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quarta-feira, 16 de maio de 2012

"Estamos numa situação muito próxima da servidão"

Foto: Anouk Antony
A conjuntura de crise e as medidas de austeridade estão a empurrar o mundo do trabalho para uma cada vez maior precarização das relações laborais, diz Jorge Leite, professor na Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra. O especialista falava numa conferência na Universidade do Luxemburgo, em Limperstberg, sobre o valor do trabalho à luz da evolução das leis laborais.

"Estamos numa situação muito próxima da servidão", alerta Jorge Leite. O professor de Direito da Universidade de Coimbra falava na conferência subordinada ao tema "Le valeur du travail à la lumière de l'évolution du droit du travail", que decorreu a 9 de Maio na Universidade do Luxemburgo, na capital, organizada pela frente sindical OGB-L. Jorge Leite referia-se em particular "aos emigrantes e, principalmente, aos emigrantes ilegais, como aconteceu com portugueses em Espanha, na Holanda, na Grã-Bretanha".

A precarização dos laços laborais tem vindo a acentuar-se e, para o professor de Direito, a precariedade veio para ficar. "O trabalho é como o parto: é uma espécie de síntese de sofrimento e de criação".

"O homem inteligente deve saber reduzir o sofrimento e aumentar o tempo de criação. Esse é o sentido que vale dar à vida", comparou Jorge Leite para, em seguida, dizer que se assiste "a uma fase rara na História, de grandes transformações sociais, onde não há equilíbrio".

"Hoje há pessoas a pagar um castigo que não merecem e as sociedades não têm respostas adequadas", critica. "O trabalho não é uma mercadoria mas infelizmente é tratado como tal", lamenta Jorge Leite, referindo-se às tendências actuais do direito português do trabalho. "Hoje temos uma nova escravatura, em que pessoas sem escrúpulos espezinham a dignidade humana", critica, recordando a génese da Organização Internacional do Trabalho (OIT): "A OIT foi instituída depois da Primeira Guerra Mundial e defende que a justiça social é essencial para o desenvolvimento humano", recorda.

Jorge Leite acredita que "as reformas laborais, em especial em países a atravessar dificuldades económicas e financeiras, onde predomina a concepção neoliberal, faz com que se esteja a recuar civilizacionalmente" no que toca à legislação do trabalho e das relações laborais entre trabalhadores e patronato. "O problema não está na mudança", especifica Leite, "está no sentido da mudança. Há pessoas que aproveitam a crise para ganhar com ela e no meu país isso acontece", critica o jurista.

Jorge Leite não poupa críticas à evolução que a legislação do trabalho tem vindo a sofrer: "O que a lei vem fazendo é dar cabo da vida do trabalhador; o trabalho é causador de stress, provoca desencontros no seio da família e tem efeitos negativos sobre a saúde mental do trabalhador". Uma das causas é a precariedade laboral. "Em Portugal, a precariedade é uma das características mais comuns no mercado de trabalho. Poucos são aqueles que conseguem um trabalho duradouro como primeiro emprego".

"O que me preocupa é a justiça social, é a justiça relativa entre trabalhadores. Um mundo sem justiça social arrisca-se a ser um mundo sem paz e um mundo sem justiça deve incomodar-nos a todos", conclui Jorge Leite, no final da conferência, à qual assistiu o ministro do Trabalho e da Imigração, Nicolas Schmit.

Jorge Leite é professor da Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra. Foi, durante dois anos, professor convidado de Direito do Trabalho na Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra, foi director da Faculdade de Direito da Universidade Lusófona do Porto (2008-2011), onde também foi professor. Fundador e presidente da Associação de Estudos do Trabalho e director da revista "Questões Laborais", Jorge Leite fundou também a JUTRA (Associação Luso-Brasileira de Juristas do Trabalho e foi membro-fundador do IDET (Instituto do Direito das Empresas e do Trabalho). Jorge Leite participou ainda na discussão do Livro Verde da política social europeia, em Bruxelas e em Portugal, e tem obras publicadas no domínio da legislação comparada do trabalho no seio da UE.
Texto: Irina Ferreira

sexta-feira, 20 de abril de 2012

Luxemburgo: Professor de Coimbra fala sobre o valor do trabalho

Jorge Leite, professor na Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra, fala no dia 9 de Maio sobre "O valor do trabalho à luz da evolução do direito laboral", numa palestra (em língua francesa e portuguesa) organizada pela OGB-L.

