quarta-feira, 9 de maio de 2012

Trabalhadores da Construção Civil dizem não às 52 horas e devolvem a proposta ao patronato


Mais de três mil trabalhadores da Construção quiseram dizer “não às 52 horas” na manifestação convocada na sexta-feira passada pelas centrais sindicais LCGB e OGB-L. Os sindicatos esperavam duas mil pessoas, mas o Centro Atert, em Bertrange, foi pequeno para tanta gente. "Não às 52 horas!”, “Queremos a nossa vida familiar!” ou “Melhores salários!”, foram algumas das palavras de ordem ouvidas contra o patronato.

Na base desta primeira manifestação organizada pelas duas centrais sindicais luxemburguesas, está o impasse nas negociações da convenção colectiva do sector e a recente proposta de flexibilização das horas de trabalho por parte do patronato da Construção e Engenharia Civis.

O patronato quer aumentar o número de horas de trabalho por semana, entre Abril e Outubro. Os trabalhadores podem vir a ter de fazer um máximo de 52 horas por semana, contra as actuais 48, para compensar o tempo perdido no Inverno por causa da "chômage intempéries" (licença de mau tempo). Com este modelo, os trabalhadores poderiam receber o salário integral durante o Inverno. Actualmente, e durante a "chômage intempéries", recebem apenas 80 % da soma. A OGB-L e a LCGB estão contra o aumento para 52 horas e dizem que este "constitui um grave atentado contra as condições de trabalho de dezenas de milhares de trabalhadores no sector da construção."

UMA VIDA DE SINDICÂNCIA

Aníbal Pinto, deixou o concelho de Pombal para chegar ao Luxemburgo no dia 5 Setembro de 1966, há 46 anos. Trabalha na construção civil há 35 e leva os mesmos anos de sindicância. Os pioneiros do 1o de Maio são a sua referência.

"Houve muito boa gente que lutou pelas 40 horas semanais e por um ordenado. As 40 horas semanais chegam bem, mas o ordenado é pouco. O 1o de Maio foi fundado com uma revolução na América há muitos anos para reivindicar as condições de trabalho. Houve pessoas que morreram a reivindicar esses direitos e esses foram os mais importantes para mim. Depois de tudo o que se passou, se isto voltasse atrás seria uma vergonha. Por isso, hoje, quem quiser ir para a frente tem de lutar", desafia Aníbal Pinto.

Em 1966, no Luxemburgo, os trabalhadores da construção faziam em média 10 horas por dia, mas naquele tempo as condições eram diferentes e "eram poucos os que reclamavam".

"Quando cheguei, em 1966, era corrente trabalhar 10 horas por dia, mas os patrões pagavam as horas extraordinárias e as deslocações para quem tinha de ir trabalhar para mais longe. Hoje, essas coisas já não existem. É certo que se faziam 10 horas, mas nessa altura havia pouca gente que reclamava as horas de trabalho", lembra o trabalhador da construção.

"Os italianos eram os que cá estavam antes e ganhavam bem. Nesse tempo, quem não estivesse contente com o patrão no dia seguinte tinha outro e já estava a trabalhar. Não se perdia nenhum dia. Ainda solteiro, trabalhei com cinco patrões e só perdi um dia de trabalho, porque quando saía de um patrão já tinha outro", recorda.

Aos 22 anos casou-se e quando a mulher ficou sem trabalho era o seu salário da altura que suportava tudo.
"Comparativamente, ganhava-se mais naquela altura do que hoje. Nesse tempo, a minha mulher deixou de trabalhar e mesmo assim o salário ajudava para viver. Já hoje, não imagino um casal a trabalhar só com um salário. Penso que não dava para aguentar. As dificuldades são outras e o euro também veio dificultar muito o custo de vida e tem sido, dia-a-dia, uma grande mudança", lamenta.

Passados quatro décadas e a um ano da reforma, Aníbal mantém a rotina casa-trabalho-casa. A mesma rotina para cerca de 12 mil portugueses que trabalham na construção, no Luxemburgo. Talvez como recompensa pela idade, e ao contrário de muitos colegas, tenha tido a sorte de trabalhar a 20 minutos de casa. "Por acaso, não perco muito tempo para o trabalho. Em 20 minutos estou em casa, mas há colegas que moram bem mais longe do que eu, e muitos deles além-fronteira, a 80 e 90 quilómetros", diz.

"Esses homens, com 12 horas de trabalho e mais duas horas de caminho entre casa-trabalho-casa, fazem 14 horas por dia. Não têm tempo para a família e, além disso, o cansaço é um perigo. Lembro-me de uns painéis na estrada que diziam ‘o cansaço mata’. Mas o cansaço não mata só na estrada, também mata nas obras. Se não for isso, os erros começam a aparecer no trabalho e a qualidade deixa de ser a mesma. Falta-me um ano para a reforma, mas eu não penso só em mim, penso também no futuro e vejo aqui razões para continuar a lutar", afirma convicto Aníbal Pinto.

"A VIDA FAMILIAR ACABOU. VAI HAVER MAIS DIVÓRCIOS"

Apesar dos discursos oficiais em francês, a língua portuguesa – "língua oficial da construção" – fez-se notar entre os mais de três mil manifestantes. A maioria eram portugueses, mas também marcaram presença alguns cabo-verdianos, ex-jugoslavos, e outras nacionalidades vindas de diversos pontos do país.

No final da manifestação, o CONTACTO sentiu o pulsar de alguns portugueses e ouviu as suas preocupações.
"Estava a par do que se passava, mas fiquei um pouco mais esclarecido ao vir aqui. Acho que é muito má esta proposta das 52 horas e não podemos deixar isto ir para a frente", refere Mário Mendes, que leva já 20 anos de construção civil no Luxemburgo. "Acho que as 40 horas estão bem e para quem tem de fazer muitos quilómetros, 12 horas por dia é impossível. As pessoas têm de ter a noção que esta vida da construção é muito dura", conclui.

"Com o aumento das horas, acho que acabou a vida de família. Penso que vai haver mais divórcios porque quando se vive com uma mulher e não se passa tempo com ela a relação degrada-se. Vai ser trabalho e mais trabalho, e quando chegarmos a casa vamos querer é dormir e nem vamos ter tempo para ter relações com a mulher. De certeza que a mulher vai arranjar outro com quem fazer a vida de casa, porque não vamos estar em casa. Isto não pode ser", desabafa Fernando Afonso.

Pascoal Quintas partilha também a preocupação familiar. "Se isto for levado a cabo vai prejudicar muita gente, muitas famílias. Vai haver mais cansaço, mais acidentes de trabalho e praticamente não vai haver tempo para estar com a família. No meu caso, tenho de levantar-me às 5h30 e pôr-me a caminho do trabalho às 6 horas. À tarde, chego a casa por volta das 17h30 ou 18h, e com o trânsito chego a fazer, às vezes, mais de uma hora de trajecto. Se aumentarem as horas, toda a gente vai sair à mesma hora do trabalho e o trânsito vai continuar o mesmo. Ainda não sou casado, mas quando isso acontecer, vou ser prejudicado como qualquer casal", antevê o jovem de 27 anos.

"Estamos sujeitos a estas coisas, mas acho mal. É muita hora de trabalho por dia para quem, ao fim de um dia de trabalho pesado, chega a casa e tem a família. Se oitos horas já são duras, quanto mais 12. Sei que existe uma lei que não deixa fazer mais de 48 horas, mas não sei como é que os patrões vão dar volta a isso. Estou confiante que o sindicato vai ganhar [esta causa]", confia Arlindo Campelo, residente no Luxemburgo há 11 anos.

"Há algo alguns meses, devido às horas extras, os patrões queriam reduzir as horas porque o pessoal estava muito cansado. Agora, querem aumentar as horas? Há aqui algo que não bate certo", refere, por seu lado, Marcelo Afonso, que qualifica ainda a proposta dos patrões de "estúpida". "Se um patrão tem, por exemplo, cinco pessoas, ao fim de uma semana de 52 horas, essas cinco pessoas vão fazer uma semana a mais de trabalho. Ao fim do mês vai ser o dobro do trabalho. Ou o patrão tem muito trabalho em carteira ou vai ter de reduzir o número de trabalhadores ao fim de um ano, porque não vai precisar de tanto pessoal. Fala-se tanto em falta de trabalho e acho essa proposta de aumento de número de horas uma estupidez", desabafa.

