sua ligação com bombas de fragmentação. Logo, não aumentámos conscientemente o volume dessas acções entre 2008 e 2009", frisa.

Robert Kieffer garante que os juristas do FDC foram alertados, sublinhando que vai ser elaborada "uma lista negra".

"Não temos nenhum interesse em não seguir o Parlamento, uma vez que essas acções não são mais rentáveis do que outras", considera Kieffer.

"O 'Déi Lénk' levantou um verdadeiro problema, o qual iremos tratar", assevera o presidente do FDC.

Foto: Anouk Antony

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Luxemburgo: Déi Lénk acusa Segurança Social de financiar produção de bombas de fragmentação

O fundo de compensação da Segurança Social do Estado luxemburguês investiu em empresas que fabricam bombas de fragmentação, acusou ontem o deputado do "Déi Lénk" ("A Esquerda"), André Hoffman, numa questão parlamentar.

O deputado esquerdista frisa que o relatório anual do fundo de compensação da Segurança Social (FDC) do ano de 2008 revelou que este possuía a 31 de Dezembro do mesmo ano acções de seis dos sete maoires produtores de bombas de fragmentação, nomeadamente, da Lockheed Martin (EUA), L-3 Communications (EUA), Textron (EUA), Alliant Techsystems (EUA), Hanwha (Coreia do Sul) e Singapore Technologies Engineering (Singapura), de um valor total de 150 mil euros.

Já o relatório anual de 2009 indica que no final do mesmo ano, o FDC adquiriu mais acções das mesmas empresas, atingindo um valor de 8oo mil euros, denuncia Hoffman.

O deputado do "Déi Lénk" questiona o ministro da Segurança Social, Mars Di Bartolomeo, e o ministro dos Negócios Estrangeiros, Jean Asselborn, se "é admissível que um estabelecimento público luxemburguês possa deter ou adquirir acções servindo directa ou indirectamente à produção de armas de fragmentação - ou outros produtos proibidos pelo direito nacional ou internacional".

Na interpelação, Hoffman relembra que a Câmara dos Deputados (Parlamento luxemburguês) ratificou em 2009 a convenção internacional contra a utilização deste tipo de armas, assinada em Oslo a 3 de Dezembro de 2008 e em vigor desde 1 de Agosto deste ano.

A lei de 4 de Junho de 2009, que diz respeito à aprovação da Convenção de Oslo, estipula que "é proibido financiar, em conhecimento de causa, armas de fragmentação". A lei prevê ainda que as infracções possam ser sancionadas com 5 a 10 anos de prisão e com 25 mil a 1 milhão de euros de multa.

Foto: Arquivo LW