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segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Rio de Janeiro: Polícia investiga homicídio de mais uma portuguesa

Rosa da Cunha Viana foi encontrada morta numa rua do bairro da Lapa. Imagens de câmaras de vigilância estão a ajudar a polícia do Rio de Janeiro na investigação do assassinato.

Após a conclusão do caso de Rosalina Ribeiro que a Polícia Civil do Rio de Janeiro está a investigar ainda a morte de outra portuguesa, falecida em Junho deste ano, também na cidade do Rio de Janeiro.

Rosa da Cunha Viana, de 75 anos, vivia no Brasil há onze anos e desapareceu no início de Junho, segundo informações do diário local "Extra".

O caso, no entanto, só veio à tona agora com a divulgação de imagens capturadas por câmaras de segurança da rua próxima ao local onde a portuguesa vivia, no centro da cidade. Num dos vídeos, pode ver-se a portuguesa a descer as escadas de sua casa e, noutras imagens, percebe-se que o corpo da vítima foi deixado por ocupantes de um carro na Rua Joaquim Murtinho, localizada junto a um antigo aqueduto conhecido como Arcos da Lapa.

A vítima terá sido encontrada morta com fracturas nas costelas, segundo o delegado responsável pelo caso, citado pelo diário "Extra". Rosa da Cunha Viana foi vista pela última vez no dia 8 de junho e o seu desaparecimento foi denunciado à polícia por amigos.

Os delegados descobriram que o seu corpo tinha sido levado para análise no Instituto Médico Legal (IML) no dia 10 de Junho.

A polícia apurou ainda que foram feitos pelo menos sete levantamentos da sua conta no dia 9 de junho, ou seja, já após o seu desaparecimento.
Segundo a reportagem, a vítima era proprietária de cinco apartamentos no Rio de Janeiro.

terça-feira, 8 de março de 2011

Brasil: Primeira noite de desfiles no Rio arrepiou o Sambódromo com enredos criativos

A primeira noite de desfiles do Grupo Especial das Escolas de Samba do Rio de Janeiro levantou o público da Marquês de Sapucaí com enredos criativos sobre o medo no cinema, a saúde, os navegantes, cabelos e história da música popular brasileira.

A madrugada foi marcada por alguns problemas técnicos em carros alegóricos em algumas das seis escolas que desfilaram. Um princípio de incêndio atingiu uma das alegorias da Imperatriz Leopoldinense, a segunda escola, enquanto a Portela apresentou problemas em dois de seus carros e um deles não entrou na Sapucaí.

A Mangueira, a última agremiação a entrar na avenida às 4h30 da manhã (7h30 de Lisboa) foi marcada pela desorganização inicial que atrasou uma hora o seu desfile.

A escola enfrentou dificuldades para colocar seu carro abre-alas na avenida que quase teve sua evolução prejudicada devido a dificuldades para ingressar no Sambódromo.

A Vila Isabel, por sua vez, teve um pneu furado no seu segundo carro alegórico e teve que desdobrar-se para movimentar o carro na passarela.

A escola mais esperada da noite era, de facto, a Unidos da Tijuca, que apresentou um desfile grandioso com carros gigantescos.

Aos gritos de “é campeã”, a Unidos da Tijuca arrepiou o Sambódromo com o enredo “Esta noite levarei sua alma”, do carnavalesco Paulo Barros.

Assim como em 2010, mais uma vez a escola apostou na inovação e no ilusionismo da comissão de frente formada por bailarinos todos de fato preto que representaram um verdadeiro filme de terror na Sapucaí.

Apesar do horror, o coreógrafo Rodrigo Negri dos Santos afirmou que tudo não passava de uma grande brincadeira.

“Não é assustador, vocês vão rir com a comissão de frente, ela tem o ritmo do humor. A gente vai arriscar mais uma vez”, garantiu Negri.

Esta é a primeira vez que se vê na Sapucaí uma comissão de frente interagir com um tripé (mini carro alegórico) e ser elevada a cinco metros de altura e realizar a performance”.

A expetativa era grande para o início do desfile, admitiu o presidente da escola, o português Fernando Horta.