Já Aníbal Pinto vê na manifestação um “sentir do pulso” e uma organização capaz e preparada para novas batalhas. “Hoje está na moda exagerar e ultrapassar os limites. Os patrões bem tentam, mas estamos aqui para apoiar os sindicatos. Penso que esta manifestação serviu para sentir o pulso, e vejo que os que aqui estiveram estão dispostos a ir a mais manifestações, caso seja necessário, e acredito que podem trazer ainda mais gente. Os patrões até podem conseguir obter 48 horas, mas mais do que isso seria uma vergonha. Quanto à questão salarial, já nos cortaram um dos dois "índex" [ indexação automática dos salários, n.d.R. ] por ano e estão a ver se cortam também o outro. O meu lema é 'uma pessoa que é bem paga, faz um bom trabalho e um mal pago faz um mal trabalho’, por isso, um operário bem pago rende mais do que um operário insatisfeito", diz o operário da construção.

NEM TODOS OS PORTUGUESES ACREDITAM NOS SINDICATOS

"Os portugueses são conhecidos como bons trabalhadores e não são idiotas. Gostam de ver o trabalho reconhecido, mas alguns não pensam nisto e só pensam em trabalhar. Não ligam ao trabalho sindical e não estão dispostos a pagar uma quota ao sindicato porque, segundo eles, o sindicato não faz nada por eles e não vale a pena" denuncia ainda Aníbal Pinto.

"A questão é que os sindicatos no Luxemburgo não são tão extravagantes como noutros países, onde se apela à greve diariamente, mas penso que nas mesas das negociações fazem o trabalho deles. Estou sindicalizado há 35 anos e se não pensasse assim, não pagava a minha quota. Os sindicatos são o nosso porta-voz e nós temos de acompanhá-los, mesmo que isto chegue à greve", insta.

"Greve" é uma palavra quase tabu no Luxemburgo e há poucas memórias deste fenômeno no Grão-Ducado.
"Desde que trabalho, só conheci um ou dois dias de greve. O Luxemburgo não é um país disso e nunca houve assim grandes greves. Já se conheceu uma greve geral. Bom… não sei se devo dizer ‘geral’ porque foi na ordem dos 70 %, aqui há uns 25 ou 30 anos. Houve depois umas grevezitas, mas de 100 % nunca houve. Quanto a manifestações de descontentamento isso houve e deve-se fazer", conclui Aníbal Pinto.

"ESTA MANIFESTAÇÃO FOI UM SUCESSO"

Para a organização, esta primeira manifestação foi “um sucesso” e uma primeira resposta à proposta do patronato. “Foi um grande sucesso esta primeira concentração. O patronato diz que as pessoas querem trabalhar mais e que o sindicato está contra tudo, mas vimos claramente que as pessoas não estão de acordo com as 52 horas semanais. Foi sempre o que afirmámos, e isso contraria o que o patronato diz", refere o responsável pelo sector da construção da LCGB, Jean-Paul Fischer.

"No início, contávamos com duas mil pessoas, mas a sala estava cheia. Montámos um ecrã gigante na entrada do pavilhão e mesmo assim havia pessoas na rua. Estiveram aqui mais de três mil pessoas, o que foi um sucesso. Quanto à mensagem, ela foi clara: as pessoas estão contra a proposta de aumento das horas de trabalho. Querem, sim, um aumento do salário, algo que não acontece há alguns anos e querem também respeito", disse o responsável da construção da OGB-L, Jean-Luc de Matteis.
Texto: Henrique de Burgo
Fotos: Marc Wilwert

O que diz a directiva comunitária sobre as horas de trabalho

"Directiva 2003/88/CE do Parlamento Europeu e do Conselho, de 4 de Novembro de 2003, relativa a determinados aspectos da organização do tempo de trabalho:

Por uma questão de clareza e de transparência da legislação comunitária, a presente directiva [...] procura criar um equilíbrio entre o objectivo principal de segurança e de saúde dos trabalhadores, por um lado, e as necessidades de uma economia europeia moderna, por outro.

Os Estados-Membros tomarão as medidas necessárias para que todos os trabalhadores beneficiem de:

- um período mínimo de descanso diário de 11 horas consecutivas por cada período de 24 horas;
- um período de pausa no caso de o período de trabalho diário ser superior a 6 horas;
- um período mínimo de descanso ininterrupto de 24 horas em média, às quais se adicionam as 11 horas de descanso diário, por cada período de 7 dias;
- uma duração máxima de trabalho semanal de 48 horas, incluindo as horas extraordinárias;
- férias anuais remuneradas de, pelo menos, 4 semanas."

Ministro do Trabalho não compreende proposta do patronato

No Luxemburgo, a directiva comunitária sobre a organização do tempo de trabalho foi transposta em 2006. O CONTACTO ouviu as reacções do ministro do Trabalho, do patronato e dos sindicatos.

Nicolas Schmit, ministro do Trabalho, confirma esta transposição e diz não compreender a proposta do patronato. "Posso confirmar que [a directiva] foi transposta em 2006 e posso também confirmar que as 52 horas podem acontecer em situações excepcionais, como no caso de alguns sectores de trabalho sazonal. Mas aqui, o limite é efectivamente 48 horas, já que o sector da construção não faz parte dessa lista. Não compreendo como a proposta do patronato foi colocada desta maneira, já que não é conforme à lei nem à directiva."

O presidente do patronato da Construção e Engenharia Civil, Roland Kuhn, desmente a ideia das 12 horas por dia e diz que o Estado pode poupar 13 milhões de euros.
"A nossa proposta de 52 horas é de 9 horas durante a semana e de 7 horas aos sábados. Nunca dissemos que era de 12 horas por dia. Não queremos explorar a nossa mão-de-obra. Temos a consciência que o valor das nossas empresas são os trabalhadores. A ideia desta proposta é optimizar a produtividade das empresas, tendo em conta a saúde das pessoas e também ajudar a economia do Estado. Se pudermos economizar 13 milhões de euros por causa disto é uma boa ideia", defende Kuhn, que reconhece as dificuldades de um acordo.
"Sei que a lei diz que são 48 horas, mas se encontrarmos um acordo com os sindicatos, aí podemos avançar. Caso não haja acordo, não vai funcionar, portanto, não se trata de algo unilateral."

Para o LCGB, as 52 horas são claramente contra a lei. “É algo 100 % contra a lei e não percebo como é eles querem que se trabalhe mais do que está marcado na lei. As coisas só avançariam se o sindicato, o patronato e toda a gente estivesse de acordo. Nesse caso, o Governo poderia pensar numa nova lei. Mas não estamos de acordo porque isso implicaria uma sobrecarga, não só para o sector da construção, como para os artesãos da construção, sejam eles pintores, fachadistas, electricistas ou sanitários", argumenta Jean-Paul Fischer, que acusa o patronato de querer ganhar mais dinheiro com este aumento de horas.
"O patronato diz que muitos trabalhadores da construção trabalham 'a negro', e que isso é prova de que querem trabalhar mais. Isso não é verdade. Há quem trabalhe a negro, mas não são muitos, como dizem os patrões. O que eles querem é aumentar as horas aos trabalhadores para ganharem mais dinheiro com eles.”

O sindicato OGB-L reconhece a ilegalidade e recusa a interferência do Governo no diálogo social.
"A lei luxemburguesa permite um aumento de horas de trabalho, mas só para trabalhos sazonais. Por exemplo, aqueles que trabalham na vinha podem fazê-lo. No nosso entender, a lei não é aplicável ao sector da construção e recusamos a interferência do Governo neste diálogo social, porque podem dar poder ao patronato. O Governo pode aproveitar uma pequena porta para querer mudar as coisas, fazer isto ou aquilo na lei. É preciso dizer que 40 horas são suficientes", refere, por seu lado, Jean-Luc de Matteis.

Texto: Henrique de Burgo

CONTACTO: Edição de 9 de Maio

(clique na imagem para ampliar) 

Na edição desta semana do CONTACTO dedicamos especial atenção ao discurso sobre o estado da Nação feito esta terça feira pelo primeiro-ministro Jean-Claude Juncker.
O primeiro-ministro do Luxemburgo reconhece que as contas públicas do país estão próximo da catástrofe, mas recusa impor medidas de austeridade cegas. Jean-Claude Juncker diz ainda que as medidas de consolidação orçamental vão ter que continuar pelo menos até 2014.

Mas há mais no CONTACTO desta semana: A associação "os Patriotas Luxemburgueses" apresentou queixa-crime contra o músico luxemburguês Serge Tonnar. Em causa estão duas imagens publicadas pelo músico no Facebook. Numa, vê-se a grã-duquesa Charlotte com a legenda "Asylant" ("requerente de asilo"),a outra mostra o quadro "Disneylândia", do artista belga Steve Jacobs.
Na queixa que deu entrada no Tribunal de Diekirch em 6 de Abril, a associação acusa Tonnar de difamação e de assédio da família grã-ducal. Uma acusação que o músico rejeita.
Numa entrevista exclusiva ao jornal CONTACTO, o músico garante que só quis alertar para as dificuldades dos requerentes de asilo e denunciar a crescente onda de xenofobia no Luxemburgo.