A conferência-debate tem lugar na Universidade do Luxemburgo e conta ainda com as intervenções de Jean-Claude Reding, presidente do sindicato, e de Carlos Pereira, membro do comité executivo da OGB-L.

Para informações adicionais e reservas, tel. 54 05 45-287/253.

sexta-feira, 8 de julho de 2011

Portugal e Luxemburgo combatem trabalho clandestino

Portugal e o Luxemburgo assinaram ontem um acordo de cooperação para lutar contra o trabalho clandestino. Ao abrigo do protocolo, assinado no Grão-Ducado, as Inspecções do Trabalho dos dois países vão poder trocar informações sobre trabalhadores destacados em
situação ilegal.

Foram precisos dois anos para negociar o acordo de cooperação bilateral para lutar contra o trabalho não declarado de trabalhadores destacados, mas a partir de agora Portugal e o Luxemburgo vão poder trocar informações sobre trabalhadores em situação ilegal.

"Assinámos um protocolo que já andamos a negociar há dois anos, nos termos dos quais as duas Inspecções de Trabalho vão poder trocar informações sempre que sejam localizados trabalhadores portugueses destacados no Luxemburgo em situação irregular, ou vice-versa", disse ao POINT24 José Luís Forte, inspector-geral da Inspecção do Trabalho em Portugal.

Verificar se o contrato é legal, se os descontos para a Segurança Social estão a ser feitos de forma correcta, são assuntos que vão passar a ser "objecto de troca sistemática de informações" entre os dois países.

Apesar de não existirem dados oficiais sobre o número de trabalhadores portugueses destacados no Luxemburgo em situação irregular, José Luís Forte considera que o fenómeno "não tem grande relevância". "Os nossos trabalhadores vão mais ou menos enquadrados, mesmo familiarmente. Temos é de nos assegurar que os direitos estão a ser cumpridos, fundamentalmente no trabalho extraordinário, que poderá não estar a ser integralmente pago, e nas contribuições à Segurança Social", disse o inspector-geral.

O acordo, que prevê também a formação conjunta de inspectores dos dois países, foi assinado durante a reunião do comité de pilotagem europeu, em que participaram ainda responsáveis da Inspecção do Trabalho da Bélgica, França, Espanha e Polónia.

Paula Telo Alves
Foto: Manuel Dias

domingo, 12 de setembro de 2010

Brasil: Resgatados uma centena de trabalhadores que eram escravizados no Estado do Rio de Janeiro

As autoridades brasileiras anunciaram sábado a libertação de cerca de 100 trabalhadores que alegadamente viviam em condições semelhantes às da escravatura nas plantações de cana de açucar no sudeste do país.

As pessoas resgatadas trabalhavam no Estado do Rio de Janeiro sem terem registo laboral e sem terem acesso a água potável, equipamento de protecção ou instalações apropriadas para as refeições, avançou a Agência Brasil.

Já na sexta-feira o mesmo serviço noticioso tinha revelado que 50 trabalhadores de uma quinta de produção de morangos no Estado de Minas Gerais também foram salvos das mesmas condições.

Os empregadores vão ser multados.

sexta-feira, 7 de maio de 2010

Ausências de trabalho devido ao vulcão: centrais sindicais luxemburguesas não se entendem

Patrícia Reis ficou retida uma semana em Portugal por causa das perturbações no tráfego aéreo devido às cinzas do vulcão islandês (ver nossa edição de 21 de Abril). Quando chegou ao trabalho, no Luxemburgo, os patrões disseram-lhe que teria de meter férias para compensar os dias de falta ao emprego.

A trabalhadora portuguesa duvidou da legalidade da decisão da entidade patronal, uma vez que através da imprensa tinha ficado a saber de um comunicado da LCGB em que a central sindical garantia que os dias de falta estavam justificados.

Sindicalizada no OGBL, Patrícia Reis resolveu contactar o delegado sindical do sector. A resposta não tardou: "O LCGB está enganado. É preciso meter férias", garantiu o OGBL à portuguesa.

"Os meus patrões disseram-me que se eu tivesse ficado retida na América ou noutro continente, em que só pudesse vir para o Luxemburgo de avião, então, nesse caso, não se podia fazer nada; era um caso de força maior, mas no meu caso eu poderia ter vindo de comboio ou de autocarro e ter chegado mais cedo", conta Patrícia ao CONTACTO.

