terça-feira, 27 de outubro de 2009

UE/Tratado de Lisboa: Eslováquia exige as concessões que forem dadas à República Checa

A Eslováquia quer as mesmas concessões que forem dadas à República Checa nas negociações para ratificar o Tratado de Lisboa, previsivelmente uma isenção na Carta dos Direitos Fundamentais da União Europeia, revelaram fontes comunitárias segunda-feira no Luxemburgo.

O presidente checo, o eurocéptico Vaclav Klaus, impôs no início de Outubro uma nova condição para ratificar o documento: uma derrogação à aplicação da Carta dos Direitos Fundamentais, anexa ao Tratado, que proteja o país de uma restituição dos bens confiscados a três milhões de alemães expulsos dos Sudetas checoslovacos após a II Guerra Mundial, através dos chamados decretos de Benes.

"Isto é algo que, por isso, é muito sensível na Eslováquia", admitiu a ministra dos Assuntos Europeus sueca, Cecilia Malmstrom, que falou no nome da Presidência rotativa da Presidência Europeia (UE) no final da reunião realizada no Kirchberg (Luxemburgo) pelos ministros dos Negócios Estrangeiros dos 27 para preparar a Cimeira Europeia das próximas quinta e sexta-feira.

A ministra sueca explicou que, por ora, não há uma "solução definitiva" para as exigências de Praga e lembrou que a Eslováquia, tal como o resto dos países, não quer reabrir o debate sobre o Tratado assinado na capital portuguesa a 13 de Dezembro de 2007 e concebido para permitir um melhor funcionamento da Europa a 27.

Nesta altura, a Presidência Sueca está em contacto com a República Checa e com os demais Estados membros para tratar de chegar a um consenso, pois este tem de contar com o apoio dos 27.

Segundo fontes comunitárias, não há, por ora, negociações com a Eslováquia, que aguarda e quer ter o que for oferecido aos checos, com o argumento de que a sua situação jurídica é praticamente igual.

Por seu lado, a Áustria excluiu segunda-feira aceitar que apareçam referências aos Sudetas nos textos, segundo estas mesmas fontes.

A opção que continua a parecer mais provável é que os Chefes de Estado e de Governo da UE aceitem simplesmente que a República Checa e a Eslováquia se unam à Polónia e ao Reino Unido como países onde a Carta de Direitos Fundamentais não terá carácter vinculativo.

Para além de Klaus, a ratificação do texto está pendente da decisão do Tribunal Constitucional checo sobre o recurso apresentado por um grupo de senadores conservadores.

Hoje, terça-feira, o Tribunal realizará uma audiência sobre o caso e marcará a data em que anunciará se admite a tramitação do recurso.

Gripe A: Pandemia pode intensificar-se na Europa, advertem peritos da UE

O número de contágios e a extensão geográfica da gripe A (H1N1) estão a aumentar na Europa, alertaram na segunda-feira peritos do Centro de Prevenção e Controlo de Doenças da União Europeia (UE).

É necessário "estar alerta" face a uma nova onda da pandemia, preveniram.

"Em muitos países do continente está a avaliar-se uma recente intensificação da pandemia", disse o perito sobre gripe daquele centro, Angus Nicoll, durante a sua intervenção numa conferência de cientistas europeus sobre doenças infecciosas, realizada hoje em Estocolmo (Suécia) e divulgada na internet.

"Não sabemos quantas novas ondas do vírus vão chegar, a sua gravidade nem quanto durarão. Mas é seguro que virão e que isso acontecerá mais depressa do que se julga", alertou Nicoll.

O perito lembrou as "lições aprendidas" de países onde o Inverno austral já terminou, como a Austrália, onde "não se observou uma maior taxa de mortalidade (provocada por qualquer variante do vírus da gripe) do que em Invernos precedentes", em que o vírus da gripe sazonal foi o predominante.

Todavia, nos Estados Unidos - país em que a expansão do vírus começou antes de ocorrer na Europa - "a mortalidade até agora relacionada com a gripe foi superior", disse.

Segundo Nicoll, "a maioria dos contagiados pelo vírus ultrapassarão a doença por si sós e com sintomas leves", enquanto "uns poucos" poderão ser afectados de forma mais grave "e inclusive morrer".

O perito advertiu para a "maior pressão" a que ficarão submetidos os hospitais - e especialmente as unidades de cuidados intensivos - no caso de a epidemia se intensificar, e salientou a possibilidade de isto suceder na época natalícia, quando os serviços de saúde trabalham a meio gás.

Quanto à vacina, lembrou que é uma medida dirigida a "proteger os mais vulneráveis mas não a deter a pandemia", já que para isso se teria de imunizar uma percentagem mais elevada da população.

Outro dos peritos do centro que interveio na conferência, Tommi Asikainen, desmentiu, por seu lado, que a nova gripe seja "mais leve" do que a gripe comum.

"Existe uma confusão entre o que significa uma pandemia leve e um doença com sintomas leves. O vírus A (H1N1) não é mais leve do que a gripe sazonal, é diferente, já que provoca sintomas mais graves em jovens e grávidas", disse Tommi Asikainen.

"Os políticos repetem a mensagem de que a maioria das pessoas supera a doença sem problemas mas, às vezes, esquecem que 20% das mortes afectaram jovens sem problemas de saúde conhecidos", sublinhou.

Até agora morreram 261 pessoas e outras 63 mil foram infectadas pelo novo vírus na Europa, segundo os dados divulgados sexta-feira pela Organização Mundial de Saúde (OMS), que também assinalou um total de 414.945 casos e cinco mil mortes em todo o mundo.

Luxemburgo: Campanha de vacinação contra a gripe A começa hoje

A primeira fase de vacinação contra a gripe A (H1N1) no Grão-Ducado começa hoje, terça-feira, 27 de Outubro, e decorre até dia 31.

Nesta primeira fase, serão gratuitamente vacinadas as pessoas consideradas prioritárias: o pessoal do sector da saúde, as pessoas que se ocupam de crianças com menos de seis meses e a família destes bebés, as pessoas com doenças crónicas graves e as mulheres grávidas de mais de três meses.

O Ministério da Saúde encomendou 700 mil doses da vacina "Pandemrix" da farmacêutica GlaxoSmithKline, "para que toda a população tenha a oportunidade de se vacinar"explica o ministro da Saúde, Mars Di Bartolomeo. Sobre a eventual perigosidade da vacina, o ministro garantiu que esta "foi já administrada em 400 mil pacientes, sem problemas".