Nesta edição trazemos ainda as declarações do Ministro do Trabalho Nicolas Schmit sobre a reivindicação dos patrões do sector da construção civil que querem aumentar o horário semanal dos trabalhadores das actuais 48 para as 52 horas. O ministro diz que não percebe as intenções dos patrões.

Tudo isto e muito mais no CONTACTO desta semana, o primeiro jornal de língua portuguesa no Luxemburgo.

terça-feira, 8 de maio de 2012

Guimarães pelo objectiva de António Cachada, no Instituto Camões do Luxemburgo

Guimarães mostra-se no Instituto Camões do Luxemburgo. Apetece dizer que se o Luxemburgo não vai a Guimarães, a Capital Europeia da Cultura 2012 vem ao Grão-Ducado, através da objectiva de Armindo Cachada.

O antigo jornalista do JN trouxe até ao Instituto Camões, na cidade do Luxemburgo, vinte quadros que mostram Guimarães, cidade-berço, cidade medieval, cidade Património Mundial da Humanidade e agora capital Europeia da Cultura.

"São fotografias da cidade, daquilo que há de mais representativo em Guimarães, desde o tempo do castrejo, há dois mil anos, até hoje. Sobretudo do centro histórico da cidade, que não sofreu qualquer intervenção que conduzisse à sua descaracterização", afirma Cachada.

António Cachada já deixou o jornalismo há alguns anos, está reformado e dedica o seu tempo à Sociedade Musical da cidade e à Sociedade Martins Sarmento.

A exposição está patente até 11 de Maio.

Fotos: Sérgio Lontro

Bigpoint mudou-se para o Luxemburgo

O portal alemão de jogos sociais, de estratégia e de acção Bigpoint mudou-se para o Luxemburgo.

O site, disponível em 20 línguas, conta com mais de 266 milhões utilizadores registados. Os internautas podem, por exemplo, criar animais completamente incomuns, colocar-se ao leme de um navio ou voar para outra galáxia, graças aos 70 jogos disponíveis online , que criam uma verdadeira comunidade de jogadores ao redor do mundo.

A sede da Bigpoint, fundada em 2002, situa-se em Hamburgo, na Alemanha, mas a empresa também possui escritórios em Berlim, Malta, San Francisco, São Paulo e também agora na rue Eugène Ruppert, na cidade do Luxemburgo. A Bigpoint lançou uma campanha de recrutamento no Luxemburgo e procura especialistas em finanças, recursos humanos e marketing

segunda-feira, 7 de maio de 2012

Turmas no Luxemburgo são mais pequenas do que nos países vizinhos

As turmas nas escolas luxemburguesas são mais pequenas que nos países vizinhos, como a Alemanha ou a Bélgica, diz o último relatório do Ministério da Educação luxemburguês.

No Grão-Ducado, mostra o relatório, as turmas do ensino pré-escolar têm em média 15,7 alunos contra 25,7 nas pré-escolas francesas.

Nos outros ciclos do ensino fundamental (6-11 anos), a média de alunos por turma é de 15,4 contra 22,7 nas escolas primárias francesas, 19,7 nas belgas e 21,2 nas alemãs.

No ensino secundário clássico, são em média 23 alunos por turma contra 17,8 no técnico.

Em França, a média é de 24,2 alunos nos colégios e de 28,5 alunos nos liceus. Por sua vez, na Alemanha, os alunos do secundário eram cerca 24,5 por turma.

Foto: Marc Wilwert

Luxemburgo: "Relais pour la Vie" recolheu valor recorde de 167 mil euros

A edição deste ano do "Relais pour la Vie" atingiu valores recorde. A estafeta de solidariedade para com os doentes com cancro recolheu 167.271 euros, mais 7.271 euros que no ano anterior, segundo números divulgados na quinta-feira pela Fundação Cancro. Este é o valor mais alto alguma vez recolhido desde a criação do evento, há sete anos.

Os troféus foram entregues aos cinco vencedores há duas semanas. O prémio é atribuído às equipas que recolheram o maior montante em cinco categorias.

Na categoria associação, a equipa vencedora foi a União Desportiva Portuguesa (UDP) de Wormeldange. O prémio foi entregue à capitã da equipa, Paula Martins. Na categoria escolas venceu o Liceu Vauban. O BEI conquistou o troféu na categoria empresas, o Canadá na categoria dos países e a equipa Spadseierbengelen na de "simpatizantes".

Versão portuguesa do livro "História do Luxemburgo", de Gilbert Trausch, é oficialmente lançado em Lisboa a 23 de Maio

O livro "História do Luxemburgo", do historiador luxemburguê^s Gilbert Trausch é oficialmente lançado em Lisboa a 23 de Maio, às 18h, na livraria "Ler Devagar" (rua Rodrigues Faria, n° 103, Ed. G-0.3).

O evento vai contar com a presença do embaixador do Luxemburgo em Portugal, Paul Schmit, que vai faazer uma apresentação, em português e em francês, sobre a história do Luxemburgo.

A versão portuguesa da obra de Gilbert Trausch, "História do Luxemburgo", agora publicada em edição portuguesa, resulta de um projecto do Ministério da Cultura luxemburguês, com a colaboração do Forum Portugal-Luxemburgo e o apoio da Embaixada do Luxemburgo em Portugal.

Trata-se de uma obra importante para o desenvolvimento das relações bilaterais entre os dois países, nomeadamente por razão da importante comunidade lusófona residente no Luxemburgo.

Apesar do seu tamanho – 2.586 km2 e 500 mil habitantes – o Grão-Ducado do Luxemburgo é um verdadeiro Estado, com uma história particularmente rica. Situado no coração da Europa, entre a França, a Bélgica e a Alemanha, o Luxemburgo participou nos grandes desenvolvimentos Europeus. O passado movimentado do Grão-Ducado é um verdadeiro resumo da história europeia. Na Idade Média, os seus principes usaram a coroa do Sacro Império Germânico e nos tempos modernos a sua fortaleza foi de uma importância fundamental na luta entre as grandes potências. Antes de se tornar independente, no Século XIX, o Luxemburgo viveu sucessivamente sob soberania bourgonha, espanhola, francesa, austriaca e holandesa. No Século XX, este país próspero e dinâmico desempenhou um papel decisivo na unificação da Europa.

domingo, 6 de maio de 2012

França: Hollande Presidente

O socialista François Hollande venceu hoje a segunda volta das eleições presidenciais em França, com um resultado entre 52 e 53,3 por cento dos votos, de acordo com as projeções avançadas pela agência France Presse.

 A televisão pública francesa TF2 estima que a abstenção nesta eleição tenha sido de 20,10 por cento, maior do que a de 2007 (16 por cento), mas menor do que a de 1995 e de 2002 (20,3 por cento).

PRESIDENCIAIS/França: François Hollande eleito Presidente com 51,90% dos votos

PRIMEIRAS DECLARACOES DE SARKOZY: 




"Sou o único responsável por esta derrota", 




segundo o canal francês France 2

Grécia/Eleições: Conservadores em vantagem mas forte recuo dos partidos pró-austeridade - sondagem à boca das urnas


 As sondagens à boca das urnas na Grécia dão a vitória dos conservadores da Nova Democracia (ND), sem maioria absoluta, um forte recuo dos partidos pró-austeridade e a entrada da extrema-direita no Parlamento.
A ND de Antonis Samaras está creditada com 20 a 17 por cento dos votos e o PASOK de Evangelos Venizelos entre 14 e 17 por cento. Estes dois partidos integram desde novembro o governo de coligação cessante dirigido pelo tecnocrata Lucas Papademos.

Luxemburgo: Comunidade Católica Portuguesa de Dudelange ajuda crianças com cancro

A comunidade católica portuguesa de Dudelange entregou um cheque de 1.520,50 euros à Fundação Kriisbkrank Kanner, que presta apoio a crianças com cancro e às suas famílias.

O dinheiro foi recolhido durante o ofertório numa das missas dominicais em Dudelange. Um contributo que Lucien Majerus, da Fundação, considerou "muito generoso".

Alunos de Echternach e Grevenmacher sem aulas de Português desde o Natal

Foto: Marc Wilwert
Margarida Silva está indignada. Tem dois filhos inscritos nos cursos de Português no Liceu Joseph Bech, em Grevenmacher, mas os alunos estão sem aulas desde o final do primeiro trimestre.

"Só houve aulas até às férias de Natal", conta Margarida Silva. "A professora ficou doente e comunicou aos miúdos que ia enviar trabalhos para eles fazerem em casa, mas eu nunca recebi nada, nem eu nem os pais com quem falei", diz.

A professora, que também dava aulas em Echternach, ficou de baixa médica nessa altura. Mas apesar da insistência dos pais junto do Serviço de Ensino de Português no Luxemburgo, continua sem ser substituída.