SINDICATOS LUXEMBURGUESES NÃO SE ENTENDEM

Em plena crise, o LCGB emitiu um comunicado à imprensa garantindo que as faltas ao trabalho provocadas pelas complicações no tráfego aéreo, devido às cinzas do vulcão da Islândia, estavam justificadas ao abrigo do número 3 do artigo L 233-6 do Código do Trabalho luxemburguês.

Para a central sindical, a redacção do artigo é clara: "As faltas cometidas por motivo de força maior ou por motivos alheios à vontade do trabalhador, e que por isso não foram previamente autorizadas, não podem ser consideradas faltas injustificadas, mas antes como dias de trabalho normal. Assim, a falta do trabalhador por estes motivos não pode ser causa de despedimento nem os dias de ausência compensados por dias de férias legais do trabalhador."

Ao CONTACTO, Alain Rassel do LCGB garante que a Inspecção Geral do Trabalho tem a mesma interpretação do Código do Trabalho e que portanto a LCGB mantém "tudo o que afirmou".

"O único aspecto que não está salvaguardado no artigo do Código é a questão do pagamento dos dias em falta. Não é líquido que o patrão tenha de pagar esses dias. Essa questão só o Tribunal do Trabalho a poderia esclarecer. Mas temos a certeza que estes casos são de 'força maior' e portanto a entidade empregadora não pode despedir o trabalhador, não pode obrigar os trabalhadores a meterem dias de férias, mas caso o empregado decida utilizar uns dias de férias, as empresas não podem recusá-las", esclarece Rassel.

Já para o OGB-L, o artigo do Código citado pela LCGB não pode ser aplicado no caso dos trabalhadores que faltaram ao trabalho por causa da paralisação do transporte aéreo. Carlos Pereira, da direcção da central sindical, garantiu ao CONTACTO que a única forma de resolver a situação é utilizar dias de férias. Versão que coincide com a informação prestada a Patrícia Reis pelo seu delegado sindical.

Domingos Martins

quinta-feira, 29 de abril de 2010

Ainda os efeitos do vulcão da Islândia: Faltas ao trabalho estão justificadas

A central sindical LCGB garante que as faltas ao trabalho provocadas pelas complicações no tráfego aéreo, devido às cinzas do vulcão da Islândia, estão justificadas ao abrigo do número 3 do artigo L 233-6 do Código do Trabalho luxemburguês.

A redacção do artigo é clara: "As faltas cometidas por motivo de força maior ou por motivos alheios à vontade do trabalhador, e que por isso não foram previamente autorizadas, não podem ser consideradas faltas injustificadas, mas antes como dias de trabalho normal. Assim, a falta do trabalhador por estes motivos não pode ser causa de despedimento nem os dias de ausência compensados por dias de férias legais do trabalhador."

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Portugal com taxa de desemprego de 9,6% em 2009, segundo OCDE

A taxa de desemprego em Portugal situou-se nos 9,6 por cento em 2009, de acordo com os cálculos da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE), a quinta mais elevada no conjunto de países da OCDE.

O desemprego em Portugal no ano passado ficou 0,2 pontos percentuais acima da média estimada para a Zona Euro, superior também às médias da União Europeia e dos países da OCDE.

De acordo com os cálculos da organização, o desemprego em Portugal foi aumentando ao longo do ano, passando de 8,8 por cento no primeiro trimestre de 2009 para os 10,3 por cento nos últimos três meses do ano.

Em 2009, apenas a Espanha (18,1 por cento), a Eslováquia e a Irlanda (11,8 por cento) e Hungria (10,1 por cento) apresentaram taxas de desemprego superiores às de Portugal.

Seis dos trinta países da OCDE ainda não apresentam valores para o final do ano.

Desde julho que o desemprego em Portugal foi subindo 0,1 pontos percentuais, à exceção da evolução de setembro para outubro, em que o desemprego aumentou 0,2 pontos percentuais.

Os valores hoje divulgados pela OCDE indicam que o desemprego em 2009 subiu 1,9 pontos percentuais, face a 2008, quando a taxa de desemprego se ficou por 7,8 por cento.

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Luxemburgo: Mais de quatro em cada dez empresas recorre a trabalho temporário

Entre 2004 e o início de 2007, mais de quatro em cada dez empresas recorreram ao trabalho temporário, o que equivale a 42%.