Segundo o mesmo, os jovens têm sido os mais atingidos pela gripe A, cerca de 80 % dos contaminados no Luxemburgo têm menos de 30 anos, e apenas 2% têm entre 50 e 59 anos, não sendo nenhum caso conhecido com mais de 60 anos.

Até 19 de Outubro, data em que foi revelado o último balanço do número de casos detectados, haviam sido registados 785 casos de gripe A no Luxemburgo, desde que a pandemia começou no Grão-Ducado, no início do mês de Junho.

"A vacinação é facultativa, mas é altamente aconselhável", disse o ministro, acrescentando que "apesar de a gripe A se ter revelado menos perigosa do que se previa, a segunda vaga de uma pandemia pode revelar-se mais virulenta do que primeira".

Segunda fase de vacinação em Novembro

A segunda vaga da vacinação está prevista para Novembro.

As pessoas que quiserem ser vacinadas podem dirigir-se a um dos centros especialmente previstos para o efeito:

- Forum Geesseknäppchen, em Merl, na capital
- Hall 6, da Luxexpo, no Kirchberg (somente a partir de quarta-feira, dia 28 de Outubro)
- Hall Desportivo Henri Schmitz, em Esch/Lallange
- Hall de La Chiers, em Differdange
- Centro Escolar e Desportivo de Wiltz
- Centro Cultural "Aal Seeërei", em Diekirch
- Complexo Escolar Renert, em Berbourg

EUA: Vítima de Polanski quer que a deixem em paz e ponham fim ao processo

A detenção do cineasta Roman Polanski causou problemas de saúde e laborais a Samantha Geimer, com quem terá mantido "relações sexuais ilegais" em 1977 e que agora apenas quer que a deixem em paz, segundo o seu advogado.

Num documento apresentado num tribunal de recurso da Califórnia, o advogado Lawrence Silver afirma que - desde que Polanski foi detido na Suíça, a 26 de Setembro último - ele e a sua cliente receberam cerca de 500 contactos da comunicação social, entre eles um convite para o programa da famosa apresentadora de televisão norte-americana Oprah Winfrey.

Ainda segundo o causídico, sempre que o realizador de "O Pianista" é notícia, a sua vítima, agora a viver no Havai, e a respectiva família têm de lidar com este tipo de pressões, que podem, inclusivamente, vir a custar-lhe o emprego, uma vez que o actual patrão se mostrou "desagradado" com o assédio mediático.

O documento termina dizendo que Samantha Geimer, actualmente com 45 anos, quer que deixem de a incomodar com o caso e solicita o fim do processo contra o realizador polaco, para poder "virar a página" e "encerrar o capítulo".

Samantha Geimer tinha 13 anos quando conheceu Polanski, que a convidou para uma sessão de fotografias em casa do actor Jack Nicholson. No final da sessão, o cineasta tê-la-á dopado com champanhe e drogas e insistido para que tivessem relações sexuais, forçando-a a ceder.

Acusado pelos pais da menor, o realizador foi condenado a 90 dias de prisão para avaliação do seu estado psiquiátrico, tendo sido libertado ao fim de 42 por estar "mentalmente são" e parecer incapaz de repetir o abuso.

O juiz revelou, então, que ia reenviar Roman Polanski para a prisão, para aí cumprir os 48 dias restantes, após o que lhe proporia uma deportação voluntária.

O cineasta decidiu voar de imediato para França, onde passou a viver, e não voltou aos Estados Unidos, onde se manteve pendente a ordem de captura contra si.

Ainda na sequência da queixa, Polanski terá aceite pagar a Samantha Geimer 500.000 dólares, embora não esteja claro se alguma vez esta chegou a receber a totalidade da indemnização.

A 26 de Setembro, o realizador deslocou-se à Suíça para receber um prémio de carreira atribuído pelo Festival de Cinema de Zurique, sendo então preso pelas autoridades helvéticas, que deram cumprimento ao mandado de captura da justiça norte-americana.

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Luxemburgo: Afinal, pantera avistada ontem em Bascharage e hoje em Merl era um gato

Após uma transeunte ter alertado as forças policiais por ter avistado uma pantera negra numa mata em Bascharage, no domingo à tarde, e após o suposto felino ter sido novamente visto em Merl (bairro periférico da cidade do Luxemburgo), a Polícia Grã-Ducal veio a público acalmar os espíritos anunciando que se trata afinal de um grande gato negro com patas brancas.

Luxemburgo: Linha telefónica esclarece todas as dúvidas sobre Direito do Trabalho

Um novo serviço de informação destinado a trabalhadores e que responde a todas as questões relacionadas com o Direito do Trabalho foi lançada na segunda-feira da semana passada pela Inspecção do Trabalho e Minas (ITM). O "help center" está acessível através do número de telefone 247 76 200 ou através da Internet.

Esta assistência telefónica tem por objectivo responder às questões colocadas pelos assalariados e dirigentes de empresas sobre temas de trabalho, tais como a legislação em vigor, as condições de trabalho ou a segurança e saúde dos trabalhadores.

Perguntas como quais são os prazos de pré-aviso do contrato de trabalho, quais são as características de um contrato de trabalho de estudante ou quais são os direitos do trabalhador em caso de cessação de actividade do empregador, por exemplo, poderão obter resposta no novo "help center".

"Nós sentimos a necessidade de informação, nomeadamente com a entrada em vigor do estatuto único", explica Paul Weber, director da Inspecção do Trabalho e Minas. "Desde sempre, temos uma permanência telefónica nos nossos escritórios do Luxemburgo, Esch-sur-Alzette e Diekirch. A partir de agora, em vez das três centrais telefónicas, tudo está centralizado e são funcionários do Estado e membros da Inspecção do Trabalho que acolhem as pessoas com dúvidas”.

No sítio Internet da ITM é possível consultar uma página com respostas a algumas questões. Residentes e trabalhadores fronteiriços encontram ali, em luxemburguês, francês, alemão e inglês, 200 perguntas-resposta sobre direito do trabalho. O ITM conta apresentar nos próximos meses também respostas às perguntas mais frequentes (FAQ).

Para além das questões de ordem geral, o "help center” assegura também um primeiro contacto com o ITM em caso de conflito no local de trabalho.