"No Serviço de Ensino explicaram-me que como a professora apresenta sempre certificados de menos de trinta dias, renováveis, eles não podem substituí-la. Dizem que de Portugal não podem enviar ninguém para um período igual ou inferior a 30 dias, e que também não podem pedir aos professores que cá estão para a substituir, porque já estão com o programa completo", conta a mãe.

Resultado: os 117 alunos que frequentam o chamado ensino paralelo em Grevenmacher e Echternach estão sem aulas há mais de quatro meses.

Margarida Silva nunca mais teve notícias sobre a substituição da professora. Até à semana passada, quando recebeu uma carta do Serviço de Ensino de Português no Luxemburgo. Mas em vez de propor uma solução para os alunos, a carta informa os pais sobre a cobrança de propinas no próximo ano lectivo.

"Recebemos uma carta a informar sobre as mudanças para o próximo ano lectivo, que explica que vamos passar a ter de pagar 120 euros. Mas não explica o que se passa neste ano lectivo, e se vão substituir a professora. É revoltante. Por é que no próximo ano vamos pagar os 120 euros? E se volta a acontecer uma situação destas?", indigna-se a mãe.

Margarida Silva ainda não decidiu se vai pagar as propinas. O prazo para a pré-inscrição termina amanhã, dia 3 de Maio, e à cautela, vai fazer a pré-inscrição. Mas admite que os filhos estão desiludidos. "As crianças estão desiludidas. O mais velho é capaz de não ter horários compatíveis, e já me disse que se tiver de repetir o ano, não quer, porque não quer repetir a matéria que já deram no primeiro trimestre".

"O que mais me revolta é que para o Governo nós até agora, como emigrantes, contávamos como o valor do dinheiro que enviávamos todos os meses para Portugal, e a partir do próximo ano contamos com mais 120 euros por cada aluno. E no fundo, quando surgem situações destas, ninguém se preocupa com os emigrantes", queixa-se Margarida Silva.

Contactado por este jornal, o adjunto da Coordenação de Ensino, Joaquim Prazeres, confirma o que já disse aos pais.

"A professora está com um grave problema de saúde, mas tem apresentado atestados inferiores a trinta dias. Nesse período, nós não podemos recrutar novos professores", disse Joaquim Prazeres ao CONTACTO.

O adjunto da Coordenação de Ensino diz que só foi contactado pelos pais em Abril, e que só nessa altura transmitiu o problema ao Instituto Camões.

"Estamos a aguardar instruções do Instituto Camões para podermos recrutar um novo professor. Normalmente a abertura do concurso são três dias úteis, mais três dias para reclamações, e a partir do momento em que tenhamos resposta do Camões, o processo é rápido". E garante que estão a ser estudadas soluções para não prejudicar os alunos neste ano lectivo.

"Os alunos não vão ser prejudicados. Ainda não temos uma situação definida, mas vamos tentar que os alunos não sejam prejudicados por uma situação à qual são estranhos".
Texto: Paula Telo Alves

Cantora Sofia Ribeiro estreia CD financiado por donativos

A cantora Sofia Ribeiro apresenta hoje à noite, no Auditório de Espinho, o álbum "Ar", produzido com 200 donativos vindos de 20 países, incluindo do Luxemburgo. No Grão-Ducado, a cantora apresenta o CD no dia 23 de Maio.

Várias vezes premiada internacionalmente, Sofia Ribeiro já editou mais três discos (dois dos quais gravados no Luxemburgo), mas este tem a particularidade de ter sido co-financiado pelo público, através do sistema de crowdfunding (literalmente, "financiamento pela multidão").

"Gravar um disco é um investimento grande e um sistema como este permite avançar com um projecto sem se ter que pedir um empréstimo e ficar eternamente endividado", explicou Sofia Ribeiro à Lusa.

Para a cantora, é também uma garantia de autonomia, sem ter de recorrer a uma editora discográfica. "Eu tinha todo o interesse em continuar a trabalhar de forma independente", observa a cantora.

Depois de o projecto ser dado a conhecer na internet, os donativos foram-se sucedendo e surgiram sobretudo de Portugal, da Colômbia, dos Estados Unidos e de Espanha, embora também tenha havido contribuições de países como o Luxemburgo, que enviou oito donativos, Austrália, Nova Zelândia, França, Inglaterra e Croácia. O contributo mínimo permitido era de 10 euros (o que dava direito ao download do disco quando concluído), e o donativo máximo foi de mil, o que garantia a colocação de um logótipo na contracapa do CD.

Sofia Ribeiro angariou assim um total de 5.977 euros – "120 % do valor inicialmente pedido", realça. Desse montante retirou 400 euros para o ProjecArte, um projecto de educação pela arte que serve vários bairros sociais do Porto.

No Luxemburgo, o álbum é apresentado a 23 de Maio, às 20h30, no restaurante Beim Wäisse Schwäin, em Rippig.

sábado, 5 de maio de 2012

"O 25 de Abril foi o despertar de um dia novo"

O padre Belmiro Narino, figura tutelar da comunidade portuguesa no Luxemburgo, foi o convidado da conferência inaugural de um ciclo de leituras-debates dirigido à comunidade portuguesa e lusófona, que teve lugar no dia 25 de Abril, na Livraria Libo, na cidade do Luxemburgo.

A data do debate e a decoração com cravos vermelhos na mesa faziam antever o tema da conversa, a Revolução dos Cravos.

José Luís Correia, chefe de redacção do CONTACTO, foi o moderador da sessão que, num ambiente de tertúlia, incluiu leituras de excertos do livro de crónicas do padre Belmiro Narino "O homem à beira do seu destino", publicado em 2009.

Partindo de textos do seu livro, o padre Belmiro comentou não só a censura do 25 de Abril como partilhou a experiência do exílio a que se viu forçado antes de 1974. "O 25 de Abril foi o despertar de um dia novo, para mim o dia nasceu duas vezes, era um tempo novo, chegava a liberdade".

Testemunha da censura da Revolução dos Cravos, constrangido a abandonar Portugal, regressou clandestinamente e, exilado na Embaixada francesa, "uma casa tão cúmplice como benevolente", foi autorizado a residir em Lisboa, mas proibido de ensinar Filosofia e de escrever.

"No dia 25 de Abril, faz hoje 38 anos, eram 8h, estava eu na Embaixada francesa e, pelas 11h, comecei a ouvir uns tiros e fiquei com medo", recorda. "Tudo se passava no Largo do Carmo, onde estava exilado o Marcelo Caetano". "Nesse instante, um colega meu francês, mais velho, virou-se e disse-me: não tenhas medo, isto na França foi muito pior durante a ocupação", concluiu com humor.

O conferencista conta alguns casos "anedóticos" a que assistiu após o 25 de Abril. "Há vários episódios que hoje me fazem rir. Por exemplo, houve bastante perturbação no tempo de Otelo", conta. "Uma vez os operários da Lisnave foram para Lisboa cercar o Palácio Foz, ocuparam o passeio, bloquearam-me a passagem e eu perguntei, não passou por aqui o 25 de Abril? É que é suposto o 25 de Abril permitir a liberdade de circulação das pessoas! E aí deixaram-me passar".

Sobre a realidade portuguesa actual, comenta: "As coisas não estão a melhorar porque o poder local está a imitar exactamente o que faz o poder central: não auscultam o povo, auscultam uns tantos que lhes garantem o futuro, mas falta ouvir a voz do Povo".

Este ciclo de debates resulta de uma parceria entre a Livraria Libo e o CONTACTO, e o calendário futuro será divulgado oportunamente aos nossos leitores.

O livro encontra-se à venda na Livraria Libo, e as receitas da venda da obra revertem a favor da Santa Casa da Misericórdia do Luxemburgo.

Natural do Fundão, o padre Belmiro Narino estudou na Guarda e depois licenciou-se em Filosofia pela Universidade Gregoriana de Roma. É sacerdote no Luxemburgo desde 1978 e dois anos depois começou a colaborar com o CONTACTO. Hoje é responsável pela Santa Casa da Misericórdia do Luxemburgo, que criou em 1996, e editorialista do nosso jornal. Colaborou em vários jornais e revistas portugueses, nomeadamente no Jornal do Fundão, antes de 1974.
Texto e foto: Patrícia Marques

Faltam 26 mil casas para habitação social no Luxemburgo

A poucos dias do debate sobre o Estado da Nação, agendado para 8 de Maio (terça-feira), a Caritas apresentou um relatório sobre os principais problemas sociais do país.

No documento, a ONG denuncia a falta de habitação social, e insta o Governo luxemburguês a intervir no sector.

O Luxemburgo tem um enorme défice de habitação social, denunciou na quinta-feira a Caritas. Segundo o presidente da instituição, Marco Hoffmann, são necessárias 30 mil casas para habitação social, mas só há quatro mil disponíveis.