“Estou ansioso por ver mais uma missão cumprida. A gente está ciente que fez um grande trabalho e que trazemos um grande carnaval”, acrescentou.

Apesar do luxo e da grandiosidade das alegorias e fantasias, alguns componentes da escola reclamaram do peso das vestimentas.

É o caso da ala das baianas da Unidos da Tijuca que é composta por senhoras de cerca de 60 anos. A fantasia, segundo relataram as baianas, pesavam entre 30 e 40 quilos o que prejudicou a evolução da escola.

“O peso da fantasia é muito e nós somos senhoras. Se eles reduzissem o peso melhoraria porque a gente teria uma evolução melhor. Eles poderiam colocar uma coisa mais maleável”, disse uma baiana de 57 anos.

O Carnaval carioca continua na madrugada de segunda para terça-feira em mais uma maratona de desfiles na Marquês de Sapucaí.

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Jogos Olímpicos 2016: Cidade anifitriã é anunciada hoje

O Rio de Janeiro pode entrar na história como a primeira cidade sul-americana a receber os Jogos Olímpicos de Verão, em 2016, necessitando para isso de vencer esta sexta-feira a feroz competição com Tóquio, Chicago e Madrid.

A cidade que vai suceder a Londres (2012) como sede da mais importante competição desportiva mundial é conhecida hoje em Copenhaga, no primeiro dia da 121ª sessão do Comité Olímpico Internacional (COI).

Rio de Janeiro, Tóquio, Chicago e Madrid são as quatro cidades finalistas, depois de o Comité Olímpico Internacional (COI) ter excluído as candidaturas de Doha (Qatar), Baku (Azerbeijão) e Praga (República Checa).

Rio de Janeiro investiu a fundo, mas falta de segurança na cidade pode jogar tudo a perder

A candidatura brasileira não regateou esforços para garantir a organização dos Jogos de Verão de 2016, tendo apresentado um mega-orçamento de 28,9 mil milhões de reais (19,8 mil milhões de euros), o suficiente para construir o TGV português e dois novos aeroportos de Alcochete.

O critério segurança é também um dos "calcanhares de Aquiles" do Rio de Janeiro, tendo em conta os seus índices de criminalidade, que não chegaram para demover a FIFA de entregar ao Brasil a fase final do Mundial de futebol de 2014. Outro é a escassez da oferta hoteleira na "cidade maravilhosa".

O Brasil, que procura afirmar-se em todos os palcos como potência emergente da nova ordem mundial, aposta forte na beleza natural da cidade carioca, concentrando as estruturas da candidatura no distrito da Barra da Tijuca.

Madrid dificilmente sucederá a Londres, JO têm de alternar de continente

Madrid ocupa a segunda posição neste "ranking", com 3,7 mil milhões de euros, seguido de Tóquio, com 3,5 mil milhões de dólares (2,41 mil milhões de euros), e de Chicago, com 1,83 mil milhões de dólares (1,29 mil milhões de euros), exclusivamente suportados pelo sector privado.

A capital espanhola tem, contudo, dois fortes "handicaps": um relativo à segurança - devido à possibilidade de ataques terroristas internacionais, como refere o relatório do Grupo de Trabalho do COI - e outro o facto de a edição anterior ser organizada na Europa (Londres2012).

Chicago: uma candidatura sólida, mas demasiado dispendiosa

Chicago também pode ser afectada pela proximidade temporal com os Jogos Olímpicos de Atlanta1996 e Los Angeles1984. Os Estados Unidos acolheram ainda as edições de 1904, em St. Louis, e 1932, igualmente em Los Angeles.

O empenho pessoal do presidente Barack Obama joga a favor da candidatura da terceira maior cidade norte-americana, situada nas margens do Lago Michigan, que apresenta a proposta mais "compacta" das quatro, com um anel olímpico concentrado em apenas nove quilómetros.

O ponto mais fraco da candidatura de Chicago é o excessivo peso financeiro do sector privado, sobretudo pelas dúvidas em torno da capacidade de gerar receitas para suportar o seu orçamento, o que levou mesmo a câmara da cidade a apresentar uma garantia de 750 milhões de dólares (527 milhões de euros).