"De uma questão anódina sobre o salário mínimo, por exemplo, o assalariado pode ser levado a falar sobre a sua própria experiência e revelar práticas contrárias à lei”, prossegue Paul Weber. "O dossiê é então transmitido a um inspector do trabalho especializado no domínio de actividade em questão. E independentemente do que se passe a seguir, é importante precisar que a ITM não pode revelar a identidade do queixoso. É uma das exigências da nossa lei para a garantia de um trabalho independente”, garante.

Para já, o "help center” está aberto das 8 às 12 e das 14 às 17h, mas os trabalhadores podem pedir um encontro fora destas horas de funcionamento da linha telefónica.

Foto: Guy Jallay/Texto: F. Pinto

Luxemburgo: "A crise ainda não acabou", avisa Federação das Empresas Luxemburguesas

A Federação das Empresas Luxemburguesas (FEDIL) mostra-se preocupada com a competitividade da economia grã-ducal. A federação recorda que a crise ainda não acabou e expõe os desafios que o país terá de enfrentar.

Na sua já tradicional apresentação da rentrée , Robert Dennewald, presidente da FEDIL, passou a economia do país em revista, e avisa que muito embora as estatísticas recentes mostrem uma certa acalmia, o Luxemburgo ainda não saiu da crise.

Nicolas Soisson, director da FEDIL, junta-se ao presidente ao indicar que "a crise já chegou a todos os sectores da indústria". A produção industrial perdeu 22 % em 2009 e o valor da produção atingiu uma diminuição de 33 %. O emprego interno atravessa um período inédito com uma taxa de desemprego de 5,6 % em Agosto, ou seja 14.234 desempregados, e o número de postos de trabalho recuou de 358.384 em Julho para 356.996 em Agosto.

Para melhor integrar os trabalhadores do Luxemburgo no mercado, a FEDIL preconiza a reforma urgente da Administração do Emprego (ADEM) e não só uma "mudança do rótulo". Uma declaração que surge na sequência do anúncio feito em Março deste ano pelo anterior ministro do Trabalho, François Biltgen, de transformar a ADEM em "Agência Luxemburguesa para o Emprego" (ALE). A FEDIL exige mais do que uma simples gestão dos desempregados, a ALE "deveria estar ao serviço dos utentes, das empresas e da economia", defende a federação.

Em termos de competitividade, a FEDIL lamenta o alto custo da mão-de-obra nacional. Um custo em constante alta, segundo a FEDIL, devido ao aumento automático dos salários. Para a FEDIL, "a indexação [salarial] constitui um travão para a competitividade com os países vizinhos".

A FEDIL propõe uma moratória das convenções colectivas de trabalho tal como realizada no sector bancário e novas negociações quanto à indexação dos salários. Propostas contra às quais tanto o sector político como sindical se opõem.

A FEDIL revelou igualmente que constituiu um grupo de reflexão sobre a evolução da economia luxemburguesa a longo prazo. A federação também já considerou a ideia de criar um comité de pilotagem do sector não financeiro para aumentar a atractividade do país.

A FEDIL pronunciou-se ainda sobre o Orçamento de Estado 2010, estimando que "uma das formas de conter o défice passa pela revisão das transferências sociais e dos salários da Função Pública". O nível salarial elevado dos funcionários e as condições de segurança do emprego obriga as empresas privadas a aumentar a remuneração para atrair talentos e empurra os luxemburgueses a escolher uma carreira no sector público, alerta a FEDIL, revelando que cerca de 48 % dos luxemburgueses trabalham no sector público.

Christian Thiry, porta-voz do sector da construção na FEDIL, diz mesmo que "nestas condições, as empresas vão evitar empregar jovens nacionais por estes geralmente ficarem 'estacionados' nas empresas até entrarem na Função Pública".

Pedro Castilho

Luxemburgo: Ministra quer mais mulheres na política, no dia em que se assinalam os 90 anos da introdução do direito de voto universal no país

No Luxemburgo, o direito de voto universal foi introduzido há 90 anos, em 26 de Outubro de 1919. Antes disso, apenas 25% dos homens do país tinham o direito de votar.

A nova ministra luxemburguesa para a Igualdade de Oportunidades, Françoise Hetto-Gaasch, aproveita a efeméride que hoje se assinala para apelar aos eleitores e eleitoras, e sobretudo aos jovens, para mudarem esta situação. A ministra gostaria que mais mulheres se empenhassem na política, para contribuir a construir uma sociedade mais igualitária, pode ler-se em comunicado hoje divulgado.

"Apesar de o direito de voto universal ter sido instaurado em 1919, a participação das mulheres na política tem sido muito lento", considera a ministra.

"Actualmente, as mulheres representam apenas 20% dos parlamentares e 27% dos ministros. Estes números estão longe da realidade da representação destas na população global do país. Caso isso acontecesse, as mulheres ocupariam 50% desses cargos", observa a ministra.

Luxemburgo: Pantera negra avistada em Bascharage

Foto: Pierre Heiliger
A famosa pantera negra, que desde Setembro, deixou os habitantes de Longwy (cidade francesa próxima da fronteira) de sobressalto, foi segundo testemunho de uma mulher, vista num bosque próximo de Bascharage.

Após ter sido avistada em França e na Bélgica, na floresta de Anlier perto de Léglise, o animal atravessou a fronteira luxemburguesa.

Ontem pelas 15h30, uma transeunte avistou o felino num bosque próximo da zona industrial de Bommelscheuer em Bascharage.

As autoridades estimam que o inapreensível animal terá sido abandonado. Buscas levadas a cabo pela Polícia acompanhada de cães e enquadrada por um helicóptero equipado de câmaras térmicas revelaram-se infrutíferas.

A Polícia lança um apelo à população para contactar o mais rápido possível o 113 caso aviste a pantera.

As autoridades indicam que o animal se move com extrema rapidez e teme a presença humana.

Portugal: Novo Governo Sócrates toma hoje posse, às 12h (hora de Lisboa)

O novo Governo Sócrates toma hoje posse no Palácio da Ajuda, em Lisboa, numa cerimónia que terá início às 12h (hora local, + 1h no Luxemburgo) e contará com os discursos do Presidente da República, Aníbal Cavaco Silva, e do primeiro-ministro, José Sócrates.

O XVIII Governo Constitucional vai ter cinco mulheres em 16 ministros e apresenta no seu conjunto oito novos ministros.