 No Almanaque Social apresentado na quinta-feira, a ONG insta o Governo luxemburguês a intervir no mercado da habitação. Durante a apresentação do relatório, a organização criticou ainda as medidas de austeridade apresentadas esta semana pelo ministro das Finanças, Luc Frieden. Segundo o coordenador da Caritas, Robert Urbé, os cortes vão deixar sem apoio "aqueles que mais precisam".

Foto: Anouk Antony

Free Your Stuff Luxembourg: Dar e receber não custa nada

Há pouco mais de um ano, foi criado um novo grupo no Facebook. E seria apenas mais um grupo no Facebook – não fosse o facto de lidar com a nossa vida diária, ter uma actividade frenética e cada vez maior número de membros. "Free your stuff Luxembourg" permite às pessoas trocar coisas de forma gratuita. Tão simples, e tão necessário. Em vésperas do "mercado grátis" que será o primeiro encontro desta comunidade original, o CONTACTO conta-lhe tudo sobre este grupo.
"PRECISO: garrafas de vidro". "DOU: relógio". No mural do grupo "Free Your Stuff Luxembourg" (FYS) no Facebook, surgem todos os dias mensagens como estas, por vezes às dezenas. E estas foram as duas últimas coisas que Annick Feipel ofereceu e recebeu através do grupo. "Fico com as garrafas de vidro em casa sempre que compro comida ou bebidas, não as atiro para o vidrão, porque nunca se sabe para o que podem ser úteis", explica com um sorriso. Neste caso havia alguém que precisava. E porque ela precisava de um relógio, não hesitou quando dias depois alguém ofereceu um.

É tão simples como: através do grupo as pessoas podem simplesmente oferecer ou pedir algo. O que quer que seja – desde que seja gratuito. E Annick, uma jovem designer gráfica, foi só uma das 3.700 pessoas que já se juntaram e que dão forma a esta ideia.

"O FYS tem sido muito útil até agora. Encontrei imensas coisas de que estava à procura e pude dar imensas coisas de que já não precisava. Dessa forma não tive de deitar nada fora", explica.

O processo não podia ser mais simples, para quem usa esta rede social: quando se procura algo de que se precisa, escreve-se "NEED" ("preciso"), seguido de uma pequena descrição; quando se oferece algo que não nos faz falta, escreve-se "GIVE" ("dou"), seguido da descrição e eventualmente uma foto. Através dos comentários ao post, os membros do grupo podem dizer que querem aquilo que é oferecido, ou que podem oferecer aquilo que é pedido. As duas pessoas trocam mensagens, combinam data e local de encontro – e as duas saem a ganhar.

A ideia é inspirada no Freecycle ( freecycle.org ), uma rede com mais de cinco mil grupos locais em todo o mundo, muito activos em cidades como Lisboa ou Porto, que são totalmente não-lucrativos e dinamizados por voluntários, e que também permitem dar e receber coisas através de listas de email.

No Luxemburgo, achou-se que fazê-lo através do Facebook era mais prático. E hoje o sucesso do FYS salta à vista.

Encontrar de tudo 


"Estava chocado pela quantidade de desperdício. Tinha de fazer algo rápido". Foi Radu Burtescu, um jovem romeno que veio para o Luxemburgo há quase dois anos, quem em Fevereiro do ano passado resolveu criar o FYS e desde então o tem dinamizado.

"Passado cerca de um ano, fico feliz ao pensar na quantidade de coisas que se salvou das lixeiras. Por saber que se desenvolveu uma plataforma que trabalha e promove valores fora do sistema capitalista. E fico muito feliz por cada vez que bebo um chá de ervas das chávenas japonesas que recebi através do grupo", conta bem-disposto.

"Pode-se encontrar absolutamente de tudo no Free Your Stuff, e pode-se pedir qualquer coisa que de outra forma teríamos de comprar com dinheiro." Há muito aparelhos electrónicos, mobílias, utensílios de cozinha, roupa... Há coisas impressionantes: como um piano ou uma bicicleta de montanha, em perfeitas condições. E há coisas caricatas: "Houve alguém que perdeu o cão e o encontrou através do grupo", conta Radu. "Uma vez alguém precisava simplesmente de alho ou cebola para preparar a refeição, e na verdade conseguiu!", lembra Annick.

No entanto, o grupo não serve só para coisas materiais. "Também pode ser usado por exemplo para ideias e para tarefas que precisam muitas pessoas", explica Radu. "Trata-se de recuperar o sentido de comunidade e de cooperação, longe do actual modelo individualista."

Como é totalmente aberto, é impossível conhecer todas as pessoas que usam o grupo, mas Radu garante que a diversidade é enorme. "Há pessoas que teriam o dinheiro para comprar as coisas que procuram, mas que assim escolhem não contribuir para os lucros dos grandes supermercados e para a poluição do planeta, pessoas que não têm dinheiro para comprar esses bens, e assim o poupam para comida e outras coisas essenciais, há estudantes e há muitas pessoas diferentes, com motivos igualmente diferentes." Annick confirma que o grupo "tem ajudado pessoas em dificuldade a obter coisas para as quais não tinham dinheiro".

É Radu quem, voluntariamente, trata de apagar mensagens que contenham interesse comercial ou spam, juntamente com alguns amigos. O grupo começou em inglês, mas hoje usa-se normalmente o luxemburguês, o alemão ou o francês: qualquer das línguas é aceite. Cada pessoa pode pedir para se juntar ao grupo e uma vez membro pode adicionar novos membros. Novas pessoas juntam-se todos os dias a esta comunidade virtual. E no próximo fim-de-semana, a comunidade vai por um dia sair da Internet e dos ecrãs do computador, para dar forma a um original evento público.

Um mercado grátis 


"Está na hora de celebrarmos este grupo, num grande dia FYS! Traz aquilo que quiseres dar de graça, ou leva algo de que precises de graça!"

Através do Facebook, está lançado o convite para o mercado grátis que vai ter lugar no domingo, 6 de Maio, no anexo de uma casa perto de Dudelange. "Não tens de trazer algo para levar algo. O mais importante de tudo: não há dinheiro, mantém tudo grátis!"

"É uma ideia de que já se falava entre membros do grupo há algum tempo e que finalmente ganha forma", explica Radu, enquanto confessa: "Estou curioso para saber como vai correr. O ideal será que as pessoas se envolvam, conversem, toquem música, organizem outros eventos... tudo isso enquanto olham à volta à procura de algo de que gostem."

"A ideia é finalmente conhecer as pessoas por trás deste grupo!", conta Annick, que também se juntou à organização do evento. "Vai ser possível dar e receber coisas, conviver, conversar sobre o grupo... E toda a gente pode contribuir: divulgando o evento, trazendo algo para comer, trazendo música."

Radu explica que viu muitas "lojas grátis" ("freeshops") nas suas viagens pela Europa: espaços onde cada um pode deixar aquilo de que não precisa e levar aquilo de que precisa, que existem sobretudo em comunidades, centros sociais e casas ocupadas. Ora, "nada disso existe no Luxemburgo". A ideia destes espaços é reaproveitar coisas que já não teriam uso e reduzir a participação no actual sistema capitalista, com toda a injustiça social e ambiental que ele envolve. Na prática, trata-se de algo que devia ser senso comum, mas que se torna cada vez mais raro nas sociedades consumistas.

Um mundo sem dinheiro?


"Tudo começa quando começas a viajar. Se fores de mochila às costas, percebes que é importante levar o mínimo de coisas na mochila – mas também percebes que podes levar menos, e que podes ser muito feliz com menos. Menos coisas a empatar os cantos da tua casa e da tua mente equivale a maior mobilidade de pensamento e de acção." É esta a filosofia que motivou Radu a criar o FYS.

"Há um incrível sentimento de satisfação aliado à dádiva. Pode até ser maior do que aquele que vem com o adquirir algo novo. E há um enorme sentimento de segurança vindo de saberes que não precisas de muito para viver feliz, e que podes tornar-te cada vez mais feliz tendo cada vez menos."

Ideias algo raras, num país em que, nas suas palavras, "o consumo é encorajado e elevado à condição de tradição, e promovido nos guias turísticos".

"É muito difícil no Luxemburgo não se pensar em dinheiro", concorda Annick. "Normalmente as pessoas podem comprar aquilo que querem, e também tendem a vender muita coisa, porque acham que têm sempre de receber dinheiro por algo que vão dar ou deitar fora. Mas o grupo está a provar o contrário. Acho que é importante para os luxemburgueses perderem esta mania do dinheiro. De forma a que os seres humanos se tornem mais importantes do que qualquer negócio ou qualquer coisa material."