No entanto, nem todas elas recorrem ao trabalho temporário com a mesma frequência. Assim, cerca de 15 % recorrem ao trabalho temporário durante todo ou quase todo o ano, enquanto que 46 % referem recorrer algumas vezes e 39 % admitem utilizar o recrutamento temporário muito raramente.

Os números são do CEPS/INSTEAD (Centro de estudo das populações, da pobreza e das políticas sócio-económicas) e foram divulgados na semana passada.

Do estudo ressalta que quanto mais frequentemente as empresas recorrem ao trabalho temporário, maior número de trabalhadores empregam. Em média, nove trabalhadores temporários trabalham nas empresas que recorrem muito frequentemente ao trabalho temporário, enquanto que o número de trabalhadores em empresas que só utilizam o trabalho temporário ocasionalmente desce para três.

Para a maioria das empresas, os trabalhadores temporários representam sensivelmente um quinto dos seus efectivos assalariados, qualquer que seja a frequência do recurso a este tipo de mão-de-obra. Isto diz respeito a mais de 65 % das empresas que utilizam de forma sistemática o trabalho temporário e a 79 % das empresas que o utilizam ocasionalmente.

As razões invocadas pelas empresas para justificar o recurso ao trabalho temporário são variadas, mas as mais destacadas são a exigência temporária de substituição de um trabalhador ausente (em 65 % dos casos) e a necessidade de flexibilidade, nomeadamente a existência de picos de trabalho irregulares (63 %).

Neste inquérito, foram ainda assinaladas outras razões, como a necessidade de pré-selecção de pessoal antes da contratação definitiva (32 %) e a possibilidade de fazer um teste para a retoma económica, caso esta venha a verificar-se (19 %).

No Luxemburgo, mais de 68 % das empresas declaram recorrer ao trabalho temporário para recrutar mão-de-obra qualificada. Estas empresas dividem-se em dois grupos: 54 % afirmam que as suas necessidades se concentram essencialmente na mão-de-obra qualificada, enquanto que 14 % recrutam trabalhadores temporários para postos de trabalho não qualificado. No entanto, um terço das empresas inquiridas recorre ao trabalho temporário sobretudo para recrutar mão-de-obra não qualificada.

Contrariamente à noção sociológica de qualificação (quanto mais instrução, maior a qualificação), tudo parece indicar que as empresas inquiridas não associam esta noção ao nível de instrução, mas à competência. Assim, quando as empresas referem recrutar mão-de-obra qualificada, trata-se essencialmente de trabalhos que necessitam de um saber-fazer particular (siderurgia, pedreiros, carpinteiros, etc).

Há, no entanto, sublinha o CEPS, muitas disparidades sectoriais.

Há os sectores que utilizam quase em exclusivo o trabalho temporário para postos qualificados (finanças, imobiliário, transportes e comunicação). Depois, os sectores que recorrem ao mesmo tempo à mão-de-obra qualificada e não qualificada (comércio, restauração e construção). Finalmente, a indústria manufactureira destaca-se por ter uma parte relativamente importante das empresas que utilizam o trabalho temporário essencialmente para a mão-de-obra não qualificada (mais de 53% das empresas do sector).

Outro dado do estudo: quanto maior é a empresa, maior parece ser a probabilidade de esta recorrer ao trabalho temporário. Do ponto de vista sectorial, mais de 60 % das empresas da construção e da indústria manufactureira contrataram pelo menos um trabalhador temporário entre 2004 e 2007. Pelo contrário, muito menos numerosas são as empresas nos sectores dos transportes e da comunicação (28 %) e da restauração (32,7 %).

O sector financeiro está dentro da média nacional, com 42,6 % das empresas a terem recrutado pelo menos um trabalhador temporário durante estes três anos.

Condições de trabalho

O trabalho temporário é muitas vezes associado a condições de trabalho precárias e difíceis. Estão nesta categoria o trabalho realizado em condições específicas: com barulho, com frio ou com calor (refrigeração e siderurgia), com uma luz muito intensa ou muito fraca, o trabalho subterrâneo, com materiais tóxicos, o trabalho ao ar livre, o trabalho realizado durante a noite ou durante o fim-de-semana.

Os resultados do estudo mostram que a percentagem de empresas que recorre ao trabalho temporário é a mesma (42 %) quer assinalem ou não condições de trabalho difíceis. No entanto, o estudo assinala que a presença de condições duras de trabalho numa empresa leva essa empresa a utilizar menos o trabalho temporário que uma empresa que não trabalhe nessas condições difíceis. Estes resultados, de acordo com o CEPS/INSTEAD, são contrários àquilo que aparece na literatura sobre o assunto e necessitam ainda ser clarificados.