Num total de 16 ministros, são novos Alberto Martins (Justiça), António Serrano (Agricultura, Desenvolvimento Rural e Pescas), António Mendonça (Obras Públicas, Transportes e Comunicações), Dulce Pássaro (Ambiente e Ordenamento do Território), Helena André (Trabalho e Solidariedade Social), Isabel Alçada (Educação), Gabriela Canavilhas (Cultura) e Jorge Lacão (Assuntos Parlamentares.

Transitam do XVII para o XVIII Governo Constitucional, mantendo as mesmas pastas, seis ministros: Luís Amado (Estado e Negócios Estrangeiros), Teixeira dos Santos (Estado e Finanças), Pedro Silva Pereira (Presidência), Rui Pereira (Administração Interna), Ana Jorge (Saúde), Mariano Gago (Ciência, Tecnologia e Ensino Superior).

Embora mudando de pasta, continuam também no Governo Augusto Santos Silva (transita dos Assuntos Parlamentares para a Defesa Nacional), Vieira da Silva (muda do Trabalho e da Solidariedade Social para a Economia, Inovação e Desenvolvimento).

João Tiago Silveira, que foi secretário de Estado da Justiça, assume agora as funções de secretário de Estado da Presidência do Conselho de Ministros.

Fotos: Lusa

Luxemburgo: Ministros dos Negócios Estrangeiros da UE reunidos hoje e amanhã no Kirchberg

Os ministros dos Negócios Estrangeiros (MNE) da União Europeia (UE) participam hoje e amanhã no Kirchberg num Conselho "Assuntos Gerais" e "Relações Externas".

Este conselho é dedicado à preparação do conselho europeu de quinta e sexta-feira, 29 e 30 de Outubro, em Bruxelas, que vai analisar as questões institucionais, a situação económica, financeira e social actual da União, bem como as questões das alterações climáticas e do desenvolvimento sustentável.

Os MNE vão abordar em prioridade a situação actual do Tratado de Lisboa, cuja ratificação depende hoje apenas da República Checa. O Tratado de Lisboa estipula, entre outros pontos, a eleição de um presidente para a UE. Dois dos nomes mais falados para esse posto são o primeiro-ministro luxemburguês, Jean-Claude Juncker, e o antigo primeiro-ministro britânico, Tony Blair.

Este conselho serve também para discutir o lançamento de uma estratégia comunitária sobre desafios comuns, como, por exemplo, os ligados às questões ecológicas.

Os MNE europeus vão também abordar a situação política no Irão, nos Balcãs ocidentais, bem como o dossiê nuclear.

Na terça-feira são discutidos os dossiês sobre a situação política no Afeganistão, Paquistão, Médio Oriente.

Os chefes da diplomacia europeia vão nomeadamente analisar a forma como deve ser reforçada a posição da UE no Afeganistão, como pode esta contribuir para assegurar a segurança da segunda volta nas eleições paquistanesas, o que pode ser feito para ajudar ao relançamento do processo de paz entre Israel e a Palestina.

Os MNE vão igualmente debruçar-se sobre a situação política instável na Guiné-Conakry e no Sri Lanka (Ceilão).

domingo, 25 de outubro de 2009

WWF: Em 2030, a Humanidade precisará de dois planetas

Ao ritmo do seu consumo actual, a Humanidade precisará de dois planetas no início da década 2030 para responder às suas necessidades, voltou a recordar recentemente o Fundo Mundial para a Natureza (WWF).

A impressão ecológica da humanidade, que avalia o consumo de recursos naturais, excede já 30% das capacidades do planeta para se regenerar, avisava já o WWF no seu relatório "Planeta Vivo 2008".

A pressão da Humanidade sobre o planeta mais do que duplicou no último meio-século devido ao crescimento demográfico e ao aumento do consumo individual, explica o relatório.

Esta sobre-exploração esgota os ecossistemas e os lixos acumulam-se no ar, na terra e na água.

O desflorestamento, a penúria da água, o declínio da biodiversidade e o desregramento climático provocado por emissões de gases com efeito de estufa, "põem cada vez mais em perigo o bem-estar e o desenvolvimento de todas as nações, explica o WWF.

O "Índice Planeta Vivo", ferramenta que mede a evolução da biodiversidade mundial e que analisa 1.686 espécies de vertebrados em todas as regiões do mundo, alerta que a biodiversidade diminuiu cerca de 30% nos últimos 35 anos.

Tendo em vista o declínio deste índice, "parece cada vez mais improvável atingir o objectivo contudo modesto visado pela Convenção do Rio sobre a diversidade biológica de reduzir a erosão da biodiversidade mundial até 2010".

Além da impressão ecológica mundial e do Índice planeta vivo, o relatório apresenta uma terceira medida, "a marca da água", que avalia a pressão sobre os recursos de água à escala nacional, regional ou mundial, resultante do consumo.

Ora a água é um recurso que está muito desigualmente repartido através do mundo.

Assim, meia centena de países vêem-se actualmente confrontados com um stress hídrico moderado ou grave, sublinha o WWF. E o número de pessoas que sofrem de escassez de água todo o ano ou de forma sazonal deverá aumentar devido às alterações climáticas, acrescenta.

Alterações climáticas: Fim da Terra será daqui a 500 milhões de anos, escreve Filipe Duarte Santos

A Terra vai deixar de ser um planeta azul para se tornar castanho avermelhado, como Marte, e os homens vão colonizar outros planetas ou ser substituídos por andróides... daqui a 500 milhões de anos.

O cenário parece uma passagem de um filme, mas é uma realidade científica explorada pelo especialista em alterações climáticas Filipe Duarte Santos no livro "Que Futuro? Ciência, Tecnologia, Desenvolvimento e Ambiente", lançado em 2007, com a chancela da Gradiva.

A obra situa a ciência e a tecnologia dentro da problemática do desenvolvimento e do ambiente do planeta e questiona a sustentabilidade do actual paradigma de crescimento.

"Há uma incerteza muito grande para os próximos 50 ou 100 anos, porque esse futuro depende muito da nossa acção individual e colectiva. Mas num horizonte de milhões de anos, são certas as transformações que o planeta vai sofrer" com a nova era glaciar, explicou à agência Lusa o especialista.

Nos próximos 500 milhões a 800 milhões de anos, o aumento da luminosidade do sol e da temperatura na atmosfera - que já se regista actualmente de uma forma lenta - é o principal responsável pelas grandes transformações.

Filipe Duarte Santos, baseando-se nos últimos estudos científicos sobre o tema, dá como certo o desaparecimento dos oceanos, cujos fundos ficarão cobertos por espessas camadas de sal e gesso.