Segundo estes jovens, através do FYS as pessoas também se inspiram e desafiam umas às outras para uma mudança de atitude. "O melhor do FYS é que conheces pessoas que provavelmente pensam da mesma forma que tu acerca do consumismo e do dinheiro. Na verdade começas a agir de uma nova forma, as pessoas tornam-se cada vez mais generosas", garante Annick.

Apesar de tudo, há ainda muita gente que utiliza o grupo para "postar" coisas que quer vender, ou pedir conselhos sobre onde comprar coisas. "É difícil para muita gente perceber que este grupo é livre de dinheiro", conclui Radu. "Mas uma vez que o percebam, talvez um dia possam também pensar num mundo livre de dinheiro!"

Endereço do grupo:
facebook.com/groups/freethestuff/
Mercado grátis "The really really free market", domingo, 6 de Maio, das 14h às 19h,no n°22, rue Baltzing, em Dudelange-Burange.

Foto e Texto: Francisco Pedro

Desemprego: Luxemburgo entre os melhores da UE

O Luxemburgo chegou ao final de Março com uma taxa de desemprego de 5,2 %, a terceira mais baixa da União Europeia (UE), segundo números divulgados esta semana pelo Eurostat.

Com taxas de desemprego mais baixas, só a Áustria (4 %) e a Holanda (5 %). Portugal registou uma taxa de desemprego de 15,3 %, a terceira mais elevada da União.

De acordo com o gabinete de estatísticas da UE, apenas Espanha (24,1 %) e Grécia (21,1 %, segundo dados de Janeiro) se encontram em pior situação que Portugal.

Foto: Gerry Huberty

Hoje, em Lisboa: João Moreira dos Santos, colaborador do Point24-português, lança roteiro do jazz lisboeta

João Moreira dos Santos, investigador, ensaísta e colaborador do Point24-português (rubrica Horóscopo), lança o seu sétimo livro sobre o jazz.

"Roteiro do Jazz na Lisboa dos anos 20-50" é lançado na livraria Ferin, em Lisboa, este sábado, às 18h, e conta com a apresentação do maestro Jorge Costa Pinto.

Concebido como um guia ilustrado de 40 espaços históricos dos primórdios do jazz em Portugal, a obra é editada pela Casa Sassetti para celebrar o Dia Internacional do Jazz (30 de Abril).

Ao nosso jornal, o autor, que estudou e tocou contrabaixo no Hot Club de Portugal e na Academia de Amadores de Música, confia que já há sete anos que organiza visitas guiadas aos principais espaços do jazz lisboetas. O livro custa 8,90 euros e pode ser adquirido nas livrarias ou no site da editora Principia (http://principia.pt ).

Veja este apontamento feito pela SIC em 2010 sobre um dos roteiros jazz organizados por João Moreira dos Santos.

Luxemburgo: 5° Salão do Cartoon no Castelo de Vianden, a partir de hoje e até 4 de Junho

A partir de hoje decorre o 5° Salão da Caricatura e do Cartoon no Castelo de Vianden, no Norte do Luxemburgo.

O salão vai estar instalado na sala dos cavaleiros do castelo.

A inauguração do salão tem lugar hoje, às 16h30.

Organizado pelo Museu da Caricatura e do Cartoon de Vianden, sob o impulso do caricaturista Florin Balaban (na foto), a mostra, que reúne os melhores caricaturistas do mundo, pode ser vista até 4 de Junho.


Foto: Charles Caratini
 

sexta-feira, 4 de maio de 2012

Euro2012: Portugueses que vão assistir à competição devem vacinar-se contra o sarampo, aconselha DGS

Os portugueses que forem assistir ao Euro2012 em futebol, na Ucrânia e na Polónia, devem vacinar-se contra o sarampo, recomendou hoje, em comunicado, a Direcção-Geral de Saúde (DGS) portuguesa.

A nota da DGS recomenda que, preferencialmente, quatro a seis semanas antes da viagem as pessoas que tiverem 18 anos de idade ou menos e vacinas do Programa Nacional de Vacinação em atraso devem dirigir-se ao centro de saúde para atualizar (gratuitamente) o plano de vacinas.

Caso o viajante tenha mais de 18 anos de idade, para além da eventual atualização do PNV, se não estiver vacinado contra o sarampo nem tiver tido a doença, deve vacinar-se com, pelo menos, uma dose de vacina contra o sarampo, gratuitamente, no centro de saúde.

De acordo com o comunicado, “o sarampo é uma das doenças infeciosas mais contagiosas, que se transmite apenas ‘pessoa-a-pessoa’” e na maioria dos países europeus têm ocorrido surtos nos últimos anos, registando-se mais de 34.000 casos, nove mortos e 7.000 internamentos hospitalares em 2011.

 Ainda segundo o mesmo texto, na Ucrânia existe “atualmente uma epidemia de sarampo, concentrada na região oeste, com mais de 5.000 casos notificados em 2012, mas prevê-se a sua intensificação e disseminação geográfica”.

O campeonato da Europa de Futebol, na Ucrânia e Polónia, realiza-se entre 08 de junho e 01 de julho

50 mil alunos vão ter aulas de português no estrangeiro, mais de 2 mil só no Luxemburgo

Ontem foi o último dia de inscrição online para as aulas de português no estrangeiro, no próximo ano lectivo.
Juntando os sistemas integrado e paralelo, 50 mil alunos vão ter aulas de português.

No Luxemburgo, os números do ensino paralelo ultrapassam os 2 mil alunos.

O secretário de Estado das Comunidades, José Cesário, considerou que o processo de inscrição decorreu "muito bem" e que espera "cerca de 50 mil alunos inscritos", dos dois sistemas.

No Luxemburgo, o Serviço de Ensino da Embaixada de Portugal apontava ontem para 2.100 inscrições no ensino paralelo.

"Só logo, à meia-noite, é que vamos ter os números certos porque ainda há muitas inscrições em papel para introduzir no sistema, mas a nossa previsão para o ensino paralelo no Luxemburgo é de 2.100 alunos, e isso só é possível graças ao papel dos professores junto dos pais", adiantou ontem à tarde ao CONTACTO/Point24-português Joaquim Prazeres, coordenador daquele serviço.

No Luxemburgo, inscreveram-se no ano passado 2.191 alunos no sistema integrado e 2.094 no paralelo.

Foto: LUSA

A4 vai estar fechada entre a rotunda de Merl e o nó de Cessange

Como parte de um projecto de renovação das faixas de rodagem, submetidas a desgaste, a auto-estrada A4 vai estar fechada na direcção Luxemburgo - Esch, entre a rotunda de Merl e o nó de Cessange, a partir das 20h de hoje até às 22h de domingo, 6 de Maio.
O desvio faz-se a partir de Hollerich, via Route d'Esch (N4); em seguida, a rue Raiffeisen (CR231) em direcção Hesperange / Howald. Depois, recomenda-se seguir para a A3 em direcção a França, até ao nó de Gasperich, e, por fim, toma-se o sentido da A6 em direcção à Bélgica, até ao nó de Cessange.
A auto-estrada permanece aberta no sentido Esch - Luxemburgo.

Liga BGL: Jeunesse ainda acredita no título

Na 25a jornada da Liga BGL, que decorre neste fim-de-semana, o F91 Dudelange recebe o Käerjéng, que ainda pode alcançar o 3° lugar.

A Jeunesse de Esch, actualmente no 2° posto, defronta o Swift Hesperange, que ocupa o lugar de "barragista" e parte como natural favorito. Os biancioneri esperam por um passo falso do líder F91 para poderem ainda sonhar com o título.

O Grevenmacher recebe o Racing e o Differdange, ainda na corrida pela Europa, não pode perder pontos diante do já despromovido Rumelange.

O Hamm Benfica joga em casa com o Pétange, num encontro em que já nada está em jogo.

Em idêntico cenário encontram-se o Hostert e o Fola, num jogo que serve para cumprir calendário.

No jogo Kayl/Tétange-Nierdercorn a vitória é primordial para cada uma das equipas, na luta pela manutenção na Liga.

Foto: Fabrizzio Munisso

União de Leiria – SAD exige ressarcimento por danos causados pela rescisão de 13 jogadores e desiste da Liga de futebol

A SAD da União de Leiria vai exigir o ressarcimento dos danos causados pela rescisão colectiva de 13 futebolistas, que vão forçar a sociedade anónima a desistir da Liga de futebol, anunciou hoje a SAD em comunicado.

No documento, a SAD confirma a recepção das cartas de rescisão unilateral dos contratos de trabalho dos jogadores Luiz Carlos, Edson, Hugo Gomes, Patrick, Manuel Curto, Elvis, Marco Soares, Bruno Moraes, Haas, Ivo Pinto, Ruben Brígido, Robinho e Caca. "Não obstante as referidas cartas estarem datadas de 27/04/2012, as mesmas foram apenas recebidas pela União de Leiria SAD no passado dia 02/05/2012", refere o comunicado.