Tóquio carece de apoio popular

Apesar da reconhecida qualidade da candidatura de Tóquio - recolheu as melhores notas na apreciação do Grupo de Trabalho do COI -, o Japão pode vir a ser prejudicado pelo "item" segurança, sobretudo pela frequência de desastres naturais, como terramotos e "tsunamis".

A capital japonesa, que acolheu os Jogos em 1964, tem ainda contra si o fraco apoio popular (apenas 55,5% dos cidadãos apoiam a candidatura e 7,8% estão firmemente contra) e as dúvidas em relação à preservação de solos com vista às infra-estruturas, tendo em conta a forte pressão imobiliária de uma das áreas mais caras do planeta.

domingo, 2 de agosto de 2009

Brasil: Habitantes da Rocinha, maior favela da América Latina, duplicaram numa década

Um censo inédito realizado na favela Rocinha no Rio de Janeiro, a maior da América Latina, registou mais de 100 mil moradores, um número muito superior ao contabilizado na última sondagem, no ano 2000, quando eram 56 mil pessoas.

Realizado entre Dezembro de 2008 e Junho deste ano pelo Governo do Estado do Rio, o levantamento contabilizou 100.818 habitantes, dos quais mais de metade são mulheres. Em nove anos, o registo populacional quase duplicou.

O crescimento populacional nos centros urbanos revela o obstáculo que as grandes cidades enfrentam de falta de dados precisos para direccionar políticas públicas habitacionais.

O estudo apontou que, na Rocinha, existem cerca de 38 mil imóveis e revelou o que já há muito se suspeitava: há mais de 6.500 empresas na Rocinha, sendo que 91% são ilegais e não pagam impostos.

A grande quantidade de becos, escadarias e ruas estreitas prejudica a ventilação e a circulação de pessoas e veículos.

Os carros só transitam em 7,5% das ruas, sendo que 34% dos acessos à favela são feitos por becos, o mesmo valor por escadas e apenas 15% por ruas de peões.

Nestas condições, apenas 30% dos moradores recebem correspondências em casa.

O arquitecto e urbanista, Marat Menezes, avalia como um “grande avanço” o levantamento da Rocinha.

“Sem dúvida, saber a quantidade de pessoas que vivem lá é o primeiro passo para a gestão pública. Só se consegue investir quando se tem uma leitura coerente do real”, disse à agência Lusa o arquitecto ao destacar que a geração de dados ajuda a “derrubar as muralhas que separam a cidade formal das favelas”.

Marat Menezes trabalha nos projectos de intervenção na Rocinha, incluídos no Programa de Aceleração do Crescimento, conhecido como PAC das Favelas, com financiamento do Governo Federal.

A Rocinha tem o estatuto de bairro desde 1992 e conta inclusive com uma região administrativa do município, no entanto, enfrenta os mesmos problemas de qualquer favela.

“A Rocinha está muito densa, o número de pessoas por metro quadrado é muito alto e este é um dos desafios”, considerou o arquitecto.

A sondagem, referiu Marat Menezes, é apenas o início de um processo. “Agora está a ser elaborado um plano de acções para confrontar os dados com a opinião dos moradores”, com o objectivo de obter contribuições para a elaboração de acções sociais e políticas públicas.

“Uma pesquisa quantitativa é fundamental, mas é fria. O que estamos a construir com os moradores é um material muito mais rico”, salientou.

Rocinha vai receber 25 milhões de reais para programas sociais


O estudo vai ajudar a direccionar cerca de 25 milhões de reais (9,3 milhões de euros) em programas sociais na Rocinha.

Envolvido com trabalhos e actividades na Rocinha há pelo menos quatro anos, Marat Menezes considera que todo este planeamento habitacional e urbanístico para a favela pode servir como um modelo.

“Todo o repertório teórico não é novo, mas o trabalho num território com essa densidade populacional e política como a Rocinha, numa cidade como o Rio de Janeiro, que já foi uma capital federal, é um desafio e está a ser feito de forma pioneira”, concluiu.

Fabíola Ortiz, da Agência Lusa,
no Rio de Janeiro