O estudo do CEPS revela ainda que as empresas que dispõem de um modo de gestão dos recursos humanos globalmente orientado a favor de uma qualidade de vida no trabalho têm tendência a recorrer mais vezes ao trabalho temporário que as empresas que não desenvolvem este tipo de política.

Por exemplo, propõem formação no emprego, flexibilidade de horários de trabalho, flexibilidade na gestão de fim de carreira, possibilidade de remunerações mais elevadas que a concorrência.

Por último, um dado curioso: quanto maior é o número de luxemburgueses na empresa, menor é o número de trabalhadores temporários. Quanto aos fronteiriços, quanto maior é o número de trabalhadores fronteiriços numa empresa, mais as empresas têm tendência a contratar trabalhadores temporários.

Cristina Campos

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Luxemburgo: Linha telefónica esclarece todas as dúvidas sobre Direito do Trabalho

Um novo serviço de informação destinado a trabalhadores e que responde a todas as questões relacionadas com o Direito do Trabalho foi lançada na segunda-feira da semana passada pela Inspecção do Trabalho e Minas (ITM). O "help center" está acessível através do número de telefone 247 76 200 ou através da Internet.

Esta assistência telefónica tem por objectivo responder às questões colocadas pelos assalariados e dirigentes de empresas sobre temas de trabalho, tais como a legislação em vigor, as condições de trabalho ou a segurança e saúde dos trabalhadores.

Perguntas como quais são os prazos de pré-aviso do contrato de trabalho, quais são as características de um contrato de trabalho de estudante ou quais são os direitos do trabalhador em caso de cessação de actividade do empregador, por exemplo, poderão obter resposta no novo "help center".

"Nós sentimos a necessidade de informação, nomeadamente com a entrada em vigor do estatuto único", explica Paul Weber, director da Inspecção do Trabalho e Minas. "Desde sempre, temos uma permanência telefónica nos nossos escritórios do Luxemburgo, Esch-sur-Alzette e Diekirch. A partir de agora, em vez das três centrais telefónicas, tudo está centralizado e são funcionários do Estado e membros da Inspecção do Trabalho que acolhem as pessoas com dúvidas”.

No sítio Internet da ITM é possível consultar uma página com respostas a algumas questões. Residentes e trabalhadores fronteiriços encontram ali, em luxemburguês, francês, alemão e inglês, 200 perguntas-resposta sobre direito do trabalho. O ITM conta apresentar nos próximos meses também respostas às perguntas mais frequentes (FAQ).

Para além das questões de ordem geral, o "help center” assegura também um primeiro contacto com o ITM em caso de conflito no local de trabalho.

"De uma questão anódina sobre o salário mínimo, por exemplo, o assalariado pode ser levado a falar sobre a sua própria experiência e revelar práticas contrárias à lei”, prossegue Paul Weber. "O dossiê é então transmitido a um inspector do trabalho especializado no domínio de actividade em questão. E independentemente do que se passe a seguir, é importante precisar que a ITM não pode revelar a identidade do queixoso. É uma das exigências da nossa lei para a garantia de um trabalho independente”, garante.

Para já, o "help center” está aberto das 8 às 12 e das 14 às 17h, mas os trabalhadores podem pedir um encontro fora destas horas de funcionamento da linha telefónica.

Foto: Guy Jallay/Texto: F. Pinto

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Luxemburgo: Trabalho faz mal à saúde, revela estudo

No Luxemburgo, 82 % das pessoas consideram que o trabalho prejudica a saúde Foto: Serge Waldbillig

A Agência Europeia para a Segurança e Saúde no Trabalho (OSHA) publicou a 6 de Outubro os resultados de uma sondagem aos 27 Estados-membros da União Europeia (UE) realizada no Verão sobre a impressão que as pessoas têm do seu ambiente de trabalho.

O estudo apresenta algumas surpresas no caso específico do Luxemburgo. Neste país, 29 % dos interrogados consideram que o trabalho contribui "em grande medida" para a degradação da sua saúde e 53 % consideram que "em certa medida" o trabalho ajuda a degradar a saúde. Ou seja, na globalidade, 82 % consideram que o trabalho prejudica a sua saúde.