Por isso, a SAD considera "injustificada" a ausência dos referidos jogadores aos treinos e, "mais gravosamente" ao jogo da 28ª jornada frente ao Feirense, da 28.ª jornada da Liga, que o clube perdeu por 4-0, depois de apresentar apenas oito jogadores. "Está, portanto, demonstrada a implicação directa entre o incumprimento dos deveres de trabalhador e os gravíssimos prejuízos desportivos e financeiros, os quais se irão agravar com a manutenção da rescisão por parte dos atletas supracitados", acrescenta a SAD.

Para a SAD leiriense, defrontar o Feirense com apenas oito jogadores potenciou "de forma irreversível, a previsível descida de divisão" da União de Leiria, "sendo certo que a irá obrigar a desistir da Liga, com todas as consequências daí decorrentes".

No comunicado, a SAD salienta que vai "exigir o ressarcimento de todos os danos e prejuízos resultantes desta situação", que serão "superiores aos créditos de que os atletas são titulares e serão requeridos através da competente acção judicial".

Os jogadores John Ogu, Keita e Abdullah Alhafith também rescindiram contrato juntamente com os restantes colegas, mas voltaram atrás na decisão e já integram a equipa.

O presidente demissionário da SAD da União de Leiria, João Bartolomeu, tinha feito um “ultimato” para que os jogadores voltassem atrás na sua decisão de rescindir até às 19h de hoje (20h no Luxemburgo), altura em que a direcção deverá reunir em Fátima.
Texto: Lusa

Sida: Oito novos portugueses infectados no Luxemburgo em 2011

Em 2011, 72 novos de casos de Sida foram detectados no Luxemburgo.

Destes, oito doentes eram portugueses, diz o último relatório do Comité de Controlo da Sida, que está sob a alçada do Ministério da Saúde.

A incidência da doença nunca foi tão alta no Luxemburgo, mostra o relatório. Ao todo, a doença atingiu 12 mulheres e 32 homens. Destes, 10 são luxemburgueses, oito são portugueses, três são belgas e outros três são franceses.

Vinte transmissões foram feitas por via heterossexual contra 24 por via homossexual.

Este número que ronda a dezena de portugueses infectados é o mesmo que o Point24-português tinha já revelado em primeira mão, em Dezembro de 2011, na entrevista a Henri Goedertz, presidente da associação de prevenção da sida "Aidsberodung". , 

Vic Arendt, presidente do comité, diz que, em rigor, "registaram-se 44 novos casos, visto que os restantes 28 já sabiam sofrer de Sida".

 

UE prepara-se para Hollande mas ele não tem “varinha mágica” para resolver problemas, diz académico francês

O investigador do Instituto de Estudos Políticos de Paris Bruno Cautrès considera que os líderes europeus estão “a preparar-se” para a possível eleição presidencial de François Hollande, mas adverte que o socialista “não tem uma varinha mágica”.

François Hollande disputa no domingo a segunda volta da eleição para o Eliseu com Nicolas Sarkozy, recandidato à presidência da República.

As sondagens apontam-no como vencedor. O socialista tem feito da Europa – e da mudança que promete operar na União, para atacar a crise – uma bandeira de campanha: Hollande quer renegociar o Pacto Orçamental Europeu para que ele “integre medidas de apoio ao crescimento dos países, para além da austeridade”.

No debate que o opôs, na quarta-feira à noite, a Nicolas Sarkozy, Hollande afirmou que já sente a Europa “a mexer” em relação a este tema e considerou que uma das questões da eleição de domingo será perceber se o Presidente eleito terá a “capacidade de fazer a Alemanha ceder”.

Bruno Cautrès, especialista em assuntos europeus, disse à agência Lusa que, “efectivamente, a Europa começa a preparar-se para a possível eleição de Hollande”. É por isso, explicou, “que a chanceler alemã, Angela Merkel, e o presidente do Banco Central Europeu, Mario Draghi, começam a falar de crescimento. Estão a preparar uma posição intermédia para evitar conflitos e permitir que todos fiquem bem no retrato”. No entanto, o académico destaca – como Sarkozy no debate – que esta ideia de crescimento não é “absolutamente inovadora”.

O Pacto Orçamental Europeu “refere já o estímulo ao crescimento da economia”. “Portanto, um ‘efeito Hollande’ nas posições dos líderes europeus, se existe, é um efeito indirecto. É mais a busca de um compromisso pragmático do que uma conversão às suas propostas”, acrescentou. Bruno Cautrès afirmou ainda que não coloca em causa as “boas intenções” de nenhum dos dois candidatos, mas argumenta que “o Presidente francês eleito não terá uma varinha mágica para resolver problemas que são de toda a União e que são complexos”.

 O investigador lembrou que, quem quer que chegue ao Eliseu, não terá só que lidar com os problemas da Europa: “A França tem uma dívida elevadíssima. Os mercados vão exercer uma pressão forte para mostrar que os problemas do país são sérios, seja quem for o eleito”, disse. Olhando para as propostas de Sarkozy, Cautrès considera que ele fez, durante a campanha, uma “inflexão” no comunitarismo do seu mandato, para falar aos eleitores da extrema-direita, levantando a questão das fronteiras”, e ameaçando suspender unilateralmente as fronteiras se os acordos de Schengen não fossem revistos.

“Como Hollande, Sarkozy olhou para a insegurança que todos os europeus estão a sentir em relação ao modelo da União. E, como o socialista, o Presidente recandidato tentou mostrar que o novo Presidente francês terá capacidade de impor coisas. Mas não é bem assim, seja qual foi o resultado da eleição”, terminou.

A campanha para a segunda volta das presidenciais em França termina às 00h00 (zero horas) de sábado.

OqueStrada actuam domingo a 30 quilómetros do Luxemburgo

A banda portuguesa OqueStrada vai estar em concerto no domingo 6 de Maio em Saarburg, na Alemanha, a trinta quilómetros do Luxemburgo.

O concerto integra a digressão europeia que assinala o décimo aniversário da banda. Apesar de ter já uma década de existência, o grupo português só lançou o primeiro álbum em 2009, "TascaBeat: O sonho português".

Que recebeu elogios por toda a Europa e esteve várias semanas no top 10 português. "Música com maiúscula, sem falsas aparências, sem embustes nem banalidades", elogia o diário catalão Nació Digital, que lhes chama "um milagre musical sem precedentes". O Le Monde considera-os "uma das propostas mais originais chegadas recentemente de Portugal", e a revista Telerama chama-lhes "uma aventura musical exuberante".

Os OqueStrada são formados por João Lima (guitarra portuguesa), Marta Miranda (voz), Donatello Brida (acordeão), Zeto Feijão (guitarra e voz) e Pablo (que toca contra-bacia, um instrumento delirante inventado pelo próprio para substituir o tradicional contrabaixo).

Com uma energia contagiante em palco, o grupo vem conquistando fãs na Europa com o seu "fado suburbano", que mistura música de Cabo Verde, angolana, portuguesa e anglo-saxónica para um resultado de que só eles conhecem a receita.

O espectáculo é no dia 6 de Maio (um domingo), às 19h30, no Offizierscasino, em Saarburg. As portas abrem às 18h30. Os bilhetes custam 22 euros e podem ser adquiridos pela internet (www.stationk.de/oquestrada.php ).

Quem ainda não os conhece, pode sempre espreitar o portal da banda na internet, onde estão disponíveis vídeos com os maiores sucessos do grupo ( www.oquestrada.com ).

Luxemburgo: Trabalhadores da construção civil manifestam-se hoje

Os sindicatos do sector da construção civil vão manifestar-se hoje. Tudo por causa do impasse nas negociações da nova convenção colectiva de trabalho para o sector. A manifestação acontece no Centro Atert, em Bertrange, a partir das 19h. .

Desde 2009 que patrões e sindicatos não chegam a acordo sobre o modelo de flexibilização proposto pelo patronato. Segundo os sindicatos, a proposta dos empresários esconde um aumento do tempo de trabalho que poderá chegar às 52 horas semanais.

"As negociações foram interrompidas porque o patronato quer aumentar as horas de trabalho. Ao início, a proposta do patronato era de 54 horas por semana e agora estão nas 52 horas", diz Jean-Paul Fischer, responsável do sector da construção e do artesanato do LCGB.

Actualmente, a lei luxemburguesa diz que o trabalho é de 40 horas por semana e pode chegar ao máximo de 48 horas, em caso de horas suplementares. A manifestação é convocada pelas duas centrais sindicais do Luxemburgo.

Se o impasse nas negociações continuar os sindicatos admitem avançar para a greve.

Luxemburgo vai ter casamento real a 20 de Outubro

O príncipe Guillaume, grão-duque herdeiro, e Stéphanie de Lannoy casam-se a 20 de Outubro, anunciou a corte grã-ducal ontem.