"A Terra deixará de ser o planeta azul e irá adquirir uma cor castanha com tonalidades vermelhas tal como Marte", lê-se numa passagem do livro, na qual especifica que a evaporação dos oceanos vai tornar a atmosfera da Terra semelhante à de Vénus.

O autor questiona até onde irá chegar o homem nesta longa história e adianta que a resposta depende sobretudo da relação que o Homo Sapiens estabelecer com a biosfera e com a biodiversidade a médio e longo prazo.

Várias soluções de engenharia geofísica e planetária permitem ao autor imaginar como pode a Terra manter-se habitável para lá dos 500 a 800 milhões de anos.

Duas soluções: um espelho reflector contra a radiação solar ou emigrar da Terra para planeta extra-solar


Uma delas é colocar um espelho reflector da radiação solar entre a Terra e o sol, criando uma zona de sombra na Terra, para a proteger da crescente irradiação solar total.

Outro tipo de resposta para assegurar a sobrevivência é emigrar da Terra, sendo a alternativa mais próxima Marte, onde a irradiação solar total é inferior a metade da terrestre.

"Provavelmente Marte será colonizado pelos humanos muito antes das condições de habitabilidade da Terra se deteriorarem irreversivelmente. Mas Marte é um local muito inóspito para o homem", diz o autor.

A colonização do sistema solar é necessariamente um processo muito selectivo, conduzido por elites minoritárias, diz Filipe Duarte Santos, lembrando que esse processo vai certamente gerar problemas éticos, políticos e sociais graves.

Outra solução para a sobrevivência do homem é a busca de um novo abrigo num planeta extra-solar semelhante à Terra, ao qual teríamos de chegar por meio de uma longa viagem interestelar.

Depois do Homo Sapiens... a Maquina Sapiens

Para assegurar a sobrevivência depois dos 500 milhões de anos, o autor imagina um cenário ainda mais especulativo onde as limitações biológicas são ultrapassadas pela via do transhumanismo e o Homo Sapiens é substituído pela Maquina sapiens.

"Sendo possível conhecer completamente os mecanismos de funcionamento e as estruturas organizativas do cérebro humano, este podia ser reconstruído com as componentes orgânicas substituídas por nanoestruturas moleculares", defende na obra.

Este cérebro não biológico de dimensões muito reduzidas, que seria associado a um robot, podia ter autonomia e formas de consciência semelhantes à do Homem dos dias de hoje.

Mas algumas das grandes mudanças que o especialista dá quase como certas para o Planeta vão já acontecer nos próximos 50 mil anos.

Entre elas, estão os campos de gelo da Gronelândia e de Antárctica que deverão "fundir-se completamente" se a concentração de dióxido de carbono atmosférico ultrapassar determinados valores, provocando uma subida do nível médio do mar de cerca de 60 metros.

"Os países que, porventura, existirem nas latitudes elevadas do hemisfério norte, onde hoje se localizam os países escandinavos, o Canadá e uma boa parte da Rússia e dos Estados Unidos, ficarão soterrados debaixo de enormes camadas de gelo e as respectivas populações terão que migar para sobreviver".

Os ventos vão ser mais fortes, a massa de cobertura vegetal do planeta vai diminuir acentuadamente, as savanas vão proliferar e as florestas tropicais húmidas refugiar-se em pequenos nichos dispersos.

Quanto aos dias de hoje, o especialista constata estarmos numa fase de transição de uma época dominada pela supremacia dos combustíveis fósseis para "uma outra ainda mal definida e com muitas incertezas".

Como especialista em alterações climáticas, destaca as várias razões que aconselham a diminuir a dependência dos combustíveis fósseis, entre as quais a redução das emissões de dióxido de carbono, o aumento do preço do petróleo (já nos 100 dólares o barril) e a relativa insegurança do seu abastecimento face à certeza de que as reservas não são ilimitadas.

Filipe Duarte Santos diz, no livro, que tem esperança de que seja conseguida a exploração comercial da energia nuclear de fusão nos próximos 50 anos, a única solução de nuclear que considera dar a segurança necessária, mas salienta que as incertezas desta exploração são ainda muitas.

"Devemos fazer um grande esforço para reduzir o consumo de combustíveis fósseis e, simultaneamente, desenvolver e aplicar tecnologias de captura e sequestro de dióxido de carbono emitido nesse consumo. É um desafio muito grande", refere na obra.

"A capacidade de a ciência e a tecnologia assegurarem a continuidade do actual paradigma do crescimento está limitada, em última analise, pelas leis da natureza", concluiu o especialista.

Espaço: Portugueses envolvidos em missão europeia de observação da Terra, satélite é lançado a 2 de Novembro

Engenheiros portugueses contribuem para numa nova missão espacial europeia de exploração da Terra, com um processador de dados crucial num satélite de recolha de indicadores de alterações climáticas a lançar em 2 de Novembro.

Esta "Missão da Água" da Agência Espacial Europeia (ESA), orçada em 315 milhões de euros, irá produzir observações globais da hidratação do solo em toda a massa terrestre e da salinidade dos oceanos, com aplicações práticas em áreas como a meteorologia, agricultura, pescas, marinha e gestão dos recursos de água.

Os dados a recolher pelo SMOS (acrónimo em inglês para Humidade do Solo e Salinidade Marinha) servirão para definir modelos físicos do comportamento do clima a nível planetário, a partir dos quais será possível extrair indicações sobre as correntes oceânicas, a desertificação, o degelo das calotas polares ou a previsão de fenómenos meteorológicos extremos.

O satélite - com lançamento previsto na base militar russa de Plessetsk, perto de Moscovo - fornecerá mapas globais da hidratação do solo pelo menos a cada três dias e mapas da salinidade a cada 30 dias, o que levará a uma melhor compreensão do ciclo da água, nomeadamente dos processos de troca entre a superfície da Terra e a atmosfera.

O envolvimento de engenheiros portugueses no projecto começou em 2003, depois de um consórcio formado pela Deimos Engenharia e a Critical Software ter ganho um concurso europeu para o desenvolvimento do processador de dados de um aparelho produzido pela EADS CASA Espacio, em Espanha.

"Foi necessário criar todo um algoritmo bastante complexo para interpretar fisicamente os dados recolhidos pelo satélite", disse à Lusa o director da Deimos Engenharia, Nuno Ávila.