Um número superior à média europeia e que aparece num momento em que a actual crise económica pode levar as organizações a ignorar ou minimizar a importância da segurança e da saúde no local de trabalho.

O objectivo desta agência é de estimular o debate e de convencer as empresas a não privilegiar "em caso algum" uma redução dos seus investimentos em matéria de segurança e saúde no trabalho.

"Todos os nossos trabalhos mostram que quanto mais os locais de trabalho oferecem sãs condições, mais têm tendência a aumentar a produtividade" sublinha Jukka Takala, director da OSHA.

No caso dos nossos vizinhos, os valores são de 27 e 52 % em França, 24 e 54 % na Bélgica e 32 % na Alemanha e, na UE, os valores são de 28 e 47 %.

Entre os 27 estados-membros participantes no estudo, a Lituânia apresenta os valores mais alarmantes (91 %) enquanto que Malta apresenta a taxa mais moderada (61 %). Neste quadro, a OSHA classifica o Luxemburgo em 8o lugar entre os países cujos inquiridos estimam que a pouca saúde das pessoas é causada pelo emprego que têm.

A OSHA explica este facto considerando que num país que tem um nível de vida tão elevado, as pessoas esperam condições de trabalho também satisfatórias, o que, concretiza a OSHA, não é o caso para uma maioria dos trabalhadores. As expectativas são mais elevadas que no passado e "o trabalho não tem apenas a função de sobrevivência".

Por outro lado, indica a agência OSHA, "há uma preocupação generalizada entre os cidadãos europeus de que a actual crise económica possa ter um impacto negativo na segurança e saúde no trabalho, pondo em risco as melhorias que se registaram nos últimos cinco anos".

Quando inquiridos sobre os factores decisivos para escolherem um novo emprego, "os cidadãos da União Europeia crêem que a segurança no emprego e o nível salarial são mais importantes do que as condições de trabalho seguras e saudáveis, que ocupam o terceiro lugar na sondagem, logo atrás do horário de trabalho".

É de realçar que 65 % dos inquiridos no Luxemburgo consideram que nos últimos cinco anos, as condições de saúde e de segurança melhoraram bastante (11 %) ou substancialmente (54 %), colocando o país em 10o lugar. Os homens têm uma opinião mais positiva do que as mulheres (67 % contra 65 %), mas esta diferença de opinião cresce ao nível europeu (62 % para os homens contra 52 % para as mulheres).

"Os riscos para a segurança e a saúde das mulheres no local de trabalho têm tendência a ser subestimados" declarou Takala, que denuncia "o número desproporcionado de mulheres que acumulam dois horários" (um no trabalho, outro em casa) e lamenta "a focalização mais importante nos acidentes de trabalho em detrimento da saúde no trabalho", o que conduz a prestar sobretudo atenção aos sectores de predominância masculina.

Ao mesmo tempo, no Luxemburgo, os cidadãos mostram-se relativamente menos preocupados que os outros companheiros europeus em relação à deterioração das suas condições de trabalho devido à crise económica. Cerca de 54 % dos cidadãos no Luxemburgo estão preocupados com a deterioração das condições de trabalho, contra 57 % dos alemães, 67 % dos belgas ou ainda 72 % dos franceses. Neste quadro, são os portugueses (75 %), os gregos (80 %), os eslovenos e os lituanos (83 %) que exprimem as queixas mais fortes (ver caixa sobre o caso português). Se os luxemburgueses identificam mais que as outras nacionalidades a sua actividade profissional como uma das causas da sua saúde deficiente, 70 % destes cidadãos considera-se "bem" ou "muito bem informados" sobre esses riscos. Em todo o caso, mais informados que a média europeia (8o lugar igualmente).

No Grão-Ducado, quem procura emprego dá uma importância particular às condições de saúde e segurança no trabalho, mas é o nível salarial e a segurança no emprego que estão em primeiro lugar.

Só os holandeses colocam as condições de saúde e segurança no primeiro plano das suas preocupações.

Num comentário aos resultados da sondagem, o director da Agência Europeia para a Saúde e Segurança no Trabalho, Jukka Takala, considera que "a crise financeira pode levar as organizações a ignorar ou minorar a importância da segurança e saúde no local de trabalho". Há "ainda o risco de as empresas ponderarem a redução do investimento na segurança e saúde no trabalho". Para a agência, o desafio consiste em "convencer as empresas de que não faz sentido obter ganhos de curto prazo à custa de problemas a longo prazo".

Cristina Campos