A data foi avançada menos de uma semana depois do anúncio de noivado, que decorreu no castelo de Berg, na sexta-feira.

Na ocasião, o príncipe Guillaume contou aos jornalistas como conheceu a futura grã-duquesa do Luxemburgo:

"É muito simples. Nós temos amigos em comum e conheci Stéphanie numa reunião", conta Guillaume.

Horas antes, o casal tinha-se apresentado ao conjunto dos corpos constituintes e às autoridades do país, no Palácio Grã-Ducal, na capital.

Stéphanie de Lannoy abriu o seu álbum de fotografias ao povo luxemburguês. No Point24-português de hoje, publicamos imagens da vida da condessa belga, inclusive de férias no Algarve.

Foto: Guy Jallay

Comissária luxemburguesa Viviane Reding está hoje e amanhã em Lisboa

A vice-presidente da Comissão Europeia e comissária europeia da Justiça, a luxemburguesa Viviane Reding, está nesta sexta-feira e amanhã em Lisboa.

Viviane Reding reúne-se hoje com o primeiro-ministro português, Pedro Passos Coelho, às 16h45.

"Aplaudo Portugal por ter sido o primeiro país europeu a ratificar o pacto de estabilidade fiscal da UE. (...) Esta foi a primeira declaração de independência de Portugal em relação aos mercados. Portugal está a preparar-se para a vida depois da dívida". Foi com estas palavras que Reding elogiou o Governo português, ainda na véspera de chegar a Portugal.

A luxemburguesa, que é também comissária dos Direitos Fundamentais e da Cidadania, e que já avançou a possibilidade de suceder a Durão Barroso em 2014, reúne-se esta manhã com as comissões parlamentares dos Assuntos Constitucionais, Direitos, Liberdades e Garantias.

A seguir, encontra-se com a presidente da Assembleia da República, Assunção Esteves, e com a secretária de Estado da Igualdade, Teresa Morais. À tarde, avista-se ainda com a ministra da Justiça, Paula Teixeira da Cruz.

Às 17h30, Reding está convidada para falar aos alunos de Direito na Universidade Lusíada.

À noite, Viviane Reding janta com o ministro dos Negócios Estrangeiros, Paulo Portas.

 Amanhã de manhã, a comissária tem agendado um encontro com organizações representativas da sociedade civil portuguesa.

Mourinho confessa ter sido a Liga mais difícil de ganhar


José Mourinho admite que dos sete campeonatos que conquistou na sua carreira, este foi “o mais difícil de todos”.“Foi duro, mas estamos felizes. Só os que estão no futebol sabem o que se sofre realmente”, disse José Mourinho, à Real Madrid TV.

O treinador português confessou-se “emocionado” com o sétimo título conquistado e “preparado para começar a trabalhar em relação à próxima época”, o que esperava fazer já desde ontem, caso José Angel Sanchez, director executivo, estivesse pronto para isso. Há ainda dois jogos por disputar e José Mourinho espera que na próxima partida frente ao Maiorca, no Santiago Bernabéu, os adeptos merengues possam dedicar aos jogadores mais emoção e paixão do que aquela que estes têm recebido.

“Espero que o Santiago Bernabéu dê aos jogadores o carinho que eles merecem”, afirmou o treinador português, que vai defrontar na derradeira jornada o Granada, equipa que luta pela manutenção.

Mourinho espera que a equipa de Carlos Martins já esteja salva da descida quando se cruzar com o Real Madrid: “Será muito melhor para nós que estejam a salvo, porque, como campeões que somos, teremos de dignificar a Liga.”

quarta-feira, 2 de maio de 2012

Destaques nesta edição


 (clique na imagem para ampliar)

A festa do Futebol Clube do Porto é a manchete do jornal CONTACTO desta semana. O FCP sagrou-se bicampeão nacional a duas jornadas do fim da época, e os adeptos fizeram a festa.

Mais de uma centena de alunos está sem aulas de Português desde o Natal. A professora que dava aulas nas localidades de Echternach e Grevenmacher, no chamado ensino paralelo, está de baixa médica desde essa altura, mas continua sem ser substituída.

O Governo luxemburguês já apresentou o Plano de Estabilidade e Crescimento para 2012-2015,e as perspectivas não são nada optimistas. Em 2011, o orçamento de Estado teve um défice de mil milhões de euros. O ministro das Finanças fez as contas, e diz que o Luxemburgo tem de apertar o cinto.Entre os cortes, 100 milhões vão sair das prestações sociais.

O que não custa nem um euro é participar no primeiro mercado gratuito organizado no Luxemburgo. O mercado de trocas, agendado para o próximo domingo, em Dudelange, é organizado pelo movimento "Free your Stuff". Criado há um ano no Facebook, o movimento que permite às pessoas trocar objectos gratuitamente ganha adeptos em tempos de crise. O CONTACTO conta-lhe tudo sobre a iniciativa. Estas e outras notícias para ler no CONTACTO, o primeiro jornal de língua portuguesa no Luxemburgo.

--

Ainda não recebe o CONTACTO em casa? 
Para receber o jornal gratuitamente (exclusivamente para residentes no Grão-Ducado), inscreva-se no site oficial do jornal ou ligue para o nosso Departamento de Assinaturas (00352 4993-9393).

terça-feira, 1 de maio de 2012

Luxemburgo/Motocrosse: Pilotos do Tugas Team conquistam lugares cimeiros em Bridel

Os pilotos da equipa luso-luxemburguesa de motocrosse Tugas Team brilharam na Prova Internacional que decorreu esta terça-feira, feriado de 1 de Maio, em Bridel.

A Carrières Cloos em Bridel recebeu no feriado do trabalhador, na terça-feira, mais uma prova internacional de motocrosse, organizada pelo Clube MX Kopstal/Bridel.

Este ano, a prova teve a particularidade de estar inserida nas comemorações dos 50 anos do clube e contou com a presença de Steffi Laier, quatro vezes campeã do mundo (2005, 2009, 2010 e 2011).

Mas quem realmente se destacou foram os pilotos dos Tugas Team Motocross Luxembourg que averbaram importantes resultados nas contas do campeonato luxemburguês.

Na classe 65c, Dylan Figueiredo venceu, seguido de Tijay Heinen. Nas 85cc, Pit Lampert (n°32, foto à direita) ficou à frente de Jessica Figueiredo (2° lugar; na foto com o n°17, à esquerda) e de Dylan Antunes, que foi 3°.

Em juniores B, os irmãos Alves também se distinguiram: Carlos ficou em segundo e Vitor em terceiro. De fora do pódio ficou João Francisco. Quanto a Ricardo Espingardeiro não terminou a prova devido a lesão numa mão.

Na categoria rainha, inters A, o grande vencedor foi Yoann Hella, que venceu as duas mangas. Bryan Boulard foi 2°, enquanto Michael Besonhe, terminou em 3°. A tetracampeã Steffi teve uma participação discreta, averbando um 19° lugar na primeira manga e não participando na segunda.

A organização disse-se satisfeita com o sucesso do evento, que superou todas as espectativas, contando com cerca de três mil espectadores.

Fotos e Textos:  Ricardo Raminhos

Veteranos fizeram gosto ao pé num torneio em Dudelange

Os Lusitanos foram os grandes vencedores do torneio de veteranos organizado pelo Sporting Étoile du Sud, que decorreu nesta terça-feira, feriado de 1 de Maio, no campo Barrozi, em Dudelange.

As oito equipas em prova, estavam divididas por dois grupos: no grupo A, os Veteranos de Esch, Leixões, Lusitanos e Platifer; no grupo B, Dalheim, Veteranos de Differdange, Café Vitinho e Sporting Étoile du Sud.

A classificação dos grupos ditou o alinhamento dos jogos finais para atribuição da classificação geral. Assim, no jogo de atribuição dos últimos lugares, o Sporting bateu o Leixões por 1-0 e classificou-se em 7° lugar.

A surpresa da tarde veio da formação do Dalheim, que bateu por duas bolas a zero a Platifer e arrecadou a quinta posição. Para o lugar mais baixo do pódio, os Veterenos de Esch bateram por 2 bolas a 1 os veteranos de Differdange, num bom jogo de futebol.

Os grandes vencedores da tardes só foram conhecidos através da marcação de grandes penalidades, já que nem os Lusitanos nem o Café Vitinho tinham marcado qualquer golo ao final do tempo regulamentar. Os Lusitanos revelaram mais pontaria nos penalties e venceram por 5 bolas a 4, sagrando-se campeões.

Este foi o último torneio organizado por João Silva, que esteve 26 anos à frente da direcção do Sporting Étoile du Sud, e que se afasta do clube por razões de saúde.

Texto e fotos: Ricardo Raminhos