O objectivo do processador de dados "é pegar nas medições em bruto recolhidas pelo satélite, que consistem em sinais de rádio na frequência das micro-ondas emitidos pela superfície terrestre, e relacioná-las de forma muito específica para determinar em permanência a salinidade do mar e a humidade da terra", explicou.

Nas primeiras fases do contrato, que já vai em cerca de três milhões de euros, a Deimos Engenharia teve como parceira outra empresa portuguesa, a Critical Software, sendo que o INETI teve também uma pequena participação inicial.

Este projecto, segundo Nuno Ávila, é um dos "ex libris" da Deimos Engenharia por se tratar de "todo um sistema" e não apenas de uma parte. É que a empresa - criada em 2002 e que tem na ESA o seu principal cliente, embora já tenha vendido software à NASA - faz geralmente subsistemas.

"Neste caso, há um princípio, um meio e um fim", afirmou. "Todos os dados do SMOS passam pelo nosso processador".

Uma equipa de três engenheiros aeroespaciais e físicos da empresa estará no Centro de Controlo da ESA (ESAC) em Villafranca del Castilho, perto de Madrid, a receber os primeiros dados do satélite e a fazer, juntamente com outras equipas da ESA, a validação e afinação do algoritmo.

O satélite, cujo lançamento está marcado para as 1h50 (hora de Lisboa) de 2 de Novembro, ficará numa órbita polar, a 757 kms de altitude.

Texto: Lusa / Foto: Domínio Público

Hoje é o dia mais longo do ano

Os relógios recuaram uma hora esta madrugada, dando início ao horário de Inverno, que se prolongará até Março de 2010, altura em que se regressa à hora de Verão.

Este domingo será o dia mais longo do ano, com 25 horas, uma vez que a hora legal foi atrasada em 60 minutos às 3h no Luxemburgo passando para as 2h.

A mudança de hora deve-se a uma directiva que determina que os países da União Europeia devem entrar na hora de Verão no último domingo de Março e adoptar a hora de Inverno no último domingo de Outubro, independentemente do fuso horário em que se encontrem.

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Luxemburgo: Lojas da capital abertas hoje

Foto: Marc Wilwert

As lojas da cidade do Luxemburgo (no centro e no bairro da Gare) estão abertas este domingo por ocasião do tradicional "Mantelsonndeg" - o "Domingo dos Casacos" - , das 14h às 18h.

A origem desta iniciativa vem do tempo em que as pessoas das aldeias do Grão-Ducado se deslocavam à capital no domingo que precedia o feriado de Todos-os-Santos para comprar um novo casaco para o Inverno.

O município da cidade do Luxemburgo disponibiliza autocarros, nomeadamente a linha 1, a partir das 13h03 todos os sete minutos desde o parking Bouillon até ao bairro da Gare e até ao centro Hamilius (boulevard Royal).

Já o "City Shopping Bus" parte todos os 10 minutos, entre as 13h30 e as 18h30, da place du Glacis até à rue Beaumont (perto do Teatro des Capucins).

Os autocarros são gratuitos.

Luxemburgo: Último dia da Feira de Outono, na Luxexpo

Foto: Marc Wilwert

Decorre hoje o último dia da Feira de Outono, na Luxexpo, no Kirchberg.

Durante cerca de duas semanas, o certame teve por temáticas centrais a construção, renovação e decoração do lar, bem como o design de interiores e o artesanato.

Com cerca de 500 expositores, a feira conta com tudo o que é necessário para quem queira construir, renovar, fazer obras ou simplesmente decorar a casa.

No certame é possível encontrar ofertas para todos os gostos e necessidades, procurar móveis, cortinas, trabalhos em carpintaria ou serralharia, varandas, jacuzzis, portas, janelas, lareiras ou mesmo fornos para fabricar a sua própria piza em casa.

Dividida em dois sectores, a feira oferece num pavilhão tudo o que é oferta relacionada com a construção e/ou renovação de uma casa. Num segundo pavilhão, pode encontrar-se material ligado ao design e decoração de interiores, mas também expositores de artesanato com jóias, roupa em pele ou tapeçaria.

A maior parte dos expositores e artesãos são nacionais, franceses e alemães, que aproveitam esta oportunidade para apresentar os seus produtos e tentar cativar clientela.

O stand colectivo luxemburguês, que conta com cerca de 100 expositores, focou-se sobretudo na construção e habitação, dando a oportunidade a cada expositor de ter uma vitrina num evento de tal envergadura.

Alguns pequenos empresários presentes queixavam-se da pouca afluência de público em comparação com anos anteriores. No entanto, segundo dados da "Chambre des Métiers", apesar de um ambiente de "crise" e incerteza, a taxa de participação da parte das Pequenas e Médias Empresas luxemburguesas não se alterou. Ainda que este "não tenha sido um ano mau, as empresas luxemburguesas não querem descansar à sombra da bananeira", segundo um dos responsáveis da "Chambres des Métiers" e esperam que com a Feira de Outono, "surjam ainda mais encomendas. Muitos dos stands oferecem, aliás, condições especiais de venda durante esta semana.

O certame é ainda incontornável quanto a produtos inovadores em termos de poupança e optimização de energia quando se trata de construir, renovar ou decorar uma casa.

Suzana Lopes Cascão/Rdc

sábado, 24 de outubro de 2009

Portugal: Novo livro de José Rodrigues dos Santos aborda faceta deconhecida do Islão

A revelação da "faceta desconhecida do Islão" é a aposta do jornalista José Rodrigues dos Santos, autor de "Fúria Divina", livro hoje lançado e que propõe uma "viagem a um dos grandes temas do nosso tempo", o radicalismo islâmico.

"Fúria Divina" é a sétima obra do jornalista da RTP, que durante meses percorreu as palavras dos principais textos religiosos do Islão e até contou com a ajuda de um antigo operacional da rede Al-Qaeda.

"A minha principal motivação é usar uma narrativa ficcional de amor e espionagem para transportar o leitor numa viagem a um dos grandes temas do nosso tempo - o radicalismo islâmico", afirmou à Lusa José Rodrigues dos Santos.

"A maior preocupação era falar sobre alguns aspectos perturbadores do Islão sem ofender os crentes desta importante religião. Daí o meu cuidado, ao longo do romance, em apresentar o Islão com recurso às próprias palavras do Alcorão e do profeta Maomé", reforçou.

Para o escritor, em Portugal, e no Ocidente em geral, existe uma "enorme ignorância em relação ao Islão".

"Achamos que é uma religião com um pacifismo parecido com o cristão e que os radicais islâmicos não passam de um bando de loucos. Mas os exames psicológicos que lhes foram feitos pela CIA e pela Mossad mostram que se tratam de pessoas perfeitamente normais. Se assim é, por que razão fazem eles estes actos?", disse.

A resposta, segundo o autor, está imortalizada nos versículos do Alcorão.

"Diz, por exemplo, um versículo do Alcorão: 'Matai-os até que a perseguição não exista e esteja no seu lugar a religião de Deus.'. Na verdade, 60 por cento do Alcorão são ordens para a guerra. Isto é algo que nunca ninguém nos tinha contado", referiu o escritor, reconhecendo que a sua percepção do mundo islâmico também mudou.

"Descobri que o Islão também é o que nos dizem, mas existe uma outra faceta que nunca nos é mostrada a nós, ocidentais. E é essa faceta desconhecida que Fúria Divina traz a público", afirmou.

A aventura tem um protagonista já conhecido dos leitores portugueses, Tomás Noronha, um professor da Universidade Nova de Lisboa, perito em criptanálise e línguas antigas.

O thriller de quase 600 páginas "parte de duas premissas centrais: e se a Al-Qaeda tem a bomba atómica? E se o Islão dos fundamentalistas é o verdadeiro Islão?", revelou o autor.

A par dos textos religiosos, o trabalho de campo, de acordo com o jornalista, envolveu também documentos dos principais autores fundamentalistas, obras técnicas sobre engenharia nuclear e a recolha de testemunhos de muçulmanos, moderados e radicais.

Açores, Veneza, Nova Iorque, Egipto, Paquistão e Arménia foram destinos visitados por José Rodrigues dos Santos e os escolhidos para os cenários do "Fúria Divina".

Mas, foi a ajuda de Abdullah Yusuf, um ex-operacional da Al-Qaeda, que suscitou mais curiosidade.

"Consegui o contacto dele através de um clérigo que sabia de uma pessoa que o conhecia. Tão simples como isso. E contactei-o pela Internet, uma vez que este ex-operacional nasceu e vive em África", explicou.

Abdullah Yusuf chegou estes dias a Portugal, para a apresentação pública do livro, ocasião que serviu para o escritor conhecer pessoalmente o ex-operacional.

Sobre os meios muçulmanos portugueses e as possíveis reacções ao romance, o jornalista contou que depois de escrever, e antes publicar, mostrou o livro a vários muçulmanos portugueses.

"Confirmaram-me que tudo o que está escrito em Fúria Divina é verdadeiro, embora admitam que muitas pessoas, incluindo outros muçulmanos, desconheçam certos pormenores mais perturbadores se lidos à letra", frisou.

Questionado sobre o medo das reacções, o autor garantiu não ter, porque "um escritor que tenha medo não é escritor".

Portugal/Futebol: Benfica quer chegar aos 300 mil sócios

O presidente do Benfica, Luís Filipe Vieira, reafirmou hoje, durante um almoço em Pataias, Alcobaça,que a nova meta para o clube é chegar aos 300 mil sócios.

O líder do clube da Luz esteve na Casa do Benfica de Pataias a inaugurar a implementação do projecto de uniformização de imagem, que está a ser desenvolvido em todas as casas dos “encarnados”.

Perante cerca de 250 pessoas, Vieira lembrou que enviou esta semana “uma carta a todos os sócios, transmitindo-lhes uma sentida homenagem” por ter sido ultrapassada a marca de 200 mil sócios.

“É algo que poucos acreditavam”, frisou, referindo que “as “pessoas são o ‘motor’ e a referência maior do clube” e apelando aos simpatizantes para que se façam sócios: “Ajudem-nos a apontar para a meta dos 300 mil associados e a ser mais fortes cada dia que passa”.

O presidente do Benfica salientou o papel das Casas na vida do clube, pois “têm um papel muito importante na sua estratégia”.

“Pataias representa o que queremos para o futuro das Casas do Benfica: a uniformização da imagem, prestação de novos serviços e dinamização de novas parcerias comerciais”, explicou o presidente dos “encarnados”.

Para Luís Filipe Vieira, as casas têm de “acompanhar os tempos e as novas oportunidades” e “modernizar-se” para acompanhar a evolução do clube.

“É-me grato ver como o clube mudou e como os benfiquistas estão mais confiantes no futuro. Se soubermos ser determinados, se nos concentrarmos nos desafios essenciais, nada nem ninguém nos poderá parar”, salientou ainda o presidente do Benfica.

Em resposta aos que “falam muitas vezes” do Benfica, Luís Filipe Vieira garantiu que sabe para onde o clube quer ir e o que deve fazer para chegar lá. “Precisamos, apenas, de reclamar a todo o momento a verdade que durante muitos anos faltou ao futebol português”.

Ao chegar a Pataias, Luís Filipe Vieira foi recebido na Junta de Freguesia, onde prometeu aos sócios “melhores resultados desportivos”, mas acautelou que “é preciso ter os pés bem assentes na terra” e “respeitar todos os adversários”.

“Títulos só se ganham depois de percorrer um grande caminho e ainda temos um grande a percorrer. Lentamente temos conseguido os nossos objectivos”, acrescentou.

Luís Filipe Vieira esteve acompanhado do vice-presidente para as Casas do Benfica, Domingos Almeida Lima, e da águia Vitória e seu tratador, Juan Barnabé.

Com 200 mil sócios, o Sport Lisboa e Benfica (SLB) é o maior clube do Mundo em termos de número de sócios.

O top 5 mundial dos clubes com mais sócios:

1- SL Benfica: 200.000
2- FC Barcelona: 163.000
3- Manchester United: 155.000
4- Bayern München: 153.000
5- FC Porto: 92.000

Fonte: sports.yahoo

Luxemburgo: Um em cada sete residentes no Grão-Ducado é pobre

A 17 de Outubro assinalou-se o Dia Mundial para a Erradicação da Pobreza. A efeméride foi assinalada um pouco por todo o mundo. No Luxemburgo também; um país onde é preciso quase três mil euros, por mês, para sobreviver e onde 13,4% da população vive abaixo do limiar da pobreza. Num contexto de pobreza mundial, 2010 será o Ano Europeu do Combate à Pobreza e à Exclusão Social.

Um em cada sete habitantes no Luxemburgo é afectado pela pobreza, ou seja, 13,4% da população vive abaixo do limiar da pobreza. As conclusões são do Statec, o organismo de estatísticas do Grão-Ducado, e que foram divulgadas no âmbito do Dia Internacional de Erradicação da Pobreza, assinalado no sábado passado. Os números referem-se a 2008 e constam do quinto relatório sobre o "Trabalho e a Coesão Social no Luxemburgo".

Mas afinal, o que é ser pobre? Em 2001, os ministros europeus clarificaram este conceito precisamente quando definiam a Estratégia de Lisboa, visando fazer da Europa a economia mais competitiva do mundo. Assim, para determinar o limiar mínimo da pobreza de uma população, consideraram que era preciso conhecer o rendimento líquido mediano disponível de um adulto (não confundir com o rendimento líquido médio). No Luxemburgo, esse montante elevava-se a 4.172 euros por mês em 2008, o que significa concretamente que metade dos lares dispunha de menos de 4.172 euros por mês, enquanto que a outra metade dispunha de mais de 4.172 euros por mês.

No entanto, uma família numerosa precisa de fazer face a despesas mais importantes que um lar composto por uma só pessoa. É por isso que, tendo em conta a composição dos agregados familiares, o Statec calculou que o “rendimento mediano disponível de um adulto” correspondia a 2.625 euros por mês. O Conselho Europeu definiu que se um lar não dispuser de 60 % deste rendimento mediano, "está no limiar da pobreza".

Em termos práticos, são consideradas pobres, por exemplo, as pessoas que vivem sozinhas, com um rendimento mensal disponível que não ultrapasse os 1.546 euros, ou uma família composta por dois adultos e duas crianças com menos de 14 anos, cujo rendimento disponível não seja superior aos 3.246 euros. Nesta situação estão 13,4 % da população do Grão-Ducado.

Uma taxa que, no Luxemburgo, permanece estável apesar da crise, numa altura em que o desemprego sobe por toda a Europa, com perspectivas de que ele se mantenha alto por bastante tempo. Esta tendência indica, de acordo com Serge Allegrezza, director do Statec, que "nós dispomos de fortes estabilizadores sociais, que temos um tecido social que funciona muito bem". E a iniciativa do Governo de manter elevadas as despesas sociais em 2010 deixa Serge Allegrezza bastante optimista, afirmando "não esperar grandes mudanças dramáticas", na medida em que o crescimento económico evoluir como está previsto.

Mesmo que o nível salarial baixasse, a taxa de lares "no limiar da pobreza" não teria necessariamente de aumentar, pois trata-se de um cálculo relativo que depende do salário mediano. Se o salário mediano baixar, o limiar da pobreza baixará também. "Aqueles que criaram esta definição tinham sem dúvida um problema com a palavra pobreza", comentou ainda Serge Allegrezza, estimando que o "risco de pobreza" é hoje em dia "uma espécie de rótulo". E àqueles que, em vez de ficaram contentes com a estabilidade das taxas, desejariam vê-las baixar, Serge Allegrezza responde: "Há possibilidades de fazer de outra forma, mas falar de transferências sociais e de impostos, é uma questão sensível e política. Mas é óbvio que o limiar da pobreza não descerá sozinho."

Dinheiro e satisfação com a vida

O Statec dedicou-se igualmente a analisar a questão das classes médias. Para além dos tradicionais trabalhadores liberais, os assalariados com um elevado nível de formação vieram a pouco e pouco instalar-se no Luxemburgo (quadros, engenheiros, mas também altos funcionários). Concretamente, o Statec estima que pertencem a estas classes os lares que dispõem de 1.800 a 3.900 euros por mês. O que corresponde a 60 % da sociedade. Um número estável desde 1995. De novo, contrariamente àquilo que se passa em certos países europeus, as classes médias luxemburguesas não diminuíram os rendimentos.

Resta saber se o dinheiro, para além do bem-estar material, traz a felicidade. O Statec nota que ao mesmo tempo que o PIB por habitante não parou de aumentar desde os anos 1980 até 2007, paralelamente, a noção de "satisfação com a vida" mantém-se estável no Luxemburgo. Serge Allegrezza sublinha que, apesar de nos outros países europeus se verificar uma correlação muito clara entre "satisfação com a vida" e o PIB por habitante: "O dinheiro não traz a felicidade, mas ajuda muito". Os habitantes do Luxemburgo parecem, no entanto, ser mais difíceis de satisfazer que a média dos seus conterrâneos europeus.

Estudo do CEPS/Instead revela necessidades orçamentais dos residentes no país: pelo menos 2.486 euros por mês para sobreviver

O CEPS/Instead (Centro de Estudo das Populações, da Pobreza e das Políticas Socioeconómicas / International Network for Studies in Technology, Environment, Alternatives, Development) acaba de publicar um estudo sobre as necessidades financeiras dos cidadãos no Grão-Ducado.

Os lares consideram que é necessário dispor em média de 2.486 euros mensais para fazer face às despesas, segundo revela este estudo. Todos os anos é colocada a mesma questão aos lares inquiridos: "Na sua opinião, qual seria para um agregado da sua dimensão o montante mensal mínimo necessário para fazer face às despesas que tem?".

A esta questão, junta-se uma outra que diz respeito à percepção do conforto financeiro do lar: "Se tivermos em consideração os recursos mensais do seu agregado, diria que lhe permitem viver muito dificilmente, dificilmente, mais ou menos dificilmente, mais ou menos facilmente, facilmente ou muito facilmente?"

Um pouco mais de oito em cada 10 lares consideram conseguir viver com os rendimentos mensais de que dispõem. Em 2007, os resultados do estudo mostraram que 82 % dos lares do Luxemburgo dispunham de recursos mensais que consideravam suficientes para lhes permitir viver mais ou menos facilmente, facilmente ou muito facilmente (ou seja, respectivamente 30 %, 41 % e 11 %).

Cerca de 18 % dos lares têm a percepção de que os seus recursos mensais lhes permitem viver mais ou menos dificilmente (11 %), dificilmente (5 %) e muito dificilmente (2 %). Para poderem simplesmente fazer face às despesas com o dinheiro que dispõem, os luxemburgueses estimam precisar em média de 2.486 euros por mês.

Esta média esconde disparidades de acordo com o número do agregado familiar: 1.770 euros para um agregado composto por uma pessoa, 2.394 euros para um agregado de duas pessoas, 2.780 euros para três pessoas e 3.100 euros para quatro pessoas.

O estudo pode ser consultado na na página www.ceps.lu , na internet.

Foto: Marc Wilwert/Texto: Cristina Campos